29
Abr 13

 - 3 -

B

Edward Cullen. Edward Cullen! Edward Cullen… Eu. Eu… Eu…  Nós…

            Quando esta palavra caiu no meu consciente foi como um vidro a estilhaçar-se. Nós?! Que nós? Não havia nós nenhum. Jamais, em tempo algum.

Pois! Mas já houve. Será que podia admitir isto? Que custo! A esta distância não sei bem como qualificar aquilo que se passou entre nós. Mas houve realmente um Nós. Pelo menos eu acredito que a certa altura houve um nós.

            “Pára de pensar nisso. O que passou, passou.” Murmurei para mim mesma, com uma certa irritação. “Esquece isso, Bella.” Ou seria Isa? Repentinamente, senti uma leveza de espírito e esbocei um sorriso que foi progredindo para uma gargalhada gostosa que só terminou com lágrimas e dores de barriga pelo riso descontrolado. Eu já fui Isa. Bem, eu já fui muita coisa, mas para este Nós eu era Isa. Isa, a menina decidida que se julgava ser muito adulta e independente. Respirei fundo duas vezes seguidas.

            Edward Cullen.

            Posso dizer que ele sempre fez parte da minha vida. De certa forma crescemos juntos, embora nunca tenhamos vivido propriamente no mesmo sítio. Parece complicado, não é? É mesmo. As nossas mães são amigas há muitos anos, estudaram juntas e só se separaram quando foram para a Universidade. Se existirem duas amigas realmente verdadeiras são elas. Nem com o afastamento causado, primeiro pela ida para a Universidade e depois pelos seus casamentos, elas se perderam uma da outra. Desde essa data que, ritualmente, combinam férias conjuntas e, sempre que possível, as datas especiais são comemoradas nesta “família alargada”, como se elas fossem verdadeiras irmãs. Os maridos tiveram que se adaptar… quer dizer, o meu pai nem por isso. Separaram-se há já alguns anos, embora continuem casados – se é que o casamento deles em Las Vegas é válido.

Foi dessa forma que eu e a minha irmã Alice crescemos a brincar com Edward e Emmett, ambos filhos adoptivos de Carlisle e Esme. Esme não podia ter filhos por ter sofrido, durante o seu primeiro casamento, maus tratos físicos muito violentos. Esteve mesmo às portas da morte quando o marido a empurrou pelas escadas do prédio onde viviam, estando ela grávida de cinco meses. Teve uma hemorragia muito grave, perdeu o bebé e tiveram que lhe remover o útero. Emmett e Edward foram adoptados, ainda muito pequenos, um com dois anos e o outro quase a completar um ano de vida, pouco tempo depois de Esme e Carlisle se casarem. Cresceram a acompanhar os pais pelo mundo fora, uma vez que o trabalho de Carlisle assim o exigia e Esme não conseguia viver sem ter os seus três homens por perto.

O Emmett é o mais velho. É alto e largo, com cabelo escuro bem curto, mais parecendo um halterofilista que um professor de Educação Física. A sua intimidante estrutura física contrasta com a sua maneira de ser, mais solta e divertida. Exibiu sempre um comportamento ligeiramente infantil, pregando-nos, a mim e à minha irmã, mil e uma partidas e estando constantemente satisfeito e a rir. É o mais próximo que eu tenho de um irmão. Na verdade, sempre o olhei como irmão. Da mesma maneira que, durante toda a nossa infância, me fazia rir e me fazia umas patifarias, também me protegia, defendendo-me do que quer que fosse, ou de quem fosse. E isso sempre foi muito importante para mim.

Esta minha necessidade de protecção veio a revelar-se, há uns anos atrás, um elemento tão decisivo na minha vida que, num certo sentido, acabou por criar uma enorme barreira entre mim e parte desta minha família.

O Edward é um ano mais novo que o Emmett e quatro anos mais velho que eu. Sempre foi meu amigo. Embora mais reservado que Emmett, pude sempre contar com ele. Quando não havia mais ninguém por perto, lá estava Edward. Se Emmett era o meu escudo perante o mundo, Edward era o meu anjo da guarda. Alto, esguio, de pele clara e com uma cor de cabelo algo invulgar, entre o castanho claro e o louro escuro com nuances algo arruivadas, tipo bronze, Edward sempre chamou a atenção pela sua beleza. Para mim, porém, eram os seus olhos verdes que ganhavam; nunca vi olhos mais bonitos que os dele. O seu olhar trespassa uma pessoa, conseguindo entrar no seu interior.

