14
Ago 12

Capítulo 16

Parte 3

-Jacob, acho melhor regressares a tua casa. – disse ao meu pai ao fim de algumas horas.

Sabia que ele tinha ouvido tudo, que ele sabia acerca da minha necessidade de morder um humano. No entanto, o meu pai nada fez ou falou. Apenas permanecemos ali no quarto, comigo deitada, com temperaturas altas e com umas fracturas semicuradas.

Jacob relutou com o pedido do meu pai.

-Jacob, ela está bem. Nós estamos aqui. – insistia o Edawrd – Os Denali já chegaram aqui e não se importam muito com a tua presença, mas iremos receber mais vampiros e não queremos susceptibilizar com a presença de um ser no qual eles não confiam.

-Só podes estará  gozar comigo! – começava o Jacob.

-Jacob, nós necessitamos da maior ajuda possível para a luta que se aproxima. É melhor ires embora por enquanto, qualquer coisa nós ligamos-te, ou mesmo tu podes ligar as vezes que forem necessárias. – a minha mãe juntou-se ao meu pai para chamar a minha impressão natural à razão.

A frase da minha mãe soava na minha cabeça «ou mesmo tu podes ligar as vezes que forem necessárias», aquilo não me agradava. Conseguia imaginar, sem problemas alguns, um Jacob a telefonar de cinco em cinco minutos.

Ao fim de alguns minutos de negociações o Jacob acabou por concordar em sair.

Quando pensei que finalmente ia descansar em paz e sossego para recuperar, o meu pai, num movimento demasiado dócil, pegou em mim ao colo.

Apesar de tudo, um pequeno gemido saiu da minha garganta.

-Bella, eu e a Renesmee vamos dar uma pequena volta. – disse olhando intensamente para a minha mãe. – Voltamos antes de dar por isso.

A minha mãe compreendeu imediatamente o que significava, não fez perguntas para saber o que íamos fazer, nem mesmo aonde íamos. Apenas acenou com a cabeça e deixou-nos o caminho livre.

O meu pai não tinha feito nenhuma menção acerca do humano, por isso ela não tinha como saber. Mas também não me acreditava que ele me ia levar a morder um humano. Ele iria arranjar uma solução, arranjava sempre!

Saltamos pela janela, e dirigimo-nos ao carro que estava um pouco afastado da casa. O meu pai colocou-me no assento ao lado do condutor com muito cuidado e arrancou.

-Onde vamos? – perguntei assim que o carro parou, mas não obtive nenhuma resposta.

Isto não podia ser boa coisa.

Ele não iria fazer aquilo que eu pensava, pois não? Não, claro que não! Era contra tudo aquilo que os Cullen defendiam.

-Por vezes temos que quebrar regras por aqueles que amamos. – disse antes de sair do carro e me abrir a porta.

A rua onde nos encontrávamos era um pouco escura e longe do movimento humano. Era noite, por isso a maioria dos humanos evitava passar ali. Parecia uma zona propícia a acontecer coisas desagradáveis. E eu iria contribuir para as estatísticas de algo mau acontecer ali.

-Aquele homem é um traficante e um violador bastante procurado. – disse o meu pai enquanto se encostava ao carro dando-me liberdade para actuar.

Ainda não me tinha atrevido a colocar o pé fora do carro.

Conseguia ver pelo tom de voz dele e pela sua fisionomia que aquela situação não lhe agradava.

-Renesmee, mesmo que a humanidade dependesse dele. Se o teu bem-estar depende dele, vai lá.

Não sabia o que dizer.

Só o pensamento de o fazer fazia a minha garganta arder. Ardia quase tanto como as dores que sentia.

Em contrapartida, todo o meu corpo se recusava a avançar.

Ele não me ia perdoar, eu sabia. Mesmo que fosse por uma boa causa, ele iria sempre lembrar-se disto. Nunca iria conseguir apagar esta memória.

Como eu já esperava, o meu pai desviou o olhar, confirmando assim o meu pensamento.

-Não! – disse, tentando ignorar o mau estar na garganta e no resto do corpo.

Recostei-me no assento do carro e cerrei os olhos.

Ouvi um movimento ao meu lado, era o meu pai a correr. Abri os olhos a tempo de ver o que ele fez.

Num movimento rápido, com um objecto que apanhou no caminho, o meu pai fez um pequeno golpe num dos braços do homem.

O ardor da garganta, juntamente com a sede de sangue e a minha fragilidade, fez com que tudo desaparecesse da minha cabeça.

Todos os pensamentos, dúvidas e vergonhas se evaporaram. O meu corpo ganhou forças para correr até aquele homem e os meus dentes rasgaram a epiderme chegando rapidamente à artéria do humano.

Como meia-vampira fêmea, eu não continha nenhum tipo de veneno. Isso significava que eu não conseguia imobilizar a presa com o mesmo.

