30
Jul 12

Cap. 7 - Karen

Afastei-me procurando a origem da luz e reparei que alguém, a duas mesas de distância, se levantava e saía apressado.

Voltei-me para Anna e percebi que acabara de ver o mesmo que eu. Havia um paparazzi no restaurante.

- Robert, vamos embora daqui, por favor! – Pediu-me.

Chamei o empregado, paguei rapidamente a despesa e saímos.

A confusão lá fora era mais que muita. Estavam paparazzis em toda a parte. Fomos bombardeados por dezenas de flashes.

- Robert! Rob! Aqui!

- Robert! Vocês estão noivos? Vão casar?

- Mostrem-nos o anel! O Anel! Robert! Podemos ver o anel?

Eles andavam à nossa volta e gritavam como se fossemos surdos. Aliás, como se eu fosse surdo, pois só se dirigiam a mim.

Anna estava encolhida, com o meu casaco por cima dos ombros. Puxei-a para mais perto, passando o meu braço pela sua cintura e quase tive de a arrastar comigo até ao carro. Sussurrei-lhe que nada dissesse e que tentasse manter a cabeça baixa, já que nunca se sabe qual é a ideia desta gente.

E o tumulto continuou até ao carro, do qual eles não pareciam querer arredar pé, pela maneira como se amontoavam junto a ele.

Ajudei-a a entrar e, enquanto dava a volta ao carro, fui fustigado por nova vaga de flashes e perguntas. Mantive a cabeça baixa e tentei ignorá-los, enquanto abria caminho até à porta.

Entrei a custo, depois de ser obrigado a gritar-lhes para saírem do meu caminho. Tentei iniciar a manobra, mas era impossível fazê-lo sem magoar ninguém. Buzinei várias vezes, mas eles continuavam aglomerados à volta do carro, disparando as máquinas vezes sem conta.

- Pára o carro Robert! Agora! – Ela tinha os olhos demasiado brilhantes, como se fosse desfazer-se em lágrimas a qualquer momento.

- Prometo que vou tirar-nos daqui, Amor. Nem que tenha de ser à força...

- Não Robert! Eu estou farta! Estou farta disto tudo! Já não aguento mais...

Reparei que ela já não estava a usar o anel.

- O que queres dizer Anna? – Eu estava a entrar em pânico. Há muito que esperava que ela se fartasse de toda esta perseguição. Que se fartasse de mim.

- A chave. – Olhei-a sem compreender. – Robert, passa-me a chave do carro, por favor! – Passei-lhe automaticamente a chave, ainda sem perceber o que tencionava fazer.

Ela virou-me costas e abriu a porta do carro com toda a força, apanhando desprevenido o paparazzi que se encontrava mais perto.

- Anna, não! Eles não vão ouvir-te! Não vale a pena. Volta para o carro por favor! – Mas ela já saíra do carro e enfrentava-os.

Abri a porta do meu lado e saí também do carro, tentando dar a volta e chegar até ela.

- Anna! Deixem-na em paz! Parem de nos seguir! O que estão a tentar fazer? Quando é que vão desistir? Nós não vamos fazer nenhuma declaração!

Ela virou-se, advertindo-me com o olhar e dirigindo-se aos paparazzi. Por incrível que pareça, alguns já tinham parado de tirar fotos.

- Quantos de vocês têm crianças à espera em casa? – Alguns deles manifestaram-se e outros murmuravam entre si.

- Hey! Este é o nosso trabalho! Toda a gente sabe o quanto nos esforçamos! Porque vocês só nos dificultam a vida!

- Qual é o seu nome?

- Gary.

- Gary. Gary Highings? O Gary tem-me seguido nas últimas semanas. Descobriu alguma coisa?

- Que vai fazer um filme!

- Boa! É a primeira notícia verdadeira que descobre.

- Costumo investigar bem as minhas fontes...

- Tem a certeza? É que da última vez que conseguiu vender em exclusivo uma foto minha, lembro-me que ilustrava uma notícia completamente falsa. Acho melhor rever as suas fontes seguras, Sr. Highings. Já vi pessoas a serem processadas por menos.

O paparazzi parecia bastante irritado, mas não voltou a responder-lhe.

- Anna, vamos embora. Eles não merecem a tua atenção depois do que têm feito. – Sussurrei-lhe ao ouvido, tentando levá-la de volta ao carro.

- Robert! Dá-me dois minutos. Preciso mesmo de acabar isto e vamos já para casa.

- Mas Anna...

- Robert, dois minutos.

