09
Set 12

Capítulo 30

De manhã cedo vieram buscar-me à cela para me ser permitido tomar um banho e vestir a roupa entregue pelo meu advogado.

Umas calças skinny, uma camisa e as minhas botas da diesel.

O cabelo foi penteado delicadamente e deixado repousar sobre os meus ombros.

As algemas foram colocadas e estava na hora de enfrentar a multidão furiosa do lado de fora do estabelecimento onde me encontrava.

Fui acompanhada por dois polícias até ao carro.

Apesar dos esforços deles, era impossível não ouvir os vaios das pessoas. Se elas soubessem...

Minutos depois estava numa pequena sala, algemada, no tribunal. O meu advogado estava comigo a rever as últimas questões.

Eu não iria falar, pelo menos não hoje. Hoje servia apenas para ouvir algumas das testemunhas que a acusação tinha para falarem acerca do Chester.

A minha mãe e o Ethan eram algumas das testemunhas do processo, por isso não era permitido estarem comigo agora. O Bentley não iria vir ao julgamento, apenas por precaução, sabia que iam estar aqui demasiados lobisomens, alguns ainda demasiado jovens. Poderia não correr bem.

No entanto, eu sabia que ele estava do meu lado, provavelmente do lado de fora a usar a sua super audição para estar a par do que se passava cá dentro.

-Percebes-te Kelsi? – perguntou-me ele assim que um agente da policia entrou na sala, provavelmente para nos levar para a sala de audiências.

Eu já estava no meu estado vegetativo, já tinha desistido de mim, de tudo. Estava ali apenas para ouvir a minha sentença. Queria que tudo aquilo acabasse rapidamente, por isso apenas me limitei a acenar com a cabeça face à pergunta da mesma.

Assim que pronunciaram o meu nome para entrar na sala, ouve apenas silencio, no entanto assim que o meu pé trespassou a porta começou-se a ouvir um ligeiro zumbido e posteriormente os mais destemidos começaram a escarnecer de mim.

Infelizmente para eles já anda daquilo me afectava, simplesmente limitei-me a seguir as ordens do meu advogado e sentei-me numa cadeira ao lado dele.

Atrás de mim estava a minha mãe acompanhada da Emily, do Sam e claro do Ethan. Alguns membros dos Quilleutes estavam espalhados pela sala, também reparei na rapariga que me foi visitar à prisão naquele dia para me agradecer.

Nunca chegou a dizer o motivo do “obrigado”, mas não era necessário, ambas tínhamos entendido.

Um oficial qualquer do tribunal levanta-se e todos fazem silêncio.

-A meretíssima juiza Nina Bartlett preside esta audiência. – diz o homem de cabelo grisalho.

O silêncio continua e uma mulher com uma idade a rondar os 40 anos entra com aquilo que parecia um vestido muito feio preto. A juíza parecia ter um ar simpático, mas tentava a todo o custo
marcar a sua presença com um olhar severo. Não era muito bem sucedida nisso.

“Vai começar!” pensei antes de inspirar fundo.

A juíza mandou toda a gente sentar, e a partir daí foi como se o meu corpo entrasse em piloto automático.

Desliguei completamente do que me rodeava, do que se passava naquela sala. Era como ver um filme antigo, em que não havia falas.

Via os advogados a andar de um lado para o outro, pessoas a subir para uma cadeira, colocar a mão sobre a bíblia e depois falarem e falarem. Supunha que deveriam ser testemunhas.

Algumas delas tinham um suporte de imagens, como aquele que julgo ser um médico legista.

O meu advogado, Patrick Perry, esteve constantemente a bater-me com o cotovelo. Ou porque eu não mostrava nenhum tipo de emoção, ou porque estava a olhar demasiado séria e em alguma parte do julgamento mostrava arrependimento.

-Como queres que conquiste-mos a empatia do júri se não sais desse estado de apatia? – alegava o Patrick num dos intervalos do julgamento.

Eu sabia que ele tinha razão, mas a verdade é que eu não queria saber.

Só queria que tudo isto terminasse.

Nunca pensei que um julgamento pudesse demorar tanto tempo, já tinha passado a pausa de almoço e estávamos de volta à sala com a juíza Nina.

