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Dez 12

 

 Capitulo 19

Parte 1

O concerto tinha corrido lindamente, a adesão ao mesmo tinha sido impressionante. Não estava à espera.

A reacção das pessoas foi brutal.

Meu Deus, como sentia saudades de atuar.

-Até amanhã meninos. Divirtam-se. – disse ao Dio e ao Marcello antes de entrar na minha casa.

Eles iriam caçar para fora dos limites da nossa cidade. E com certeza que a refeição não seria vegetariana. Eu iria apenas ficar por casa, à espera da chamada da Aria e a fazer companhia ao Nahuel e afins.

Assim que entrei em casa, toda a família ali se encontrava. Todas as cabeças rodaram na minha direcção e nem um sorriso apareceu, nem sequer uma felicitação pelo concerto. Naquela sala apenas se ouvia o zumbido de alguns insectos.

Na pequena casa dos meus pais, todos os Cullen estavam reunidos provavelmente para me chamar mais uma vez à atenção sobre a minha conduta.

“Será que não ouviram nada do que eu cantei?” questionava-me a mim própria.

Um sorriso triste apareceu nos lábios do meu pai.

-Sim! – respondeu-me com uma voz cheia de mágoa.

Todos voltaram a atenção para ele.

Assim que o vi conseguia ver toda a mágoa nos seus olhos, nunca o tinha visto assim. A minha mãe amparava-se nele como que em busca de força.

Foi quando me apercebi, eles não estavam ali para ralhar comigo, mas sim para dar apoio aos meus progenitores.

Aquilo magoou-me de várias formas. Primeiro, fiquei desiludida comigo, porque mais uma vez tinha magoado a minha família, tinha voltado a desiludi-los. E magoou-me muito quando me apercebi que mais uma vez eles estavam unidos contra aquilo que eu fazia.

Tudo que eu fazia dava sempre errado, e odiava sentir-me assim. Como se não fizesse parte daquela família, como se não fosse aqui o meu lugar. Bolas, como se fosse uma aberração.

“Tu és uma aberração!” pensei.

Afinal de contas eu não era humana, mas também não era vampira. Eu não era nada, era uma experiencia maluca que resultou naquilo. Eu sou um hibrido.

Abruptamente o meu pai largou a Bella, para espanto de todos, e dirigiu-se a mim.

-Não! – Edward elevou uma décima no seu timbre. – Tu és especial, não te quero ouvir a pensar ou dizer uma coisa dessas, ouviste?

Do nada o meu pai abraçou-me.

Queria refutar, mas era como se as palavras me fugissem da boca e da mente.

Conseguia ouvir os soluços da parte feminina da família, apesar das lágrimas continuarem ausentes.

-Tu és a minha menina, a minha bebé. – continuava o meu pai num sussurro ao meu ouvido. – Desculpa se te fiz sentir menos especial, ou menos bem-vinda na minha vida. Tu és a minha vida Renesmee.

E pronto, antes que conseguisse impedir, uma lágrima caiu-me aterrando na camisa do meu pai.

Sem qualquer esforço ele pegou em mim ao colo e embalou-me, como costumava fazer quando eu era pequena.

Encaminhou-se comigo para o sofá e começou a cantarolar a minha música de embalar.

Toda a família abandonou a sala, deixando-me a sós com os meus pais. A minha mãe devagar aproximou-se de nós e sentou-se ao nosso lado envolvendo-nos num abraço, e assim ficamos por algum tempo. Naquele abraço colectivo, tentando fazer com que a nossa família se voltasse a colar e nunca mais se separasse.

Mas não podíamos continuar assim. Dizer umas palavras bonitas, chorar e pronto, tudo estava bem.

Tinhamos que resolver as coisas como devia ser, senão nunca mais iriamos andar para a frente e iriamos continuar a magoar-nos uns aos outros.

Como seria de esperar, o meu pai ouviu os meus pensamentos e parou de cantarolar. Ele deixou-me à vontade para me afastar dele, mas a verdade é que tinha demasiadas saudades de estar aninhada no colo dele, por isso permaneci ali. Nos braços daquele que à uns anos atrás, era para mim a pessoa em quem eu mais confiava.

-Tens razão, temos que falar. Os três. – disse olhando também para a minha mãe. – Vamos esclarecer tudo, dizer tudo. E vamos voltar a ser uma família.

Sim, era exactamente isso que necessitávamos.

Inicialmente houve um silêncio, nenhum de nós sabia por onde começar. Nenhum sabia o que dizer. Era como se todos tivéssemos medo de transmitir fosse o que fosse e magoássemos alguém com aquilo que realmente sentíamos.

Reencarnado a Renesmee dos tempos modernos, e deixando a criança aninhada no colo do papá, falei eu em primeiro lugar.

 -Não vos queria magoar ao cantar aquilo. – comecei, mas acabei por fazer uma pausa, porque na verdade eu queria magoa-los. – Quer dizer, eu queria magoar-vos. Queria muito mesmo.

Disse demasiado séria, os meus pais ficaram chocados com aquilo, desiludidos, apreensivos e surpreendidos. Conseguia ver aquele cocktail de emoções nas suas faces.

-Desde que eu cheguei que noto a apreensão de todos vocês, como se temessem dizer a coisa errada, como se eu estivesse a passar apenas uma fase e continuam à espera que uma manhã eu acorde e volte a ser a Nessie.

