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Abr 13

Capítulo 20

Parte 3

Num segundo estavam todos os vampiros a formar uma barreira e prontos a atacar e no seguinte estavam a correr em direcção às árvores de onde provinham os vampiros que se aproximavam.

Dois jovens vampiros de olhos bem vermelhos surgiram de entre as árvores.

Assim que o fizeram, todos os vampiros que estavam do nosso lado cessaram o ataque. Apesar de termos parado, não significava que não atacaríamos, apenas decidimos aguardar ordens de alguém do grupo para atacar, ou de algum passo em falso dos jovens que estavam À nossa frente.

E eu sabia que eles haveriam de o dar.

Claro que o facto de as roupas deles e saber-mos quem eles eram, ajudou um pouco para não os atacarmos.

Jane sorriu na nossa direcção, de forma um pouco trocista. Isso fez com que a minha mãe colocasse o escudo à nossa volta e desse um passo na direcção dela. Imediatamente o meu pai segurou-lhe na mão e fez-lhe sinal que não atacasse.

Os olhos de Alec percorreram o perímetro, como se procurasse algo. Jane apenas fitava a minha mãe e o sorriso começava agora a desaparecer.

Quase que apostava que já tinha descoberto que o escudo estava sobre todos nós.

-Jane, Alec. – Cumprimentou o avó Carlisle de forma respeitosa. – A que devo a vossa honra?

O olhar de Jane desviou-se da minha mãe e incidiu em Carlisle. Já Alec pareceu que nem ouviu o meu avó falar.

O sorriso dele abriu-se, assim como os seus braços. Deu um passo em frente, mas não de forma ameaçadora. Estranhei o comportamente, por isso segui a linha de visão de Alec, assim como outros vampiros confusos.

-Ah ah. Dio, Marcello. – brandou Alec de forma amigável.

Depois veio o mais chocante. Os meus amigos Dio e Marcello abandonaram a barreira de ataque e foram ao encontro do Volturi macho que se encontrava à nossa frente. Por fim deram um grande abraço, como se fossem os grandes amigos que já não se viam à tempos infinitos.

Depois foi a vez de Jane. Sem aviso prévio Dio pegou em Jane pela cintura e rodopiou-a enquanto a abraçava.

-Janezinha. – dizia ele. – Estás igual, nem um centímetro a mais… - a piada parecia que não tinha acabado e já Dio estava no chão a contorcer-se.

-Diotiguardi – A voz de Jane suava divertida ao pronunciar o nome completo de Dio. – Sabes que não gosto que me agarrem dessa forma.

De repente os gritos do Dio pararam e os olhos de Jane focaram Marcello.

-Já chega, eu sei que ele é chato, mal educado e tal, mas é o meu irmãozinho. – disse Marcello com um encolher de ombros. – Eu ainda acho que ele foi adoptado, mas na altura os testes de ADN ainda não eram possíveis de fazer. – sorriu e educadamente encaminhou-se para Jane, fez-lhe uma pequena vénia e beijou-lhe a mão.

Era oficial, eu não estava a perceber nada. De onde é que eles conheciam os Volturi? Pior, desde quando é que eles eram amigos deles?

Olhei de relance para Aria, ao contrário dos restantes vampiros da barreira ela estava completamente normal. Como se não estranhasse nada daquilo.

-Eles vieram ajudar. – disse por fim o meu pai.

Aquela declaração chocou toda a gente. Os Volturi a ajudar? A própria Jane a ajudar os Cullen? Meu Deus, já posso morrer, pois já vi de tudo!

Jane sorriu aquelas palavras.

-Bem, lamento discordar. – disse ela num tom de voz demasiado doce  melodioso. Como o de uma criança. – Eu estou-me nas tintas para o que vos acontece. Apenas vim porque os meus amigos me pediram – disse apontando para o Dio e o Marcello – Estamos aqui por causa deles, não por vocês.

Rodei os olhos perante aquela declaração. Ela estava ali por eles, eles estavam ali por nós, por isso ela estava ali por nós. Porquê que lhe custava assim tanto admitir? Qual era o problema dela com os Cullen?

Alguma paixão secreta, de certeza! A Jane teria que estar apaixonada por algum dos Cullen.

Comecei a imaginar as variadas lutas com as companheiras de todos os membros masculinos da minha família. A mais hilariante seria com a ti Rosalie sem dúvida alguma. Aquela mulher vira fera quando o assunto é o tio Emmett

O meu pai sorriu com os meus pensamentos.