Formávamos todos um grupo muito coeso. As duas meninas super-protegidas pelos dois irmãos mais velhos. Vivíamos aventuras delirantes, umas corriam bem outras menos mal, sempre muito divertidas e escondidas dos pais. Umas vezes de férias na praia, outras vezes na montanha, um ano num país, outro ano noutro, as nossas brincadeiras eram sempre a quatro e a única coisa que variava era a paisagem e a roupa que vestíamos.

Fomos crescendo e inventando novas formas de fazer a mesma coisa: brincar, rir e ser feliz. Contudo a nossa diferença de idades começou a pesar. Os rapazes começaram a fazer uns programas sem nós e, eu e Alice, passámos também a desenvolver outros interesses e contactos.

Com Emmett esta mudança de atitude não se notou tanto, porque embora ele fosse o mais velho era também o mais acriançado. Emmett era uma criança grande, tal como dizia Esme. Já Edward, a partir de certa altura, passou a ser muito diferente. Mais retraído que o normal, afastava-se de nós, não participando nas brincadeiras. Até que… eu também comecei a crescer e percebi que o que sentia por ele não era igual ao que sentia por Emmett. Apaixonei-me.

Estávamos em Aspen a passar duas semanas num ski resort. Fiz uma luxação num pé durante as sessões de ski, logo no segundo dia, e tive que ficar confinada ao hotel enquanto os outros se divertiam. Todos menos Edward, que passou o tempo quase todo junto de mim a fazer-me companhia e a ouvir os meus lamentos por não poder ir lá para fora. Um dia, cansou-se de me ouvir e saiu, quando voltou trazia um saco pesado nas mãos. Levou-me para a casa de banho, sentou-me na banheira e despejou o saco em cima da minha cabeça.

Neve!

Eu não podia ir até à neve por isso ele levou a neve até mim.

Devia estar furiosa porque detestava que me obrigassem a fazer coisas que eu não queria, mas quando senti o frio da neve da minha cabeça, desatei às gargalhadas. Fiz uma bola de neve e atirei-a contra a cara dele. Inicialmente ficou surpreendido mas logo de seguida acompanhou-me nas gargalhadas. Passados vinte minutos, estávamos os dois na banheira, completamente ensopados porque a neve derretera, mais felizes do que se estivéssemos no exterior.

Quando parei e olhei para ele, a minha respiração parou. Com o cabelo molhado, todo desordenado, e corado pela nossa brincadeira, Edward estava lindíssimo. Nunca o tinha visto dessa forma antes. Foi nesse momento que soube que o queria para mim. Levei uma mão aos seus lábios e, num impulso, falei o que sentia.

- Amo-te.

Ele estremeceu e passou a sua mão pelo meu rosto com suavidade. Vi o seu rosto sofrer uma série de modificações. Primeiro esperança e ternura, depois medo e tristeza. Deixou cair a mão que me acariciava a face e focou os meus olhos.

- Não posso, Bella. Desculpa.

Num segundo estava à minha frente e no segundo seguinte desaparecera. Fiquei ali sentada, sem compreender o que tinha acontecido. Teria feito alguma coisa errada? Eu sabia que ele também tinha sentido qualquer coisa. Eu senti que sim. Levantei-me com rapidez e, a mancar, corri atrás dele. Não estava no quarto, não estava no salão, onde estaria ele? Vi-o através da janela, no exterior do hotel, de costas para a porta de entrada. Tomei a minha decisão. Mesmo molhada e sem roupa apropriada, saí para o exterior para ir ter com ele.

Ele não se apercebeu da minha chegada. Só quando toquei no seu braço é que ele levantou a cabeça surpreendido.

- Bella, não devias estar cá fora. Estás descalça e molhada. Vais ficar doente.

- Diz-me o que se passa. Eu preciso de saber.

Ele desviou o olhar e virou-se de lado.

- Entra e muda de roupa, por favor. Preciso ficar sozinho.

