05
Jun 13

Capítulo 41

Tinha passado exactamente 5 dias desde a revelação da Bella.

Desde aí não conseguia dormir direito e muito menos comer. Qualquer tipo de sensação no estomago era razão de alarme. O Dr. Carlisle examinava-me todos os dias. Mas não sabíamos o que fazer, apesar de não ser a primeira gravidez vampiro-humana, eram tão escassas que não se sabia quando é que as mesmas se manifestavam.

Hoje era a audiência final.

Nos últimos dias ouvi relatos de médicos, policias, peritos no assunto, psiquiatras, amigos do Chester e antigos amigos meus, familiares do Chester. O Ethan também testemunhou assim como o meu amigo Ryan. Quem mais me surpreendeu foi mesmo a Rebecca testemunhar a meu favor. Divulgou a toda a gente o que tinha inventado ao Ethan e até me pediu desculpa. Até eu fui obrigada a testemunhar. Um testemunho sem qualquer tipo de emoção, com um muro bem alto para me proteger como sempre dos olhos alheios. Fui obrigada a revelar todos os pormenores da violação, a reviver tudo mais uma vez.

Em contrapartida, quem mais surpreendeu toda a audiência foi o testemunho da Cassie e da Faye. Ambas também foram vítimas do Chester. À minha semelhança ambas usavam o cabelo curto e pintado. A Faye usava um cabelo vermelho e e Cassie usava o cabelo preto, assim como eu.

A violação da Faye aconteceu 6 meses antes da minha, a Cassie aconteceu à pouco mais de um ano. A de cabelo vermelho ganhou coragem pela primeira vez de assumir o que lhe tinha acontecido. Disse que não falou mais cedo, porque à minha semelhança teve vergonha. Já Cassie não falou antes por medo, uma vez que o Chester se dava demasiado bem com a sua irmã, ela tinha medo que ele fizesse alguma coisa à irmã dela para se vingar. Falou agora porque já não havia perigo e porque era injusto eu ser presa por ter feito “o que estava certo”.

No entanto, fez questão de antes de abandonar o tribunal me dizer que não o fez por mim. Aliás, que me odiava a mim e a todas as outras por não termos feito queixa dele. Por não termos tido a coragem na altura. Porque se o tivéssemos denunciado na altura, talvez ela agora não vivesse num inferno. Talvez conseguisse ter a vida com que sempre sonhou. Conseguisse confiar nas pessoas. Não ter medo de um simples “Olá”.

Na altura não lhe respondi. Como o poderia fazer? O que poderia ter dito? Todas as acusações que ela proferiu foram verdade. Se na altura tivesse falado, talvez ela agora ainda fosse uma menina normal. Talvez se a Faye tivesse falado na altura, eu ainda fosse normal.

No fundo passei a “odiar” a Faye e todas que me antecederam no caso Chester.

Ouvi um bater na porta do meu quarto.

-Entre! – disse de forma monótona.

À semelhança dos outros dias, Ethan adentrou pelo meu quarto com uma bandeja recheada de comida para o meu pequeno almoço. E mais uma vez torci o nariz perante aquele montante de comida.

Só de olhar ficava enjoada. E só o pensamento “enjoos” fazia com que o meu estomago desse um nó.

Não podia estar gravida. Não queria.

Bella tinha-me explicado algumas coisas da sua própria gravidez e das duas uma, ou morria ou virava vampira. O problema é que não sabia qual das duas opções queria escolher.

Porquê que não poderia continuar como sou agora? Apesar de não gostar muito desta Kelsi, eu gostava do conhecido.

E principalmente gostava de poder ter uma opção de escolha. Eu queria poder escolher se queria ser humana, vampira ou ainda morrer.

No entanto, basicamente aquilo que o Bentley me tinha feito era colocar entre a espada e a parede, ou vês o teu filho crescer ou não! Sim, porque era só isto que eu conseguia pensar quando olhava para ele. Era como se ele me tivesse traído.

Não me tinha deixado escolher ficar com ele por livre vontade. Não! Tinha que colocar uma possível criança no meio.

Não conseguia ver ou pensar no Bentley sem sentir raiva.

-Tens que comer Kelsi. – os meus pensamentos foram interrompidos pela voz de Ethan que pousava agora a bandeja à minha frente e se sentava à minha frente na cama.

