09
Jun 13

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B

As nossas férias em Itália foram muito boas. Finalmente tinha Edward para mim, a minha ousadia tinha dado resultado. A sensação que me dava era de poder, não no sentido de ser mais forte que os outros, mas no sentido de me sentir tão feliz que nada me poderia afetar. Tudo à minha volta parecia ter contornos mais suaves e cores mais vivas, não existindo sofrimento crónico nem nada sem solução. No fundo sabia que as coisas não eram bem assim mas queria aproveitar este estado de graça enquanto podia. Dizia todos os dias em voz baixa, como se fosse uma prece: vive o momento, amanhã é outro dia. “O amor triunfa sobre tudo, cedamos também nós ao amor”*.

 *(N. A.) Virgílio (Bucólicas)

Durante a viagem aconteceram coisas fantásticas - algumas só me apercebi delas mais tarde - que tiveram repercussões na nossa família.

A Rose e o Emmett que já se sabia terem apenas olhos um para o outro, ultrapassaram a barreira da mera atração física para descobrirem que estavam mesmo apaixonados e que não fazia sentido algum viverem um sem o outro. Assumiram-se como casal perante todos quando, na chegada da viagem, Carlisle lhes pregou uma partida a propósito de ainda não conhecer Rosalie oficialmente. Tinha sido a primeira vez que Emmett tinha levado uma namorada para casa, o que era, por si só, revelador do forte sentimento que nutria por ela. Assim, foi em família que ele pediu Rosalie em casamento, numa das raras ocasiões em que o vi nervoso. Com seriedade e paixão, fez uma declaração de amor que nunca pensei ouvir da sua boca. Rose aceitou, no meio de lágrimas e sorrisos, recebendo de seguida os parabéns de todos.

Só o Emmett para, apenas num mês, conhecer uma mulher, apaixonar-se perdidamente por ela e passar de desconhecido a noivo. Embora fosse notório que se amavam, Carlisle e Esme convenceram-nos a esperar algum tempo pelo casamento. Primeiro ele teria que acabar o seu curso e arranjar um emprego que lhe desse alguma estabilidade. Emmett cedeu mas foi dizendo que já trabalhava, que era financeiramente independente, e que ele e Rose iriam equacionar a hipótese de viverem juntos antes de casarem, independentemente da aprovação da família.

A grande surpresa aconteceu com Alice e Jasper. Alice desenvolveu uma espécie de paixão por Jasper que variava entre a adoração e a exasperação. Ela gostava do jeito calmo dele, da sua perspicácia, da sua integridade e responsabilidade, mas ficava igualmente furiosa com a sua introspeção, falta de diálogo e excesso de ponderação nas ações. Face a tudo isto ela provocava-o mais e mais e ele reagia ficando ainda mais retraído.

No último dia em Veneza, quando eles passaram parte da noite no mesmo quarto, para eu poder estar com Edward, tiveram uma conversa muito peculiar que Alice me contou depois de regressarmos à Villa.

Contou-me que, quando regressou ao quarto, encontrou Jasper sentado na cama mais pequena a dedilhar em cima do lençol e a escrever num papel todo rascunhado.

- Boa noite. Ainda não estás a dormir?

- Estou a escrever.

- A quem? À tua musa inspiradora? – Troçou Alice.

- Sim.

- Fazes bem, deve ser bem idiota para gostares dela.

- Talvez.

- O que diria ela se soubesse que eu te beijei?

Ele limitou-se a encolher os ombros.

- Não tens nada a dizer sobre isso?

- Podes repetir?

- Repetir o quê? A pergunta ou o beijo?

Ele riu-se, arrumou as folhas no bolso do seu saco de viagem e deitou-se.

- Dorme bem, Alice. Até amanhã.

- Até amanhã, Quasimodo. Sonha com ela.

- Dorme bem, Esmeralda.

