27
Dez 10

 

 

 

25 de Dezembro

Via o sol nascer atrás dos montes, encostada à janela da sala dos Cullen. A casa estava calma, com Renesmee a dormir o resto da família recolheu-se para fazer as suas coisas habituais. Jacob ressonava baixinho no sofá. As prendas, debaixo da árvore, já estavam posicionadas da melhor maneira para serem “atacadas” por uma criança ansiosa.

Senti movimentos atrás de mim e virei a cabeça, Edward aproximava-se a passos curtos enquanto olhava para Jake.

- Como é que vocês estão a lidar com isso? – Perguntei baixinho.

- Ao princípio foi um pouco confuso e revoltante, ter um lobo apaixonado pela minha bebé, mas depois de compreender que nem Jake pode fazer alguma coisa para vencer esse sentimento acabamos por nos habituar. – Edward encolheu os ombros ao de leve.

- A Renesmee apegou-se muito a ele.

- Sim. Ela vê-o como uma espécie de irmão mais velho, que está sempre lá para a proteger e satisfazer os seus caprichos, não há como não gostar de uma pessoa assim. – Sorri perante as palavras de Edward. Entretanto, ele já se tinha colocado ao meu lado, com um ombro encostado ao vidro.

- O que pensas? – Perguntou-me enquanto me fitava fixamente. O seu olhar cor de âmbar conseguia tocar no meu mais profundo pensamento.

- Para dizer a verdade não estava a pensar em nada. Apenas a aproveitar o silêncio acolhedor da casa e, ver o sol nascer. – Fugi ao olhar dele e encarei o sol. Os seus raios já me batiam na cara e começava a seu fraco calor. Não chegaria para derreter a neve que se tinha instalado na noite passada.

Edward repetiu o meu gesto e posicionou-se, também ele, de frente para o sol. Ambos tínhamos apenas um pequeno brilho no sítio onde o sol nos batia, ele era demasiado fraco para fazer brilhar os nossos diamantes da pele, era como se tivéssemos apenas um pouco de glitter na cara.

- Já te conseguiste lembrar de mais alguma coisa? – Por fim, a pergunta que andava suspensa no ar.

- Ainda não, Edward. Quem me dera poder ligar a minha memória sempre que me apetecesse, mas infelizmente não acontece assim. Até agora ainda só tive a lembrança da cor dos teus olhos. Mais nada. – Suspirei e o ar não fez embaciar o vidro. E foi nesse momento que tive mais uma visão.

Um vidro, parecia uma janela mas não conseguia distinguir, seria um espelho? Respirei para ele e este embaciou-se, sem dúvida uma memória de quando era humana. De seguida, com o indicador da mão esquerda desenhei um coração. Sentia-me quente e feliz, tinha a certeza que estava a sorrir.

Regressei ao presente e afastei-me do vidro.

- O que foi, Caroline? – Edward pousou a sua mão no meu ombro.

- Lembrei-me de mais uma coisa… - Enquanto isso procurei uma caneta. Libertei-me da sua mão e caminhei para apanhar um marcador que estava em cima do piano. Agarrei-o com a mão esquerda e segurei-o firmemente. Estava um bloco pousado mais ao lado, abri-o e escrevi o meu nome com o marcador.

- O que se passa? – Edward aproximou-se e espreitou por cima do meu ombro.

Acabei de escrever o meu nome, numa caligrafia perfeita e desenhada, algo que já não se aprendia nas escolas de hoje em dia.

- Eu sou esquerdina! – Sorri. Não lhe queria revelar que tinha descoberto isso a desenhar um coração num vidro, mais valia não falar daquilo que não conseguia explicar.

Na minha cabeça comecei a ouvir vozes. Vozes do passado. Sons que me pareciam tão familiares mas no entanto não tinham rosto.

«Não se pega na pena assim.». «A esquerda é a mão do Diabo, pega antes com a direita.». «Caroline, não podes pegar nas coisas com essa mão, vou-ta amarrar atrás das costas para que aprendas a escrever com a mão direita.».

