08
Mar 13

Nota da autora:
Oi pessoal. Esta passagem foi cortada da versão final quando dividi o que tinha escrito em capítulos. Este pedaço é da Alice e das suas maquinações.

 

 

 

 

A Aposta

Extra 2

 

POV Alice

Segui a Bella até ao Hanover in. Vi-a entrar e mantive-me no mesmo lugar durante mais cinco minutos. Eu tinha que me certificar que nem ela nem o meu irmão desistiam.

Esta era a parte mais complicada. Eu detestava ter que observar de forma não participativa o desenrolar dos meus planos. Neste caso ainda era pior porque eu não podia observar nada. Restava-me esperar que eles se entendessem e que ficassem presos um ao outro. A minha intuição dizia-me que tudo iria dar certo e eu sempre tive muita confiança nos meus rasgos intuitivos.

Tirei da minha bolsa a chave suplente do carro do Edward e sentei-me no banco da frente enquanto esperava a hora de pôr em prática o passo seguinte. Sim, porque a minha condição de “espera” admitia certos tipos de atuação e eu sabia muito bem o que tinha a fazer.

Antes mesmo de ter chegado até ali já tinha conversado com o patrão de Bella para o informar que ela precisava de uma semana de férias por motivos de força maior. Também tinha tratado da situação do Edward. Ele podia ser desmiolado mas tinha um desempenho no curso acima da média o que permitiu dispensá-lo até ao início do ano letivo seguinte. Não tinha sido muito fácil mas quando eu insinuei que era um pedido do grande e honorabilíssimo Carlisle Cullen, o reitor não hesitou.

O passo seguinte tinha sido forjar um encontro casual com a parva da Tânia, onde eu tinha deixado inocentemente escapar que o Edward tinha apresentado uma menina aos nossos pais e que a coisa parecia séria.

– Alice, Bom dia – tinha dito ela ao passar por mim.

– Ah, desculpe, Tânia, estava distraída. Ia agora beber um café. Quer vir?

– Sim, claro – afirmou ela toda contente.

Entrámos numa pastelaria e fizemos os nossos pedidos. Eu mantive-me calada; conhecia a Tânia o suficiente para saber que ele iria começar a fazer perguntas.

– Parece um pouco cansada, Alice. Houve alguma festa ontem à noite?

O espetáculo ia começar. Fingindo um acanhamento que não era natural em mim torci o nariz.

– Bem... Houve um jantar importante lá em casa.

– A sério? Não ouvi falar de nada. O Edward não me disse nada mas também não tenho conseguido falar com ele. Passa-se alguma coisa com ele?

– Vocês não tinham nada um com o outro, pois não? – perguntei com falsa preocupação. - Ele sempre disse que não havia nada entre vocês.

– Pois. Saímos apenas duas ou três vezes.

– Ah, que alívio. Não queria nada que tivéssemos outra cena daquelas.

– Que cena, Alice?

– Vou ser direta, Tânia. A verdade é que o jantar de ontem foi uma apresentação oficial da namorada do Edward. Foi muito lindo.

Tânia estava tão aparvalhada com a novidade que eu lhe estava a dar que não foi capaz de dizer nada. Quase não me aguentei de tanta vontade de rir ao vê-la mudar de cor. Aproveitei o seu silêncio para continuar a cavar na mente dela.

– Os meus pais estão cá a passar uns dias e o Edward não quis esperar mais tempo. Os meus pais adoraram a menina e eu também – afirmei toda empolgada. – Fiquei muito feliz pelo meu irmão; sabemos bem o difícil que é para os meus pais aprovarem uma namorada do meu irmão mais novo.

– Namorada? O Edward tem namorada?

– É que eu estou dizendo. Sei que parece mentira mas é mesmo verdade. Edward está finalmente a tornar-se um homem adulto e responsável. Já estava mais que na hora de ele deixar de andar com todas as vagabundas oferecidas que lhe apareciam à frente.

– Mas...

– Estamos todos muito felizes - continuei sem ligar à sua perplexidade. - O único problema é uma ex-namorada dele que ficou possessa ao saber que ele está noivo e...

– Noivo? – gritou ela. Finalmente a burra acordou da sua hipnose.

– Já falei demais. Porque é que eu tenho uma boca grande? – Fingi estar desgostosa comigo mesma e levei a mão à boca num gesto de arrependimento por falar mais do que devia.

Tânia engoliu em seco várias vezes e começou a fazer perguntas umas atrás das outras sobre o relacionamento de Edward e sobre a identidade da noiva. Eu fui dizendo que não podia dizer nada de concreto por causa da psicopata que andava a persegui-los.

– Ai meu Deus. Isso é horrível. Eu tenho que falar com ele.

– Não se preocupe tanto Tânia. O meu pai está a tratar de tudo com a Polícia. Imagine que até confiscaram o telemóvel dele.

– Tente compreender, Alice. O Edward é meu amigo e os amigos devem apoiar-se uns aos outros. É mesmo importante.

– O máximo que posso fazer é transmitir a sua preocupação e o seu apoio ao meu irmão.

Não tinha sido nada difícil fazer com que a Tânia acreditasse em todas aquelas coisas. O desespero dela era tão grande que aceitou tudo o que disse. Prometi-lhe que lhe daria notícias quando pudesse e esse momento tinha chegado.

Peguei no meu telemóvel e liguei ao Emmett.

– O que deseja a minorca que a minha mãe diz ser minha irmã?

– Olá, Emmett. Também gosto muito de ti embora acredite que os meus pais te adotaram porque foram ameaçados de morte.

Emmett riu-se à gargalhada durante muito tempo. Nunca percebi onde via ele tanta graça. Eu até sabia que tinha humor mas ele exagerava. Esperei pacientemente que ele me desse atenção.

– Ui! Se continuas calada ou queres pedir-me alguma coisa que eu não devo dar-te ou há algum problema cabeludo na história.

– Há um problema, mano.

– O que foi que aconteceu? Se o Jasper avançou demasiado contigo eu acabo com ele.

– É o Edward, Emmett.

– O que foi que ele fez? – Não lhe respondei, deixando-o pensar por algum tempo. - Ele brochou! – gritou Emmett um pouco depois. - Perdi a aposta. Que banana! Devia ter-lhe dado um venda. Se ele não visse a cara da freira não tinha brrrrrr – disse ele enquanto fazia um gesto de baixar os dedos lentamente.

– Não é nada disso mas se não fizermos alguma coisa pode vir a acontecer.

– O que é que eu tenho que fazer? – perguntou ele imediatamente.

Quase soltei uma gargalhada; o meu irmão grandão sempre foi maleável nas minhas mãos.

– Tens que telefonar para o hotel onde ele está com a Bella.

– Porquê?

– A Tânia ouviu-me a falar ao telefone e ficou a pensar que o Edward e a Bella estão noivos e quer fazer de tudo para os separar. Acho que ela vai correr os hotéis todos até o encontrar.

– Ela é muito boa mas é ainda mais chata.

– Acho que ela só vai largar o Edward quando ele casar.

– Porque é que não lhe dizes que ele casou com a irmã-Bella?

– Achas que devo fazer isso? É capaz de resultar.

– Claro que resulta. As minhas ideias resultam sempre.

– Claro que sim, mano. Ouve, tu podias telefonar para o hotel e pedir para eles não deixarem entrar a Tânia. Sei lá, podias dizer que ela anda a persegui-lo por causa de ele não querer namorar com ela.

– Vou dizer que ele está em Lua-de-mel, assim se ela lá for eles confirmam e ela vai-se embora.

– Boa ideia. Obrigada, Emmett.

– De nada, anã. Eu sou o máximo.

Desliguei o telemóvel e ri-me a valer. Eu sou o máximo.

Esperei dez minutos, saí do carro e dirigi-me ao hotel.

– Seja bem-vinda ao Hanover in, senhorita.

– Olá. O meu irmão, Edward Cullen, está cá em lua-de-mel...

– Não posso dar qualquer informação sobre os hóspedes. Desculpe.

– Ah, sim. Eu compreendo e agradeço. Eu só queria deixar uma mensagem ao meu irmão e à minha cunhada, Bella. Eu sei que ele está aqui porque fui eu que fiz a reserva. Ele anda um bocado nervoso por causa de uma maluca que o anda a perseguir mas o nosso pai resolveu dar queixa na polícia e ele precisa saber para ficar mais descansado.

– Eu sei qual é a situação. O Sr. Carlisle Cullen telefonou há pouco e deu instruções precisas quanto ao que fazer. Mas ele não me falou de nada da Polícia. Se a Polícia aparecer por aqui o que faço?

– O que eles pedirem, claro. Eles irão ficar de vigia no exterior. Só virão cá dentro se for mesmo necessário.

– Com certeza.

– Será que posso subir para deixar esta mensagem com ele? – perguntei mostrando um pequeno envelope.

– Faça o favor de se identificar primeiro, menina. Desculpe.

– Obviamente. É muito profissionalismo da sua parte. Vou falar bem de si ao papá – respondi-lhe mostrando a minha identificação.

Com um sorriso cúmplice, ele indicou-me o elevador. Mais uma vez fiquei espantada com a facilidade com que os homens são enganados.

Quando o elevador parou, saí devagar e dirigi-me à porta do quarto. Não ouvi barulho nenhum, por isso tentei mais uma vez ligar para ele. Nada. Empurrei o envelope por baixo da porta e voltei ao elevador. Já tinha feito o que tinha a fazer ali. Estava na hora do passo seguinte. A vagabunda da Tânia esperava um telefonema meu.

De novo no carro do Edward liguei-lhe; ela atendeu ao segundo toque.

– Alice?

– Olá, Tânia. Como vai?

– Bem, obrigada. O Edward não chegou a ligar-me.

– É mesmo por causa disso que lhe estou a ligar. Ele tem andado muito ocupado. Ele casou hoje numa cerimónia...

– Ele o quê?

– Ele casou hoje numa cerimónia reservada. O meu irmão Emmett recebeu uma proposta de trabalho na europa e o Edward queria que ele fosse o seu padrinho, por isso teve que ser tudo apressado.

– Ele casou mesmo? Não acredito.

– Acredite e fique feliz por ele porque ele está nas nuvens.

– Mas... Eu devia felicitá-lo... pessoalmente.

– Não acredito que isso seja possível. Acabei se falar com ele, eles vão sair em lua-de-mel amanhã de manhã. O Emmett é que os vai levar ao destino.

Ouvi-a a resmungar.

– Ela deu-lhe o golpe de barriga? – perguntou ela passado um pouco como se aquela realidade a chocasse.

Aquilo deu-me uma ideia. Ai ela pensava que havia gravidez? Porque não?

– Claro que não! Ela é uma mulher direita. Se engravidou foi porque eles os dois não tiveram cuidado suficiente mas o Edward não consegue resistir-lhe.

– Então ela está mesmo grávida?

– Estamos todos muito contentes. O Edward, então, está satisfeitíssimo. Há muito tempo que não via o meu maninho tão feliz.

– Então é mesmo sério!

– Claro.

– Eu preciso falar com ele. Tem que me dizer o número novo dele, Alice.

– É melhor não, Tânia. Neste momento ele pensa que todas as mulheres com quem esteve no passado são umas aproveitadoras.

– Eu não. Quero apenas felicitá-lo.

– Não posso ir contra o meu pai – afirmei eu fazendo-me de difícil. – Esta noite eles vão ficar num hotel aqui mesmo mas aquilo vai estar completamente vigiado pelo Polícia e amanhã o Emmett vai buscá-los ao Hanover in e levá-los direto ao aeroporto. Como vê, ele não vai ter tempo para falar consigo, Tânia. Se estivesse na sua posição esperava que eles voltassem da lua-de-mel.

– É isso mesmo que vou fazer. Obrigada por tudo, Alice.

– Fique bem, Tânia.

Assim que desliguei a chamada, voltei a premir o número do Emmett.

– A maluca da Tânia vai para o hotel agora, Emmett. Podes vir cá? Ela é louca. Não sei o que ela é capaz de fazer.

– Estou a caminho. Eu digo-lhe umas coisas.

Desliguei o telefone e esperei mais um pouco. Em menos de quinze minutos a Tânia apareceu. Corri para ela.

– Tânia – chamei-a antes de ela entrar no hotel.

Ela virou-se para mim e, envergonhada, caminhou até mim.

– Oi, Alice.

– Assim que desliguei o telefone percebi que tinha falado mais do que devia. A Tânia não devia estar aqui. Se respeita o meu irmão devia afastar-se e deixá-lo viver a felicidade dele.

– Ele não sabe o que quer. Se eu também ficar grávida ele fica comigo.

– Como? Não está a ser coerente. Não há qualquer hipótese de isso acontecer. Ele é um homem casado, agora.

– Eu tenho que falar com ele.

– Quem é que tu pensas que és para arruinar a vida do meu irmão? Sua vagabunda! Eu não vou permitir que lhe estragues a lua-de-mel. Ouviste bem?

Estremeci de contentamento ao ouvir os berros do Emmett. Ele vinha com cara de poucos amigos e parecia com vontade de bater em alguém.

– Emmett, a Tânia quer falar com o Edward. Ela não aceita que ele casou e que a Bella está grávida.

O Emmett olhou para mim com curiosidade mas rapidamente começou a rir.

– O que ela quer não interessa, mana. – Virou-se para a Tânia e aproximou-se com passos fortes e intimidantes até quase tocar nela. – Se tentares entrar no hotel eu mando prender-te por perseguição. Olha bem para mim. Eu dou cabo de ti se te aproximares de alguém da minha família. Desaparece siliconada.

Tânia ficou apavorada ao ouvir o Emmett. Mal ele acabou de falar murmurou qualquer coisa e desatou a correr de ali para fora.

Eu e o tonto do meu irmão grandão desatámos a rir à gargalhada.

Foi uma lição e tanto.

 

publicado por Twihistorias às 18:00
Fanfics:

22
Fev 13

Nota da autora: A surpresa que tinha prometido. Tinha-o escrito e cortado da fic na primeira versão mas depois achei que podia melhorá-lo um pouco e dá-lo a ler a vocês. Acontece imediatamente após o segundo encontro com Bella, naquele em que ela promete ajudar o Edward.

 

POV Alice

 

A minha cabeça não parava de arquitetar tudo. Nada podia falhar. Eu tinha que deixar tudo perfeito. O meu querido irmão nem ia perceber o que lhe estava a cair em cima. Quer dizer, isso ele ia sim.

Ri-me com satisfação. Tinha que instruir corretamente a tonta da Isabella, Bella, aliás. Iria ensinar tudo para ela. Mas para já, tinha que começar por ir às compras. Eu até já tinha uma ideia do que queria. Faltava o mais simples, convencer Bella a usar aquelas peças magníficas.

Disfarçadamente, segui-a e tirei-lhe umas fotos com o telemóvel. Eu precisava da ajuda de Rose para conseguir pregar esta partida a Edward. Antes de levar a Bellinha às compras eu tinha que analisar com Rose a melhor forma de colocar a minha ideia em prática. A Rose ia ficar maluca com tudo.

– É esta a mulher que vai dar uma lição ao Edward? – Perguntou Rose quando lhe passei o telemóvel com as fotos. – Ahahahahahahah

Fiquei à espera que ela acabasse de rir o mais pacientemente que consegui.

– És capaz de parar com isso e ouvir até ao fim?

– Bolas, Alice! Não é preciso gritar. O teu plano até é interessante mas esta mosca morta é demasiado feia para levar o Edward a cair nas suas garras. Olha só para a forma como ela se veste? Onde é que ela compra a roupa? Na companhia dos sem-abrigo?

– Rose!

– Fala a sério Alice. Ela veste pior que a minha falecida avó.

– Por isso mesmo. Se ela fosse uma rapariga como as outras e vestisse bem o meu plano não existiria. Repara bem nela. A cara dela não é feia. Imagina-a com um batom, uma sombra, rímel e um pouso de blush.

– Sim, és capaz de ter razão. Mas as roupas estragam tudo. E esse corte de cabelo?

– Nã, nã, nã. O cabelo é o melhor que ela tem. Isso e a sua pele livre de borbulhas e marcas. E acho que de corpo…

– Ah, não. É uma raquítica de peito liso.

