09
Set 11

Prólogo

Anos depois…

 

O meu telemóvel não parava de tocar. Eu, impotente, limitava-me a olhar para o aparelho, – não o podia entender, nem podia fugir do trabalho.

- Fiquem agora com mais meia hora de música seguida! – disse com voz animada para o microfone. – Até amanhã! Fiquem bem!

Ainda mal os primeiros acordes da primeira música soavam, e já eu arrancava os headphones, e me precipitava porta fora.

Filipe, o rapaz da sonoplastia, parou o que estava afazer para me ver correr desalmadamente para a saída da rádio.

Num dia normal, era provável, que me deixasse ficar perdida, vagueando pelos corredores, ouvindo a músicas e as piadas dos outros locutores. Mas, hoje, tinha um compromisso. Aliás, “o” compromisso.

À porta, Seth esperava-me – estava fora do carro, andando para cima e para baixo, ao longo do passeio, em frente à rádio.

Ao longe, pude ver o seu ar impaciente – apertava o telemóvel com força na mão.

- Brianne! – chamou exasperado. – Sabes que horas são?

- Desculpa! Mas, não consegui mesmo despachar-me mais cedo! – desculpei-me.

- Podias ter passado músicas de três minutos, em vez das de cinco! – brincou beijando-me.

Entramos para o carro, e Seth iniciou a marcha, guiando rapidamente pela cidade.

- Achas que já chegaram? – perguntei nervosa.

Seth olhou para o relógio do painel de instrumentos.

- Acho que não. – “Espero que não”, disse entre dentes.

Sem me dar conta comecei a roer a unha do dedo mindinho da mão direita – vício antigo.

- Não te podes enervar – relembrou-me Seth.

- Eu sei… Mas é mais forte do que eu… - admiti. – É bem mais fácil na teoria, que na prática, sabes disso não sabes?

- Sei… mas, tenta – pediu.

Anui com a cabeça. Estava de facto, bastante nervosa. Era a primeira vez que conhecia Peter. Segundo Ellen, ela já me adorava, e sabia de tudo o que eu era na sua vida. Mas, para mim isso não bastava.

Peter era o primeiro namorado de Ellen depois de Harry. Era importante que eu, e Seth, causássemos boa impressão.

Ellen demorara sete longos anos a refazer a sua vida, sete longos anos em que sofrera, em silêncio, pelo seu amor perdido. E depois, do nada, Peter, um recém-nascido perdido e sem rumo, tal qual ela um dia fora, apareceu na vida dos Cullen. E, sem pré-aviso, Ellen apaixonara-se por Peter, e Peter por ela…

Perdida entre os meus pensamentos, suspirei.

Seth olhou-me pelo canto do olho.

- Sossega! Quase consigo ouvir os pensamentos a zumbir.

Sorri. Seth conheci-me demasiado bem para saber, que mesmo estando calada, eu estava a magicar sobre encontro que se aproximava…

O meu marido era um especialista no tema “Brianne, a stressada”

“O meu marido”, repeti em pensamento, feliz com a ideia.

Eu e Seth tínhamos casado três anos depois do pedido oficial. Mesmo querendo ficar juntos o mais rápido possível, achamos prioritário ter uma vida mais estável antes do casamento – não tínhamos pressa, sabíamos que o nosso amor não ia fugir pelo peito fora, rumo a outro coração…

Já casados, vivemos cerca de um ano em La Push – Seth terminara lá os seus estudos, eu trabalhara como fotógrafa no estúdio que Ellen abrira com Bella.

Depois, e devido a uma melhor proposta de trabalho, para ambos, regressamos a Portugal.

Seth era agora chefe da biblioteca que em tempos trabalhara, e eu, era locutora da rádio da região.

Claro que no início, quando contamos aos meus pais, não revelamos logo a situação do noivado – achamos que seria grave juntar, na mesma frase, apresentação e noivado…

A aceitação da minha família ao meu mais novo estado – o de comprometida, também não tinha sido propriamente fácil. Seth não lhes inspirava confiança.

“Ele é misterioso. Estranho…”, dizia-me Roselyn.

Mas, tal como fizera comigo, ele conquistara-os. E, o sucesso da conquista tinha sido de tal ordem, que agora, antes de perguntarem como eu estou, quando falamos ao telefone, perguntam, sempre e sem excepção, por Seth, em primeiro lugar.

“Tinhas de fazer tudo bem, não era, menina certinha?!”, gozara Kelly, durante anos.

“Sim! Não sou como tu, fã de casamentos relâmpago!”, respondia-lhe.

Pouco depois de sairmos da universidade, Kelly conhecera o “homem da sua vida”, e casaram, em menos de 6 meses depois.

Ainda me lembrava, bastante bem, do dia em que ela me ligara, já de madrugada, e me dissera com voz rouca e séria, “Brianne conheci o homem da minha vida.”

Agora, a minha inconstante e divertida Kelly, era mãe de gémeos…

Ao meu lado, Seth, carregava no acelerador.

- Vai com cuidado – pedi-lhe.

- Não te preocupes! – descansou-me, olhando-me nos olhos.

- Olha para a estrada – disse com uma suave gargalhada.

Chegamos ao aeroporto em tempo record. E, em menos de nada, olhávamos para as portas de desembarque.

Foi então que os vi. Na frente, no comando do grupo, vinha Reneesme, arrastando, pela mão, Jacob. Um passo atrás, pude ser, Bella, Edward, Carlile e Esme. Estes eram ladeados, por Alice, Jasper, Emmet e Rosalie.

Mas, os meus olhos prenderam-se nos de Ellen, no final do grupo. Ainda ao longe, pude ver o ouro fundido dos seus olhos. Era algo novo.

Pela mão, trazia Peter. Loiro, de olhos igualmente dourados, e como não podia deixar de ser, extremamente belo, perfeito. Mas, foi o seu sorriso terno, amoroso e apaixonado que mais me captou a atenção.

Peter amava Ellen. Disso pude ter certeza.

Seth agarrou a minha mão com mais força. Sorri, ao sentir um pequeno movimento dentro do meu estômago dilatado.

- Está tudo bem, bebé! Está tudo bem! – comuniquei para o ser que crescia dentro de mim.

E, finalmente soube-o. Agora, naquele momento, num aeroporto impessoal e cheio de gente desconhecida, estava tudo bem.

Nós, todos nós estávamos, finalmente, bem.

 

e agr sim...Fim

   

                               Agradecimentos      

 

São várias as pessoas a quem devo um grande agradecimento:

À minha família por toda a paciência e compreensão.

Á minha irmã, pelos raspanetes, correcções, paciência e amor. Sem ela a fic teria acabado no capítulo 10.

 Aos meus amigos, que muitas vezes, sem lerem a história, me incentivaram e me inspiraram.

Á Filipa, que foi, é, e sempre será, a melhor correctora de capítulos de todo o país - Obrigada pelos incentivos e palavras amigas que sempre tiveste para mim.

À equipa do Twihistórias, por acreditarem em mim, e me darem a oportunidade de publicar esta aventura.

E a todos aqueles que incentivaram, comentaram, leram, divulgaram e que ficaram com a Brianne até ao final.

O meu MUITO Obrigado. Vemo-nos em breve.

Beijinhos,

Marina

publicado por Twihistorias às 18:00
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01
Set 11

Capítulo 70

O Fim

 

O final das aulas precipitava-se perante os meus olhos, na mesma medida que a quantidade de trabalho crescia. E, mesmo eu querendo fazer umas pequenas pausas “estratégicas”, não me podia dar a esse “luxo”…

- Tens mesmo de descansar! – repreendeu-me Ellen, naquela tarde, quando andávamos às compras.

- Não posso – respondi. – Não tenho tempo.

- Brianne, dormir á essencial para que qualquer humano…

- Passa-me o arroz, dessa prateleira, por favor? – interrompi-a.

- Este? – disse apontando para uma das embalagens mais caras.

- O mais barato, Ellen, o mais barato…!

-Sovina! – Acusou. – Aposto que para humanos este arroz sabe muito melhor do que o…

- Ellen, a magia não está no tipo de arroz, está no que sabes fazer com ele! – esclareci. – E, eu não sou sovina, sou poupada – dirigi-me à prateleira, e peguei no saco de arroz de preço mais baixo. – Ou, pobre, se preferires.

Depois das compras feitas, iria directamente para casa – afinal, tinha de estudar. Supunha que Ellen, não me acompanharia – e estava certa que ela inventaria uma desculpa para não voltar a jantar. Desde que se haviam conhecido oficialmente, Kelly tornara-se uma ávida fã de Ellen, e secretamente estava a desenvolver a missão “vamos-alimentar-a-Ellen-que-ela-está-magrinha!” Mas, como Ellen, a vampira, não se podia alimentar em frente de Kelly, tínhamos, todos os dias, e sem excepção, um braço de ferro entre as duas.

 Aquele ritual virara rotina, e repetia-se dia após dia: Ellen visitava-me, ou acompanhava-me a casa, e Kelly perguntava-lhe se ela não queria ficar par o jantar. Ellen, de modo simpático, recusava, e Kelly insistia para que ficasse até à exaustão, e Ellen mantinha-se firme…

E, eu, cansada como tudo, apenas assistia a todo o número, ou ia simplesmente estudar para o quarto. 