Mas isso era uma coisa que eu não tinha qualquer intenção de fazer. Não, enquanto ele não me explicasse o que se passava na sua cabeça.

- Eu preciso saber, Edward. Não sentes o mesmo? É isso? Eu sei que tu sentes alguma coisa. Pude perceber isso. Conta-me.

- Bella, não insistas. Não quero falar disso. Deixa-me ficar aqui um pouco.

- Edward, eu quero-te para mim.

Quando disse isto, ele voltou-se para mim de boca aberta. Não conseguiu dizer nada. E agora? O que é que eu iria fazer?

Aproximei-me dele e dei-lhe um beijo no rosto. Ele não reagiu. Voltei a aproximar-me tentando beijá-lo nos lábios. Desta vez ele agarrou-me com força e impediu-me de chegar mais próximo.

- Bella! Não podemos. Eu não posso. É errado.

- Errado? Errado como? Desde quando é errado amar alguém?

- Tu és demasiado nova. Demasiado nova para mim.

Estaquei. Não queria acreditar no que estava a ouvir. A idade era o que o impedia de me amar também? Ou seria porque eu não tinha o corpo de uma mulher adulta? Eu não servia para ele? Eu era demasiado nova para ele! Agora eu compreendia. As lágrimas começaram a cair pela minha cara. Sem soluços ou qualquer outro som, só lágrimas, grossas e quentes. Não conseguia pensar em mais nada. Eu não servia para ele. Ele preferia mulheres mais velhas, mais experientes. Afinal, eu não passava de uma adolescente tonta e apaixonada.

Senti-me a ser erguida e levada em braços para dentro do hotel. Ele pousou-me da beira da minha cama e com um “desculpa” saiu, fechando a porta lentamente.

Deixei-me cair de lado, tirei os pés do chão e encolhi-me sobre a cama como se quisesse desaparecer. Fiquei ali a chorar e a odiar a minha idade. Se eu fosse mais velha ele não me afastaria.

Foi assim que Alice me encontrou. Pedi-lhe que fechasse a porta e não deixasse entrar ninguém. Ela saiu uns minutos e quando voltou, trancou a porta e deitou-se ao meu lado. Abraçou-me sem me perguntar nada e deixou-me chorar até adormecer.

Nos últimos quatro dias que passámos na estância de ski, mantive-me tão afastada dele quanto possível, não lhe dirigindo a palavra ou o olhar, sob nenhum pretexto. Ele ainda tentou falar comigo mas eu fiz de conta que não estava presente.

A Alice esperou pacientemente que eu lhe contasse o que se tinha passado, por minha própria iniciativa, mas, quando percebeu que eu não diria nada, teve um daqueles repentes dela e deu-me uma bronca.

- Isabella Marie Swan. Se pensas que te vais escapar desta, sem me contares nada, é porque não me conheces bem. Eu vou infernizar-te todos os dias até ao fim da tua vida. Não queres isso pois não? Chuta. Conta tudo e é já.

Alice não é uma pessoa nada fácil, quando quer alguma coisa não olha a meios para o conseguir. Não tem quaisquer escrúpulos.

- Apaixonei-me pelo Edward, mas ele acha que eu sou demasiado nova para ele. Os meus catorze anos não são suficientes para ele. Sinto muita raiva por não ser mais velha e por ele não ter coragem de assumir que o amor não escolhe idades. Não quero que mais ninguém saiba e não quero voltar a falar deste assunto. Está dito.

Da mesma forma que eu soube que tinha obrigatoriamente que contar o que a Alice queria saber, também ela sabia que, se eu tinha dito que não queria falar mais sobre isso, ela tinha que respeitar, porque eu não iria ceder. Éramos as duas teimosas e sabíamos bem até onde cada uma era capaz de ir, compreendendo e respeitando os limites uma da outra. Creio que era por isso mesmo que nos dávamos tão bem.

O tempo foi passando, e a minha idade aumentava à medida que o amor que sentia por Edward ia amadurecendo. As reuniões familiares que aconteceram ao longo dos quatro anos seguintes, foram dando a perceber que não éramos indiferentes um ao outro, contudo, tanto ele como eu, mantivemos deliberadamente uma certa distância. Falávamos apenas o que era familiarmente exigível e apenas quando havia mais pessoas presentes. Não voltámos a ficar sozinhos nem a falar no que tinha acontecido em Aspen.

