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Out 12

Capitulo 33

Já estava presa naquela casa à quase duas semanas.

A minha casa já tinha sido grafitada com palavras rudes e a minha caixa de correio tinha sido destruída 3 vezes. Ainda continuavam a achar que eu era a mentirosa, mesmo depois de três raparigas terem admitido terem sido vitimas do Chester, de os exames que fiz à três anos no médico serem coincidentes com o ADN do Chester e ainda tinham encontrado uma caixa com várias madeixas de cabelo de raparigas em casa do Chester.

Era incrível, como depois de tudo isto, as pessoas continuavam a dizer que eu era mentirosa.

Não queria que esquecessem o que fiz, que me perdoassem. Não, nada disso. Eu sei que tenho que pagar pelo assassinato que cometi, mas bolas…ele também era um monstro.

Estava sentada na minha cama perdida nos meus pensamentos quando a campainha suou. Saltei da mesma na expectativa que seria Bentley.

Nos últimos dias tinha estado um sol abrasador, por isso ele não se atrevera a sair de casa. Hoje, com a volta das nuvens ele tinha prometido a visita a minha casa.

-Kelsi, visita para ti. – ouvi a minha mãe. Apressei-me para a entrada da casa.

A visita aguardava-me na sala de estar. Entrei lá com um grande sorriso.

Mas em vez de me deparar com o Bentley, ali estava a Rebecca.

Fiquei presa ao chão e consigo jurar que o meu estomago deu uma volta de 180º sobre ele. Comecei a tremer de raiva.

O que vinha ela ali fazer? E como é que a minha mãe a tinha deixado entrar?

-O que estás aqui a fazer? – era visível no timbre da minha voz toda a repulsa que sentia por ela.

Rebecca olhou para mim e consegui ver aquele olhar que detestava, via a pena que ela sentia por mim.

Pena!

-Sai daqui. – disse eu sem qualquer tipo de cerimónia e indicando o caminho para a porta.

-Kelsi. – repreendeu-me a minha mãe.

-Não deixe estar – apressou-se a Rebecca a dizer. – Ela tem razão de não me querer ver.

Mesmo assim a minha mãe avançou sobre mim e sussurrou-me que eu não tinha sido educada assim.

-Mãe, foi esta gaja que fez com que o Ethan me traisse, foi por causa desta gaja que naquela tarde eu fiquei sozinha. Foi por causa dela que eu… - a palavra não me saia, mas a raiva, o ódio estava bem patente na minha voz, na minha postura, no meu olhar.

-Eu vou embora. – disse aquela que outrora fora a minha melhor amiga.

Ela pegou na sua carteira e antes de cruzar a porta parou e encarou-me, com aquilo que parecia ser lagrimas nos olhos.

-Desculpa Kelsi, eu nunca quis que isso te acontecesse. Nunca pensei que aquilo fosse acontecer.

-SAI. – gritei.

Até a minha mãe se assustou com a subida do meu tom.

Como é que ela tinha coragem de aparecer ali e fingir que estava solidaria comigo? Que não queria que nada daquilo acontecesse? Se bem me lembro, na altura ela deu início a uma série de rumores sobre mim e ainda alimentou outros.

Rebecca saiu da minha casa sem pronunciar uma única palavra.

Subi para o meu quarto deixando a minha mãe estupefacta na sala de estar.

Já lá em cima andava de um lado para o outro numa tentativa de me acalmar.

Queria berrar, chorar, expressar qualquer coisa. Como a mágoa que deveria estar a sentir com a presença da Rebecca ali.

No entanto, a maioria da minha revolta é que eu nada sentia, apenas um vazio dentro de mim.

Tinha prometido que a antiga menina iria voltar, mas não sabia como. Ela estava completamente perdida.

Adivinhando o meu estado de espirito, o quanto me sentia perdida, Bentley tocou á campainha.

Desta vez a minha mãe não me chamou ao andar de baixo, em vez disso permitiu ao meu amigo que subisse ao meu quarto e me acalmasse.

-Posso? – disse espreitando para dentro do meu quarto.

Acenei que sim, já estava um pouco mais calma, mas inda assim ele sentiu o quanto eu estava inquieta.

Bentley entrou no meu quarto com algo atrás das costas.

Parei de andar de um lado para o outro e fitei, ou pelo menos tentava, o que ele escondia.

-Fecha os olhos! – pedia ele com um sorriso travesso.

-Nem penses!

Bentley fitou-me e fez um olhar ameaçador, depois demasiado rápido para os meus olhos verem encontrava-se à minha frente, sendo separados por milimetros. No entanto sem me tocar, ele sabia que detestava que o fizessem.

Baixou-se ligeiramente apenas para cheirar o meu pescoço. E depois num sussurro acrescentou.