Por aqueles dias, mal dormia, mal comia e vagamente me lembrava do que andava a fazer.

- Tens de dormir – repreendia-me Ellen, sempre que andava lá por casa.

- Não tenho tempo! – respondia, sem descolar os olhos dos apontamentos.

- E para o Seth? – ela adorava tocar no ponto fraco.

- Gostava de ter tempo… - lamentava.

Desde que a época de estudo tinha oficialmente aberto, via Seth apenas 5 ou 10 minutos por dia. Era doloroso, fisicamente doloroso até. Agora que já me habituara à sua presença constante, magoava ter de o afastar, mas sabia que com ele a meu lado, o meu estudo seria infrutuito…

“ Hoje vens ter cá à pensão?” perguntou-me Seth, por sms, quando ainda estávamos no supermercado.

“Não sei… estou no supermercado, mas tenho de voltar para casa… ainda estás na biblioteca?” respondi.

Suspirei olhando para o visor do telemóvel.

- Que se passa? – perguntou Ellen, enquanto colocava as nossas compras no tapete rolante da caixa do supermercado.

- Nada… - encolhi os ombros. – O Seth perguntou se eu ia ter à pensão hoje…

- Tenho a certeza que ele entende – tentou descansar-me, pegando-me na mão.

- Não sei até quando, Ellen… ele vai cansar-se disto… vai cansar-se desta minha atitude, e vai voltar para Forks. Vai perceber que tudo não passou de um erro, e…

- EI! Brianne! – Ellen elevou a voz, e colocou a mão no meu ombro, abanando-me. – Pára. Não te podes culpar, pelo que não tens controlo…

Respirei fundo.

- Não posso evitar… ando demasiado nervosa com tudo isto…

- Com os Cullen, também?

Este era também, obviamente, um dos motivos. Com o final das aulas, e com o meu regresso a casa, os Cullen decidiram visitar-me.

Seth ia regressar a La Push, por uns dias, e depois, passaríamos as férias juntos – ora em Portugal, ora em Forks. Este era o plano. Claro que ainda tinha o problema “pais” para resolver…

Embora já todos tomassem Seth como meu namorado oficial, os meus pais nada sabiam. Eu sentia-me pessimamente com este facto, Seth não o merecia, os meus pais também não. Mas, sempre que decidia contar a verdade, o universo, o destino ou o que quer que fosse, impedia-me de o fazer. Da última vez que me preparava para contar à minha mãe, estávamos na rua, e uma chuvada começou. No meio da correria, não me senti capaz para gritar: “MÃE TENHO UM NAMORADO!”

Mas, eu naquele momento não era capaz de conciliar tantos pensamentos preocupantes, ao mesmo tempo, no meu cérebro.

Era demais… simplesmente demasiada informação…

Saímos do supermercado, e nem sinal de uma nova mensagem de Seth. Não verbalizei o meu desespero. Ellen era uma óptima amiga, mas, por vezes, o seu optimismo cego era dispensável para quem, como eu, queria mergulhar na sua própria depressão.

Ellen decidiu não me ir levar a casa – afinal sabia o filme que haveria entre ela e Kelly, caso o fizesse.

Entrei em casa, segurando uma quantidade considerável de sacos.

- Olá Pai Natal! – brincou Kelly vindo ajudar-me.

Tentei sorrir.

- Comeste alguma coisa estragada hoje? – perguntou despreocupadamente.

- Desculpa? – enruguei as sobrancelhas.

- Se comeste alguma coisa estragada. – repetiu – Tu sabes, fora de prazo, com mau sabor… algo que te causasse azia, ou assim?

- Não me parece que o tenha feito… - acabei por responder, não percebendo o rumo que a conversa tomara.

- Estás cá com uma cara! – explicou. – Azeda…

- Nem tentes fazer piadas… - disse cansada.

- O que se passou? – perguntou Kelly, agora preocupada.

- Ó… nada…. Mas acho que o Seth já teve mais paciência para as minhas ausências… - disse sentando-me num dos bancos da cozinha.

Kelly pousou-me a mão no ombro.

- Não te podes culpar, pelas coisas que não podes controlar…

- Pareces a Ellen… - esbocei um sorriso frouxo.

Kelly soltou uma pequena gargalhada.

- Por falar em Ellen, onde é que ela está?

- Tinha qualquer coisa para fazer… - respondi. – Ou, talvez só quisesse fugir de ti.

- Engraçadinha! – respondeu, dando-me uma leve palmada nas costas.

- Eu faço o jantar – ofereci-me. – Vou estudando ao mesmo tempo, ok?

- Ok? – concordou. – Estou no quarto, caso precises de alguma coisa…

- Certo.

Arrumei as compras, pus carne a descongelar, e espalhei os meus apontamentos pela mesa.

Sentei-me, e liguei a Seth. Depois do décimo toque sem resposta, desisti.

“Talvez ainda esteja na biblioteca” tentei descansar-me. Mas, eu sabia que àquela hora, Seth já estava na pensão…

Fechei os olhos por um instante. Compreendia que Seth estivesse magoado comigo, e que a minha falta de tempo o deixasse chateado.

“Daqui a uns dias tudo acaba…”, disse baixinho, tentando acalmar-me.

Abri os olhos, e comecei a estudar. Minutos depois, temperei a carne, e cortei as cebolas para o arroz.

Enquanto a carne grelhava, voltei a ligar a Seth. Continuei sem resposta.

- KELLY! JANTAR! – gritei para o quarto, minutos depois.

Tirei o jantar para os pratos – arroz levemente carbonizado com costeletas grelhadas, e sentei-me à mesa.

Antes de começar a comer, escrevi uma mensagem para Seth. Perguntei apenas “Onde Estás?”.

Depois de a enviar, escrevi uma outra. Desta vez para Ellen. “Tinhas razão quanto ao arroz. Este queima…”

Kelly sentou-se à mesa e começamos a jantar.

Mas, ainda não tinha metido a segunda garfada à boca, quando me decidi. Levantei-me da mesa, e dirigi-me ao lava-loiças, para lavar as mãos.

-UI! Onde vais? – perguntou Kelly de boca cheia.

- Não aguento isto. Que se lixe o estudo – disse. – Vou procurar o Seth.

Kelly esboçou um sorriso traquina.

- Que romântico! – disse, fingindo fungar.

Abanei a cabeça para Kelly, de modo decidido, e sai disparada de casa. Antes de fechar a porta pude ouvi-la entoar os acordes roucos da marcha nupcial.

A minha cabeça estava a mil. Os meus pensamentos, quais partículas de ar, batiam uns contra os outros. Eram quase dolorosos. Uma dor, fria e sinistra, invadira-me o peito. Um medo novo, de uma forma mais cortante e eficaz. Como se a minha vida, ou parte dela, dependesse de uma conversa que tivesse com Seth mal o encontrasse.

Corri para a biblioteca. Entrei de rompante, e vi Eduardo - o colega de Seth, também ele bibliotecário.

- Olá! – saudei. – O Seth está por cá?

- Olá! – respondeu. – Não, Brianne, ele saiu às 7…

- Obrigado – atirei por cima do ombro, saindo da biblioteca em passo acelerado.

- Tchau! – respondeu Eduardo, decerto espantado pela minha reacção.

Corri, tanto quanto as minhas preguiçosas pernas permitiram, para a pensão. Era um percurso sinuoso e longo – tinha de atravessar quase toda a cidade.

Sentia rios de suor correrem pela minha pele. Mas, esses pormenores não eram de todo importantes – tinha em mente apenas a pensão, e a figura embravecida de Seth.

Ainda antes de lá chegar, numa das ruas de acesso, vi um vulto familiar. Estava de costas, e estava escuro. Mas, pude ter a certeza que de quem se tratava.

- Seth – gritei.

Ele não se mexeu. Não moveu um pé sequer. Impedi o meu cérebro de pensar, e corri mais rápido ainda rua acima.

Quando finalmente o alcancei, rodeei-lhe, com toda a força, o braço, e forcei-o a virar-se. A encarar-me.

E, o que vi, não foi nadado que estava à espera - em vez de um semblante carregado, irritado e amargurado, encontrei um sorriso.

Seth envergava o seu melhor sorriso. Por esta reacção não esperava eu!

- Demoras-te – disse-me ao ouvido, beijando-me, ao de leve, o lóbulo da orelha.

- Demorei? – perguntei confusa. - Sabias que eu vinha? …Mas,….?

- Foste atraída para uma armadilha, Bri… - respondeu, sorrindo e olhando-me nos olhos.

- Fui? – a minha face espelhava perplexidade.

Seth colocou as largas mãos em ambos os lados da minha face, contornando-a.

Com um dos dedos ia delineando as linhas do meu maxilar.

- Desculpa ter-te feito sofrer nestes momentos… Mas, precisava de ti. De ti aqui… E não sabia como te tirar de casa…

Semicerrei os olhos.

- A Kelly ajudou… - confessou, com um meio sorriso travesso.

- Mas, o que é que eu estou aqui a fazer? - Estava confusa. Mais do que confusa, completamente perdida.

- Já alguma vez pensas-te em casar? - perguntou-me.

- Fizeste-me correr a cidade inteira, para me perguntares isso? – a minha voz denotava alguma irritação.

