17
Abr 13

Capítulo 40

-Kelsi Miller – chamou o oficial de justiça.

Era agora.

Arrastei os meus pés atrás do homem de cabelo grisalho para dentro da sala de audiências. Assim que cruzei a soleira da porta o burburinho aumentou. No meio da multidão consegui ver a minha mãe, ladeada pela Emily e pelo Ethan.

No momento que cruzei o meu olhar com Ethan e vi o seu sorriso o meu coração pareceu acalmar.

Não sabia o porquê, mas a sensação de o ter do meu lado era tão abrasadora. Mais ao fundo da sala estava o Bentley rodeado de pessoas de uma beleza extraordinária, consegui distinguir a irmã dele, Kate. O resto pressupôs que fossem a restante família.

Era impossível aquela beleza toda não ter um toquezinho de genes vampíricos. Renesmee e Jacob estavam no meio deles, ambos sorriram para mim, de forma a mostrar também a sua força para comigo.

Ao lado do meu advogado estava um belo rapaz de cabelo cor de mel. Apesar de pálido, não conseguia negar o quão atraente ele era. Aquele deveria ser o tio que a Renesmee me tinha falado.

-Kelsi – sussurrou o meu advogado assim que me sentei ao seu lado. – Este é o Jasper Hale. Ele é um estagiário na nossa empresa, está aqui para ajudar.

Sorri na sua direcção.

Uma oficial da justiça, uma mulher alta de cabelos ruivos na casa dos 30 anos, levantou-se e anunciou a juíza.

A audiência tinha começado.

Não entendia nada do que se passava. O meu advogado e o estagiário iam trocando ideias à medida que alguns especialistas forences falavam, policias, médicos legistas, o médico que me viu à um temo atrás.

Um policia que esteve recentemente a investigar o quarto do Chester depois de se saber que ele me tinha violado mostrou uma foto da quantidade de madeixas de cabelos que tinham encontrado numa caixa dentro do armário dele.

No meio de tantas madeixas de cabelo distingui a minha.

Como poderia eu não reconhecer o meu enorme cabelo loiro ali.

Senti uma lágrima querer fugir, mas respirei fundo e engoli-a. Como fazia muitas vezes. Senti o meu muro erguer-se ali.

Toda a minha emoção desapareceu da minha face. Não queria reviver tudo aquilo novamente.

Não agora.

Não conseguia.

Doía demais.

O meu muro foi-se erguendo cada vez mais e mais. Até que eu estava completamente rodeada com as minhas paredes de titânio. Nada conseguia passar por ali. Nada chegaria a mim.

Mentalmente contei as madeixas de cabelo. Eram 12 ao todo.

Doze meninas tinham sido violadas por ele.

Eu era uma das 12.

 

O dia passou, e apesar dos choros vindos da audiência, dos insultos, dos murmurinhos, nada me tinha afectado. Eu estava de novo no meu casulo.

Tão protegida, tão escondida que parecia um zombie quando me olhei ao espelho numa das casas de banho do tribunal.

Chegou a hora de regressar a casa.

Todos os meus amigos estavam lá.

Vampiros e lobisomens.

Cada vez mais me convencia que Hogwarts tinha que existir. Quer dizer, os meus únicos amigos eram criaturas sobrenaturais.

Algures no mundo tinha que existir um Voldemort.

Assim que a policia foi embora depois de me colocar a pulseira no tornozelo, as visitas dirigiram-se à cozinha e começaram a atacar a comida, excepto os vampiros.

Eu estava sem fome. Amanhã vou ter que voltar a enfrentar tudo novamente.

Passei por entre as pessaos, iria para o meu quarto.

Algo me agarrou no braço e instintivamente voltei a retrair-me. O julgamento teve as suas consequências.

-Desculpa. – disse Bentley.

Encolhi os ombros face àquele pedido.

-Não faz mal. – o sorriso amarelo apareceu nos meus lábios. Não conseguia mostrar qualquer emoção, nem mesmo ao Bentley.

Ele fez-me sinal com a cabeça para subirmos. Reparei que o Ethan nos seguiu com o olhar, mas nada disse ou fez.

