21
Abr 13

Nota da autora: Esta fic tem uma alternância de narradores. Nos capítulos ímpares será Bella e nos pares será Edward. Juntos, vão contar a história deles. Assim, no início de cada capítulo, depois do número do mesmo, aparece a letra B quando é narrado por Bella e E quando é narrado por Edward.

- 2 -

E

Não tinha grande vontade de ir ao casamento, mas a Alice é como se fosse minha irmã e o Jasper é o meu melhor amigo. Ficariam chateados e desiludidos se ficassem sem padrinho à última da hora. Até porque sabia que teria que ir e ficar por perto para qualquer eventualidade; tinha assumido responsabilidades muito sérias e não podia voltar atrás agora. E a verdade é que, no fundo, havia uma parte de mim que queria estar lá. Sim, tinha que admitir que esta era a verdade.

O problema não era propriamente eu querer e não querer. O problema era o caos de sentimentos em que eu ficava só de pensar nela, nos seus enormes olhos castanhos, no seu pálido tom de pele; na sua face enrubescida; no seu toque…

Isabella Swan, o meu paraíso e o meu inferno.

Quem inventou a antítese, inspirou-se certamente numa mulher como ela. Não, isto é mentira. Como ela não existe ninguém. Ela extrapola todos os limites e toda a razão, no bom e no mau sentido. Não sei bem como é que ela faz, mas acaba invariavelmente por me apanhar desprevenido, surpreendendo-me sempre. Mais uma vez tanto pelo lado positivo como pelo negativo. Cada vez que ela passa na minha vida é como ser abalroado por um comboio de alta velocidade. Fico como que trucidado e sem norte. Mas, cada vez que temos um momento positivo, é de tal forma intenso e prazeroso que compensa todo o sofrimento que eu sei que vou ter, assim que ela desaparecer novamente. A cada embate, os bons momentos são ainda melhores e o sofrimento mais atroz. Eu nunca soube como evitar, melhor, eu nunca consegui evitar… porque nunca quis. Ela é um íman que me atrai e do qual eu não tenho qualquer hipótese de me desviar. Ela é o meu chamamento, o meu vício.

Este último pesadelo começou quando doze dias antes do casamento de Alice o meu pai me telefonou de Washington. Eu estava no meu minúsculo apartamento, a preparar-me para mais um dia de trabalho, no Hospital de St. Mary em Paddington. Estava quase na minha hora e eu detestava chegar atrasado. Peguei nas minhas coisas e dirigia-me à porta quando o telefone tocou. Saquei-o do bolso um pouco aborrecido.

- Edward Cullen.

- Filho, tens um minuto para mim?

Não tinha mas sabia que se Carlisle me estava a telefonar a esta hora é porque era mesmo importante.

- Sim, pai. O que se passa?

- O embaixador dos Estados Unidos no Brasil, telefonou-me há pouco. Parece que há um cidadão americano que está a pedir ajuda médica para uma colega de trabalho, também ela de nacionalidade americana. O caso parece ser muito grave.

Estranho. Quereria Carlisle que eu fosse até lá saber da gravidade dos ferimentos? Já que iria ao Brasil podia visitar… “Não! Ela não. Que Deus não permita que seja ela.

- Fazem os dois parte de uma equipa internacional de investigação e estudo patrocinada pela National Geographic, – acrescentou Carlisle.

- Quem é? – Estava petrificado. Só podia ser ela. Naquele momento apeteceu-me desligar o telefone e continuar a minha vida apagando este último minuto. Não existindo este tempo, não haveria nada nem ninguém magoado.

- Ele chama-se Jacob Black e ela é a Bella. Sinto muito, Edward.

O meu mundo desabou. Mesmo a esta distância, ela tinha o dom de me deixar perdido e desequilibrado. Ouvir o seu nome, ter a confirmação do que eu já sentia ser verdade, foi o mesmo que ser apunhalado no peito.

- Eu vou para lá imediatamente. Ela está em que hospital?