- Responde – pediu ele suavemente, afagando-me a face. – Por favor.

- Já! – respondi impaciente e rude. – Todos já pensaram, certo?

Seth sorriu, satisfeito consigo mesmo.

- Seth, eu tenho de… - ia dizer que tinha de me ir embora. A verdade era apenas uma: eu não tinha tempo para aquele tipo de conversas. Não agora…

Mas, então era tarde demais. Sem que nada o fizesse prever, Seth largara-me a face, afastara-se e tomara-me as mãos nas suas.

E, muito naturalmente, ajoelhara-se à minha frente.

-Seth! – disse com voz esganiçada. Queria encontrar as palavras para lhe perguntar o que estava a fazer, mas não sabia onde elas paravam. Elas, as palavras haviam-se perdido, algures, pela brisa da noite…

-Schhhhhhhhh – disse ele, num sussurro. – Deixa-me fazer isto…

- Mas… - calei-me de súbito e percebi que estava a chorar – uma lágrima traiçoeira, rolou-me pela face.

- Brianne, sabes que te amo com todo o meu coração, todo o meu ser, toda a minha essência e alma. Sabes que vou amar-te para todo o sempre – largou-me uma das mãos, e levou a sua ao bolso do casaco.

- Aceitas casar comigo? – perguntou, com os olhos brilhantes de expectativa.

Uma caixinha, pequenina, feita de veludo abriu-se, e uma pedra brilhante presa no topo de um anel dourado reluziu à luz da lua.

Um olhar expectante, uma lágrima de emoção.

Um sorriso aberto e uma palavra largada ao vento. Um gesto. Um metal frio a deslizar pelo meu dedo.

Suspensão de ideias pré-concebidas – abaixo as idades e os tempos certos para se fazer as coisas de modo certo. Duas respirações irregulares.

E por fim, um sorriso partilhado, um beijo apaixonado. Uma promessa de futuro - feliz e eterno…

 

FI...

Não! Espera!!!

Ainda não acabou!! :D

Falta o prólogo...ahahahha

Até para a semana!!!

publicado por Twihistorias às 18:00
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24
Ago 11

Capítulo 69

Lembranças

 

Aquela tinha sido, sem dúvida, uma noite complicada. Acordei vezes e vezes sem conta, depois de longos pesadelos com Harry. Sentia a sua dor, e via a sua cabeça rolar pelo chão. Depois acordava, ensopada em suor, imaginando-me a arder na sua fogueira.

De cada vez que abria os olhos, a figura de Seth pairava sobre mim.

- Está tudo bem – dizia-lhe com respiração acelerada. – Agora, está.

Depois, voltava a adormecer no seu peito.

Na manhã seguinte, acordei quando Seth se levantou para o trabalho.

- Ainda é cedo para ti. – disse ele dando-me um beijo de bons dias. – Dorme mais um bocadinho.

- Acho que tenha mesmo de ir à biblioteca – respondi enquanto me espreguiçava.

Saímos juntos, e dirigimo-nos à biblioteca. Quando lá chegarmos, eu encaminhei-me para a secção de livros de aventura, e Seth para a recepção.

Do lugar onde me encontrava tinha uma perfeita visão para o seu posto de trabalho.

Por isso, de quando em vez, dava uma olhadela furtiva ao bibliotecário. Era sem dúvida muito bem-parecido. Moreno, de cabelo escuro, cortado rente, de figura esguia.

Mas, havia em si um ar enigmático, uma atmosfera misteriosa que protegia o segredo que os seus lábios não podiam revelar a todos – o seu lado mítico, o lobo em que se transformava.

Pelo canto do olho, via que ele, por vezes, também me observava. Olhava-me de soslaio e sorria levemente para consigo.

Em silêncio, eu ria do nosso flirt dissimulado.

Quando a hora da minha primeira aula chegou, levantei-me e rumei à saída, não sem antes piscar o olho ao bibliotecário. Seth retribuiu e acenou-me.

Caminhei lentamente até à universidade, saboreando o ar que me rodeava, sentindo na boca a doçura do vento que me agitava os cabelos.

Sorri. Quem havia de dizer que eu, a miúda que sempre girara no centro de um tornado, ia ser capaz de apreciar o simples vento?

Chegada à minha sala, assisti às aulas, calma e serena. Nem parecia que na noite anterior, dormira tão mal…

A proximidade de Ellen parecia estar a ser pressentida pelo meu corpo. Pelos meus poros.

O dia seguiu o seu rumo normal. Tudo, no exterior, me parecia tranquilo, mas dentro de mim, nascia um nervoso miudinho.

“ Nervosa?” perguntou-me Seth numa mensagem de texto, a meio do dia.

“ Não devia, pois não?” respondi.

“Sabes que não tens necessidade, não sabes? Mas, tu és sempre uma exagerada!” recebi minutos depois.

“Já sabias no que te ias meter! Agora conheces a verdadeira rainha do drama”, digitei, em tom de provocação.

Poucos minutos se passaram sem o meu telemóvel voltar a tocar.

“ É com todo o gosto que em tornarei a Rei do drama a teu lado”.

Sorri.

“ UI! Estamos tão casamenteiros!” – repliquei, decidida a continuar a jogar.

Uma resposta enigmática surgiu no meu visor momentos depois. A mensagem dizia apenas: “Depois falamos. Vem ter comigo logo.”.

Ainda perguntei “o que queres dizer com isso?”, mas Seth não me respondeu mais. E ele não era do género “conversas inacabadas”.

Tentei interpretar aquele diálogo com uma brincadeira de bibliotecário…

O dia rapidamente se precipitou em noite, e eu rumei a casa.

Tentava, desesperadamente, estudar, ou pelo menos, organizar a montanha de apontamentos que se estava a acumular. Mas, na verdade, estava demasiado ansiosa para a chegada da minha vampira.

Eis que então, surge o telefonema por que eu havia esperado todo o dia – Ellen.

- Ellen? – Chamei, ao atender.

- Abres-me a porta, por favor?

- Ó meu deus! – exclamei. – Já estás aqui??

- Mesmo debaixo da tua janela! – respondeu.

Sai do quarto em passo de corrida, nem perdendo tempo a calçar os ténis.

- Ei! Onde vais? – pergutou Kelly alarmada.

A sua voz esganiçada de surpresa, vinda da cozinha, perdeu-se mal desci a escadaria.

Ellen estava parada ao lado da porta. Envergava uma blusa azul-turquesa de seda, e uns jeans. Nos pés tinha umas sapatilhas calçadas e segurava, na mão, uma pequena mala de viagem. Os cabelos, agora ligeiramente mais curtos, estavam soltos.

Mas, o que mais chamou a minha atenção foi a cor dos seus olhos. Castanho cremoso e amanteigado. Ellen era oficialmente uma verdadeira vegetariana.

- Ellen! – saudei, abraçando-a.

- Brianne! – retribuiu. – Parece que não nos vemos há tanto tempo!

Depois de nos abraçarmos longamente, e de soltarmos risinhos de contentamento, votamos para casa.

Levei a mala de Ellen, enquanto fazia figas para que o encontro que aconteceria no andar de cima corre-se bem.

- Brianne! Posso saber onde é que te metes-te, sem sapatos e… - a voz de Kelly perdeu-se, mal deu pela presença de Ellen.

- Kelly – disse de modo solene e sério. – Esta é a Ellen.

Sorri e fiz um gesto para a vampira que estava atrás de mim.

- Hum… Olá… – saudou, envergonhada Kelly.

Kelly não era do tipo envergonhado, mas sabia que naquele momento, ela estava a pensar no episódio Barbie.

- Olá Kelly! – respondeu Ellen, esticando-se e depositando-lhe um beijo repenicado na face.

Cerrei os dentes para não me rir da expressão de Kelly. Parecia paralisada, embaçada e até aterrorizada – um mix deveras estranho.

“ De esta ela não esperava. A boneca dá beijinhos” pensei de mim para mim.

Depois de uma conversa de circunstância, em que Kelly descontraiu, despedimo-nos e saímos para visitar Seth.

- Foi um prazer – disse Kelly quando saiamos.

- Afinal a Barbie é simpática – comentou Ellen, piscando um dos olhos.

Kelly sorriu e eu soltei uma gargalhada.

- Volto já! – comuniquei-lhe.

-OK! – respondeu com um sorriso, erguendo os dois polegares, em sinal de aprovação quando Ellen estava de costas.

Foi a minha vez de lhe piscar o olho.

Já envoltas pela noite, começamos a descer a rua, em direcção á pensão de Seth.

Caminhávamos lado a lado, pelas ruas que tantas vezes foram nossas, em tempos, que me pareciam, agora, tão distantes. Tempos que hoje, eram apenas lembrança…

- Estás bem? – tinha de fazer inevitavelmente, esta pergunta.

- Vou ficar – respondeu. – Não te preocupes.

Sem querer faze-la lembrar-se mais do assunto “Harry”, mudei de o foco da conversa – falamos, então, descontraidamente, sobre o passado.

- Só de pensar na minha vida antes de ti… - soltei uma gargalhada.

- Bastante mais calma, suponho.

- Oh… não tinha metade da graça! – admiti. – Nem da aventura!

