27
Set 12

Cap. 15 - Complicações

Nos últimos tempos, o humor de Anna tem sofrido altos e baixos. Ok, nós estamos bem, mas e ela? Será que está tudo bem na cabeça dela?

Desde a festa na nossa casa, que ela tem tido umas atitudes estranhas. A primeira delas, foi encontrá-la na manhã seguinte a dormir na varanda da sala, com uma garrafa de whisky vazia ao lado e o meu maço de tabaco no colo e quase vazio.

As coisas melhoraram bastante, depois de começarmos a trabalhar, no entanto às vezes ia dar com ela sozinha pelos cantos a olhar o vazio. O que me deixava mais preocupado era o facto de ela não falar. Ela não falava comigo sobre o que se passava, nem com mais ninguém que eu soubesse. Perguntei e voltei a perguntar, puxei pelo assunto várias vezes, mas a resposta era sempre a mesma, “que não era nada, talvez só cansaço”, sorria e mudava de assunto. Pelo menos andava super concentrada no trabalho, o que de certa forma me tinha deixado mais descansado... Até hoje.

Há duas semanas, comecei a notar que ela saltava refeições. Não dei importância, até que começou a ser recorrente, ao ponto de ela evitar sequer sentar-se à mesa connosco. Parecia mais cansada, mais distraída e andava mais irritada. Continuava a brincar e a entrar nas brincadeiras que fazíamos uns aos outros no Set, mas não com a vivacidade de sempre. Ontem cheguei a apanhá-la a chorar, quando voltei, depois de ter estado a gravar, até mais tarde, algumas cenas onde ela não entrava.

O humor tristonho com que ela andava, fazia-me pensar no que tinha acontecido no passado, a depressão em que ela tinha entrado, a qual culminou com o seu desaparecimento. Tentei pensar em mil desculpas para que não fosse isso novamente. Não podia deixar que isso voltasse a acontecer, eu tinha que agir, só não sabia como. O pior era que eu também não conseguia falar com ninguém.

Tinha planeado falar com ela durante o almoço, mas ela não apareceu. Quando chegou ao Set, já estávamos todos à espera dela, o que não era habitual. Ela passava a vida a apressar-me e nunca tinha chegado atrasada. Começámos a gravar, mas estava a ser impossível. Ela não conseguia concentrar-se, parecia preocupada e ansiosa. Mas hoje havia mais alguma coisa. Estava mais parecida com a personagem que interpretava, simplesmente não estava a conseguir transmitir as emoções correctas, nos momentos certos.

Pedi discretamente ao realizador para fazermos uma pausa e aproveitei para tentar novamente perceber o que se passava.

- Nada amor. Estou cansada e não estou nos meus dias. – Disse com um encolher de ombros.

Ela levou as mãos à testa e passou-as pelos cabelos, escondendo a cara com os braços.

Toquei-lhe num dos braços, chamando a sua atenção. Ela baixou os braços, suspirando.

- Sabes, a mim também me custa imenso fazer estas cenas contigo. Mas sabes no que penso? Que nunca poderia acontecer-nos na vida real. E muito menos se estivesses grávida. Não me imagino a tocar-te num fio de cabelo que fosse. – E abracei-a, tentando dar-lhe força.

Ela forçou um sorriso e quando voltámos a gravar, parecia ter voltado a ser a minha Anna, ou melhor, era a 100% Sarah, a sua personagem.

Estávamos a terminar o trabalho daquele dia e no último take ela estava tão perfeita que até aos meus olhos ela se transformara em Sarah. E eu dei o meu melhor para encarnar Rick.

- Acabou Rick! Vou-me embora desta casa e deixo-te livre para viveres a tua vidinha com aquela...

Fiquei louco de raiva, ao perceber que ela falava a sério. Ela não podia deixar-me e levar o meu filho com ela.

- Não, não vais Sarah! – Disse, enquanto me aproximava.

Sarah assustou-se, largou a roupa que estava a tirar ao acaso das gavetas e levantou os braços, protegendo a cara. Puxei-a pelo pulso.

- Rick larga-me! Não quero ter mais nada a ver contigo! Metes-me nojo! Nojo! – Gritou, tentando soltar-se.