- Espera Edward. Ela foi evacuada de helicóptero para Manaus. Mas o Sr. Black, insiste em apoio médico mais especializado. Parece que a Bella desenvolveu uma infeção generalizada que evoluiu para choque sético o que lhe está a causar insuficiência respiratória. – Fez uma pausa. - Está sedada e ligada ao ventilador.

Não podia ser pior. Como é que uma pessoa com vinte e quatro anos, com estilo de vida saudável, entra em choque séptico? Sabia muito bem a taxa de sobrevivência numa situação destas. Encostei-me à parede procurando o apoio que tinha perdido.

- Há algum hospital brasileiro que lhe possa oferecer melhores condições? É possível transferi-la para Nova York ou para aqui? – Perguntei com a voz embargada e sentindo lágrimas traiçoeiras a deslizar pela minha cara.

- Parece que no Rio de Janeiro há outras condições. Trazê-la para cá é uma possibilidade mas apenas quando ela tiver um quadro clínico estável. Levá-la para Inglaterra poderá ser ainda mais difícil. Vai ser preciso um médico responsável. Dei o teu nome à embaixada.

- Eu faço tudo o que for preciso. – Tremia tanto que mal conseguia segurar no telefone mas estava disposto a ir buscá-la e trazê-la para cá. No hospital onde trabalhava havia médicos extraordinariamente bons. – Pai, arranja maneira de a fazer sair de lá que eu trato do resto.

Ele deu-me os números de telefone da embaixada americana no Brasil e do Jacob Black.

- Telefono-te assim que tiver mais notícias. Tenta manter-te calmo.

Deixei-me escorregar pela parede, sentando-me no chão com as mãos na cabeça. Fiquei ali, não sei quanto tempo, só saindo do transe quando o telefone voltou a tocar. Desta vez era do hospital. Tive que tratar de tudo para ser substituído e falei com o Doutor James sobre uma possível transferência de Bella para Londres. Seria complicado mas não impossível. Telefonei para a embaixada para tratar do que era necessário e para o hospital de Manaus. Não consegui falar com o Black, pelo que lhe deixei uma mensagem de voz. Depois… Fiquei à espera. Insuportável e dolorosamente frustrante, esta espera sem nada poder fazer, deu comigo em doido.

Entretanto o Doutor James telefonou-me para dizer que tinha um conhecido a trabalhar num hospital do Rio de Janeiro e que, embora esse hospital fosse essencialmente uma maternidade, podia acompanhar a evolução do tratamento da paciente e indicar um hospital com as condições mais adequadas à situação, pelo menos até a paciente ter capacidade para fazer a viagem de regresso.

Custou-me ouvi-lo tratar Bella como paciente, era demasiado frio e impessoal. Arrepiei-me. Agradeci o contacto e telefonei para o Brasil.

Passei parte da tarde ao telefone. No fim do dia já tinha conseguido, com a ajuda do embaixador dos Estados Unidos da América no Brasil e do Dr. Liam, a garantia da transferência de Bella para um hospital no Rio de Janeiro, assim que ela mostrasse melhoras para poder suportar o transporte. O Dr. Liam recebê-la-ia e faria o seu encaminhamento para o Hospital Samaritano. Sem o seu envolvimento seria impossível transferir Bella e conseguir que o hospital do Rio a recebesse. O Black respondeu à minha mensagem e, após saber da transferência, disponibilizou-se imediatamente para a acompanhar na mudança, mostrando-se muito agradecido por tudo o que nós estávamos a fazer. Parecia-me boa pessoa, tinha que lhe agradecer o apoio que ele lhe tinha dado e continuava a dar e a persistência em conseguir o melhor para Bella.