-Kelsi – começou ele a falar assim que fechou a porta atrás de nós. – Por favor não entres aí.

Olhei para ele e nada disse, nem demonstrei nenhum tipo de sentimento.

Era tarde de mais, já tinha entrado.

-Olha para mim. - os olhos dele incendiavam-me, era como se me conseguissem ler a alma.

Não aguentei muito tempo, acabei por desviar o olhar.

-Nem penses que vou desistir. – a voz dele estava furiosa. – Não vais entrar nesse estado novamente, eu não deixo. Não depois de ontem.

Bentley saltou para a minha frente.

Todo o seu semblante era de predador, não tinha nenhum ar de gozão, brincalhão ou apaixonado. Ali estava um vampiro furioso comigo.

-Eu não posso…não agora. – a minha voz suava calma. Sabia que ele seria incapaz de me magoar.

O seu olhar ficou mais furioso, e pela primeira vez ouvi um barulho vindo da sua garganta. Um rugido.

A minha segurança começou a ser colocada em questão.

-Não percebes? Eu não quero sair daqui. – disse com uma confiança falsa.

O rugido aumentou e segundos depois a cama do meu quarto acabara de ser destruída. Aquilo assustou-me, a mim e a toda a gente cá em baixo. O silêncio que se fez era constrangedor.

Ouvia a minha mãe e o Ethan a discutir com alguém. Ambos queriam subir para me proteger. Mas alguém não os deixava, alguém estava a impedir a passagem.

Estranhamente, comecei a sentir uma calma que não sentia à segundos atrás. Era como se tivessem ligado uma ventoinha e esta soprasse calma por todos os lados.

Um grito do andar de baixo e apercebi-me que o Ethan tinha acabado de se transformar, provavelmente perto da minha mãe. Tentei escapar dali para ver se tudo estava bem com ela, mas Bentley barrou-me a passagem.

Medo, era aquilo que sentia.

Aparentemente o meu muro tinha uma falha. Chamava-se instinto pela sobrevivência.

-Bentley… - implorei. – estás a assustar-me.

Ele sorriu, mas não era o meu sorriso. Era algo sombrio, trocista. Fez com que todos os pelos do meu corpo reagissem aquele sorriso.

-Bentley, por favor.

A onda de calma da ventoinha surtia algum efeito, mas não o suficiente.

Olhei de relance para a janela, se eu saltasse lá para fora e passasse o perímetro de segurança iria alertar a polícia. Mas como é que eu o iria fazer contra um vampiro? Pois, não ia.

-Não percebes? – gritei eu. Mais pelo pânico do que pela coragem. – Se eu sair daqui, se eu sair da minha bolha, como vou aguentar amanhã? Como vou aguentar quando toda a gente falar da minha violação como se nada fosse? Como vou suportar o olhar das pessoas? Eu não quero sair daqui, não quero sentir.

O timbre da minha voz fez com que o ar assustador de Bentley desaparecesse. E com ele o meu muro também desapareceu. Foi tudo por água abaixo.

Agora estava eu sobre os meus joelhos no chão a chorar.

Eu tinha medo, tinha que reviver tudo e fingir que nada se passava. Demorei anos a tentar esquecer o máximo das coisas, e agora ali estava eu novamente a relembrar todos os pormenores. Eu e mais onze raparigas, vitimas do Chester.

Bentley tentou aproximar-se de mim, colocar os braços ao meu redor. Mas eu afastei-me.

Estava demasiado magoada com ele.

Ele tinha conseguido o que queria, que eu saísse do meu escudo. Tinha saído. Mas agora não queria olhar para ele.

-Sai daqui. – brandei em voz alta.

-Kelsi… - tentou ele.

-Sai! – gritei novamente.

Sabia que tinha sido com boa intensão, ele preocupava-se comigo. Mas…

Ali fiquei eu, sozinha no meu quarto a chorar.

«Foi para te proteger de entrar nesse estado.» pensava eu.

Eu sabia que ele não me iria magoar, ou pelo menos queria acreditar nisso. Mas como é que eu podia ter certeza? Nunca tive tanto medo na minha vida de alguém, a não ser com o Chester.