– É o que parece por causa das roupas que ela usa. Hoje tive oportunidade de olhar bem para ela e acho que vamos fazer um makeover extraordinário. Estas fotografias serão a prova do antes e do depois.

– Tens a certeza que depois de a transformarmos numa mulher sexy ela não vai tentar roubar os nossos namorados?

– Claro que não. Ela é uma moça séria, séria até demais.

– Como é que a vais convencer a ir para a cama com o teu irmão se ela é assim como dizes?

– Eu sou capaz de tudo. Nunca duvides.

– Não sei, não. Não gosto muito do aspeto dela.

– Com ela vamos descartar a aproveitadora da Tânia.

– Agora já nos estamos a entender. O que vamos fazer?

– Primeiro tenho que ir às compras com a nossa querida Bellinha, depois vou arranjar maneira da Tânia descobrir que o Edward é um homem casado.

– Casado? Eles vão casar? Meu Deus, Alice. Não te quero para inimiga. Tu és diabólica. O que é que eu tenho que fazer?

Contei tudo o que queria e, tal como tinha previsto, ela adorou.

 

POV Isabella

 

Estávamos nas compras há menos de meia hora e eu já estava farta. Alice não me deixava tranquila um segundo. Que raio de ideia a dela. Eu não precisava de roupa nenhuma.

– Esse conjunto fica-te muito bem. Solta o cabelo para ver o efeito.

Fiz o que ela me pediu porque já tinha percebido que era uma batalha perdida negar as suas ordens.

– Muito bom. Com uma maquilhagem leve ficas extraordinária.

– Eu não costumo usar maquilhagem.

– Não queres ajudar o meu irmão? Tens que fazer boa figura. Achas que ele vai olhar para ti se usares as tuas roupas normais?

– Até parece que me estou a candidatar a amante do teu irmão, - respondi entre dentes.

– Não é uma ideia fabulosa?

Corei até à raiz dos cabelos e não consegui articular nenhuma palavra.

– Eu acho que ias gostar. O Edward tem fama de ser bom de cama.

– Não acredito que estou a ouvir isso, - resmunguei totalmente envergonhada.

– Relaxa, Bella. Tudo a seu tempo.

– O que é que queres dizer com isso?

– Que agora é tempo de escolher outro tipo de roupa. Esse conjunto está aprovado. Vamos levar.

– É caro.

– Tu mereces.

– Tenho pouco dinheiro, Alice. Eu não sou rica.

– Não te preocupes com isso. Sentes-te bem com essa roupa?

– Os calções são um pouco curtos mas muito bonitos. Gosto de me ver assim, - acabei por confessar.

– Se perderes essa timidez ainda vais ficar mais bonita. A confiança que depositamos no que vestimos faz sobressair a nossa personalidade, pela positiva e pela negativa. Age em conformidade. Se te sentes bem, quero ver-te a sorrir e a dançar.

– Aqui?

– Estamos num vestiário. Se não fores capaz de o fazer aqui não vais conseguir fazer isso nunca. Dança, Bella, - instigou Alice pegando-me numa mão e fazendo-me rodopiar.

A situação estava a tornar-se demasiado insólita mas as pressões da Alice conseguiram libertar-me um pouco. Fingindo que estava numa passerelle percorri o corredor de acesso às cabinas de prova e regressei. Alice bateu palmas e deitou a língua de fora o que me fez rir.

– Agora prova este vestido.

Toda a minha alegria se esvaiu. Peguei na peça de roupa de má vontade e voltei para dentro da cabine de prova. O vestido era um pouco estranho. Todo preto e demasiado comprido, cingido apenas ligeiramente na cintura por um cinto também preto.

– Acho que este não vais gostar, Alice, - murmurei.

– Hummm. Se usares um lenço branco vais ficar exatamente como eu imaginei.

– Não gosto muito deste, - confessei.

– Não te preocupes, Bella. Vai correr tudo bem.

– Estás a falar de quê. Alice?

– Encara isto como uma fantasia.

– Vamos a um baile de fantasia?

– É mais um bar, - afirmou ela a rir, - mas garanto-te que vai compensar o esforço.

– O Ed… teu irmão vai lá estar?

– Claro que vai. Ele não pode falhar por nada.

– Não achas que devia usar outro tipo de fantasia. Este não me favorece muito. Pareço uma feira.

– Bom, podes sempre escolher o traje de coelhinha da playboy.

– Não. – Levei a mão à boca ao perceber que tinha falado demasiado alto.

– Fico contente por concordares comigo. Eu até vou ser boazinha contigo e vou deixar-te ir ao bar sem levares terços ou bíblias.

Abri a boca de espanto. Eu não conseguia acompanhar o raciocínio dela.

Gastei quase todas as minhas poupanças em roupa e calçado. A Alice ainda tentou pagar mas eu bati o pé e não deixei.

– Estás a ser muito teimosa, Bella. Eu queria oferecer-te uma prenda.

– Era muito dinheiro, Alice. Podes oferecer-me outra coisa qualquer.

– Posso? Qualquer coisa? Linda. Gosto tanto de ti, Bellinha, - afirmou ela lançando-se no meu pescoço e dando-me um abraço apertado.

Devia ter ficado desconfiada com o seu comportamento.

Gemi de frustração quando, já carregadas de sacos de compras, ela resolveu ir a uma última loja. Assim que percebi que era uma loja de lingerie tremi de medo.

Não valeu de nada.

– Lembra-te que disseste que eu te podia oferecer qualquer coisa.

– Puffffff.

– Ficas muito sexy. Se o meu irmão te visse com essa roupa interior…

– Pára, - gritei. – Não falo mais para ti.

Ela riu-se e abraçou-me com força.

– Não faz mal. Até vai ser mais fácil se ficares calada.

– Ahhhhhhhhhhhhhhh.

O meu inferno ainda não tinha acabado. Depois de largarmos todas as compras no carro, fomos até casa da Rosalie, onde as duas me deram aulas intensivas sobre maquilhagem. Para meu completo desespero eu é que servi de cobaia.

Fiquei ainda mais preocupada quando no dia seguinte fui obrigada a passar grande parte do dia no cabeleireiro e na esteticista. A maluca da Alice é que deu ordens na minha depilação. Eu que até tinha cuidado com estas coisas fiquei aturdida com a ordem dela. Tirar tudo. Tudo? Ou quase. Eu estava entregue às mãos da bruxa.

É claro que o pior de tudo foi quando ela me disse o que eu tinha que fazer.

– Ainda não percebi, Alice. Dá para ser mais clara?

– Acho que tu não vais ser capaz e vais falhar o que prometeste.

– O que foi que eu prometi, afinal?

– Ajudar o meu irmão.

– Eu cumpro sempre o que prometo, mesmo não gostando nada das atitudes que tens tido comigo.

– Então, Bella? Tenho sido uma amiga e tanto. Até fui contigo passear pelo parque. Estive contigo a ver o filme de terror que tu querias ver.

É verdade. Sorri só ao lembrar-me. Obriguei-a a assistir ao filme comigo para me vingar um pouco dos dois dias de tortura que passei com ela e com Rosalie.

– Está bem, Alice. O que é que eu tenho que fazer? Prometo que vou fazer tudo direitinho do jeito que disseres.

– É simples, Bella. Só tens que seduzir o Edward.

Hã? Eu não devia estar a ouvir bem.

– Eu tenho o quê? – Perguntei meio engasgada.

Ela encolheu um ombro, inclinou a cabeça para o lado e disse com toda a candura:

– Só tens que seduzir o meu irmão.

Peguei nas minhas coisas com a máxima velocidade que consegui e saí porta fora ignorando os chamamentos de Alice.

Dois minutos depois o meu telefone dá sinal de mensagem.

De: Bruxa

Se conseguires levá-lo para a cama, ele vai apaixonar-se por ti. Tenho a certeza, cunhadinha. Achas que Cullen combina com o teu nome? Isabella Cullen. Soa muito bem. :)

 

Mudei de cor tantas vezes quantas as vezes que li e reli a mensagem da bruxa.

Isabella Cullen? Cunhada? Levar o Edward para a cama...

Eu não conseguia acreditar na audácia dela.

No entanto, mesmo achando a ideia totalmente absurda, percebi que havia uma pequena parte de mim que dizia:

– E se for mesmo assim?

Percebi também que o inferno é mesmo à beirinha do céu.

 

Nota da autora: É um capítulo de saudade e de despedida. Obrigada pela companhia. Foi muito gratificante tê-los como leitores e amigos. Beijos.

publicado por Twihistorias às 23:40
Fanfics:

13
Fev 13

POV Bella

 

Enquanto tomava banho e me preparava para ir jantar com Edward, pensava em tudo o que se tinha passado nas últimas vinte e quatro horas. Seria difícil sentir-me mais feliz. Mesmo não sabendo o que esperar dos dias seguintes, a situação em que me encontrava era por si só uma enorme fonte de satisfação. É claro que nos meus sonhos Edward era um homem carinhoso e respeitador, mas testemunhar essas qualidades através de um relacionamento entre nós os dois, era mais do que algum dia pensei ser possível.

Arrumei-me da melhor forma possível, vestindo uma roupa que a Alice tinha escolhido para mim e que eu pensei que não chegaria a usar. Olhei-me no espelho da casa de banho, pensando se deveria prender o cabelo ou soltá-lo mas não cheguei a conclusão nenhuma. Deixei o elástico no pulso e fui para o quarto. Edward olhou-me com atenção e sorriu. Pareceu-me que tinha gostado e eu agradeci mentalmente a Alice pela ajuda.

Quando ele regressou ao quarto, já de banho tomado e vestido, apanhou-me em frente ao espelho ainda a decidir o que fazer ao cabelo.

– Deixa-o solto. Gosto da forma como ele emoldura o teu rosto.

Como uma garota de quinze anos, adorei o comentário dele. Pousei o elástico no armário ao lado das coisas que tinha tirado do meu saco e calcei-me.

– Esse tom de azul fica-te muito bem. Acentua a cor da tua pele e faz-te ainda mais bonita.

– Obrigada, - murmurei com vontade de lhe saltar para o colo e o beijar. – A ti todas as cores ficam bem. - Levei a mão à boca, envergonhada pelo meu comentário. – Acho-te um homem muito bonito, - tentei emendar o que tinha dito.

– Ah, Bella, meu belíssimo cisne, - disse ele abraçando-me, - tu és a mulher mais bonita que eu já vi. E sabes o melhor? Vou levar-te a um restaurante agradável e sentir-me profundamente orgulhoso de te ter a meu lado.

– Não podes ser assim tão perfeito. Que defeitos escondes, meu príncipe?

– Ainda não te posso dizer. Não quero que fujas de mim. Mas prometo portar-me bem contigo. Para começar, ajudo-te a vestir o casaco. Lá fora deve estar uma aragem fria; como médico tenho que zelar pela tua saúde.

Ri-me e dei-lhe um beijo como forma de agradecimento pela sua ajuda.

– Vamos, senhorita? – Disse ele indicando a porta.

– Claro, cavalheiro.

Descemos de elevador e, preparávamo-nos para abandonar o Hanover in quando me apercebi que me tinha esquecido da bolsa no quarto. Bolas! As lisonjas dele tinham-me desconcentrado.

– Esqueci-me da minha bolsa. Vou ao quarto e desço já, - disse-lhe dirigindo-me ao rececionista.

– Nada disso, meu cisne. Eu vou. Senta-te um pouco. Não demoro.

Vi-o pedir a chave e desaparecer junto aos elevadores.

– Boa noite, Bella.

Saltei de susto e virei-me para a voz. Alice.

– Bolas, Alice. Quase tinha um ataque de coração. Que fazes aqui?

– Então, Bellinha? Tens o telemóvel desligado e o Edward também. A única forma de saber se correu tudo bem era verificar pessoalmente. Então, como foi?

– Porque é que queres saber, Alice? O teu irmão é muito boa pessoa, não precisa de lições nenhumas.

– Quer dizer então que vocês se entenderam? Que bom! Foram mil dólares bem gastos.

– Mil dólares gastos em quê?

– Na aposta que fiz com o Emmett e com o Edward.

– Tanto dinheiro numa aposta? Tu és doida.

– Como é que o Edward se portou? Tratou-te bem? – Não lhe respondi. – É claro que portou. A tua cara diz tudo.

– Foi. Agora podes ir embora se fazes favor?

– Vão ficar mais uma noite?

– Sim.

– Eu sou um génio. É ou não é verdade? O meu palpite, foi uma vez mais, certeiro. Certeiro e perfeito. Correu tudo como planeado, - disse ela batendo palmas. - Ainda estás arrependida de teres aceitado a minha proposta?

– Que proposta, Alice? – Perguntou Edward.

Estremeci como se tivessem disparado um taser sobre mim. Ele tinha voltado tão rapidamente e chegado ao pé de nós de forma tão silenciosa, que não nos apercebemos da sua presença até ele falar.

– Boa noite, querido irmãozinho.

– Que proposta, Alice? Bella?

Eu olhei para ele e comecei a chorar.

– Posso saber o que se passa? Alguma de vocês é capaz de dizer o que me andaram a esconder? Andaram a enganar-me? Bella! Eu fui correto contigo e tu enganaste-me?

– Edward, eu… Desculpa. Eu não queria, - balbuciei.

– É lá! Alto e pára o baile, - disse Alice num tom que não admitia resposta. – Ninguém enganou ninguém. Nós fizemos uma aposta a três, Edward. A situação com Bella foi apenas para a levar a aceitar o teu convite. Eu não podia deixar que fosses com qualquer mulher. Tinha que ser uma mulher escolhida por mim. A mulher ideal para ti: inteligente e sem futilidades.

Edward virou-se para mim muito zangado.

– A minha irmã pagou-te para ires para a cama comigo?

Eu fiquei sem ar. O meu conto de fadas tinha terminado.

– Jamais aceitaria uma coisa dessas, - disse-lhe, áspera e claramente. – Desculpa por te ter magoado. Vou-me embora. Adeus, Edward. Adeus, Alice.

Virei as costas e saí dali a correr. Corri ao acaso, afastando-me o mais possível dele e do meu desgosto. Não fui muito bem-sucedida. Tinha acabado de chegar ao College Green quando o senti a correr atrás de mim. Acelerei mais a corrida mas acabei por ser apanhada.

– Pára, Bella. Temos que conversar, - disse ele entre respirações. – Caramba! Para uma rapariga tão pequena tu corres rápido.

– Larga-me, Edward, - pedi com dificuldade.

Ele puxou-me pelo braço obrigando-me a ficar de frente para ele. Fiquei aliviada de ter cabelo a tapar-me a cara.

– Estou à espera de ouvir o que tens para me dizer. Olha para mim e fala.

Acabei por levantar a cabeça e empurrar o cabelo para trás com a mão que tinha livre.

– Eu já te pedi desculpa. Que mais queres? Humilhar-me? O que queres que eu faça? Queres que te peça desculpa de joelhos? – Perguntei com mágoa.

– Quero que me expliques o que se passou, - disse ele num tom duro.

– Pergunta à tua irmã. O plano é todo dela. Para te dizer a verdade eu nem sabia que tinham apostado a dinheiro. Só há bocadinho é que ela disse que eram mil dólares bem gastos. Mil dólares? – Perguntei com incredulidade. - Quem é a louca que aposta mil dólares para dar uma lição ao irmão? E tu e o teu irmão grandalhão aceitaram! Como? Porquê? Que mal lhe fizeste tu para ela achar que tu não prestas? Eu disse-lhe que tu és boa pessoa e que não precisas de lições nenhumas. Quando ela me procurou, senti-me intimidada. Pensei que ela achava que eu era uma aproveitadora. Depois foi um balde de água fria. Disse-lhe que não podia fazer uma coisa dessas mas eu já tinha prometido fazer o que fosse necessário e ela não me deixou voltar com a palavra atrás, - afirmei novamente alterada. - Eu sei que tenho culpa mas, no início, eu não sabia. Quando prometi ajudar-te eu não sabia que ia ser assim.

– Pára para respirar e senta-te aqui, - disse ele arrastando-me para um banco. – Agora, conta-me tudo desde o início que eu não estou a entender nada. – Falava mais calmo mas continuava a segurar-me com força.