Jacob Black fazia parte da equipa de expedição organizada e financiada pela National Geographic para cartografar, estudar e fotografar certas áreas da Floresta Tropical Amazónica. Segundo ele, o grupo de Bella, no qual ele estava incluído, tinha acampamento numa região entre o rio Negro e o rio Solimões, algures no norte do país, uma região muito agreste e bem embrenhada da selva. Foi por este motivo e pela teimosia de Isabella, que a sua evacuação para Manaus demorou tanto. Se ela tivesse sido medicada mais cedo, não tinha chegado a um ponto tão crítico. Não sei se ela se apercebeu, mas esteve mesmo entre a vida e a morte. Só de pensar nesta palavra os calafrios tomavam conta do meu corpo.

Desejava muito estar lá com ela mas sabia que não podia ir imediatamente porque, assim que ela pudesse ser transferida, eu tinha que preparar o seu regresso. A embaixada exigia a aceitação de um hospital pelo acolhimento de Bella e o seu acompanhamento pelo médico responsável. Eu, enquanto médico indicado tinha que tratar da papelada toda antes de poder sair do país. Ficar quieto era impossível para mim. Tratei de tudo o mais rapidamente possível e tentei reduzir ao máximo as consultas no hospital, passando a dedicar o meu tempo livre a tentar descobrir que raio de infecção seria aquela que queria arrancar Bella da minha vida. Recorri a várias pessoas do Imperial College of Science, Technology and Medicine, mas todos eles foram unânimes: sem análises era impossível. Mais uma vez quem me socorreu foi o Dr. Liam que me mandou por email os resultados de todos os exames de Bella.

O sofrimento era ainda maior com o peso de não poder contar a ninguém o que se passava. Só eu e o meu pai sabíamos. Antes de ser evacuada de helicóptero, Bella tinha feito o Jacob jurar que não contaria a ninguém da família, queria ser ela mesma a contar. Eu não concordava nada com isso mas sentia-me na obrigação de manter o segredo, pelo menos até ela começar a recuperar. Nem me atrevia a pensar que também poderia acontecer o pior.

Passados dois dias, estava eu completamente desesperado de bilhete de avião na mão a seguir para o aeroporto, quando se deu o milagre. Bella começou a recuperar deixando o ventilador e reunindo condições para poder ser transferida para o hospital recomendado pelo Dr. Liam, na cidade do Rio. Mais calmo, telefono para o hospital Samaritano para informar a chegada eminente de Bella e é-me comunicado que na eventualidade de ela apresentar condições de fazer a viagem para Londres, a sua liberação ocorreria em menos de quarenta e oito horas. Ainda preocupado mas muito mais aliviado, desisti da viagem e regressei a casa.

Infelizmente, Bella não teve alta tão cedo quanto eu esperava. Foi necessário proceder à realização de vários exames e alguns tratamentos para evitar uma recaída. Fui acompanhando diariamente a sua recuperação telefonando aos médicos que a assistiam e recebendo os resultados dos seus exames. Jacob Black dizia-me aquilo que os médicos, dada a sua azáfama profissional, não sabiam, que Bella parecia mais triste de dia para dia, que comia mal e que chorou depois de telefonar à irmã...

Foi uma complicação assegurar o seu regresso. Dado o envolvimento da embaixada e da Polícia Federal, e a urgência pedida na resolução da situação, a documentação a preparar foi muita e difícil. Bella teve que assinar um termo de responsabilidade, tal como eu, que fiquei responsável pelo seu acompanhamento médico fora do país. Embora a sua recuperação estivesse a revelar-se muito boa, a situação era ainda periclitante. Bella perdera algumas faculdades e o seu completo restabelecimento dependia da continuidade do tratamento e de sessões de fisioterapia respiratória. Eu faria o possível e o impossível para garantir a sua recuperação completa.

O casamento de Alice ajudou e complicou. A vinda de Bella ao casamento, estava prevista desde que ela foi para o Brasil. Supostamente ela viria passar duas semanas de férias, interrompendo, por esse período de tempo, os seus estudos etológicos. Porém, como adoeceu, a sua vinda ficou comprometida. Quando se mostrou possível a sua presença na cerimónia uma grande parte dos planos teve que ser alterada. Eu tinha tudo preparado para ela em Londres e depois tive que alterar tudo porque ela queria ir para Milão, já que Alice e Jasper casariam na Villa que a Renée tinha na região da Ligúria. Toda a família iria para lá, eu inclusive. Pelo menos agora iria de certeza.

