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Nov 12

Cap. 22 – Últimos preparativos

- Acorda querida! É melhor começarmos a despachar-nos e irmos para a quinta. – Senti alguém a mexer-me no cabelo. – Ontem não deviam ter saído até tão tarde. Vamos acabar por chegar todas atrasadas ao casamento e ainda queria ver o meu filho antes.

Abri os olhos e vi a mãe do Rob a andar de um lado para o outro no quarto. Abriu o guarda-fatos e retirou o meu vestido, deixando-o em cima da cadeira. Reparei que ela ainda estava em camisa de dormir e com o cabelo apanhado.

- Oh querida! Já acordaste? Óptimo! Eu também ficava assim dorminhoca quando estava grávida. Ficamos mais cansadas, não é? – Ela falava sem parar. Notava-se que estava super nervosa.

- Bom dia Clare! Dormiu bem?

- Sim querida. Bem, vou acordar a Liz. Ontem não deviam ter saído até tão tarde! Vamos chegar todos atrasados. Bem, não quero apressar-te mas, devias tomar banho antes que esta casa se torne o caos. O cabeleireiro e a maquilhadora já devem estar a chegar!

- Obrigada dona Clare.

- Clare! É só Clare. – Disse, enquanto saía do quarto.

Sentei-me na cama e olhei em volta.

O quarto era puramente masculino, embora fosse de supor que tivesse havido mão feminina na decoração.

A janela estava coberta com cortinas finas de xadrez creme e bordeaux. Havia um armário castanho a um canto, com entalhes subtis que condiziam com a cama de solteiro e com a escrivaninha, e que ainda mantinha arrumados alguns livros de banda desenhada. Na parede, por cima da cama, estava um diploma de final do secundário emoldurado e, da única mesa-de-cabeceira, do lado direito da cama, um menino de cabelo loiro e liso, olhava-me com os seus grandes olhos azuis cheios de felicidade. No canto oposto do quarto havia um pequeno armário com uma aparelhagem, atafulhado com uma imensa variedade de cd’s e, ao lado, encostada à parede, repousava uma viola, no seu suporte.

Afastei os lençóis, levantei-me e, depois de abrir as cortinas, dirigi-me lentamente à aparelhagem. Sem pensar, liguei-a e fiz tocar o cd que lá se encontrava. Sorri, ao ouvir as primeiras notas. Ia afastar-me para espreitar pela janela e cumprimentar este novo dia, quando reparei num cartão entalado debaixo da aparelhagem. Puxei-o e abri-o, começando a ler a caligrafia que tão bem conhecia.

Bom dia meu amor,

Espero que não tenhas precisado da ajuda da minha irmã para chegar até aqui e que a estadia no meu quarto tenha sido agradável.

Não podia deixar de te dirigir algumas palavras antes de nos encontrarmos na igreja.

Gostava que ouvisses a música que deixei programada. Pensei em gravar, mas adoro demais o original, para conseguir que saísse tão perfeito. – Sem controlar muito bem as minhas pernas, devido à emoção que senti ao ver aquelas primeiras palavras, sentei-me na beira da cama e respirei fundo antes de retomar a leitura. Por alguma razão que desconhecia, estava com um pressentimento de que o que viria a seguir era algo extremamente importante.

“Eu procurei durante tanto tempo, alguém exactamente como tu.

Alguém como tu, faz tudo valer a pena.”

Alguém em quem pudesse confiar, que pudesse amar e fazer feliz.

Procurei e voltei a procurar,

E mesmo quando tudo parecia perdido, não desisti,

Pois eu sabia, que um dia ficaríamos juntos para todo o sempre.

Nos bons e nos maus momentos.

Na alegria e na tristeza.

Estarei sempre do teu lado.

Como sempre devíamos ter estado e como sei que estaremos a partir de agora.

Nós e os nossos filhos. A nossa família.

És tudo o que eu poderia desejar.

Depois de tudo aquilo por que já passámos, finalmente percebi...

“Que o melhor ainda está para vir.”

Amo-te Anna.

Espero que tenhas gostado da surpresa. Encontramo-nos mais tarde, se não desistires de casar comigo.

Robert

A música “Someone like you” de Van Morrison continuava a repetir-se ininterruptamente no leitor, quando acabei de ler a mensagem que Rob me tinha deixado. Ao ouvir aquela música mais uma vez e, apercebendo-me de tudo o que transmitia, recordei vários momentos que passara com Rob e tentei imaginar pela bilionésima vez, o que ele teria sentido de cada vez que nos tínhamos separado.

Só me apercebi que chorava, quando uma Lizzie preocupada, me afastou o cabelo da cara, assustando-me, pois não a tinha sentido chegar.

- O que se passa? Porque estás a chorar? Estás bem?

O choro intensificou-se e comecei a fungar e soluçar descontroladamente. Ela segurou as minhas mãos, fazendo-me largar o cartão e abraçou-me, até que me acalmasse.

Quando já respirava mais calmamente, ela largou-me e percebi que tinha lido o cartão, quando me fitou com olhos brilhantes.

- Suponho que seja melhor desligarmos a música e ires tomar um banho. Anda daí! A minha mãe ainda tem um ataque se te vê assim!

Tentei sorrir, mas ainda estava demasiado emocionada, pelo que devo ter feito uma careta. Lizzie piscou o olho e limpou as lágrimas que ainda escorriam pelo meu rosto, antes de me empurrar pelo corredor fora, até à casa de banho.

Despi o pijama sem olhar o espelho, enfiei-me na banheira e abri a água quente, deixando-a escorrer por todo o meu corpo, durante pelo menos uns cinco minutos, antes de me começar a ensaboar.

Assim que terminei, Lizzie bateu à porta e avisou-me que estaria no quarto à minha espera para me ajudar com o vestido.

Sequei-me e vesti o robe turco, impecavelmente branco.

Lizzie, tal como disse, estava à minha espera. Esperou que vestisse a roupa interior, enquanto retirava o vestido do plástico de protecção. Tinha acabado de me ajudar a colocá-lo, quando a mãe bateu à porta, anunciando que o cabeleireiro e a maquilhadora estavam a postos.

Lizzie fez-me sentar na cadeira, em frente à escrivaninha, ajeitou o vestido à minha volta e mandou-os entrar. Clare e Vickie acompanharam-nos, trazendo um espelho, que colocaram à minha frente, enquanto o cabeleireiro dispunha os seus materiais.

Vickie deu-me os bons dias e saiu para garantir que a minha menina das alianças chegava ao casamento não muito amachucada.

Deixei que me penteassem e maquilhassem em silêncio e que Lizzie me conduzisse ao espelho de corpo inteiro do armário, depois de me colocar o véu e me alisar o vestido pela milésima vez.

- Está na hora. Vamos?

Mirei pela última vez o meu reflexo no espelho e depois assenti, deixando que me conduzisse pela mão.

publicado por Twihistorias às 20:18

comentário:
Que emocionante!
Marcela Thomé a 25 de Novembro de 2012 às 00:01

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