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Jul 13

 

 

 

Epilogo

Sete anos mais tarde

Um raio solar batia nos meus olhos. Remexi-me no meu beliche e coloquei a almofada a bloquear aquela luz solar.

Ainda não tinha tocado a sirene para nos despertar, ainda tinha algum tempo para dormir.

Era o que mais odiava na prisão, não havia cortinas na pequena janela da cela, por isso, assim que amanhecia o sol tratava de nos torturar aquelas poucas horas de sono.

Era oficial, não iria conseguir dormir mais, mas eu era uma lutadora, por isso não seria eu a dar a parte fraca e saltar da cama antes do soar do despertador.

Por isso ali fiquei imóvel na tentativa de enganar o sol, talvez assim ele desaparecesse.

Pensei nas pessoas que estavam cá fora e já não via à anos. Pessoas que outrora foram importantes para mim, algumas ainda o eram.

Pessoas que já não teria a oportunidade de ver, que não iriam estar à porta à minha espera.

A minha mãe.

Ela morrera quatro anos depois de eu ser presa.

Ataque cardíaco fulminante.  

Estava ótima num momento, como no seguinte estava morta. Aparentemente isto acontecia mais vezes do que se pensa.

Ainda me lembro do dia em que o Sam me veio fazer a visita para me dar a notícia. Assim que o vi entrar pela porta das visitas soube que algo de grave se tinha passado, não imaginava é que seria para me dar aquela notícia.

Não pude ir ao funeral dela. Não tive a oportunidade de me despedir da minha mãe e isso era o que mais me custava nisto tudo. Com os olhos inundados em lágrimas e entre soluços implorei ao Sam para levar um ramo de rosas brancas e colocar sobre ela e para ele lhe dizer que eram minhas. Para frisar bem esse ponto, para ela saber que eu me lembrava dela e que a amava muito.

Depois da minha mãe falecer era a Emily que me vinha visitar uma vez por mês. A viagem era demasiado longa para vir mais frequentemente, no entanto a Emily adoeceu. Afinal de contas, a idade não perdoa, e passou a ser difícil para ela se deslocar em longas distâncias.

Ethan, assim como Bentley, teve que deixar de me visitar, a idade não passava para ele devido À sua condição de lobo. Ainda não tinha aprendido a controlar. Além que ainda combatia alguns vampiros e ajudava o Sam com os novos membros da matilha.

Basicamente as minhas visitas ao longo destes sete anos foi muito simples. O primeiro ano e meio que estive presa as visitas pertenceram ao Bentley, e o ano e meio seguinte pertenceu ao Ethan. Eles tinham chegado a esse acordo, para me proporcionar mais algum tempo da companhia deles.A minha mãe veio semanalmente nos quatro anos em que foi viva. A Emily acompanhava a minha mãe em algumas dessas semanas e depois da minha mãe morrer ela ainda veio dois anos mensalmente. Depois as visitas simplesmente desapareceram. Ou apareciam em casos mais especiais ou porque simplesmente estavam por perto. Mas eram tão raras que ficava 3 meses ou mais sem visitas.

Estava tão habituada a esconder as minhas verdadeiras emoções que nunca revelei a ninguém o quanto eu me sentia sozinha e abandonada por vezes.

Desde à dois anos para cá, pedi a ambos que deixassem de me ligar ou escrever. Que ambos seguissem com a sua vida.

Custou faze-lo, mas era pior estar privada da visita deles e alimentar uma esperança em relação a eles apenas com cartas e telefonemas.

Não era justo para eles, e não era justo para mim.

Apesar de relutantes, tanto o Ethan como o Bentley respeitaram a minha decisão, apenas a quebrando em ocasiões especiais, como anos, natal, passagem de ano, a data do dia em que nos conhecemos. Ethan foi o único que me enviou uma carta no dia em que o Jackson nasceu, para celebrar o nascimento dele e uma no dia em que ele morreu. Foi a forma de estar “ao meu lado” nesse dia. Tinha-o feito todos os anos.

O som da sirene fez-se ouvir por todas as alas.

