28
Jan 13

Capitulo 19

Parte 3

-Alice! – o tio Jasper estava perto dela a tentar chamar a sua atenção e assim saber o que se passava.

Como ela não reagia todos olhamos para o meu pai, a expressão dele era semelhante à da tia Alice. Pânico!

-Vai começar! – ouviu-se a voz fina e melodiosa da minha tia. Era notório um pequeno tremor naquela voz. – A Maria e o seu exército estão a caminho! Temos três dias.

O silêncio instalou-se na sala. A minha mãe correu na minha direcção para me abraçar, seguindo-se do meu pai. O avó e a avô seguiram o exemplo e também se abraçaram, assim como outros casais.

A alegria de momentos antes tinha agora desaparecido, o círculo da verdade ou consequência tinha desaparecido. Agora todos estavam em grupos, rodeados por amigos, companheiros, familiares.

Outros traçavam ainda agora algumas estratégias de guerra.

Devo admitir, que apesar de ter regressado para proteger a família e me ter mentalizado para esta guerra, a verdade é que eu não estava, de todo, preparada para ela.

Afinal de contas como é que se prepara para uma guerra?? Mas preparar a serio? De forma a não ficar sempre com aquele friozinho na barriga? Isso, acho que nunca vai acontecer.

O pânico nos olhos da tia Alice e do meu pai eram demasiado fortes para serem completamente ignorados. Havia algo que eles estavam a esconder.

Ao fim de algumas horas, o choque já tinha desaparecido e dava lugar a treinos a estratégias, tudo! Os últimos telefonemas estavam a ser realizados, novos ataques a serem treinados. Todos pareciam determinados e decididos a lutar.

Eu deveria estar com eles, provavelmente perto de Nahuel e das suas irmãs a treinar formas de não ser caça. Formas de esconder, disfarçar os meus pontos fracos.

Invés disso, afastei-me um pouco. Tinha medo por todos aqueles que eu amava. Podia parecer forte e segura de mim por fora, mas por dentro estava completamente perdida.

Afastei-me o suficiente para deixar de ouvir fosse quem fosse, subi a uma árvore e retirei um pozinho branco do bolso.

A cocaína não me afectava como a maioria dos humanos, não corria o risco de uma overdose, o que significava que para ficar um estado mais entorpecido consumia o dobro dos humanos. No entanto, tinha as suas desvantagens. A droga só afectava o meu lado humano, o que fazia que o meu lado predador, animal ficasse no controlo.

Descobri isso da pior forma, em França, numa noite em que estava de folga da discoteca, no entanto estava co os meus amigos. Decidi experimentar com eles, juntamente com o álcool. A conclusão foi três humanos mortos e a minha primeira noite de sexo com o Dio. Soube depois, que foi o Dio que evitou que eu tivesse morto mais humanos, que escondeu os outros corpos, e acima de tudo, evitou que aquele descontrolo chegasse aos ouvidos dos Volturi. Ele conseguiu travar-me daquela vez, não que tenha sido fácil, chegamos a lutar. Mas como é obvio, ele com mais experiencia do que eu e mais força levou a melhor. Depois, eu seduzi-o e aconteceu naquilo que terá sido uma mas maiores noites de sexo de sempre.

Talvez, por ficar descontrolada desta forma é que escolhi um local pacífico e sem humanos ou vampiros perto de mim. Só queria sentir-me leve, eufórica, alegre. O efeito iria apenas durar algumas horas, o suficiente para mim.

E assim foi, com uma inspiração profunda aquele pó cristalino estava no meu corpo, provocando-me toda uma serie de sensações já por mim experimentadas.

Era a primeira vez que o fazia assim sozinha, normalmente tinha o Dio comigo, para se assegurar que eu não fazia nenhuma loucura. Mas desta vez eu queria realmente estar sozinha, no entanto tinha o número dele no telemóvel a postos para uma qualquer eventualidade e necessitar de lhe ligar.

Mas o que poderia acontecer ali no meio do mato tão longe de tudo??

E assim ali fiquei deitada naquele ramo de árvore, sentindo o meu lado humano cada vez a ficar mais desligado e todas as minhas sensações vampíricas ficarem cada vez mais e mais apuradas.

Ouvi um barulho e sem pensar levantei-me.

Alguém se aproximava em paços largos, ou melhor em corrida vampírica.

Aquilo era invasão do meu território, eu estava ali primeiro. Por isso, simplesmente saltei do cimo da árvore aterrando mesmo em frente ao vampiro. Ambos rugimos um para o outro, em forma de ameaça e também para dizer que não tínhamos medo. Era assim que funcionávamos naquela situação.