Ajustar os horários foi um quebra-cabeças e uma correria. Entre conseguir um voo do Brasil para o norte da Itália fazendo apenas uma escala rápida - no aeroporto de Charles de Gaulle, - combinar o horário da cerimónia com Aro, e, ao mesmo tempo, manter todos os convidados informados das alterações, revelou-se atrofiante. Sem esquecer que tudo isto tinha que ser feito sem que Alice desconfiasse da vinda da irmã e sem que a família percebesse o estado real de Bella e o compromisso que eu assumi perante as autoridades brasileiras. Felizmente outros pormenores ficaram a cargo da minha mãe que, muito competentemente, driblou todos os obstáculos e incertezas, para manter o nível que a ocasião merecia.

Como não sabia muito bem se queria que ela me visse no aeroporto de Linate à sua espera, pedi ao Jasper para a ir buscar. Ainda pensei pedir ao Emmett, mas este meu irmão é demasiado bruto e galhofeiro, não tendo uma verdadeira noção da sua força; poderia acabar por magoá-la sem intenção. Além disso, o Jasper estava uma pilha de nervos, pelo que precisava de alguma coisa para se distrair. E uma viagem de Bordighera até Milão com a volta incluída, rendia-lhe toda a manhã.

Eu também teria que lá estar pois iria receber toda a documentação relativa ao seu internamento hospitalar e os documentos referentes à sua saída do país emitidos pelo Departamento da Polícia Federal Brasileira e pela embaixada americana no Brasil. Toda esta documentação foi enviada por mala diplomática e eu, como médico responsável pela paciente Isabella Marie Swan, teria que a receber em mãos.

Enquanto esperava que me chamassem para me entregarem o que tinha ido levantar, posicionei-me de forma a garantir que a via assim que ela saísse pela porta de desembarque. Por um lado queria ver com os meus próprios olhos como ela estava e por outro queria ver quem a vinha a acompanhar. É claro que fui apanhado.

- Edward. Não sabia que também vinhas. - Um Jasper nervoso mas ainda assim atento aos pormenores, encarava-me fazendo uma pergunta muda.

- Oi Jasper. Mais nervoso, hoje? – Perguntei, tentando desviar a sua atenção. Seria difícil consegui-lo porque Jasper, no seu jeito calado, é um observador nato, mas, nervoso como ele andava com o casamento, tinha alguma esperança que resultasse.

Respondeu-me com um encolher de ombros e manteve a mesma expressão de quem ainda não tinha esquecido a questão por responder. Inclinou ligeiramente a cabeça e arqueou as sobrancelhas.

- Tinha que vir levantar a documentação da Bella.

- Pois claro. E pensaste nisso antes ou depois de me teres pedido para a vir buscar?

- Bem… São demasiados formalismos. Não sei quanto tempo vou ter que esperar. Seria mau para ela ter que ficar à minha espera, não achas?

- Certo, – disse ele num tom trocista e com um sorrisinho de gozo. – É suposto que Isabella saiba que estás aqui ou também é dispensável?

- Hummm. – E agora? O que deveria dizer? Que não queria que ela soubesse? Que justificação daria depois? Deveria ter sido mais cuidadoso. - Acho que não é necessário. Preocupá-la para quê?

Jasper riu-se descaradamente. – Sim, claro. Nesse caso, talvez queiras afastar-te um pouco. Os passageiros estão a começar a sair.

- Até logo Jasper. Vemo-nos no casamento, – respondi com maldade.

O nervosismo dele voltou em força. Inclinou a cabeça e foi lá mais para a frente.