- É um prazer enorme ter-te conhecido – disse com solenidade.

- Sabes, que é recíproco não sabes? – inquiri.

Ellen sorriu.

- Na, verdade mudaste a minha vida. Já não me consigo imaginar sem ti. – disse.

- Tenho mais para te agradecer do que tu imaginas. – retribui.

Ellen lançou-me o seu olhar penetrante e encantador.

- Já me conquistas-te – ri-me. – Já não precisas de me lançar esse olhar!

Ela mostrou-me a língua e soltou uma gargalhada.

Tinha saudades daquela leveza. Ellen me fazia-me falta.

- Sinto-me tão cansada hoje – comentei, bocejando involuntariamente. – Foi um dia em grande, não foi?

- Sabes, quando te conheci, – começou –, eras bem mais forte. Nem precisavas de dormir!

Fiz-lhe uma careta.

- Se quiseres, posso resolver o problema dos sonos! Posso fazer com que não tenhas de dormir mais – disse, mostrando-me os caninos afiados.

- Ellen! – repreendi-a.

Dei-lhe um pequeno empurrão, e rimos, até chegarmos à pensão. E riríamos mais, muito mais, no futuro. Mesmo que ele não nos trouxesse sempre a bonança, estávamos preparas para tudo.

publicado por Twihistorias às 18:00
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15
Ago 11

Capítulo 68 – A Morte

 

Não acredito em “calmarias”. Simplesmente, na minha vida, sempre que pedi um tempo mais calmo houve de seguida, inevitavelmente, uma grande alteração.

Como quando ingressei na Universidade, pensei que iria entrar em tempos mais adultos, maduros e calmos. Em vez disso, acabei metida num épico confronto entre vampiros.

Claro que acabei por encontrar o amor da minha vida. Mas, nada me fizera prever que ia ter de passar por tanta coisa para chegar onde cheguei…

Por isso, não acreditava, que agora, as coisas fossem desacelerar. Não iam. Eu sabia-o. Harry não se ia deixar ficar, e Ellen ia agitar tudo novamente na minha vida, quando voltasse para Portugal.

E depois, havia Kelly. Durante o dia, massacrei-me com ideia de falar com ela. Sabia que lhe devia uma explicação, ou melhor que lhe deveria, no futuro. Ellen ai voltar às nossas vidas, e tinha de lhe contar. Seth estava de acordo comigo.

Chegada a noite, e antes de ir ter com Seth à pensão - conforme o combinado, decidi puxar o assunto.

- Lembras-te da Ellen? – perguntei inocentemente.

- Aquela a quem chamei Barbie? – parecia arrependida.

Recordei a nossa discussão.

- Sim… - respondi.

- Lembro – disse ela.

- Ela vem cá passar uns dias… Chega logo à noite… - expliquei.

Kelly anuiu com a cabeça. A sua feição era impenetrável.

- Desculpa ter sido estúpida com ela, e contigo. Estava chateada na altura… eu não tinha o direito de… - falava sem pausas para respirar.

- Kelly – interrompi – Isso já passou. Não te preocupes…

A minha amiga assentiu com a cabeça e mordeu o lábio.

Jantamos mantendo uma conversa animada. Agora sentia-me bastante mais leve – já não tinha informações importantes entaladas na minha garganta.

- Vou ter com o Seth à pensão – anunciei, quando acabamos de lavar a loiça.

- Queres que te vá levar – perguntou em tom jocoso.

Mostrei-lhe a língua, peguei na chave, e saí.

“Devia ter trazido um casaco”, pensei, olhando para a noite fria.

O telemóvel tocou no meu bolso, quando ia mais ou menos a meio da minha viagem.

Ellen – li no visor.

- Ellen? – atendi.

- Brianne – respondeu.

Fiquei em silêncio à espera que ela prosseguisse. Mas, isso não aconteceu. Apenas ouvi pequenos suspiros entrecortados.

- Ellen, ainda estás aí? – perguntei.

- Sim… estou… - suspirou.

Senti um arrepio. Alguma coisa não estava bem. Primeiro Ellen,  apenas me devia ligar, dali a um bom par de horas a avisar-me que chegara ao aeroporto, e em segundo, Ellen não costumava hesitar, era demasiado bem resolvida para isso.

- O que se passa? – quis saber.

Ellen pigarreou – à sua maneira pude saber que chorava.

- Os Volturi vão encontrar o Harry hoje… - disse. – Já estão a caminho.

- Oh Ellen… - lamentei com lágrimas nos olhos. – Se pudesse fazer alguma coisa…

A sua dor era, agora, a minha dor. O seu choro, do outro lado da linha, cortava-me o coração. E, era o meu choro.

Se pudéssemos escolher quem amamos as coisas seriam bastante mais simples. Seguiríamos a cabeça, a razão, e não as emoções e o frágil e influenciável coração…Seria bem mais fácil…

- Estás bem? – não podia deixar de perguntar, mesmo que soubesse a verdade, e a mentira da resposta que ouviria.

- Sim, Brianne, não te preocupes… - disse.

- Ellen…eu, eu lamento muito. Não imaginas o quanto eu lamento.

- Eu sei… - respondeu, largando um soluço.

Não conseguia imagina-la assim, tão frágil e desprotegida. A sofrer.

Ouvi um barulho – Ellen parecia estar a passar o telefone a alguém.

- Ellen – chamei.

- Brianne, sou eu – era Alice.

- Ela está bem? – perguntei.

- Dentro dos possíveis, sim. – respondeu.

Olhei em redor – queria sentar-me. Nas redondezas não havia bancos ou jardins. Também estava, agora, demasiado longe, quer de casa, quer da pousada.

Acabei por me sentar num degrau de acesso a uma velha casa desabitada.

- O que se passou? Os Volturi… - não consegui terminar a frase.

- Eles já o alcançaram. A execução irá acontecer dentro de momentos. Talvez antes de desligarmos a chamada, ele já tenha sido aniquilado.

Senti um arrepio.

- Mas, como é que eles o encontraram? – pelo meu tom de voz, era visível a minha desilusão. Mesmo sem o saber, eu não desejava que os Volturi o encontrassem. Desejava, sim, que Harry ficasse exilado na gruta por toda a eternidade, que a sua existência não mais coexistisse com a de nenhum humano, ou vampiro, mas não lhe desejava a morte. Era-me impossível faze-lo.

- “Os Volturi têm uma grande guarda. Não imaginas quantos vampiros se juntaram a eles, ou por outras palavras, que eles fizeram que se juntassem a eles. Cada um deles tem talentos singulares, Brianne. Batedores, ou localizadores como preferires, é o que não lhes faltam. Foi fácil para eles encontrarem o Harry. Demasiado fácil, diria eu.

A ordem de captura foi emitida, e praticamente 10 minutos depois, a guarda, constituída por cerca de 15 vampiros, encontrou a gruta.”

Quase conseguia ver a cena através dos seus olhos… um bando de vampiros a correr por entre vegetação cerrada. E Harry. Harry sentado numa gruta escura, fria e húmida, de olhos vermelhos flamejantes.

- “O Harry pressentiu que algo não estava bem. – continuou Alice. - Sentiu a presença de alguém perto da saída gruta. Ele é um vampiro antigo e astuto, sabia que a sua hora estava a chegar. Mas, estava demasiado fraco para se mover, para tentar fugir. O facto de estar numa mata isolada, não lhe permitia caçar com tanta frequência como estava habituado.

Por isso, permaneceu sentado, no chão da gruta, e esperou que o viessem buscar.

E eles assim fizeram, entraram de rompante – rebentando com a pesada rocha que servia de porta à gruta.

Ele nem sequer teve tempo de se levantar, ou mesmo dizer alguma palavra de despedida. “

Senti um vento cortante na face. Harry estava morto. Uma lágrima rolou pela minha face.

Instintivamente olhei para o céu. Nenhuma nuvem de fumo era visível no meu ângulo de visão. Onde quer que Harry tivesse morrido, tinha sido longe dali.

- Alice – disse com voz fraca, limpando o rosto. – Dá um beijinho meu à Ellen…

- Sim… Claro que sim – disse.

- Ela vem para cá à mesma? – perguntei.

- Sim, amanhã de manhã embarca. – respondeu. – Vai fazer-lhe bem viajar, espairecer, afastar-se um pouco.

Assenti. Depois de mais algumas recomendações da minha parte para que os Cullen tomassem conta de Ellen.

Depois de terminar a chamada, corri para a pensão. Quando Seth me abriu a porta do seu quarto, lacei-me nos seus braços e chorei. Chorei por todos aqueles que jamais poderia salvar.

            Seth não pareceu alarmado - provavelmente Alice ter-lhe-ia telefonado.

Aconchegou-me a si, e afagou-me o cabelo. De quando em vez sussurrava-me que me amava ao ouvido.

Depois de algum tempo, ouvi-o ligar a Kelly a dizer-lhe que eu iria pernoitar na pensão, e que Ellen, afinal, apenas chegaria na noite seguinte.

Parei de chorar, e olhei-o. E uma vez mais, soube, que enquanto estivesse a seu lado, tudo estaria bem.