Não consegui evitar e sorri com ele.

-Muito bem. – completou o avó Carlisle. – Ficamos deveras agradecidos a vocês os dois.

Jane não respondeu, desviou o olhar para outro lado. No entanto Alec fez um pequeno aceno com a cabeça, como se tivesse compreendido.

Começava a achar aquele vampirinho bem mais educado que a irmã. E até que era bonitinho!

«Nem penses Renesmee, ele é um Volturi e tem uma irmã insuportável.» e pronto a minha cabeça voltou a entrar em conflito consigo mesma.

Continuei mentalmente a recriminar-me por achar atraente aquele vampiro do demónio enquanto os outros dispersaram e regressaram ao que estavam a fazer.

Voltei com os restantes híbridos para a casa onde estava a irmã de Nahuel em mau estado. Teria que falar com eles e explicar que eles teriam que partir ainda hoje. Não poderiam lutar ao nosso lado, era demasiado perigoso para eles.

-Nahuel – sussurrei assim que vi que estávamos sozinhos. – Eles sabem! A Maysun foi torturada pelo exercito da…

Ouvi um grito vindo de lá de fora, olhei de relance pela janela, Aria estava no chão perto do Dio e Jane olhava para ela. Vi Marcello a colocar-se entre elas e o sofrimento de Aria desapareceu.

Jane encolheu os ombros a qualquer coisa que o Marcello lhe disse.

Depois disso, Aria levantou-se e afastou-se deles. Nem sequer permitiu que Marcello chegasse perto dela.

Voltei a minha atenção para os meus semelhantes.

-Tens a certeza? – perguntou o Nahuel.

Acenei afirmativamente com a cabeça.

-Não é seguro para vocês participarem nesta luta. Vocês tem que partir ainda hoje. – disse seriamente.

-E tu? – perguntou Jennifer.

-É a minha família Jen, eu tenho que ficar.

-Não podes Renesmee, eles…eles vão usar-te para apanhar toda a tua família. Vão torturar-te. Vão…sei lá!! – o pânico nela era visível, assim como nas outras.

-Eu sei. Mas tu farias o mesmo pelos teus irmãos, não fazias? Eu não posso, não consigo abandonar a minha família. E não vão usar isso para apanhar a minha família. Eu consigo aguentar bem a dor. – disse com um sorriso.

-Nós ficamos. – disse Maysun na sua voz debilitada.

-Não, eu não me posso sentir responsabilizada por o que vos pode acontecer. Além disso quem irá ajudar os outros que irão aparecer iguais a nós? – fiz um sorriso tranquilo, exactamente aquilo que não sentia.

Eu desejava que eles ficassem, mas não conseguia ser tão egoísta com eles. Não podia pedir que se sacrificassem por mim.

Olhei para Nahuel e mentalmente pedi-lhe para fazer o mais certo.

-Partiremos esta noite. – disse ele sem nunca tirar os olhos de mim.

Vi a lágrima a escapar-lhe do olho assim que pronunciou aquelas palavras. Estava agradecida por ter feito o mais correcto.

-Renesmee? – ouvi a voz do Dio a chamar-me.

Despedi-me dos híbridos com um aceno e corri em direcção ao meu amigo vampiro.

-Vamos dar uma volta? – disse enquanto me segurava na cintura. O seu olhar era intenso, sabia que não iria ser uma simples volta. Sorri.

Se iria morrer, ao menos que aproveitasse os últimos momentos da minha vida.

-Edward…desculpa – ouvi a minha mãe do outro lado a correr na direcção do meu pai que estava agora derrubado no chão em mau estado.

O olhar dele cruzou-se comigo e com o Dio. Ele tinha ouvido os nossos pensamentos e nos treinos com a minha mãe, não se deve ter esquivado a tempo do seu ataque.

Um sorriso de pedido de desculpa surgiu nos meus lábios e nos do Dio no momento em que os dois corremos em direcção ao mato e desaparecemos.

Já tínhamos caçado alguns animais, Dio tinha-me acompanhado na comida vegetariana. Passeávamos agora de mãos dadas à procura de um lugar sossegado.

-Desde quando te dás com a Jane e o Alec? – tentei parecer o mais desinteressada possível. Não tinha resultado.

Dio sorriu, parecia que estava à horas à espera daquela pergunta.