Estava na hora de levantar, não tardaria chegaria a minha vez de ir tratar da minha higiene pessoal, depois teria umas horas no pátio para relaxar ou apenas ir para a ala do ginásio e depois teria que me dirigir para a cozinha, era a minha semana de fazer o almoço juntamente com outras presidiarias.

-Se vai haver uma coisa que não vou sentir falta quando sair daqui é desta estupida sirene. – resmungava a Amanda assim que se levantava do beliche de baixo.

Amanda era uma rapariga mais ou menos da minha idade, de cabelos loiros e bastante ondulados. Estava presa por agressão e assalto.

Ao início foi complicada a nossa convivência. Eu não confiava nela, e ela não confiava em mim. Ainda nos envolvemos em algumas brigas, mas com o tempo aprendi a lidar com ela e vice versa. Agora eramos quase como irmãs ali dentro. Tomava-mos conta uma da outra.

-Bom dia Amanda. – respondi de forma divertida.

-A sério miúda. Estes gajos haviam de acordar assim em casa também para ver o que é bom. É que já tamos a pagar pelo nosso crime, não é necessário torturar.

Desci da cama e comecei imediatamente a desfazer a cama. Aqueles lençois teriam que ir para lavar e não era a guarda que iria desfazer a cama de certeza. Nunca eram.

Deixei a Amanda ali a reclamar com a sirene enquanto ambas tratávamos de deixar a cela arrumada o suficiente para a possivel vistoria da guarda.

Sim, vistoria. Aleatoriamente eram escolhidas 3 celas para vistoria diariamente. Se não estivessem devidamente arrumadas iriamos ficar trancados na nossa cela esse dia inteiro, como forma de castigo.

Acreditem que um dia inteiro num cubículo daqueles é uma tortura ainda maior que a sirene.

-Então tudo pronto? – perguntou-me ela sentando-se na cama enquanto me observava. – Quer dizer estás preparada?

-Sim, acho que sim. – o meu sorriso não se alargou muito.

-Sei… - disse ele de forma superior.

Fomos interrompidas pelo destrancar das portas. Toda a gente começou a sair. Agarrei nas minhas coisas e despachei-me para os balneários.

Assim que estava com o meu macacão azul marinho sai para o pátio. Aos poucos este começava a encher-se.

Ao contrário dos outros dias, hoje à minha volta era um frenesim.

 O motivo disso era o resultado da revisão da minha pena que se tinha dado no início da semana. Estava receosa em relação a isso. Tudo podia acontecer, a pena aumentar, diminuir ou mesmo eu ficar livre.

Ainda não acreditava muito na decisão do juiz por isso evitava ao máximo pensar nela.

Mas a verdade é que a partir das 16 horas eu estava oficialmente livre. Iria ser uma cidadã livre.

Uma pessoa livre e sozinha lá fora.

Optei por não comunicar ninguém lá fora sobre esta saída.

Eu iria começar uma vida nova.

A manhã passou demasiado rápido e o friozinho na barriga aumentava a cada minuto que passava.

Depois de almoço todos eramos retirados para as nossas celas por umas horas. E como eu ainda não estava livre, o dia estava a correr conforme o horário de um dia normal.

-Prometes que me esperas quando eu sair? – perguntava a Amanda.

Assim como eu ela era órfã, e não teria ninguém do outro lado do portão à espera dela.

-Sabes que sim. Vou procurar uma casa, emprego e depois vens para a minha beira. – sorri em forma de encorajamento.

Ainda lhe faltavam 10 anos para ela cumprir e estaria livre. Muito podia acontecer naqueles 10 anos, mas eu pretendia realizar a minha promessa.

A porta da minha cela abriu e estava uma mulher com o seu uniforme a sorrir para mim.

-Vamos minha querida, os teus dias aqui terminaram. – quem disse que os guardas eram todos maus enganaram-se. Eles são bem simpáticos, apenas reagem quando nós abusamos.

-Adoro-te. – foi tudo que tivemos oportunidade de dizer uma à outra num abraço apertado antes de eu ter que me retirar.