Respirei fundo várias vezes enquanto tentava ordenar os meus pensamentos. Agradeci-lhe mentalmente por respeitar o meu tempo e não exigir que eu começasse a falar antes de estar preparada.

– Na festa do teu aniversário a Alice percebeu que eu gostava de ti e procurou-me dizendo que tu não estavas bem e que eu podia ajudar-te. Eu não entendi muito bem o que ela queria porque ela começou a falar mal de ti e a dizer que eu não gostava o suficiente de ti… Essas coisas, - arrematei, desviando o olhar para as tábuas do banco de jardim. - Deixei-me levar. Eu devia ter percebido logo. Afinal, uma família como a vossa não precisa de nada, muito menos da ajuda de uma pobretona insignificante como eu.

– Não te menosprezes. Continua, - disse ele, levantando-me o rosto com a mão livre.

– A tua irmã é uma manipuladora, sabias? – Ele acenou com a cabeça e pareceu-me esboçar um sorriso. – Acabei por lhe prometer que fazia qualquer coisa para te ajudar, - confessei, envergonhada. - Só passado uns dias, depois de supostamente sermos amigas, é que ela me disse que tinha que te seduzir. É claro que inicialmente pensei que ela estava a brincar comigo. Quando percebi que era a sério opus-me a essa loucura, mas ela acabou por me cobrar a promessa que eu lhe tinha feito. Compreendes? – Perguntei sem grandes esperanças. Respirei fundo antes de continuar. - Depois, deixei-me levar pela ideia de estar contigo. Fui fraca e peço desculpa por isso. Não foi por dinheiro, juro que não foi. Mesmo as roupas que ela me obrigou a comprar fui eu que paguei. Menos a lingerie, - acrescentei mais baixo, fechando os olhos por dois ou três segundos. - Eu já não tinha mais dinheiro. – Voltei a respirar fundo várias vezes. - Mas eu vou pagar-lhe tudo. Ela disse que era uma prenda mas eu faço questão de pagar.

– Não te preocupes com isso, - disse ele olhando para longe.

– Agora já sabes tudo. Desculpa, Edward. Deixei-me levar pela Alice e pela ideia de estar contigo, - murmurei. – Não queria magoar-te. Pensei que a única pessoa que sairia magoada seria eu.

– Como assim? Pensaste que eu te ia tratar mal? – O seu olhar era um misto de tristeza e de ira.

– Pensei que não me ias aceitar.

– Afinal tenho que agradecer à minha irmã, - disse ele após um silêncio relativamente longo.

– Agradecer? Ela jogou sujo! Devias era dar-lhe uma descompostura. Ela é louca.

Ele riu-se e puxou-me para o seu colo.

– Se não fosse a loucura dela nós não nos tínhamos conhecido.

– Pois.

– Nunca sei o que significam esses teus pois, - resmungou ele.

– Quando não sei o que dizer ou não me sinto à vontade para dizer o que penso, digo pois.

– O que é que querias dizer agora que não tiveste coragem de dizer?

– Que tens razão. Por mais difícil que seja de aceitar, a tua irmã passou de bruxa a fada.

Ele deu uma gargalhada e beijou-me.

– E agora, Edward?

– Vamos jantar, claro. Depois temos mais uns dias pela frente. A nossa fada madrinha, disse a toda a gente que tínhamos casado. Estamos em lua-de-mel, amor.

O meu coração deu um pulo e fui invadida por uma enorme onda de esperança.

– E depois? – Perguntei um pouco a medo.

– Depois temos a eternidade para desfrutarmos um do outro.

– Como assim? – Eu precisava ter a certeza que ele estava mesmo ali, a dizer-me tudo aquilo.

– Bella, Bella. Para ti deveria ser mais fácil perceber o que eu estou a sentir. Afinal, tu sentes o mesmo por mim. Não é verdade?

– É?

– Apaixonei-me por ti, meu cisne lindo.

– Como? – Perguntei incrédula.

– Não sei. Aconteceu. A nossa química é desumana e o teu olhar é fulminante. Não consigo libertar-me do teu feitiço. Nem quero. Tu fazes-me feliz.

– Tens a certeza?

– Tenho. Se não fosse assim, não teria vindo a correr atrás de ti tão rapidamente. Mesmo chateado contigo eu não consegui deixar-te fugir da minha vida. E olha que corri sérios riscos de ir preso.

– Hã? – Ele estava a falar de quê?

– Imagina que algum polícia me via a correr desalmadamente com uma bolsa de senhora na mão.

Só nesse momento me apercebi que ele tinha a minha bolsa com ele. Estava tão aturdida que não consegui articular nenhuma palavra.

– Agora a sério, Bella, fica comigo. Preciso que fiques comigo, - afirmou enfaticamente. - Só de pensar em perder-te sinto a tua falta.

Fixei o meu olhar no dele tentando encontrar provas de que tudo o que ele me dizia era verdade. O seu olhar era de tal forma intenso que parecia entrar dentro de mim e tocar-me na alma. Um fluxo abundante de emoções percorreu todo o meu corpo e, como se percorresse um caminho natural, difundiu-se por Edward. Ficámos como se estivéssemos dentro de uma enorme bolha, isolados do mundo e, de um modo estranho, protegidos dos outros. A sensação de partilha que sentimos denunciou a forte ligação que existia entre nós. Senti medo de perder aquilo. Senti medo de não poder ficar com ele.

– Os teus olhos são tão lindos; fascinam-me. Prendem-me a ti, como se fossem encantados. Tu és o meu encantamento, Bella.

– E se esse encantamento se quebrar quando nos afastarmos? Não podemos ficar juntos para sempre.

– Porquê? Essa ideia não me parece desagradável.

– Vais ter que voltar para casa, para o teu curso, para a tua família, e eu também tenho os meus estudos e o meu trabalho…

– Podemos continuar juntos, Bella. De que é que tens medo?

– Tenho medo que acabes por perceber que este encantamento é apenas isso: um encantamento. Uma situação efémera que se extingue tão rapidamente quanto surgiu.

– Sim, é verdade. Tu também podes deixar de sentir amor por mim à medida que me vais conhecendo melhor.

– Impossível. Não sei explicar-te como, mas sei que o que sinto por ti é demasiado grandioso para desaparecer.

– Sentes isso desde o primeiro momento?

– Sim, acho que sim. É como se tivesse que ser assim, compreendes?

– Destino? Bom, nesse caso porque é que não acreditas que eu sinto o mesmo por ti?

– Não sei o que dizer, Edward. Eu…

– Amas-me, Bella?

– Sim, muito.

– Eu também e este é o melhor sentimento do mundo.

– Não parece verdade, - murmurei ainda aparvalhada com a declaração dele.

– Tenta acreditar em mim, amor. Fazes isso?

– Sim, eu… Não me parece real, entendes? Sei que vou acordar dentro de minutos e vou estar sozinha na minha cama.

– Tu tens sérios problemas com a realidade, não tens? Mas fica sabendo uma coisa, a tua imaginação não é assim tão boa. Queres ver?

Subiu para cima do banco e olhou à sua volta.

– Eu, Edward Cullen, estou apaixonado por Isabella Swan, um belo cisne e extraordinária mulher, - gritou ele.

Várias pessoas pararam para o ouvir e algumas mulheres olharam para mim com inveja. Uma senhora já idosa, sorriu para nós com ternura e soletrou com os lábios:

– Ele ama-te.

Edward, desceu do banco e pegou-me na mão fazendo-me levantar. Colocou o joelho no chão e olhou-me fixamente.

– Bella, eu amo-te até ao infinito. Aceitas o meu amor?

 

NOTA DA AUTORA:

Talvez achem estranho terminar uma história com uma pergunta.

Pessoalmente, achei que era um final feliz, deixando em aberto todo o desenrolar de duas vidas que tiveram a felicidade de se encontrarem, embora em circunstância um pouco anormais. A ideia para esta fic surgiu ao pensar que muitas vezes nos cruzamos com pessoas desconhecidas sem desconfiarmos que poderiam fazer parte da nossa vida. E se a nossa cara metade aparecer à nossa frente e nós não repararmos nela? Neste caso, utilizei os "poderes" de manipulação e intuição feminina de Alice para despertar em Edward a atenção para Bella.

Despeço-me desejando a todas que ainda não encontraram o amor das suas vidas, que tenham uma Alice ao pé para chamar a atenção para a pessoa certa.

Obrigada por terem lido.

 

Se tiver comentarios bons (com feddback da fic) pode ser que apareça uma surpresa XD

publicado por Twihistorias às 22:27
Fanfics:

08
Fev 13

POV Edward

 

Nunca antes uma mulher tinha mexido comigo de forma tão intensa. Constatar que estava a apaixonar-me por Bella foi uma surpresa que me deixou aturdido e deslumbrado. Ter a sorte de me apaixonar por alguém tão maravilhoso e ser correspondido era o cúmulo da felicidade. Desde pequeno que ouvia o meu pai dizer que devíamos estar atentos para não deixarmos passar ao lado as coisas importantes. Naquele momento, esta máxima do meu pai fez todo o sentido. Não tinha deixado passar Bella ao lado porque o destino me abriu os olhos. Eu não tinha estado suficientemente atento. Porém, alguma fada de bom coração teve pena de mim e colocou Bella na porta daquele bar, naquele dia, àquela hora.

Nunca me tinha envolvido emocionalmente com ninguém. A minha família e dois ou três amigos eram as únicas pessoas a quem eu me permitia mostrar, dando e recebendo afeto e mesmo assim não lhes dizia tudo. A minha mãe e a minha irmã diziam-me que eu tinha construído uma muralha à volta do coração para impedir que me magoassem. Visão tipicamente feminina; daquelas que não compreendem a mente de um homem. Na realidade não era nada disso. Eu gostava apenas de preservar o meu espaço e o meu direito à privacidade. A quem poderia falar de Bella, por exemplo? A minha mãe, como romântica que é, iria começar a ver corações em todo o lado. Se calhar até choraria. O Emmett iria gozar comigo até ao fim dos meus dias. A Alice… bem, a minha irmã diria qualquer coisa inesperada, como sempre. O meu pai faria um discurso sobre crescimento interior e responsabilidade numa relação a dois. Jasper. Só o meu amigo (e quase cunhado) Jasper me ouvia sem me julgar ou tecer comentários inapropriados. Sim, a ele eu poderia falar de Bella. Ficaria surpreendido ao saber que eu estava tão envolvido mas não iria estranhar, afinal ele apaixonou-se pela minha irmã assim que a viu. De certa forma era isso que estava a acontecer comigo. Só que eu precisei que Bella me ensinasse a olhar para si mesma.

Olhando para ela, com a água a cair por cima da sua cabeça, eu via a perfeição. Bella mexia profundamente comigo. Havia algo nela que me cativava, mental e fisicamente. Ah! Fisicamente ela mexia demasiado. Bastava olhar o seu corpo ou sentir uma carícia sua para despertar o meu desejo por ela. O que me deixava ainda mais agradado era verificar que ela sentia o mesmo relativamente a mim. Não tínhamos conseguido fazer amor na banheira devido à nossa impetuosidade e premência.

Semicerrei os olhos lembrando-me da loucura que tínhamos acabado de viver. Olhei para o chão da casa de banho para confirmar que tinha mesmo acontecido e que não era um desvario da minha cabeça. Os objetos que eu tinha atirado para o chão, com a intensão de afugentar as empregadas da limpeza, estavam realmente no chão. Que loucura! Arrependi-me de ter feito as coisas daquela maneira. Deveria ter sido menos bruto e mais gentil com ela. Mas ela estava tão quente que foi como acender um rastilho de pólvora. Não me foi possível parar.

Voltei a olhar para ela. Ela tinha fugido ao contacto da minha mão. O que é que eu deveria fazer? Insistir ou respeitar? Queria voltar a fazer amor com ela. Porra, Edward. Controla-te, pá. Pareces um tarado. Engoli um gemido de frustração.

– Tenho um desafio para te propor, - afirmou ela arrancando-me dos meus pensamentos.

– Gosto de desafios, - disse eu, lembrando-me que a nossa situação tinha começado com um.

– Eu sei, - disse ela a rir. – Bom, o que eu proponho é tentarmos resistir um ao outro.

– Como? – Arqueei as sobrancelhas sem perceber onde ela queria chegar.

Ela riu-se mais alto, ainda virada de costas.

– Parece óbvio que existe uma atração física considerável entre nós, - continuou ela cautelosamente.

– Sim. Enorme, - respondi satisfeito mas cheio de curiosidade.

– Então, vamos ver qual de nós dois consegue resistir mais tempo ao outro.

– Não nos podemos tocar? – Perguntei tentando perceber o alcance do desafio.

– Só não podemos… Sem penetração, - acrescentou ela mais baixinho.

Estava tramado. Só de a ouvir falar em penetração eu já estava a ponto de subir pelas paredes…

– Quem resistir mais tempo ganha o quê?

– Pode pedir o que quiser.

– Ok. Estou nessa. Já sei que vou perder mas não interessa. Vou gostar de saber o que me vais pedir.

– Não sejas batoteiro. E se eu pedir para ir embora ou para ficares comigo neste quarto uma semana?

– Vou tentar resistir, - afiancei. Eu não queria de maneira nenhuma que ela fosse embora. Se soubesse que o pedido dela era o segundo desistia já mas… Não, eu ia resistir e quem pediria para ficar ali uma semana seria eu. – Se ganhar posso pedir qualquer coisa? Qualquer coisa, mesmo?

– Bem… - engasgou-se ela. – Dentro do que é normal. Sem humilhações, por favor.

Fiquei triste com as suas palavras. Puxei-a por um braço e virei-a para mim, obrigando-a a olhar-me. Vi medo nos seus olhos.

– Eu prometi que nunca te faria mal. Eu cumpro sempre o que prometo. – Ela desviou o olhar. – Bella, confia em mim. Há pouco, fui um tanto ou quanto bruto contigo mas não era minha intenção magoar-te.

– Bruto? – Ela parecia confusa.

– Na parede.

– Ah. Isso. Não. Eu… gostei. – Estava extremamente enrubescida.

–Isto vai ser difícil, - resmunguei. – Como vou conseguir resistir-te? Tu enfeitiças-me.

Ela riu-se novamente e, encostando-se a mim, começou a beijar o meu peito. A minha pele arrepiou-se e eu mordi o meu lábio para não gemer. Ela continuou. A tortura só estava a começar. Eu ia morrer ali.

– Ah, Bella. Se eu ganhar isto, não te vou deixar sair deste quarto tão cedo.

– Boa ideia, - sussurrou ela ao meu ouvido, fazendo-me arrepiar e gemer.

Não sei bem como nem quanto demorou, mas acabámos o banho. Eu precisava de ficar uns momentos sozinho pelo que lhe estendi uma toalha e fiz-lhe sinal para ela ir para o quarto. Senti-me novamente um adolescente ao sentir necessidade de me masturbar para aguentar os ataques de Bella.

Quando regressei ao quarto ela tinha voltado a vestir a lingerie preta. Suspirei e tentei manter a calma. Juntei-me a ela na cama e ela aproximou-se de mim enroscando o seu belo corpo no meu e começou a passar os seus lábios nos meus. Sem pensar pousei a minha mão na sua anca e ainda a encostei mais a mim, o que a fez gemer. Fiquei satisfeito por ver que ela também estava em modo de ação.

Ficámos ali a atormentar um ao outro, até eu atingir o meu limite de resistência, com a mão dela a aproximar-se demasiado da minha ereção. Então, num vislumbre de lucidez, tive uma ideia para virar o jogo. Ri-me ao pensar no que iria fazer-lhe. Eu ia ganhar este jogo. Ah se ia.

– Só não vale penetração, Bella. Prepara-te para te renderes, - sussurrei-lhe ao ouvido.

