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Mar 13

Cap. 33 - Mensagens

- Olá mano! Epah parabéns! Já sei que tens uma filha! Que tal a sensação? – Disse-me Tom assim que cheguei.

- Faz uma e depois logo vês!

- Ahahah, engraçadinho!

- Estou a falar a sério! Não disse nada de mal...

- Bem, vamos mas é sentar-nos que estou a morrer de fome!

O almoço decorreu sem mais graçolas, pois tínhamos alguns projectos a discutir e queríamos aproveitar bem o almoço, pois nenhum de nós tinha propriamente muito tempo para se sentar a conversar.

Tom passava mais tempo a viajar do que em casa e eu tinha montes de propostas de trabalho para analisar antes de me decidir que rumo dar à minha carreira.

- Bolas, pareces uma central telefónica! Esse telemóvel não pára...

- Sabes como é... actor famoso... – Desatámos a rir à gargalhada.

- Ui! Andamos muito convencidos! Pronto, lá está outra vez a tocar!

- Infelizmente nem tudo é trabalho... – Respondi, depois de ler mais uma mensagem anónima, não muito agradável, das muitas que já tinha recebido desde o dia anterior.

- Mas o que se passa? Estás à espera de alguém?

- Não! – Respondi, tentando fazer um ar natural, voltando a endireitar-me na cadeira. – Sabes como é, deve ser uma daquelas pessoas que não pode ver ninguém feliz... Descobrem os nossos números e depois divertem-se a mandar mensagens anónimas.

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Tinha saído da Clínica há três semanas quando o Rob começou a ficar estranho. Andava distraído e tenso, chegava atrasado, saía a horas estranhas e quando voltava dava desculpas esfarrapadas e para cúmulo andava completamente paranóico com a segurança... Às escondidas verificava todas as portas e janelas e escrutinava toda a casa, como se esperasse que mais alguém lá tivesse entrado na nossa ausência. 

Acordei a meio da noite com a sensação de ter ouvido a minha filha chorar. Robert não estava na cama, nem a nossa filha estava no berço, junto à cama. Levantei-me, vesti o robe e fui até à sala, onde o encontrei debruçado na alcofa onde a nossa Junnie dormia.

- Não vai acontecer nada meu amor, o pai está aqui e não vai deixar que nada de mal aconteça com a menina... – Ouvi-o sussurrar, enquanto lhe fazia festinhas na cabeça.

Momentos mais tarde, levantou-se e eu escapuli-me da forma mais rápida e silenciosa que consegui até ao quarto, de modo a que, quando Rob chegou já eu “dormia profundamente”.

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Não sei o que me dera para atender aquela chamada anónima, mas a voz que soou no meu ouvido fez-me arrepiar. Não me considero nenhum herói, mas também não sou nenhum cobarde, mas o que ouvi gelou-me completamente. Fiquei estático por momentos, encostado à parede e ainda com o telemóvel encostado ao ouvido. Tentei processar a informação, mas era demais pra mim. Lembrava-me apenas das palavras ditas.

“Chegou a hora. Não vou esperar mais. Tem até amanhã para decidir se quer a sua família viva ou morta!”

- Mas... – Balbuciei, ainda apanhado de surpresa.

“Sabe, é uma pena ter de a matar. Tem uma esposa bem bonita. Ah e a menina? É adorável! Sabe o que estão a fazer agora? Ela está a dar-lhe de mamar. Oh e o rapazinho está crescido, não é?”

- Mas... Quem é você? – Quase gritei na tentativa de fazer a minha voz soar firme.

“Decida! Decida bem... Não se esqueça que a vida deles depende inteiramente de si. E não faça nenhum disparate! Só vai piorar tudo.”

- E como vou ter a certeza que não lhes vai fazer mal se eu fizer o que quer?

“Eles ficarão bem. Ou prefere que vá até lá agora e acabe com isto?”

Não consegui responder.

“Tem até amanhã. Escolha bem.”

E desligou.

Uma gota de suor escorreu-me pela testa e tomei novamente consciência de onde me encontrava. Estava agora sentado no chão a tentar controlar a minha respiração ofegante. As minhas mãos tremiam enquanto esperava que me atendesse.

- Sim?

- Anna? Estás em casa?

- Sim Rob. O que se passa?

- O que estás a fazer?

- A acabar de dar de mamar à menina. Mas porquê?

- No quarto? O Miguel está aí?

- Sim. Tanta pergunta. O que se passa afinal?

- Nada. Como demoraste a atender... Bem, tenho de ir agora. Logo precisamos de falar.

publicado por Twihistorias às 18:00

comentário:
Nossa,que tenso!
Marcela Thomé a 24 de Março de 2013 às 02:46

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