A conversa terminou por ali, sem haver resposta à pergunta feita por Alice. Porém, ela acabou por descobrir quem era a tal musa de Jasper ao coscuvilhar no seu saco e encontrar as folhas onde ele tinha estado a escrever nessa noite. A partitura tinha apenas um título “Alice”. Impulsivamente, quando ele entrou no quarto para levar as malas para o carro, ela deu-lhe um beijo leve e murmurou “obrigada”, saindo em seguida sem lhe dar qualquer hipótese de reação.

Alice contou-me todos os detalhes de que se lembrava e foi com um brilhozinho nos olhos que referiu os beijos que tinham trocado e o sorriso que ele lhe deu quando entraram no carro para fazerem a viagem de regresso. Ainda a questionei sobre o estar ou não a apaixonar-se mas ela disse categoricamente que não, era apenas “atração física”. Eu nunca a tinha visto assim, mas o Jasper era realmente muito bem-parecido e possuía tudo o que era necessário para chamar a atenção da minha irmã. A sua timidez e a sua áurea de mistério exerciam um poder enorme sobre Alice. Ela sempre adorou enigmas e desafios.

Imprevisivelmente, a nossa família estava a aumentar e a assumir uma nova dinâmica. Eu andava felicíssima com o meu namoro escondido, tanto que sabia que acabaríamos por ser apanhados mais tarde ou mais cedo. Durante a reunião familiar protagonizada por Carlisle, o Edward ainda me olhou perguntando-me silenciosamente se nos assumíamos também, mas eu não me senti capaz. Havia qualquer coisa que me dizia para não o fazer. Edward aceitou a minha decisão embora eu tenha notado que ele não compreendia o porquê. Teríamos que falar sobre isso o quanto antes, porém ao longo do dia não houve um só momento em que ficássemos sozinhos.

À noite, quando fui para o quarto, procurei encontrar razões para esta minha insegurança, não conseguindo encontrar nada. Tinha apenas uma sensação desagradável cada vez que pensava em contar aos meus pais que namorava. Iria esperar por Edward para conversarmos.

Tomei um banho para relaxar e vesti uma lingerie sensual. - Já tinha decidido que queria fazer amor com Edward, pelo que o momento certo podia surgir a qualquer altura, teria que estar preparada. - Mesmo sabendo que, muito provavelmente, não aconteceria nada esta noite, dada a conversa que tínhamos que ter, acendi várias velas pelo quarto que libertaram um aroma bem agradável. Recostei-me na cama, peguei num livro e esperei por ele.

Quando ele surgiu, batendo na porta da sua forma característica, eu estava tão impaciente que já estava a ponderar se haveria de ir eu mesma ter com ele ao seu quarto. Suspirando de alívio, corri até ele, lançando-me nos seus braços.

- Hummmm. Isso é tudo alegria por me ver? Que bom. – Disse ele, rindo mas não me largando.

- Eu… pensava que já não vinhas e preciso de te dizer uma coisa.

Ele encaminhou-me até à beira da cama e fez-me sentar, fazendo o mesmo.

- Diz. Tens toda a minha atenção.

Fixou os meus olhos à procura do motivo do meu nervosismo e prestando atenção a todos os meus movimentos. A minha respiração era irregular e as minhas mãos retorciam-se, uma na outra.

- Eu tenho medo de contar aos meus pais que estamos juntos. – Falei tudo de uma só vez e depois calei-me, pedindo-lhe, com um gesto, para que não dissesse nada. Respirei fundo e continuei a minha explicação. – Eu não sei porquê, mas tenho um pressentimento nefasto, como se houvesse alguém ou alguma coisa a dizer-me que isso seria o nosso fim.

Edward abraçou-me forte, suspirou profundamente e nada disse.

- Não quero perder-te, - acrescentei num fio de voz.

- Pensei que não estivesses segura da nossa relação, – disse ele após um longo silêncio. – Esse teu medo não tem nada a ver comigo? É só com a reação dos teus pais?