Segurei-a pelos antebraços, fazendo com que ficasse de frente para mim e encostei-a à parede com força. Ela teria de perceber que não podia levar o nosso filho. Preparava-me para a ameaçar, quando ela se deixou cair, ficando suspensa pelos braços, que eu ainda agarrava. Estava a chorar, por isso conclui que ela já tinha percebido a mensagem. Larguei-a e todo o seu peso se abateu com força no chão. Virei costas, agarrei no casaco e preparava-me para sair, quando a ouvi implorar, com voz assustada.

- Não! Por favor Rick ajuda-me! Vou perder o bebé! Por favor!

Voltei-me, tentando decifrar a sua expressão, quando de repente ela se agarrou à barriga, gritando.

- Sarah! – Gritei e dei um passo hesitante na sua direcção.

Ela parou de gritar de repente e levou a mão à perna, por baixo do vestido. E foi quando levantou a mão, que reparei na mancha vermelha que alastrava no seu vestido rosa e branco.

Deixei de me preocupar com o facto de estarmos no meio das gravações e aproximei-me, ajoelhando-me ao seu lado. Por momentos cheguei a crer que podia ser apenas uma piada de muito mau gosto, mas a sua expressão era demasiado real.

- O que foi que eu fiz? Estás a sangrar... – Perguntei, sem perceber o que se estava a passar.

Ela voltou a gritar, agarrada à barriga e contorcia-se no chão, não dando qualquer mostra de se ter apercebido que falava com ela. A cena já tinha saído completamente das marcações e eu não conseguia entender o motivo de ainda não ter ouvido dizer “Corta!” para podermos voltar ao normal. Ela parou de gritar, mas continuava a contorcer-se, embora agora com menos violência.

Segurei-a pelos ombros, tentando fazer com que parasse e olhasse para mim, mas ela parecia estar a perder a força e começou a fechar os olhos.

- O que se passa? Fala comigo! – Implorei, ainda sem saber o que deveria fazer.

- Vou perder o bebé. – Ouvi-a suspirar e, em seguida, fechou os olhos. Deixou cair a cabeça de lado e as suas mãos largaram a barriga.

- Fala comigo por favor! Por favor! Não podes fazer-me isto! - Abanei-a ligeiramente, tentando fazer com que despertasse. - Oh meu Deus! Não posso perder-te! Eu amo-te! Estás a ouvir? Eu amo-te! Não me deixes, por favor! – Implorei, encostando a minha cabeça no seu peito.

Para minha grande surpresa, percebi que ainda me sentia com se estivesse a actuar, como se aquilo tudo ainda fizesse parte do filme.

Levantei a cabeça e levei-a ao colo. Escancarei a porta com o pé e saí a correr para fora do estúdio. Lá fora estava a ambulância, parada no mesmo local de sempre e pronta para qualquer emergência. O condutor, que fumava cá fora, fitou-me de sobrancelha levantada.

- Por favor, temos de levá-la para o hospital! Está a sangrar e desmaiou!

O homem largou o cigarro e bateu na lateral da ambulância, alertando os colegas.

As portas traseiras da ambulância abriram-se e os dois bombeiros que lá estavam dentro, ajudaram-me a colocá-la na maca.

Segui com eles até ao hospital, enquanto me faziam um monte de perguntas.

Ela não acordou durante os dez minutos que demorámos a chegar ao hospital, no entanto parecia ter parado de sangrar. Quando chegámos, não me deixaram acompanhá-la. Fiquei a desesperar na sala de espera, até que metade da nossa equipa chegou ao hospital.

Kristen estava entre eles e correu a abraçar-me.

- Rob! Como é que ela está?

- Não sei. Não me deixaram entrar.

- Ligaram-me. Disseram-me que ela estava a sangrar e desmaiou. Vim o mais depressa que pude!

- Tu sabes alguma coisa, Kristen? Ela disse-te alguma coisa? Ela não fala comigo...

- Hey! Acalma-te! Estás a magoar-me!

Estava a segurá-la pelos ombros.