Ambos estávamos prestes a debater-nos por aquele que era o meu território. Fui a primeira a saltar para cima do vampiro.

Como é que ele e atrevia a ir ali e reclamar aquele local, estando ali eu primeiro. Logo ele.

Dio defendeu-se, conseguiu esquivar-se de mim. No entanto nas ultimas semanas andávamos a treinar aquelas situações, por isso consegui livrar-me dele rapidamente.

-Renesmee temos que sair daqui. – ouvi-o dizer. Mas o meu lado sensato estava sobre o efeito da cocaína e o meu lado vampiro não acatava ordens.

Por isso investi novamente sobre ele, desta vez ele não se conseguiu desviar, o que me possibilitou bater-lhe com alguma força. Ouvi o corpo dele começar a partir.

Aquele som fez o meu sorriso aumentar.

-Sai daqui. – disse eu de forma fria.

-Renesmee… - tentou ele novamente. – temos que sair daqui, há…

O som das palavras dele foram abafados por dois batimentos cardíacos, o calor humano emanava por dois corpos não muito longe dali.

Mais uma vez, o meu lado predador venceu e localizou rapidamente aqueles dois humanos. Lancei-me numa corrida atrás da minha presa.

Senti-a Dio atrás de mim. Apressei o passo, mas sabia que era impossível ganhar um vampiro completo na corrida, por isso do nada enfrentei-o. Estava pronta pra lutar pela minha refeição.

Mais uma luta se desenvolveu no meio daquele verde, demasiado perto daqueles humanos, mas longe o suficiente para eles notarem a nossa presença.

Conseguia ouvir as conversas triviais dos mesmos, onde pousavam os pés. A minha garganta ardia e a brisa ainda ajudava a trazer o odor deles até mim.

Com alguma dificuldade, o Dio conseguiu deter-me e afastar-me daquele local.

-É para o teu bem. – sussurrava ele enquanto lutava para me segurar e me levava para longe.

Ao fim de alguns quilómetros deixei de sentir aqueles humanos. A minha garganta ainda ardia, mas não tanto.

Aquela sensação de perseguição de invasão ao meu território começou a dar lugar à luxuria e dava graças por ter ali Dio comigo. Numa questão de segundos a luta entre nós os dois deu lugar à luta para arrancar cada pedaço da nossa roupa.

E assim, no meio do mato voltamos a unir-nos num só de forma louca e selvagem, tal e qual o ser que representávamos.

Algumas horas depois, já tinha recuperado toda a minha consciência e estava eternamente grata a Dio por mais uma vez me ter protegido de fazer algo que me iria arrepender.

Arrependia-me sempre.

-Obrigado. – sussurrei no intervalo dos nossos beijos.

Continuávamos nus, os nossos corpos claros faziam contraste com o verde que nos rodeava.

-Não foi nada. Só achei que se eu não posso caçar dentro dos limites da cidade, tu também não! Não é justo. – disse com aquele sorriso torto.

-É tens razão, até porque há coisas bem mais interessantes para fazer-mos dentro dos limites da cidade. – o meu sorriso aumentou com as minhas palavras e rodei um pouco a minha cintura, originando alguns gemidos por parte do Dio.

Ainda permanecemos ali mais um tempo, a saborear o corpo um do outro. Por fim achamos melhor voltar para junto dos outros. Uma regra aproximava-se.

Entramos na clareira que dava acesso ao jardim da casa grande, onde estavam reunidos algumas dezenas de vampiros. Jacob e outros lobos estavam ali também.

Aquilo provocou-me um frio na barriga, que piorou substancialmente assim que os olhos do meu lobo se cruzaram com os meus e viu o Dio ao meu lado.

Não o consegui encarar, por isso desviei o meu olhar. O que só aumentou as suas suspeitas.

Dio, apercebendo-se da situação afastou-se de mim. Sabia que também o tinha magoado. Afinal de contas, antes mantinha a relação com ele em segredo porque namorava, e agora que ão tinha namorado continuava a fazer segredo. O pior é que toda a gente sabia, o que eu só me estava a enganar a mim própria com isto do segredo.

E o Jacob, bem nós não tínhamos nenhum tipo de compromisso. Então porquê que eu me sentia embaraçada e com este sentimento de culpa?

Conseguia ouvir alguns dos comentários, Dio não fez caso de nenhum e foi para perto do Marcello, que também não teceu nenhum comentário. Jacob por sua vez, quando voltei a encará-lo desviou o olhar e continuou a fazer o que estava a fazer, ignorando-me.

