24
Mar 13

Capítulo 20

Parte 2

Ainda em choque, fitava Aria. Ela continuava a falar, mas a verdade é que não conseguia pensar noutra coisa, que na segurança dos híbridos.

Nahuel era a favor de eliminar todos aqueles que soubessem do nosso segredo apenas para preservar a nossa segurança. Se ele soubesse que a Aria estava a par destas notícias, também ela corria perigo.

-Renesmee… - chamava a minha amiga recém chegada. – Não fiques assim, agora que sabes a verdade, podes proteger-te de outra forma.

Não acredito que ela ainda estava preocupada comigo. Ela tinha a maior vantagem dela sobre mim, e mesmo assim preferia ajudar-me.

Ela estava prestes a recomeçar com o relato do que tinha descoberto sobre os híbridos.

Antes que mais alguém se apercebesse fiz aparecer na sua mente uma mensagem para ela não dizer mais nada.

-Vamos caçar, pareces fraca. – disse de forma despreocupada, coisa que eu não sentia em parte alguma do meu corpo. – Anda, eu mostro-te onde o podes fazer.

Aria assentiu percebendo que ali não era seguro falar.

Afastamo-nos de tudo e todos, apenas as duas.

Sabia bem estar sozinha com a minha melhor amiga.

Corremos por umas horas, em algumas alturas eu abrandava, pois sentia-me cansada e sentia o ar a faltar-me.

Pela primeira vez não disfarcei, ela sabia a verdade e sabia.

-Tu sabias. – disse aproximando-se de mim quando eu estava apoiada a um poste na cidade de Seatle tentando aspirar o maior ar que conseguia.

-Porquê que nunca contas-te? – a pergunta surgiu quase imediatamente a eu ter afirmado com a cabeça.

-Porque é um segredo que envolve mais pessoas. É algo que pode ser usado contra nós. É a nossa fraqueza. – admiti por fim.

Era a primeira vez que o dizia a alguém, principalmente a um vampiro.

Um silêncio instalou-se entre nós.

Ela entendia isso, mas também entendeu que eu não confiava nela o suficiente para lhe revelar a minha maior fraqueza.

Até agora.

Aria endireitou-se e esperou que eu me recompusesse.

Não proferiu mais nenhuma palavra. Sabia que ela estava magoada e estava a processar tudo.

Tinha que lhe dar tempo.

A caçada correu de forma rápida. Aria já não se alimentava à alguns dias, por isso, o preço foram 5 corpos exangues atirados aos esgotos. Da minha parte apenas fiquei a observar.

Era hora de regressar, de certeza que os outros a queriam ver, talvez fazer perguntas.

Aria continuava sem me dirigir a palavra.

-Aria… - tentei mais uma vez quando nos encontrávamos novamente protegidas pela vegetação do mato de regresso à casa branca.

Era encarou-me com o seu olhar vermelho e ameaçador.

A minha amiga era temperamental e eu sabia-o, no entanto tinha que arriscar falar com ela neste momento. Tinha que avisa-la de certos perigos antes de chegar-mos perto dos outros vampiros.

-Por favor…ouve-me… - nada.

-Esse é o maior segredo que os híbridos tinham, acho que consegues perceber o porquê. Não podemos simplesmente andar a divulgar as nossas fraquezas. Tu farias o mesmo!

Aria voou, literalmente, na minha direcção encostando-me contra uma árvore. O seu braço fazia pressão sobre o meu pescoço, o que me fazia sufocar. Apesar de saber que não morreria deste acto, não significava que eu entrava em aflição ao fim de alguns minutos privada de ar.

-Aria… - disse ainda com alguma segurança. Afinal de contas, ainda era meia vampira.

Ela continuou a fitar-me com os seus olhos vermelhos.

-Tu sabes como me matar, sabes todos os meus pontos fracos. – disse com uma voz fria.

-É verdade, mas isso todos os vampiros sabem, porque o ponto fraco é igual para todos. Inclusive para mim. Até porque uma parte de mim é igual a ti. Mas a outra parte, a parte humana, essa é a minha fraqueza, é isso que torna uma luta entre nós injusta. Porque eu nunca vou ser tão forte como uma vampira, mas também nunca vou ser tão fraca como uma humana.

