04
Ago 12

 

 

 

Capítulo 16

Parte 1

O ardor na minha garganta tinha desaparecido, o motivo era um leão, dois veados e uma lebre.

Estava na hora de voltar a casa, mas a verdade é que não me apetecia estar perto daqueles que tanto me magoavam. Necessitava de alguém que não me julgasse, que me compreendesse, ou pelo menos tentava sempre compreender o meu lado. Quanto mais não fosse, ouvia sempre o que eu tinha a dizer antes de me julgar.

O sol ainda não se tinha posto, por isso teria cerca de duas horas para chegar a La Push e procurar pelo Jacob.

Antes de trespor a barreira que dividia territórios hesitei um pouco, fazia poucas horas que aquilo com o Jacob se tinha passado, seria no mínimo constrangedor. Já para não falar que seria egoísta da minha parte ir ter com ele depois daquilo só porque eu estava mal.

Mas também se não fosse ter com o Jacob com quem iria eu falar? Não tinha ali mais ninguém.

Por isso corri em direcção à praia, onde supostamente o meu lobito estaria a “meditar”.

-Quill, anda pala a água! – gritava a pequena Claire.

Como ela estava enorme, no entanto ainda não conseguia pronunciar os Rs.

Quill dizia que já iria, mas já tinha sentido a minha presença, por isso avançou na minha direcção. Não sem antes advertir a pequena para ter cuidado.

-Está bem Quill. Olha eu nado só aqui tá bem? – dizia ela apontando para a zona mais baixa do mar. a água dava-lhe pelos joelhitos quando ela estava de pé. – Polque assim se me afogal, afogo-me peltinho pala não teles que nadal muito.

Aquela declaração fez-me sorrir, quase que me fez esquecer todos os meus problemas.

-Ela é linda Quill, e está enorme! – disse assim que ele se aproximou de mim.

Quill lançou um olhar por cima do ombro para a pequena que brincava na água.

Os olhos do rapaz à minha frente brilhavam sempre que olhava para aquela criança. Aquele olhar fez-me lembrar o Jacob, a forma como ele sempre olhou para mim. Algo tão puro e sincero.

O meu estomago encolheu-se e a mesma incerteza de à minutos atrás voltou. Não era justo eu estar ali.

-Sabes do Jacob? – saiu da minha boca antes que o pudesse impedir. – Preciso mesmo de falar com ele.

-Não sei Nes…Renesmee. Desculpa é do hábito. – Apressou-se ele a dizer. – Ele deve estar em casa dele, em Forks, já lá foste?

Por incrível que parecesse, ainda não lá tinha ido e não sabia ao certo onde era.

-Pois. Bem, se o vires podes dizer para ele ir ter comigo a minha casa. Eu serei aquela que está de castigo, não tem como errar. – disse com um sorriso irónico na cara.

Pois o castigo, tinha que regressar a casa. Não queria abusar da minha escapadela.

Agradeci ao Quill e deixei-o voltar para perto da pequena Claire.

Já estava a uns metros do Quill quando alguém me agarra no braço. Olhei para trás e vejo a Leah, um revirar de olhos foi-me inevitável. No passado até que tinha gostado bem da Leah e assim, mas desde que regressei que ela estava um pouco insuportável.

-O que estás aqui a fazer? – perguntou-me ela cheia de ódio.

Reparei que ela estava acompanhada pela Emily, o que para mim era estranho vê-las juntas, visto que à uns anos atrás só o facto de estarem na mesma sala era insuportável para a Leah.

-Vim falar com o Jacob. – falei naturalmente.

-Não achas que está na altura de o deixares em paz? Quer dizer depois do que lhe fizeste hoje na floresta, acho que deixas-te bem claro que não queres nada com ele. Por isso faz um favor a todos e deixa de o procurar.

Ora lá estava algo que eu não esperava, que ela tivesse a lata de me vir falar do meu quase sexo com o Jacob. Quer dizer isso era uma coisa intima, e de certeza que ela só o soube porque ambos estavam na forma de lobo e não há forma de esconder.

Aliás não tinha gostado da agressividade na sua voz quando veio falar comigo, ela podia ser amiga dele, mas isso não lhe dava o direito de me dizer o que devia ou não fazer.

-Ouve lá ó cadela infértil – disse empurrando-a – mas quem é que pensas que és para opinares sobre o que se passa comigo e com o Jacob? Eu e ele fazemos o que quisermos e nos apetecer e não temos que te dar explicações e muito menos pedir autorização. Lá por não teres filhos não te dá o direito de te armares em mãe de todos.

Ia continuar, mas já a Emily estava ao lado dela e o Quill entre mim e a Leah. Consegui ver a tristeza patente na cara da Leah. A verdade é que não queria saber, ela tinha que ser colocada no lugar dela antes de dar palpites a toda a gente.

Virei costas e parti em direcção à casa dos meus pais.

Mas estava tão transtornada que desviei a minha rota uns quilómetros. Fui dar comigo no topo de uma árvore a ver o por do sol.