E se ele me tivesse atacado? E se…

-Kelsi? – ouvi uma voz feminina. Ainda não a conhecia, era alta e de cabelo castanho. Os olhos eram semelhantes aos de Bentley.

Atrás dela vinha a Renesmee.

As duas raparigas que pareciam quase irmãs vieram ao meu encontro e ajudaram-me a levantar. Um puxou de uma cadeira para eu me sentar e elas ficaram à minha frente.

-Eu sou a Bella, a mãe da Renesmee.

Não consegui esconder a surpresa nos meus olhos. De facto elas tinham algumas parecenças, mas mãe e filha? Ambas aparentavam a mesma idade.

Ambas sorriram perante o meu espanto.

-Bem, eu sei que estás bastante transtornada Kelsi. Mas sabes o porquê que ele fez aquilo, não sabes? – falou a Bella.

Afirmei que sim com a cabeça. Como eu suspeitava, para me tirar do meu transe.

-Ele nunca teve intensões de te magoar Kelsi. Ele estava chateado e furioso, mas seria incapaz de te magoar. – a mão fria de Bella acariciava os meus cabelos pretos e curtos.

-A minha mãe… - pronunciei assim que me recordei do grito dela momentos antes.

-Não te preocupes. – disse a Renesmee. – O Ethan descontrolou-se um bocadinho e acabou de se transformar à frente dela. Estão agora mesmo a tentar explicar-lhe algumas coisas.

O sorriso dela era estranho. Ela falou aquilo como se fosse a coisa mais normal de acontecer.

-O Jacob despiu-se em frente ao meu pai e transformou-se. – disse Bella em forma de justificar o porquê de elas não estarem demasiado preocupadas. –Ela aguenta. É forte como a filha. E também só vai saber o estritamente necessário.

Acenei com a cabeça.

-Bem, agora Kelsi queríamos falar contigo sobre um assunto um pouco mais delicado. – o tom de voz de Bella modificou.

Estava demasiado sério. Não gostava disso.

-Tu tomas algum tipo de precaução contra a gravidez? Como a pilula ou assim? – perguntou de forma envergonhada.

A pergunta não tinha nada de mais, a resposta também não. Noutra altura teria respondido sem qualquer problema. Mas porquê que uma mulher que nunca tinha visto na vida, do nada queria saber aquilo?

-Sabes que numa casa onde há uma vidente e um telepata em casa é complicado ter segredos naquela família. – Renesmee olhou para mim, apenas para se certificar que eu tinha percebido o que ela queria dizer.

Pois bem, toda a família sabia que eu e o Bentley tínhamos feito amor nessa noite.

Mas continuava sem perceber a pergunta da Bella.

-Porquê essa pergunta? Vocês sabem o que aconteceu e não é que eu vá engravidar caso não tome precauções. Ele é um vampiro, está congelado.

Elas entreolharam-se.

-Isso quer dizer que tomas, não é? – perguntou a Bella com um sorriso forçado.

A confusão continuava a tomar conta de mim. Porque que elas estavam tão preocupadas com a minha vida sexual e se tomava ou não precauções. Eu sabia o que era ter um filho e principalmente como é que eles eram feitos. Afinal de contas já tinha feito um.

-Não, não tomo. Não tinha porque o fazer. Desde o Chester não estive com mais ninguém. À excepção de ontem que foi com um vampiro congelado. Não estou a ver o problema.

-O meu pai também é um vampiro com mais de 100 anos e a minha mãe era uma humana de 17. – Renesmee encolheu os ombros como se fosse muito normal o que estava a dizer. Como se toda a gente soubesse daquilo, porque todos os professores explicavam isso nas aulas de educação sexual. – Eles fizeram amor sem precauções e cá estou eu! Uma semi vampira, semi humana.

O meu queixo caiu meio metro. Elas estavam a dizer que eu podia estar gravida do Bentley.

Agora sim, eu estava completamente apática e não era porque o meu muro tinha acabado de se erguer. Eu estava em estado de choque.

publicado por Twihistorias às 20:37
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