Um pouco depois, ela apareceu. Pequena, cabelo solto, óculos de Sol, jeans escuros, sapatos práticos e um casaco vermelho cintado. Muito mais magra e de pele ainda mais pálida, percebia-se claramente que não estava bem de saúde. Ao seu lado estava um homem alto e moreno que a segurava firmemente pelo braço. Jacob Black. A sua atitude era de proteção e de posse.

Atrás deles seguia um funcionário aeroportuário com a bagagem. Junto dos três enormes sacos de viagem estava uma guitarra. A minha velha guitarra acústica? Dava para ver as minhas iniciais gravadas no saco. Aquela era a guitarra que eu usara até ter recebido a outra, mais especial, quando fiz vinte e dois anos. Sorri ao pensar que, de certa forma, tinha estado com ela este tempo todo. Bella surpreendia-me uma vez mais.

Bella caminhava algo insegura e de cara fechada, mas quando viu o Jasper à sua expressão abriu-se num sorriso franco.

Será que ela também sorriria assim se fosse eu quem estivesse à sua espera?” Pensei desejoso de que tal fosse verdade.

Sacudiu a mão de Jacob e estendeu os braços para Jasper que a agarrou e a abraçou carinhosamente. Um pouco depois vi Jasper passar-lhe a mão no rosto. Estaria a chorar? De tristeza ou felicidade? Voltou a agarrar-se a ele e foi desta forma que se dirigiram ao exterior. A meio caminho ela virou-se perscrutando as pessoas que ficavam para trás, como se procurasse alguém. Com um olhar estranho, sacudiu a cabeça e continuou o seu caminho apoiando-se no meu bom amigo.

Vi-os desaparecer antes de me dirigir ao serviço alfandegário para resolver, o quanto antes, a questão dos documentos. Queria voltar rapidamente a Bordighera.

Saí de Milão e segui rumo à autostrada dei Fiori. Passada hora e meia estava a chegar ao hotel. Não era a primeira vez que vinha à Riviera di Ponente, era normal virmos passar férias na Villa. De todas as vezes que isso acontecia hospedávamo-nos todos lá em casa, mas desta vez era diferente. A casa teve que sofrer algumas alterações logísticas para a realização do casamento e eu preferi ficar num dos hotéis no centro da cidade. A Rose e o Emmett também, embora as razões deles fossem de outro tipo. Digamos que o relacionamento destes dois era um tanto ou quanto desregrado, variando entre os amuos de um com as brincadeiras do outro e o explicitamente carnal, pelo que causavam um certo desconforto nas pessoas que os rodeavam. Desta vez, somente Carlisle e Esme ficaram alojados na Villa.

A Villa é uma magnífica propriedade que Renée comprou com a ajuda de Aro, um amigo que ela fez numa das suas visitas pelos museus italianos e que praticamente passou a fazer parte da família. Desde então, esta casa enorme e o seu amplo jardim, que em tempos tinham sido uma pousada, passaram a servir de refúgio quase permanente a Renée e de casa de férias para toda a família. A sua localização privilegiada junto ao Mediterrâneo é um convite ao lazer e à aventura.

Bordighera é uma estação balnear muito bonita, onde vivem ou passam férias muitos estrangeiros, principalmente ingleses, que vêm atraídos pelo seu clima suave e ensolarado e pela proximidade a grandes centros turísticos. Está localizada junto a Ventimiglia e Sanremo, tendo Monte Carlo e a cidade de Génova a uma distância relativamente curta. Com o Mediterrâneo aos pés, esta região Oeste da Riviera italiana é um autêntico postal ilustrado.

Como ainda era cedo para ir até à Villa, mesmo não tendo muito apetite, desci até à zona do restaurante para comer alguma coisa. Encontrei o Jasper sentado a uma mesa aparentemente contrafeito.

- Então pá, que fazes aqui? Não devias estar lá em cima a preparar-te?

- Trouxe o Jacob. Ele precisava de um hotel para ficar. Vamos almoçar qualquer coisa, antes de subir.

- Como está a Bella? Ela disse-te alguma coisa?