Acenei a cabeça positivamente. Ele levantou-me o rosto com as duas mãos e voltou a encarar-me como se procurasse alguma coisa escondida no meu semblante, ficando à espera que eu dissesse alguma coisa que o esclarecesse nas suas dúvidas.

- Nós não precisamos de dizer nada a ninguém. Eu também fui aceite na universidade de Boston, posso ir para lá em vez de ir para Stanford. Ficamos próximos o suficiente, para nos vermos todos os dias ou quase todos os dias. Se tu quiseres que eu esteja contigo, claro, – disse eu, um pouco envergonhada por estar a fazer planos à sua volta.

Eu não sabia explicar-lhe o meu medo, nem para mim conseguia fazê-lo, eu só tinha a certeza que não podia correr o risco de o perder.

- Bella, minha Bella. Bellissima. Eu quero tudo o que for melhor para ti e sim, sou suficientemente egoísta para te querer junto a mim.

Aproximou a sua cabeça da minha e beijou-me com ardor. O meu alívio fez transbordar os meus olhos e ele beijou cada uma das minhas lágrimas enxugando o meu rosto e fazendo-me desejá-lo ainda mais.

- Fica comigo, preciso de ti para ser feliz.

- Sempre, sempre. Serei sempre teu.

A necessidade de nos prendermos um ao outro, como se quiséssemos impedir que alguém nos separasse, levou-nos a intensificar ainda mais os beijos e as carícias e a aumentar o toque dos nossos corpos. Edward deslizava as suas mãos pelo meu corpo, afastou o robe, e começou a beijar-me o pescoço e o peito. O contacto das suas mãos na minha pele causava-me arrepios.

Deitou-me na cama e desceu uma mão desde o meu rosto até às minhas pernas, subindo num contacto mais íntimo e parando nos meus seios. Sem parar de me beijar, estendeu-se ao meu lado e puxou-me para cima dele, demorando as suas mãos nas minhas ancas. Lentamente, foi tacteando as minhas costas, fazendo-me arrepiar e tremer, enquanto murmurava o meu nome. Virou-me novamente, desta vez ficando ele por cima, e de repente afastou-se, rindo do meu protesto e da minha mão que tentava puxá-lo para mim. Sem compreender o que ele pretendia, senti-o beijar-me os pés e subir pelas minhas pernas, deixando um rasto molhado e quente. Sobressaltei-me quando ele beijou as minhas calcinhas e levei, automaticamente, as minhas mãos ao seu cabelo, remexendo sem parar, enquanto ele continuava o seu percurso pela minha barriga. Quando chegou aos meus seios e procurou os meus mamilos, eu não contive alguns gemidos de prazer que o fizeram tapar-me a boca com uma das mãos num pedido de silêncio. Afundei a cara na almofada para abafar os sons que não conseguia conter. Não aguentando mais, puxei-o para mim e beijei-o com ardor.

- Amor? Tens a certeza que…

Respondi à pergunta que ele me queria fazer, beijando o seu rosto desesperadamente e mordendo-lhe uma orelha. Ele sufocou o seu próprio gemido esmagando a sua boca no meu pescoço e apertando-me ainda mais contra ele.

- Bella. Se avançarmos mais não vou conseguir parar. Estás a pôr-me doido. – A voz de Edward saiu rouca o que me excitou muito.

- Eu quero-te, agora e para sempre. Ama-me, preciso de ti. – Mordi-o outra vez e passei a minha língua pelo seu pescoço. O seu sabor era incrível, jamais iria esquecer este gosto forte e potente.

- Amo-te – disse Edward rendendo-se, por fim, ao desejo.

Ouvi uns sons estranhos que não se coadunavam em nada com o que estávamos a fazer.

- Querida, adormeceste com as velas acesas?

Choque. Parámos repentinamente ao ouvir a voz da minha mãe. Edward ainda teve o sangue frio de puxar o lençol para nos tapar e segurar a minha mão que, tal como eu, tremia completamente descontrolada. Nunca anteriormente, nos meus quase dezoito anos de vida, me senti tão exposta e tão humilhada.