-Não consigo. – a minha voz foi realmente sincera. Para além dos nervos do possível hipotético bebé, do Bentley, tinha o final da minha audiência. Os júris tinham chegado ontem à noite a uma conclusão.

-Consegues Kelsi, eu estou aqui para o que der e vier. Tudo vai correr bem. – a voz do Ethan era doce e calma.

Sabia que ele não se referia apenas ao final da audiência, mas também à possibilidade de eu ter um bebé.

Era isso mesmo a impressão natural. Nestes últimos dias tinha finalmente compreendido o que era a impressão natural. E compreendi que a coisa não funcionava num só sentido. Eu não conseguia ficar longe do Ethan, tínhamos uma ligação tão forte, tão unida que era simplesmente impossível não passar um dia sem ouvir a voz dele, sem o ver.

E apesar de muita gente pensar que era amor, não, é diferente. A impressão natural é algo mais do que amor, é querer o bem do outro não importa o quê. E apesar de ser forte a nossa relação para mim, imagino que seja mais forte no lobo.

No entanto, não podia admitir que estava apaixonada pelo Ethan. Quer dizer, talvez até estivesse, mas também não podia negar os sentimentos que tinha pelo Bentley apesar de tudo.

Estava tão confusa a minha cabeça.

A única coisa que sabia é que queria aproveitar o facto de ter ali o Ethan.

Sorri e lá peguei numa torrada e fiz um esforço para comer.

-Estás a ver, não é assim tao difícil. – disse ele pegando noutro pedaço de torrada. Sorriu para mim e deu a primeira dentada.

Sorri perante o seu jeito infantil, por vezes fazia lembrar-me o Jackson. Como sentia saudades do meu menino.

O meu sorriso começou a desaparecer. Apercebi-me da possibilidade de estar gravida novamente, e de que este bebe nunca seria o Jackson, nunca teria os mesmos traços. Não seria o Jackson.

Dei por mim a desejar que fosse uma menina, para não haver riscos de comparações.

-O que foi? – perguntou Ethan.

-Nada, simplesmente lembrei-me do Jackson. Vocês eram tão parecidos. Deu-me saudades.

Ethan levantou-se depois das minhas palavras e enfiou-se na cama comigo. Abraçou-me e consolou-me.

-Tenho a certeza que onde ele está, está a olhar para ti e tem demasiado orgulho em ti. E um dia nós iremos para perto dele e vamos matar as saudades todas. Aliás, agora tens que te preocupar contigo e com… - não terminou a frase, apenas olhou para a minha zona abdominal.

Ainda lhe custava falar no bebe que eu provavelmente teria a formar-se dentro de mim. Não o forçava a falar nisso, o mais certo era ser incómodo para ele falar nisso. Apesar de uma pequena parte de mim querer falar sobre isto com alguém que eu conhecesse e me sentisse À vontade.

Não tinha nada contra a família do Bentley, mas eu não os conhecia assim tão bem. Apesar de simpáticos, eu tinha acabado de conhecer aquelas pessoas.

-Sim, eu sei… - disse de forma a protege-lo daquela conversa.

-Kelsi, sabes que eu te adoro, certo? Que faço qualquer coisa para te ver feliz. – acenei com a cabeça. – Apesar de ter evitado falar nisto, porque me custe, sabes que te vou apoiar aconteça o que acontecer. A ti e a esse bebé. – por fim, ele falou. Enrosquei-me um pouco mais nele, sabia bem sentir o calor que emanava dele. – Kelsi, posso odiar o pai da criança, mas amo a mãe, e nada nem ninguém lhe vai fazer mal. Prometo.

-Obrigado. – pronunciei enquanto o abraçava por baixo dos cobertores.

Fechei os olhos e foi como se recuasse no tempo. Sentir os braços do Ethan a circundar o meu corpo, ouvir a voz dele a dizer o quão importante eu era para ele. Que sensação de deja-vu.

Ethan continuou a falar, mas o significado das palavras dissipavam-se no ar. Apenas relembrava os momentos em que eu era uma menina normal, que o maior dos meus problemas era se tinha estudado o suficiente para o teste do dia seguinte.

Era bom estar naquela realidade alternativa, como desejava poder voltar aquele tempo.