 

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09
Ago 11

Capítulo 67 – Mr. Sexy

 

As quartas-feiras são maus dias. Honestamente, muitas são as semanas, em que chegado o dito cujo dia apenas tenho vontade de me deixar ficar na cama com a cabeça debaixo dos cobertores.

Todas as semanas, à quarta-feira, saiu de casa antes das 8 da manhã, e não volto entrar antes das 20. É um dia bastante cansativo, com muitas aulas, e pouco tempo para descansar, e até comer.

Naquela quarta, como manda a tradição, saí de casa e corri para o autocarro.

O dia, com um sol preguiçoso, arrastava-se lentamente, rindo a minha desgraça.

Durante a manhã, Seth ia-me mandando sms, que eu, muito descaradamente, respondia em plena aula.

“ Encontramo-nos logo à noite?”, perguntou-me a certo ponto.

“Se eu sobreviver a este dia, clarooooooooooooooooooo que SIM!!”, respondi.

Por volta das 11 da manhã, já o meu cérebro apresentava a consistência (e estava acerta de que o aspecto também) de papas de aveia. Tinha vontade de ir à casa de banho e pôr, simplesmente, a cabeça debaixo da torneira, para acordar.

Antes da minha hora de almoço, Ellen dera-me o “ponto da situação”. Este era um ritual dos últimos dias: mais, ou menos à mesma hora, a minha vampira, ou Alice, enviavam-me uma mensagem de texto para o telemóvel, actualizando-me da posição de Harry. Na verdade, nestes momentos, eu sentia-me inserida no elenco de um filme de espionagem caseira.

Mas, era sempre útil sabermos se naquele dia íamos, ou não ser atacados, ou se corríamos, ou não perigo de vida.

Pelo que sabíamos, Harry pretendia continuar recluso na sua gruta, escondido.

Alice andava também a controlar as decisões dos Volturi, mas pelo que sabíamos Harry estava “em lista de espera”.

“Há mais uns quantos como ele, Brianne. São castigados por ordem de infracção. Os primeiros a serem castigados são os que quebraram as regras em primeiro lugar.”

Na altura estremeci com esta descrição. Mas, depois de alguma reflexão percebi que talvez fosse melhor para os infractores serem surpreendidos pela morte, em vez de terem de esperar por ela em fila indiana. Ou seja, do meu ponto de vista, era melhor os Volturi aniquilá-los rapidamente, do que os levarem para o seu castelo, pô-los a todos numa fila, e arrancar-lhes as cabeças por ordem de chegada…

Mas, por norma preferia não pensar nestes assuntos. Era menos doloroso psicologicamente não pensar em Harry morrer. Por mais mal que ele nos tivesse feito, especialmente a Ellen, não era capaz de desejar a morte a ninguém.

Como tinha mantido a minha mente ocupada com estas conjecturas, durante grande parte da tarde, as horas passaram bastante mais depressa.

Aguentei o final das aulas, e corri para o autocarro, mal nos deram a liberdade condicional.

Laura e Júlia praticamente tiveram de voar a escadaria principal, para me acompanharem.

- Ei! Vais com pressa! – disse-me Laura, já dentro do autocarro.

- Hum – concordei.

Elas apenas olharam desconfiadas uma para outra, erguendo as sobrancelhas.

Durante a viagem de autocarro, decidi ligar para casa – com toda a confusão dos últimos dias, mal tinha falado com a minha família como devia ser.

Depois de alguns minutos de conversa – em que me pus a par da novidades da escola de Roselyn e dos problemas de trabalho do pai e da mãe (nada de novo!).

Despedi-me com um até logo, prometendo que voltaria a ligar mais tarde.

O autocarro demorou menos do que o costume a chegar á minha paragem – agradeci-lhe mentalmente.

Aceno, em forma de despedida, a Júlia e Laura, e saio apressadamente do autocarro.

Corro até casa. Planeio jantar rapidamente e surpreender Seth na pensão.

Mas, mal ponho o pé dentro de casa, sinto um maravilhoso aroma.

Entrei em casa e senti um maravilhoso aroma. “ Comida! E da boa!” pensei.

Segui o trilho invisível que o cheiro traçava até à cozinha. Através da porta fechada, ouvi risos.

- Mas, que… - murmurei ao reconhece-los.

Abri a porta com algum dramatismo – se estivesse num filme era assim que actriz principal reagiria - abriria a porta, pronta a apanhar a melhor amiga com o namorado.

E, mesmo eu sabendo que não ia encontrar nada mais do que, bem, Kelly e Seth, gostava de um teatrinho, de vez em quando.

Kelly estava sentada à mesa, de braços cruzados, e Seth, que vestia o meu avental, empunhava a colher de pau, e estava oficialmente a cozinhar.

Nenhum dos dois pareceu surpreso, ou chocado, com a minha entrada triunfante.

- Surpresa! – disse Kelly, tentando acabar com o meu momento.

“ E que bela surpresa”, pensei rindo.

Com que então, Kelly pusera Seth a cozinhar.

Seth olhou-me com um sorriso aberto. Encurtei a distância que nos separava, e beijei-o levemente.

- O que fazes aqui, lobo? – perguntei.

Seth estremeceu levemente ao escutar a minha referência ao seu lado mítico. Provavelmente tinha medo que Kelly descobrisse a sua vida paralela.

- Vim contar-te uma novidade boa! – comunicou. - Mas, depois acabei como cozinheiro.

- De mensageiro a cozinheiro – respondi, olhando para Kelly. Esta limitou-se a sorrir, inocentemente.

- Conta – incentivei-o.

- Arranjei um emprego! – informou-me Seth.

- Hum! Onde? – decidi dosear o meu entusiasmo, na presença de Kelly.

- Estás a falar com o mais novo bibliotecário da cidade!

- Uau! – elogiei. – Parabéns!

Jantamos uma vez mais, apenas os três. Tinha de admitir que Seth era um excelente cozinheiro!

- Eu lavo, tu secas – propus a Seth depois de comermos.

Kelly pareceu perceber que nos devia dar alguma privacidade e decidiu tomar um banho.

- Muito bem, Sr. Bibliotecário – disse-lhe.

- Achas? – perguntou inseguro.

- Claro que sim! Além do mais, ser bibliotecário é sexy!

- Hum, é sexy? – provocou.

- Deveras! – respondi, roubando-lhe um beijo.

Como na companhia de Seth o tempo voava, em menos de nada era já demasiado tarde, para me manter de pé.

- Bem… vou andando. Amanhã tenho de fazer o turno da manha na biblioteca.

Ri-me.

- Quem me dera que pudesses cá ficar – segredei enquanto o levava à porta.

- Mas, não posso, não é? – sorriu-me.

Acenei negativamente com a cabeça.

Beijamo-nos uma vez mais.

- Até amanha, Mr. Sexy.

- Love you – respondeu. Era a primeira vez que o dizia na sua língua.

Naquela noite, sonhei, inevitavelmente, com Seth.

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04
Ago 11

Capítulo 66 - Sobremesa

 

- Isso não faz sentido nenhum! – voltei a repetir.

- Não és tu quem decide – responde-me Ellen num tom autoritário.

Olhei exasperada na direcção de Seth. Este limitou-se a encolher os ombros. A sua postura “O que queres que faça? Não podemos fazer nada!”, estava a irritar-me sobejamente.

Respirei fundo.

-Ellen, tens de me ouvir! – declarei firmemente.

- Já te ouvi – interrompeu-me. – E, sei o que pensas.

- Mas… - comecei.

- Mas, - interrompeu-me ela. – estou aí na quinta-feira.

- Ellen, daqui a dois dias? – perguntei em voz baixa e desanimada.

As minhas orelhas iam cair. Era inevitável. Nos últimos dois dias tinha passado mais tempo ao telefone do que a fazer qualquer outra coisa.

Harry continuava na gruta, e lá pretendia ficar escondido por mais um tempo. Segundo Alice, a sua “autro-preservação estava a falar mais alto”.

Mas, agora eu tinha outro problema em mãos – Ellen, insistia em voltar para Portugal. Queria ter a certeza que eu, e Seth, estávamos bem, e que a proximidade iminente de Harry não nos estava a perturbar.

- Brianne, não adianta gastares o leu latim. Eu já decidi. – disse, simplesmente. – Até a Alice já concordou. Não há perigos.

Suspirei.

- Não há nada que eu possa fazer? – perguntei rendida.

- Podes sempre preparar a minha chegada – respondeu com uma gargalhada cintilante.

- Até logo, Ellen – despedi-me.

- Beijinhos. Para os dois.

- Para vocês também. Para todos – retribui.

Ellen desligou a chamada. Descolei o telemóvel do ouvido, e fiquei a olhar para ele. À minha frente, Seth estava encostado à parede, expectante.

- Estou farta de perder batalhas – vosifiquei, ainda a olhar para o aparelho.

- Talvez estejas a combater sempre nas batalhas erradas. Talvez estejas a lutar por causas perdidas, Brianne.

Seth sentou-se na cama a meu lado. Levantei os olhos, e olhei-o irritada.

- O que queres dizer com isso? – questionei.

- Não podes estar sempre a debater-te, Brianne. Se a Ellen quer vir, não sou eu, nem tu, que a poderemos fazer mudar de ideias. – respondeu. – Tens de ser tão forte tantas vezes, bem poderias poupar energia de vez em quando, não achas?

