21
Out 12

Capítulo 32

Assim que cheguei ao fundo das escadas nenhum dos presentes pronunciou uma única palavra, apenas me miravam.

A minha mãe estava com um lágrima no canto do olho.

Evitei o olhar do Ethan, apesar de tudo, ainda estava magoada com a divulgação dele. Ele tinha prometido silêncio.

-Estás linda. – proferiu ele.

Surpreendentemente aquela frase não surtiu nenhum tipo de efeito em mim, mas delicadamente fiz um pequeno sorriso de agradecimento.

Porquê que eu não me senti bem com um elogio? Quer dizer, toda a gente gosta de um elogio, até eu. Certo?

-Anda filha. – falava a inha mãe de forma animada enquanto me segurava o braço e me puxava não sei para onde. – Ainda não conheceste a casa toda.

Era verdade, assim que cheguei e me colocaram a pulseira no tornozelo, apenas tinha estado no meu quarto e casa de banho.

Desta forma a minha mãe fez-me um pequeno tour à casa. Desde a cozinha até ao quarto dela, fomos ainda ao pequeno jardim que tinha nas traseiras, onde eu poderia sentar-me e ler um dos milhares de livros que tinha na casa, ou simplesmente navegar na internet.

Sem dúvida era muito mais comodo que na prisão, mas mesmo assim estava restrita a um espaço.

“Vá lá Kelsi, prometeste fazer um esforço para voltar a seres quem eras!” pensava para mim mesma.

Mas não percebia porquê que estava a ser tão difícil pronunciar palavras tão banais como “Uau! Que lindo! Adorei!”

Apenas fazia sorrisos bonitos e acenava com a cabeça sempre que me perguntavam alguma coisa. Ainda evitava trocas de olhar com eles. Era como se eles conseguissem ler a minha alma quando o fizesse, e não queria isso.

Bolas! Isto iria ser mais difícil do que eu pensava.

-O que é que tem aqui? – perguntei apontando para um porta encerrada, a única divisão que não me tinham mostrado.

-É onde estão as coisas todas das obras neste momento, ainda não fizemos nada aí. Estão também algumas caixas das mudanças que ainda não tive oportunidade de arrumar.

Aquilo suou um pouco estranho, mas não liguei.

Afinal de contas, a minha mãe tinha acabado de vender a nossa antiga casa para comprar uma aqui, apenas para me ser dada a possibilidade de ficar em prisão domiciliária.

Ainda estava muita coisa em caixotes, no entanto grande parte deles ainda estava espalhada pela própria casa.

Encolhi os ombros em sinal de não me importar com aquela divisão.

Ficamos todos ali, no corredor, como se nos sentíssemos demasiado envergonhados por dizer fosse o que fosse. Ou se todos tivéssemos medo de dizer a coisa errada.

-Podemos falar? – Ethan acabara de interromper aquele silêncio incómodo.

Será que lhe poderia dizer que não? Que não queria falar com ele??

“Kelsi, tu prometes-te” voltou a minha consciência.

-Sim. – disse educadamente.

Dirigimo-nos ao meu quarto, de forma a termos uma maior privacidade.

-Desculpa. – começou logo ele assim que fechou a porta.

Não lhe respondi, limitei-me a sentar na cama.

Estava de facto chateada com ele, mas não sentia raiva dele. Em parte compreendia o porquê de ele o ter feito, mas mesmo assim, estava chateada porque ele sabia que eu não queria que se soubesse daquilo.

-Por favor Kelsi, olha para mim. – assim fiz, dirigi o meu olhar para ele. A surpresa estava estampada na sua face, acho que nunca pensou que seria tao fácil. – Desculpa.

Continuei sem reacção.

-Por favor Kelsi fala. – desta vez a coisa não foi tão simples. A minha boca abriu, mas da mesma forma fechou sem nenhum som sair.

-Eu sei que te prometi que não diria nada, e provavelmente estás chateada comigo. Tens toda a razão para isso! Mas eu não consegui, não ia aguentar ver-te ser condenada daquela forma quando o monstro ali era ele.

Queria obrigar-me a responder-lhe à letra, queria berrar com ele. Queria sentir alguma coisa. Mas nada.