Da parte da tarde as testemunhas da acusação começaram a ser ouvidas.

Era engraçado ver algumas jovens, que mal conheciam o Chester, chorarem compulsivamente face aos testemunhos. Até algumas das testemunhas choravam de forma a ter que ser interrompido o questionário.

Uma delas era a minha querida Rebecca. Aquela a quem uma vez eu chamei de melhor amiga estava agora sentada no banco das testemunhas, a acusação levantou-se e começou a fazer-lhe perguntas.

Eu apenas continuava ali a ver aquele filme mudo e tentava imaginar as falas e os sentimentos das pessoas.

Como já conhecia a Rebecca demasiado bem, apesar das circunstâncias, conseguia ver os seus lábios dançarem naquilo que era uma coreografia perfeita, demasiado perfeita, como se tivesse sio praticada vezes e vezes sem conta.

Era provável.

Eu conhecia a Rebecca, ela praticava vezes e vezes sem conta em frente ao espelho sempre que tinha que falar em público. Não seria diferente agora.

Um sorriso formou-se nos meus lábios perante as diversas lembranças em que ela praticava em frente ao espelho nas vésperas de um trabalho que tínhamos que apresentar, ou simplesmente antes de uma conversa importante com algum rapaz.

O meu advogado deu-me uma cotovelada, chamando-me assim à atenção. Reparei que todos olhavam para mim chocados. Talvez o facto de eu estar a sorrir perante o testemunho da Rebecca não tivesse ajudado. Será que ela estava a falar do Chester? Não sei, não estava a ouvir.

Estávamos já no final da tarde, finalmente aquilo iria terminar rapidamente, já não aguento mais estar sentada nesta cadeira.

Será que o Bentley me iria buscar esta noite? Esperava que sim, queria sentir a relva debaixo dos meus pés só mais uma vez antes deste pesadelo terminar e eu ser enviada para uma prisão de alta segurança.

-A acusação gostaria de chamar Ethan Uley a depor. – ouvi finalmente.

De tudo que foi pronunciado naquela sala, a única coisa que os meus ouvidos captaram foi o nome de Ethan. Todo o meu semblante mudou, o meu corpo ficou mais rijo e toda a minha atenção focou-se no rapaz de fato que avançava para o lugar das testemunhas.

A sua mão ergueu-se perante a bíblia e subitamente lá estava ele a jurar toda a verdade.

Quase que conseguia apostar que toda a gente ali conseguia ouvir o meu coração bater. As minhas mãos começaram a suar.

Ele não ia fazer nada estupido, então porquê que eu estava tão nervosa com a presença dele naquele local.

Ele tinha prometido segredo.

-Pode dizer-me o seu nome? – perguntou a acusação.

-Ethan Uley.

Ele recusava olhar para mim.

-Qual era a sua relação para com a vítima?

-O Chester era meu amigo. – Ethan parecia confiante, mas eu denotava um timbre de nervosismo na sua voz.

-E a réu?

Ethan permitiu-se finalmente lançar-me um olhar, mas foi tão rápido que não deu para perceber o que pensava.

-É minha amiga. – disse por fim.

-E qual o seu passado com ela? – voltou a acusação a perguntar. Aparentemente não estava contente com a resposta obtida.

-É minha ex-namorada.

-Pode dizer porquê que acabaram?

-O quê que isso tem a ver? – perguntava o Ethan visivelmente um pouco irritado.

-Responda à pergunta – avisou a juíza.

-Porque eu a traí. Eu fui estupido para cair numa armadilha e trai a minha namorada.

Era visível a irritação no banco da acusação, aparentemente o Ethan não estava a dar as respostas esperadas.

-Mas não foi isso que os seus amigos contaram. Aparentemente a Kelsi também o traía. Inclusive com o Chester, segundo ouvi.

-Objecção! – gritou o meu advogado

-Faça a pergunta Sr Sanford. – disse a juíza em tom de aviso ao advogado da acusação.

-Qual era a relação da Kelsi com a vítima? – reformulou assim a pergunta.

Ethan parecia nervoso, começara a mexer no casaco do fato.