- A Bella está bem. Poderia ter ficado ainda mais feliz se tivesse encontrado outra pessoa à sua espera no aeroporto.

Olhei para ele sem saber o que dizer. Ela teria dito alguma coisa?

- Andaste à porrada? – Tentei desconversar. - Tens o casaco rasgado.

Ele olhou-me meio desorientado.

- Foi o gentil do teu irmão.

- O Emmett rasgou-te o casaco? Porquê?

- Fui até à Villa levar a Bella e ele já lá estava. Acho que a Rosalie estava a ajudar a Alice. Não sei a fazer o quê…? – Esboçou um esgar, muito pensativo. - Será que a Alice inventou alguma coisa? Ela apanha-me distraído e põe em prática uma daquelas ideias malucas.

- Sei como é. – As irmãs Swan sempre foram pródigas em ideias mirabolantes e em surpreender as pessoas. – Mas afinal porque é que o Emmett brigou contigo?

- Eu queria entrar para falar com a Alice.

O Jasper estava com uma expressão tão desatinada que foi impossível não rir.

- Querias o quê? No dia do casamento o noivo não pode ver a noiva antes da cerimónia começar. É tradição.

- Desde quando é que a Alice obedece ou dá crédito às tradições?

Neste aspeto, o Jasper tinha razão.

- Jaz, não fiques assim. A minorca até pode não ligar a essas coisas, mas num casamento tudo é visto sob outra perspetiva. Além disso, não foi ela que te barrou a entrada, foi o Emmett, e ele só obedece à Rose. E com a Rose, já sabes, não é? Tudo elegante e distinto, obedecendo aos preceitos mais elevados do jet-set.

Nesse momento chegou o Jacob Black. Olhou para mim interrogativamente, falando enquanto se sentava à nossa mesa.

- O registo está feito e já levei as minhas coisas ao quarto que me deram.

- Jacob, deixa-me apresentar-te o Edward. Mais um elemento desta bizarra família. É irmão do Emmett.

- Jacob Black, – disse ele estendendo a mão. Continuou a falar enquanto eu retribuía o gesto. - Sou colega da Isabella, estávamos juntos no Brasil quando ela adoeceu.

- Edward Cullen. Já nos conhecemos, não pessoalmente, mas já conversámos muito sobre o estado de saúde da Bella.

- Dr. Cullen? Desculpe, não sabia que era o senhor.

- Trata-me por Edward, nada de senhor, por favor. – Tentei esconder o meu desconforto, ao ver a cara de incrédulo de Jacob, mas não fui bem-sucedido. – Eu sou o médico que a vai acompanhar na recuperação.

O empregado de mesa aproximou-se de ementa nas mãos.

- Desejam fazer os pedidos agora ou esperam mais alguém?

- Somos só nós, obrigado. Deixe os menus que pedimos já, Laurent. Ainda não sabemos bem o que vamos comer. Aqui o menino Jasper casa dentro de poucas horas, tem que ser uma coisa especial. – Virei-me para o Jasper e ri-me descaradamente.

- Compreendo. O meu “rafforzamento” ontem à noite fez efeito? – Perguntou Matteo.

- Oh sim. Esta manhã estávamos todos como se nada tivesse acontecido. Obrigado pelo apoio.

Na noite anterior tínhamos tentado fazer uma festa de despedida de solteiro mas o resultado foram três valentes bebedeiras. A Rosalie tomou conta do Emmett e o Laurent e a mulher, Irina, trataram de mim e do Jasper. Levaram-nos para a minha suite, dando-nos a beber uma espécie de batido amargo com sabor forte a café. Esta manhã estávamos bem, sem dores de cabeça ou outro qualquer sintoma de ressaca. Se não fosse o facto de eu ter dormido no sofá, diria que tinha sido uma noite como qualquer outra.

- Obrigado, Laurent, – disse o Jasper com sinceridade. – Para comer, pode aconselhar-nos alguma coisa leve, que não demore muito tempo? – Olhou para o menu e fechou-o logo de seguida. - Confio em si, traga-nos o que entender mais aconselhável, por favor.