Olhei em redor e ainda tinha alguns vampiros a olhar para mim, alguns ainda teciam comentários sobre mim e o Dio. Os meus pais ao longe tentavam não me olhar, para não tornar o momento mais constrangedor, apesar de o meu pai estar com cara de que se pudesse desfazer alguém, iria faze-lo.

Por isso, quando vi o tio Jasper ao longe a afastar-se segui-o.

-Tio. – chamei.

Ele abrandou, mas ainda assim prosseguiu o seu caminho, para dentro da floresta.

E lá estava eu, novamente com aquele verde em meu redor. Desta vez com o meu tio.

Ele parecia um pouco abatido, por isso quando o apanhei e lhe perguntei o que se passava limitou-se a fazer um sorriso não muito convincente e a encher-me de uma onda de calma e felicidade.

Entendi aquilo como um «podes acompanhar-me, mas em silêncio». Por isso mesmo, lá continuamos o caminho em silêncio. Admito que também foi uma boa terapia, diferente da anterior, mas boa.

Quando subitamente o tio Jasper parou perto de um penhasco e falou pela primeira vez eu sobressaltei-me! Não estava de todo À espera de ouvir a voz dele, pensei que seria um passeio silencioso, de meditação.

-Então o que te inquieta sobrinha?

Não estava de todo à espera daquela pergunta. Quer dizer ele estava no jardim da casa assim como todos os outros. Toda a gente percebeu o que se passava. Eu estava com o Dio, mas não tinha coragem para o admitir. Em vez disso usava-o e deitava fora, sempre tinha sido assim entre os dois. Ele também o fazia, não era só eu. Então porquê que eu ultimamente me sentia mal ao fazê-lo? Não só em relação ao Dio, mas ao Jacob.

Mas se bem me lembro, o meu tio foi o primeiro a partir, só depois é que o segui. Por isso ele também estava inquieto.

-O que te inquieta a ti tio? Porque saíste da beira de toda a gente e vieste para aqui? Sabes o quê que o pai e a tia Alice estão a esconder? – perguntei a medo.

-Não te escapou também pois não? – depois lentamente olhou para mim, a tristeza era visível na sua face. – O facto de eles não revelarem tudo, também notas-te isso não foi?

Acenei afirmativamente.

-Eu também reparei, mas eles juram que não sabem de mais nada.

O tio Jasper voltou a olhar para o vazio. Ao fundo conseguíamos ver o mar. Já não eram as mesmas águas que banhavam La Push, essas estavam bastante para trás, noutro estado.

Estávamos demasiado longe de casa.

-Mas eu conheço a Maria, conheço-a como ninguém. E Renesmee, o que aí vem não vai ser bonito. Foi isso que eles viram e que os assustou. Assustou-os tanto que eles não tem coragem de nos contar.

-Isso é errado, porque se eles nos contassem nós poderíamos fazer alguma coisa para nos defender. – brandava eu irritada, os meus braços dançavam no ar de forma agressiva, assim como o vento.

-Não minha querida. Nós não dizemos aqueles que amamos que nos dirigimos para uma missão suicida, nem lhes pedimos para abandonar a família, ou os seus ideais. Ao invés disso fazemos sacrifícios, sofremos em silêncio e aproveitamos todo o tempo que nos é possível com os mesmos. – o tio ainda falava a olhar para o horizonte, a sua voz era calma, suave, triste e distante.

Era como se ele estivesse a meditar, a falar para si mesmo, a reflectir sobre as suas próprias palavras.

-Quando amamos, fazemos tudo em prol do seu bem estar. Mesmo que isso nos faça doer, mesmo que isso nos mate por dentro. Pelo bem estar da nossa cara metade nós somos fortes e fazemos coisas que nem sempre gostamos, mas que tem que ser feitas.

-Então porquê que estás aqui? Quero dizer, porque não estás com a tia Alice? – após a minha pergunta o tio Jasper continuou com um olhar vazio.

Começava a perguntar-me se ele me tinha ouvido.

Finalmente olhou para mim com aquele olhos dourados que condiziam na perfeição com aqueles cabelos dele, e exibiu o sorriso mais lindo.

-Ainda não compreendes o amor minha querida. Um dia irás entender. – disse passando os seus dedos na linha do meu queixo. A sua voz era tão melodiosa e calma.

Comecei a pensar no que ele me tinha dito, na sua postura ali e o porquê de ele estar ali.

O pânico começou a tomar conta de mim.