Aria começou a afrouxar o aperto ao meu pescoço.

-Não percebes? Eu não sou igual a vocês. Eu sou uma hibrida Aria. Vocês intitulam-se de monstros, de aberrações, de algo que nem deveria existir. Então e nós híbridos? Nós sim somos as aberrações. Não somos vampiros, mas também não somos humanos. Nós sim, somos os monstros. Somos fruto de algo proibido, que nem sequer deveria ser possível, a junção de um vampiro e uma humana. Somos tão esquisitos que só existimos 5 no mundo. Isso sim Aria, isto é ser um monstro. – os meus braços articulavam como se tivessem vida própria as minhas lagrimas corriam pela minha cara.

Pela primeira vez deixei que alguém me visse a serio, alguém visse o que eu sentia disto, do facto de ser uma hibrida. E esse alguém foi a Aria.

-E não podes culpar-me por esconder este segredo de todos. Por tentar ser o mais normal possível, por tentar me encaixar num grupo. Por tentar proteger os da minha espécie, aqueles que são monstros como eu e que com certeza se sentem excluídos tanto do mundo humano como do vampírico. Porque a verdade é que não somos iguais a nenhum desses mundos.

A expressão feroz  da Aria tinha desaparecido.

-Tu não és um monstro nem uma aberração. És a prova que as duas raças se podem juntar, és a prova que podemos ainda viver em conjunto. Tu és a evolução. Eu dava tudo para sentir o que tu sentes, poder saborear os prazeres da vida como tu. Ser capaz de estar perto de humanos sem ser apenas para me alimentar.

Aquelas declarações surpreenderam-me.

-Acima de tudo gostava de ter a tua capacidade de amar. Tu amas como os humanos, com mais intensidade, mas é como eles. Nada é para sempre com vocês. Olha eu e o Marcello por exemplo. Ele nunca vai ser feliz o suficiente porque não está com a vampira que ama e eu vou sempre sofrer porque o meu companheiro morreu à mais de 100 anos e não sou capaz de amar nenhum outro vampiro ou humano. O que nos liga, a mim e ao Marcello é uma amizade e uma série de hormonas da adolescência. Já tu….

Ela referia-se ao facto de eu ter o Jacob como impressão natural e ter sido o meu primeiro amor, e depois dele já estive com diversos rapazes, inclusive o meu ex-namorado. De quem eu realmente amava e o Dio, que eu também gostava bastante.

Eu ao contrario dos vampiros, não amava para sempre a mesma pessoa. Eu era mais como os humanos, “longe da vista, longe do coração”!

-Lamento. – disse aproximando-me dela com calma.

Aria fez um sorriso torto, o sinal típico de “muda de assunto”.

-Aria, promete-me que não contas a ninguém sobre isto. É um segredo. Ninguém naquele acampamento pode saber. Principalmente os híbridos. – ela parecia confusa com aquele pedido. – O Nahuel mata-te se descobre que tu sabes o segredo.

-Quero ver isso, agora que sei como tortura-lo. – disse ela com um sorriso.

-Vês porquê que não falei nada? Tu vais sempre tirar vantagem disso. Aliás, tu és uma, eles são quatro. – adverti. Não contei comigo, nunca seria capaz de lhe fazer mal.

-Então vocês vão estar sozinhos na batalha, porque a Maria e os outros sabem deste ponto fraco. Se ninguém deste lado souber, ninguém vos vai proteger.

-Eles não vão lutar. – disse passando por ela e retomando o caminho de volta.

-Então o que estão aqui a fazer? Não foi para isso que vieram para aqui?

-Sim, foi. Mas depois disto, o melhor é eles partirem. Aliás, aposto que já estão a falar sobre isso. É demasiado perigoso para eles ficarem. – a minha voz parecia fria, como se aquilo não me importasse.

A verdade é que sentia cada vez que esta batalha era uma verdadeira missão suicida para os nossos lados. Mas não podia por em perigo os meus amigos.

-É por isso que eu acho que devias pegar no Dio e no Marcello e irem embora. Não quero que nada vos aconteça por causa da minha família. – terminei lançando-lhe um olhar por cima do ombro, sem nunca parar com a minha marcha.