- Bella! Edward? Mas… O que vem a ser isto? - Renée falava bastante alto e encolerizada. – Vocês não têm vergonha?

-Mãe, nós… - Não consegui continuar.

- Vocês, o quê? Diz-me.

- Nós estamos juntos, – disse Edward com voz clara mas agitada.

- Não podem. Isso não pode acontecer. Vocês são irmãos. Estão loucos? – Renée olhou-me fixamente e continuou enfurecidamente. – Diz-me que não é verdade, que isto não passa de uma brincadeira de adolescentes.

- Mãe, eu amo-o. – A minha voz suou fraca e pouco nítida.

- Isto é uma desgraça. Vocês estão a desgraçar a nossa família. Tu não passas de uma menina desmiolada e oferecida.

Esta última afirmação bateu-me como se fosse uma bofetada. Eu nunca fui nem uma coisa nem outra. As minhas notas na escola foram sempre boas, nunca namorei, nunca usei drogas, nem nunca bebi bebidas alcoólicas. A coisa mais grave que fiz foi dar uma passa num cigarro, coisa que não voltei a fazer porque fiquei tão maldisposta que vomitei tudo o que tinha comido antes.

- Não é verdade, – ainda tentei dizer-lhe, mas a voz não saiu, apenas consegui mexer os lábios.

Renée começou a dizer coisas sem nexo e a andar de um lado para o outro. Tinha uma expressão doentia e lágrimas a cair.

- Estou contigo para o que der e vier. Não tenhas medo, estamos juntos, – segredou-me Edward ao ouvido.

A porta do quarto voltou a abrir-se.

- Bella, querida? O que se passa? Renée, estás bem? – Esme entrou desarvorada pelo meu quarto, sendo seguida por Carlisle.

- Está tudo errado. Vê o que se passa debaixo do nosso telhado. Os nossos filhos desgraçaram-nos. Nós não merecíamos esta deslealdade.

A vergonha que senti foi tão grande que as lágrimas começaram a cair pelo meu rosto sem parar. Edward tentava dizer-me alguma coisa mas não percebi o quê. Eu só consegui ver o olhar acusatório da minha mãe.

- Edward, veste-te e vai para o teu quarto. Já lá vou ter contigo, – disse Carlisle tentando dar ordem a esta confusão. – Bella, vamos deixar-te acalmar. Precisas que alguém fique contigo?

Abanei a cabeça porque o choro não me deixava falar.

- Renée, Esme, vamos descer e beber qualquer coisa. De cabeça quente não se consegue resolver nada e eles precisam de privacidade e tempo para colocar algumas roupas.

Saíram todos do quarto e nós ficámos sozinhos novamente. Não consegui mexer-me, ainda estava hipnotizada pela reação da minha mãe.

Edward acabou por me ajudar a vestir, vestindo-se também, rapidamente. Abraçou-me forte e deu-me beijinhos na testa e nos cabelos.

- Bella, estás bem? – A sua voz chegou até mim como se estivesse muito longe.

Vendo que eu não respondia, Edward sentou-me na cama ao seu lado e continuou abraçado a mim. Encostou a minha cabeça no seu ombro e deixou-me chorar por um bom bocado. Quando eu já estava mais calma, ele enxugou-me o rosto carinhosamente e beijo-me os lábios levemente.

- Bella, olha para mim, – ordenou. – Aconteça o que acontecer, eu estou contigo. Nunca te esqueças que és a pessoa mais importante da minha vida. Amo-te muito. Compreendes tudo o que te estou a dizer? Fala comigo, amor. - A sua expressão era de desespero.

- O que vai ser de nós, Edward? Eu sabia que eles não iam aceitar o nosso relacionamento. O que é que nós vamos fazer? – As lágrimas recomeçaram a cair.

