20
Fev 13

Cap. 30 - Première

Chegara finalmente o dia da première do nosso filme e assim que saí da limusina fiquei de imediato encandeado por dezenas de flashes, por isso só alguns segundos depois, quando Anna já se encontrava a meu lado me apercebi da quantidade de gente que se concentrara à volta do Kodak Theatre de Los Angeles, onde iria ter lugar a exibição.

Depois de posarmos em diversos pontos onde os fotógrafos nos aguardavam, darmos alguns autógrafos e respondermos às perguntas-relâmpago dos jornalistas presentes, que nos abordavam durante o caminho pela passadeira vermelha, entrámos e fomos conduzidos aos nossos lugares.

Antes da visualização ainda tivemos tempo para cumprimentar os colegas de elenco, antes de ser feita a introdução do filme.

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Assim que as luzes se apagaram para dar início ao filme “Decisões”, Rob tomou a minha mão entre as suas e foi assim que passámos a primeira parte do filme.

O intervalo chegou, no momento em que todos os presentes, completamente embrenhados na trama, aguardavam por uma das cenas de maior tensão. Estava implícito que a cena que se seguiria seria crucial para o desfecho do filme e eu, mais do que ninguém, ansiava por saber como ia reagir a ela.

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O intervalo terminara e seguir-se-ia a cena que mais aguardava e temia. Por um lado queria ver como tinha ficado a adaptação, pois não achava que a tivéssemos acabado na totalidade, devido ao que ocorrera no dia em que a graváramos. Por outro, tinha medo da reacção da minha adorável esposa.

Luzes apagadas, começara a acção. Vi-me entrar no quarto e ouvi-a acusar-me de tudo o que lhe estava a fazer. Vi-me a perder a cabeça e deixar-me levar pelos meus piores instintos de modo a obrigá-la a retirar tudo o que dissera, mesmo sabendo que era verdade.

Anna a meu lado, apertara ligeiramente a minha mão. Olhei discretamente para ela, mas a sua atenção estava completamente focada na cena que se desenrolava à nossa frente.

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A cena estava a meio e eu sabia perfeitamente o que seguiria, mas Rob não. Por isso apertei a sua mão tentando transmitir-lhe força.

Há muito que o realizador tinha recorrido a mim em segredo, para que autorizasse a colocação do único take desta cena que ficara absolutamente perfeito. Dissera-me que Rob não autorizara e que teríamos de voltar a gravar tudo outra vez se a cena já gravada não pudesse ser utilizada. Acabei por autorizar, não só pela sua insistência, mas também porque, apesar de não ter podido ver como ficou, estava absolutamente convencida, tal como ele, que aquele tinha sido o melhor take que graváramos, apesar do que acontecera.

Fiz um esforço para não suster a respiração e manter uma expressão natural, mas não estava certa da maneira como Rob reagiria ao ver a cena que proibira, ser exibida.

No entanto a cena terminou, comigo desmaiada nos seus braços e observei-o pelo canto do olho, tentando perceber como se sentia. O seu maxilar estava tenso e fechara a sua mão livre com tanta força que os dedos tinham perdido completamente a cor.

Olhei directamente para ele com o intuito de o fazer perceber que estava tudo bem e que não tinha de se preocupar, quando senti uma pontada e de repente senti-me muito molhada, como se me tivessem despejado um balde de água morna pelas pernas abaixo.

Tentei abstrair-me do desconforto o mais que pude para não interromper o filme, mas as contracções começaram a ficar cada vez mais fortes e com menos intervalo de tempo entre elas e sabia que não podia aguentar durante muito mais tempo.

Felizmente o filme estava poucos minutos do fim e se me mantivesse suficientemente concentrada e olhasse o ecrã de projecção talvez não chamasse a atenção das outras pessoas, o facto de sairmos logo a seguir.

Assim que as primeiras letras dos créditos apareceram no ecrã, chamei discretamente a atenção de Rob.

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Eu nem queria acreditar no que os meus olhos viam. Não podia ser verdade! O Paul não nos ia fazer isto... Ou ia?

De um momento para o outro fiquei uma pilha de nervos. Como é que era possível que ele tivesse feito isto?! Mas de uma maneira ou de outra, ele ia pagar por esta escolha.

Assim que acabei de me preocupar com a melhor maneira de resolver a situação, reparei que ao meu lado Anna se mantinha impávida e serena, assistindo à exibição do filme.

Encolhi os ombros por reflexo, face à sua reacção inesperada.

Tentei manter uma expressão calma até ao final do filme, não fosse ela olhar para mim e aperceber-se do meu estado de espírito.

Assim que as primeiras letras apareceram no ecrã, não pude impedir-me de expelir o ar que retivera sem me aperceber, quando a senti puxar-me a manga do casaco.

- O que foi amor?

- O bebé... – Foi a sua resposta sussurrada.

 - O que tem o...

- Schhhhh!! – Interrompeu-me. – Fala baixo! O bebé vai nascer aqui se não sairmos agora.

- Mas...

- Rob, temos de ser discretos... Não quero ninguém atrás de nós até à clínica. Dá-me o teu casaco.

Sem saber o que fazer, despi e passei-lhe o casaco, que ela colocou de imediato pelos ombros. E começou a levantar-se devagar, até soltar um pequeno gemido e quase voltar a sentar-se, o que impedi, quando por instinto a segurei pela cintura.

