06
Nov 12

Cap. 20 – O vestido

- Nem penses nisso! Eu vou precisar dela esta tarde! Lamento maninho, mas são coisas de mulheres!

- Lizzie! Mas vai ser a tarde toda? Outra vez?

- Sim. São coisas do casamento. E agora, por favor Robert, estás a atrasar-nos!

- Pois. Coisas do casamento. Ela vai casar comigo, sabias? Ainda sou o noivo, não sou? – Rob virou-se para mim e eu abanei a cabeça, perdida de riso. – Agora quase nem posso ver a minha noiva!

- Oh Rob! Vais poder estar com ela o tempo todo depois do casamento! Vá, agora pára com as lamúrias e deixa-nos despachar. Quanto mais depressa formos, mais depressa voltamos.

- Ah Boa! Agora sou impedido de estar com a minha noiva, pela minha própria irmã! Fazes isso só pra me irritar, não é? Pelo menos queres ir com ela, amor?

Encolhi os ombros e olhei para a Lizzie. Rob saiu do quarto, ainda a resmungar contra a sua sorte.

Aquelas pequenas discussões deles davam-me sempre vontade de rir. Mas, se por um lado, Lizzie não me largava com os preparativos do casamento “para que tudo seja mais que perfeito!” – Dizia ela. – Por outro, eu sabia que Rob estava preocupado com a minha falta de repouso, nos últimos dias.

Confesso que às vezes também me preocupava mas, a cada dia que passava, sentia-me mais confiante. Ok, eu continuava a sentir-me cansada e com sono, mas os enjoos já não eram tão frequentes e as minhas noites eram mais calmas. Só o facto de não me virar de um lado para o outro, toda a santa noite já era uma bênção.

- Hei! Vais ficar aí sentada? Anda, temos de nos despachar! A prova é às 3 pm!

- Calma Lizzie, estou a ir!

Vesti-me, antes que ela começasse a resmungar. A sério, às vezes parecia que era ela quem ia casar! E então hoje... Acho que ela consegue estar mais empolgada para a prova final do vestido de noiva do que eu.

Só quando já estava a caminho do ateliê é que comecei a preocupar-me. As medidas para o vestido tinham sido tiradas no dia a seguir ao anúncio de noivado em LA e nessa altura eu não estava grávida de três meses. Tudo bem que eu não tinha uma barriga assim tão grande, na verdade mal se notava, mas talvez fosse o suficiente para o vestido não servir. Como é que eu me pude esquecer? Como é que eu ia resolver isto, a uma semana do casamento?

Chegámos e Lizzie empurrou-me logo em direcção à sala de provas. Vesti-me com a ajuda da minha futura cunhadinha e, por incrível que parecesse, o vestido estava largo.

- Lizzie, algo não está bem.

- O quê? – Disse ela distraidamente, enquanto se ocupava a ajeitar-me a cauda do vestido.

- Não pode ser. O vestido está largo.

- Pois, talvez eu tenha feito mal as contas.

- O que queres dizer?

- Quando vocês ligaram e me disseram que estavas grávida, liguei para aqui e pedi para alterarem as medidas.

- Ah... – Realmente não havia nada em que ela não tivesse pensado. Era por me lembrar de situações como esta, que eu não tinha como resmungar com ela. E, de qualquer das formas, Rob já resmungava pelos dois.

Depois de a funcionária marcar todos os ajustes necessários e nos assegurar que tudo estaria pronto em dois dias, saímos.

- Então qual é o nosso próximo passo?

- O próximo passo é eu fazer com que comas alguma coisa, que o meu sobrinho já deve estar a ficar esfomeado!

- Eu não tenho...

- Mas tens de comer. Se estivesses a comer como deve ser, o vestido não estaria largo! E depois vamos para casa! Precisas de descansar e, se eu não te deixar descansar, o meu irmão mata-me!

- Ok, ok. Posso pelo menos escolher o que vou comer?

- Tudo bem. Desde que comas!

Não havia nada a fazer! Ela queria ver-me obesa! Só podia ser isso! Parámos num café e lanchámos, enquanto conversávamos sobre o casamento.

- A nossa casa está a começar a deixar de ser habitável, com tanto presente que tem chegado nas duas últimas semanas! As pessoas não deviam ter-se preocupado. Na minha opinião nem deviam dar-se presentes!

- Pelo menos são tudo coisas úteis! Tentei não escolher futilidades.

- Eu sei, mas mesmo assim... Então e o que ainda falta fazer?

- Praticamente nada! Vou deixar-te gozar o resto dos dias de solteira. Os teus únicos compromissos até ao casamento vão ser ir buscar o vestido na quarta e o jantar de ensaio na quinta. Ah e claro a despedida de solteira na véspera!

- Pois. Vê lá para onde me levas. Não te esqueças que eu sou uma mulher grávida!