Semicerrei os olhos. Embora uma parte do meu cérebro lhe estivesse a dar razão, a outra parte – a parte que estava chateada, pedia sangue, luta e discussão.

Abri a boca pronta a ripostar. Mas, de súbito, perdi a vontade de criar mau ambiente e uma crise entre nós.

Porque motivo, iria eu querer perder tempo com disputas e controvérsias que não nos levariam a parte alguma?

- Queres jantar lá em casa – perguntei energicamente, apanhando-o de surpresa.

- Desculpa? – perguntou, de olhos muito abertos.

- Queres ou não? – perguntei, em tom autoritário, levantando-me.

- Se quero…

- Jantar lá em casa, sim – conclui, parando à sua frente.

            - A que se deveu esta mudança de comportamento tão repentina?

- Não quero voltar a discutir contigo por causa de assuntos que não são causados por nós. – encolhi os ombros. - Não podíamos fazer nada, pois não?

- Bastante inteligente – disse Seth.

- E além do mais – continuei. – Eu amo-te. E não quero voltar a discutir.

- Também te amo, Miss Confusão – retribuiu, levantando-se.

Beijamo-nos.

Como queria fazer boa figura, Seth decidiu tomar um banho e “pôr-se cheiroso”, conforme havia dito.

Enquanto ele se “emperiquitava”, e permaneci deitada na sua cama, fazendo zapping.

Meia hora depois, saímos da pensão, rumo a minha casa.

- És pior que as meninas! Demoras séculos a arranjar-te! – gozei.

- AH! – fingiu-se ofendido. – Preferias que fosse mal cheiroso?

- Tu nuca és mal cheiroso, Seth! – respondi com uma gargalhada.

Chegamos rapidamente – a pensão era relativamente perto da habitação.

Abri a porta, e vi Kelly, no nosso quarto, sentada na sua cama, de computador nas pernas, e head-phones nos ouvidos.

Cantarolava.

Acenei-lhe, para que ela desse pela nossa presença.

Ela sorriu-me abertamente, o ver que a minha mão agarrava a mão de Seth.

            - Olha quem cá está! Vejam se não é o indígena! – brindou.

Seth sorriu envergonhado, e eu arregalei subtilmente os olhos a Kelly avisando-a de que se devia comportar.

            - Bem, vou fazer o jantar. – anunciei. – Quantos somos?

- Só nos e o indígena – respondeu. – As outras não vêm.

- Ok.

Dirigi-me à cozinha, e Seth acompanhou-me.

- Não fiques nervoso – disse-lhe ao ouvido.

- É fácil falar – sussurrou.

Não tardou a que Kelly aparecesse na cozinha. Sentou-se à mesa, ao lado de Seth, e iniciou o seu interrogatório intimidador.

“E lá no velho mundo, como são as coisas? Andam nus ou vestidos? O que estás a achar do novo mundo?” – despejava Kelly.

Seth respondia sempre com um sorriso e com um tom bastante amigável, mesmo quando as perguntas eram patéticas – o que acontecia na maior parte das vezes.

Não pude deixar de me rir com algumas das perguntas. Kelly tinha cá uma “lata”…

Como Seth comia por uma alcateia, fiz uma grande porção de massa – que daria para mim, e para Kelly para pelo menos três refeições.

Jantamos num ambiente amigável. Kelly ficara satisfeita e encantada com a história que Seth inventara à pressão para o nosso primeiro encontro.

- Conhecemo-nos por acaso. – disse-lhe ele. – Aqui perto. Quando a vi, soube simplesmente que era ela… foi naqueles dias da greve. Ela parecia irritada, mas houve algo que me fascinou.

Corei com a explicação. Kelly, em vez de rir da minha coloração facial, apenas suspirou com um sorriso parvo no rosto.

Ao que parecia, o “indígena” havia caído nas suas boas graças.

Quando estávamos a terminar, o meu telemóvel tocou. Era uma mensagem de Ellen.

“ A Alice diz que gosta do que vê. O indígena é um quebra corações, tal qual como tu.

A Kelly vai aceitar super bem a vossa relação.” Sorri.

Os meus olhos encontraram os de Seth. Amava-o. Mais do que as palavras alguma vez o poderiam contar. E os seus olhos diziam-me que ele sentia o mesmo.

Esta era a melhor sobremesa de todas – o nosso amor.

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26
Jul 11

Capítulo 65 - Parte 2

 

Realidade

 

O choque inicial que a declaração de Ellen me causou, fora, agora, substituído por uma aparente calma e sangue frio. Talvez me estivesse a habituar a este tipo de coisas – situações preocupantes causadas por seres míticos.

“Pois, talvez, seja esta a minha sina… o meu karma” – pensava amiúde.

O telefone não parara de tocar, nas últimas duas horas.

Ora avanços, ora recuos, Harry estava constantemente a mudar de ideias.

- Ele está a ir para aí – dizia Ellen em voz alarmada.

– Mas, tu disseste-me que ele não o faria – respondi-lhe ao quarto telefonema.

- Parece que me enganei redondamente – desculpou-se.

Menos de cinco minutos decorridos, Alice, ligava de volta a anunciar a mudança de planos.

Ao que parecia, Harry estava um turbilhão de emoções, de mudanças de posição. Talvez estivesse dividido entre a ideia de encontrar Ellen a todo custo, me matar, e fugir dos Volturi. Três grandes questões, diga-se de passagem.

Por vezes, dava por mim a divagar: Seria possível Harry amar Ellen verdadeiramente?

Ama-la de facto? Mesmo que esse amor fosse uma pálida sombra, quando comparado ao amor que ela sentia por ele?

  Ou, seria ele apenas mau, um vampiro sanguinário que a enganara durante séculos?

Confiava no discernimento de Ellen, no seu instinto e na sua capacidade de análise. Como poderia ela estar errada durante tanto tempo?

- Em que estás a pensar? – perguntou Seth, entrando no quarto – tinha estado na pequena varanda a falar ao telemóvel.

- No Harry… e que em tipo de pessoa ele é…

- Chegaste a alguma conclusão? – inquiriu suavemente.

- Nem por isso – respondi, desanimada.

Seth anuiu com a cabeça.

- Quem era ao telefone – questionei.

- A Ellen, outra vez. O Harry ainda não mudou de ideias. Continua a fugir. Sem rumo…

Foi a minha vez de anuir.

- Gostava que as coisas fossem mais simples – admiti.

Seth, sentou-se a meu lado, rodeando o meu corpo com o braço.

- Prometo-te que serão. Um dia.

Sorri. Era uma promessa vã e possivelmente irreal, mas, ao mesmo tempo, tão feliz e tentadora…

- Espero que sim - respondi. – Espero mesmo que sim.

O telefone tocou uma vez mais. Atendi – eu e Seth estávamos a faze-lo à vez.

Era Alice.

- Diz Alice.

- Ele escondeu-se numa gruta. Acha melhor descansar a mente e tentar acalmar-se. Por enquanto, planeia ficar por lá, no mínimo por dois dias.

Veremos se o padrão se repete, e ele muda de ideias…

- Achas que ele alguma vez amou a Ellen – perguntei abruptamente, interrompendo-a.

- Sinceramente, Brianne, acho que não…- disse. – E, estou bastante certa da minha posição.

- Porque achas isso? – ao meu lado, Seth escutava a explicação através do som que saía do auscultador, e se perdia pelo quarto.

- Ele não gosta de ninguém. Só gosta de si… Apenas gosta das potencialidades e capacidades da Ellen, nada mais.

Subitamente o meu coração acalmou e perdi toda a compaixão, que até aquele momento, nutria por Harry.

Afinal eu não fora a causa da infelicidade de Ellen. Por outro lado, podia ter sido a sua salvação, afastando-a ao mesmo tempo de Harry e das irmãs Sullivan.

Desliguei o telefone e beijei suavemente Seth.

Afinal, parecia que podíamos ter paz, pelo menos, e se tudo corresse como o programado, nos próximos dois dias. E era tudo o que sabíamos, e por enquanto era o suficiente.

 

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19
Jul 11

Capítulo 65 – Realidade

Parte 1

 

Mal pus o pé fora do autocarro soube que a semana que teria pela frente não seria fácil. Não se algo se tivesse passado, ou houvesse um cartaz à saída a indica-lo. Mas, eu simplesmente sabia-o.

A minha situação com Seth, outrora definitiva e calma, estava agora a passar por uma fase de teste e reajuste. Em que ele, estava a perceber de que forma a minha vida apressada acontece.

Tudo era fácil de perceber: quando vivemos um sonho, e quando esse sonho é transportado para a realidade, algumas das suas características perfeccionistas e brilhantes perdem-se pelo caminho, tornaram-se pesadelos em noite intermináveis.

É a maneira que o universo tem de criar equilíbrio entre as forças que nos rodeiam.

Por isso não foi de estranhar quando ao chegar à rua de acesso a casa, vi Seth à porta de minha casa. O meu primeiro impulso era correr para os seus braços, mas senti o olhar de Kelly posto nas minhas costas.

 Por isso, tentei conter-me. Segui lentamente ao seu encontro arrastando a minha pesada mala.

- Podes deixar-me a tua mala. Vai lá ter com o indígena – disse-me Kelly, sorrindo.