Cambaleei um pouco para trás devido à sucessão de vozes que se sobrepunham. Todas elas diziam o mesmo, que não podia escrever com a mão esquerda. Sentei-me no banco do piano e fechei os olhos com força.

- Caroline, estás bem? – Edward segurava-me pelos ombros. Por fim, as vozes pararam.

- Não admira que nunca tivesse pegado numa caneta nestes séculos todos. Durante toda a minha vida me disseram que não devia pegar nela com a mão esquerda, que era a mão do Diabo. – Encarei Edward.

Ele sorriu, sem nunca me soltar.

- Agora não tens que te preocupar com isso. É perfeitamente normal ser-se esquerdino. – O seu sorriso alargou-se.

- Não sei porquê, mas tenho a sensação que o teu sorriso esconde mais qualquer coisa. – Franzi o sobrolho.

- Tens razão! – Ele sentou-se ao meu lado no banco do piano.

- E…vais-me contar? – Insisti.

- Não é nada de especial, apenas…eu já sabia que eras esquerdina. Assim como tu sabias que os meus olhos outrora foram verdes eu também sabia, desde o início, qual a tua mão predominante. – Olhou através da janela e depois voltou a encarar-me. Os seus olhos brilhavam e faziam um óptimo conjunto com o seu sorriso rasgado. Tive um impulso de o beijar naquele momento, mas detive-me a tempo.

Ouvimos Renesmee mexer-se no quarto do andar de cima e Edward levantou-se rapidamente para ir ter com ela. Bati com o punho na testa, repreendendo-me sobre o que estaria prestes a fazer…ou seria por não o ter feito logo? Coloquei-me outra vez direita quando Nessie desceu as escadas a correr e saltou para cima da barriga de Jacob, que abafou por uns momentos e resmungou um pouco.

- Acorda Jake! Acorda! Está na hora de abrir os presentes. – Nem parecia que tinha acordado a apenas um minuto, estava já cheia de energia.

Jacob resmungou mais um pouco, virou-se para o lado de dentro do sofá e fingiu adormecer outra vez. A menina agitou-o mais um pouco e ele pegou nela e levantou-a acima da cabeça. Renesmee soltou pequenas gargalhadas de alegria e divertimento.

- Prendas, prendas, prendas! – Repetia ela.

Toda a família se reuniu na sala para a abertura das prendas. Ao contrário das minhas, que tinham sido apenas lembranças, como globos de neve, as prendas dos Cullen eram mais extravagantes, como viagens e apartamentos em sítios paradisíacos e desertos. No fim todos ficamos contentes com o que nos tinha calhado. Passamos o resto do dia a jogar jogos de tabuleiro.

No fim da tarde, aproveitando uma pausa dos jogos porque o pai de Bella e alguns lobos apareceram lá em casa, esgueirei-me para o bosque. Dei por mim sentada na pedra onde tinha estado à conversa com Edward pela primeira vez. Deixei que os últimos raios de sol me aquecessem a cara, assim como os primeiros do dia o tinham feito e meditei sobre aquele Natal. Tive uma sensação de nostalgia, de passar o Natal com a família toda reunida e perguntei-me se alguma vez os meus Natal foram assim enquanto humana. Este tinha sido, sem dúvida, o melhor Natal enquanto vampira.

Fim

publicado por Twihistorias às 14:15

25
Dez 10

 

 

 

ESPECIAL DE NATAL

ENTREVISTAS COM A ROSE

PAI NATAL (DOS VAMPIROS VEGETARIANOS)

 

NARRADORA: Bella Cullen

 

E por fim… Natal.

Já pensaram em como o Natal é uma época mágica? Todas as luzes, os sorrisos das crianças, presentes, união em família…

Apesar de a única criança na família ser a Nessie (ah… não sei o que pensar do Emmett) também o Natal é uma ocasião muito importante na família Cullen. E estava tudo a correr bem… até a Rose decidir que queria fazer um programa especial de Natal.

 

EMMETT: Por favor, por favor! Convida o Pai Natal para o programa!

ROSALIE: Não! Ele nem sequer existe!

EMMETT: Dizes o mesmo sobre a Hannah, e eu vejo-a todos os dias na televisão.