Toda a minha cabeça trabalhava, desde o dia em que parti até ao dia de hoje. Tentava perceber se eu estava errada, ou pelo menos o porquê de os Cullen me odiarem tanto, ou pensarem sempre o pior de mim. Quer dizer, eu é que tinha sido enganada nesta historia toda, e no entanto todos pareciam odiar-me. Até a Leah!

O tempo foi passando e a noite apareceu, o ceu estava completamente estrelado.

Recostei-me no tronco para apreciar melhor o pano negro cheio de pontos claros, era como se o sol conseguisse espreitar por aquele manto negro. Com aquela vista, eu sentia-me em qualquer parte do mundo, fingi estar de volta a Paris, onde a maioria dos meus problemas era “como vou conseguir dormir este fim de semana?”

Senti os meus olhos ficarem mais pesados, mas recusava-os a fechar, ou mesmo a sair dali.

Subitamente senti uma dor horrível e depois outra, seguindo-se outra.

Tinha adormecido e neste momento estava em queda livre do topo da árvore. Ainda me tentei agarrar em algum sítio, mas assim que ergui o meu braço uma dor lancinante atingiu-me a zona das costelas.

Cai desamparada no chão, todo o corpo me doía. Olhei para mim de forma a avaliar os estragos e reparei que tinha uma fractura exposta na perna.

Era impossível andar e se não remediasse aquilo rapidamente a cicatrização não iria ocorrer da forma correcta e depois teria que voltar a partir a perna para corrigir o erro.

Apesar de curar rapidamente, eu não deixava de ter os outros sintomas humanos, principalmente a dor.

Com as lágrimas a correr e com as dores no restante corpo, fiz um esforço para me sentar e com os braços colocar a perna o mais direita possível.

Assim foi, respirei fundo, reuni todas as forças que tinha e….

Um grito de dor saiu do fundo da minha garganta, ouvi todos os pássaros a voar assustado devido aquele som. Depois disso tudo ficou negro.

Tinha desmaiado, agora tinha o sol a bater-me por entre as ramagens das arvores.

Consegui-a ver melhor os estragos sobre mim. Estava a sarar, mas ainda estava bastante debilitada. Os suores frios, a temperatura alta, as dores, tudo indicavam a infecção que teria algures no corpo.

Levantei a camisola um pouco para ver que tinha parte de um ramo espetado um pouco acima da cintura. Retirei-o com alguma dificuldade. Todo o meu corpo estava com pisaduras demasiado feias, por isso nem quero imaginar como estaria ontem à noite.

A perna estava a curar, apesar de ainda me dar bastantes dores e mal consegui suportar o peso do meu corpo sobre ela.

No entanto teria que sair dali, tinha que regressar a casa, deitar-me na minha cama e eventualmente iria curar tudo. Era o que fazia nos últimos dois anos.

Com bastante dificuldade e fazendo um esforço para não voltar a desmaiar com as dores, levantei-me.

A um passo devagar, mesmo para os humanos, avancei em direcção à casa. Tinha a ajuda de um pau que encontrei no caminho. Mesmo assim não conseguia evitar as lagrimas que me surgiam a cada metro que andava devido às dores horríveis.

Já estava demasiado perto de casa, e não queria que me vissem tão debilitada. Era algo a que eu estava habituada a fazer, nunca me mostrava tão fraca e debilitada como a maioria das vezes me sentia.

Era como se eu tivesse que mostrar ao mundo que eu conseguia estar à altura dos vampiros, como se sentisse necessidade de me impor. Tinha que ser forte se queria sobreviver, era a lei da vida.

Larguei o pau, limpei as lagrimas e engoli a dor. Continuei a passo brando até chegar à porta de casa.

Teria entrado novamente pela janela, mas não conseguia fazer o esforço que tal requeria.

Alguêm estava em casa, consegui-a ouvir. Pelo cheiro era…a Bella.

Não foi preciso erguer a mão para a porta abrir. Fiquei agradecida, suspeitava que não tinha apenas uma costela partida, mas sim várias. O simples gesto de abrir uma porta iria trazer dores horríveis.

-Posso saber onde estives-te? – perguntou furiosa.

-A caçar. – disse rapidamente numa voz o mais monótona possível. Ela estava a olhar para a minha roupa toda rasgada e suja. – Entusiasmei-me um pouco. – acrescentei enquanto tentava passar por ela para me ir deitar na minha cama.

-Estavas de castigo, era para ficares aqui e não para ires caçar. – ralhava a minha mãe, sem nunca tirar os olhos do meu estado.

-Pois, mas da ultima vez que fiquei muito tempo sem caçar quase ataquei a Sue. – o choque era patente na minha mãe.

Ela não sabia desse pormenor, pelos vistos o meu pai não contou a ninguém. Queria sair dali, mas sabia que ela estava a olhar para mim e ao menor gesto de dor, estava denunciada.

-Pois, depois falamos sobre  teu castigo, agora temos que ir para a casa branca. Estão todos à nossa espera, estão para chegar visitas.

O que a minha mãe queria dizer com visitas, era que estavam a chegar os primeiros aliados do nosso lado.

-Não posso ficar aqui? – pedi. Tinha tantas dores e seria mais difícil esconder isso em frente à família toda.