Passei a mão pelo cabelo. Não me agradava nada vê-la tão perto deles, mas não havia nada que eu pudesse fazer. Ela já decidira o que ia fazer e não ia dar-me ouvidos. Encostei-me a ela, pousando a mão na sua cintura e preparei-me para, ao mínimo problema, a puxar dali para fora.

Nesta altura, todos eles tinham parado de nos fotografar e olhavam-na à espera do que ela faria a seguir. Muitos pareciam até ter-se esquecido do que estavam ali a fazer e baixaram as máquinas.

- Sem querer faltar ao respeito em relação ao vosso trabalho, mas muitos de vocês, senão a maior parte, nem se dão ao trabalho de pensar nas partes absurdas das vossas histórias. Só queria que tivessem a consciência que não sou só eu a ser seguida. Já vi o suficiente para reconhecer a quem pertence um trabalho.

Voltei a ouvir murmúrios de toda a parte à nossa volta.

- Isto não é nenhum tipo de ameaça, até porque não iria surtir efeito. – Voltou a fazer-se silêncio. – Todos nós temos o nosso papel a desempenhar. Eu, vocês... mas creio que não é necessária, toda esta algazarra! Com calma e ordem, tudo se consegue. Enquanto nos sufocarem, a vida não será fácil para nenhuma das partes e será o vosso trabalho que mais sofrerá com isso. Bem, agora, se não se importam, o dia foi longo e o nosso filho espera-nos em casa. Boa noite a todos.

Apertou a minha mão que ainda repousava na sua cintura e piscou-me o olho discretamente, libertando-se do meu abraço protector. Deu a volta ao carro e abriu a porta do lado do condutor.

- Vamos para casa, Amor? Entra.

Sentei-me no carro e fitei-a.

- Vais conduzir?

Como resposta, rodou a chave e conduziu-nos dali para fora. Já tínhamos saído do parque, quando comecei a ver novamente os flashes.

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- Amor? Importas-te de parar de olhar para mim dessa forma, e dar-me o anel que está no bolso do teu casaco?

- Ah... Claro! Só não percebi porque o tiraste. – Disse, enquanto lho passava e ela o voltava a colocar no dedo.

- Caso não tenhas reparado, o parque estava cheio de paparazzis.

- Não precisas de ser irónica. Isso, eu vi. Não percebi qual foi a tua ideia de saíres do carro. Podia ter acontecido alguma coisa. Sabes como eles às vezes são descontrolados.

- Mas não aconteceu! Não precisavas tê-los fulminado com o olhar... além disso, eu já não aguentava mais. Bem, parece que resultou. Não estão a seguir-nos. – Disse, olhando o espelho retrovisor.

Robert olhou para trás, confirmando o que eu acabara de dizer. Voltou-se novamente para mim, com uma sobrancelha levantada. Eu acabara de estacionar à porta de casa.

- O que lhes disseste?

- Nada de especial.

- Eles pareceram-me quase surpreendidos quando eu saí do carro. O que lhes disseste quando saíste do carro? E como é que sabias o apelido daquele fotógrafo?

Rob estava totalmente confuso e chegara a altura de contar-lhe a minha loucura de há três semanas atrás. Abri o porta-luvas, tirei uma revista e entreguei-lha.

- Vê se descobres.

Rob olhou para a capa e lá estava uma foto nossa com um rasgão e outra minha, mais pequena e ligeiramente de costas, com a manchete “Amor em risco?”. Ele procurou a página, onde a história era desenvolvida e leu-a até ao fim em silêncio. Toda a matéria era acompanhada de fotos, em que supostamente eu estaria muito próxima de um rapaz, enquanto passeávamos pelo centro de LA e tomávamos café. “Demasiado próxima e com uma cumplicidade evidente”, segundo aquela publicação.

- Para montagem, está bem feita. – Foi o seu único comentário, antes de pousar a revista no tablier. – Mas isso não explica o facto de afirmares que conheces o trabalho de cada um deles. Tanto quanto sei, é impossível descobrir quem tirou as fotos, a menos que só esteja um fotógrafo no local.

- Bem, em primeiro lugar, isso não é uma montagem. E depois, é fácil conhecê-los, quando trabalhas com eles.

- Então quer dizer que... – Começou a dizer, pegando novamente na revista.

- Quer dizer que a rapariga das fotos não sou eu. Essa rapariga é uma sósia. – Interrompi-o, antes que ele começasse a imaginar coisas.

- O quê?

