24
Set 12


Capítulo 17

Parte 3

-Oh meu Deus! – exclamei com um sorriso no momento em que saltei da cadeira, deixando a Annie sozinha.

Três homens muito roqueiros tinham acabado de entrar no bar. A minha banda estava ali.

-Rapazes! – exclamei chamando assim a atenção deles.

Corri para os abraçar, era bom tê-los por ali.

-O que vocês estão aqui a fazer? – perguntei ainda bastante entusiasmada.

-Então já que não vais ter com a banda para actuarmos, viemos nós ter contigo. Não podemos ficar tanto tempo sem actuar. – esclareceu o Carter, o guitarrista. – Além que os teus amigos concordaram em pagar a viagem.

Era nestas pequenas coisas que o Dio sobressaía, ele sabia como me agradar sem ter que se esforçar. Sabia daquilo que eu necessitava neste momento, mesmo estando longe.

Indiquei-lhes o caminho para se sentarem comigo e com a Annie.

-Annie, apresento-te a minha banda. O Carter, o Cole e o Justin. Rapazes, esta é a Annie.

-Bounjour Annie – disse Cole com um sotaque francês, até mesmo o nome da minha amiga. A cara de pânico da parte da Annie fez com que todos nos começássemos a rir.

Apesar de eles morarem em Paris, assim como eu, eles eram filhos de americanos, sendo que o Carter nasceu e viveu até aos 15 anos na América. Como tal, todos eles sabiam falar a língua inglesa.

-Não te preocupes, todos eles falam inglês. – expliquei-lhe.

-Olha, vais ter o privilégio de ser a primeira a receber um dos nossos CD’s com as nossas músicas. – Cole retirou do seu saco a tiracolo um de muitos CD’s.

Fiquei pasmada a olhar para a quantidade de CD’s que ele ali tinha, e olhando agora para o volume dos sacos dos restantes membros da banda adivinhei que estariam, também, a abarrotar de CD’s.

-Uau, obrigada. – disse ela de forma entusiasmada. – Estou ansiosa por ouvir. A Renesmee raramente canta para nós.

Os três rapazes cravaram os olhares inquisidores sobre mim. Em França eu estava constantemente a cantar, ou a trautear. No entanto aqui era diferente. Muitas das músicas eram acerca das pessoas que aqui viviam, não as queria magoar ou assim.

-Pois, mas estamos aqui agora para contrariar isso. – concluiu o Carter. – É só distribuir alguns CD’s para nos conhecerem e depois tentar arranjar locais porreiros para actuar.

Uau, eles já tinham tudo programado. Nem sequer um “pode ser Renesmee?”.

Depois de mais uma rodada de cervejas, os meus amigos levantaram-se e foram entregar CD’s a toda a gente que encontravam. Eu e a Annie permanecemos na mesa ainda a falar, nem eu tinha noção do quanto tínhamos que falar. Era bom voltar a ter uma amiga humana que sabia de todos os pormenores da minha vida vampírica.

-Sabem, as pessoas, e quando digo pessoas refiro-me ao patamar masculino, eram capazes de ouvir mais rapidamente o CD se este fosse entregue pela bela da nossa vocalista e a amiga. – disse o Justin colocando dezenas de CD’s nas nossas mãos.

E assim foi, andamos a distribuir os CD’s por toda a gente, rapidamente não havia nenhum nas nossas posses. A maioria dos clientes daquele baile era alunos da escola de Forks, isso era bom, porque assim, com sorte, as cópias espalhar-se-iam pelo resto da escola.

Antes mesmo de sairmos do bar, já o CD estava a tocar. E pela reacção, o pessoal estava a gostar.

-Bem, meninos, vou ter que levar a Annie a casa, mas temos que combinar para ensaiar, tenho um material novo. – disse em tom de despedida.

-Só tens que arranjar os instrumentos. Não deu para trazer nada no avião. – justificava-se o Carter. – Para além do local, no hotel onde estamos não dá.

Concordei, disse que arranjaria uma solução.

Provavelmente teria que alugar algum espaço, não os podia de forma alguma levar para minha casa. Ainda os confundiam com um petisco. Quanto aos instrumentos, isso não faltava em minha casa. Com certeza que não se importavam de eu os levar emprestados por uns dias.

A banda ia-me fazer bem, aliviar o stress.

-Porquê que o teu amigo trouxe a banda, mas não trouxe o namorado? – perguntou a Annie assim que entrou no carro.

Ora aí está uma verdade, de certeza que saía bem mais barato ao Dio. Em contrapartida, trazer o Florent iria fazer com que ocupasse o meu tempo com o meu namorado em vez de ser com o próprio Dio. Isso significava que ele, por mais que não admitisse, gostava de ter um pouco de exclusividade.

Essa possibilidade de uma pontinha de ciúmes de parte do Dio, arrancou-me um sorriso.

Annie olhava para mim de forma inquisidora.

-O que é? – disse por fim não conseguindo controlar o meu sorriso babado.