-Fomos vizinhos. – disse simplesmente.

Finalmente encontramos um bom local para descansar e relaxar.

Dio voltou a contar a historia de como ele e os gemeos Volturi se conheceram.

-Quando eramos humanos, vivíamos na mesma aldeia A Jane e o Alec eram da turma do meu irmão. No entanto, a família deles era um pouco pobre, por isso, eles usavam roupa menos boa e nunca brincavam connosco, estavam sempre a ajudar os pais depois das aulas na quinta. As pessoas começaram a falar na aldeia que eles eram bruxos e assim. Ninguém falava para eles. Tirando eu!

- Um dia estava na estrada à frente de minha casa a brincar com umas pedras. Devia ter para aí 3 anos. Andava a correr de um lado para o outro a atirar e apanhar pedras e caí. Abri o joelho todo, o cotovelo. Comecei a chorar. Os meus pais não estavam em casa, o Marcello que devia estar a tomar conta de mim estava mais ao fundo da rua com os amigos a jogar à bola. A Jane e o irmão passaram e ela correu na minha direcção para me ajudar.

E neste momento eu não consegui disfarçar o grande O que a minha boca formava. A Jane a correr para ajudar uma criança ferida.

Não conseguia imaginar mesmo que quisesse.

-Ela acalmou-me, rasgou um pedaço do seu vestido e tentou fazer-me um curativo. O Alec ajudou a distrair-me. Mesmo tendo que ir ajudar os pais, a Jane decidiu ficar ali comigo a fazer-me companhia até alguém chegar a minha casa. O Alec partiu e lá ficamos os dois a brincar. Entretanto o Marcello chegou, ao inicio ficou furioso por eu estar a falar com uma bruxa e começou a vaia-la. Eu continuava sem perceber o porquê que era tão errado, porque ela não tinha feito nada de mais, tinha sido minha amiga. Lembro-me que ela foi embora a chorar. O meu irmão berrou comigo e fez-me jurar que eu não ia contar aquilo a ninguém.

Pela primeira vez fiquei com um bocadinho de pena da Jane. Só um bocadinho.

-Ele nem se apercebeu que eu estava magoado. Estava tão furioso que nem olhou direito para mim. Só à noite, quando a minha mãe me foi dar banho é que viu que eu me tinha magoado e foi dar os parabéns ao meu irmão por ter tomado conta de mim e me ter feito o curativo. Foi aí que ele se apercebeu o que é que a Jane fazia comigo.

-Ele pediu-lhe desculpa? – perguntei curiosa.

Dio sorriu face à minha curiosidade. Por vezes, como agora, sentia-me uma criança perto do Dio. Uma criança ansiosa por saber o final da história.

-Não. – disse ele olhando para mim. – Não pediu. Ele não queria dar o braço a torcer, sabes como é os rapazes de 10 anos. Tem sempre a mania que tem razão. Mas começou a ficar mais atento a ela, e uma vez na escola estavam a pegar com ela e com o irmão e o meu irmão defendeu-os. Foi a forma dele de agradecer o que eles tinham feito por mim. Eu sempre falei com os gemeos, desde o dia em que me ajudaram. A Jane parecia gostar daquilo, ter alguém que falasse para ela, que a tratasse como uma pessoa normal. O meu irmão também aprendeu a ser mas educado com eles, mas falava apenas o essencial, e se não estivesse mais ninguém por perto. O tempo foi passando e eu lembro-me que à noite, o meu irmão saia sempre com os amigos. Então uma vez decidi segui-lo, os amigos era uma rapariga loira.

Os olhos de Dio rodaram, como se aquilo fosse demasiado obvio.

-Ele tinha uma namorada e ninguém sequer desconfiava. Claro que ele nunca iria contar que namorava a bruxa junior da aldeia. – o sorriso dele parecia divertido.

Eu estava apenas chocada, o Marcello e a Jane.

-Nessa mesma noite, assim que ele chegou a casa confrontei-o com a minha descoberta. Quase levei a valente da porrada do meu irmão. Prometi que não contava nada, mas ele teria que fazer a minha cama durante um mês. A verdade é que não o denunciaria, mesmo que ele não me fizesse a cama. Estava contente, eu gostava da Jane. Mas nem um mês mais tarde, houve qualquer coisa na aldeia e a família da Jane foi condenada à fogueira.

O sorriso do Dio tinha agora desaparecido. Parecia estar a reviver aqueles momentos.