Um grito de dor entoou naquela rua, a minha mão rapidamente obstruiu a saída de som enquanto o meu corpo bloqueava os seus movimentos.

Apenas afrouxei a minha força assim que deixei de sentir a resistência da minha presa.

Quando a vítima estava já exangue comecei a voltar a mim e olhei para o meu pai. Este estava encostado à parede oposta com uma postura hirta. Parecia estar horrorizado com tudo e ao mesmo tempo a fazer um esforço para não ceder à tentação.

Eu sentei-me ao lado da carcaça do homem ao meu lado e clarifiquei os pensamentos. Não queria pensar em nada, não queria desiludi-lo ou fazer sentir-se culpado com os meus pensamentos.

Por isso fiquei ali apenas a cantar mentalmente.

 

Ao fim de alguns minutos, o meu pai dirigiu-se ao corpo inerte e pegou nele. Atirou-o para um caixote do lixo ali perto e com um isqueiro incendiou o local.

Não podíamos deixar vestígios.

Voltamos para o carro em silêncio.

Era incrível como o sangue tinha feito milagres. Nem meia hora depois a temperatura já tinha baixado, estava agora à temperatura normal. As dores tinham diminuído substancialmente.

O mais certo seria estar praticamente curada quando chegássemos a casa.

A viagem estava a ser feita em silêncio. Ambos estávamos muito desconfortáveis com o que tinha acontecido.

Meu Deus, se todos já olhavam para mim de forma estranha, agora que iriam saber que matei um humano, iria ser mais estranho em casa.

-Não vejo necessidade de mencionar isto em casa. – falou por fim o meu pai.

A voz dele parecia fria, distante.

Ao contrário dele, eu não sabia o que lhe ia no pensamento.

Desejava que ele berrasse comigo, que dissesse qualquer coisa. Ao menos não teria este sentimento estranho de não saber se o que tinha feito era bom ou mau.

-Não foi a primeira vez que matas-te um humano. – disse por fim. – Deu para perceber isso na forma como te comportas-te. Quantas vezes te magoas-te para o teres que fazer? – perguntou ainda a olhar para a estrada. Depois olhou para mim, sem nunca abrandar – Quantas vezes já atacas-te um humano sem teres necessidade de o fazer?

O olhar dele incendiou-me. Não prenunciei uma única palavra, não era necessário, ele já sabia a resposta.

Desviei o olhar do dele e foquei-me nas luzes acesas das ruas enquanto o carro passava a toda a velocidade.

A restante viagem foi realizada em silêncio.

Conseguia cheirar a desilusão dele a milhas de distância.

Finalmente chegamos a casa, como eu suspeitava, estava quase curada, apenas algumas dores, mas nada de grave. Ainda assim, o meu pai ajudou-me a sair do carro.

O meu pai foi o primeiro a sentir a presença de outros vampiros.

O nosso exército começava a chegar, os Denali tinham sido os primeiros a chegar, as amazonas estavam a caminho, o Nahuel também estava a caminho assim como as suas irmãs.

Mas o meu pai não conseguia reconhecer o odor destes dois vampiros, ninguém na família os conhecia. Bem, ninguém excepto eu!

Rapidamente engoli a minha dor e agi como se nada estivesse a acontecer.

O meu pai pareceu surpreendido com a minha mudança súbita de comportamento. Mas a verdade é que até ele sabia que não devíamos dar parte fraca. Eu mais do que ninguém, tinha que ser forte.

Corri para dentro de casa e lancei-me nos braços da primeira cara conhecida, o Marcello.

-Bem, isto é tudo amor por mim? – perguntava ele face à recepção calorosa e rara.

Consegui projectar as saudades que tinha deles, as saudades de alguém que me conhecesse como eu sou. Que não me julgasse.

Depois de me afastar comecei à procura do irmão do Marcello, mas não o conseguia ver.

-O teu irmão? – perguntei-lhe enquanto tentava apurar os meus sentidos para tentar descobri-lo.

-Se te referes ao outro rapaz, está com o Carlisle. – a voz da tia Rosalie era um pouco seca, não conseguia perceber o porquê de ela estar chateada.

-Nenhum de nós teve uma recepção tão calorosa. – respondeu o meu pai ainda de forma um pouco fria e triste.

O Marcello olhou para mim como a perguntar o que se tinha passado, mais uma vez coloquei as imagens na cabeça dele.

À muito que não colocava imagens na cabeça de ninguém, mas não queria que ninguém soubesse o que se passava, apenas o meu pai iria ouvir também.

No entanto consegui ver o meu pai ao telemóvel, provavelmente a telefonar à minha mãe e a olhar para mim. Ele estava surpreendido por eu não encostar a minha mãe na face do Marcello. Aliás, não havia contacto físico nenhum entre nós agora.