-Tu não estás a pensar… - comecei a dizer.

Uma onda de calma inundou-me e o sorriso do tio Jasper voltou a brilhar.

-Minha querida Renesmee, só eu conheço aqui a Maria, que outra razão teria ela para vir aqui se não for eu?

-Então tu vais ter com ela primeiro? – a minha garganta tinha uma bola ali no meio que impedia que a minha voz tivesse um timbre normal. As lagrimas estavam prestes a cair.

-Eu vou impedir que esta luta comece. A Maria quer vingar-se de mim, por isso se eu chegar a ela primeiro de ela chegar aqui, evito que aqueles que amo se magoem.

-Mas…

O tio Jasper colocou o dedo nos meus lábios de forma a silenciar-me e depositou um beijo na minha testa, como fazia quando eu era pequenina.

-Diz à tua tia que eu a amo muito, sim? – ao dizer isto senti qualquer coisa ser depositado no bolso das minhas calças.

Depois disto ele voltou-se de costas para mim e saltou do penhasco, quando aterrou lá em baixo vi-o a ir em direcção ao mar. Ele iria descobrir a Maria, eu sabia isso. Ele conhecia-a melhor que ninguém. Só esperava que ela não o magoasse.

-Adoro-te tio Jasper! – disse num sussurro, mas tinha a certeza que ele me ouviu.

Uma lágrima caiu pelos meus olhos.

Como é que eu iria agora contar à tia Alice sobre o tio Jasper? Pior, como é que a iria manter aqui em Forks? Como é que a iria impedir de ir atrás dele?

O que tinha no bolso era uma carta para a tia Alice.

«Ela vai ficar da mesma forma que o Jacob ficou quando tu fugiste.» pensei.

Era hora de voltar para Forks e enfrentar todos com esta triste realidade.

Mas antes de partir peguei no telemóvel e digitei o número da minha melhor amiga. Já fazia dias que não falava com ela, começava a ficar preocupada. Além disso, tinha que a avisar que estava na hora de partir. Desaparecer.

O circo estava prestes a pegar fogo, e eu queria que ela estivesse longe.

“O número que marcou não está disponível”

Era oficial, alguma coisa estava a acontecer. A Aria não era de ter o telemóvel desligado e estar dias sem dar noticias. Comecei a temer o pior.

Corri para casa.

Assim que lá cheguei com a maquilhagem completamente destruída pelas lágrimas, o cabelo completamente alagado devido à correria e ao vento, todos se aperceberam que alguma coisa estava errada.

O meu pai foi o primeiro a chegar perto de mim e abraçar-me para me consolar. Depois veio a restante família e os meus amigos mais próximos. Todos queriam saber o que se passava.

Apenas o meu pai sabia o que se passava, sentia isso pela forma como ele me abraçava. Ele sabia que eu me estava a desfazer por dentro.

Como é que eu iria dizer que o tio Jasper tinha partido atrás da Maria, ou como tinha a certeza que algo tinha acontecido à Aria e pior, que esta guerra iria ser a morte de muitos de nós?

 

NOTA DA AUTORA:
Meninas, quantos mais comentarios tiver, mais rápido sai o proximo capitulo ;)
E claro não se esqueçam de visitar o blog da Renesmee http://that_girl.blogs.sapo.pt/

publicado por Twihistorias às 19:42
Fanfics:

4 comentários:
Ai não podes acabar assim!
anda lá publica o próximo rapidamente :)
inescullen a 28 de Janeiro de 2013 às 21:43

isto está cada vez mais intrigante !!! Adoro
Sofia a 29 de Janeiro de 2013 às 14:08

Não demores, por favor!
estou ansiosa!!
Bella Cullen a 29 de Janeiro de 2013 às 18:59

tadinho do tio jasper!por favor não demore tanto para postar! <3
marcela thomé a 30 de Janeiro de 2013 às 15:42

Janeiro 2013
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11
12

13
14
15
16
17
18
19

20
22
24
25

27
29
31


mais sobre mim
pesquisar neste blog
 
O nosso facebook
facebook.com/twihistorias
Obrigatório visitar
summercullen.blogs.sapo.pt silvercullen.blogs.sapo.pt burymeinyourheart.blogs.sapo.pt debbieoliveiradiary.blogs.sapo.pt midnighthowl.blogs.sapo.pt blog-da-margarida.blogs.sapo.pt unbreakablelove.blogs.sapo.pt dailydreaming.blogs.sapo.pt/ http://twiwords.blogs.sapo.pt/
Contador
Free counter and web stats
blogs SAPO