- Não chores, amor. Escuta-me com atenção. – Esperou que eu me acalmasse novamente antes de continuar a falar. – Eu vou falar com o meu pai e vou convencê-lo que gostamos realmente um do outro e que o nosso amor não é uma paixão passageira. Tu vais ficar aqui a descansar. Tenta dormir e não chores mais. Assim que estiver tudo resolvido venho aqui para te contar como foi.

- Eu vou contigo. Não quero ficar sozinha. – Eu estava quase em pânico.

- Será mais fácil se eu for sozinho. O Carlisle é compreensivo, vai aceitar-nos. Promete-me que ficas aqui e esperas por mim.

O seu olhar fixo intimidou-me e fez-me acreditar que tudo se resolveria.

- Sim, eu espero. Promete-me que vens. Seja a hora que for.

-
Prometo. Espera por mim. - Deu-me um beijo mais demorado, levantou-se e dirigiu-se à porta. Virou-se para trás e deu-me um meio sorriso.

- Amo-te.

Foi a última coisa que me disse antes de desaparecer pela porta do quarto e deixar-me sozinha, entregue aos meus fantasmas. Na verdade o fantasma era só um e tinha o rosto da minha mãe.

Esperei durante bastante tempo mas não havia meio de ele voltar. Desci e encontrei a família toda reunida na sala de estar, o que me causou calafrios. Quando deram por mim, Aro levantou-se e veio ter comigo.

- Ciao, Bella, come stai?

Aceitei as suas mãos, deixando-me encaminhar para um cadeirão.

- Ainda bem que estás presente. Há umas quantas coisas que te quero perguntar. – O meu pai era frio e cortante ao falar. – É verdade que manténs um relacionamento com Edward?

- Nós estamos juntos. – Procurei Edward com o olhar. Ele estava na outra ponta da sala, junto ao Emmett, e aparentava um grande cansaço e desilusão. Retribuiu o meu olhar com uma expressão de grande sofrimento.

- Ele é teu irmão, – gritou Renée.

- Não, não é. – Tentei levantar-me mas Aro não deixou.

- Mãe, todos nós sabemos que isso não é bem verdade. Crescemos juntos como irmãos mas não somos do mesmo sangue, – disse Alice, pausadamente.

A minha mãe olhou em pânico para o meu pai, antes de voltar a fixar o olhar na minha irmã.

- E desde quando a nossa família é de sangue? Os laços que nos unem são mais fortes que os de uma família normal precisamente por isso, porque sempre demos valor ao que sentíamos e não ao que as ligações sanguíneas representam.

- Que mal tem eles ficarem juntos? Fazem parte da família e irão continuar a fazer, a única coisa que muda é o relacionamento deles. Oficialmente eles podem até casar, já que não são verdadeiros irmãos. – Emmett tentava explicar de forma simples o que pensava; ele via sempre as coisas pelo lado positivo.

- Emmett, tu consideras Edward como irmão? – Esme perguntou.

- Sim, claro.

-No entanto vocês não têm qualquer laço sanguíneo, achas que a diferença está no papel de adopção que ambos têm?

- Claro que não. Ele é, sempre foi e continuará a ser meu irmão. Crescemos juntos.

- Precisamente. E Alice? Gostas menos dela por não ser do teu sangue?

- Também considero Alice como minha irmã.

- Pois consideras, – continuou Esme como se estivesse a dar uma aula a uma criança pequena. – Porque é que com Edward e Bella tem que ser diferente? Eles cresceram como irmãos. É antinatural mudarem esse estatuto.

- Eu não acho. Eles é que sabem o que sentem, não somos nós. – Com isto deu uma palmada na mão de Edward que lhe agradeceu a defesa.

- Não posso aceitar uma coisa dessas. – Renée continuava com o mesmo olhar. Desviei o olhar do dela por ser demasiado penoso suportá-lo.