- Vamos querida... – Disse, antes de lhe sussurrar ao ouvido. – Calma, respira... Segura-te a mim.

Ela abanou a cabeça em concordância e saímos da sala agarrados.

- Então amor, como estás? – Disse, assim que chegámos ao corredor vazio e ela fez menção de se encostar à parede.

- Estou bem, são só contracções, mas temos de sair daqui...

- Sim, mas como? Lá fora está tudo cheio de jornalistas. Espera, tive uma ideia...

Peguei no telemóvel e digitei a marcação rápida.

- Estás a ligar a quem?

- À minha irmã...

- Rob? Onde é que vocês se meteram?

- Calma Liz, tenta sair da sala discretamente. Estamos no corredor sul, mas precisamos de ajuda pra sair daqui.

- O que se passa?

- Por favor, uma vez na vida, podes fazer o que te digo sem questionar? Anda lá, é urgente...

- Dois minutos... – Foi a sua resposta, antes de desligar.

Trinta segundos depois, vimos a minha irmã sair para o corredor com o ar mais natural do mundo.

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Cap. 31 – Novo membro

Poucos minutos depois de sairmos da sala, Lizzie veio em nosso socorro.

- É aquilo que eu penso? Agora? – Tanto eu como Rob acenámos. – Esperem aqui. Volto já! – E desatou a correr pelo corredor fora.

Voltou alguns minutos depois, empurrando uma cadeira de rodas, onde Rob prontamente me ajudou a sentar.

Depois foi a habitual correria à moda da Lizzie. Esquivámo-nos dos jornalistas como pudemos e enfiámo-nos o mais rápido que conseguimos no carro dela.

Lizzie era muito despachada sempre que havia uma emergência, mas nunca a vira conduzir tão rápido como naquela noite, embora não tenha tido a oportunidade de a observar, porque as dores se tinham tornado mais intensas.

Rob estava sentado a meu lado, segurando na minha mão e acariciando a minha barriga, enquanto me sussurrava.

- Calma amor... Vamos chegar logo... Vá, respira comigo...

Eu tentei. Estava a tentar respirar, mas fui interrompida por uma contracção mais forte que me obrigou a apertar a sua mão e cerrar os dentes com um gemido.

- Liz! Isso não dá pra ser mais rápido?!

- Estou a ir mano, estou a ir! Estamos quase a chegar...

Lizzie estacionou à porta da clínica de qualquer maneira e saiu imediatamente do carro, desatando a correr em direcção à entrada. Enquanto isto, Robert ajudava-me a sair do carro, o que não era tarefa fácil, já que eu mal me conseguia mover com as dores.

Mal tinha conseguido dar dois passos, quando pareceram dois enfermeiros com uma maca, onde rapidamente fui colocada e levada para dentro, sempre com Rob ao meu lado, segurando a minha mão.

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A viagem até à clínica pareceu-me a mais demorada da minha vida. E vê-la a sofrer daquela maneira e não poder fazer nada, foi o pior de tudo.

Tinha uma pequena noção das dores que ela devia sentir, pois Anna apertava a minha mão com uma força que não imaginava que ela tivesse.

Assim que chegámos à clínica, ela foi colocada numa maca e, por ordem do médico que foi chamado de imediato, fomos directos para a sala de partos.

Depois disso, foi tudo muito rápido. Estive ao seu lado, respirei com ela e tentei lembrar-me de tudo o que havia aprendido nas aulas de preparação, até ver pela primeira vez o rosto da minha filha.

- Parabéns aos papás! Têm aqui uma linda menina... – Disse uma das enfermeiras.

A bebé chorava a plenos pulmões, até ser limpa e cuidadosamente colocada nos braços da mãe.

Anna estava exausta, mas o seu rosto abriu-se num enorme sorriso, assim que tomou a nossa filha nos braços.

O que senti ao vê-las naquele momento, jamais conseguirei descrever. Depositei um beijo na sua testa suada e encostei o meu rosto ao seu e assim ficámos a observar a nossa filha.

Após alguns instantes, Anna mexeu-se parecendo desconfortável.

- Vamos lá papá, tem de pegar na menina. Fique descansado que vamos cuidar muito bem da sua esposa.

Assenti e com o máximo cuidado, peguei pela primeira vez na minha filha, depois de acariciar ao de leve a face da minha feliz e exausta esposa.

- Amo-te. Ela é linda... Obrigada meu amor. – Sussurrei-lhe antes de me afastar e me deixar conduzir para fora da sala por uma das enfermeiras.

Lizzie parecia estar empenhada em gastar o chão da sala de espera. Ocupação que interrompeu assim que me viu pelo vidro que separava a sala do corredor. Correu para mim e não descansou enquanto não lhe passei a sobrinha para os braços.

- Olá bebé! Sou a tua tia Liz... Sou... Pois sou... E tu és a minha sobrinha linda. – Os olhos dela brilhavam. Parecia uma criança que tinha acabado de receber um brinquedo novo.

Dei comigo a imaginar como seria a minha irmã casada e com filhos, mas era uma imagem demasiado estranha. Sorri ao lembrar-me que eu próprio nunca me imaginara nesta situação até há alguns meses atrás, e aqui estava eu...

publicado por Twihistorias às 22:50

comentário:
Own que lindo,o bebe nasceu!
Marcela Thomé a 20 de Fevereiro de 2013 às 23:25

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