Até que, depois de um debate interno muito grande, resolvi que devia tentar a minha sorte e dar uma nova oportunidade a Edward. Assim, delineei um plano para pôr em prática no dia do seu aniversário. Os meus quase dezoito anos seriam suficientes para ele?

Edward estava a tirar medicina em Harvard e eu acabara de ser aceite em Stanford para seguir Biologia. Cada um na sua ponta do país. Porém, a distância nunca tinha sido uma dificuldade na nossa família. A única coisa que importava era o que eu sentia. E eu sentia-me mulher suficiente para ele.

Estava a terminar o meu senior level e em breve estaria em Bordighera a passar as minhas últimas férias antes de ir para a Universidade. Finalmente sairia de casa e iria viver a minha vida, coisa que na verdade eu já fazia. Para todos os efeitos, embora vivendo com o meu pai, este último ano, tinha passado muito mais tempo sozinha que acompanhada. A Alice já estava na Universidade, pelo que nos víamos poucas vezes. O Charlie quase nunca parava em casa por causa do seu trabalho. A minha mãe tinha passado dois meses comigo mas sentira tanto a falta do clima da Ligúria que a convenci a voltar para lá. Eu gostava de estar sozinha, viver por minha conta e tomar as minhas próprias decisões.

Quando uma pessoa está mentalmente preparada para viver sozinha, também está preparada para assumir um relacionamento. Será que ele conseguiria ver o meu amadurecimento e me aceitaria? E se ele já tivesse outra pessoa?

Precisava de uma cúmplice e não existia ninguém melhor que a Alice para desempenhar esse papel. Primeiro porque é minha irmã e a minha melhor amiga, segundo porque é arrojada e faz qualquer coisa para garantir que consegue o que quer. Neste caso, era o que eu queria, mas isso não fazia qualquer diferença para ela. Convencemos o Emmett a preparar uma festa de aniversário surpresa para o irmão, em Cambridge, Massachusetts.

Combinámos que iríamos esperar por Edward num club em Kilmarnock Street, onde ele costumava ir ouvir um amigo tocar. É claro que tivemos que envolver o tal amigo. Foi dessa forma que conhecemos Jasper.

Para o nosso pai, Alice e eu, dissemos que íamos para Itália ter com a Renée e ele nem se deu ao trabalho de lhe telefonar a dizer quando íamos, já que o normal era passarmos as férias com ela, onde quer que fosse. O que fizemos na verdade foi voar para Boston, para nos encontrarmos com Emmett, pois iríamos todos juntos para o tal bar no dia seguinte.

Tinha comprado uma guitarra para oferecer a Edward, e escrevi um bilhete para a acompanhar com uma mensagem esclarecedora em jeito de convite. Tudo iria depender da reacção dele. Tremia ao prender o pequeno envelope no gigbag.

Uma hora antes da chegada prevista de Edward, estávamos à entrado do bar a conhecer Jasper e a sua irmã, Rosalie. Inicialmente estávamos os cinco um pouco sem saber o que dizer mas rapidamente nos sentimos à vontade uns com os outros. Não sei se foi por causa de Alice e Emmett saberem o que eu ia fazer e por isso haver um clima de romance no ar, mas Emmett e Rosalie sentiram-se imediatamente atraídos um pelo outro. Foi tão palpável que ficámos todos surpreendidos, eles e nós.

Emmett tinha-nos deixado perto da entrada e foi estacionar o carro. Eu e Alice encaminhámo-nos para a entrada. Estavam duas pessoas no hall como se estivessem à espera de alguém.

- Jasper? – Perguntou uma Alice sorridente e com a maior cara de pau. Ele confirmou com um aceno de cabeça e Alice logo se lançou na sua direcção dando-lhe um beijo na cara. – Eu sou a Alice. Esta é a Isabella. O Emmett foi estacionar o carro.

- Oi Alice. – Virou-se para mim e inclinou a cabeça. - Isabella. Sejam bem-vindas. Espero que não tenham apanhado muito trânsito. Apresento-vos a minha irmã Rosalie.

