20
Abr 13

Capítulo 8

Escondendo-me do mundo, me afogando na dor.

Eu saí daquele quarto aos prantos, minha mente era um turbilhão de coisas, eu ainda não conseguia aceitar o fato de ele ter partido, eu descia as escadas correndo, atordoada.

- Deseja algo, senhora?-perguntaram Laura, se dirigindo as escadas.

- Eu quero ficar sozinha. - disse saindo pela porta, eu não me preocupei com aquela chuva, eu simplesmente corri, sem destino certo, era como se eu tivesse perdido meu equilíbrio.

 A chuva continuava a cair, e eu deixei que ela me limpasse, me livrando de toda dor e sofrimento que estava sentindo,quando dei por mim, eu estava no seu parque, no parque que ele havia me levado uma semana após o nosso casamento, um lugar mágico e acolhedor, eu me sentei abaixo daquele mesmo carvalho, daquele dia, eu não sabia como havia chegado aquele lugar, eu só sei que eu não precisava fingir nesse lugar, da mesma forma que na deveria fingir para ele. Eu deixei as lagrimas que estava guardando, escaparam novamente, aquilo amenizava minha dor, mas não fazia ela desaparecer.

Eu fechei meus olhos, e me deixei navegar pelas lembranças desse quase um ano de casamento, às vezes em que em andamos de cavalo juntos, e parecíamos duas crianças, quando sentíamos o ar atravessava nossos cabelos, e tínhamos a sensação de ser livres. Eu me lembrava dos jantares que tínhamos a dois, e ficávamos horas conversando e rindo sobre quando éramos crianças, era tão bom. Eu me lembrava do abraços protetores que ele me dava, eu me lembrava dos momentos felizes que vivemos juntos.Momentos que guardaria eternamente em minha memória.

Eu ouvi longe um trotar de um cavalo a chuva já havia cessado, eu não me preocupei em me levantar e partir, apesar de esta quase sendo vencida pelo cansaço, eu fiquei parada. Eu podia ouvir o trotar se aproximando de mim, mas parecia ainda tão longe para minha mente, que deixe aquilo passar.

- Isabella?- eu ouvi alguém perguntar, o som do trotar não existia mais, eu podia ouvir somente essa voz masculina perto de mim, e eu conhecia essa voz... Demetri Volturi. Demetri era um dos rapazes que vivia a me oferecer presentes, sua família e amiga da minha então resultado ele vivia em minha casa. Ele nunca aceitou o fato de ter me casado com Jacob, ele queria ser meu marido, a maioria das garotas italianas desejaria ter Demetri Volturi como marido, alto, cabelos loiros, olhos azuis céu, músculos desenhados, belo para todos os efeitos.

Mas o que ele fazia ali?

-Isabella?- eu o ouvi perguntar novamente.

- O que?- eu perguntei raivosa, abri meus olhos e o fuzilei com um olhar.

- Sai daí, você esta completamente encharcada, poderá ficar doente. - ele me pediu, num tom doce , mas ainda recriminante.

- Me deixa morrer. - eu gritei com raiva, será que não poderia ter um minuto de paz?Era exatamente isso que eu queria morrer, era a única forma que eu via de não sentir mais dor.

- Não vou fazer isso, nem que eu tenha que te carregar daqui, você vai sair daqui. - ele me disse, serio.

- Eu vou pra casa sozinha. - lembrar de que estaria naquela casa sozinha, fez com que as lagrimas aparecesse novamente.

- O que houve?Por que choras?- ele me perguntou, ele parecia preocupado comigo.

- Nada. - eu disse com uma voz baixa, mergulhada em choro.

- Como nada? Vamos, eu vou te levar para casa. - ele me ofereceu sua mão para que me levantasse, eu aceitei, ele tinha um toque quente ou minha mão estava fria.Eu não sei o por que aceitei sua mão, talvez eu necessitasse de um novo apoio, de um novo ponto de equilíbrio.

- Obrigada. - eu agradeci, tentei ser gentil mas não sei se surgiu efeito.

- Não tem de que. - ele respondeu, me ajudou a subir no cavalo e me guiou ate a casa, andando.

- O que fazes aqui?- essa pergunta pairava em minha mente como ele havia me encontrado.

- Costumo vir a esse lugar para pensar, eu conheço desde pequeno. - ele me disse, num tom cortez.

Eu me limitei a assentir.

- E você o que fazes aqui sozinha e na chuva?- ele me perguntou, curioso.

- Pelo mesmo motivo que você, pensar. - eu respondi da maneira mais gentil que pude, Demetri era um bom homem e não podia descontar toda a minha dor.