Estava tão absorta nos meus pensamentos que dei por mim a beijar o Ethan. Foi um beijo como à muito tempo não dava, um beijo tão familiar para mim.

Parecia que o beijo ganhava vida a cada segundo, que contagiava todo o nosso corpo.

Era como se aquilo fosse a minha anestesia. E eu necessitava de uma urgentemente para descontrair.

As nossas mãos começavam numa coreografia ritmada de reconhecimento dos nossos corpos.

-Kelsi. – ouvi-o sussurrar o meu nome de uma forma que há muito não ouvia. As borboletas no meu estomago deram sinal de vida. Os meus olhos ainda permaneciam fechados. A única coisa que me fazia saber que não tinha voltado atras era o peso da pulseira electrónica no meu tornozelo.

Os nossos corpos rodaram e senti o peso do corpo de Ethan sobre o meu. O nosso beijo ganhava vida.

Apenas fomos interrompidos com o sonoro barulho do tabuleiro ser derramado da cama.

Ambos olhamos para o chão todo sujo com o leite e sumo derramado na carpete e não conseguimos evitar rir-nos.

Os nossos olhos voltaram a cruzar-se no meio dos sorrisos e o momento foi um pouco constrangedor no entanto sabia bem estar com o Ethan.

Ethan depositou s lábios nos meus mais uma vez.

-Menina Kelsi, apesar de adorar a sua companhia, acho que está na hora de se arranjar. – dizia ele entre beijos. Os meus braços à volta do seu pescoço não o deixavam afastar-se de mim.

A verdade é que não queria que ele parasse de me beijar, isso significava que os problemas iriam todos voltar e eu iria voltar a ser a Kelsi que necessita ser reparada.

Ainda queria esta sensação por mais um tempo. Queria continuar-me a sentir a velha Kelsi por mais uns momentos. Eu necessitava disso.

-Fica só mais um pouco. – pedi enquanto o prendia com mais força e o beijava novamente.

Ethan não lutou contra, ao invés disso senti-o sorrir e entregou-se.

Ao fim de cinco minutos de caricias e beijos, estava na altura de voltar à realidade.

Tinha que me arranjar para aquilo que seria provavelmente o meu último dia de liberdade.

Levantei-me, deixando o Ethan a apanhar as coisas do chão e dirigi-me à casa de banho. Enchi a banheira, coloquei sais de banho, espuma, tudo a que tinha direito e entrei lá para dentro.

Enquanto lá estava, pensei em tudo que me tinha acontecido, no que ainda me poderia acontecer. Passei a mão pelo meu ventre. Qual seria a minha escolha? Sobreviver como vampira ou morrer e não ver o meu filho nascer?

E se não estivesse gravida? Seria tudo mais fácil, mas não era.

Sabia que tinha que escolher entre o Bentley e o Ethan, e não é uma escolha fácil. Como era possível amar os dois de formas tao diferentes?

O Dr. Carlisle viria aqui a casa antes de eu ir para o tribunal. Hoje iria ter que saber se estava de facto gravida ou não.

Era impossível ir gravida de uma criança especial como esta para a prisão. Era simplesmente impossível.

A pele na ponta dos dedos denunciava o longo tempo que já tinha passado naquela banheira. Saí e não consegui evitar admirar-me ao espelho, tentava avaliar se a minha barriga tinha crescido ou não.

“Cresceu” pensei.

Mas depois virava novamente mais um pouco e já parecia igual ao de sempre.

Depois voltava a parecer maior noutro angulo.

Abanei a cabeça na tentativa de sacudir estas ideias e afastei-me.

Definitivamente estava a dar em louca.

Agora era só esperar que o médico viesse e me observasse e desse o veredicto acerca das minhas escolhas, vampira ou morte.

Provavelmente iria escolher vampira, não iria deixar um filho meu sem mãe. Mas eu não me sentia preparada para isso. Eu estou toda quebrada, cheia de defeitos. Ser vampira agora não é o melhor para a minha sanidade mental.

Ouvi a campainha, era ele.

Vesti-me a correr e desci as escadas de encontro ao Dr Carlisle.

Bentley estava ao lado do homem loiro. Um sorriso tímido surgiu nos lábios dele assim que me viu.

Ainda não tinha falado com ele. Recusava-me.