ALICE: Rose, fala mais baixo. Não te esqueças que a Nessie ainda acredita no Pai Natal.

EMMETT: E eu também!

RENESMEE: O Pai Natal? O Pai Natal vem aqui ao programa?

ROSALIE: Ah… querida, peço desculpa, mas o Pai Natal verdadeiro está muito ocupado.

EMMETT: E então o Pai Natal dos vampiros vegetarianos?

RENESMEE: Existe um Pai Natal dos vampiros vegetarianos?

EMMETT: É claro que sim!

 

Então, aqui vai a explicação: Certo dia, muito antes de eu ser transformada o Emmett fez uma birra por não conhecer o verdadeiro Pai Natal. Foi então que o Carlisle teve que fazer o impensável e vestir-se de pai natal. Como o Emmett não é assim tão distraído (e acreditem, isso é uma questão discutível) reparou que aquele não era o verdadeiro pai natal e o Carlisle teve que dizer que era o Pai Natal dos Vampiros Vegetarianos.

 

EMMETT E RENESMEE: Por favor, por favor, por favor, por favor!

ROSALIE: Está bem! Então vamos ter um programa com o Pai Natal dos Vampiros Vegetarianos.

EMMETT E RENESMEE: Boa!

CARLISLE: Oh não.

 

JASPER: Em 3,2,1… Acção!

ROSALIE: Olá a todos os espectadores do Entrevistas com a Rose! Tenho o prazer de anunciar que, devido à época natalícia, teremos hoje um programa deveras especial. O nosso convidado de honra, o Pai Natal dos Vampiros Vegetarianos!

(Entra o Carlisle vestido de Pai Natal)

PAI NATAL: Ho, Ho, Ho! Feliz Natal!

(Histerismo mútuo de Emmett e Renesmee)

ROSALIE: É claro que o Pai Natal não podia ter feito a sua viagem sozinho. Apresento a duende mais famosa do Pólo Norte, a duende Ali…

(Entra a Alice vestida de duende do Pai Natal)

DUENDE: A duende Alishon.

ROSALIE: (murmurando) Alice, esse não é um nome de duende.

DUENDE: É a mistura de Alice mais fashion. Assim posso ser a duende da moda.

(Histerismo de Emmett, enquanto Renesmee apenas batia palmas)

ROSALIE: Como queiras. E, como alguém tinha que conduzir o trenó do Pai Natal, dou as boas-vindas à Rena Rudolfo!

(Entra Jacob, com um par de chifres na cabeça e um nariz vermelho)

BELLA: Jacob?

RENA: É Rena Rudolfo.

(Histerismo apenas de Emmett)

BELLA: A Rosalie obrigou-te?

RENA: Ela subornou-me com um carro de prenda de Natal.

ROSALIE: Na verdade, eu só me queria divertir um pouco e consegui. Cão, ou melhor, rena, estás hilariante.

RENA: Pois.

ROSALIE: Vamos prosseguir com o programa. Então, Pai Natal, como foi a sua viagem?

PAI NATAL: Ah… Correu tudo bem. As renas… portaram-se bem.

(Olhar enfurecido de Jacob)

ROSALIE: Desculpe perguntar, mas o que é que pensa trazer-me para o Natal?

RENA: Tinta de cabelo!

PAI NATAL: Ah… Não sei. Mas isso depende se foste marota ou não durante este ano.

ROSALIE: Ah… Pois. Nunca percebi muito bem isso; todas as crianças são um bocadinho marotas.

PAI NATAL: Sim, mas o que interessa é se são marotas por maldade ou não.

RENESMEE: Papá, eu não sou marota, pois não?

EMMETT: Edward, eu não sou maroto, pois não?

EDWARD: Nessie, és uma criança muito boazinha. E Emmett… ah… não sei o que dizer.

RENA: Arrependes-te de algum mal que fizeste este ano, loi… Rosalie?

ROSALIE: Talvez. Mas não me arrependo de nada de mal acerca de uns insultos para um certo animal canídeo que hoje não está aqui presente.