Larguei a mala e corri rua baixo.

Seth abriu-me os braços e o seu melhor sorriso.

Atrás de mim, ouvi um risinho, e Kelly entrou na porta de casa, levando as malas.

Alcancei Seth, abrasando-o. Senti-me inebriada pelo seu aroma fenomenal e característico.

Beijamo-nos com saudade. Naquele momento acreditei que as expectativas negras quanto àquela semana estariam erradas.

- Tive tantas saudades tuas – disse-me Seth.

- Eu tuas – disse olhando-o.

O seu rosto iluminado apenas pela luz que provinha da lua era realmente belo e digno de um ser da sua natureza

- Agora vai ser sempre assim não vai? A distância? – perguntou tristemente.

- Já não era? – retribui.

Seth sorriu.

- Sempre foi.

Caminhamos um pouco pela cidade – o tempo estava agradável, enquanto lhe fazia um resumo do final de semana, e de todas as matérias que havia estudado.

Depois, despedimo-nos – eu tinha de arrumar todas as minhas coisas, e de fazer umas revisões para uma apresentação na manha seguinte.

Arrumei tudo e estudei ao som da voz de Kelly cantando “All you need is love”.

Acabei por adormecer com um monte de fotocópias na cama.

Na manha seguinte acordei, e como de costume vesti-me e saí de casa rapidamente –  não queria perder o autocarro.

À porta estava, inevitavelmente Seth.

- UI! Tão cedo? – perguntei perplexa. Mas, será que ele não dormia?

- Sabia que saias de casa a esta hora – esclareceu, tentado abraçar-me.

- Bem, tenho de ir… o autocarro – disse, esquivando-me.

- Ok – respondeu, deixando o sorriso esmorecer.

Beijei-o levemente, e corri para a paragem do autocarro.

Como de costume não encontrei nenhum lugar vazio onde me pudesse sentar, por isso tentei acomodar-me perto da janela. Pelo canto do olho pode ver Seth acenar.

***

A manhã tinha corrido bem. Afinal a apresentação não tinha sido tão aterradora como eu estava à espera.

Há hora de almoço, como de costume, dirigimo-nos em grupo para a cantina.

Estávamos embrenhados numa conversa bastante animada sobre as peripécias do fim-de-semana de Júlia.

Mas, ainda antes de dobrar a esquina – perto do local onde Harry me atacara – vi Seth encostado a uma árvore.

Senti uma onda de calor invadir-me, mas não sabia como a descrever. Felicidades, ou descontentamento.

Como uma onda de culta, tive de admitir que não estava propriamente contente por vê-lo.

Amava-o. Com todo o meu ser, mas, não estava habituada a que me controlassem. A minha liberdade era algo que desde sempre valorizara. Sabia que Seth estava a tentar ser atencioso, e fazia, simplesmente, o que o seu coração apaixonado lhe recomendava.

- Hum… podem ir andando – disse a Júlia – Já vos apanho.

- Tens a certeza – questionou, olhando directamente para Seth.

- Sim tenho. Até já.

Dirigi-me a Seth.

- O que estas a fazer aqui – perguntei. O meu tom de voz saiu mais acusador do que desejava.

- Vim ver-te – respondeu sorrindo, e alcançando a minha mão.

- Não podes continuar a fazer estas coisas, Seth – repreendi-o. - Eu tenho de conseguir concentrar-me nos estudos, e contigo sempre a ronda é-me impossível.

Sabia que as suas intenções eram as melhores, mas, ele tinha urgentemente de arranjar alguma ocupação, ou a nossa relação iria correr mal.

Respirei fundo. Estava a sentir-me paranóica, insensível e mimada. Uma daquelas raparigas…

- Desculpa se estou a ser bruta… Mas, acho que deves arranjar alguma coisa para fazeres. Algo teu…

- Tu não queres estar comigo? – interrompeu-me, de olhos muito abertos.

- Não foi isso que eu disse – respondi rudemente.

- Tens mais que fazer, não é?

- Seth – repreendi-o.

Seth largou-me a mão e em passo de corrida desapareceu rapidamente por entre a vegetação que nos rodeava.

- Seth – chamei. Em vão.

Ao longe ouvi o som de tecido a rasgar. Seth devia ter-se transformado.

Perdi subitamente a fome, e fui directa para a sala de aulas.

***

A noite aproximava-se, e nem sinal de Seth.

Depois da nossa discussão, e da tarde de aulas, regressei a casa.

Tinha de admitir, que esperava que Seth estivesse, como de costume, à minha porta, pronto para fazer as pazes.

- De que estás à espera? – perguntou Kelly, ao entrar no quarto.

Eu estava há mais de uma hora a olhar através da janela. Esperava que Seth subitamente aparecesse na rua.

            - Chatearam-se?

- Hum…? – não tinha ouvido a pergunta.

- Tu e o indígena? Chatearam-se não foi.

Encolhi os ombros.

- Já tentas-te falar com ele?

Abanei negativamente com a cabeça.

- De que estás à espera, para ires falar com ele?

Boa pergunta, pensei. De que estava eu à espera?

- De nada – respondi.

Saí de casa e corri para a pensão, chegando lá em tempo record.

A recepcionista, que já me conhecia, disse-me que Seth não estava. Mas, depois de alguma insistência, deixou-me subir e esperar à porta do quarto.

Bati à porta – por teimosia. Sabia que Seth não estava. Sentei-me à porta e decidi esperar.

Não sei quanto tempo esperei, ou qual foi o momento em que adormeci, apenas sei que quando Seth me acordou me assustei.

Depois, mais desperta, senti os remorsos apoderarem-se de mim.

Pus-me de pé num salto e abracei Seth.

- Desculpa, desculpa, desculpa…! – pedi.

-Brianne, eu é que te peço desculpas!

- Odiei a nossa discussão – disse contra o seu peito.

- Pareceremos um casal na meia idade. Casado à pelo menos 20 anos – disse ele gozando.

- Um dia, meu caro. Um dia!

Rimos os dois. Ergui a cabeça, e beijei-o.

O nosso momento foi interrompido pelo meu telemóvel que tocava insistentemente.

- Atende – disse Seth, através dos nossos lábios colados.

Suspirei e atendi, sem sequer ver quem era.

- Sim?

- Brianne ele está a ir para aí – era Ellen – O Harry está a ir para aí.

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14
Jul 11

Capítulo 64 – Telefonemas

 

Há muito tempo atrás, Ellen contara-me tudo o que havia para saber sobre a sua espécie.

Nesse tempo, pusera-me a par de todas as regras e privações a que estava sujeita ao tornar-me a sua humana. Alertara-me também para as normas que os vampiros estavam obrigados a cumprir. Falara-me das consequências desastrosas que poderiam ocorrer, caso eu decidisse, contar a verdade a alguém.

Por outro lado, sempre me dissera, eu estava protegida – nenhum outro vampiro me poderia tocar. Nenhum outro se poderia alimentar de mim, ou ameaçar a minha integridade, quer física, quer mental, caso contrário, os Volturi entrariam em acção.

- Ele não vai voltar. Posso não saber mais nada, mas disso eu tenho a certeza. Além do mais a Alice não o prevê – assegurara-me Ellen.

Naquela manha tínhamos estado ao telefone mais de duas horas, na pensão de Seth. Eu continuava com bastantes dúvidas. Não acabava que Harry fosse vampiro para desistir do que realmente queria, embora compreendesse que talvez o medo se tivesse apoderado dele. Pelo pouco que dele conhecia, poderia afirmar com bastante certeza que ele era bastante impulsivo, nada cauteloso.

- Mas, Ellen, como é que podes saber? – “Não o conheces assim tão bem!”, queria dizer-lhe.

Tinha consciência de que a minha vampira conhecia, pelo menos, uma parte de Harry. A parte por que se apaixonara. A parte que a ainda a fazia sofrer, por não estar com ele. Mas, a sua certeza cega, não me sossegava a alma.

- Não me peças razões. Não as tenho para te dar – respondera – Mas, sei-o. Acredita em mim.

- Eu acredito… - proferi em tom derrotado. – E tenho saudades tuas.

- Eu também tenho. E podes ter a certeza que se pudesse, já estava aí contigo. – disse – Mas, tens aí o teu cavaleiro andante! Nem vais ter tempo de pensar em mim.

Soltei uma gargalhada.

Seth… Era estranho tê-lo tão perto. Era estranho vê-lo em lugares tão banais como o meu quarto, ou a rua de acesso a minha casa. Ele pertencia a um solo mágico, a um solo mítico, que em nada poderia ser comparado com normalidade enfadonha do meu dia-a-dia de estudante.

Todavia, a permanência dele em Portugal, embora maravilhosa, ainda não era um assunto encerrado, pelo menos, para mim.

Compreendia o que prendia ali, era o mesmo que me prendera a Forks, mas, não podia permitir que a sua vida estagnasse em detrimento disso.

Por aqueles dias, tentava desdobrar-me entre os papéis da estudante responsável do costume e da nova e apaixonada namorada de Seth. Claro que também tinha de ouvir Kelly, as suas piadas e as suas perguntas - dava-lhe informação a conta-gotas e sorria ironicamente para me libertar do que não queria, ou não podia responder.