- Eu estou com Bella e Edward. Ela nunca olhou para ele da mesma forma que olha para Emmett. Provavelmente foram vocês as duas que provocaram tudo isto, ao obrigarem que eles se olhassem como irmãos desde pequeninos. – Alice acusou a mãe e Esme de forma impiedosa e séria. – Irei sempre defender aquilo que me ensinaram: o valor dos sentimentos e não os laços de sangue. Eles amam-se.

Permaneceram todos calados, olhando uns para os outros, como se avaliassem de que lado haviam de ficar.

- Isabella Swan. Espero que estejas consciente da divisão que estás a causar nesta família. – O meu pai levantou-se e dirigiu-se a mim. – Se insistires em levar a tua para a frente podes esquecer que eu sou teu pai. – Fez-se um silêncio sepulcral na sala. – Tens que assumir as consequências dos teus atos. Se a tua decisão for abandonar a família, a tua mesada deixa de existir e o pagamento das mensalidades da Universidade ficam por tua conta. Pensa bem no vais fazer. E lembra-te que o fundo que herdaste da avó Swan só pode ser mexido depois de atingires os vinte e um anos.

- Pai! – Gritei completamente desesperada.

- Quando tiveres a certeza que me queres como pai avisa a minha secretária. Até lá não voltes a dirigir-me a palavra.

Charlie voltou as costas e dirigiu-se à biblioteca, onde dormia sempre que vinha à Villa. Havia anos que não dormia com a Renée.

Carlisle levantou-se também. Olhou para todos e, na sua voz pausada e calma, disse-nos o que fazer.

- A noite foi muito longa, vamos todos dormir. Amanhã será um novo dia e uma nova oportunidade para resolver este problema de cabeça desanuviada.

Alice arrastou-me escadas a cima até ao meu quarto, furiosa da vida com o rumo que as coisas levaram. Edward deve ter tentado seguir-nos porque ouvi Carlisle dizer para ele ficar mais um pouco onde estava. Emmett gritou que a “família era inacreditável” e saiu batendo com a porta. Não ouvi nem vi mais nada. Assim que chegámos ao quarto, atirei-me para a cama e desatei a chorar convulsivamente. Alice abraçou-me mas eu gritei-lhe para me deixar sozinha. Gritei, chorei e esperneei mas a minha persistente irmã não me abandonou e ficou ao meu lado até eu deixar de ter voz para gritar e lágrimas para chorar. Nunca antes me senti tão miserável, tão sozinha, tão sofrida. A minha dor era tão grande que me custava respirar. Era como se tivesse costelas partidas. Acabei por adormecer, depois de Alice me obrigar a tomar uns calmantes que alguém levou à porta.

Quando acordei era de noite. Demorei uns minutos a situar-me até vir tudo à minha cabeça com uma força demolidora. Eram quatro horas da manhã. Eu tinha dormido todo o dia e grande parte da noite. Levantei-me, fui à casa de banho e, já bem desperta, decidi que a primeira coisa que tinha a fazer era falar novamente com Edward, para saber como estavam as coisas. Pé ante pé, fui ao seu quarto ter com ele. Abri a porta com cuidado e entrei em silêncio. Dirigi-me à cama mas esta estava vazia. Fiquei confusa. Será que ele não consegue dormir e se levantou? Fui até à cozinha mas estava tudo apagado. Voltei ao seu quarto e acendi a luz. Levei a mão ao peito. O quarto estava vazio: a sua roupa, o seu saco de viagem, a guitarra que eu lhe dei, tudo tinha desaparecido. Agarrei a sua almofada e levei-a à cara para sentir o seu cheiro. Era inconfundível e inesquecível. Sentei-me na cama e deitei-me mas ao fazê-lo senti um barulho de papel e procurei a sua origem.

O Edward tinha deixado um bilhete para mim.

Amor: Lembra-te de tudo o que dissemos na nossa última conversa. Aconteça o que acontecer és e continuarás a ser a pessoa mais importante da minha vida. Não posso aceitar que o amor que sinto por ti seja considerado pecaminoso. Arranjarei maneira de falar contigo em breve. Amo-te mais do que à própria vida. Eternamente teu, Edward.