Neste momento entra o grandalhão do Emmett a rir por causa de qualquer coisa que viu ou ouviu, ou então por nada em particular, ele ri-se por tudo e por nada. Parou à nossa beira, cumprimentando Jasper com uma palmada no ombro.

- Há quanto tempo, pá. Como vão as noitadas?

- Oi Emmett. Está tudo porreiro. Ainda não conheces a minha irmã, pois não? Chama-se Rosalie.

Emmett olhou para a loura escultural que estava junto de Alice e arregalou os olhos. Avançou para ela, pegou-lhe na mão e sem desviar o olhar, puxou-a para mais perto de si.

- Extraordinária Rosalie.

- Rose. Para os amigos é Rose.

A partir daí, não largaram mais a mão um do outro e passaram a noite o mais próximo possível.

A minha ansiedade atingiu-me com toda a força quando, da mesa de canto onde estávamos sentados, vi Edward entrar, lindo e charmoso. Ele foi andando por entre as mesas à procura de Jasper e quando nos viu, estacou. Ficou parado por uns segundos com um sorriso a abrir-se lentamente e os seus imensos olhos verdes a brilhar. Juntou-se a nós sentando-se no único sítio disponível, deixado propositadamente à minha beira.

- Parabéns. – Dissemos todos em simultâneo.

- Que bela surpresa. Obrigado a todos.

Visivelmente emocionado foi cumprimentando um a um.

- Jasper, era este o motivo pelo qual a minha presença era imprescindível hoje?

- O teu irmão teve a ideia, eu só o ajudei a pô-la em prática.

-Oi Rose, estou a ver que já conheces o chato do meu irmão. – Emmett tentou dar-lhe uma palmada mas Edward conseguiu desviar-se. Ainda a rir, virou-se para mim e Alice. – Então meninas, estavam de passagem e resolveram vir ver-me?

- Claro que sim. Como podíamos evitar? E estamos efectivamente de passagem. Temos que ir para Bordighera. Tu vais quando? Este ano não podes faltar.

- Ainda não sei, Alice. Estava a pensar em não ir mas a Esme anda a insistir.

- Não sejas desmancha prazer, mano. O ano passado não pudeste tirar férias, mas este ano vais ter que tirar. Obrigatoriamente. Eu também vou. Vamos todos.

Este todos parecia abranger mais alguém, o que me deu uma ideia.

- Jasper, vocês também podiam vir; a casa é grande, – propus eu, dando uma piscadela ao Emmett.

- Rose, vais adorar Milão. Podemos tirar uns dias para ir às compras. Já conheces o quadrilatero della moda? – Alice estava a saltitar de excitação.

- Já fiz um desfile em Milão mas não tive tempo para ver nada. Adoraria fazê-lo. Oh Jasper, tens que vir também. Serão aquelas férias de que andamos há tanto tempo a falar.

- Bom, eu gostaria imenso mas não sei se posso ir. Tenho o compromisso aqui no bar por mais duas semanas. Só se fosse a seguir. – Fez uma pausa passando rapidamente o olhar por Alice e acrescentou. – O teu convite é muito gentil, Isabella. Não iríamos incomodar ninguém?

- Não, claro que não. Não te preocupes com isso. A minha mãe é do melhor e a Villa é lindíssima. E por favor trata-me por Isa, condiz mais comigo.

- Nesse caso, Isa, aceito o convite. Obrigado. Será apenas uma questão de organizar as coisas e combinar a data de partida.

Rosalie e Emmett bateram as mãos e gargalharam um para o outro, não percebendo que estávamos todos a olhar para eles.

- Obrigado por teres vindo, – disse-me Edward em voz baixa, ligeiramente inclinado para mim.

Olhei-o directamente nos olhos e, numa tentativa de lhe mostrar uma atitude diferente daquela que era comum entre nós nos últimos anos, sorri abertamente.

- Não faltava por nada. – Aproximei-me ainda mais dele, toquei-lhe na mão que estava por baixo da mesa e falei-lhe junto ao ouvido. – Tenho uma prenda para ti.

A surpresa ficou estampada no seu rosto e os olhos fulgiram.

Passámos a tarde toda no bar e para nosso regozijo, Jasper e Edward subiram ao pequeno palco onde tocaram algumas músicas bem divertidas e envolventes. No fim, Edward tocou uma música calma ao piano que eu podia jurar ser para mim, pela forma como ele me olhou.