As nódoas negras do meu pescoço começavam agora a amarelecer. Em poucos dias, ver-me-ia livre delas, e poderia abandonar os lenços coloridos que agora usava.

Perdida por entre todas as minhas funções nem dei pelo tempo passar.

- Amanhã, vais para casa, não vais? – perguntou-me Seth, enquanto passeávamos pelo parque, depois de eu sair das aulas.

- Hum? Amanhã é…

- Sexta – completou.

- UI! Nem dei pelo tempo passar – respondi-lhe.

- Nem sei o que hei-de fazer sem ti aqui – lamentou-se.

Encolhi os ombros e depositei-lhe um beijo no pescoço.

A despedida não foi fácil. Seth parecia abatido. Eu sabia que talvez seria uma boa ideia perguntar-lhe se não me quereria acompanhar. Mas, eu sabia a resposta que ele me daria. E eu, muito sinceramente, não estava preparada para o apresentar formalmente à minha família.

Aliás, como ira eu explicar as circunstâncias em que nos tínhamos conhecido? Kelly aceitava pacientemente os meus silêncios e verdades incompletas e improvisadas, mas os meus pais não o fariam. 

Depositei-lhe um beijo suave nos lábios e dirigi-me para o autocarro. Depois de devidamente instalada, acenei-lhe através do vidro sujo.

 

***

 

Eu já tinha passado por aquilo uma vez. Mas, na minha memória as coisas tinham sido menos traumatizantes – eu tinha a tendência para suavizar as más memórias, tornando-as dignas de recordação.

Mas, era de facto bastante desconfortável estar a atender o telefone de 20 em 20 minutos para actualizar Seth do que estava a fazer. Especialmente quando a minha mãe estava a meu lado.

- Como está tudo? – perguntou ele de rompante.

- Ó! Olá!!Tudo bem? – respondi disfarçando.

- Brianne…?? – Seth parecia confuso.

- Sim, Sim!... Sei. Mas, ainda não acabei o trabalho… - improvisei.

A minha mãe desviara os olhos da revista e encarara-me.

- É a Laura – disse-lhe baixinho. Ela sorriu e voltou às leituras.

            - Estás acompanhada, não é… – concluiu num tom triste.

- Sim. É isso. Faz o 3ºexercicio. Esse é bem mais simples. – inventei.

- Quando puderes liga. Ok? – pediu.

- Oh. Sim. Ok.

Seth suspirou do outro lado da linha.

- Um beijinho – disse-lhe, odiando-me por estar a fazer-lhe aquilo.

- Adeus. – disse e desligou a chamada.

Descolei o aparelho do ouvido. Olhei demoradamente para ele. O que poderia fazer?

“ Desculpa, desculpa, DESCULPA! Amo-te. Sabes disso, não sabes?” – escrevi rapidamente no telemóvel, enviando-lhe uma sms.

A resposta não tardou a chagar.

“ Desculpa-me tu... Estou a ser um controlador. Desculpa. Sei. Também te AMO! Kiss”

Respirei fundo.

O meu mundo era substancialmente mais complicado do que o se Seth. Não havia nada de mágico ou de irreal. Tudo era realmente mais difícil. Era a vida normal.

Dali para a frente teria de ser assim – real. Independentemente do que isso significasse.

publicado por Twihistorias às 22:34
Fanfics:

05
Jul 11

Capítulo 63

De Ciganos a Indígenas

 

Não me lembrava de alguma vez ter dormido tanto. Acordei depois do que me pareceram dias, num quarto luminoso e decorado de uma forma estranha e tradicional.

Esfreguei os olhos, lutando contra a claridade que entrava no quarto através de uma pequena janela.

Subitamente o meu cérebro ligou e percebi que devia ter ficado ali a dormir mais do que era suposto. Por aquela altura, já deviam andar todos à minha procura: tanto os meus pais, como os meus colegas.

- Ai – disse ao levantar-me. Com a brusquidão do movimento, fiquei tonta e embati na parede, caindo.

- Brianne, o que… - começou Seth, saindo de outra divisão.

- Aqui – disse, levantando o braço. – A cama ocultava a minha figura.

- Oh! O que aconteceu? – perguntou indo ao meu encontro, com passo apressado.

- Caí – expliquei soltando uma pequena gargalhada.

Sorriu, ajudando-me a levantar.

- Sempre a mesma – disse, beijando-me ao de leve, docemente.

Senti um arrepio. Tinha, de facto, falta destes momentos.

Voltei a concentrar-me nas horas – tarefa difícil.

- Que horas são? – questionei preocupada.

            - Eu tenho tudo controlado. – beijou-me a ponta do nariz.

- Controlado?

- Para os teus pais, estiveste até muito tarde na biblioteca. Para os teus colegas, estás a dormir na casa de outra colega com quem estiveste a estudar.

Sorri.

- Bastante engenhoso – declarei.

Seth sorriu.

- Agora conta-me – ordenei.

A sua descontracção fora substituída por uma postura rígida.

- Não há muito para saber… - disse ele baixinho.

Semicerrei os olhos e enruguei o nariz – mentiras não. Seth pareceu percebeu a minha indignação.

- Ok – anuiu. – Senta aqui.

Sentamo-nos na cama. Seth segurou a minha mão.

- Há quatro dias, a Alice teve uma visão contigo. Viu um homem atacar-te. Ficamos todos em sobressalto. A partir da descrição que a Alice fez, a Ellen percebeu que se tratava do seu antigo companheiro, o Harry.

Estremeci involuntariamente ao ouvir aquele nome. A minha mão livre tocou o meu pescoço ferido e dorido.

- A Ellen quis de imediato voltar para Portugal – continuou. – Mas, a Alice e os outros convenceram-na a não vir. Era demasiado arriscado, para ela.

Anui com a cabeça – era de facto demasiado perigoso.

- Então depois de várias discussões – sorriu. – Eu fui o príncipe destacado para a missão. A Alice certificou-se que eu estava à altura do desafio antes de me deixar embarcar.

- Eu sabia que conseguias – disse-lhe.

- Mas, foi tão por pouco. Não podemos arriscar mais, Bri. Nunca, jamais, em tempo algum me perdoaria se alguma coisa te acontecesse.

- Nada me vai acontecer, não… - comecei.

- Não vamos arriscar mais – disse. – Vou ficar aqui contigo.

- Mas… tu tens a tua vida. – retorqui firmemente.

Não podia deixar que Seth abandonasse a sua vida para fazer o trabalho de baby-sitter. Não me perdoaria se me tornasse num empecilho, impedindo-o de viver a sua vida.

- Ainda não percebes-te, pois não?

- O quê? – perguntei rudemente.

- A minha vida és tu. – disse ele simplesmente.

O que podia eu dizer depois daquilo? Limitei-me a beija-lo.

 

***

 

Enquanto almoçávamos no pequeno quarto da pensão de Seth, ele acabara de me contar a história do meu salvamento.

- Quando cheguei e vi aquele filho-da-mãe com a mão no teu pescoço era capaz de o matar. – contou-me com raiva. – Mas, ele teve o bom senso de desaparecer, mal me viu.

Então, Harry fugira de Seth…

- Depois tive de te reanimar.

Sorri-lhe.

- Bela maneira de se reanimarem as pessoas – comentei. Ele baixou o olhar e abriu o sorriso.

- E agora? Onde é que ele está? – questionei.          

- A Ellen acha que ele não vai voltar. Não me perguntes porquê, mas ela tem a certeza disso. De qualquer maneira, os Cullen já contactaram os Volturi.

- Os Volturi? – inquiri.

- A Ellen depois explica-te – respondeu, comendo uma garfada enorme de massa.

Regressamos a minha casa por voltadas quatro da tarde. E foi por lá que tive de apresentar formalmente Seth e Kelly.

            Embora, por norma, Kelly apenas regressasse a casa por volta das oito da noite, naquela tarde, antes das seis já por lá estava.

Eu e Seth não a esperávamos tão cedo. Estávamos descontraídos, a conversar, de mãos dadas, lado a lado na minha cama. A minha cabeça descansava no seu ombro e a sua mão livre brincava com o meu cabelo.

- Brianne – gritou Kelly do hall.

Antes de estarmos ambos de pé, já ela entrava pelo quarto.

- Nem imaginas o que… - vinha a dizer. Ao ver-me de pé, desconfortável, com um rapaz alto, robusto e moreno ao lado parou abruptamente, paralisando à porta. Olhava de um modo penetrante e inquisidores para nós.

- Olá! – disse eu de um modo falsamente entusiasmado.

O meu sorriso desvaneceu ao vê-la ficar no mesmo lugar.

Enfiei as mãos nos bolsos, nervosa.

- Brianne o que faz um cigano no nosso quarto? – perguntou simplesmente, com ar sério e impenetrável.

- Kelly! – repreendi-a. – Este é o Seth. E ele não é cigano. É indígena.

- Olá – disse-lhe Seth estendendo-lhe a mão.

Kelly olhou alternadamente da mão para o rosto de Seth.

Com o sorriso travesso que eu tão bem conhecia, perguntou-lhe, enquanto estendia a mão.

- E quê? Também trouxeste a Pocahontas?

Abanei a cabaça. A minha Kelly não tinha emenda.

publicado por Twihistorias às 21:40
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