- In un subito. – Dizendo isto Laurent saiu.

- Eu preciso de um café forte, – disse Jacob esfregando os olhos. – Não tenho dormido muito e a diferença do fuso horário está a amolecer-me. Mas tenho fome, muita fome. A comida de avião é uma porcaria.

- Jacob, quero agradecer-te por tudo o que fizeste pela Bella. Não quero nem pensar no que poderia ter acontecido se não tivesses pedido a evacuação dela e insistido em melhores cuidados médicos.

Ele olhou para mim, sem saber bem o que dizer.

- Ela é minha amiga e eu preocupo-me com ela. Mas errei, sabem? Devia tê-la tirado de lá à força quando vi que ela não estava bem. Mas ela é muito teimosa. Só quando começou a delirar é que tive coragem de ir contra a vontade dela e chamar o helicóptero.

- A teimosia é de família. O que eu já passei com ela e com a irmã… Feitios difíceis. – Jasper abanava a cabeça ao falar. – Mesmo a delirar deve ter sido uma chata.

Jacob riu-se e olhou de lado para mim.

- Disse umas quantas parvoíces, sim. Também disse uma série de coisas que não entendi e chamou por alguns nomes. – Voltou a olhar para mim de lado.

Fez-se silêncio. O Jacob parecia relutante em acrescentar mais alguma coisa e eu não queria perguntar o que queria saber.

- Alice e Edward, certo? – Perguntou o Jasper ao fim de algum tempo. – São as pessoas que estão mais próximas dela.

Jacob assentiu mas não disse mais nada. Parecia que havia mais qualquer coisa que ele não sabia se devia dizer. Eu ainda não sabia explicar o que sentia sabendo que ela chamou por mim. Entretanto chegou Laurent com vários pratos para nós degustarmos, entre focaccia ligure, risotto ai funghi porcini, verdure ripiene, penne alla carbonara e, para finalizar, tiramisù. Embrenhámo-nos na comida, trocando poucas palavras.

Acabámos de almoçar, combinámos encontrar-nos às cinco e meia no lobby do hotel e seguimos cada um para o seu quarto. Eu levaria o Jasper no seu carro e o Jacob levaria o meu. Porém, ainda antes das cinco, o Jasper começou a bater às portas dos nossos quartos para que nos despachássemos. Às cinco e meia já estávamos na Villa.

A Villa estava lindíssima, a elegância estava em cada pormenor, desde as flores em frente à casa, até às mesas com vista para o Mediterrâneo. Adivinhava-se uma noite memorável. Pedi uma água a um dos serventes e deambulei por ali acabando por me refugiar no canto de leitura da enorme sala de estar, que hoje estava preparada para a receção. As duas portas de sacada estavam abertas de par em par, estabelecendo uma continuidade com o terraço, e permitindo que a leve aragem de sabor a mar entrasse pela casa.

Foi nesse momento que ouvi os seus passos, curtos e rápidos. Este bater cadenciado no soalho do cimo das escadas revelava que estava irritada com alguma coisa ou com alguém.

– Com um vestido destes, quem vai reparar nos sapatos? Um dia, se me casar, há-de ser na praia. Sem vestidos longos e stilettos. De calções e havaianas. Tenho dito.

Levei a mão à boca para impedir que me ouvissem rir. O Emmett, que subia as escadas nessa altura, desatou às gargalhadas e fez um comentário jocoso à cerca de ela pretender casar em topless. O simples facto de ela pôr a hipótese de casar um dia abalou-me mais do que eu esperaria.

