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Set 12

 

 







Cap. 13 - Reflexões



Eu estava exausta e tinha bebido demais, mas não conseguia dormir. Estendi-me na cama, olhando fixamente o tecto, até que Rob me trouxe à realidade.

- Não estiveste a falar com Alex acerca da galeria, pois não?

- Não. – Continuei a fixar o tecto do quarto.

- Mexeste no meu maço de tabaco.

Não era uma pergunta, mas confirmei na mesma. Não valia a pena esconder, ele devia ter sentido o cheiro, quando voltei à sala.

- O Seth esteve na galeria. Comprou os meus quadros. A Lizzie tentou convidá-lo para a festa de hoje, mas ninguém sabe nada dele desde a semana passada. E eu não vou adiar nada por causa disso. – Resumi.

- Hum. Sabes que ela só queria ajudar. A minha irmã é mesmo assim. Mas estás preocupada? Não é inédito, o teu irmão desaparecer.

- Pois. Já é habitual. Acabei por me irritar com a tua irmã, mas já está tudo bem. Eu sei que ela só queria ajudar, mas já estou farta que me estejam sempre a pressionar. Ele sempre foi o oposto de sentimental, por isso se não for ao nosso casamento também não se perde nada.

- Estás a ouvir o que estás a dizer?

Não respondi. O tecto do quarto estava a tornar-se bastante interessante esta noite.

- Boa noite, amor. – Disse, após alguns momentos em silêncio. Beijei-o e voltei-me de costas para ele, fechando os olhos.

Assim permaneci até ouvir a sua respiração ritmada e sem alterações, sinal de que ele já dormia.

Levantei-me, tirei uma manta do armário e embrulhei-me nela. Agarrei o maço de tabaco e saí do quarto, fechando a porta com todo o cuidado. Precisava de estar sozinha, precisava de pensar e não queria incomodar ninguém.

A sala, bem como a cozinha, estavam um caos, depois da festa. Peguei numa garrafa de bebida e num copo e sentei-me na varanda da sala. Estava noiva, ia viajar na próxima semana e casaria dali a pouco mais de 6meses, mas começava a sentir-me a milhas daquilo tudo.

Já tinha perdido a conta às vezes em que me sentira assim, mas desta vez era diferente.

Tinha-me sentido assim nos tempos em que vivia quase encurralada em casa dos meus pais, até ter de sair de lá por já não conseguir aguentar mais, os constantes insultos e agressões do meu pai, nem a forma como ele tratava a minha mãe. Senti-me assim, no momento em que vi Robert com outra pessoa, sem saber que se tratava de um mal entendido. E novamente, quando fugi, pensando que ele me queria mal. Em vários momentos, durante a gravidez, tivera este sentimento por companhia. Eram tantas as situações, mas a sensação era sempre a mesma. Era uma mistura entre desespero e medo, completamente irracional. E a minha única saída sempre tinha sido alhear-me de tudo, passar por cima do problema e seguir em frente.

Mas desta vez, nem eu própria entendia qual era o problema. Quantas pessoas dariam tudo, para chegar onde eu cheguei?

Não posso dizer que tenha tido uma vida fácil, mas agora não me falta nada. E se faltasse alguma coisa, não duvido que Rob arranjaria maneira de a encontrar, nem que, para isso, tivesse de virar o mundo ao contrário. Tenho um filho lindo que adoro e que é tão carinhoso, quanto o pai. Tenho a família de Rob, da qual já me sinto parte e tenho amigos que me apoiam e nos quais deposito a minha confiança. Tenho trabalho, uma vida desafogada e organizada. Tenho chatices e aborrecimentos como toda a gente. Há coisas que me tiram do sério, como ser perseguida por paparazzis ou quando as pessoas me apontam na rua, mas tudo isso são coisas que fazem parte da vida, especialmente quando o nosso futuro marido é um actor famoso.

A pouco e pouco a garrafa ia-se esvaziando e o cinzeiro enchia-se de cinza e pontas de cigarro.

Só o meu irmão parecia não fazer parte dessa esfera de harmonia que era a minha vida. Eu tentava não pensar nele, mas a verdade era que só estava a tentar enganar-me, quando dizia que não me importava.

Na verdade, embora Seth fosse mais velho que eu, era eu quem mais sentia necessidade de o proteger. Senti-me nessa obrigação, desde o momento que consegui sair de casa e o deixei lá à mercê das mudanças de humor do nosso pai. Nunca falámos sobre o que se passou depois de eu ter saído, mas cumpri a minha promessa de o tirar de lá.

Tinha-o protegido, sempre que me era possível fazê-lo, tinha-me esforçado para que ele não passasse necessidades, ajudei-o a montar a empresa, sem pedir nada em troca e qual foi a primeira coisa que ele fez? Abandonou-me quando eu mais precisava! Na realidade, esta não tinha sido a primeira que ele me fazia, mas para mim era definitivamente a gota de água.

Eu nem queria acreditar que ele tinha assinado a ordem para me desligarem as máquinas de suporte de vida, sem sequer pestanejar e que, sempre que me ia visitar, o que era raro, tentava fazer com que Rob mudasse de ideias. Mas, deixei de ter dúvidas quando descobri, pelo meu advogado, que tinha chegado a haver um processo em tribunal para impedir que a ordem fosse cumprida. Não era difícil imaginar o que tinha acontecido.

Já era dia, quando Rob me acordou e me disse que voltasse para a cama. Senti a minha cabeça latejar, assim que me levantei da cadeira e nem pensei duas vezes antes de me enfiar debaixo dos lençóis.

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publicado por Twihistorias às 21:55

comentário:
Tenso....
Marcela Thomé a 12 de Setembro de 2012 às 23:24

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