Sabia que estava a ser infantil, mas não queria saber. Ele tinha mais que me alertar que o sistema reprodutor ainda funcionava. Eu sentia-me um pouco traída, como se tivesse sido esta a forma dele me “prender” a ele.

Como se me tivesse privado da escolha.

-Vou deixar-vos falar um pouco – disse o doutor – Senhora Miller, será que me pode fornecer um copo de água. – disse à minha mãe que prontamente lhe indicava o caminho para a cozinha.

Vampiros não bebem água, por isso foi mesmo a desculpa de “vocês tem que falar”.

E afinal de contas, ele tinha razão, nós tínhamos que falar.

Dirigi-me aos sofás fazendo sinal ao Bentley para me acompanhar. Ambos nos sentamos, inicialmente com ele no sofá em frente.

-Kelsi.. – começou.

-Depois volto para te buscar Kelsi. – disse Ethan vindo da cozinha e saiu disparado da casa, sem nem me dar hipóteses de dizer nada.

Mais uma vez tinha feito asneira. Tinha magoado alguém que gostava de mim.

Sentia cada vez mais a necessidade de fazer uma escolha, mas não queria. Esperava sinceramente nunca ter que a fazer.

O mais certo era essa escolha já ter sido feita no momento em que fiz amor com o Bentley, mesmo que inconscientemente, essa escolha tinha-me sido retirada nessa noite. Comigo gravida de um vampiro era simplesmente impossível ficar com o Ethan. Teria sorte se ele falasse comigo depois do bebe nascer e eu ser vampiro, isto se eu escolhe-se ser uma.

Caso não estivesse gravida, seria condenada a uma longa pena de prisão. O Ethan como lobo iria manter-se igual ao que é agora, sem envelhecer. Já eu, quando saísse da prisão serei uma velhota.

Por isso de qualquer das formas, a minha relação com o Ethan está condenada. Pior que isso, é que ele também o sabe.

Então porquê que doi tanto? Porquê que custa dizer adeus aquele que sempre foi o amor da tua vida?

-Lamento muito tudo isto Kelsi. – disse Bentley como se soubesse o que me ia na cabeça. – No momento não pensei nas consequências. Devia ter-te avisado na possibilidade de os vampiros machos ainda terem filhos. Mas juro-te que não me lembrei, nem pensei nisso. Tudo que aconteceu naquela noite foi tão genuino, com tanto amor, tão…

-Eu sei Bentley. – e sabia, ele nunca me iria magoar, nem ser egoísta a este ponto. No fundo eu nunca estive chateada com ele.

Foi quando eu me apercebi de uma coisa.

– Eu não estou chateada contigo, nunca estive. Eu estou com medo. – admiti por fim.

Tinha medo de tudo, da audiência, de magoar mais pessoas, de estar gravida, do desconhecido.

Eu tinha medo!

As escolhas não eram o meu problema, o problema eram as consequências dessas escolhas. Era algo completamente desconhecidas para mim. Eram arriscadas. E eu temia tudo isso.

Detestava admitir a minha fraqueza, mas ela estava lá. A minha maior fraqueza era o desconhecido, e quando a enfrentava erguia o meu muro tão alto que era quase impossível penetrarem.

-Eu estou aqui Kelsi, para tudo. O Ethan também está aqui. A tua mãe. Toda a gente está aqui para te apoiar. E ninguém vai a lado nenhum. – Bentley levantou-se do sofá e veio sentar-se ao meu lado abraçando-me.

As pazes entre nós estavam feitas.

Afinal de contas, eu também o amava.

-Todos nós te amamos Kelsi. Todos vamos ficar ao teu lado.

Não se eu morre-se, ou se vira-se vampira. Havia pessoas que iriam desaparecer para sempre. E isso magoava-me.

-Eu sei. – disse abraçando-o e depositando um beijo no pescoço dele.

Dois homens que eu amava, e ambos tão diferentes.

-Mas não vão ficar todos por perto muito tempo. A minha mãe não pode saber dos vampiros e o Ethan não vai querer saber de mim depois que eu me torne uma vampira. Isto é se eu não morrer no parto. – disse com toda a sinceridade.

Já tinha escolhido. Iria ficar com o Bentley, afinal de contas iriamos ter um filho. Desta vez iria fazer as coisas direitas, o meu filho iria viver com o pai e a mãe, como uma verdadeira família.

Sim, o Bentley iria ser a minha família. Estava decidido.

