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Abr 13

Cap. 35 – Tristeza, desilusão e angústia

Ao fim de três dias avisámos a polícia, depois de ligarmos para hospitais, clínicas, enfim para todos os sítios onde nos lembrámos que ele poderia estar, mas aparentemente ele não queria ser encontrado. Quanto à imprensa, por enquanto andava só a farejar, mas como havia histórias mais suculentas para se ocuparem e não era altura de nenhuma aparição pública oficial, por enquanto nada saíra de muito preocupante.

Duas semanas se passaram e tudo continuava na mesma.

Lizzie continuava a fazer o que podia para não me deixar sozinha e para me animar, mas eu podia sentir a sua angústia e preocupação. Eu estava a aguentar-me, não por mim nem mesmo por ela, mas pelos meus filhos. Tinha de continuar a fazer as coisas normais, mas a minha vontade era sair dali. Daquela casa, daquele quarto... Afinal de contas ele tinha-me deixado. Custava-me olhar para as suas roupas penduradas no roupeiro ao lado das minhas, os seus pertences na casa de banho, enfim... Tudo intocado desde que ele se fora. Os dias arrastavam-se mais compridos que nunca e eu não me sentia forte o suficiente para manter aquela farsa durante muito mais tempo. O seu cheiro ainda andava pela casa, a sua viola estava no mesmo sítio onde a largara. A aliança que carregava no meu dedo havia dias que me pesava e me queimava por dentro não saber se deveria continuar a usá-la ou não. Eu queria acreditar, como todos, que algo se passara e ele ia voltar a qualquer momento, mas as últimas palavras que o ouvira proferir estavam bem presentes no meu pensamento. Acabara. No entanto continuava sem conseguir tirar aquela aliança. Era como se, enquanto não a tirasse, ainda pudesse haver um pouco de esperança. Sempre que me lembrava da maneira como ele falara e me olhara, sentia-me tão humilhada. Um bofetão não sortiria mais efeito. Acabar daquela maneira fora um golpe duro. Um golpe que ainda não sabia como poderia superar.

Desde que Rob me tinha deixado, dei por mim muitas vezes a pensar na minha mãe. O que ela tinha sofrido por amar aquele homem. Eu nunca a entendera. Nunca percebera como é que ela se sujeitava a tanta coisa por ele. O meu pai não era gentil, não lhe reconhecia o valor e não a amava, mas ela continuava a esperar por ele todas as noites, mesmo quando era mais que certo que ele já não vinha dormir. Isto já para não falar das sovas...

Marie era o seu nome e fora a francesa mais inglesa que eu tinha conhecido. Uma vez tentara explicar-me o que sentiu a primeira vez que viu Londres e, embora não me lembre das palavras, sei que sentia o mesmo. Era ali que pertencia... As coisas podiam não correr bem, mas a cidade continuava imponente a olhar-nos com a mesma postura, como se nada se passasse. Era como se nos mostrasse que todas as coisas passam e nós ficamos naquilo que fazemos e pensamos e que um dia tudo correrá melhor. Há quem diga que Londres é uma cidade triste, mas é precisamente o contrário. Tem uma beleza sombria em dias de chuva, mas não deixa de ser a mesma por isso.

Mas Londres estava para lá do oceano e longe de me confortar. Ao contrário da família de Rob que se tinha mudado de armas e bagagens para LA, na altura em que o nascimento da Junnie estava prestes a ocorrer. Tinham-no feito sobretudo para nos ajudar nos primeiros meses e poderem disfrutar da nossa companhia, mas acabaram apanhados de surpresa por esta súbita decisão de Rob.

Talvez Robert andasse por aí e não tivéssemos procurado nos sítios certos. Talvez tudo não passasse de um pesadelo ou mal entendido.

Era no que pensava quando estava mais em baixo. Passara tão pouco tempo e, no entanto a sua ausência deixava a minha vida tão vazia. Tinha vontade de me perder pela cidade como quando era menina e esperar que ela me levasse até ele, até ao meu príncipe encantado, mas sabia que não o podia fazer.