A minha mãe iria falar, mas eu impedi-a de se defender. Não adiantava, o que eu dizia era verdade e ela sabia-o.

-Pois bem, essa menina morreu. Eu sou assim e é bom que me aceitem, porque senão eu vou embora no final desta batalha.

-Não. – disse a minha mãe em pânico.

-Sim mãe. É a verdade. Aquela menina inocente já não existe. Eu sou assim, visto-me assim, pinto-me assim e faço merda como qualquer adolescente. Não digo que serei assim para o resto da eternidade, mas nesta fase da minha vida sou assim e posse assegurar-vos que nunca mais serei aquela menina.

Abandonei o colo do meu pai e coloquei-me em frente a eles.

Se era para falar, esclarecer tudo e nenhum deles teve a coragem para começar, eu iria dar o exemplo aos meus pais e dizer tudo. Magoasse ou não, esta seria a noite que eles iriam conhecer um pouco mais de mim. Com certeza que depois desta conversa, pelo menos eu, iria ficar bem mais leve.

-Eu já fiz sexo nos locais mais loucos, já trabalhei em locais que vocês nunca aprovariam, já experimentei drogas, fumo, já bebi sangue humano mais que uma vez, e não foi apenas para me curar. Já o fiz por simples diversão. – os meus pais tinham um grande “O” formado nos lábios, perante aquilo que eu estava a dizer.

Mas nem o choque estampado nas suas caras me fez parar.

-Se é o meu estilo de alimentação, não não é. Mas já experimentei e gostei bastante. Não me arrependo, como quase tudo aquilo que faço na vida. “Arrepende-te daquilo que não fazes e não do que fizeste” é um dos meus lemas de vida.

Os meus pais, ainda estavam ali sem nenhuma reacção. Estavam agora demasiado direitos e tensos a ouvir tudo aquilo que eu dizia. Eu continuava a andar de um lado para o outro a enumerar numerosas coisas que tinha feito que os teria deixado desiludidos comigo.

-Isto tudo, apenas para vos dizer, não fiquem tristes por aquilo que visto, ou da forma como me pinto, ou do meu cabelo loiro. Porque eu fiz muitas coisas que vos desilude com razão. No entanto, foi graças a essas experiências que fizeram de mim o que sou hoje. Foi com elas que cresci e que fiquei a conhecer-me. Esta sou eu, e sou muito feliz assim.

-Renesmee… - ia começar a minha mãe.

-Ainda não terminei. Agora falo eu, depois é a vossa vez. – disse interrompendo-a mais uma vez – Isto tudo para dizer, que se não gostarem de mim assim, tem bom remédio, ignorem. Porque eu não pretendo mudar!

-Nós adoramos-te filha, independentemente da cor do cabelo, da roupa, das tuas escolhas de vida. És a nossa princesa. – falou o meu pai.

-Então porquê que não me querias? Porquê que... – a voz falhou-me no fim. Rapidamente olhei para a minha mãe. – E tu? Porquê que me escondes-te que tiveste um caso com o meu namorado se não significou nada? Porquê que todos me mentiram?

-Desculpa. Nós não o fizemos para te magoar, foi apenas para te proteger. Não falamos sobre o meu beijo com o Jacob porque era algo do passado e nunca pensamos que aquilo voltasse a vir ao de cima. Eu amo o teu pai e o Jake adora-te Renesmee. Entre mim e o Jake só existe uma grande amizade, sempre foi assim.

-E aquilo que escrevi no diário sobre não te querer inicialmente é porque eu temia pela tua mãe. Nós não conseguíamos ver-te e eu via a tua mãe a ficar cada vez mais fraca. Era algo inédito, para mim impossível, é normal as pessoas terem medo do desconhecido, eu tive medo de perder a tua mãe. Nem sabia se o bebé que ela tinha dentro dela era sequer viável… - dizia o meu pai de forma pesarosa.

-Ou se era um monstro... – acrescentei eu com uma mágoa na voz, usando as palavras que lera no diário.

-Não Renesmee . – disse a minha mãe em defesa ao meu pai. – Devias ver o dia em que o teu pai te ouviu pela primeira vez. O brilho dos olhos dele por ser capaz de te ouvir quando ainda estavas aqui. – disse apontando para a barriga dela. – Ele ficou rendido a ti, não havia nenhum momento em que ele não falasse para ti, conversasse contigo. A partir daquele momento, assim como eu, o teu pai estava disposto a dar a vida por ti.

 

Nota: Não se esqueçam de visitar o blog da Renesmee onde ela coloca outras novidades. http://that_girl.blogs.sapo.pt/

publicado por Twihistorias às 22:04
Fanfics:

3 comentários:
Caramba,me deu vontade de chorar!
Marcela Thomé a 2 de Dezembro de 2012 às 23:56

Obrigado...ainda bem que estás a gostar!!
Admito que este capitulo me deu bastante trabalho a escrever....queria que fosse um pouco profundo entre eles...mas não sabia se iria conseguir tal coisa!!
Ana a 3 de Dezembro de 2012 às 00:00

ansiosa para o proximo capitulo *-*
os cullen tem q aceitar a nessie do jeito q ela é :)
jess a 4 de Dezembro de 2012 às 23:44

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