Ela estremeceu e ficou em sentido de alerta. Manhoso, virei-a de costas e comecei a beijar-lhe a pele desde o pescoço até às coxas, fazendo-a estremecer vezes sem conta e deixando-a arrepiada. Tirei-lhe a roupa interior e continuei no meu rumo. Voltei a virá-la, desta vez de frente para mim, e ataquei a sua boca, sendo avidamente correspondido. Depois fui descendo até aos seus seios. Ela soltou um gemido alto quando prendi suavemente o mamilo entre os meus dentes e depois o suguei. O seu corpo arqueou e eu vi a minha vitória mais perto. Cada vez que percebia que ela estava próxima do orgasmo abrandava as carícias, voltando à sua boca e retomando a descida, deixando-a cada vez mais louca de desejo. Ela estava completamente desesperada, gemendo e contorcendo-se, quando a minha língua chegou ao centro do seu ardor.

– Por favor… - ouvi- a suplicar. – Por favor… Desisto… Edward?

– Diz, amor. – Eu estava em júbilo ao vê-la tão entregue.

– Quero-te. Preciso…

– De quê, querida? – Eu estava a ser muito sacana e estava a adorar.

– De ti, Edward. Agora, - clamou.

– Agora? – Perguntei, enquanto colocava um preservativo numa velocidade recorde.

– Agora, - disse ela com exasperação, fazendo-me sorrir.

Voltei para os seus braços, também desejoso de a possuir novamente. Ela agarrou-me com força e procurou a minha boca com sofreguidão. Não a fiz esperar mais. À primeira investida, ela arqueou o corpo com tanta força que conseguiu afastar-me da sua boca, fazendo com que o seu grito rouco saísse livre e forte. Estremeci com a violência do orgasmo dela.

– Amo-te, Edward, - murmurou ela entre respirações ofegantes.

Senti-me um afortunado. Era a primeira vez que uma mulher me dizia aquilo no auge do prazer, especialmente, naquele tom e de forma tão verdadeira. Foi impossível não me envaidecer. Ela já me tinha dito antes o que sentia mas naquele momento foi como se eu tivesse realmente interiorizado o seu significado. Ela amava-me.

Abrandei ainda mais os meus movimentos. Eu queria fazer durar a nossa união. Senti-la tão próxima e tão minha era demasiado forte e inebriante. Eu estava enfeitiçado por aquela mulher. Como se soubesse o que me ia na cabeça, as suas mãos procuraram os meus cabelos e puxaram-me para a sua boca. O nosso ritmo intensificou-se e ela murmurou qualquer coisa que eu não entendi.

– Queres alguma coisa, querida? – perguntei, beijando-lhe a pele rumo à sua orelha.

– Provar-te.

– O quê? – Perguntei sem perceber. – Uh, não. Agora não.

Ela queria matar-me, só podia. Só a ideia de sentir os seus lábios na minha ereção punha-me maluco.

– Porquê? Tu já o fizeste comigo, - insistiu.

– Ah, Bella. Se o fizesses eu não iria aguentar um minuto.

– Isso é mau?

– Shhhh. Não digas nada.

– Acho que irias gostar se eu o fizesse.

– Ahhhhhhhhhhhhhhhhhh, - chiei. Porra, porra, porra. Aguenta-te, Edward.

Para desviar a atenção dela daquela ideia, procurei o seu seio esquerdo e comecei a lambe-lo e a sugá-lo. Ela gemeu e agarrou-se ao meu cabelo, murmurando silabas cujo nexo eu não encontrei. Depois, puxei-lhe a perna para cima, dobrando-lhe o joelho e prendendo-o, mas ela fez um som esquisito e moveu-se, levando-me a soltá-la. Empurrou-me para o lado e, vendo a minha incompreensão, sorriu. Posicionou-se em cima de mim e esfregou-se no meu corpo.

Escorregando cada vez mais para baixo, foi beijando e lambuzando a minha pele, deixando-me pensar no que faria a seguir. Gemi quando percebi que ela ia fazer precisamente o que tinha dito que queria. Pensei em impedi-la mas o meu desejo de a sentir era enorme.

As suas mãos entraram em ação e tocaram-me, primeiro um pouco trémulas mas depois mais seguras. Eu pulsava nas mãos dela desejando mais. Quando a sua boca chegou perto e ela tentou retirar o preservativo, reagi. Sentei-me, puxando-a para o meu colo e fazendo-a passar as pernas para as minhas costas. Ergui-a um pouco para a encaixar em mim e beijei-a furiosamente. Ela gemeu na minha boca, talvez estranhando aquela posição, e deixou-se guiar pelos meus movimentos. Pelo menos por algum tempo.

Voltou a empurrar-me, desta vez para traz, obrigando-me a deitar, ficando ela no comando da situação. Deixei-a marcar o seu ritmo e deixei-me maravilhar com os seus movimentos. Esta era uma situação nova para mim. Normalmente, eu não me deixava dirigir; gostava mais de estar numa posição dominante. Ali eu era o dominado e, contrariamente ao que imaginara, sentia-me seguro.

Quando a senti próxima do orgasmo, inverti as nossas posições e investi com força. Beijámo-nos com paixão e explodimos numa apoteose de sentidos. Murmurando palavras de afeto, deitei-me a seu lado, puxando-a para o meu peito.

– Adoro a forma como fazemos amor, - sussurrei ainda extasiado.

Ela suspirou mas não disse nada.

– A forma como os nossos corpos reagem um ao outro é extraordinária, - continuei. - Nunca tinha sentido isto antes.

– Não? – Perguntou ela encarando-me.

– Não. Nunca. Contigo é completamente diferente, - disse-lhe, passando um dedo pelo seu rosto. - É mais… Não sei explicar. É mais intenso, mais profundo. Deve ser da forte atração química que temos.

– Pois, - sussurrou ela, afastando o olhar.

– Pois? – Não consegui perceber o significado da sua entoação.

– Não tens fome? – Perguntou ela, claramente para desviar a conversa. – Talvez pudéssemos pedir o jantar.

– Também poderíamos ir jantar a outro sítio, - sugeri atento à sua expressão.

– Pois, podíamos, - disse ela fazendo uma careta.

– Não gostaste da ideia. Porquê? – Eu queria saber o que lhe ia na cabeça.

– Ainda não me disseste o que vais pedir por teres ganho o nosso jogo. – Voltou novamente a desviar o assunto o que me irritou um pouco.

– Mas eu já te disse. Quero mais tempo contigo.

– Quanto tempo?

– O máximo possível. – Eu não era capaz de quantificar o quanto a queria, mas sabia que a queria muito mais do que o razoável.

– Mais uma noite? Um dia? Uma semana? – A voz dela mal se ouvia.

– Um mês, um ano, uma vida. Não sei, Bella. Só sei que quero mais tempo, - resmunguei. – Quando cheguei a este quarto só me apetecia ir embora. Há bocado, quando propuseste este desafio eu pensei que, caso ganhasse, iria pedir para ficares comigo uma semana. No entanto, agora sei que quero mais que isso.

– Não podemos ficar neste quarto, fechados para sempre.

– Eu sei. Podemos começar por sair para ir jantar e depois voltamos.

Ela pareceu descontrair-se um pouco e sorriu.

– Vamos lá então.

publicado por Twihistorias às 18:00
Fanfics:

30
Jan 13


POV Bella

Deixei Edward a falar com o empregado que tinha vindo recolher o carrinho da comida e enfiei-me na casa de banho. Enchi a banheira de água, despejei uma quantidade grande de gel para fazer espuma e, deleitando-me no calor da água, esperei por Edward. Ele não tardou muito tempo. Despiu-se e juntou-se a mim nas minhas costas, fazendo-me encostar a ele. Ouvi-o suspirar ao relaxar na água.

– És um belíssimo cisne, Bella.

– Obrigada, meu príncipe, - respondi tentando aparentar uma leveza que não sentia.

– Acho que vamos ter que escrever a nossa história. Não há nenhuma outra que junte um cisne e um príncipe.

– Boa ideia, - respondi a rir. – Eu gosto de escrever.

– Como é que achas que deve ser o fim?

Aquela pergunta apanhou-me desprevenida. Eu também gostaria de saber como iriamos ficar depois de tudo o que tínhamos vivido naquele quarto de hotel.

– Não sei… - respondi reticentemente. - Gostaria que tivesse um final feliz, - acabei por confessar.

– Também eu, Bella.

– Em todo o caso, mesmo sem saber como vai ser o final, eu tenho que te agradecer por tudo, pela tua gentileza, pelo teu carinho e pela tua compreensão.

– Achas mesmo que há necessidade de agradecer o que quer que seja? Se há alguém que tem alguma coisa a agradecer sou eu, por me teres dado a oportunidade de te conhecer. O que se passou entre nós foi lindo e muito bom. Eu…

Remexi nervosamente a espuma da água enquanto aguardava que ele dissesse o que pensava.

– Sim? – Ansiosamente, incentivei-o a continuar.

– Eu não quero que acabe, Bella.

– Ficamos como, então? – O meu coração batia como um louco.

– Não sei. Mas sei que não quero que saias da minha vida.

– Hummmm. – Foi o único som que consegui dizer. A minha agitação interior era enorme.

– E tu, que pensas disto, querida?

– Eu amo-te, Edward. Que mais poderia desejar? O que me dás é mais do que alguma vez pensei ter.

– Eu quero dar-te mais. Eu quero dar-te tudo.

– Neste momento tenho tudo o que quero, - murmurei, respirando com dificuldade.

– Que é o quê?

– Ter-te junto a mim e sentir-te feliz.

– Eu estou feliz e estranhamente em paz. Suspeito que tu sejas uma feiticeira. – Ri-me do seu comentário. – Os teus olhos enfeitiçam-me. Não sei porquê mas contigo sinto-me bem comigo mesmo. É como se ficasse completo. Percebes?

Ah sim, eu percebia aquilo melhor do que ele pensava. Eu sentia exatamente a mesma coisa. O meu medo era que no dia seguinte, quando ele fosse para casa e me deixasse sozinha, as coisas mudassem e ele visse que afinal não sentia nada de especial por mim.

– Sim, eu também me sinto assim. É por isso que temos que aproveitar estes momentos ao máximo.

– Estes momentos chegam-te? – perguntou ele enquanto desenhava linhas curvas na minha coxa.

– Estes momentos são a minha ilusão transformada em realidade. Estou muitíssimo feliz e ao mesmo tempo tenho um medo terrível de acordar e perceber que foi apenas um sonho. Pior, tenho medo que este encantamento se quebre e que vejas que afinal eu continuo a ser um patinho feio.

– Não digas isso, querida, - disse ele abraçando-me mais forte. - Para que o encantamento não se quebre só é preciso que não desapareças da minha vida. E, para que saibas que isto não é um sonho, - continuou ele, beijando-me o pescoço, - vou amar-te novamente. Alguma vez sonhaste que fazias amor comigo?

Não respondi e ele acabou por se rir e morder-me o lóbulo da orelha. Soltei um gemido sem querer.

– A tua pele é uma delícia, tão macia e sedosa, - retomou ele. – Minha querida, tu podes já ter sonhado comigo mas aposto que nunca sonhaste em fazer amor comigo nesta banheira nem imaginaste tudo o que eu pretendo fazer contigo.

O meu corpo estremeceu com as suas palavras e com o seu significado. Ou talvez fosse das suas mãos que incendiavam o meu corpo e me carregavam de desejo.

– Gosto da forma como dizes querida, - murmurei.

– A única pessoa que eu costumo tratar por querida é a minha mãe, embora às vezes também o faça com a minha irmã.

– Oh, Edward.

– Acho que estou a apaixonar-me por ti, Bella.

O meu coração quase parou antes de recomeçar a bater com toda a força e rapidez. Procurei a sua boca e comecei a beijá-lo desesperadamente. O mundo podia parar porque para mim não havia mais nada a não ser nós os dois e o quase amor que Edward sentia por mim.

A água do banho e a superfície lisa da banheira dificultavam os nossos movimentos e a nossa pressa, pelo que acabámos por escorregar e mergulhar na água quente. Voltámos a sentar-nos e, ao olharmos para as nossas figuras cheias de espuma, desatámos a rir à gargalhada.

– Acho que não é o lugar ideal para fazer amor, - disse ele ainda a rir. – No entanto, agora podes ter a certeza que não estás a sonhar.

Rimo-nos novamente e fomos retirando a espuma do rosto um do outro. Por incrível que pareça este episódio divertido acabou por estreitar ainda mais os laços entre nós. Edward chamou-me com um dedo e eu voltei a encostar-me de costas a ele e ficámos por ali a aproveitar o resto do banho.

A nossa excitação ficou em estado latente. Eu sentia a ereção de Edward e ele certamente que percebia a forma como eu me arrepiava quando ele aproximava as mãos dos meus pontos mais sensíveis.

– Quero-te, Edward, - sussurrei, algum tempo depois, não suportando mais o desejo que sentia.

Ele saiu com ligeireza da banheira, pegou numa toalha enrolando-a à cintura, e ajudou-me a sair também. Com outra toalha começou a enxugar-me mas eu tinha pressa. Libertei-o das duas toalhas e encostei o meu corpo nu ao corpo dele.

– Agora. Quero-te agora, - murmurei tentando passar a minha perna esquerda à volta do seu quadril.

Neste movimento, os nossos sexos tocaram-se e ele gemeu. Levantou-me com facilidade, segurando-me nas costas e nas nádegas o que me deu a possibilidade de cruzar as minhas pernas à volta do seu corpo.

– Não sei se o quarto está livre. Pedi que trocassem os lençóis enquanto tomávamos banho, - disse ele num tom baixo e rouco.

– Mudar os lençóis? – Perguntei sem entender, mas logo percebi o porquê. Corei até ao nível máximo, quer pela vergonha quer pela deceção. – Ah! Pois.

Nesse momento ouviu-se um barulho leve que nos indicou que efetivamente estava alguém no quarto.

– Bolas! – sussurrámos os dois em simultâneo o que nos fez fixar o olhar um no outro.

Estabeleceu-se um diálogo mudo entre nós que definiu a nossa vontade. Com este acordo tácito caímos na boca um do outro e estreitámos ainda mais o nosso abraço. Remexi-me no seu colo, procurando um contacto mais íntimo com o seu membro. Eu queria sentir Edward novamente dentro de mim. Queria senti-lo meu mais uma vez. O meu desejo não tinha fim e o dele revelou-se impaciente como o meu porque num impulso preciso, mergulhou no meu interior. As nossas bocas pararam coladas uma à outra, engolindo os sons do nosso prazer. Permanecemos assim alguns segundos, como se verificássemos que o desejo de um era o desejo do outro, e retomámos os beijos e o movimento lento de penetração. Desta vez não doeu tanto e o prazer foi substancialmente maior.

Tentei controlar os meus gemidos mas se não fosse a boca de Edward, sempre ávida da minha, a abafá-los, eu ter-nos-ia denunciado. Com ele a minha capacidade de controlo desfazia-se como um castelo de areia ao sol. O fortíssimo poder da atração que nos unia associado ao meu desejo de querer vivenciar o amor que tinha por Edward, faziam-me sentir tudo no limite máximo. Agia como nunca pensei que poderia agir, fazendo e desejando coisas que até ali não me sabia capaz de fazer ou de desejar.

Impeli o meu corpo contra o dele sem cessar, sendo travada pelas mãos fortes de Edward que me continham, numa tentativa de conduzir a situação no sentido certo. O enorme esforço despendido por ele estava patente na sua respiração acelerada e nos gemidos roucos que se misturavam com os meus.

A determinada altura, ouvi o barulho de coisas a cair no chão e, logo a seguir, senti uma superfície fria nas minhas costas. Edward prendeu-me contra a parede da casa de banho, bloqueando mais os meus movimentos, e intensificando os seus. Pela primeira vez a sua boca deixou a minha e deslizou pelo meu pescoço mordendo e beijando a minha pele, ao mesmo tempo em que começou a estimular o meu seio esquerdo. A nossa urgência chegou ao rubro, catapultando-nos para a espiral de prazer tão pretendida. Atingi o auge num orgasmo ainda mais forte e longo que os dois anteriores.

Quando me apercebi da realidade novamente, estava apoiada no armário do lavatório ainda enlaçada em Edward. Ele tinha a cabeça encostada no meu pescoço e uma mão na parede ao lado do espelho. Aos poucos a sua respiração foi acalmando, tal como a minha.