RENA: Ele está presente. Só que em forma de cervídeo.

ROSALIE: Ce… O quê?

RENA: É a família a que pertencem as renas. Pesquisei na wikipédia.

EMMETT: Então e eu? Eu vou ter presentes? Por favor, por favor, por favor?

PAI NATAL: Ah… Claro, suponho que sim.

EMMETT: Boa!

RENESMEE: Pai Natal, sempre pensei que fosses um pouquinho mais… gordinho.

PAI NATAL: Ah… Este ano foi o ano de dieta do Pai Natal. Ho! Ho! Ho! Temos todos que pensar nas doenças por excesso de peso: colesterol, diabetes…

EMMETT: Pensava que você era o Pai Natal dos vampiros vegetarianos. É possível engordar com sangue?

PAI NATAL: Ah… Sim. Com sangue de… focas e ursos polares. Aqueles animais têm muita gordura e isso faz os vampiros aumentar o peso.

ROSALIE: As suas renas também são renas vampíricas?

PAI NATAL: Sim.

RENA: Não.

ROSALIE: Então em que é que ficamos?

PAI NATAL: É claro que uma rena não pode ser vampira… Mas a verdade é que as minhas renas tem velocidade vampírica, para conseguirem distribuir os presentes para todos os vampiros vegetarianos. Por isso é uma rena vampírica.

EMMETT: Nunca lhe deu vontade de morder uma das suas renas? É que uma vez eu ofereci um coelhinho branco à Nessie, mas já não caçava à muito tempo… E… coitadinho do coelhinho.

PAI NATAL: Ah… Não, as minhas renas não tem um cheiro muito apetecível.

EMMETT: Eu não queria ser desagradável, mas já tinha reparado.

RENA: Hei!

ROSALIE: Vamos então às respostas rápidas. Uma pergunta a cada um. Preparados?

PAI NATAL, RENA E DUENDE: Sim!

ROSALIE: Primeiro, para o Pai Natal. Letra C?

PAI NATAL: Cullen, porque são é uma família muito agradável.

ROSALIE: Duende. Letra B?

DUENDE: Brinquedos! Podem ser bonecas, maquilhagem, roupa, a Bella…

ROSALIE: Agora para o cã.. Para a rena. Letra L?

RENA: Loiras. Gosto muito de anedotas sobre loiras.

RENESMEE: Jake!

RENA: Sim?

RENESMEE: Tu és o Jake!

RENA: Ah… não, eu sou a rena do Pai Natal dos Vampiros Vegetariano.

RENESMEE: Não, és o Jake! E aquela é a tia Alice!

DUENDE: Ah… Não. Eu sou a duende Alishon. Que é uma mistura de…

RENESMEE: De Alice mais fashion?

DUENDE: Ah… Não…

RENESMEE: E tu! O Pai Natal é o avô Carlisle!

EMMETT: Que disparate! Desde quando é que o Carlisle é o Pai Natal dos Vampiros Vegetarianos?

(Carlisle tira a barba da cara)

EMMETT: Carlisle! Tu és o Pai Natal dos Vampiros Vegetarianos! Eu sabia que tu tinhas um trenó algures estacionado!

CARLISLE: Emmett, acho que não estás a perceber.

EMMETT: É claro que percebo! Aliás aposto, que, em vez de trabalhar no hospital, tu vais para o Pólo Norte ajudar os duendes!

CARLISLE: Emmett! O Pai Natal dos Vampiros Vegetarianos não existe!

EMMETT E RENESMEE: O quê?                 O Pai Natal não existe?

CARLISLE: Meninos, a magia do Pai Natal existe; dentro de vocês mesmos. Mas o Natal é muito mais do que as prendas que o Pai Natal possa dar. É uma época de união familiar, de amizade, de solidariedade com os que mais precisam. É por isso que o Natal é mágico.

RENESMEE: Acho que tens razão.

EMMETT: Hum. Talvez. Mas isso quer dizer que não há presentes este ano?

CARLISLE: É claro que não! Que venham as prendas!

 

 

Tínhamos combinado que cada um iria dar uma prenda a outra pessoa da família. Fizemos então, em directo, a troca de presentes entre a família Cullen.