-Eu tentei ao máximo convencer as pessoas que eles não eram assim, que a Jane e o Alec eram meus amigos. Por causa disso fiquei de castigo, diziam que eu estava enfeitiçado pela bruxa. Os meus pais prenderam-me na cave. O meu irmão decidiu tentar de uma forma mais discreta. Queria fugir, levar a Jane e o Alec e até os pais dela. Mas os pais recusaram-se a fugir, e como tal os gémeos também. O meu irmão teve que assistir à cena das fogueiras. Eu fiquei em casa, trancado no quarto a ouvir os gritos e a ver o fumo ao longe.

A voz do Dio era de pura fúria, sentia o ódio dentro dele.

-Como é que foram capazes de o fazer, eles eram miúdos de 16 anos. – abracei-o de forma forte. Sentia a dor e a magoa dele em cada musculo rijo.

-Fiquei meses trancado no quarto, sem conviver com ninguém. Até o meu irmão estava proibido de la entrar. A comida era deixada do lado de fora da porta. Diziam que eu estava a ser purificado. O Marcello, por vezes conseguia escapulir-se para dentro do meu quarto, ou escrevia-me cartas, as quais eu queimava logo em seguida. Ele estava a sofrer.

-Três anos, no dia em que azia anos que a Jane tinha sido queimada na fogueira, o Marcello fez qualquer coisa para a relembrar. A minha mãe apanhou o memorial dedicado aos gémeos, ficou furiosa. Antes que sobrasse para o Marcello, eu assumi a culpa e disse que eles é que eram os bruxos porque condenaram pessoas inocentes à fogueira. Furiosa a minha mãe voltou a enfiar-me no quarto. Nessa mesma noite o Marcello desapareceu. Foi para a cama dormir e na manha seguinte já lá não estava. Eu fui culpado por tal ter acontecido.

Nunca tinha ouvido esta história do Dio, não sabia que a infância dele tinha sido tão complicada. Ser trancado no quarto pelos próprios pais e ser privado de falar com humanos, como é que ele não enlouquecia. Da outra vez tinha o Marcello, que às escondidas comunicava com ele, mas e agora?

-Desta vez acho que fiquei trancado um ano, ao fim de algum tempo perdi a conta dos dias a passarem. Comecei a falar sozinho, depois adoptei um rato que tinha lá no quarto. A minha mãe quando descobriu ainda ficou mais desconcertada. Dizia que eu tinha vendido a minha alma ao diabo, que já não havia nada a fazer. Deixaram-me sair do quarto, mas ninguém na cidade falava ou se cegava perto de mim, como se eu tivesse algum tipo de doença. Os meus pais até um padre chamaram para tirar o diabo dentro de mim.

Tinha o coração partido e as lagrimas banhavam a minha face. Dio tinha agora a cabeça repousada no meu colo enquanto eu lhe acariciava o cabelo. Ele estava a abrir-se comigo como nunca o tinha feito. Inicialmente começou por ser a história da Jane, mas neste momento ele contava a sua. E era de partir o coração.

-Os anos foram passando e eu acabei por desistir de sair de casa. Os meus pais decidiram fazer um anexo ao fundo do jardim. Uma casa para mim. Não tinham coragem de me expulsar de casa, mas também não queriam falar ou olhar para mim. E pronto, estava eu sozinho no mundo, a sentir na pele o que a Jane e o Alec sentiram. A diferença é que eu não tinha ali o meu irmão comigo para me proteger. Até ao dia em que eu estava com 17 anos e o Marcello aparece à minha frente como no dia em que desapareceu, ao lado dele estava a Jane e o Alec. Pensei que fossem os seus espíritos que me viessem buscar. Estava agradecido, porque eu estava farto de estar sozinho. Mas quando reparei nos olhos deles, vermelhos. Afastei-me, gritei e vi que as pessoas tinham razão, eles tinham realmente vendido a alma ao diabo, e o meu irmão tinha sido levado de arrasto, não eu! Tentei fugir, mas não adiantou. Três dias depois eu era como eles. Um vampiro.

 

 

NOTA DA AUTORA: Não se esqueçam de visitar o blog da Renesmee http://that_girl.blogs.sapo.pt/

publicado por Twihistorias às 18:00
Fanfics:

comentário:
caramba,que historia!
marcela thomé a 17 de Abril de 2013 às 01:04

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