Queria dizer alguma coisa mas não encontrava nada que fosse adequado naquele momento. Embora gostasse de repetir que o amava e que tinha adorado fazer amor com ele não tive coragem. À falta de melhor mantive-me calada, inalando o seu cheiro e sentindo-o ainda meu.

Impulsivamente, passei a minha língua pelo seu ombro. Este gesto pareceu despertá-lo da sua abstração, pois, afastou-se de mim e retirou o preservativo que eu não o tinha visto colocar.

– Acho que estamos a precisar de um banho senhorita Swan.

Ainda sem saber o que dizer e um pouco perdida com o comentário dele, limitei-me a concordar com um ligeiro aceno. Quando tentei saltar do armário, ele impediu-me e, puxando as minhas pernas para as suas costas, voltou a pegar-me ao colo.

– Gosto do teu sorriso.

Procurei os seus olhos para ver se ele estava a brincar comigo e ele pareceu-me sincero o que me surpreendeu. Eu nem me tinha apercebido que estava a sorrir.

– O teu sorriso também é muito bonito. – Ele sorriu de través o que me fez corar. – Esse sorriso é o que mais gosto.

– Este? Tenho diferentes sorrisos? – Perguntou-me ele colocando-me no chão e virando-se para a banheira.

– Sim, eu… Meus Deus! Fui eu que fiz isso? - Edward tinha vários arranhões nas costas. – Desculpa, Edward, eu… nem acredito que te magoei. Porque é que não disseste nada? – Perguntei-lhe ao passar a mão pela sua pele maltratada.

– Não é nada de sério, linda. São feridas de amor.

– Desculpa, eu…

– Ouve-me, Bella, - disse ele com as mãos a envolver-me as faces, - não é nada sério. Acredita em mim. Não te disse nada porque o que estava a sentir era muito mais forte e potente.

– Mas eu magoei-te.

– Shhhhhh. Eu também te magoei.

Eu corei violentamente e virei a cara para baixo mas nesse percurso passei os olhos pela sua região púbica o que me fez corar mais. Controla-te, Bella. Controla-te. Por favor controla-te.

– O príncipe vai levar o belo cisne ao banho. Vamos lá, - disse ele colocando-me dentro da banheira e abrindo a água.

– Ah! Está fria. – Refilei, afastando-me da água.

– Para podermos tomar banho juntos sem que aconteça mais nada, só mesmo de água fria. Tu não tens noção do poder que exerces sobre mim.

– É capaz de não adiantar nada, – sussurrei. Ele olhou para mim inquiridoramente. – Somos os dois adultos. Não vai acontecer nada que não queiramos.

– Ok. Vamos à água quente, - disse ele regulando a temperatura da água novamente. – Prometi-te falar da minha família. Ainda estás interessada em ouvir?

– Sim.

– Já conheces a Alice. É a mais nova e a mais doida, - afirmou ele puxando-me para baixo da água. - O mais parvo é o Emmett e também o mais alegre.

– E tu? És o quê?

– Não queiras saber.

– Quero saber.

– Bem, os meus irmãos chamam-me de irresponsável e mulherengo, - confessou envergonhado.

– É mentira? – Perguntei cuspindo a espuma do champô.

– Bom, não sou assim tão irresponsável. Nunca fui de dar preocupações aos meus pais.

– O teu problema é não resistir a mulheres. No entanto nunca namoraste.

– Pois não.

– Ainda não surgiu a mulher certa. Quando ela aparecer não vais conseguir largá-la.

Ele olhou para mim com atenção enquanto se esfregava o que me fez voltar a corar. A visão do seu corpo coberto de espuma deu-me vontade de o lavar. Virei-me de frente para o chuveiro para não ter que olhar para ele. Não conseguia acreditar que, passado tão pouco tempo de termos feito amor, eu já sentia desejo por ele novamente.

– Queres que te lave as costas?

– Vamos escorregar outra vez, - respondi a meia voz.

Ele riu-se e começou a esfregar-me as costas com suavidade. Estremeci com este contacto. Envergonhada por me mostrar tão disponível e fácil, afastei-me um pouco.

– Desculpa, Bella, - disse ele tirando as mãos.

O seu pedido de desculpa magoou-me. Não por me sentir ofendida mas porque percebi que o erro era meu. Ele só estava a sentir o mesmo que eu: excitação. Voltei novamente a pensar no que me fez aceitar a proposta dele e, principalmente, no que me fez ir até àquele quarto de hotel. É o teu momento, Bella. Aproveita-o o mais possível. No meio daquele turbilhão de emoções, uma ideia surgiu, forte e, ao mesmo tempo, interessante. Ri-me. Iria ser muito interessante.

publicado por Twihistorias às 22:28
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26
Jan 13

POV Bella.

Eu nem queria acreditar que estava nos braços do meu anjo, que afinal não era tão mau como parecia. Edward estava a ser muito atencioso e cuidadoso comigo. Houve um momento em que pensei que ele ia desistir mas ele acabou por ficar comigo. A Alice tinha-me avisado dessa possibilidade e tinha-me dito para eu insistir. Na altura tinha achado que ela estava a ir longe demais com aquilo e pensei que na hora quem ia decidir o que fazer era eu e não ela. Qual não é o meu espanto ou verificar que aquilo que eu queria era precisamente aquilo que ela me tinha dito para fazer. Eu sabia que se não o tivesse naquela noite não voltaria a ter oportunidade para isso. Assim, preparei-me mentalmente para me dar, mesmo sabendo que ele não sentia o mesmo por mim. Antes de chegar ao hotel, o meu maior medo era que ele fosse rude comigo. Depois que nos encarámos por mais de cinco minutos à porta do quarto, o meu maior medo passou a ser o da rejeição. E se mesmo assim ele não quisesse nada comigo?

Foi com a ideia fixa de ter que o seduzir que consegui voltar a vestir aquela roupa interior de marca que a doida da irmã dele me tinha comprado. Agradeci-lhe mentalmente quando vi a cara dele a olhar para mim ao deixar cair o roupão. Não tinha sido capaz de vestir o robe transparente que a Alice tinha insistido em comprar. Eu queria que primeiro ele me visse como eu era ao natural, sem estar concentrado em peças de lingerie. Por isso escolhi vestir o roupão do hotel.

Foi surpreendente a forma carinhosa como ele me aninhou nos seus braços. A conversa que tivemos sobre a nossa infância e os nossos sonhos e projetos para o futuro foi descontraída e agradável. Senti-o como o amigo que gostaria que ele fosse. Quando me disse que não era capaz de fazer amor comigo por me respeitar, senti um misto de alegria e de deceção. Ele estava mesmo a ver-me, já não era só o aspeto exterior que contava. Pelo menos foi a isso que me agarrei. Se já tinha a certeza do que queria ainda fiquei com mais depois disso.

Perdoa-me por não ter forças para me ir embora, foi a coisa mais bonita que ele me podia ter dito. E depois sentir os seus lábios nos meus foi tão intenso que pensei que ia desmaiar. Tudo o que se seguiu foi um sonho. A forma como ele me acariciou parecia que as suas mãos já conheciam o meu corpo e que o meu corpo já conhecia as suas mãos. Nunca pensei que fosse tão arrebatador sentir a pessoa amada. Afinal, por momentos eu fui a sua querida.

As experiencias extraordinárias que se seguiram levaram-me ao êxtase. O meu primeiro orgasmo, violento, forte e intempestivo. Gritei tão alto que se deve ter ouvido fora do quarto. Foi uma sensação indescritível. Fiquei tão feliz que só me apetecia fazer-lhe o mesmo se eu soubesse como.

Eu queria mais, muito mais. Eu queria aproveitar o máximo possível dele. Ele pensava que me estava a usar mas era ele o usado. Eu precisava dele, do corpo dele. Aquele calor abrasador que acelerava a minha respiração e o batimento do meu coração só podia ser apaziguado de uma maneira. Não podíamos voltar atrás. Parar agora era absolutamente impossível.

Senti-lo intimamente foi mais doloroso do que eu pensava, mas então as suas palavras ternas fizeram-me redimensionar a dor. Voltei a ser a sua querida. Nada mais me interessava. Tê-lo dentro de mim e ouvi-lo chamar-me amor lindo fez-me chorar. Aquele momento não podia ser mais perfeito.

Pediu-me para o beijar e eu não pensei duas vezes. Beijei-o, mordisquei-lhe o lábio e a orelha como ele tinha feito comigo. Tentei concentrar-me nele para evitar gemer de dor. Edward compassava as suas investidas, intercalando-as com beijos e sussurros, o que me ajudava verdadeiramente. Ia beijando a minha pele e murmurando algumas palavras carinhosas como linda, querida e amor. Agarrei-me a ele desesperadamente não querendo que ele parasse e beijei-o como se não houvesse amanhã. A determinado ponto, o prazer ultrapassou a dor fazendo-a diminuir até desaparecer. Então, as suas investidas tornaram-se mais rápidas e vigorosas, fazendo crescer em mim uma nova sensação de plenitude.

As mãos dele percorriam o meu corpo suado e quente elevando ao máximo as sensações que estava a sentir. Num gesto de luxúria e desejo, cruzei as minhas pernas nos seus quadris e chupei a sua língua. Ouvi-o gemer ao mesmo tempo que senti o aprofundar do nosso contacto. Mergulhei numa incrível torrente de prazer, cujo fluxo crescente desaguou numa poderosa e enérgica explosão de sentidos. Maravilhada, apeteceu-me gritar o nome dele e dizer-lhe que o amava mas todos os sons que emiti foram absorvidos avidamente pela boca dele.

No meu estado de deslumbramento, passei a minha mão direita pelo seu rosto, acarinhando a suas faces e com a esquerda o seu lindíssimo cabelo. Ele inclinou um pouco a cabeça para beijar os meus dedos e eu aproveitei o seu pescoço livre para passar a minha língua até à sua orelha e mordiscá-lo levemente. Ele intensificou o ritmo dos nossos movimentos e procurou novamente os meus lábios, enquanto murmurava palavras indecifráveis que me pareceram a mais doce declaração de amor.

O meu deslumbramento foi total ao assistir ao seu clímax. O beijo mais intenso, o abraço mais apertado e o som cavo e rouco do seu gemido final mostraram um Edward completamente entregue e rendido ao momento que estávamos a viver. Não tinha sido uma cena de sexo; nós tínhamos feito amor.

Tombou ao meu lado na cama sem dizer nada. Não achei errado. Não era preciso perguntar se ele tinha gostado porque eu senti o seu prazer e sabia que ele tinha sentido o meu. Senti-o tactear o meu corpo até encontrar a minha mão. Puxou-a para si e beijou o meu pulso, o que me fez desejar que o nosso ato ainda durasse.

Pouco tempo depois, a sua respiração tornou-se calma e compassada. Ele tinha adormecido a segurar a minha mão. Virei-me o mais lentamente possível para não o acordar e fiquei a fitá-lo, memorizando os traços e contornos do seu magnífico corpo.

Na minha cabeça passavam imagens, sons e cheiros, dos momentos que tínhamos partilhado. A comoção tomou conta de mim e, não conseguindo evitar, senti duas lágrimas traiçoeiras deslizarem pela minha pele. Não sabia se chorava de felicidade por ter feito amor com o homem que amava ou se chorava por já ter acabado e não saber o que iria acontecer a seguir. Com jeito, retirei a minha mão das dele e virei-me de costas. Não queria que ele acordasse e me visse a chorar. Acabei por adormecer também.

Acordei com o trepidar de um telemóvel. Maldisse a pessoa que estava a importunar o meu sonho e acomodei-me melhor decidindo não atender a chamada. Percebi então que o meu sonho tinha sido verdadeiro e que a razão de me sentir tão confortável era por estar encostada ao peito de Edward. Não fiz gesto algum para olhar para as minhas costas e verificar se ele ainda estava a dormir. Uma alegria imensa invadiu-me e, mentalmente, fiz a dança do “eu fiz amor com o Edward”. Ri-me desta ideia infantil mas o meu contentamento não esmoreceu.

– Estás bem? – Ouvi-o perguntar.

– Estou. E tu? – Respondi meia sobressaltada por saber que ele estava acordado.

– Estás mesmo bem? – Voltou a questionar, ignorando a minha resposta e a minha pergunta.

– Não estou arrependida, se é isso que queres saber. Tu estás?

– Não.

– Não?

– Não. Não sei bem o que pensar de tudo isto mas tenho a certeza que não trocava isto por nada.

As suas palavras deram alento à minha atitude seguinte. Enchendo-me de coragem, peguei na mão dele e deslizei-a lentamente pela minha pele, desde a perna até ao peito passando perigosamente pela minha virilha. Ele deixou-se conduzir, não fazendo qualquer esforço para retirar a mão ou desviar a trajetória. Comecei a ter alguma dificuldade em manter o ritmo respiratório, já que o meu coração palpitava cada vez mais rápido.

– Diz-me o que estás a pensar, - pediu ele, apanhando-me novamente distraída com os meus pensamentos e sentimentos.

– Estava a pensar… que… bem… eu… gosto de estar contigo, - gaguejei. Depois, percebi que talvez não devesse ter dito aquilo. – É bom estar contigo, aqui, neste momento.

– Eu também estou a gostar de estar contigo, Bella. Tu fazes-me sentir em paz e…

– Sim?

– Excitado. Tu excitas-me muito. – Ele parecia reticente em admitir este facto.

Ouvir as suas palavras e sentir as palpitações da sua ereção nas minhas nádegas, provocou-me uma contração forte de desejo. Eu também o desejava muito, só não tinha coragem de lho dizer.

– É recíproco, - murmurei profundamente envergonhada.

Ele respirou fundo e continuou a massajar-me os seios, visto que eu tinha parado ao iniciarmos a conversa.

– Em todo o caso, - continuou ele, - parece-me que neste momento estamos mesmo a precisar de um banho relaxante. Que te parece? Agrada-te a ideia?

– Juntos?

– A ideia é essa, caso queiras.

– Sim. Dá-me apenas dois minutos de avanço, - disse eu já a sair da cama e a correr para a porta da casa de banho.

No entanto, uma tontura fortíssima tirou-me o equilíbrio e eu desabei.

 

POV Edward

Acordei com a vibração do telemóvel. Ainda pensei em ignorar mas depois lembrei-me que só poderia ser a minha irmã, pelo que, cuidadosamente saí da cama e procurei o meu casaco. Se eu conhecia bem a Alice, sabia que ela era capaz de aparecer por ali caso eu não lhe respondesse.

Nove chamadas não atendidas e vinte e sete mensagens. As primeiras exigindo que eu não desistisse e as últimas a perguntar se tinha cumprido a aposta. Tudo isto numa linguagem pouco recomendável para uma rapariga da idade dela e, para ser franco, para qualquer outra. Alice, quando queria, conseguia ser quase tão brejeira quanto o Emmett. Que belos irmãos eu tinha.

Não querendo confirmar nada, porque queria preservar a Bella daquela situação, enviei-lhe uma mensagem clara e desliguei o telefone.

Tem calma. Eu pago-te os 500 dólares e dou outros tantos ao Emmett. Não me chateies mais.

Ela iria ficar aborrecida comigo mas não quis saber. Havia uma mulher linda naquela cama e só isso me interessava naquele momento. Bella tinha sido uma bela prenda de aniversário.

Fui até à casa de banho, encontrando no chão a sua roupa bem dobrada e o seu saco. Sorri ao ver, pela abertura do saco, o que me pareceu uma camisola de noite rendada e transparente. Peguei em tudo e coloquei em cima de um cesto que estava junto à enorme banheira.

Quando regressei ao quarto ainda pensei em vestir os meus boxers, mas depois olhei para ela e pensei que ao acordar ela se iria sentir mal ao ver que estava nua e eu não. Aproximei-me da cama e fiquei a olhar para ela. Como é que era possível, eu não ter visto beleza ao olhá-la? Ela tinha razão, eu nunca tinha olhado para ela com olhos de ver. Fiquei sem saber o que deveria fazer a seguir. Andei de um lado para o outro no quarto até ouvi-la murmurar o meu nome. Sorrindo, voltei a deitar-me a seu lado e, sem a mover muito, abracei-a. O toque da sua pele na minha provocou-me uma enorme ereção. Satisfeito com a reação do meu corpo, deixei-me ficar a inalar a sua fragrância e a observá-la à luz dos primeiros raios da manhã.

