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Nov 12

Cap. 21 – O bebé

- Bom dia meu anjo. – Acordei-a. – Preparada para o grande dia?

- Bom dia... Hã? Que queres dizer com grande dia? Que dia é hoje? – Sentou-se rapidamente na cama, com ar assustado.

- Calma amor. Já não te lembras? Vamos ver o nosso bebé hoje! – A sua expressão suavizou-se de imediato.

- Uff. Desculpa, acho que ainda estava a sonhar! – Desabafou com um suspiro. – Não, não me esqueci. Que horas são?

Olhei o relógio.

- 8:4 am.

- Porque não me acordaste mais cedo? Tenho de me despachar! – E correu para a casa de banho.

Eu já estava vestido, mas ainda não tinha tomado o pequeno-almoço e o Miguel ainda estava a dormir.

- Amor? – Ouvi-a chamar-me da casa de banho.

O pequeno-almoço já estava pronto na cozinha à nossa espera, por isso fui ver o que se passava. Bati à porta.

- Tudo bem aí dentro? Posso entrar?

- Entra! Onde está o Miguel? Já está pronto? – Ela secava o cabelo com uma toalha, quando entrei.

- Não. Ainda está a dormir. Liguei à Annie. Ela fica com ele.

- Não. Hoje não! Podes fazer-me um favor? Acorda-o e ajuda-o a vestir-se. Prometi-lhe que ia connosco.

- Mas já liguei à Annie...

- E qual é o problema? Ligas outra vez... Vais ajudar-me ou não?

- Claro... – Virei costas, fechando a porta atrás de mim e fiz o que me pedia.

Entrei no quarto que tinha pertencido a Anna e que tínhamos transformado no quarto do nosso filho. Quem diria? Se há dois anos atrás me dissessem que eu tinha um filho e que este seria o quarto dele, eu nunca teria acreditado.

E agora, toda a decoração daquele espaço tinha sido finalmente alterada, depois de se passarem anos sem modificações e era o meu filho quem repousava, seguro e tranquilo, entre aquelas quatro paredes.

Aproximei-me da cama, onde ainda dormia e encontrei-o com a cabeça completamente coberta pelo lençol. O seu cabelo loiro e desalinhado pendia-lhe para a testa e respirou profundamente, quando afastei o lençol da sua carinha redonda e perfeita.

- Acorda homenzinho. – Disse baixinho, ao mesmo tempo que afastava o cabelo da sua testa molhada.

Ele mexeu-se e tentou tapar a cara novamente. Voltei a puxar-lhe o lençol devagarinho e mantive-o preso. Não conseguindo voltar a puxá-lo, entreabriu os olhos, fazendo uma careta.

- Homenzinho, queres ir com o pai e a mãe ver o bebé? Ou vais ficar a dormir?

Esfregou os olhos antes de responder.

- Quero ver o bebé... mas tou com soninho. – Disse, abrindo a boquinha de sono.

- Pois, mas não podes ter tudo, por isso... Vamos a acordar! – Anunciei, enquanto começava a fazer-lhe cócegas.

Ele começou a rir à gargalhada assim que as minhas mãos foram em direcção à sua barriguinha, já antevendo a sessão de cócegas que se seguiria. Ele já guinchava ofegante de tanto rir, na altura em que decidi largá-lo.

- É melhor vestirmo-nos depressa, para não fazer esperar a mãe. – Alertei-o, acenando para a porta, onde ela nos observava de braços cruzados.

Anna olhava-nos enternecida, durante o tempo em que me esforcei por fazê-lo enfiar a camisola azul escura, pela cabeça abaixo, lhe vestia as calças de ganga e lhe apertava os ténis.

- Vá. Vai lá papar monstrinho. – Ele saltou da cama e foi abraçar a mãe.

- Bom dia. Hum, que beijinho bom! Coisa boa da mãe!

Eu já estava tão habituado à forma tão natural como eles os dois falavam um com o outro, misturando português e inglês, que quase nem dava pela diferença. Era como se apenas falassem inglês.