 

O Jake ofereceu à Rose um frasco de tinta loira para o cabelo.

A Rose ofereceu ao Emmett todos os DVD´S existentes e possíveis da Hannah Montana. Acho que ele chorou de felicidade quando os viu.

O Emmett ofereceu-me um capacete, cotoveleiras, joelheiras e todo o equipamento de protecção que é possível encontrar. Segundo ele, eu continuo muito desajeitada para uma vampira e “mais vale prevenir do que remediar.”

Eu ofereci ao Edward um piano branco, novinho e brilhante.

O Edward ofereceu à Esme um vaso muito antigo e bonito, feito de porcelana. Durou mais do que todos nós pensávamos: demorou cerca de dez minutos até o Emmett ir ver o vaso e o deixar cair, transformando-se em mil pedaços; sorte a dele que era Natal e a Esme o perdoou.

A Esme ofereceu ao Jasper uma câmara nova, para ele poder gravar o programa com mais qualidade.

O Jasper ofereceu ao Carlisle novo equipamento médico: seringas, estetoscópios…

O Carlisle ofereceu à Alice uma Barbie muito parecida comigo em tamanho real (apesar disso, duvido que ela troca a boneca por mim e me deixe em paz durante algum tempo).

A Alice (com influência da Rose) ofereceu ao Jake um conjunto de trela e coleira personalizada por ela.

A Renesmee recebeu presentes de todos nós: um mini-piano (do Edwrad), um exemplar do livro O Monte dos Vendavais (de mim mesma), CD´s da Hannah Montana (do Emmett), uma pulseira com um medalhão em forma de lobo (do Jacob), uma mini-cozinha (da Esme), uma malinha de médico (do Carlisle), um novo guarda-roupa (da Alice), um perfume (do Jasper; acho que foi para que a Renesmee disfarçar o seu cheiro com o perfume para não custar tanto ao Jasper estar perto dela) e um estojo de maquilhagem (da Rosalie).

 

ROSALIE: Bem, acho que o programa termina por hoje. Muito obrigada a todos os espectadores. E lembrem-se que o natal é uma época de família, solidariedade e felicidade.

EMMETT: E presentes.

ROSALIE: E, é claro, presentes. Vemo-nos no próximo Entrevistas com a Rose. Muito obrigado e…

 

 

 

TODOS: FELIZ NATAL!

Aproveito para desejar um Feliz Natal e um Bom Ano Novo a todos os que lêem o Entrevistas com a Rose!

Twikisses*

publicado por Twihistorias às 19:17

24
Dez 10

 

 

 

23 de Dezembro (à noite)

- Tens a certeza que queres ir? Decerto que o Aro não fica chateado se não utilizares a prenda que te ofereceu. – Angel estava sentado aos pés da minha cama enquanto eu preparava uma mala.

- Angel, não tenho nada a perder. E de certeza que a esta hora a Alice já viu que eu vou ter com eles e já avisou toda a gente. – Revirei os olhos com o pensamento mas sorri deliciada. Estaria Edward ansioso que fosse ter com ele como eu estava? Isto é, se Alice lhe contou. E se não contou, ele poderá estar a pensar como estará a ser o meu Natal? Pensaria ele em mim?

- O que tens? – O meu amigo notou de imediato a minha mudança de humor. Levantou-se, colocando-se à minha frente com uma mão na minha cintura.

- Estarei a fazer tudo errado, Angel? Quer dizer, e se o Edward não tiver tanto interesse em me conhecer como eu tenho a ele. Afinal, ele tem a sua família… - Angel puxou-me para si e apertou-me nos seus braços.

- Caroline, não podes pensar assim. O que interessa é que tu descubras alguma coisa do teu passado.

- Sim, mas…e se ele fizer mais parte do meu passado do que é suposto? – Encostei a cabeça ao seu peito quente.

- Se isso se vier a revelar depois verás o que há a fazer. Agora, não queiras colocar a carroça à frente dos burros. Um passo de cada vez! – Beijou o topo da minha cabeça. – Anda, levo-te ao aeroporto.