Porque será que tudo tinha sempre de ser tão complicado?

- Mãe?

- Sim filho!

- A mana está a chorar outra vez...

Parei de dobrar e arrumar as roupas na cómoda e fui até à sala.

June chorava baixinho dentro da alcofa, que daqui a mais uns tempos ficaria pequena demais para ela.

- Oh... Que foi? Que foi Junnie? A mamã está aqui... Pronto, pronto... – Aninhei-a nos meus braços e embalei-a até voltar a adormecer.

- Bem, Miguel já estás pronto? A Annie deve estar a chegar pra ficar com a tua irmã.

- Mas mãe... Também quero ficar com a Annie! – Protestou ele.

- Já falámos sobre isso. Precisas de roupa para a escola. E a mãe amanhã não tem tempo! Amanhã podes ficar, ok?

- O dia todo?

- Siiim... Agora vai lá despachar-te que tenho pressa!

Ele saiu a correr até ao quarto. Nunca tinha visto ninguém que achasse que não precisava de roupa nenhuma. Só mesmo o meu filho para ser tão desprendido. E o pai.

Bateram à porta e a seguir ouvi a chave na fechadura. Annie, sempre preocupada em incomodar. Ela tinha a chave para evitar tocar à campainha e acordar a menina, mas batia sempre à porta antes de entrar.

- Bom dia Anna!

- Bom dia Annie!

- Como estás hoje? – Sussurrou-me enquanto me dava um meio abraço.

Sorri. Tinha demorado uma eternidade até ela ter a ousadia de fazer uma coisa destas. Durante muito tempo ela agia como uma simples empregada, quando era muito mais que isso.

- Não te preocupes querida. Está tudo bem, obrigada... Bem, eu e o Miguel temos de ir. Qualquer coisa já sabes, liga.

- Ok. Não te preocupes. Ela é um anjinho, não vai dar trabalho nenhum.

- Bem, vou ver o que o Miguel está a fazer tão caladinho no quarto... Miguel? Já estás pronto? A Annie já chegou!

Ele saiu do quarto já pronto, e correu a abraçar a Annie.

- Ai, estás a ficar pesado. – Queixou-se ela.

- Vá, vamos Miguel! Amanhã ficas com a Annie.

Saímos no carro em direcção ao Centro Comercial e passei as duas horas seguintes a tentar controlar o Miguel que não parava quieto.

- Miguel, anda já pró pé da mãe! Vá lá, já estamos a acabar...

Alguém passou por mim, dando-me um encontrão, o que me distraiu. Senti-me observada e olhei para trás. Pareceu-me ver alguém familiar, mas depressa voltei a olhar em frente e apercebi-me que perdera o Miguel de vista.

- Miguel! Miguel volta já aqui! – Continuei sem o ver e comecei a andar em frente e a procurá-lo. Ele não podia estar assim tão longe. Avancei pelo corredor fora em passo apressado, olhando para todos os lados à procura dele, mas não o via em lado nenhum.

Senti o meu coração apertado no peito, quando cheguei ao fundo daquele corredor e continuei sem o ver.

- Por favor Miguel, onde é que te meteste? – Disse para mim própria.

Dei meia volta e quase gritei ao ver os seus calções vermelhos ao longe. Andei o mais depressa que me era possível sem desatar a correr. Ele estava com um ar um pouco assustado, à porta da loja de brinquedos, de mão dada com a empregada. Assim que me viu fugiu-lhe e correu até mim.

- Onde foi que te meteste? Nem sabes como fiquei assustada! Vês porque te digo para não te afastares?

- Desculpa mamã... Prometo, não faço mais. Eu vou ficar de mão dada. Prometo.

Ainda com ele ao colo abraçado a mim, dirigi-me à empregada da loja que nos observava e agradeci.

- Pronto amor já passou... Vamos comprar o almoço e comemos em casa com a Annie? – Ele acenou e fizemos o combinado.

publicado por Twihistorias às 20:59

comentário:
O que acham que aconteceu?
Ana C. a 27 de Abril de 2013 às 01:32

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