-Não, não podes.

A minha mãe abriu-me a porta indicando-me o caminho para o exterior. Segui-a, tentado ao máximo não mostrar nenhum sinal de dores. Mas a cada movimento era cada vez mais difícil. Todo o meu ser berrava por dentro.

A minha mãe começou a correr, na esperança que eu a acompanhasse, mas eu não o fiz, pois a única vez que o tentei quase voltei a perder os sentidos, por isso continuei no meu passo humano.

-Está tudo bem? – perguntou ela.

-Está! – falei um pouco alto. – Não me apetece correr, posso??

Fingi que estava a ter uma crise adolescente, apenas para ela ir um pouco mais à frente e eu ficar para trás podendo assim fazer as minhas caretas de dor.

A minha mãe começou a andar ao meu passo, um pouco mais à frente, mas sempre a olhar para trás. Provavelmente começou a aperceber-se do meu esforço em certos movimentos, ou nos suores que recomeçavam novamente. Ou simplesmente porque eu não estava a conseguir disfarçar a dor tão bem como queria.

A verdade é que sentia as lesões a darem de si, e em vez de estar a curar estava a agravar.

-Renesmee, o que se passa? – voltou ela a perguntar quando me tentava tocar.

Afastei-me dela, não queria que ela me tocasse. Nada tinha a ver com o facto de estar chateada com ela, mas sim porque não queria que descobrissem que eu estava doente, magoada. Não queria dar a minha parte fraca.

No entanto, a minha mãe entendeu de forma diferente, como tudo que acontecia comigo, eles sempre interpretavam da forma errada.

Contudo, a minha tentativa de me esquivar, fez com que eu embatesse numa árvore, fazendo com que algumas partes do meu corpo doessem um pouco mais. Instintivamente a minha mão voou na direcção das minhas costas para tentar acalmar as dores, como se isso fosse possível. Invés disso um raio de dor nas minhas costelas fizeram-me encolher e gemer de dor. As lágrimas vieram aos meus olhos instintivamente.

A minha mãe conseguiu ver tudo aquilo e rapidamente veio ao meu alcance. Com a sua rapidez levantou a minha camisola conseguindo ver a ferida que tinha acima da cintura. Já não tinha tão mau aspecto, mas foi o suficiente para ver o pânico nos olhos dela.

-Oh filha… - disse segurando-me enquanto eu cedi  à dor. Ela já tinha visto, e eu já mal me aguentava em pé. Por isso deixei que ela visse o meu lado frágil.

A minha mãe imediatamente pegou em mim ao colo e começou a correr em direcção à casa branca. Provavelmente iria levar-me ao avó para ele tratar de mim.

-Edward, Carlisle… - chamava ela com um tom aterrorizado na voz.

Comigo ao colo, sem querer a minha mãe tocou numa das minhas feridas, fazendo com que um grito saísse da minha boca. Em nada fingia agora, era como se tudo que tinha tentado esconder nestes minutos, saíssem agora da minha garganta.

Ouvia passos a correr na minha direcção. Distinguia a forma de correr do meu pai à frente.

-O escudo, por favor! – pedi à minha mãe antes de sucumbir totalmente à dor.

 

Nota:

Não se esqueçam de visitar o blog da Renesmee ;)

http://that_girl.blogs.sapo.pt/

publicado por Twihistorias às 16:00
Fanfics:

5 comentários:
Está muito bom mesmo (:
Sofia a 4 de Agosto de 2012 às 20:28

Coitada dela! Queria mostrar-se forte mas isso só está a piorar a sua saúde.
Só espero que ela consiga sair desta :)
Sarah a 4 de Agosto de 2012 às 22:40

Deus,o caso da renesmee foi sério mesmo...
Marcela Thomé a 6 de Agosto de 2012 às 21:08

Olá boa noite...

Nem sou muito disto de comentar "fanfics" mas vou abrir uma excepção :)

Adoro esta Renesmee, é altamente. Ao longo da história tem ficado uma personagem cada vez mais relevante e interessante.

Mas em relação a este capítulo não posso deixar de referir esta parte:

"Com as lágrimas a correr e com as dores no restante corpo, fiz um esforço para me sentar e com os braços colocar a perna o mais direita possível.
Assim foi, respirei fundo, reuni todas as forças que tinha e….
Um grito de dor saiu do fundo da minha garganta, ouvi todos os pássaros a voar assustado devido aquele som. Depois disso tudo ficou negro."

Grande Mulher! Não é para todos reparar um fractura exposta a sangue frio!

Adorei :)
Ana Filipa a 6 de Agosto de 2012 às 23:38

Amei mais uma vez... E agora o meu Edward vai perceber melhor mas, sinceramente, este Ed que tu descreve não é o meu de todo lol

Grande Ne... desculpa Rennesme xD Não é para todos colocar o sangue frio e tratar uma fractura exposta!

Quero o proximo capitulo so badly :D

Fazes-me gostar do Jacob algo que ninguem tinha conseguido ate agora.
laurabms a 8 de Agosto de 2012 às 12:33

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