Bella dormiu até tarde, acordando apenas com o barulho da vibração do seu telemóvel. Já não era a primeira vez que vibrava. Havia alguém que precisava mesmo de falar com ela. Estranhamente, este facto deu-me uma sensação de superioridade, como se eu fosse o único privilegiado a ter acesso a ela. Ela ignorou a ligação perdida e encostou-se mais a mim o que me agradou mais do que eu pensava. Porém, assim que percebeu que estava comigo, ela parou e fez uns sons que não entendi. O receio e a curiosidade levaram a melhor e tive que lhe perguntar o que estava pensar. No decorrer da conversa acabámos por confessar a forte atração que sentíamos um pelo outro.

Seduzido por isso, sugeri um banho a dois que ela aceitou. Porém, a minha satisfação rapidamente deu lugar à preocupação, ao vê-la desmaiar a caminho da casa de banho.

Corri em seu socorro, verificando a sua respiração e pulsação e elevando-lhe os membros inferiores para favorecer a circulação e o regresso à consciência. Virei-lhe o rosto para o lado e friccionei os seus braços e rosto, estimulando os seus sentidos.

– Bella. Estás a ouvir-me, linda? Ouve, amor, está tudo bem. Eu estou aqui contigo. Oh meu amor lindo. Ouves-me, querida? Bella? Está tudo bem. – Repeti vezes sem conta, nos poucos minutos em que ela esteve desacordada.

Aos poucos ela foi recuperando a consciência o começando a responder ao que lhe perguntava.

– Edward…

– Estou aqui, mesmo ao teu lado. Como te sentes?

– Bem, acho eu.

– É normal perderes os sentidos?

– Não, eu… eu estou bem. Não é preciso ir ao hospital.

– Provavelmente seria o mais sensato.

– Não, por favor. Eu não gosto de médicos.

Ri-me da ironia da situação.

– Não gostas de mim? – Acabei por perguntar.

– Gosto, claro. – A confusão espelhada no seu rosto desvaneceu-se à medida que um tom carmesim coloria o seu rosto. – Tu és diferente. Não tenho medo de ti.

– Ah! Então o problema é esse? Tens medo de médicos… mas não tens medo de mim. É um bom presságio. Podes ficar tranquila porque eu nunca te farei mal. É uma promessa.

– Sim, - murmurou ela assentindo com um gesto leve de cabeça. - Não fiques preocupado que eu já estou bem. Deve ter sido por fraqueza.

– Desmaias muitas vezes, Bella? Quando foi a última vez que comeste alguma coisa?

– Ontem não consegui comer antes… de vir para aqui. Eu… não tinha apetite.

Olhei para ela com olho clínico para identificar quaisquer outros indícios que pudessem existir de alguma coisa fora do normal.

– Não sofro de distúrbios alimentares se é isso que estás a pensar.

– Vou pedir alguma coisa para comermos. Entretanto, - disse eu pegando nela ao colo, - vais ficar deitada. Assim, - rematei colocando-lhe dois almofadões como apoio às costas e à cabeça. – Ordem de um médico amigo que se preocupa contigo.

Cobri-a com o lençol e vesti o roupão que ainda estava no chão. Peguei no telefone e, ao pedir que preparassem um brunch e o levassem ao quarto, vi um papel no chão junto à porta de entrada. Curioso, fui até lá e verifiquei que era um envelope com o logótipo do hotel, endereçado aos Sr. e Srª Cullen. Era uma situação estranha. Eu tinha dado o meu nome mas não tinha referido nada relativamente a Bella, até porque na altura da reserva eu só queria esquecer a passagem dela na minha vida. Interessante como as coisas conseguem mudar de forma tão drástica em tão pouco tempo…

A mensagem era obviamente de Alice. Só ela faria uma coisa daquelas. A mensagem, enigmática como grande parte das coisas que a minha irmã dizia e fazia, referia que Bella estava oficialmente de férias do seu trabalho e que eu não me devia preocupar com os meus outros compromissos porque ela tinha tratado de tudo. Para me deixar mais preocupado e intrigado, terminava desejando-me felicidades nas férias.

Pensava ainda na estranha mensagem de Alice e no peculiar caminho que a vida me tinha proporcionado, quando alguém bateu à porta. A nossa comida tinha chegado. Recebi o carrinho à porta, não deixando entrar o servente, e combinei com ele a forma como deviam proceder à limpeza do quarto. Enquanto tentava colocar o “recado” da minha irmã no bolso do roupão, empurrei o carrinho para o interior do quarto. Quando voltei a olhar para Bella ela estava de olhos esbugalhados. Olhei para as bandejas com atenção: bacon, panquecas, xarope de ácer, mirtilos e morangos, ovos mexidos, muffins, cereais, leite, sumo de laranja e café. Estava tudo como eu tinha pedido, contudo as panquecas vinham num prato branco bastante grande onde, em letras perfeitamente desenhadas a chocolate negro, estava escrito “Feliz lua-de-mel”. Nessa altura percebi a reação de Bella e a mensagem da tonta da Alice. Ela deveria ter contado uma história mirabolante na portaria para deixar a mensagem.

– Acho que a culpada disso é a minha irmã.

Bella abafou uma imprecação com a mão direita e suspirou.

– Desculpa. As idiossincrasias da tua irmã são muito peculiares.

– Pois. Essa é uma forma muito branda e vaga de dizer a verdade. Ela consegue tirar-me do sério. Aliás a única pessoa a quem ela nunca conseguiu tirar do sério é a nossa mãe, que é a pessoa mais paciente do mundo e que a adora. A minha mãe é muito protetora.

Ela riu-se, parecendo gostar da imagem que eu estava a descrever.

– A tua família deve ser muito divertida.

– O meu irmão é o campeão da boa disposição. Mas agora vamos comer. Se quiseres ouvir mais coisas dos meus irmãos eu posso contar-te tudo no banho.

– Vais esquecer-te.

– Eu nunca me esqueço de nada. – Ela olhou para mim com cara de quem não acreditava no que ouvia. – Mas confesso que às vezes faço de contas que não me lembro.

Ela riu-se e, enrolando-se no lençol, sentou-se na cama de pernas cruzadas. Sentei-me praticamente à sua frente e preparei um prato com panquecas e fruta para ela.

Comemos em silêncio usufruindo da calma que havia entre nós.

publicado por Twihistorias às 18:00
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09
Jan 13