- Sim, sim, pois. Estás grávida, mas não estás morta, pois não? Lá por ires aturar o chato do meu irmão para o resto da vida e estares à espera de um filho dele, não significa que não te possas divertir!

- O teu irmão não é chato! Tu, nos últimos dias, é que tens feito tudo para o irritar, já reparaste?

- É verdade! Ele tem andado bem nervosinho, não achas?

- E tu adoras implicar com ele, não é?

Ela piscou-me o olho, sorrindo.

- Vem. Vou levar-te a casa.

Deixei-a levar-me sem protestar. No caminho passámos pela casa dos pais de Rob, que mais parecia o quartel-general da “operação casamento”. Muitos dos presentes tinham sido enviados para lá também e, pelo ambiente que se respirava, percebia-se que algo de importante estava para vir.

- Então como correu a prova do vestido, minha filha?

- Pai, deixe a Anna em paz! Ela também não vai contar-lhe nada! Não podemos correr o risco que vá contar ao meu irmão!

- Estas mulheres sempre com os seus segredinhos! Só vou poder mesmo vê-lo no dia do casamento, não é? Começo a sentir-me como se fosse eu o noivo!

- Richard! – Advertiu-o a mãe de Rob. – Querida, queres lanchar connosco?

- Obrigada Clare, mas não. A sua filha já me obrigou a comer. E também tenho de ir andando. O Rob deve estar à minha espera.

- Ah, come pelo menos um pouco de bolo connosco! O Rob ficou de passar aqui, daqui a pouco e depois vão juntos.

Acenei e a campainha tocou.

- Lizzie vai lá à porta que o Miguel está a dormir e a tua irmã está lá dentro com os teus sobrinhos.

- A Vicky também já cá está? – Perguntei.

- Sim. Tínhamos de fazer a prova do vestido para a Caroline o quanto antes.

Caroline, a filha de Victória, ia ser a menina das alianças, juntamente com o meu filho. Estava tudo preparado para que os dois priminhos fossem vestidos tal como os noivos, mas eu ainda não tinha visto qualquer um deles, trajado a rigor.

- Olá meu filho! O que aconteceu à tua chave?

- Nada mãe. Pensei que estivesse no carro, mas não a encontrei.

Virei-me. Rob acabava de entrar na sala, sentou-se ao meu lado e cumprimentou-me com um beijo.

- Então como foi o teu dia?

- Correu bem e o teu?

- Hum. Correu bem. – Trocou um olhar significativo com o pai, que ao mesmo tempo encolhia os ombros. – O meu também foi bom, mas senti a tua falta.

- Ainda bem. – Pisquei-lhe o olho, enquanto comia mais um pouco do meu bolo.

- Já percebi que não vais contar-me nada. O que quer dizer que...

- Elas foram mesmo ver o vestido de noiva! Au! O que foi querida? Eu não disse nada de mal! – Clare olhava Richard com cara de quem o iria fazer sofrer, no caso de ele abrir de novo a boca, enquanto ele fazia uma careta de dor, ao mesmo tempo que tentava segurar o riso.

Estavam os dois com um ar tão cómico, na tentativa de ficarem sérios, que quem acabou a rir fui eu! A gargalhada característica de Rob acompanhou-me de imediato e, segundos depois, já nos tínhamos desmanchado todos a rir à gargalhada. Era sempre assim. Havia qualquer coisa naquela família que me fazia sempre sentir tão bem.

Continuámos à conversa ainda durante um bocado.

- Amor, eu não queria ser chata. Estou a adorar estar aqui, mas talvez fosse melhor irmos. O dia foi longo.

- Ok, vou buscar o Miguel.

- Não espera. Eu vou. Preciso falar com a tua irmã.

Virei costas sem esperar pela resposta e quando cheguei ao quarto, Caroline, Vicky e o meu filho dormiam tão bem que não tive coragem de os incomodar. Abeirei-me da cama e, muito devagar, puxei o meu filho e peguei-lhe ao colo. Ufa! Este matulão está mesmo a ficar pesado!

Ia a sair do quarto com ele ao colo, quando Rob se atravessou no meu caminho. Olhou-me como se dissesse “Tu estás louca?”, tirou o nosso filho dos meus braços e voltou-se novamente em direcção à sala.

- Oh meu Deus. Desculpa. – Eu tinha-me esquecido mais uma vez que não devia pegar em pesos.

Ele voltou para trás.

- Não peças desculpa. Eu só fiquei preocupado. Este rapazinho já está muito pesado. Vamos para casa querida?

Acenei e forcei um sorriso, mas recriminei-me mentalmente pela milionésima vez pelo facto de ser uma inútil. Eu não conseguia evitar pensar dessa forma.

publicado por Twihistorias às 22:20

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