Agora teríamos que começar a combinar como é que eu iria escapar à prisão. O quê que eles iriam fazer?

Será que me iriam levar de forma a eu desaparecer sem deixar rasto? E como é que eu iria explicar isso à minha mãe? Será que iria voltar a ver o Ethan?

Só de pensar que nunca mais o veria doía-me o peito. Não me iria despedir. Afinal tivemos a nossa despedida hoje de manhã.

-Bentley. – chamei-o. – Como vamos fazer? Eu não posso ir assim gravida para a prisão?

Ele desembaraçou-se do meu abraço e segurou-me nas mãos. Depois sorriu para mim, apesar de os olhos dele serem um pouco tristes.

-Kelsi, tu não estás gravida. – as suas palavras foram pronunciadas com precisão.

Aquela noticia apanhou-me de surpresa.

-Como é que sabes? Eu não fiz nenhum teste ainda. – disse confusa.

-Soube assim que entrei por aquela porta, assim como o Carlisle. Não há batimento cardíaco Kelsi. Apenas o teu. Tu não estás gravida. – explicou ele.

Oh meu Deus. Eu não estava gravida.

Mas o sorriso que eu esperava não surgiu na minha face. Não senti a alegria que pensava. Já estava tão convencida que estaria gravida que agora que sabia que não estava foi quase como se perdesse um filho e voltava novamente a um desconhecido.

-Tens todas as tuas escolhas em aberto Kelsi. Podes decidir fazer o que quiseres com a tua vida Kelsi.

Voltava tudo ao início.

O quê que eu queria?

Neste momento iria começar por ir a tribunal ouvir a minha sentença. Era algo que já há muito tinha decidido. Iria pagar pelo meu crime. Tudo o resto teria tempo.

Abracei o Bentley e permanecemos ali, ora em silêncio, ora a discutir o que poderia acontecer. Ele já sabia o que iria acontecer, a prima dele, a Alice já tinha visto a decisão dos jurados. Mas ainda assim pedi para ele não dizer nada.

Apenas compreendi que seria condenada. Nada que já não tivesse à espera.

Bentley prometeu-me escrever todo o tempo em que eu lá estivesse, e durante um ano teria visitas dele. Poderia até escolher a altura em que queria essas visitas. No entanto se se prolongasse por mais de um ano, as pessoas iriam estranhar o facto de ele não envelhecer.

Ao fim de algumas horas de conversa, os advogados já la estavam, assim como alguns policiais para me acompanhar ao tribunal, o Ethan com os pais também fizeram questão de estar presentes para apoiar a minha mãe.

Apesar da decepção de não estar gravida, estava feliz por talvez ainda ter a hipótese de escolher. Ainda podia usufruir mais tempo da minha mãe, do Ethan e da minha insignificante vida de humana. Teria muito tempo para fazer as minhas escolhas.

Dirigimo-nos ao tribunal.

Ao contrário dos outros dias, hoje a audiência seria rápida. Era apenas para ler a minha sentença. Os jurados levaram dois dias para chegar a um acordo. Os meus advogados diziam que isso era bom, alguém estava a favor de eu levar uma pena pequena ou mesmo nenhuma.

Patrick, o meu advogado, ainda acreditava que eu fosse absolvida, no entanto Jasper não acreditava nisso. Aliás, ele já sabia de antemão pela mulher o que iria acontecer.

Chegou o momento, todos se levantaram para ouvir as palavras da juíza.

A minha respiração prendeu-se.

Lancei um rápido olhar ao Bentley que me sorriu do fundo do tribunal, depois a Ethan que pronunciou com os lábios “Estou aqui” de forma inaudível e a minha mãe que estava tão ou mais apavorada que eu. Tentou sorrir-me, mas as lágrimas já ameaçavam cair, denunciando assim o seu nervosismo. Foi a minha vez de olhar para ela e à semelhança do Ethan disse-lhe “Eu adoro-te”. Isso fez o seu sorriso abrir-se, mas as suas lágrimas começaram imediatamente a cair. Depois olhei para Emily e Sam, eram eles que iriam ter que apoiar a minha mãe. Contava com eles para isso. Ambos entenderam e acenaram afirmativamente que sim com a cabeça.

Voltei a olhar para a frente.