POV Edward

Encarámo-nos sem saber muito bem o que dizer um ao outro. Os olhos dela voltaram a prender-me. Passou um bom bocado até eu me desviar da porta de entrada e a deixar entrar. Ela passou por mim de forma hesitante e pousou o seu saco em cima do banco que estava junto ao armário de parede. Olhou para todo o lado, tirou os sapatos e colocou-os de baixo do banco. De seguida pegou novamente no saco e enfiou-se na casa de banho. Eu fechei a porta e voltei para dentro do quarto.
Sentado na cama de mãos na cabeça, sentia-me completamente perdido. Esta rapariga era demasiado estranha para meu gosto. Era completamente diferente de todas as outras que eu conhecia ou com quem tinha estado. No bar, tinha-me sentido tão mal ao vê-la entrar que mandei a porcaria da aposta para o espaço e disse aos meus irmãos que desistia da aposta. Contudo, o Emmett não me deixou desistir. Já a Alice teve um comportamento um pouco diferente. Para além de não ter gostado que eu tivesse desistido exigiu que pelo menos eu tentasse conversar com a rapariga fantasiada de freira.
A muito custo, acabei por ir ter com a esquisitona e ofereci-me para lhe pagar uma bebida. Ela pediu uma coca-cola e calou-se. De repente, num rasgo de sensatez, contei-lhe a verdade. Falei-lhe da aposta dos meus irmãos e pedi-lhe desculpa por a estar a incomodar. Ela não fez qualquer comentário. De cabeça baixa, tudo o que conseguia ver do seu rosto era a sua pele corada pelo embaraço que devia estar a sentir. Porém, quando me ia a levantar ela fez-me a pergunta que não voltou a sair da minha cabeça.
– Sou assim tão pouco mulher para ti?
– Desculpa. Não queria fazer-te sentir mal. Eu Nós não nos conhecemos. Talvez
– Já tiveste muitas mulheres. Não era uma pergunta, era uma afirmação.
– Conhecia-las todas?
– Não, mas era diferente. Tu és diferente.
– Ah. Não sou suficientemente mulher para ti. Respirou fundo visivelmente incomodada. - Talvez se fosse mais magra mais bonita se tivesse mais peito.
– O aspeto físico não é tudo, - disse eu esperando que a minha irmã não estivesse a ouvir. - Além disso tu não és gorda. Só não sei se és bonita porque não olhas para mim.
– Se eu olhar para ti aceitas-me por uma noite?
Engoli em seco perante a coragem dela ao dizer-me aquilo. O que havia eu de responder? "Não, obrigada, nem assim?" Eu estava apanhado.
– Se for essa a tua vontade, aceito, - respondi, desejando interiormente que ela não me olhasse.
Então, de forma lenta mas segura, ela ergueu o rosto e fixou o olhar no meu. Na minha cabeça circulavam ideias a alta velocidade de forma aleatória e desconexa. O meu coração falhou uma batida e a minha respiração parou. Aqueles gigantes discos acastanhados trespassaram-me o corpo e foram até à alma. Ela não podia ser freira, o seu olhar era de feiticeira. Eu estava perdido. "Socorro", gritei mentalmente.
Depois ela voltou novamente a baixar o rosto e eu fiquei liberto daquela magia. Trocámos os números de telefone e eu abandonei o local ao lado dela e o bar. Precisava muito de estar sozinho.
Não tínhamos voltado a falar depois disso. Tudo o resto foi combinado por SMS. E ali estava eu, sem saber o que esperar dela.
A determinada altura pareceu-me ouvi-la chorar. Aproximei-me da casa de banho e bati na porta.
– Estás bem? Precisas de alguma coisa? - Que raio de pergunta eu fui fazer. Sou tão parvo.
Nada. Sem resposta. O único som vinha do seu choro. Encostei-me à parede junto à porta.
– Escuta, Isabella. Não tenhas medo. Não temos que fazer nada. Dizemos aos meus irmãos que aconteceu e pronto. Ninguém precisa de saber.
– A aposta é o mais importante para ti? - perguntou ela de voz embargada.
– Não, desculpa - pedi, sentindo-me culpado pelo sofrimento dela. - Dizemos que não fui capaz. Eles vão acreditar em ti. No final das contas a verdade é mesmo essa, - acrescentei mais baixo.
Ouviu-se o som de roupa a mexer e da porta a ser destrancada.
– Não sou suficientemente mulher para ti, Edward?
– Isabella, eu...
– Bella. Prefiro que me tratem por Bella.
– Bella - repeti eu em voz baixa.
– Não sou bonita o suficiente para ti, Edward? - Vendo que eu não respondia, ela saiu da casa de banho e dirigiu-se para o meio do quarto.
– Não gostas do que vês? Olha para mim, Edward, - disse ela de voz sofrida.
Eu virei-me para ela mas mantive-me encostado à parede da casa de banho. Foi a minha sorte, porque se eu não estivesse encostado muito provavelmente teria caído com o que se passou a seguir.
– As aparências não são assim tão importantes - disse ela enquanto desapertava atabalhoadamente o nó do roupão.
Por baixo tinha vestida uma lingerie preta muito feminina. O seu corpo era esbelto e bem torneado. Fiquei completamente vidrado naquela imagem perfeita.
– Responde-me, Edward. Não gostas do que vês?
– És perfeita, Bella - admiti a custo.
Como era possível aquela joia estar escondida debaixo de camadas de roupa de má qualidade?
– Eu sou pobre, Edward. Não tenho dinheiro para roupas de marca. Se estou aqui é porque ganhei uma bolsa. Sempre trabalhei bastante para conseguir isto. Desde pequena que o meu sonho era conseguir entrar numa universidade da Ivy league. Fui aceite graças ao meu esforço e dedicação ao saber.
Fez-se um silêncio enorme. Eu não sabia o que pensar de tudo aquilo. Estava desorientado.
– Continuas a gostar do que vês? - perguntou ela.
– Muito, - respondi com voz rouca.
– A roupa faz assim tanta diferença? Eu sou a mesma pessoa de há meia hora atrás. A mesma pessoa que te serviu no teu aniversário. - A voz dela começou a subir e a tremer. As lágrimas acumulavam-se perigosamente naquelas esferas feiticeiras. - Sou assim tão diferente, agora? O papel de embrulho é mais importante que a prenda que está no seu interior? Porque é que não consegues olhar para as pessoas e ver o que elas são e não o que elas vestem? Porque é que não consegues ver-me? Tu olhas-me mas não me vês. Eu também sou mulher, - disse ela entre uma torrente de lágrimas.
O seu choro era tão intenso que ela vacilou e tombou no chão do quarto. Ainda pensei em sair dali e ir embora mas não fui capaz de a deixar naquele estado. Peguei no roupão que estava caído no chão e cuidadosamente, cobri-a com ele. Sentei-me ao seu lado e puxei-a para o meu colo amparando-a.
Havia alguma coisa muito errada ali. Que raio estava eu a fazer? Que raio estava eu a sentir?
Foi um erro ter ficado com ela porque impossibilitou qualquer hipótese de fuga. O seu cheiro era demasiado atraente e o seu corpo demasiado perfeito. Bella era demasiado intrigante para eu me conseguir afastar.
Com o tempo o choro foi diminuindo e ela acabou por adormecer. Pude finalmente olhar para ela sem ter medo de me prender mais nos seus olhos. O seu rosto era de uma beleza seráfica. Cheguei a pensar que ela era um anjo bom.
Não conseguindo resistir à liberdade que o seu sono me tinha concedido, aproximei o meu rosto da curvatura do seu pescoço e inalei o seu odor profundamente. Foi um bálsamo. Senti-me estranhamente em paz. Ela arrepiou-se e encostou-se mais a mim. Devia estar com frio. Peguei nela ao colo e deitei-a na cama aconchegando o lençol e o cobertor. Depois fiquei sem saber o que fazer. Sentava-me na beira da cama depois levantava-me e ia até à janela para regressar à cama logo a seguir.
Como já era demasiado tarde para me ir embora deitei-me a seu lado e deixei-me ficar a olhar para aquele ser intrigante que estava a revolucionar a minha vida. Desde aquele dia no bar que não saía com mulher alguma. A minha rotina foi drasticamente alterada. Na minha cabeça só existia Isabella Swan, não havia espaço para mais nada. Felizmente já estávamos em período de férias, pelo que a minha ocupação na escola médica era mais reduzida.
– Edward?
Sobressaltei-me ao ouvi-la. Pensava que ela estava a dormir. Não tinha notado qualquer alteração no seu rosto. Sem dar qualquer resposta aproximei-me mais dela para que ela sentisse a minha presença.
– Podes abraçar-me?
Continuando sem lhe responder, levantei ligeiramente a roupa da cama e aproximei-me mais dela. Ela encostou-se a mim e eu, sem saber bem como fazer, abracei-a. Ela pareceu ficar agradada mas não disse nada. Intimamente, desejei que ela começasse a falar para não me sentir tão perdido.
– Fala-me de ti - acabei por dizer.
E ela falou. Contou-me coisas da sua infância, da sua família, dos problemas que teve na escola por não se enquadrar, dos seus sonhos e das suas ideias para o futuro. Foi muito agradável ouvi-la falar; a cadência e o tom da sua voz eram muito tranquilizadores. Com o tempo acabei também por falar de mim e da minha vida. Falei-lhe também do meu sonho de ser médico para poder salvar a vida das pessoas. A conversa acabou por ir parar à vida sentimental.
– Porque é tão estranho eu nunca ter tido uma namorada? Tu própria disseste que nunca namoraste - resmunguei um pouco incomodado.
– Mas eu sou o patinho feio da história. Tu és mais o príncipe encantado.
– Gosto pouco de contos de fadas. Mas compreendo onde queres chegar. Compreendo e não concordo. Até porque nessas histórias o patinho feio acaba por transformar-se num belo cisne e os príncipes nem sempre ficam com as princesas. Há príncipes fúteis por aí, sabes? É mais que óbvio que eu não sou um bom príncipe.
– Mas podes ser, se quiseres e então poderás ser feliz para sempre... - afirmou ela a rir.
Ri-me também. A sua expressão fez-me rir.
– Bella, Bella. Faz muito mal acreditar nessas coisas. Afinal o que é isso de ser feliz para sempre? Ninguém é feliz para sempre.
– Claro que sim, pelo menos podem sê-lo a maior parte do tempo, - respondeu ela com meiguice. - As pessoas é que não sabem o que é ser feliz nem o que é o verdadeiro amor.
– Pois, pois.
– Não sejas assim, - disse ela ainda a rir. - Se pensares que o contrário de ser infeliz é ser feliz, então sempre que não estiveres infeliz só podes estar feliz. Por exemplo, neste momento sentes-te infeliz?
– Não, - respondi admirado por perceber isso.
– Então, estás feliz. Parabéns.
– Porquê? Por estar feliz, aqui contigo?
– Por estares feliz agora, mas fico contente por estares feliz, estando comigo. Nunca pensei que fosse possível.
– Nem eu - respondi com sinceridade.
– Achas que agora já era possível olhares para mim como olhas para as outras mulheres?
– Não, - respondi sem pensar. Senti-a contrair-se. - Desculpa, não era isso que queria dizer, não nesse sentido. Não sei bem como explicar isto porque nem eu mesmo entendo, mas sei que és diferente das outras mulheres. A ti eu sinto que tenho que respeitar. Entendes?
– Obrigada por me respeitares - murmurou. - Não me achas atraente?
– Sim - respondi baixinho.
– Muito ou pouco?
– Tu és a mulher ideal para qualquer homem, Bella.
– Mas não para ti. Nem para uma só noite - acrescentou ela mais baixinho.
– Para qualquer homem, incluindo-me a mim.
– Queres-me esta noite?
– Não sei se sou capaz.
– Podes tentar?
– Bella! - censurei, sentindo-me novamente perdido.
– Tenta, por favor.
Não aguentei a pressão e levantei-me. O meu corpo estava começar a dar sinais que eu não queria que ela sentisse. A brincadeira começava a ficar demasiado perigosa. Eu tinha que resistir. Pelo menos uma vez na vida eu tinha que fazer a coisa certa.
– É melhor eu ir-me embora, Bella. Se continuarmos nisto sabemos bem o que vai acontecer. Hoje podes querer mas amanhã vais arrepender-te e vais sentir ódio de mim. Não quero que me odeies.
– Porquê?
– Não sei. Acho que podemos ser amigos. Se fizermos...
– amor - acrescentou ela.
– Se isso acontecer não me vais perdoar. Eu já admiti que sinto respeito por ti. Não sei o que fizeste nem como aconteceu mas essa é a verdade. Eu tenho que te respeitar. Eu não posso estragar tudo.
– E se eu quiser?
– Bella, tu acreditas em contos de fadas, em príncipes e no poder do amor. Eu não. Não sou capaz.
– Eu acredito no poder do amor e do respeito. Para mim, estares comigo aqui e saber que não te sentes infeliz, já é o meu conto de fadas. Nesta história tu és o meu príncipe.
– Eu não posso, Bella. Tu não mereces Eu não te mereço.
Então ela levantou-se da cama, caminhou até mim e encostou as costas dela às minhas. Fiquei ainda mais desorientado. Aquela posição era completamente anormal.
– Não te mexas e ouve com atenção o que te vou dizer. Se não quiseres nada comigo, sais porta fora e esquecemos tudo o que se passou aqui hoje. Estás de acordo?
– Ok. - A minha resposta foi tão baixa que por momentos pensei que ela não tinha ouvido.
– Amo-te.
Fiquei paralisado. Tudo o que sentia era medo. Como é que era possível?
– Apaixonei-me por ti na primeira vez que te vi. Pura e simplesmente tu és o homem mais bonito que eu alguma vez vi. Ao passares por mim o teu cheiro inebriou-me e eu percebi que tu eras o meu príncipe. Podes ter muitos defeitos, tal como eu tenho, mas o amor não acontece por escolhas ou por razões. A minha ideia de conto de fadas é encontrar alguém que nos faça sentir o que eu sinto por ti. Há quem diga que o amor não passa de reações químicas, eu prefiro encará-lo como um encontro de sentidos. Sentir é bom, muito bom. Não estou à espera que sintas por mim o que eu sinto por ti. Não tenho ilusões nenhumas a esse respeito. Mas este momento é o meu momento, sabes? - perguntou ela retoricamente. - No fundo, eu não sou melhor do que tu. Esta noite tu fizeste-me perceber isso. Tu gostas de aparências. Quem sou eu para te recriminar quando me apaixonei apenas pela tua imagem e pelo teu cheiro?
– Esta noite, tu fizeste-me ver que há muitas coisas mais além das aparências.
– Estás a ver? Ensinámos e aprendemos os dois com esta experiência. Tu tens medo que eu te odeie amanhã por fazeres amor comigo. Eu sei que me vou odiar se não fizer amor contigo, agora. Este é o meu momento. Se não for hoje, neste tipo de limbo em que nos encontramos, dificilmente vai acontecer. - Calou-se por momentos para respirar, dando-me a perceber que a respiração dela estava muito alterada. Curiosamente, a minha também. - Porque amanhã, talvez sejas tu a arrepender-te de ter ido para a cama com uma mulher como eu.
Instalou-se um silêncio entre nós. Aquele também era o meu momento. Eu podia simplesmente sair porta fora e esquecer tudo aquilo. Ou podia ficar e fazer amor com ela. Estremeci só de pensar nisso.
– Este é o momento certo para tomares uma decisão - disse ela nervosamente.
– Promete-me que não me vais odiar. Promete-me que podemos tentar ser amigos. Promete-me que se eu não for a pessoa que tu achas que eu sou, não vais guardar ressentimentos. Promete-me...
– Shhhhh. Isso é válido para os dois, certo? Vamos fazer de conta que estamos em Las Vegas. O que se passa em Vegas fica em Vegas.
– Sem consequências, é isso que queres?
– Quero ficar com memórias de ti. Eu sei que não vai haver mais ninguém para mim. Já que não posso ter uma vida contigo, prefiro ter uma noite.
– E se fosse possível ficarmos juntos mesmo a sério? Para sempre?
– Tu não acreditas nisso, lembras-te? Vamos tentar. É só o que te peço.
– Não te importas que eu não te ame?
– Tu respeitas-me. Prefiro respeito sem amor do que amor sem respeito.
Ainda de costas, procurei a sua mão esquerda e apertei-a levemente. Puxei-a para que ficássemos frente a frente mas ela encostou-se imediatamente a mim, apoiando a sua cabeça no meu peito. A fragância do seu champô inundou-me os sentidos, fazendo-me fechar os olhos.
– Perdoa-me por não ter forças para me ir embora. Se te magoar nunca me vou perdoar.
Eu precisava ter a certeza que era mesmo aquilo que ela queria. Sabendo que me ia perder, fiz-lhe o derradeiro pedido.
– Olha para mim, Bella, e diz-me se é mesmo isto que tu queres.
– Eu quero-te, hoje, aqui, nesta cama - disse ela compassadamente e sem hesitações.
Sentindo-me enfeitiçado por ela e pelo seu olhar, fechei os olhos e aproximei a minha boca da dela.
"A culpa é das circunstâncias. A culpa é das circunstâncias."
No exato momento em que a maciez dos seus lábios tocou os meus, esqueci tudo. O feitiço era demasiado potente para lhe resistir. Estávamos desgraçados.
Depois foi a descoberta de sentidos. Nunca tinha sentido com outra mulher o que senti ao beijar Bella. Primeiro devagar, com cuidado, de forma receosa, talvez. À medida que nos íamos libertando do sentimento de culpa, o beijo foi ficando mais profundo e íntimo. As mãos iam ganhando espaço aos poucos. Inicialmente só lhe tocava nas costas mas a lingerie dela estava a levar a melhor sobre mim e eu fui deslizando o toque para baixo. As suas mãos revolviam incessantemente o meu cabelo o que me punha ainda mais louco. A determinada altura, de mãos a tremer, ela pegou na minha T-shirt e tirou-a, deixando-me em tronco nu. Peguei-lhe nas mãos e beijei-as o que a fez arfar. Como é que é possível alguém ficar assim com um simples gesto daqueles? Involuntária e incompreensivelmente gemi.
Num gesto rápido peguei nela ao colo e levei-a para a cama. Deitei-a de costas para não ver os seus olhos e comecei a distribuir beijos pelas suas costas. Maravilhei-me. A cada beijo, a cada carícia, ela estremecia e soltava pequenos gemidos. Bella era genuína, muito diferente de todas as outras mulheres.
Quando lhe beijei o ombro direito e o pescoço, ela torceu-se e puxou-me para a sua boca e ficámos abraçados, deitados de lado, embevecidos um com o outro. O toque das suas mãos no meu peito era carinhoso e muito agradável. Quase perdi o controlo ao sentir as suas mãos a descerem pelo meu abdómen e tactearem as minhas calças, para as desabotoar. Com a minha ajuda ela tirou-as e, contrariamente ao que esperava que acontecesse, não regressou para o meu lado. Sentou-se no fundo da cama. Quando levantei a cabeça para ver o que ela estava a fazer, só a vi inclinar-se sobre os meus pés e começar a beijar-me a pele. Completamente apanhado de surpresa, assisti à sua subida pelas minhas pernas, cada vez mais próxima dos meus boxers e da minha loucura.
Se ela continuasse daquela forma eu não sei se me iria aguentar. Com ela todas as sensações pareciam potenciadas ao máximo. Eu queria senti-la em mim mas sabia que ainda não podia ser. Tinha que tentar abrandar o nosso estado de excitação. Puxei-a para cima de mim e beijei-a lentamente, sendo prontamente correspondido. No entanto, em pouco tempo estávamos a beijar-nos avidamente e mais uma vez num pico de excitação.
– Preciso de ter calma, - falei com dificuldade.
– Desculpa. Deixei-me levar. Eu nunca...
Era agora que ela me ia dizer que era virgem. "Estúpido. Porque é que estás espantado com isso? Por acaso ela não te disse que nunca teve namorado? Querias que ela não fosse virgem como? Parvo."
– Talvez não devêssemos continuar - afirmei, consciente de que o meu corpo me dizia o oposto. - Talvez este não seja o momento nem o lugar certo para nós.
– Não vamos voltar a viver esta magia, Edward. Eu faço o que for preciso. Ensina-me a agradar-te.
Meus Deus! O que é que ela estava para ali a dizer? Que loucura.
– Ah, Bella. Tu agradas-me tanto, querida. - Só ao ouvir-me dizê-lo percebi como a tinha tratado.
– Então não tenhas medo, - disse ela como se não se tivesse passado nada de estranho. - Sê forte por nós dois. Eu preciso que sejas forte por mim.
– Desejo-te muito e não quero magoar-te. Preciso que me ajudes. Eu nunca tive nada com... - uma virgem, ia dizendo.
– Abraça-me. Gosto do teu cheiro. Beija-me. Gosto do sabor da tua boca. Toca-me. Gosto da suavidade da tua pele.
Não foi necessário dizer mais nada. Voltámos a mergulhar no sentir das nossas bocas e no toque das nossas mãos. Aproveitando tê-la por cima de mim, soltei-lhe cuidadosamente o soutien, atento a qualquer reação de desconforto que ela pudesse evidenciar. Nada. A minha situação estava complicada. Com qualquer outra eu sabia bem o que fazer e como, mas com Bella eu parecia um inexperiente. Sempre com medo de fazer alguma coisa que destruísse aquele clima de entrega ou que a fizesse perceber que estávamos a cometer um erro. No fundo, a verdade era essa: eu não queria parar. Naquele momento só ela era importante.
Quanto mais percebia que a desejava, mais excitado ficava. Impulsivamente, inverti as nossas posições e olhei-a com volúpia. Procurei sofregamente e sua boca e, num ato continuado, fui descendo pelo pescoço até chegar aos seus seios. Ouvi-a gemer quando passei a língua no mamilo esquerdo. A medo procurei os seus olhos mas tudo o que vi foi uma expressão de prazer. Bella estava de olhos fechados com a cabeça meia inclinada para trás e respirava com dificuldade. Satisfeito, continuei nos seus seios e os seus gemidos tornaram-se mais constantes.
Perdido por dez, perdido por mil, certo? Já que ia para o inferno mais valia aproveitar. Ousadamente, desci um pouco mais fazendo-a estremecer. Olhei para cima e vi-a, de cabeça levantada, a olhar para mim com interesse e desejo. Sem deixar de a olhar beijei o limite da barriga junto às suas calcinhas. Ela corou mas não fez nada para me impedir de continuar. Assim, retirei aquela última peça e continuei a beijar a sua pela macia.
Sabia que estava a ir longe demais mas eu estava a adorar ver as suas reações às minhas carícias. Além de que, nesta situação, eu conseguia controlar-me melhor. Afastei um pouco mais as suas pernas e toquei-a enquanto beijava a parte interna da coxa. Bella soltou um urro e levou as mãos ao meu cabelo. Encorajado pelos seus gemidos, continuei a estimulá-la enquanto beijava cada vez mais próximo da sua intimidade até acabar por tocá-la com a minha língua. O corpo dela torcia-se e estremecia na loucura do desejo. O meu coração batia descompassadamente com o meu atrevimento e com o prazer que eu via nela. Os gemidos, cada vez mais próximos, culminaram num grito forte acompanhado pelo arquear do seu corpo. Senti o seu orgasmo na minha boca.
Fiquei a olhar para ela, para receber alguma indicação de continuar ou parar. Ela relaxou um pouco e olhou-me com deleite. Mordeu o lábio inferior e tentou puxar-me para cima. Subi por ela até ficar à altura da sua cara e esperei para ver o que acontecia. Iria procurar a minha boca, agora que tinha o seu sabor? Os seus olhos brilharam, ela deu uma gargalhada baixa e beijou-me sem pudor. Aquilo era um sinal verde. O sinal verde que eu esperava.
Num movimento ágil, retirei os meus boxers e coloquei um preservativo. Voltei para os seus braços e continuei a beijá-la. Agora não havia retorno. Ela, entendendo o momento, afastou as pernas e dobrou ligeiramente os joelhos, ficando completamente exposta para mim. Sempre sem deixar de a beijar, apoiei-me no braço esquerdo e, com a outra mão procurei os seus seios e comecei a estimulá-la novamente. Mordisquei o seu lábio, lambi o seu rosto e a sua orelha para que ela ficasse pronta para mim. A sua respiração acelerou e o seu coração ficou tão rápido como o meu. Estávamos à beira do abismo ou do paraíso. A impaciência dela fê-la arquear-se contra mim numa tentativa de me procurar. Tentei retardar o mais possível para que ela estivesse mesmo muito excitada mas eu tinha que contar comigo também e aquela dança estava a aproximar-me demasiado do fim. Não dava para adiar mais.
Fiz um pouco de pressão para imobilizar o seu corpo e, num movimento algo lento mas firme, impulsionei-me para o seu interior. Gememos os dois, eu de prazer e ela de dor.
– Shhhhhh. Relaxa, querida, - sussurrei. Querendo distraí-la um pouco e incentivá-la, voltei a sussurrar está tudo bem, amor lindo. Beija-me, Bella.

publicado por Twihistorias às 18:00
Fanfics:

01
Jan 13

POV Edward

Eu não queria acreditar na minha sorte. Com tanta mulher bonita na cidade e tinha logo que aparecer aquela branquela minorca de aspeto de pãozinho sem sal. Já a tinha visto no campus universitário; ela chamava a atenção pela roupa fora de moda e antiquada que usava. Mas a culpa era minha. Quem é que me tinha obrigado a aceitar aquela aposta estúpida com os meus irmãos? Agora tinha que me aguentar à bronca.

