17
Out 12

Cap. 17 – De volta a casa

Assim que chegámos ao apartamento que tínhamos alugado em Vancouver, ousei perguntar como estavam a correr as gravações, uma vez que no hospital ele evitava comentar o assunto.

- Vou ter de ir ao estúdio agora.

- Ok. Então vou contigo!

- Não, não vais! Vais ficar aqui a descansar.

- Oh Rob, por favor. Achas que me vou pôr a trabalhar? A sério, só quero ver como estão a correr as gravações. Também só me faltam duas cenas, posso gravá-las mais tarde.

- Lamento meu amor, mas já te conheço. Não te vou levar comigo para o estúdio e ponto final!

- E vou ficar aqui em casa a fazer o quê?

- Se não quiseres ficar deitada, podes sempre ver um DVD ou ver TV. Há mais de 100 canais, de certeza que encontras alguma coisa interessante.

- Nem penses! Se não me levares contigo, apanho um táxi!

- Anna! Pelo menos uma vez na vida, não sejas teimosa! Não me obrigues a tomar outras medidas.

- E vais fazer o quê pra me impedir de sair? Vais trancar-me em casa?

- Se for preciso! Mas acho que não vai ser necessário. Tu és uma pessoa responsável e sabes que precisas de descansar. Bem, eu vou ter mesmo de sair, mas tenho a certeza que vais fazer a coisa certa.

Beijou-me a testa, pegou nas chaves e saiu, deixando a porta só no trinco. Mas depois do que ele me tinha dito, nem fui capaz de me aproximar da porta e resignei-me a ficar em casa, enquanto vasculhava os DVDs.

Havia um armário cheio de DVDs. Percorri as lombadas, tentando descobrir alguma coisa que me apetecesse ver, até que descobri uma verdadeira relíquia com mais de dez anos. Abri a caixa, coloquei o DVD no leitor e apertei o PLAY, enquanto me sentava no sofá.

“Eu nunca tinha pensado muito na forma como morreria. Mas morrer no lugar de alguém que amo, parece uma boa razão para partir.”

Era a voz de Kristen que se ouvia, enquanto alguém caçava uma gazela no meio da floresta. Depois ela aparecia, ainda com cara de miúda, ou melhor, Bella, a sua personagem.

Crepúsculo, contava a história do amor entre Bella e Edward. Dois jovens do secundário que se conhecem, quando ela se muda para a pequena cidade de Forks, para viver com o pai. E seria mais uma simples história de amor entre dois adolescentes, se ele não fosse um vampiro com mais de cem anos que anseia pelo sangue dela. Muitas circunstâncias ameaçam separá-los, mas no fim da saga acabam juntos e felizes como num conto de fadas.

Rob e Kristen tinham passado bastante tempo juntos devido a este trabalho, acabando por se envolver também na vida real, o que tinha sido quase como a “ abertura da época da caça” para os paparazzi. Eles eram jovens, estavam muito envolvidos com o trabalho, mas não tinham vontade de expor as suas vidas privadas. E a confusão que se gerava, sempre que apareciam juntos era algo que já estava por vezes fora dos limites do aceitável e eles não tencionavam sucumbir no meio de toda essa loucura. Eles só queriam ser pessoas normais, embora não detestassem propriamente o facto de se terem tornado famosos.

Quando os conheci, Kristen estava praticamente a passar-se com a sucessão de coisas que já tinham acontecido e juntamente com Rob andava a dissecar a relação, o que às vezes não era nada bonito de se ver. O único acordo a que conseguiram chegar, de forma a ser possível continuarem a trabalhar juntos, tinha sido deitar a relação por cima do ombro e continuarem a ser aquilo que sempre tinham sido, bons amigos. Mesmo assim, os últimos dois filmes da saga foram extremamente difíceis de gravar, pois nem sempre eles conseguiam separar as coisas.

- Estás a fazer isto tudo mal Rob! Tens de parar de tentar controlar tudo! Faz a tua parte que eu faço a minha, ok? E não olhes para mim dessa maneira!

- Então explica-me lá como é que queres que faça? A sério, não te entendo! – Rob desviou o olhar de Kristen e atirou com a cábula para cima de uma cadeira.

- Mas porque é que ninguém diz nada? Assim eles vão continuar a discutir a tarde toda. Ainda nem conseguiram gravar nada em condições. – Sussurrei para uma das raparigas da produção.

- Não vale a pena. Nós já tentámos, mas não serve de nada. Mais vale deixá-los acalmarem-se. Tem sido assim desde o inicio das gravações. – Respondeu-me ela, encolhendo os ombros.

Eu ainda não iria gravar naquele dia, mas a produção achou que seria melhor assistirmos a algumas gravações para nos irmos ambientando. Mesmo que o nosso papel fosse apenas de figuração, como era o meu caso, eles queriam que nos ambientássemos com o método de trabalho. E ali estava um monte de gente a assistir às discussões deles.

O pessoal encarregado das luzes, das câmaras e até mesmo o realizador, olhavam uns para os outros, enquanto esperavam que as duas estrelas se dignassem a dar-lhes um pouco de atenção. Entretanto eles os dois tinham-se retirado para o canto oposto da sala e continuavam a discutir, agora em surdina.

Já começava a surgir algum burburinho na sala, entre os espectadores e eles nunca mais voltavam ao trabalho e o absurdo é que ninguém os chamava a atenção. Estávamos todos pura e simplesmente a perder tempo.