-Bom, chegamos a sua casa. - ele disse e me ajudou a descer, mas claro que minha falta de coordenação tinha que me ajudar, eu quase cai, se Demetri não tivesse me segurado, nossos lábios ficaram a centímetros de distancia, e ele me olhava como se deliberasse se me beijava ou não, aquele momento estava se tornando estranho, apesar de Demetri ser um homem atraente em todos os sentidos, eu tinha um coração ferido demais para pensar em algo.Eu me desvencilhe de seus braços

- Obrigada. - eu agradeci, e parti correndo para casa, sem deixar que ele me dissesse algo.Eu corri para o meu quarto, Jacob não estava mas na cama, provavelmente os empregados estavam arrumando o enterro.Eu queria cuidar disso pessoalmente.Desci as escadas apressadamente, graças aos céus Laura estava no hall.

- Laura. - a chamei.

- O que deseja senhora?- ele me perguntou.

- Eu quero rosas brancas no enterro, sim?- eu pedi. Rosas brancas, ele me oferecia sempre um ramalhete de rosas brancas, eu consigo lembrar as suas palavras para gostar tanto daquelas flores. ”Rosas são as mais lindas flores, todas as outras flores sentem inveja, e a branca é a principal ela se destaca no meio de todas.”Pensar até mesmo na sua voz, me fazia chorar novamente, eu ainda tinha duvidas se ainda existiam lagrimas.

- Como queira, será providenciado, o enterro será amanha as nove. De acordo?- ela me perguntou.

- Claro, eu vou me deitar. Obrigada por tudo, Laura.- eu agradeci e abracei, ela retribui meu abraço.- Boa noite.

- Boa Noite. - ela me respondeu, eu subi as escadas, mas lentamente o cansaço e o sono estavam me derrotando, me dirigi ao banheiro, e tomei um longo banho, vesti uma camisola branca  de seda, me deitei na cama, ela não tinha mais o seu perfume, provavelmente o lençóis foram trocados, eu me deixar levar pelo cansaço e pela inconsciência, e adormeci.

 

Capítulo 9

Enterro

Eu acordei, com os raios do sol atravessando a janela de meu quarto, o sol era forte e visoso, capaz de aqueçar a tudo.Mas não ao meu coração.Eu senti lagrimas preecherem meus olhos, ao ver que ele não estava mais ao meu lado.Que eu não podia respirar fundo, e sentir o seu delicioso cheiro, o único calmante para minha dor.Que não podia abraça-lo e sentir todo o calor que seu corpo emanava, como se fosse um sol particular em minha vida.

Agora teria que vê-lo pela ultima vez, imóvel, sem vida, como se o meu sol tivesse apagado para dar vida a uma chuva, que mais parecia acida capaz de corroer meu coração.Um coração que parece ter sido esfolado pela vida, meu sangue jorrava por todas as suas frestas, meu sangue mais parecia veneno, porque eu me sentia como se estivesse morrendo aos poucos.

Eu me levantei, e fiquei surpresa ao ver que ainda existia forças em meu corpo, eu fazia cada ato com os poucos pensamentos ainda coerentes, que não havia sido afetado pela minha dor.

Eu atravessei o corredor, indo até o banheiro.Eu lavei meu rosto, como se fosse uma forma de me acordar para a realidade que eu teria a partir de agora.

Eu observei meu reflexo no espelho, eu já não parecia mais aquela jovem moça ao qual todos os homens admiravam, eu parecia cansada, minha pele e meus cabelos já não eram tão sedoso como antes, meus olhos sempre tão vivos, pareciam mortos.Eu parecia morta, como se junto com ele a maior parte de mim havia morrido .

Meus olhos inchados pelo choro, lagrimas que foram em vão, porque a dor não diminuiu.Eu dei de costas ignorando aquele ser que eu havia me tornado, andei lentamente em direção ao quarto.

Eu não tinha vontade de sair daquele quarto, eu esperaria que um dia meu corpo secasse de tantas lagrimas, meu sangue coroesse meu corpo, fazendo com que ele desfinhasse aos poucos, de forma lenta e torturante.A morte me parecia o único caminho para acabar com a dor, quem sabe Deus seria bondoso o bastante e me levasse até o Jacob, até aquele anjo que Deus pois em minha vida.

Eu abri as portas do guarda roupa, e vi o vestido azul, o mesmo vestido que ele havia me dado a ultima noite em que ele tinha vida.Ver aquele vestido me lembrou do carinho que ele dirigia a mim como se fosse sua própria vida.Eu peguei o primeiro vestido preto que vi, teria que acostumar a usar preto, seria a cor que usaria até o fim dos meus dias.