-Oh meu Deus, vocês não são só amigos, pois não? – perguntou chocada.

Pois, talvez não tivesse mencionado essa parte do Dio à Annie.

-Bem, a nossa amizade não é só no preto e no branco, tem assim as cores todas do arco-íris e mais algumas. – admiti por fim, mas sem qualquer tipo de arrependimento. O que acho que ainda a chocou mais.

 -Mas e o teu namorado?

-O meu namorado está em França neste momento. – disse, mas vendo ainda o seu choque acrescentei. – Eu sei que é incorrecto, mas eu gosto dos dois, eles completam-me. O Florent compreende o meu lado humano como ninguém, e o Dio o meu lado vampírico. Para além que é o meu melhor amigo.

-E o que é que o Jacob pesa disto? – apressou-se a perguntar.

-Não sei nem me interessa. O Jacob não é meu namorado, não tenho que lhe dar explicações da minha vida.

-Sim, eu sei que não. Mas vocês têm uma ligação Renesmee, uma impressão natural. E não me venhas com isso de que não queres saber e que não sentes nada, porque é mentira. Eu também tenho impressão natural com um lobo e sei bem aquilo que sentimos.

Ela tinha razão, eu sabia disso, sempre soube. Não era à toa que a pata do lobo estava incluída na minha tatuagem. Em contrapartida, eu sentia-me enganada e não sabia até que ponto é que isto da impressão natural seria o mesmo que amor.

Porque isto de amor à primeira vista não é algo em que eu acredite. Para mim, amor é algo que se vai ganhando ao longo do tempo.

E quero ser eu a decidir o meu destino, não uma impressão natural.

-Sim, temos. Mas não é por isso que eu devo explicações ao Jacob. – disse num tom acima.

-Ok, desculpa. Não volto a falar nisso.

-Tudo bem. Desculpa também, mas não estou habituada a que me censurem ou coisa do género. E incrivelmente, ultimamente isso está sempre a acontecer. – e era verdade, era o Jake, a minha família, os meus pais e agora os meus amigos? Era demais.

-Mas diz lá, quando conheço esse Dio, o vampiro? – disse ironicamente a Annie.

Fiquei agradecida a mudança de assunto. Iria evitar que nos chateássemos.

-Não sei se o Seth iria gostar que eu te apresentasse um vampiro de olhos vermelhos.

Com a descrição dos olhos do Dio, Annie ficou tensa. Acho que ela não pensava que eu me fosse relacionar com alguém que se alimentasse de sangue humano.

-Annie, não o podes crucificar, ele é um vampiro, é assim que os vampiros se alimentam. Mas depois de o conheceres vês que ele é cinco estrelas. – dei por mim a tentar defender o Dio e todos os vampiros. Incluindo eu, que já me tinha alimentado de sangue humano.

-Também a tua família é vampira e nenhum se alimenta de sangue humano. – disse ela.

-Mas isso foi uma opção nossa. Por exemplo, tu não és vegetariana, mas para os vegetarianos tu também és uma assassina. Percebes o que quero dizer? Não podes criticar os vampiros por se alimentarem daquilo que é suposto, é a cadeia alimentar.

-Sim, mas pensei…sei lá…nem sei o que pensei…acho que simplesmente não pensei nisso. – Annie parecia confusa, mas começou a aceitar.

Ela não voltou a tocar no assunto e eu também não. Em vez disso começamos a falar de coisas mais fúteis, sobre como era a vida em Paris e assim.

Alguns minutos depois estava a deixar a Annie em sua casa, não consegui evitar o rodar de cabeças quando viram um Ferrari vermelho aproximar-se. Seth e Jacob estavam ali próximos, provavelmente Seth estava à espera de Annie e Jacob a fazer companhia.

-Finalmente alguém que lhe dá uso. – comentou o Jacob acerca do carro, assim que eu saí para os cumprimentar.

-Achei que combinava comigo. Discreto! – brinquei.

Todos sorrimos.

Ficamos um pouco ali a conversar, mas tanto eu como o Jake começamos a aperceber-nos que já estávamos ali a mais.

-Dás-me boleia no teu carro discreto? – perguntou o Jake em tom de brincadeira.

-Claro. Entra.

O caminho até casa do Jacob correu sem nenhuma conversa constrangedora. Isso agradou-me particularmente, estava com receio que ele insistisse em algum assunto estranho. Apenas me perguntou se eu me sentia melhor.

Vendo que eu não queria falar mais sobre a forma como recuperei e assim, não tocamos mais no assunto.

Com as indicações do caminho do Jacob, rapidamente chegamos ao nosso destino. A casa do Jacob.

Nunca lá tinha entrado, mas era a típica casa de um rapaz solteiro. Nada parecia estar arrumado, mas admito que parecia ter sido recentemente arrumada.

-O pessoal  ajudou-me a arrumar a casa à pouco tempo, mas já está um pouco desarrumada. – explicou o Jake enquanto tirava algumas peças de roupa de cima dos sofás permitindo assim que eu me sentasse.