Era como se a menina, que eu tinha acabado de permitir regressar, se tivesse perdido e agora não soubesse regressar ao meu corpo. Parecia que eu estava vazia.

Não estava a conseguir ter reacção.

A sensação que estava a dar é que me tinha fechado novamente na minha bola. Mas não era verdade, ou seria? Eu estava a lutar para sair dela, mas estaria assim tão forte que não me permitia sair?

Ou será que eu tinha-me esquecido do que seria sentir?

Ethan levantou as mãos e lentamente aproximou-as do meu rosto, como que a dar-me tempo para recuar ou para eu assimilar que me iria tocar.

Assim foi, as mãos dele docemente ladearam o meu rosto. A nossa troca de olhares parecia ser intensa. Pelo menos da parte dele era, da minha já não conseguia ter certezas.

-Diz que me perdoas. Que compreendes o porquê de eu o ter feito. – implorava ele.

A ver que eu não respondia uma lagrima ameaçava cair daqueles olhos castanhos.

O meu coração pareceu bater um pouco mais forte com aquilo, o meu corpo reagiu aquela lagrima como choques eléctricos.

Meu Deus, como era possível ele ter aquele efeito em mim. Queria afasta-lo, mas ao mesmo tempo queria-o ter comigo.

-Não consigo. – foram as palavras que, finalmente, consegui pronunciar.

-Compreendo. – disse com um acenar de cabeça e abandonando o meu rosto.

Agora não tínhamos parte alguma do nosso corpo em contacto. No entanto, ainda sentia o calor das suas mãos nas minhas bochechas.

Estaria tão chateada para desistir daquele toque? Talvez.

Mas então porquê que eu o ansiava ter por perto? Porquê que a sua presença era tão importante?

Assim que vi que Ethan preparava para se levantar e sair, num reflexo agarrei a mão dele.

Era como se aquilo fosse a ligação que eu necessitava para sentir um pouco a menina dentro de mim.

Ethan olhou confuso para mim, tal e qual como eu me sentia. A diferença é que ele tinha um pequeno sorriso nos lábios.

Sem mais saber o que fazer, arrastei-o comigo pelo quarto. Liguei o meu computador, sem nunca o largar.

Tinha-mos apenas uma cadeira em frente aquele aparelho electrónico, e seria demais dividir com Ethan. Era algo que eu ainda não conseguia fazer.

Permiti-me largar alguns momentos Ethan e arrastei uma ura cadeira para ali, permitindo assim que ele se sentasse ao meu lado.

Depois e inserir a palavra passe que me permitia entrar no computador, uma foto do Jackson, o nosso filho, apareceu.

-Isto foi num dia que fomos ao parque… - comecei a relatar.

Era mais fácil para mim falar do Jackson do que qualquer outro assunto.

Além disso, sentia que tinha privado o Ethan de ter conhecido aquele que seria a coisa mais importante das nossas vidas. Por isso fiz os possíveis para lhe falar, mais e mais, sobre o nosso filho, de forma a que ele conhecesse um pouco mais sobre ele. Assim, através de fotografias, historias e vídeos mostrei tudo aquilo que ali tinha guardado sobre o nosso menino.

publicado por Twihistorias às 18:00
Fanfics:

2 comentários:
Muito bom,espero que o proximo capitulo não demore tanto a sair...
Marcela Thomé a 21 de Outubro de 2012 às 21:34

Juro que vou fazer por isso :D
Leticia a 21 de Outubro de 2012 às 21:36

Outubro 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
12
13

15
18
19
20

25
27

30


mais sobre mim

ver perfil

seguir perfil

32 seguidores

pesquisar neste blog
 
Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

O nosso facebook
facebook.com/twihistorias
Obrigatório visitar
summercullen.blogs.sapo.pt silvercullen.blogs.sapo.pt burymeinyourheart.blogs.sapo.pt debbieoliveiradiary.blogs.sapo.pt midnighthowl.blogs.sapo.pt blog-da-margarida.blogs.sapo.pt unbreakablelove.blogs.sapo.pt dailydreaming.blogs.sapo.pt/ http://twiwords.blogs.sapo.pt/
Contador
Free counter and web stats
blogs SAPO