A guarda Callen acompanhou-me ao longo dos corredores. Ouvia o barulho de coisas a bater nas grades. Era a forma de prestarmos tributo numa prisão a alguém que estava a sair em liberdade.

Não consegui evitar as lágrimas escorregarem-me pelos olhos.

Finalmente o capítulo intitulado Chester estava terminado, e era algo que eu nunca mais queria recordar.

Agora iria começar um novo, com uma nova Kelsi. Porque a Kelsi antes do Chester, essa menina não tinha sobrevivido aos ferimentos.

Esta nova Kelsi era talvez um pouco mais fria, mais desconfiada, mas era uma Kelsi viva.

E eu iria lutar por me manter assim e por ser livre.

-Espero nunca mais te ver Kelsi Miller – disse a guarda Callen com um sorriso no rosto – no bom sentido claro.

-Eu também.

Depois disto respirei fundo enquanto aguardava que o portão de ferro maciço se abri-se e dei um paço determinante em frente.

Um paço para a liberdade, para um renascer.

Dei por mim de olhos fechados a cheirar a brisa da liberdade.

Tinha um sorriso nos lábios mesmo sem me aperceber.

Não quis que o meu advogado me fosse buscar, por isso teria que me desenrrascar para apanhar um táxi. Provavelmente teria que andar um bom pedaço até encontrar um.

Mas nada disso me dasanimou.

Continuei apenas ali, a saborear a liberdade.

Meu Deus, uma pessoa só dá valor a estas coisas quando as perde. Como eu sentia a falta do mar, da areia, de correr descalça no mato como fazia quando era pequena, de andar de mota.

Tinha tantas coisas para fazer.

Abri finalmente os olhos.

O céu estava acinzentado, à muito que o sol tinha fugido. Por vezes pensava que ele aparecia apenas para me acordar antes da hora da sirene.

Mais uma vez dei por mima  sorrir. Nunca mais acordaria ao som da sirene.

Olhei em frente para começar à procura de um táxi e foi quando alguém surgiu no meio do parque de estacionamento.

Não estava de todo a contar com ele ali. Aliás, não contava ali com ninguém.

Mas lá estava ele, a sorrir para mim e de braços abertos. Como sempre foi nestes 7 anos.

A diferença é que agora o podia abraçar.

E foi assim que tive a certeza que era com ele que eu queria estar.

A minha escolha tava feita.

Corri para abraçar aquele que era o homem da minha vida.

-Oh Kelsi tive tantas saudades tuas. – disse-me ao ouvido enquanto me segurava nos seus braços.

-Amo-te tanto. – disse por fim. – Desculpa ter demorado tanto a perceber isso.

Ouvi a pequena gargalhada dele ao meu ouvido.

-Eu também te amo, mas isso já tu sabias. – e depois destas palavras carinhosamente beijou-me.

FIM

 

Nota da autora:

Antes de mais o meu obrigado por não terem desistido da historia "I wish", mesmo com estes tempos de espera infernais. (Eu sei, que vergonha) Mas a vida deste lado aqui não está facil.

Peço desculpa também pelo final, mas foi o mais apropriado para mim. Deixo à imaginação de cada um de voces quem é ele...eheh

Pode ser que venha mais surpresas...eheh...sem data marcada e sem compromisso!! XD

 

 

publicado por Twihistorias às 18:00
Fanfics:

3 comentários:
A.D.O.R.E.I!FINAL DEMOCRATICO!
marcela thomé a 16 de Julho de 2013 às 22:15

Foi mesmo o fim?
Caramba! Não estava à espera disto.

Gostei imenso desta fic.
Adorei o final. Posso sempre imaginar que foi o Bentley quem ganhou o amor de Kelsi. rsrsrsrsrsrsrsrs

Haverá uma outra fic na manga?
Ella Fitz a 17 de Julho de 2013 às 07:37

Má!.... ;) Quero mais, muito mais. Por favor, se puderes escreve mais alguma coisa...
tixxa a 17 de Julho de 2013 às 12:23

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