06
Abr 13

Cap.34 – A conversa

Tinha sido uma das piores tardes da minha vida.

Aquela estranha conversa do Rob ao telemóvel deixara o meu cérebro quase a dar o nó e o desfecho não poderia ser mais catastrófico.

Ainda não conseguia acreditar que ele acabara de sair porta fora sem sequer se despedir dos filhos. Dizendo apenas que não ia voltar, que não era isto que queria. Não era o que imaginava e que o melhor para todos era que eu aceitasse a sua escolha e não o procurasse mais.

- E os meninos? Os teus filhos? O que é que ...

- Eles têm-te a ti. Não vou deixar de cumprir com as minhas responsabilidades. Asseguro-te que não lhes vai faltar nada. Preciso sair agora. Não me procures. Segue com a tua vida, arranja alguém... Adeus.

Voltou costas e saiu o mais rápido possível, fechando a porta atrás de si.

Eu não entendi nem acreditei em nada do que me disse. Aguentara todas as suas paranóias e criancices no último mês, mas não esperava tamanha irresponsabilidade, frieza e egoísmo da parte dele. E ainda ter a lata de dizer que era o melhor para mim, que eu ia ficar bem, que o estava a fazer por mim.

Pensei em ligar à Lizzie, mas depressa desisti. Eles eram irmãos e se ela não me tinha dito nada era porque de alguma forma estava de acordo com ele. Porque de certeza que ela sabia o que ele andava a pensar fazer. Comecei a pensar a quem podia ligar àquelas horas sem ser indelicada e percebi que a maior parte dos meus amigos agora eram os amigos dele. Apenas restava o Alex.

Apanhei o telefone, caído no chão a meu lado e fiz a ligação, mas ele não atendeu e eu não insisti. Afinal de contas já era bastante tarde e ele devia estar a dormir.

Arrastei-me até à cama e tentei a todo o custo pegar no sono, mas só conseguia chorar. Chorava em silêncio para não despertar os nossos filhos. Pensar neles ainda me fez chorar mais.

O que é que eu ia dizer ao Miguel?

E porquê? Porquê agora? Porquê comigo? Será que ainda não sofrera o suficiente?

Acabei por adormecer por exaustão e na manhã seguinte quando acordei o meu primeiro pensamento foi que tudo não passava de um pesadelo. Isto até me levantar e dar de caras com os meus olhos super inchados reflectidos no espelho da cómoda.

O meu telemóvel tocou mas ignorei-o. Precisava urgentemente de um duche e queria aproveitar enquanto as crianças dormiam. Tentei lavar-me de toda a dor que sentia e começar a imaginar a minha vida agora sem ele, mas era impossível. De certeza que se passara algo que ele não me quisera contar. Ninguém muda assim.

Saí finalmente do banho e o telemóvel tocava novamente. Era Lizzie, mas não atendi. Ainda não me sentia em condições de falar com ninguém.

Sequei o cabelo e vesti-me, sempre tentando ignorar o telemóvel que não parava de tocar. Mas no fim peguei nele e ia desligá-lo quando a Lizzie voltou a ligar e atendi.

- Anna? Está tudo bem? O meu irmão está aí? É que ele não me atende e... O que se passa? Fartei-me de ligar!

- Lizz... Ele saiu de casa ontem. Não sei mais nada.

- Ele... O quê?!?

- Sim. O Rob... O teu irmão. Foi-se embora ontem. Disse que já não quer estar mais connosco.

- O meu irmão o quê? Mas ele não pode... Ele não pode fazer isso. Não pode sair assim!

- Mas saiu... Olha porque não lhe dizes isso a ele?

- Já te disse... Não consigo falar com ele. Pensei que ele estivesse em casa. Não estás a brincar comigo, pois não? A sério, preciso mesmo de falar com ele!

- Quem me dera... – Disse, com um suspiro e, incapaz de me controlar, desatei a chorar.

- Estás mesmo a falar a sério... Calma amiga. Bem, eu tinha umas coisas pra fazer, mas não importa. Vou aí ter contigo. Respira. Vou chegar logo. E contas-me tudo com calma.

Não sabia muito bem se era o que queria, mas deixei-me ficar à espera dela. Podia ser que me animasse. Normalmente Lizzie tinha esse poder.

