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Out 12

Cap. 19 - Enjoos

Levantei-me, mal vi a primeira claridade da manhã iluminar o quarto. Tomei um duche e fui directo à cozinha preparar o pequeno-almoço. Talvez um bom pequeno-almoço servido na cama a fizesse não me odiar tanto.

Assim que terminei de lhe preparar o pequeno-almoço, fui espreitá-la. Ainda estava a dormir, mas continuava muito agitada, por isso decidi pôr tudo num tabuleiro e tentar acordá-la.

Pousei o tabuleiro em cima da mesa-de-cabeceira e comecei a fazer-lhe carícias no rosto e a sussurrar-lhe ao ouvido. Ela ainda mudou de posição algumas vezes antes de acordar. Ao abrir os olhos pareceu-me cansada, mas abriu um sorriso quando me viu. Talvez ela não estivesse assim tão magoada comigo.

- Bom dia, dorminhoca! Trouxe o pequeno-almoço. Acho que devias aproveitar pra comer descansada, já que o Miguel ainda não acordou.

Ela sentou-se na cama devagar, ainda meia ensonada e olhou o tabuleiro com uma careta.

- Não esperas que eu coma isto tudo, pois não?

- Comes aquilo que te apetecer.

Ela sorriu, enquanto destapava o frasco de doce.

- Café com leite? – Perguntei.

- Sim, pode ser.

Deitei primeiro o leite na chávena e misturei-lhe o café, que ainda estava quente. Ela observava os meus movimentos, trincando distraidamente uma torrada com doce de morango. Da chávena emanava agora o suave aroma do café com leite, e no minuto seguinte ela tinha largado a torrada e saído a correr em direcção à casa de banho.

Fui atrás dela e bati ao de leve na porta entreaberta.

- Estás bem?

Ela estava debruçada na sanita e, pelo que percebi, vomitava.

- Bem, já estou a ver que o pequeno-almoço não foi boa ideia. Pronto, já passou. A culpa foi minha. – Tentei perceber se ela já estava bem e ajudei-a a levantar.

Ela não estava com muito boa cara. Agora, para além do seu ar cansado, estava muito pálida e parecia que mal se conseguia manter de pé. Amparei-a enquanto lavava a cara e escovava os dentes e ajudei-a a chegar ao quarto. Assim que pôs os pés no quarto teve novo acesso de vómito, mas acabou por se controlar, voltou a cara para dentro da casa de banho e respirou fundo.

- Rob, por favor, tira aquele tabuleiro do quarto. Só de pensar naquele cheiro fico enjoada.

Depois de me certificar que ela estava segura, fui buscar o tabuleiro e levei-o para a cozinha. Quando voltei, ela estava a deitar-se. Parecia mais segura, mas as suas cores ainda não tinham voltado.

- Estás melhor amor?

- Sim. Mas lembra-me só de não voltar a aproximar-me de café com leite. Não o suporto. – Passou a mão pela testa ligeiramente suada, fechando os olhos e respirando fundo.

Sentei-me na beira da cama e afaguei os seus cabelos.

- Amor? – Chamou, mantendo os olhos fechados.

- Sim.

- Desculpa por ontem.

- Não peças desculpa. Esquece isso.

- Mas eu fui tão injusta contigo. Não sei o que me passou pela cabeça.

- Eu sei. Andas muito nervosa. E não poder manter o teu ritmo acelerado habitual... Eu também ia andar irritado se fosse comigo!

- O que não quer dizer que eu tenha o direito de descarregar a minha frustração em ti. – Disse, abrindo os olhos.

- Não te preocupes comigo. Eu aguento tudo, desde que vocês os dois estejam bem. – Beijei a sua testa. – A sério amor, não te preocupes.

- Quando achas que posso acabar o meu trabalho no estúdio?

- Podemos ir lá amanhã. Hoje eles não precisam de nós. Vão gravar algumas cenas entre Susan e Dean.

- Tudo bem. Sabes se a cena que gravámos no último dia ficou pronta?

Ela estava a falar da cena que graváramos no dia em que ela foi parar ao hospital. A cena que me tinha feito desentender com o realizador. Mas eu não podia deixar que a cena real fosse mantida no filme. Por mais argumentos que ele tivesse, eu não podia expor a Anna dessa forma.

- Sim. Não vamos ter de regravar, se é isso que te preocupa. – Forcei um sorriso.

- Não estou preocupada, só queria saber. E a tua irmã? Tem dado notícias? Já pensaste que é daqui a menos de dois meses? – Agradou-me perceber que a sua voz ficara subitamente animada.

- Tens a noção que ela tem estado à beira de um ataque de nervos, por ainda não teres feito as provas finais para o vestido?

Ela não disse nada, mas sorriu.

Uma semana depois o nosso trabalho em estúdio estava terminado e finalmente pudemos regressar a Londres e ultimar todos os preparativos para o nosso casamento.

publicado por Twihistorias às 22:50

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