- Imagino que não tenhas lido nada lá na Austrália, mas eles continuavam a perseguir-me a toda a hora e para todo o lado. Eu já não aguentava mais. Depois lembrei-me que talvez fosse interessante passar para o outro lado durante uns tempos. Algumas dessas fotos foram tiradas por mim.

- Mas... o que é que fizeste... tu enlouqueceste?

- Não. Segui-os durante uma semana. Disfarcei-me, vesti-me como eles e trabalhámos juntos e seguíamo-la para todo o lado.

- Não acredito! Tu és doida! E se te descobrissem?

- Então aí sim, iriam ter uma história a sério para contar!

- Eu não acredito que tenhas feito uma coisa destas! – Rob fitava-me, completamente espantado. – Tens a certeza que nenhum deles se apercebeu? Mais alguém sabe disto?

- Pela cara com que eles ficaram quando chamei cada um pelo nome próprio, não me parece que me tenham associado à Karen.

- Karen?

- Sim. Karen, o meu “eu paparazzi”. Só sei eu, a sósia, o rapaz e a Annie.

- Tens de me contar muito bem essa história toda!

- Sim. Mas só amanhã. – Bocejei, percebendo como este dia tinha sido comprido. – Ai, estou exausta! Queres ir para cima ou dormimos aqui no carro? – Brinquei.

- Hum... até que nem era má ideia! Mas talvez haja algo mais interessante... – Humedeceu os lábios e mordeu o lábio inferior, enquanto me lançava um olhar bastante sugestivo.

- Tenha juízo, Sr. Pattinson! Vamos pra casa!

Levei o carro para a garagem e subimos finalmente até ao nosso apartamento.

Miguel dormia, quando chegámos e Annie também tinha adormecido, sentada numa cadeira à beira da cama dele.

- Annie, acorda.

- O quê? Ah... Sra. Brody!

- Perdoa-nos por chegarmos tão tarde. Podes dormir no quarto de hóspedes.

- Não estou aqui para dar trabalho, Sra. Brody.

- Não há problema. Também não estás aqui para saíres a meio da noite, pois não? Fica. Tens um pijama meu em cima da cama. Boa noite Annie.

- Boa noite, Sra. Brody.

Olhei para ela revirando os olhos. Quando é que ela iria parar de me chamar pelo meu apelido?

- Anna. O meu nome é Anna.

- Sim, Sra. Bro... – Desta vez, olhei-a de lado. - Quer dizer Anna.

- Até amanhã, Annie.

Quando cheguei ao quarto, Rob já dormia. Deitei-me, aconchegando-me a ele e olhei o meu anel. O meu anel de noivado. Oh meu Deus...Eu não acredito! Estou noiva!

- Também quero passar o resto dos meus dias contigo, meu amor... – Robert dormia a sono solto, a meu lado.

Demorei ainda algum tempo a adormecer.

Pensava no rumo que as nossas vidas tinham tomado, em tudo o que nos tinha unido e separado até hoje. Não tinha sido fácil chegar até aqui, mas talvez fosse precisamente isso o que nos unia ainda mais. E tínhamos o Miguel, o nosso principezinho.

Observei Rob, enquanto dormia. Oh meu Deus! Como eles são iguais! Quantas e quantas vezes, eu tinha visto aquela mesma expressão no rosto do meu filho? Embora estivéssemos separados, Robert nunca saíra da minha vida. Sem saber, ele tinha-me dado o melhor presente possível...

Passei a minha mão pelos seus cabelos, afastando-os da testa. Ele nunca iria passar a pentear-se como as pessoas normais...

Robert mexeu-se, fazendo dispersar os meus pensamentos. Virou-se de lado, encostando o seu rosto no meu. Balbuciou qualquer coisa que me soou muito a algo como “A minha mulher coragem.

Virei-me de lado, ficando de costas para ele e fechei os olhos.

- Obrigada por nunca teres desistido, Robert. – Suspirei, no momento em que me preparava para dormir.

- Amo-te. – Ele falava enquanto sonhava.

- Também te amo. – Foi a única coisa que consegui responder, antes de cair na inconsciência.

publicado por Twihistorias às 21:29

2 comentários:
Nossa,achei que ela fosse desistir do casamento!
Marcela Thomé a 30 de Julho de 2012 às 22:27

Gostei tanto deste capítulo.
Ela é mesmo uma mulher coragem. Trabalhou como paparazzi para os desorientar e enfrentou-os durante uma perseguição.
Por momentos, quando o Robert conduzia o carro pensei que ela fosse desistir do casamento, mas não. Ainda bem :)
Sarah a 31 de Julho de 2012 às 19:34

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