- Oh desculpa. – Soltei-a e baixei a cabeça, fitando a biqueira dos sapatos.

- Ok... Eu falei com ela. – Suspirou. – A Anna está grávida.

Levantei a cabeça e abri a boca. Tentei dizer alguma coisa, mas não consegui pensar em nada.

Passei as mãos pelo cabelo, enquanto sentia o desespero e a raiva crescerem dentro de mim. Voltei-me, não conseguindo impedir-me de dar um soco na parede e desabei numa cadeira que estava ali perto.

- Oh meu Deus! Isto não pode estar a acontecer! O que é que eu fui fazer? Como é que eu não percebi? Mas porque é que ela não me disse...

-Rob, tu não fizeste nada. Vá lá acalma-te. Ela só não te disse, porque também só descobriu hoje.

Encostei a cabeça à parede, de olhos fechados e expirei ruidosamente.

Kristen levantou-se e falou com o resto da equipa que tinha assistido a toda a conversa, pedindo-lhes que fossem embora e garantindo que, assim que houvesse notícias, lhes telefonava. Eu continuava de olhos fechados, tentando aclarar as ideias.

- Rob, olha para mim. – Abri os olhos. – Acho que devíamos tentar saber alguma coisa. Ela já entrou há algum tempo.

Voltei a fechar os olhos. Não tinha a certeza de querer saber notícias ainda. Afinal tinha sido por minha causa que isto estava a acontecer e nem queria sequer imaginar se ela perdesse aquele bebé...Se ela perdesse o nosso filho... Oh meu Deus! E o Miguel?

- O Miguel? Com quem ficou o Miguel?

- Calma, calma. Ele está bem. Ainda está com a ama. Liguei-lhe antes de vir, a avisar que alguém ia buscá-lo mais tarde.

- Graças a Deus. Ainda bem que a Annie aceitou vir connosco.

- Olha, está ali uma enfermeira. Vou tentar saber notícias. Ficas bem?

Abanei a cabeça e ela saiu da sala de espera, voltando pouco depois.

- O médico vem falar connosco daqui a pouco.

Vinte minutos depois, um médico de bata branca entrou na sala de espera e dirigiu-se a nós.

- Peço desculpa pela demora, não consegui vir antes. Sou o Dr. Welch.

- Diga-nos Dr., como é que ela está? – Perguntou Kristen.

- Bem. Nem ela nem o bebé estão ainda livres de perigo, mas à partida parecem estar os dois a evoluir muito bem, tendo em conta o quadro inicial.

- Quando vamos poder vê-la, Dr.?

- Pensei que o Sr. Pattinson quisesse vê-la agora. Ela está a dormir, tivemos de dar-lhe um calmante, mas posso levá-lo lá se quiser.

- Não. Ela talvez prefira que a Kristen vá no meu lugar.

- Rob! É óbvio que ela prefere que estejas com ela!

- Mas eu...

- Dr.? É possível que tenha sido uma queda ou um empurrão a originar isto?

- Bem, Sra. Stewart. Tudo é possível, mas o mais provável é que isto acabasse por acontecer mais cedo ou mais tarde.

- Porquê? O que se passa, Dr.? O que se passa com eles? Por favor, não me está a contar tudo.

- Sr. Pattinson, a sua noiva teve um descolamento da placenta. Qualquer coisa pode originar isso. Imagino que ela já andasse a queixar-se de andar muito cansada há algum tempo.

Abanei a cabeça e ele continuou.

- Já tinha a ver com esta situação. Mas felizmente não é irreversível. Se conseguirmos que a situação deles estabilize, basta que ela repouse convenientemente e que não faça esforços e pode ter uma gravidez normal. Agora, se quiser vê-la, posso acompanhá-lo ao quarto.

- Vai Rob. Se quiseres ficar no hospital, posso ficar com o Miguel esta noite.

- Farias isso por mim?

- Claro que sim. Faço-o por vocês. Vai lá, a Anna precisa de ti.

Abracei-a agradecendo e segui o médico até ao quarto.

publicado por Twihistorias às 21:55

comentário:
Oh,que triste!
Marcela Thomé a 28 de Setembro de 2012 às 01:54

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