28
Nov 12

Cap. 23 – Nervosismo e felicidade

Tanta gente me apressara esta manhã, que acabei por chegar cedo demais e, neste momento, os meus nervos estavam a dar cabo de mim.

- Rob! Robert! O teu telemóvel está a tocar... Outra vez! Vais atender ou não? Talvez fosse melhor desligares essa coisa de uma vez!

- Hã? O quê?

- O teu telemóvel. No bolso do teu casaco.

- Ah sim, claro!

Atendi, sob o olhar atento e a expressão alucinada com que Tom me fitava.

- Olá Lizzie...novamente. Está tudo bem?

- Sim. Estamos a sair. Devemos chegar à igreja às 11 am em ponto. Vocês já saíram?

- Nós já cá estamos e, pelo que sei, a Kristen já vem a caminho.

- Ok. Então está tudo certo! Eu vou à frente com os pais, e a Vickie vai atrás de nós com o marido. Eles devem chegar uns dez minutos depois.

- Ok. E a Anna? Está tudo bem?

- Oh, ela está linda! O Alex vem buscá-la. Ela, a Caroline e o Alex serão os últimos a chegar! E tu? Estás bem maninho?

- Sim. Estou bem. O Tom está comigo.

- Ok. Posso falar com ele?

Passei-lhe o telemóvel e deixei novamente de prestar atenção ao que me rodeava.

- Hei mano! Estás bem? Estás tão pálido, meu! Sentes-te bem? – Tom despertava-me novamente, com uma palmada no ombro.

- Hum... Sim, claro! Estou só... Nervoso, acho eu.

- Nervoso hein? Não estás com medo, pois não?

- Não, claro que não! Só quero que corra tudo bem hoje...

- Ok, ok. Só estava a perguntar... – Disse, dando-me pancadinhas nas costas.

Ficámos alguns instantes em silêncio. A minha cabeça estava tão cheia que já não era capaz de raciocinar sobre o que quer que fosse. Sobressaltei-me ao ouvir o som de saltos a aproximar-se em passo de corrida, pelo chão empedrado.

- Oh até que enfim, vos encontro! Isto é enorme! Tudo bem meninos? – Era Kristen. – Como está o nosso noivo? Preparado? – Disse enquanto me abraçava.

- Acho melhor não lhe perguntares nada... pelo que percebi, ele está um bocadinho aflito!

- E se parasses de gozar comigo e fosses ver se a minha irmã já chegou?

Percebi que ele me ia responder à letra, mas a Kristen meteu-se entre nós os dois, abrindo-lhe muito os olhos e ele saiu da sala a resmungar consigo próprio.

- Ele está a ser um parvo, mas tu também devias tentar acalmar-te. Já sabes como ele é... Mas, mudando de assunto. Onde está o meu Miguel?

- Com a Annie, lá fora. Não te cruzaste com eles?

- Não. Mas nós também devíamos ir lá para fora.

Saímos e só ao chegar cá fora, me apercebi da quantidade de convidados que já tinham chegado. Fui passando de braços em braços, até Kristen me puxar, levando-me até à entrada da igreja.

- Oh Jesus! Está tudo louco hoje! Com tanta agitação, ainda acaba por não haver casamento!

- Hum... O quê? – Fitei-a, tentando desvendar a sua expressão, sem entender.

- Oh Rob. Bem, não foi nada disso que quis dizer! Só estava a comentar... Bem, as pessoas não te largam e, caso não tenhas reparado, a segurança já está a ter alguns problemas com os Paparazzi e os curiosos.

- Hum... – Ela continuava a falar, mas eu já tinha desligado. Sentia-me apenas consciente o suficiente para acenar, sorrir e cumprimentar quem se aproximava.

Os minutos teimavam em não passar. Sentia que o tempo quase se suspendera para me contrariar e que a minha cabeça não estava a funcionar como deveria.

Estava a tentar concentrar-me não sei bem em quê, quando quase fui atirado ao chão pelo furacão “Lizzie”. Agora percebo porque motivo os furacões têm quase sempre nome de mulher!

- Maninho! – Quase me furava o tímpano, ao mesmo tempo que me tentava sufocar com um abraço.

Assim que a minha irmã decidiu soltar-me, foi a vez da minha mãe. Tomou as minhas mãos e sorriu, antes de me abraçar.

- Ai o meu menino. O meu filhote...Nem sabes como estou tão feliz! Tudo o que eu quero é que sejas feliz...Que vocês sejam felizes.

- Mãe, talvez fosse bom irmos entrando. A Vicky já aí vem e a noiva deve chegar a qualquer momento. Além disso, aqui o meu maninho não pode ver a noiva antes de...

Lizzie não pôde terminar a frase, pois foi interrompida pela nossa irmã mais velha.