Sorri ao comentário dele.

Jacob desapareceu, ouvi o frigorifico a abrir e ele a continuar a falar da falta que sentia da sua casa em La Push. Principalmente da parte em que lhe limpava a casa.

Enquanto ele tagarelava vislumbrei um objecto à muito tempo esquecido. Desloquei-me pela pequena sala e alcancei a pequena bola preta, idêntica a uma bola de bilhar, em contrapartida, mais leve.

Um sorriso rasgou no meu rosto.

-Não acredito que ainda tens isto aqui! – disse exibindo a bola adivinhadora na mão. – É ela que ainda te ajuda a tomar decisões importantes?

Jacob tinha acabado de entrar na sala com duas coca-colas, que acabou por colocar no cimo da mesa e dirigiu-se para mim.

-Sabes que eu nunca fui muito bom a tomar decisões importantes, ela ajuda-me sempre. Nunca me deixou ficar mal. – brincou ele. – Queres ver?

Ele nem me deu hipóteses de responder, rapidamente a bola foi arrancada da minha mão.

-Mostro a minha garagem à Renesmee? – perguntou ele à bola e agitou-a para de seguida a virar e ler a resposta que a mesma lhe dava.

“You know it feels good” foi a resposta da bola.

Aquelas respostas traziam boas recordações. Apesar das respostas sempre enigmáticas, Jacob encontrava sempre o significado, nem que o inventasse.

-Suponho que isso seja um sim. – disse eu esperançosa. A verdade é que estava curiosa para ver a tal garagem.

-Eu acho que o que a bola realmente quer dizer é que eu sei que sabe bem ter um local só meu. Já para não falar que sabe realmente bem ver-te implorar para ver a tal garagem. – Jacob exibiu um sorriso trocista.

Isto era o que costumava acontecer quando eu era pequena, era uma das muitas formas como ele brincava comigo.

-Jacob, eu sei que estás mortinho por me mostrar a garagem, vá lá! – ambos estávamos mortinhos para ir para lá.

Grande parte do meu tempo com o Jake, desde pequena, era passado na garagem a ajudá-lo com os seus projectos, ou mesmo a melhorar a sua moto ou carro.

-Só se admitires que eu sou o melhor mecânico e o melhor professor do mundo. Que se eu não existisse o mundo estaria perdido. – dizia ele num timbre um pouco presunçoso .

O Jacob a ser o Jacob de sempre. Sorri antes de repetir tais palavras de forma teatral e exagerada.

Como seria de esperar, Jacob concordou levar-me à tal garagem.

-A minha tia esteve aqui, certo? – perguntei assim que admirava a garagem/oficina.

Tudo ali estava pensado ao pormenor, quase que me atrevia a dizer que aquela garagem estava decorada ao pormenor. Tudo estava no local certo, e com demasiado gosto.

-Sim, foi a prenda de anos da tua tia. Sabes como é a Alice. Não faz a coisa por menos. – admitiu Jake com um sorriso.

Os anos do Jacob, eu nem um telefonema lhe dei.

A culpa começou a apoderar-se de mim.

-Queres ajudar-me com esta moto aqui? – perguntou ele assim que se apercebeu do meu desconforto. – Ou agora és demasiado vedeta para suja as mãos?

Ainda de costas sorri perante a provocação dele.

Como se os projectos do Jake fossem problema para mim, sempre tinha adorado aqueles projectos. Lembro-me que os meus pais tinham que fazer chantagem emocional para eu abandonar a garagem do Jake quando era pequena.

Peguei numa das chaves de fendas que estava no topo de uma bancada, e arremessei na direcção do Jake. Apesar da velocidade e da força, sabia que ele a iria apanhar sem a menor dificuldade.

Ao som dos Beatles desmontamos a mota completamente, o motor, etc.

O Jacob encomendou pizas como fazia antigamente, a diferença é que desta vez tínhamos cerveja para acompanhar as pizas em vez dos sumos de laranja.

Estava a adorar aquele tempo com ele, era como voltar atrás no tempo. Soube bem imaginar que aquele mundo ainda era real.

Apesar de saber que mais tarde ou mais cedo teria que voltar à realidade, decidi usufruir daquele momento com aquele que outrora fora o meu melhor amigo.

 

Nota da autora:

Não se esqueçam de visitar o blog da Renesmee. http://that_girl.blogs.sapo.pt/

publicado por Twihistorias às 22:55
Fanfics:

3 comentários:
Admito,eu estava errada!Achei que a surpresa era a Arya.Nem me lembrava mais da banda!Forks anda bem movimentada!
Marcela Thomé a 25 de Setembro de 2012 às 03:52

é lá, e agora, o que virá aí ? (:
Sofia a 25 de Setembro de 2012 às 14:50

posta, posta!
to morrendo de curiosidade aki *.*
bjoks ;**
jess a 27 de Setembro de 2012 às 18:23

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