-Eles eram amigos antes de… - fez uma pausa e com isso o meu estomago deu um nó. O silêncio naquela sala era horrível, estava tudo à espera de ouvir o Ethan, inclusive eu. – Antes daquela história toda da traição. Todos eram amigos da Kelsi, depois começaram a surgir aqueles rumores todos. Aquilo foi tudo uma estupides, ela nunca fez nada.

-Então como justifica a morte do Chester? – começava a odeiar aquele homem.

-Ele inventou coisas sobre ela, ele disse que tinha feito coisas com ela que e mentira. Ela nunca me traiu, nem era aquilo que…

-Mas não andou a matar mais ninguém. Então porquê o Chester? – mais uma vez o Sanford voltou a interromper o Ethan.

Esperava que ele respondesse, mas ele estava calado, nada saia dali. A fúria era visível naqueles olhos, na forma como ele se estava a comportar.

Comecei a temer pelo que pudesse acontecer ao Ethan. Tinha receio que fosse demasiado pressão para ele, e que se descontrolasse e se transformasse.

A mão cerrada denunciava a qualquer momento um descontrolo.

-Como amigo do Chester e a recente aproximação da réu, provavelmente sabe o que desencadeou esta reacção da Kelsi.

Ethan respirou fundo, ele estava a mirar o chão, não encarava ninguém.

Docemente foi erguendo a cabeça e uma lagrima era visível na sua face.

Toda a gente ficou com pena dele, pensavam que recordar o Chester estava a ser doloroso.

Eu vi o pior a acontecer naquele momento e senti o meu coração a apertar-se, todo o meu corpo a despedaçar-se e toda a dor a invadir-me com toda a força.

Ethan cravou o olhar em mim. Aquilo era um olhar de perdão. Abanei a cabeça disfarçadamente.

Ele não podia.

-Desculpa. – sussurrou ele na minha direcção. – Mas eu não consigo.

As lágrimas escorriam-lhe pela cara e as minhas estavam agora a formar-se. Eu continuava a abanar a cabeça, tentava impedi-lo de fazer aquilo.

-Ethan, o que quer contar que a Kelsi não o deixa? – começou o advogado da acusação. – Você sabe o que se passou. O quê que a Kelsi está a esconder?

-Ele violou-a. – disse o Ethan em voz alta.

O meu mundo começou a desabar. Tudo à minha volta começou a cair.

Não conseguia ouvir nem ver as reacções à minha volta. Abstrai-me de toda a agitação naquela sala de audiências e foquei em Ethan.

-O Chester violou a Kelsi à três anos atrás, por isso é que ela ficou estranha. Ela matou-o para se defender. – acrescentou ainda, para o caso de ninguém ter percebido.

Depois disto, foi um desastre, toda a gente se levantou a insultar não só a mim, mas também ao Ethan.

A minha mãe estava em choque, sendo amparada pela Emily e pelo Sam, as outras raparigas que eu supunha terem passado pelo mesmo que eu não reagiam, apenas olhavam para mim.

E eu? Eu estava a dar em louca naquele local.

 

 

Nota da autora:
Peço imensa desculpa pela demora do capitulo. Mas só agora é que voltei a ter o meu computador.
twikisses e boas leituras*

publicado por Twihistorias às 20:20
Fanfics:

6 comentários:
omg amo a tua fic ja tinha saudades de a ler *-*

twikisses
Alex_Cullen a 9 de Setembro de 2012 às 20:38

Ah!Obrigado por voltar a postar a fic!Tava com saudades!Força para a Kelsi!!!
Marcela Thomé a 9 de Setembro de 2012 às 22:26

Estás imensamente desculpada! Capítulo muito bom. Continua, continua!!!
tixxa a 10 de Setembro de 2012 às 15:21

Estás desculpada pela demora, foi bom que o Ethan falasse e também seria bom que as outras vítimas o fizessem...
Bella Cullen a 12 de Setembro de 2012 às 16:51

ai que saudades!!!
mais um capitulo excelente :D
não demores tanto a postar o próximo capitulo desta vez, por favor o:
beijinhos :*
Ana a 13 de Setembro de 2012 às 14:28

Não podes acabar os capítulos assim, estou aqui numa curiosidade!
taniafonseca94 a 14 de Setembro de 2012 às 21:31

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