- O que foi que combinámos? Vocês já deviam estar todos lá dentro. Vá, depressa! Ela deve estar a chegar... Olá maninho! Pai fique aqui com a Liz que eu e a Kristen vamos levar o meu irmão lá para dentro!

Ao que parece, hoje era a Vicky que estava no comando das operações. Ela e Kristen fizeram questão de me levar ao altar, mas não antes de o meu pai me abraçar e desejar boa sorte.

A igreja parecia ter mais pessoas, do que as que me lembrava de termos convidado e senti que todos me olhavam como se eu fosse o único naquele espaço. Mas a sensação durou apenas um segundo, antes de me perder novamente em pensamentos.

Cumprimentei brevemente o padre, que já estava pronto e aguardava poder dar início à celebração.

- Mano, tenho a certeza que vai correr tudo bem. Vocês merecem. Agora, por favor, respira! Dá para sentir que estás uma pilha de nervos e não há motivo nenhum para isso.

- Obrigado Vickie. – Disse, deixando escapar um sorriso.

- Ah assim já está melhor! Bem, vou sentar-me. Vemo-nos depois. Respira.

Vi-a afastar-se e sentar-se junto do marido, num dos primeiros bancos.

Kristen e Tom não me largaram um segundo e, embora Tom parecesse um pouco contrariado e ainda me olhasse como se eu fosse para a forca, foi bom tê-lo perto de mim.

Alguns minutos mais tarde, Lizzie e Alex juntavam-se a nós.

- Cuida bem da minha miúda! É só o que te peço...

- Alex, desculpa interromper, mas devíamos tomar os nossos lugares. Força mano, é agora. Ela vai entrar...

Assim que os padrinhos chegaram aos seus lugares, o quinteto começou a tocar. Primeiro o violino, o piano e o violoncelo, depois a flauta. Assim que a viola juntou o seu som aos restantes instrumentos, avistei pela primeira vez a sua silhueta à entrada. Vinha de mãos dadas com as crianças. Baixou-se e eles abraçaram-na, antes de darem as mãos e começarem a andar lentamente.

A minha irmã não nos tinha deixado ver os fatos das crianças, mas estavam realmente perfeitos. Eram autênticos noivos em miniatura.

O meu filho no seu fato preto e cinzento, e de lacinho preto, tal como eu. Quanto à minha sobrinha Caroline, estava linda no seu vestido branco bordado, com uma barrinha cor-de-rosa a orlar o decote, tal qual a noiva.

Anna avançava, pelo corredor central da igreja, com passos lentos mas firmes, de braço dado com o meu pai, que ficara radiante quando ela o convidou a acompanhá-la ao altar.

Todas as cabeças se voltaram para ver a noiva a chegar. Ela estava linda.

Quando já estavam mais perto, pude ver como ela sorria. Não havia nada mais perfeito do que aquele sorriso. Sorri mesmo antes de perceber que os seus olhos estavam fixos em mim.

A melodia era alegre e harmoniosa. Surpreendeu-me o facto de serem os outros instrumentos a acompanhar a viola e não o inverso.

Os dois principezinhos chegaram ao altar e foram sentar-se junto da minha mãe.

E finalmente o meu pai e a Anna chegavam junto de mim. Ela beijou-lhe a face em agradecimento e ele juntou as nossas mãos, entregando-ma com um sorriso.

- Cuidem bem um do outro. – Soprou-nos antes de se dirigir para junto da minha mãe, que nos olhava já à beira das lágrimas.

Lizzie apressou-se a pegar no bouquet. Anna olhou-me mais uma vez. Apertei a sua mão, a fim de acalmar os seus nervos e tentei mostrar uma calma que também não sentia. Sentia-me como se tivesse formigas a passear na minha barriga e ela devia estar a sentir o mesmo, embora quem a olhasse nem sequer imaginasse. Mas as suas mãos geladas e húmidas denunciavam-na.

Voltámo-nos finalmente de frente para o celebrante. A melodia terminou e o padre deu início à cerimónia.

Os músicos esforçaram-se por manter quase sempre uma suave música ambiente, mas quando dissemos os nossos votos, o silêncio era apenas entrecortado por algumas fungadelas, que eu suspeitei serem provenientes da minha mãe, até descobrir a Lizzie a tentar esconder as lágrimas.

Depois disso, tudo se sucedeu tão rapidamente que não tenho a certeza se as minhas recordações estão gravadas cronologicamente na minha mente ou não.

Lembro-me de a beijar na igreja, enquanto todos aplaudiam, de ainda sentir a minha mão tremer enquanto assinava, de como nos tentámos esquivar a toda aquela chuva de arroz e pétalas, ao sair da igreja, dos abraços e beijos, do choro de alguns e do riso de outros e das fotografias. Imensas fotografias.

publicado por Twihistorias às 23:17

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