Muito maldisposto e com vontade de bater em mim próprio, saí da residência universitária e entrei no meu carro. A viagem até ao Hanover in foi demasiado curta para meu gosto. Cada vez mais mal-humorado, fiz o check-in e segui para o quarto reservado. Respirei fundo antes de entrar e dei um pontapé na porta para a fechar. Confirmei que tinha preservativos no bolso e voltei a bufar de raiva. Olhei para o relógio e desejei que o dia de hoje já tivesse passado.

– Isto é um pesadelo. Ninguém merece, - resmunguei ao pensar no que me esperava.

Como se tivesse ouvido o meu desabafo, o meu telefone vibrou. Era o parvo do meu irmão, muito provavelmente queria certificar-se que eu cumpria a aposta.

– O que queres? – Perguntei asperamente.

– Preparado para a farra, maninho? Não vais saltar fora à última da hora, pois não?

– Está calado, Emmett. Sabes bem que não. Ligaste para gozar com a minha cara?

– Ui! Que medo. Até parece que estás no corredor da morte. Qual é tua, pá? Mudaste de lado, foi?

– Eu mato-te, Emmett. De certeza que isto foi armação tua.

– Qual é, Edward? Uma menina é uma menina. Talvez ela esqueça a bíblia em casa, - disse o palerma a rir à gargalhada.

Eu vociferei ininteligivelmente o que o fez rir ainda mais alto.

Não aguentando mais a pressão da zombaria dele, desliguei a chamada e atirei o telefone para cima da cama. Passado menos de um minuto o telefone voltou a tocar. Primeiro ignorei mas depois, ao verificar quem era, atendi.

– Oi Alice. Também queres ter a certeza que eu não vou desistir?

– Então, Edward? Não sejas assim tão rezingão. Sou a tua irmãzinha querida, estás lembrado?

– Então não estou? Esta situação toda faz-me lembrar de ti. Foi por tua causa e por causa do Emmett que me meti nisto.

– Estás arrependido?

– Claro que estou. Não se nota?

– Acalma-te que ela deve estar quase a chegar. Trata-a bem. Não te esqueças que ela não tem grande experiência nestas coisas.

De repente lembrei-me de um ponto que me fez arregalar os olhos.

– Achas que é a sua primeira vez… Ai, não. Isso não.

– Pois… não sei. Mas não deve ser. Porque aceitaria ela uma coisa destas se fosse?

Gemi audivelmente só com a ideia da moça ser virgem.

– Eu não posso fazer uma coisa destas, Alice, - acabei por dizer. - Eu pago-vos o que for preciso mas vou-me embora. Vou embora e é já.

– Edward, espera – ainda a ouvi dizer antes de desligar o telefone.

Peguei no meu casaco e nas chaves do carro e dirigi-me à porta. Assim que escancarei a porta dei de caras com um par de olhos castanhos inundados de medo e apreensão.

Tarde de mais. Ela tinha chegado.

 

POV Isabella

Eu estava agoniada com a minha ousadia. Quem é que me tinha mandado envolver com aquela gente? Eu devia internar-me a mim mesma porque a única explicação para eu estar a colocar aquelas peças de roupa minúsculas com a finalidade de… de… de atrair o… alguém, era a minha insanidade mental.

–Por que raio é que me fui meter nisto?

É uma boa pergunta que infelizmente tem uma resposta pouco longa: amor e uma dose tremenda de estupidez natural.

Tudo começou quando fui para a Universidade de Dartmouth. O que para os meus pais foi um enorme orgulho e para mim uma conquista difícil, tornou-se também o meu pesadelo. Apaixonei-me por um desconhecido.

A primeira vez que o vi passar por mim, junto à Dana Biomedical library, foi como se me tivessem reprogramado o sistema. Vi-o a caminhar na minha direção e só essa imagem foi suficientemente forte para me fazer suster a respiração. Nunca tinha visto um homem tão bonito. Quando ele passou rente a mim, tocando levemente no meu casaco, senti um calafrio. O cheiro que dele emanou foi devastador. Poder-se-ia dizer que tinha sido o golpe de misericórdia, mas não foi, antes pelo contrário. Foi apenas o princípio da minha perdição.

Não o voltei a ver nessa semana, porém nunca mais me esqueci dos traços do seu rosto nem do seu cheiro. Não imaginava que seria possível sentir uma atração tão forte por alguém de forma tão repentina. Inicialmente, fantasiei com uma paixão à primeira vista, porém, com o tempo, percebi que tal não era possível. Deveria ser mais um anjo mau que se tinha atravessado no meu caminho para me fazer desviar dos meus objetivos.

Eu tinha trabalhado muito para chegar ali. Vinda de uma família pobre da costa oeste e sem conhecer ninguém influente, ter ganho uma bolsa de estudo em Dartmouth era realmente uma vitória como poucas. É lógico que as minhas notas eram as melhores mas os trabalhos desenvolvidos no âmbito do jornal da escola e as cartas de recomendação de alguns dos meus professores constituíram uma mais-valia preciosa. Não podia deixar ficar mal as pessoas que tinham acreditado em mim e no meu valor. Assim, foi com muita preocupação que assumi para mim mesma o meu tão profundo envolvimento sentimental. O primeiro sinal de alarme aconteceu nesse mesmo dia ao ter dificuldades em concentrar-me nas aulas. Depois seguiram-se semanas de luta para aniquilar esse sentimento, coisa que se revelou impossível, até concluir que tinha que aprender a viver com aquilo. E foi isso que fiz ou que tentei fazer.

No final do primeiro ano esse sentir já fazia parte daquilo que eu era. Sabia que ele estudava medicina, que tinha 23 anos e que se chamava Edward Cullen. Era um menino rico, mimado e mulherengo. Uma antítese da minha própria pessoa. Eu sempre fui muito ligada aos estudo, passando muito do meu tempo a ler, fora e dentro de bibliotecas, pelo que não tinha grandes amizades e nunca tive um namorado. Para ser completamente sincera, nunca senti atração física por ninguém.

O meu primeiro contacto com a família Cullen deu-se no meu local de trabalho. Para não sobrecarregar mais os meus pais, consegui um trabalho em part-time num restaurante próximo ao College Green. Foi lá que, num fim de tarde a poucos dias das aulas acabarem, conheci a Alice. Eu estava sentada num canto, à espera da chegada de um grupo que vinha para um jantar comemorativo, quando a vejo entrar com uma caixa grande na mão. Apressei-me a ajudá-la e ela, muito resoluta, foi dando ordens, que inicialmente não entendi, até ela olhar para mim como se eu fosse parva e me informar que tinha feito uma reserva para uma festa de aniversário. Na caixa estava o bolo e o aniversariante era o seu irmão. Por indicação do meu chefe, fui fazendo as alterações que ela ia dizendo até estar tudo como ela queria. Pouco tempo depois começaram a chegar as restantes pessoas.

Por azar do destino, o irmão aniversariante de Alice era o meu anjo mau. É claro que a minha atrapalhação deve ter sido bem evidente porque, no final do jantar, Alice disse que precisava de falar comigo. Eu fiquei obviamente ainda mais atrapalhada mas tive que aceder. Marcámos para o dia seguinte.

Passei a noite em claro a pensar em Edward e na conversa que iria ter com a irmã dele. Ter tido a oportunidade de estar tão perto de Edward, “conhecer” a sua família e de, discretamente, lhe cantar os parabéns tinha sido o ponto alto do meu dia. Detestei-me por me sentir tão feliz.

Embora estando bastante apreensiva relativamente a Alice, fui ao seu encontro. É claro que ela chegou atrasada. A parva era eu, certo?

– Boa tarde, Isabella, - disse ela antes de ter chegado ao pé de mim.

– Boa tarde, - respondi espantada com a velocidade com que ela tinha aparecido.

– Eu não gosto de rodeios por isso vou diretamente ao assunto. Pode ser?

– Sim, claro.

– O que é que existe entre ti e o meu irmão Edward?

Fiquei em choque. O que é que ela queria com aquilo?

– Nada, - gaguejei confusa. – Ele nem me conhece.

– Mas tu conhece-lo.

– Eu…

– Sim ou não?

– Nunca fomos apresentados. Só o conheço de vista.

– Ele não presta para ti, Isabella.

– Bella. Prefiro que me tratem por Bella.

– E então Bella?

Eu começava a recuperar do choque da impetuosidade de Alice e não estava a gostar nada do rumo que a conversa estava a levar.

–Não sei onde queres chegar, Alice. Posso tratar-te por Alice ou ontem disseste isso só para me ludibriar?

– Alice é o meu nome, é claro que deves tratar-me por Alice.

– Tal como já disse, eu não tenho nada com o teu irmão. As tuas preocupações são infundadas. Não te preocupes que percebi muito bem a tua mensagem. Não sou do vosso nível mas sei pensar. – Curiosamente Alice riu-se e mostrou uma postura mais descontraída. – Sei bem que eu não sou bem-vinda no vosso grupo. Podes ficar descansada que não tenho qualquer pretensão de me atirar ao teu irmão.

– Podias ser bem-vinda. Porque é que não te queres atirar ao meu irmão?

– Como? Não estou a perceber. – Eu estava completamente aturdida.

– Não te sentes atraída por ele? Não o achas bonito e charmoso?

– Sim, claro que sim. Quer dizer…

– Gostavas que ele se atirasse a ti?

– Pára. Estás a deixar-me completamente confusa. Afinal o que queres que te diga? Que estou apaixonada por ele? É verdade, mas isso não muda nada. Não quero dar o golpe do baú, nem tenho ilusões nenhumas relativamente a um futuro com ele. Sei bem que ele está completamente acima da minha esfera. Eu nunca falei para ele, nem ontem ao servi-lo. Ele nem sabe que eu existo. Não represento qualquer perigo para a vossa distinta família. – Respirei fundo e passado um pouco levantei-me para ir embora. – Agora que já me humilhei o suficiente, vou embora. Adeus, Alice.

– Ok, vai lá. Não deves gostar muito dele, -disse ela fazendo-me parar e virar novamente parar ela. - Ele também não seria uma escolha sensata da tua parte. É meu irmão mas não presta, - acrescentou.

– Não digas isso. É feio dizer isso das pessoas, principalmente sendo da família. Ele matou alguém? Roubou? – Perguntei, abespinhada.

– Não, nada disso. Está a passar uma fase complicada e precisa de uma lição de vida. Ontem pensei que me podias ajudar nessa tarefa e acabar ajudando-o a ele também.

– Não estou a compreender.

– O que é que eras capaz de fazer por ele?

– Ele precisa de alguma coisa? – Perguntei, agoniada com a pergunta dela. - A vossa família parece ser rica, vocês têm tudo. Há alguma coisa que eu possa fazer? Eu faço tudo o que estiver ao meu alcance.

– Fazes mesmo? Prometes? É tão bom ouvir isso, Bella. Sinto que vamos ser as melhores amigas. Posso dar-te um abraço? – Perguntou ela enquanto avançava para mim e me abraçava.

– Claro. O que é que é necessário fazer? – Perguntei cada vez mais aturdida.

– Depois falamos nisso. Estou muito contente por poder contar com a tua ajuda. Não queres vir comigo às compras?

– Não tenho muito dinheiro para gastar, Alice.

– E depois? – Perguntou, encolhendo os ombros e fazendo uma expressão de pura inocência. - Fazes-me companhia e como somos amigas posso oferecer-te uma prenda. Vá, vamos lá.

Foi assim que o furacão Alice entrou na minha vida e ganhou a minha amizade. É claro que quando, passado uns dias, ela me contou o que eu tinha que fazer quase me apeteceu bater-lhe.

Primeiro neguei categoricamente, contudo, ela tem uma forma muito particular de expor as coisas e cobrar promessas feitas. Mesmo não acreditando no que ela me dizia a semente da dúvida e da esperança foi germinando e eu comecei a sentir-me tentada. E porque não? Eu era uma “mulher inteligente e independente que estava escondida atrás da busca do conhecimento”… Pois. Alice tramou-me bem tramada e de inteligente eu passei ao cúmulo da estupidez.

A proposta dela era seduzir Edward.

 

POV Alice

A minha estratégia estava montada. A Bella tinha caído que nem um patinho e iria fazer o meu querido irmão cair de rabo no chão. No final ganhava uma cunhada inteligente e deixava de ter um irmão mulherengo sempre a tentar desencaminhar o Emmett e o meu Jasper. A Rosalie tinha gostado do plano mas não gostou nada do aspeto de Bella. Ok. A rapariga não primava pelo bom gosto no que diz respeito a modas mas tinha um corpo interessante, era bonita e, acima de tudo, era muito inteligente. A minha intuição dizia-me que era a mulher ideal para Edward e a minha intuição nunca falhava. Se por acaso não desse certo… Bem, depois pensava nisso.

Faltava apenas pôr em prática a última parte do plano. Para isso contava com a ajuda involuntária do meu irmão grandalhão, o Emmett. Foi mais fácil que tirar um doce a uma criança.

Estávamos todos reunidos num bar, eu, Emmett e, é claro, o Edward. A Rosalie tinha ficado a entreter o Jasper por alguns minutos e a ver quando é que a Bella chegava.

– Estás à procura de alguma coisa, Edward? Pronto para entrar em modo de ação por uma barbie loura estupidamente burra?

– Lá estás tu. Só estou a ver as pessoas que entram, - resmungou ele.

– É isso mesmo, mano – disse o Emmett. – Há cada avião por aqui.

– Vocês são uns tristes. Não eram capazes de conquistar uma mulher sem silicone nas… - fiz um gesto a apontar o peito.

– Que é isso, Alice? Hoje estás mais chata que o normal, - respondeu o Emmett. – Sabes bem que desde que estou com a Rose não há mais nada com ninguém. Já aqui o nosso maninho é um papão, - disse ele dando uma palmada nas costas de Edward.

– Estás enganado. Ele era incapaz de ter um encontro às escuras. Para ele só o aspeto físico importa. Pode conhecer uma mulher inteligentíssima mas se não tiver o corpo modelado por um bom cirurgião plástico não serve. Só é capaz de ter mulheres fúteis e burras.

–Eu aposto que ele era capaz de ter qualquer uma.

– Achas? Pois eu não acredito. Pagava para ver.

Tal como esperava o Emmett ficou logo em pulgas. Ela adora apostas.

– Quanto?

– Vocês esqueceram-se que eu estou aqui? – Perguntou Edward.

– Como sei que não vou perder, aposto 500 dólares, - disse eu, ignorando a pergunta de Edward. - Mas tem que haver envolvimento físico, - acrescentei.

– Estás apostado, - respondeu o Emmett todo entusiasmado. - Edward vais ter que trabalhar, mano.

– Eu não me quero envolver nas vossas coisas, - disse ele olhando para a porta.

Ele bem que podia olhar. Eu sabia bem do que ele estava à espera. Eu tinha-lhe mandado uma mensagem em nome da Tânia para se encontrarem ali.

Senti o telemóvel a vibrar. Bella estava a chegar.

– Vá lá, mano, - insistiu o Emmett. - O que é que te custa? Tu fazes isso sem aposta nenhuma.

– O que é que vocês querem, afinal?

– Tens que ir para a cama com uma mulher, - disse-lhe Emmett. - Escolhemos uma feia, Alice?

– Que tal escolhermos a primeira mulher a entrar?

– Está apostado. Aposto em ti, Edward. Ah, garanhão!

– Pufff. Pois, pois. Nenhuma mulher inteligente cai nas boas graças dele. Só as burras, claro, – falei com convicção.

– Não, mana. Todas as mulheres que aqui estão já olharam para ele. Vamos ganhar, garanhão, - acrescentou o Emmett dando uma palmada nas costas do Edward.

– Elas gostam de mim. O que é que eu hei-de fazer? – Perguntou ele a sorrir. - Ok. Eu faço isso. A próxima a entrar no bar? É isso?

Mandei uma mensagem a Bella.

– Pode ser, mas só se quiseres. Vais perder. Tu não és homem para encontros às escuras.

– Vais ver mana. Está no papo, - disse Edward muito confiante.

Eu estava exultante comigo mesma. Tinha corrido tudo muito bem. Só de ver a cor com que Edward ficou quando Bella entrou vestida quase de freira, já tinha valido a pena. Ainda me ia rir muito de tudo isto.

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