Do sítio onde estava não conseguia vê-la descer as escadas, mas, quando ela atravessou o salão, pude apreciar aquele espectáculo de mulher. Tinha um vestido longo azul-escuro, justo ao corpo até à altura das pernas onde abria num tecido fluído. Já tinha dado uma vista de olhos ao vestido. Eu é que tinha levado a Rosalie a Milão para o comprar, uma vez que o primeiro que ela tinha adquirido teria ficado demasiado largo em Bella, dado a sua perda de peso. Quase fiquei sem pés depois de percorrer todas as lojas do quadrilatero della moda e a Galleria Vittorio Emanuele II atrás da Rose e dos seus caprichos. Mas o resultado mereceu todo esse esforço. Uma coisa era ver o vestido e outra coisa era ver Bella dentro dele. Perfeita! Simplesmente perfeita.

Rosalie determinou tudo o que teríamos que vestir, decretando traje Black Tie, pelo que esta belíssima produção era mérito inteiramente seu. Os homens teriam que se apresentar de Smoking e as mulheres de vestidos longos e saltos altos. Não entendia muito bem o porquê de tudo isto, afinal o casamento era basicamente para a família e para os amigos mais próximos. Porém Rose dizia que “a elegância e o bom gosto devem ser usados a dois, trinta ou mil”. Mulheres!

Dirigi-me para o meu lugar, na primeira fila, do lado oposto ao de Bella. Vi-a atravessar o relvado, com muito cuidado por causa dos saltos altos, falhando por completo o trajeto em deck que ligava a zona da pérgola à zona das mesas e à casa. Ela tinha-se dirigido ao enorme terraço, provavelmente para poder ver o arranjo das mesas de mais perto ou para poder apreciar a vista sobre o Mediterrâneo.

Foi necessário o Jasper indicar-lhe o seu lugar para ela prestar mais atenção no que se passava à sua volta e sentar-se na cadeira que lhe era destinada. Cheirou uma flor branca e sorriu, aquecendo-me por dentro. Bella passou grande parte da cerimónia distraía e alheada do que se passava à sua volta. Estava lá sem estar verdadeiramente. Confesso que, com toda a minha atenção virada para Bella, eu também não prestei muita atenção à cerimónia. Como de todas as vezes que a observava desejei poder ouvir os seus pensamentos.

Jasper e Alice assinaram os documentos que o meu pai lhes deu, em representação da embaixada americana, e, já casados, beijaram-se ardentemente. Foi apenas nessa altura que Bella saiu da sua abstração, corando e desviando o olhar como se não quisesse perturbar aquele momento de intimidade.

Fui acompanhando os seus passos, vendo o Aro a cumprimentá-la e ela a felicitar a irmã e o Jasper. Ri-me disfarçadamente quando a vi desgostosa ao ser interpelada pelo Jacob e percebi a forma como ela driblou a situação impingindo-lhe a companhia de Leah.

Vi-a caminhar lentamente para trás da pérgula e segui-a. Sentou-se no banco escondido pelas plantas e tirou os sapatos. Deixou-se escorregar e ficou ali a contemplar o céu. Uma expressão de tristeza ocupou o seu rosto, fazendo nascer em mim um desejo enorme e incontrolável de a abraçar e acabar com a sua dor.

Aproximei-me dela e fixei o seu rosto. Talvez tenha feito algum ruído porque Bella endireitou-se e, quando o seu olhar encontrou o meu, sorriu. Fiquei feliz e sorri também.

- Bella. – A minha voz saiu rouca devido ao meu nervosismo.

Depois, o seu sorriso desfez-se e Bella desmaiou.

Corri até ela e sempre a chamá-la, puxei-a para mim, abracei-a e acariciei o seu rosto. Os seus sinais vitais estavam bons. Deveria ser apenas uma quebra de tensão causada pela debilidade física, que a doença lhe tinha imposto, associada ao cansaço da viagem. Peguei nela ao colo e levei-a para o seu quarto, evitando as zonas mais movimentadas.  

publicado por Twihistorias às 18:00

2 comentários:
adorando a fic!
Marcela thomé a 21 de Abril de 2013 às 19:46

Oi, Marcela.

Muito obrigada.
Espero que continue gostando.

Bjs
Ella Fitz a 23 de Abril de 2013 às 00:15

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