-Sabes que não devias desafiar um vampiro!

O tom de voz que ele usou e a proximidade fez com que todo o meu corpo se arrepiasse e um alarme dentro de mim gritasse «foge».

Bentley naquele momento parecia um verdadeiro predador.

O problema é que eu sabia que ele era incapaz de atacar um humano, principalmente a mim.

-Sabes, a cor dos teus olhos estragam um pouco esse teu jeito predador. É que fazem lembrar aqueles gatinhos fofinhos. – disse com um sorriso enquanto lhe tentei, inutilmente, retirar o meu presente.

-Um gatinho? Um gatinho? – Bentley fingiu-se indignado com tal comparação. – Eu digo-te o gatinho menina Kelsi.

Dito isto ele pegou em mim, de forma calma e doce, mas ao mesmo tempo assustadoramente.

Segundos depois encontrava-me sentada no banquinho perto da janela com ele em frente.

-Não que mereças isto, mas não sei mais que lhe fazer. – dito isto entregou-me uma caixinha onde continha diversos bolos da confeitaria perto do hotel onde eu antigamente estava hospedada.

Aqueles bolos, principalmente os donuts, são deliciosos. Fazem as delícias dos habitantes de Forks e já fazia tempo em que não degustava de algo tão delicioso.

Retirei um dos donuts coberto com chocolate e granulado de várias cores, dei a primeira trinca enquanto Bentley olhava para mim com um sorriso.

-És servido? – perguntei coma  boca cheia enquanto lhe estendia a caixa.

Como de costume ele rejeitou, mas isso não me impedia de tentar ser bem educada.

-Vocês nunca comem mesmo nada? Só sangue? – perguntei entre dentadas.

-Podemos comer, mas não digerimos comida! – explicou com um encolher de ombros.

-Então o que acontece à comida?

-Tem que vir para fora mais cedo ou mais tarde. E não é bonito. – a face que Bentley exibiu deixou isso bem claro.

Como não queria ficar enjoada e continuar a apreciar os meus bolinhos decidi que aquela conversa o melhor seria ficar por ali.

Bentley perguntou-me depois o que se tinha passado, porque apesar de estar bem mais calma e assim, ele notava que se passava alguma coisa e que não era só de agora.

Relatei a situação que tinha vivido momentos antes de ele chegar com a Rebecca e o vazio que sentia dentro de mim.

-Admiro a tua iniciativa de tentares voltar a ser a mesma, mas Kelsi essa menina nunca mais vai voltar. – explicou ele. – Muita coisa aconteceu na tua vida, não podes simplesmente passar uma borracha sobre tudo e continuar como se nada fosse.

Eu sabia disso.

Mas a verdade é que eu era uma pessoa amargurada, que não confiava em ninguém, não queria saber de nada nem de ninguém, eu não queria ser assim.

Eu queria sentir.

Acima de tudo, eu desejava sentir-me viva.

Bentleu disse aquilo que já várias pessoas me tinham dito, eu tinha que aprender a viver com o que me tinha acontecido e seguir em frente. Nunca ignorar.

O problema era esse, não é o que tenho tentado fazer? Então porquê o vazio? Porquê que não sinto nada?

Após Bentley ter partido a minha cabeça continuava a trabalhar na mesma coisa.

Eu queria sentir.

Estava já na hora de dormir e invés de me sentir embalada na minha cama, parecia que estava num barco e tudo à minha volta girava e girava.

A minha cabeça não parava de rodar.

Cansada, levantei-me para ir à casa de banho.

Fiquei alguns minutos a olhar o espelho, não conseguia reconhecer a rapariga no espelho, apesar de estar com bom aspecto parecia cansada e velha.

Mas aquilo não surtia qualquer efeito em mim, não sentia nada.

Foi então que agarrei o espelho e abri-o exibindo um pequeno armário cheio de medicação entre outras coisas.

Foi então que algo chamou a minha atenção e com a mão bastante calma alcancei o mesmo.

Voltei a fechar a pequena porta e voltei a mirar-me no espelho.

Respirei fundo e fechei os olhos.

E senti! Ao fim de tanto tempo voltei a sentir novamente.

Senti os meus lábios a elevar-se num sorriso.

Quando abri os olhos consegui ver a pequena linha vermelha no meu antebraço.

Agora com os olhos abertos voltei a fazer outro pequeno corte com a lâmina logo a seguir aquele.

publicado por Twihistorias às 21:27
Fanfics:

2 comentários:
OMD.... que capitulo! tou sem palavras!
estou cada vez mais apaixonada pela tua história! continua!
Ana a 29 de Outubro de 2012 às 22:23

Caramba!Lá vem mais drama na vida da Kelsi...
Marcela Thomé a 30 de Outubro de 2012 às 04:00

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