Se eu pensava que já não era possível sofrer mais do que eu tinha sofrido, enganei-me redondamente. O saber que Edward tinha ido embora sem me dizer mais nada e sem lutar pelo nosso amor perante os nossos pais foi o derradeiro sofrimento. A dor que senti foi tão forte que perdi os sentidos.

Tudo o que se passou nos dias seguintes até voltar para os Estados Unidos ficou gravado como um borrão numa folha. Foi Alice quem me contou o que se passou, mais ou menos pormenorizadamente.

Edward foi embora porque a Esme e a Renée fizeram chantagem com ele, convencendo-o de que ele não estava lúcido o suficiente para ver a asneira que estava a cometer e que me iria prejudicar mais se continuasse a insistir em ficar comigo. Elas responsabilizaram-no pela atitude extrema que Charlie tomou e ele assumiu a culpa, tanto que pediu a Carlisle para me pagar as despesas da Universidade.

Emmett defendeu-nos o tempo todo mas nunca ninguém o levou a sério; acabou por regressar a Boston, com Rosalie e Jasper.

Alice nunca me abandonou, protegeu-me sempre e não voltou a deixar que a minha mãe e eu ficássemos sozinhas. As únicas pessoas com que eu falei foi com Alice e Aro que, embora entendesse a minha mãe, achava que desta vez a razão estava do meu lado.

Edward telefonou de Cambridge mas eu não estava em condições de atender o telefone e, quando já estava em Stanford, recusei falar com ele. Estava demasiado magoada.

Alice ainda tentou interceder por ele mas eu não fui sensível aos seus argumentos. Edward tinha ouvido a minha mãe chamar-me de desmiolada e oferecida e não me defendeu e, durante aquele estúpido julgamento na forma de reunião familiar, ele nunca abriu a boca para dizer o que quer que fosse. Foi uma humilhação ser tratada daquela forma pelos nossos pais, mas o saber que ele não me defendeu foi mil vezes pior. O saber que ele se deixou convencer pelas psicologias baratas das nossas mães significava que ele não acreditava verdadeiramente no poder do nosso amor.

Um mês mais tarde, durante uma das visitas de Alice, ele telefonou para ela e a traidora passou-me o telefone para as mãos, obrigando-me a falar com ele.

- Bella? Não desligues o telefone. – Não respondi mas também não desliguei. – Sei que estás a sofrer por causa de tudo isto, desculpa. O meu sofrimento também é enorme.

- É enorme? Porquê?

- Bella! Como podes duvidar de mim?

- Porque tu também duvidaste. Pediste-me para acreditar no teu amor mas duvidaste dele com as conversas falsas da Renée e da Esme. Como pudeste deixar-te convencer que me prejudicavas se ficasses comigo? Eu pedi-te para ficares comigo, disse-te que sem ti não era capaz de ser feliz. – Fiz uma pausa engolindo em seco. - E tu acreditaste nelas.

Silêncio.

- Desculpa não queria magoar-te. Pensei que o Charlie pudesse fazer-te ainda mais mal.

- O Charlie? O máximo que ele me podia fazer, fê-lo à tua frente. Ele já não me é nada. Agradece ao teu pai por mim, e diz-lhe que quando acabar o curso lhe pago tudo o que está a gastar comigo.

-Bella, tenta compreender.

- Tu não me defendeste de nada e deixaste-me sozinha sem me dizeres nada. Fica bem Edward. Adeus.

- Bella, espera.

Desliguei o telefone. Eu iria esperar mas não por ele. Eu iria esperar para sempre por alguém que nunca viria, simplesmente porque o meu sentimento era de tal forma intenso e absorvente que nunca desapareceria e porque o Edward que eu tanto amava não existia. Larguei o telefone e desabei chorando desalmadamente.

publicado por Twihistorias às 20:19

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