Acabámos por ir jantar a um restaurante tradicional, perto do bar. Alice viu-se na obrigação de distrair Jasper, uma vez que Rosalie e Emmett continuavam abstraídos do mundo, de tal forma estavam vidrados um no outro, e eu passei a noite a fazer pequenas provocações a Edward. Ele não reagia mas também não se afastava de mim. Quando saíamos do restaurante tropecei e Edward teve que me segurar com força para eu não cair. Aproveitei a ocasião e agarrei-me a ele, encostando-me ao seu corpo.

- Tenho a tua prenda em casa do Emmett. Vens connosco até lá?

- Bella…

- Isa, – corrigi. – Chama-me Isa. Isa é um nome mais apropriado para uma mulher adulta e independente.

Ele engoliu em seco. Olhou-me com uma expressão que não consegui entender. Fúria? Desgosto? Revolta? Dor?

- Acho que temos que conversar.

- Vem até lá casa. Hoje. Agora.

- Não sei se será boa ideia, Bella.

- Isa, querido. Principalmente para ti, o meu nome é Isa.

Vi-o abanar a cabeça meio ausente e dirigir-se ao Emmett. Quando voltou, trazia qualquer coisa na mão e estava irritado.

- Vamos. – Esta ordem foi dada em voz rouca enquanto me segurava por um braço e me rebocava dali para fora.

- Ei, o que estás a fazer? Isso é jeito de tratar uma senhora?

- Não. É o jeito de tratar uma menina mimada que se julga senhora mas não sabe comportar-se como tal.

Fiquei tão furiosa que não consegui articular uma só palavra. Quando abri a boca para falar, ele não me deixou.

- Shhhhh. Não digas nada. Caminha, Bella. Não querias que eu fosse a casa do meu irmão? Pois é mesmo para lá que vamos.

- Isa.

- O que quiseres. Isa. – Disse o meu nome num tom estranho.

Chegámos ao parque de estacionamento, entrámos no Volvo e dirigimo-nos ao Apartamento de Emmett. Não dissemos mais nada até já estarmos dentro de casa. Edward fez-me sinal para eu me sentar no sofá, mantendo-se de pé e passou a mão pelos cabelos num gesto nervoso.

- Agora, podes dizer-me o que queres de mim? – A sua voz indiferente contrastava com os seus gestos.

Era chegado o momento. Deveria ser honesta ou arrastar a situação até perceber se ele ainda teria algum interesse em mim? Resolvi dizer a verdade, nua e crua. De que serviria eu ter vindo até Boston se não me abrisse com ele?

- Tudo. Eu quero tudo de ti. – Tentei encará-lo sem hesitações mas no fim não aguentei a pressão e desviei o olhar.

Ficámos em silêncio, durante o que me pareceu uma eternidade. Levantei-me e virei-lhe as costas, dirigindo-me à janela que dava para a rua movimentada.

- Já sou adulta. Dentro de algumas semanas faço dezoito anos. Vou para a Universidade e residirei sozinha. Sou uma mulher independente. – Vacilei quando disse mulher. Inspirei profundamente e continuei num tom mais baixo mas seguro. – Há quase quatro anos rejeitaste-me por ser nova demais. Estou a dar-te uma nova oportunidade. O que sinto por ti não desapareceu. – Arranjei coragem não sei onde e voltei-me de frente para ele. – Queres-me agora, aqui, no presente, ou continuas a achar que não sou mulher suficiente para ti?

Estava furiosa, o medo que sentia em ser preterida novamente fez-me jogar ao ataque e reagir dessa forma. A minha ira era tão grande que tinha lágrimas na iminência de cair.

Ele percorreu rapidamente a distância que nos separava e acariciou-me o rosto.

- Desculpa ter-te magoado dessa forma, não era minha intenção causar-te tanta dor. Custou-me muito afastar-me de ti. Eu não queria mas era preciso. Tu eras uma menina de catorze anos, não podia prender-te a mim só porque era minha vontade.

- Tu também me querias? – A minha voz foi-se a baixo, tal como a barreira que impedia as lágrimas de cair. Encostei a minha cabeça ao seu peito para ele não ver que estava a chorar.