Eu o vesti, lentamente como se ao colocar aquela roupa, eu me sentisse realmente viúva.Eu escovei meus cabelos , tentando ficar o mais bela possível, não queria que as pessoas sentissem pena de mim, pena era a ultima coisa que gostaria que sentissem de mim.Me maquiei, tentando esconder as olheiras que se formaram abaixo de meus olhos, graças as noites mal dormidas.

Eu me levantei, deixando para trás o reflexo daquela personagem que estava inventando, alguém que eu seria na frente dos outros.Coloquei meus sapatos, chapéu e jóias, e desci as escadas lentamente.

- Dormiu bem, senhora?- perguntou Laura, num tom gentil.

- Sim, obrigada.- eu disse de forma calma e gentil, mais uma peça da personagem.

- Eu sinto muito pela morte do Senhor Jacob.- ela disse, e eu senti aquelas palavras destruírem a minha personagem, porque elas eram sinceras.Ela realmente gostava do Jacob.

- Obrigada Laura, por tudo, nem todos os agradecimentos do mundo será capaz de agradecer todo o apoio que deu a mim.- eu a abracei,e me permitir chorar nos braços de alguém que me queria o bem.

- Não foi nada, Senhora.Eu sei que a senhora é boa.- ela disse, olhando em meus olhos.- O que acha de comer algo, se alimentou mal esses últimos dias.- ela sugeriu.

- Será uma boa idéia, obrigada.- eu me deixei ser guiada pelos seus passos.A mesa estava posta, eu me sentei no lugar de costume e me senti só.

- Laura?- a chamei, ela virou para mim.- Poderia me fazer companhia?Para que não me sinta sozinha.- eu praticamente supliquei.

- Claro, senhora.- ela se sentou ao meu lado.Eu devorei o café da manha, a fome me consumia e não havia reparado nisso.Sequei meus lábios com o guardanapo, e o joguei na mesa.Me levantei, o enterro seria logo.O velório seria no salão da igreja da cidade.

Eu coloquei meu chapéu e esperei até que Laura chegasse, fomos de carruagem, o silencio reinando o momento, como se não existissem palavras para serem ditas.

A igreja parecia pequena pela quantidade de pessoas que se encontravam ali.Pessoas que choram lagrimas, sem nem saber o verdadeiro motivo.Eu desci, sempre com Laura em meu flanco, como se fosse meu apoio naquele momento.

Eu andei me aproximando do caixão com seu corpo, ele parecia sem vida, sua luz havia se apagado para sempre, o fogo da sua vida se extinguido, ele havia se tornado mais um corpo.Sua expressão era serena, como se ele estivesse como todos os anjos do céu.

Mas uma vez eu chorei, estava sendo difícil para mim perde-lo.

Aos poucos as pessoas se aproximaram, eu me cansei de ouvir “ Sinto muito”.Essas palavras eram falsas, e me faziam sentir raiva e repulsa.

Minha mãe se aproximou de mim, para me dar apoio.

- Filha, eu sinto muito.- ela disse com a voz falhando por causa do choro.

- Eu sei.- respondi, sem vida.

- Vamos, está na hora de enterramos.Seja forte, sim?- ele tentou me dar forças, mas suas palavras não faziam sentido.

Eu fui na frente daquela procissão, direto para o cemiterio da cidade.Eu escutava pessoas e mais pessoas chorando, e apenas algumas verdadeiras, as das irmãs do Jacob, as de Laura e as minhas.Todas as outras era apenas água sendo derramada de olhos de pessoa que nunca o amou.

(...)

Eu vi seu caixão sendo abaixado dentro da cova,eu peguei uma das rosas brancas que adornavam seu tumulo e me ajoelhei no chão.

Eu dei um beijo nas pétalas da rosa, como se através daquele beijo, eu pudesse mostrar todo o amor que sinto por ele.Eu joguei a rosa sobre o tumulo.

- Eu te amo, para sempre.- eu sussurei, e esperei que ele pudesse ouvir onde ele estivesse.Eu deixei uma ultima lagrima cair, fechei os olhos e imaginei seu rosto.

Abri meus olhos novamente, cobri meu rosto com o véu e parti.Para o único lugar que saberia que ele estaria comigo.

publicado por Twihistorias às 18:45

comentário:
estou adorando,apesar de ser muito triste.
marcela thomé a 20 de Abril de 2013 às 19:35

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