Uma lágrima caiu no momento em que a juíza Nina se aproximou do micro para dizer a sentença.

-A arguida foi dada como culpada. – ouviu-se o burburinho de fundo, alguns de felicidade, como era o caso da mãe do Chester, e outros de tristeza.

Apesar de já estar à espera, foi como se o meu mundo tivesse desaparecido.

-Assim – continuou ela - o ministério da justiça americano sentencia a arguida, Kelsi Miller, por decisão do júri e corroborada pelos juízes deste tribunal a 24 anos de prisão com revisão da pena aos 7 anos pelo crime de homicídio de Chester Stroup com a atenuante de não indícios criminais e violação.

Vinte e quatro anos de prisão era o que me esperava, mais daquilo que eu já tinha vivido até agora. Iria sair da prisão com 43 anos. Olhei em volta, conseguia ouvir as lamurias da minha mãe. Olhei para Ethan e Bentley, tentei sorrir para eles. Tinha acabado de os perder, ao dois.

Tentei memorizar cada pormenor da face deles, iria sonhar com eles nos próximos anos.

-Concluindo assim o caso Kelsi Miller Vs Chester Stroup – e com isto o martelo bateu e deu-se por terminado este pesadelo.

Agora iria começar um outro.

A minha nova morada vinha a seguir e não iria ser fácil.

publicado por Twihistorias às 18:00
Fanfics:

7 comentários:
Se ha coisa que eu prezo é uma boa história!!

E a I Wish é a melhor fanfic que já li :D

Escreves maravilhosamente e nao te esqueces da continuidade. Nem das caracterizações. Senti-me mesmo a assistir a tudo. Fico muito triste por esta história estar quase no fim.Mas estou a torcer pelo final feliz que a kelsi merece!
Ana Filipa a 5 de Junho de 2013 às 19:31

Bem... Mais um capítulo soberbamente escrito! Espero impacientemente pelo último, quero saber o que tens destinado para a Kelsi. Já tens alguma ideia de como vais acabar a fic?
tixxa a 6 de Junho de 2013 às 16:52

Está mais ou menos estruturado, mas aceito sempre opinioes, por isso é que os coments são tão importantes XD
Podem sempre fazer-me mudar de ideias...ehehe
Leticia a 6 de Junho de 2013 às 16:54

Xiiiiii..... Nem sei! Acho que é a primeira fic que não faço ideia de como queria que acabasse. Apesar de tudo, e para contrariar a saga, estava mais inclinada para o Ethan. Se bem que com ela presa vai ser complicado. Bem, nem sei! Até agora surpreendeste-me sempre nas viragens da história, surpreende-me mais uma vez. O que tu achares que deves fazer faz, sei que vou gostar na mesma. Só não deixes história pendente. Odeio pontas soltas, vou para dormir e só penso que não gostei do final de determinada coisa, ou pior, da ausência dele.
tixxa a 11 de Junho de 2013 às 16:14

Minha nossa! Adorei o capítulo.
Uma vez mais a dor da Kelsi sai do monitor e entra pelo leitor dentro inundando o coração e fazendo sofrer.
Espero que a Kelsi tenha uma final feliz, dentro do possível.
De preferência com o vampiro, claro. rsrsrsrsrsrs
Beijos
Ella Fitz a 6 de Junho de 2013 às 22:56

Obrigado por tudo

Vamos la ver o proximo (e ultimo) capitulo...:p
Leticia a 6 de Junho de 2013 às 23:24

incrível!nem imagino qual será o final da kelsi,esperarei ansiosa o último capítulo!
Marcela thomé a 9 de Junho de 2013 às 02:36

Junho 2013
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
17
18
19
20
21
22

23
24
25
27
29

30


mais sobre mim

ver perfil

seguir perfil

32 seguidores

pesquisar neste blog
 
Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

O nosso facebook
facebook.com/twihistorias
Obrigatório visitar
summercullen.blogs.sapo.pt silvercullen.blogs.sapo.pt burymeinyourheart.blogs.sapo.pt debbieoliveiradiary.blogs.sapo.pt midnighthowl.blogs.sapo.pt blog-da-margarida.blogs.sapo.pt unbreakablelove.blogs.sapo.pt dailydreaming.blogs.sapo.pt/ http://twiwords.blogs.sapo.pt/
Contador
Free counter and web stats
blogs SAPO