- Claro que queria. Apaixonei-me por ti quando… tu eras ainda mais menina. – Dizendo isto abraçou-me apertando-me contra o seu corpo.

- Mas tu rejeitaste-me tão friamente.

- Não, eu afastei-me. O frio era da neve. – Pelo seu tom percebi que estava a rir.

- Tonto.

Ficámos ali abraçados a assimilar a nova realidade. Paraíso na Terra. Sentia-me tão feliz e leve que sorria feito uma imbecil. Depois, percebi que ele ainda não tinha respondido à minha questão.

- E agora, queres-me?

A sua gargalhada ressoou pelo apartamento.

- Agora a tonta és tu. Claro que te quero, muito. Talvez demasiado.

Soltei-me do seu abraço e, segurando-o pela mão, levei-o comigo até ao quarto onde tinha ficado com a Alice. Peguei no gigbag, que ainda apresentava as etiquetas da companhia aérea e dei-lho.

- Comprei isto para ti. Vi-a numa montra e pareceu-me que irias gostar dela, assim que olhei para ela pensei em ti. Parecia que ela me estava a dizer o que fazer.

Ele abriu o gigbag e pegou na guitarra. Passado algum tempo, deixou-a cair suavemente em cima da cama e pegou no meu rosto com as duas mãos. Fixou o olhar no meu e, muito lentamente, baixou a cabeça encostando os lábios aos meus. Foi mais forte que eu; se primeiro paralisei com a suavidade do seu toque, logo lancei os braços à volta do seu pescoço, ficando em pontas dos pés. Senti arrepios a percorrerem o meu corpo e toda a minha atenção estava em Edward e nos seus lábios colados aos meus. A casa podia desabar que eu não daria por nada. Após algum tempo afastámo-nos ligeiramente, para podermos respirar.

Com uma mão nas minhas costas e outra à volta da minha cintura, pressionando o meu corpo contra o dele, os nossos corpos não podiam estar mais juntos. Passei as mãos pelos seus cabelos e procurei os seus lábios novamente. Impeli a minha língua a entrar na sua boca e explorá-la, desencadeando uma luta no desejo por satisfação. O calor e o gosto da boca dele inebriaram-me. A mistura de sabores dos dois pareceu-me do mais sublime possível; era como se um completasse o outro, originando um sentir único e inigualável. Este segundo beijo foi selvagem e sôfrego, como se a nossa sobrevivência dependesse disso. Edward abraçava-me ainda com mais força e com mais urgência.

Parávamos para respirar e voltávamos novamente a esta descoberta de lábios, hálito e sabor. À medida que o tempo foi passando, a impetuosidade foi dando lugar à ternura e à serenidade. Aprendemos que o desejo pode ser vivido a diversos níveis, todos eles muito deliciosos.

Acabámos por ficar ali deitados na cama, abraçados um ao outro, beijando-nos e conversando. Edward corou quando leu o cartão que acompanhava a guitarra e optou por não fazer qualquer comentário. Acabei por adormecer inebriada pelo seu cheiro.

Acordei ao nascer do dia, com Edward a dedilhar com desenvoltura e suavidade as cordas da guitarra. Estava sentado ao fundo do quarto e olhava para mim fixamente.

- Não posso tocar-te como toco as cordas desta ou de outra guitarra. Tu és melhor que tudo mais. A ti tocarei sempre como o bem mais precioso que tenho, porque é isso que tu significas para mim. Tu és a melhor parte da minha vida.

publicado por Twihistorias às 21:01

Abril 2013
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
11
12
13

14
15
18
19

22
23
24
27

28
30


mais sobre mim

ver perfil

seguir perfil

32 seguidores

pesquisar neste blog
 
Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

O nosso facebook
facebook.com/twihistorias
Obrigatório visitar
summercullen.blogs.sapo.pt silvercullen.blogs.sapo.pt burymeinyourheart.blogs.sapo.pt debbieoliveiradiary.blogs.sapo.pt midnighthowl.blogs.sapo.pt blog-da-margarida.blogs.sapo.pt unbreakablelove.blogs.sapo.pt dailydreaming.blogs.sapo.pt/ http://twiwords.blogs.sapo.pt/
Contador
Free counter and web stats
blogs SAPO