E vi-o dar mais um beijinho na barriga da mãe, antes de sair a correr.

- Também tenho direito a um “beijinho bom”? – Disse no meu português de sotaque carregado.

- Ficas com uma cara tão cómica, quando tentas falar português! – Ela ria-se sempre do meu sotaque.

Puxei-a para os meus braços e colei os meus lábios nos seus. Assim que nos afastámos, observei-a com atenção.

Ela era a mulher mais linda do mundo. Nos seus olhos esverdeados havia um brilho especial e o seu sorriso tinha um encanto fora do comum. Os traços do seu rosto eram suaves e delicados e as suas mãos eram ternas e quentes.

- Tu, às vezes, perdes-te. Quantas e quantas vezes, eu fico a pensar se estás realmente aqui...

- Hã? O quê, amor?

- Estava a dizer que às vezes parece que estás noutro planeta.

- É. Suponho que tens razão. Às vezes perco-me, quando me dou conta da sorte que tenho em ter-te comigo. Amo-te Anna, nunca duvides disso.

- Eu não duvido, porque também te amo Robert. Mas agora não nos podemos perder mais, senão vamos chegar muito atrasados! – Completou, empurrando-me em direcção à cozinha.

Meia hora mais tarde estávamos de mãos dadas na sala de espera da clínica, enquanto o nosso filho brincava com uma menina da idade dele, que também tinha ido com os pais.

- Sra. Anna Broddy.

Era a nossa vez. Peguei no Miguel ao colo e entrámos os três no consultório.

Foi um exame rápido, mas que me proporcionou a melhor experiência da minha vida. Eu nem queria acreditar quando o médico nos permitiu ouvir o coração do nosso filho, pela primeira vez. E então quando deu por terminada a ecografia, e nos assegurou que estava tudo bem, pensei mesmo que ia rebentar de felicidade.

No caminho para casa, a Lizzie telefonou para saber as novidades e pude perceber que gritou de satisfação, enquanto a Anna fazia uma careta e afastava o telemóvel do ouvido.

- A Lizzie diz para passarmos lá por casa e deixarmos o Miguel com a Annie. O que achas? – Perguntou sorrindo maliciosamente.

- Filho, queres ir passar a tarde com a tia Lizzie e a Annie?

- Siiiiiiiiim!!

Passámos pela casa da minha irmã a deixá-lo, conforme combinado.

- Olá pombinhos! Os meus parabéns!

Lizzie abraçou-nos aos três, felicíssima com as novidades e sempre tagarelando como de costume. O Miguel correu para o colo da Annie, assim que o pousei no chão.

– Estava aqui a falar com a Annie e chegámos à conclusão que vocês estão a precisar de um tempinho a sós, antes do casamento. E, se o Miguel quiser, pode ficar aqui a dormir connosco até sexta. Hum? Que tal?

- Por nós, tudo bem. – Respondi, depois de me certificar que a Anna estava de acordo. – Filho, queres ficar a dormir na casa da tia?

- Na casa da tia? Com a tia Liz e a Annie?

- Sim. Tu sabes que a Annie tem dormido aqui na casa da tia Liz.

- Siiim pai!!  - Ele saltava de alegria. – An, depois deixas comer gelado? – Ouvi-o segredar.

- Hei! Juízo, sim? Nada de abusar! E obedeces à tia e à Annie, senão...

- Sim mamã. Eu sei, senão fico de castigo.

- Tens de ensinar esta criança a falar inglês como deve ser. Estou um bocado cansada de só perceber metade do que o meu sobrinho diz...

- Lizzie! Olha que não te fazia nada mal aprender português...

- Anna!

- Mana, acho que ela tem razão. Olha, eu também aprendi e a Annie também sabe um pouco...Acho que não fazia mal...

- Ok, ok. Depois eu resolvo isso! Agora, vocês não deviam ir andando?

- Sim, claro! Vamos amor?

- Sim vamos. Obrigada mana por nos pores na rua! Adeus Annie. Adeus filho. Porta-te bem, sim?

publicado por Twihistorias às 22:40

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