Eles ainda não sabiam que eu tinha evoluído um pouco o meu poder, exercitei o máximo com o Marcello, o Dio e a Aria para conseguir projectar as imagens sem toque físico.

Aliás, só soube que tal era possível com a ajuda do Marcello, cujo poder é amplificar ao máximo os nossos próprios poderes.

“O mais certo é nunca conceguires a atingir esse poder máximo sozinha” explicara-me ele um dia. Nenhum vampiro o conseguia, por isso apenas me concentrei a evoluir um pouco.

No meu poder máximo, eu conseguia transmitir varias situações ao mesmo tempo para qualquer parte do mundo. Bastava-me pensar na pessoa em questão.

Neste momento, conseguia transmitir um máximo de duas coisas distintas ao mesmo tempo a alguém que estivesse ao alcance da minha vista.

Alguns segundos depois a minha mãe chegou com alguns Denali e correu para saber como eu estava.

Estava a tranqualiza-la quando o avó Carlisle e o Dio chegaram.

O meu sorriso abriu-se e num salto estava eu nos braços dele num forte abraço. Os nossos lábios colaram-se imediatamente e esqueci toda a gente que estava ali naquela sala.

Acho que nem eu tinha noção das saudades que tinha dele.

O meu melhor amigo, o meu amante.

Era a ele que eu confiava quase todos os meus segredos. Ele sabia acerca do Jacob, do que se tinha passado com os meus pais, etc.

Ele tinha estado presente nos momentos mais complicados nestes dois anos.

-Sempre pensei que  Florent era humano. – comentou a minha mãe.

Oh meu Deus, esqueci-me completamente que eles sabiam que eu namorava com o Florent. Eles pensavam que o Dio era apenas meu amigo.

Pois, de facto ele era só um amigo, mas com mais alguns benefícios.

E agora como é que eu ia sair desta sem voltar a desiludir a minha família?

 

 

Nota:

Não se esqueçam de visitar o blog da Renesmee ;)

http://that_girl.blogs.sapo.pt/

publicado por Twihistorias às 18:00
Fanfics:

10 comentários:
OMG! Está tão perfeito. O que será que ela vais dizer à família?! o:
Diana a 14 de Agosto de 2012 às 18:47

Caramba,que vascilo da Renesmee!Acho que ela não iria conseguir guardar esse segredo por muito tempo...
Marcela Thomé a 14 de Agosto de 2012 às 21:33

Estava pensando:qual a reação da renesmee quando o dio,jacob e nahuel estivere no msm lugar?Não consigo imaginar!!!
Marcela Thomé a 14 de Agosto de 2012 às 21:44

Vai ser no minimo cómica, prometo-te....mais em relaçao ao jacob!!
Ana a 15 de Agosto de 2012 às 00:45

Que capítulo foi este... Cheio de emoções e emoções!
Edward leva a Renesmee a matar um humano, descobre que não é o primeiro humano que ela mata e chegam a casa e todos ficam a saber do "romance" com o Dio.
Muito bom este capítulo ;)
Sarah a 14 de Agosto de 2012 às 21:47

Foi no minimo interessante...tem sido uma semana muito agitada pa Renesmee...eheheh

Pode ser que acalme agora...ou nao...hehehe

Obrigado por acompanhares XD
ana a 15 de Agosto de 2012 às 00:46

Pode ser que acalme ou não... Gostei desse detalhe ;)
Sarah a 15 de Agosto de 2012 às 00:51

E agora, o que ela vai fazer :o ?
Sofia a 15 de Agosto de 2012 às 02:23

Este, este sim é o meu Edward *.* A matar para salvar a filha... mesmo que ele seja contra.

Ele não pode julgar a Renesmee por algo que ele já fez. Ele também já matou humanos apesar de serem humanos sem escrúpulos.

Ele pode ter ficado desiludido mas vai aceitar o passado dela sem reservas. Ele tambem nao teve um passado brilhante.

Ui... agora aparecem esses marmelos :D Estou para ver como é que a Renesmee se vai safar dessa sem desiludir a familia. Ela tem mais é que ficar com o Jake. (is meant to be xD)

Estou para ver a cena de ciumes que ele lhe vai fazer.

Neste capitulo não tenho muitas críticas como já deves ter reparado. Amei mesmo ;)

Ainda para mais agora captaste a verdadeira essência do Edward... de fazer tudo por aqueles que ama mesmo que seja algo como matar um humano. Essa foi sem dúvida a minha parte preferida.

Ansiosamente à espera do próximo capitulo
laurabms a 16 de Agosto de 2012 às 21:13

Ei que cena, está tramada a rapariga.

beijinhos..


meninas do blog vou mandar-vos um mail.
inescullen a 17 de Agosto de 2012 às 14:21

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