Aria segurou no meu braço, impedindo-me de andar.

-Estás parva? Nós não estamos aqui pela tua família? Estamos aqui pelo nosso clã. Nós os quatro, os quatro mosqueteiros, lembras-te? Tu fazes parte da família, por isso, a tua família é a nossa família. E se não queres contar a verdade a ninguém, eu ajudo os teus pais a proteger-te.

O sorriso apareceu nos meus lábios. Eles consideravam-me do cã deles. Isso era uma honra.

-Pois, quanto aos meus pais. – os olhos da Aria abriram mais ao constatar que quando me referi a segredo, eu estava a falar a serio.

-A tua família não sabe? – disse ela escandalizada. – Como é que isso é possível?

-Simples, quando eu nasci e fui crescendo nunca se tinha visto nada assim, e ainda estava demasiado descontrolado o meu lado humano e vampírico. Como eu parti antes de chegar à “fase adulta” por assim dizer, eles nunca chegaram a ver nada disso. O Nahuel e as irmãs é que me explicaram sempre tudo. A partir daí, qualquer descoberta comunicávamos aos outros.

A Aria continuava a fitar-me, agora por curiosidade. Retomamos o passo e decidi abrir-me um pouco mais para com ela.

-Por exemplo, quando me droguei e bebi pela primeira vez, no dia em que conheci o Dio – exclareci – descobri que a droga e a bebida junta não a muito resultado, principalmente em grandes quantidades, sobretudo num humano. A conclusão foi que a minha parte humana foi como que desligada e apenas a vampira em mim veio ao de cima, o predador. Foi a primeira vez que matei, e se não fosse o Dio a coisa teria sido bem pior.

-Foi a primeira vez que tu e o Dio estiveram juntos, e nos dias seguintes ele não se calou na forma como tu eras estranha e como o sexo tinha sido bom. Não descansou enquanto não descobriu o que eras.

Sorri.

-Depois disso, tentei não repetir, pois sabias as consequências. Mas foi também que descobri que se me alimentasse de humanos que curava mais depressa. Foi sempre assim, sempre que um de nós descobria mais qualquer coisa, comunicávamos aos outros.

Aria fez dezenas de perguntas e eu tentei sempre explicar-lhe tudo. Desta vez não lhe escondi nada. Para quê? Ela sabia.

-Obrigado. – disse antes de entrarmos nos domínios de outros vampiros.

Ela agradeceu da mesma forma e avançamos.

Dio e Marcello foram os primeiros a chegar perto da Aria, eu dirigi-me aos híbridos.

Os vampiros continuavam com alguns treinos, tentavam trabalhar com os lobos, em certas técnicas de defesa.

Passei por Seth e fiz-lhe uma festa na nuca antes de avançar.

Os híbridos estavam na casa com o avó Carlisle. Deviam estar a tratar os ferimentos da Maysun. Conseguia vislumbra-la deitada e os restantes irmãos à volta dela. Ainda não tiveram tempo para falar com ela, mas pelos ferimentos deveriam estar desconfiados.

-Sem duvida, estas fraturas parecem ter sido feitas por alguém…elas não chegavam a curar e voltavam a fazer mais. Nahuel e as irmãs entreolhavam-se enquanto ouviam o meu avó a taraguelar mais para ele do que para os híbridos.

Estava mesmo a entrar na casa quando ouvi um barulho.

Todos os vampiros ficaram em sentido, assim como os lobos. Imitei os vampiros que estavam no nosso jardim e coloquei-me em posição de ataque.

Rapidamente estava ladeada pelo Nahuel e as suas irmãs. Estávamos ali para proteger a Maysun fosse de que vampiro que se aproxima-se.

O que aconteceu a seguir foi tudo muito rápido.

publicado por Twihistorias às 18:00
Fanfics:

3 comentários:
Aaah! Quer me matar de curiosidade?
Marcela Thomé a 25 de Março de 2013 às 14:24

AI. GRRR...
O que foi??

beijinho
inescullen a 25 de Março de 2013 às 23:45

posta mais :D
jessica a 29 de Março de 2013 às 14:57

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