Contornei as pessoas até chegar ao canto da sala onde eles estavam.

- Hei! Será que dá para pararem de discutir um bocado?

- O quê? – Disse Rob, voltando-se para mim de repente, olhando-me nos olhos.

O meu estômago deu uma volta com a intensidade do seu olhar dourado, devido às lentes de contacto.

Kristen estava atrás dele e olhava em volta, como se só agora se desse conta da audiência presente no estúdio.

- Bem, se não se importarem, gostava imenso de vos ver actuar hoje, se for possível. Não me queria intrometer, mas estamos aqui todos para isso.

- Tudo bem. Nós vamos já retomar as gravações, não te preocupes. – Assegurou Kristen, baixando levemente a cabeça.

Rob olhava para mim de uma maneira que me fez estremecer. Não sei se era por causa das lentes, mas ele tinha uma expressão estranha e com aqueles olhos fixos em mim, admito que me desconcentrei um pouco.

- Como disse a Kristen, nós vamos já recomeçar, mas já agora tu és...?

- Eu? Eu não sou ninguém. Ninguém importante. Bem, se vão recomeçar, eu vou voltar ao meu lugar. Obrigada. – Acabava de me lembrar que aquela não era a minha função e não queria que ele se irritasse comigo. Definitivamente, eu não queria que me mandassem embora por causa dele.

E tinha sido a primeira vez que tinha trocado umas palavras com Rob. Só mais tarde soube que ele andava a tentar saber o meu nome, para não ter de me chamar “ninguém”.

Um mês depois fomos obrigados a conhecer-nos à força. Eu já tinha assinado contrato para um outro filme e, só quando estava a uma semana de começar a gravar, é que me informaram que ele também iria fazer parte do elenco. E foi assim que acabámos por partilhar algumas cenas no grande ecrã. E apaixonámo-nos e praticamente passámos a viver juntos, porque não conseguíamos separar-nos durante muito tempo. “Praticamente”, porque durante o ano em que vivemos juntos, passávamos quase todo o tempo em hotéis e nunca chegámos a arranjar propriamente uma casa. A única altura em que tínhamos verdadeiramente passado a noite em casa, foi quando ele foi a Londres visitar a família. E isso foi apenas durante uma semana.

A Kristen, ao contrário do que muitos chegaram a pensar, até nos deu todo o seu apoio, acabando por se tornar numa das minhas melhores amigas. Para além disso, também ajudou o facto de ela também se ter apaixonado naquela altura.

------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

- Anna, já chegámos! – Disse, ao entrar em casa.

Ninguém respondeu.

- Bem, vou deitar este matulão, que já está a ficar muito pesado para andar ao colo. – Pensei alto.

O meu filho tinha adormecido durante a viagem do estúdio até casa. E estava tão ferrado no sono, que nem uma bomba o devia conseguir acordar. Deitei-o na caminha dele, tapei-o com o lençol e aconcheguei-o com o cobertor. Em seguida fui até à sala, e acabei por dar com a Anna deitada no sofá, toda torcida, com uma caixa de DVD encostada ao peito e com o comando na mão direita, que pendia do sofá. Dormia profundamente.

Com muito cuidado puxei a caixa que estava debaixo do seu braço e tirei-lhe o comando da mão, pousando tudo na mesinha da sala. Depois peguei nela ao colo, levei-a até à cama e pousei-a com a máxima delicadeza de forma a não a acordar.

Voltei à sala, ajeitei a manta que cobria o sofá e ia guardar o DVD no lugar, quando me dei conta do que ela tinha estado a ver. Eu ainda nem tinha reparado que havia aquele DVD no armário. E mesmo que tivesse reparado, provavelmente nem teria dado importância. Bem, pelo menos o filme tinha-a feito ficar em casa. Fechei o armário e fui tomar um duche. Terminei de me secar e vesti uns boxers e uma t-shirt.

Preparei um jantar simples, esparguete à bolonhesa. Ok, eu andava a aprender umas coisas! Mas, na verdade, tenho de confessar que praticamente só precisei de cozer o esparguete, porque a Annie me andava a dar uma ajuda e tinha deixado a carne e o molho prontos.

Comi, enquanto via as notícias na televisão e, depois de escovar os dentes, despi a t-shirt e deitei-me. Ela nem me sentiu a entrar na cama. Virei-me para o meu lado e adormeci.

publicado por Twihistorias às 23:18

comentário:
cloca essa garota pra descançar!tem q ter cuidado por causa do bb!
marcela thomé a 18 de Outubro de 2012 às 00:27

Outubro 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
12
13

15
18
19
20

25
27

30


mais sobre mim

ver perfil

seguir perfil

32 seguidores

pesquisar neste blog
 
Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

O nosso facebook
facebook.com/twihistorias
Obrigatório visitar
summercullen.blogs.sapo.pt silvercullen.blogs.sapo.pt burymeinyourheart.blogs.sapo.pt debbieoliveiradiary.blogs.sapo.pt midnighthowl.blogs.sapo.pt blog-da-margarida.blogs.sapo.pt unbreakablelove.blogs.sapo.pt dailydreaming.blogs.sapo.pt/ http://twiwords.blogs.sapo.pt/
Contador
Free counter and web stats
blogs SAPO