Ela entrou com a chave do porteiro e encontrou-me sentada aos pés da cama, com a cabeça encostada aos joelhos.

- Hei... Então que se passa? Oh anda cá! – Disse e abraçou-me forte. – Vá, tem calma. Isto não faz sentido nenhum. De certeza que se passa alguma coisa e ele entrou em pânico por algum motivo. Ele vai cair em si e vai ficar tudo bem.

Não consegui dizer nada. Sentia-me desfeita por dentro e exausta pela noite mal dormida. A única resposta que consegui dar foi um soluço abafado, antes de me desfazer novamente em lágrimas.

Lizzie foi incansável para me animar. Tratou das crianças, ligou para a Annie e recambiou toda a gente para casa da mãe. E depois ocupou-se de mim e passou a tarde inteira a tentar arrancar-me de casa.

Robert era a minha força, era por ele que tinha mudado a minha vida toda, tinha confiado nele cegamente e agora sentia que a vida e a felicidade me fugiam como areia entre as mãos.

Sabia que teria de ser forte nem que fosse pelos meus filhos, mas a verdade é que neste momento nem disso me sentia capaz. Tantas dificuldades e tanta luta para depois acabar assim?

Quando a noite caiu sentia-me exausta, embora tivesse passado parte da tarde a dormir. Sentia-me vazia.

- Continuo a achar que não estás em condições de ficar sozinha. De certeza que não queres que eu fique?

Encolhi os ombros e ela sentou-se na cama ao meu lado.

- Anima-te. Não gosto de te ver assim. Olha, eu não sei o que se passa com o meu irmão porque ele não me atendeu o dia todo, mas de certeza que é só uma fase. Ele não ia deixar-te assim. Bem, eu não entendo... Mas juro-te que vou descobrir o que se passa!

- Eu já nem sei se quero descobrir...

- Mas o que se passa? Achas que ele tem outra?

- Ele entra e sai a qualquer hora e não dá explicações... E tu sabes como eu sou...

- Sei, és mais controlada que eu... Eu nem quero imaginar se vivesse com o... Bem, não interessa.

- Com o Tom não é? – Ela corou que nem um tomate. – Vá lá Lizzie, eu já percebi que vocês namoram... Só não percebo porque se escondem...

- Hum... Bem, não é possível esconder-te nada, pois não? Mas nós não namoramos, andamos...É tudo.

- Lizzie...

- Ok, tá bem... Namoramos, mais ou menos... Mas não contes a ninguém. Não queremos complicações...

- Pois... Complicações como as minhas... Tanta contrariedade só podia dar nisto.

- Hei! Estavas a ficar melhor! Não vais recomeçar a chorar pois não?!

Suspirei.

- Não... Acho que não. Estou cansada.

- Queres que durma contigo?

Sorri.

- Lizzie, também não tenho cinco anos!

- Oh... Mas eu tenho! Espera, vou só buscar um pijama!

Levantou-se e foi aos pulinhos até à cómoda. Tive que rir. Esta Lizzie era mesmo tonta. E eu sabia que todas estas parvoíces hoje, eram única e exclusivamente para me arrancar um sorriso.

Acabámos a noite as duas a tagarelar. Não me sentia feliz, mas pelo menos a companhia da minha melhor amiga fez-me bem e atenuou a minha dor.

Na manhã seguinte acordei sozinha na cama. Já devia ser tarde porque a claridade entrava pela fresta do cortinado.

Ouvi Lizzie a falar, levantei-me para a ir cumprimentar, mas não cheguei a entrar na sala quando percebi que a conversa era sobre mim.

- Mas Tom, como não sabes de nada? De certeza que ele te disse alguma coisa. O meu irmão não ia fazer uma coisa destas à Anna sem falar pelo menos contigo! Pensa bem... Oh porque não me contas? Eu preciso de saber o que se passa para a tentar ajudar!

Não ouvi a resposta, pois ela falava ao telemóvel.

- Ok. Mas se te lembrares de alguma coisa que ele te tenha dito, dizes-me certo? Hum hum... Ok. Obrigada. Vai continuando a tentar ligar pra ele. Obrigada amor. Olha logo é melhor desmarcarmos, ela não está bem, teve pesadelos a noite inteira e eu não a vou deixar assim. Desculpa. Eu também. Beijo.

publicado por Twihistorias às 18:00

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