A viagem decorreu com normalidade. Nem eu, nem Angel, puxamos o assunto passado à conversa, apesar de saber que ambos estávamos a pensar nisso. Ele esperou que embarcasse para se ir embora. A bordo eram apenas hospedeiras, nenhum hospedeiro e mal o avião começou a levantar voo todos os humanos passageiros se preparam para dormir. «Boa, vai ser uma viagem muito longa.». Retirei o meu Ipod, encostei a cabeça à almofada e fingi dormir também.

 

24 de Dezembro

Finalmente aterramos em Washington. Já não era sem tempo. Apressei-me a recolher as malas e dirigi-me ao Rent a Car para escolher um bom carro que me levasse até Forks. Aproximei-me do stand mas parei logo. À minha frente, encostado à casa onde estava o humano do aluguer estava Jasper. Envergando roupa preta dos pés à cabeça, com os braços cruzados ao nível do peito e uma perna dobrada com o pé encostado à parede. Acenou-me discretamente e exibiu um sorriso. Dirigi-me a ele e cumprimentei-o com um «Olá» caloroso.

- A Alice pediu-me que te viesse buscar, ela não queria que tivesses de ir ter lá a casa com um carro alugado. – Encolheu os ombros e percebi o significado daquele gesto, dizia: «Coisas de Alice». Soltei uma gargalhada abafada e Jasper conduziu-me até a um Mercedes preto.

- Antes de irmos para Forks preciso de passar nos correios. Enviei as vossas prendas para aqui. Não confio muito no porão dos aviões de passageiros. – Jasper sorriu e acenou com a cabeça como a indicar que já sabia da paragem que teríamos que fazer.

Depois de ter confirmado que tudo tinha chegado em ordem podemos começar a viagem para a casa dos Cullen. Não demorou muito tempo, apenas cerca de 40 minutos. Jasper estacionou o carro na rampa de acesso à garagem e ajudou-me a carregar os presentes para dentro da casa. Assim que abrimos a porta Esme e Carlisle apareceram para me dar as boas-vindas.

- Olá minha querida. – Esme deu-me um abraço. – Mas que bela surpresa.

- Sim, a Alice não nos disse nada! – Disse Carlisle cumprimentando-me com um sorriso caloroso.

Naquele momento senti um pouco de vergonha por estar naquela casa. Não era a minha família, apenas os conhecia a algumas semanas, mas no entanto, ali estava eu, na véspera de Natal à entrada da sua casa.

- Peço imensa desculpa por aparecer sem avisar. Só vim deixar uns presentes e vou-me já embora. – Disse arranjando os presentes nos respectivos sacos.

- Não, mas que disparate. É claro que ficas connosco para o Natal. Fizeste uma viagem tão grande. – Esme pareceu ofendida por ter dito que ia embora.

- Claro. Nem nós te deixávamos ir embora. – Emmet apareceu do virar da esquina com um sorriso do seu tamanho estampado na cara. Tinha a camisa com algumas manchas cor-de-rosa que não consegui decifrar o que eram. Ele reparou que estava a olhar. – Oh, estou a ajudar a Renesmee na cozinha. Ela está a fazer muffins e decidiu que quer cobertura cor-de-rosa para todos eles. Digamos que é difícil mexer com o saco de pasteleiro.

Ri com o espírito alegre de Emmet, desde o primeiro dia que ele me divertira.

- Vais ficar aí na porta ou vens ajudar com os muffins? – Ouvi Alice a falar da cozinha e assumi que era para mim.

Esme conduziu-me até à respectiva divisão. Assim que Renesmee me viu saltou para os meus braços e encostou a mão ao meu rosto mostrando-me a imagem de Emmet a estoirar com o saco de pasteleiro e todo o chantilly cor-de-rosa a ser espalhado por toda a parte. Olhei em redor da cozinha e confirmei. Ainda havia pedaços rosas nos móveis e a escorrer pelas paredes. Soltei uma gargalhada com a visão e toquei no seu rosto. Mostrei-lhe um momento em que eu e Angel tentamos fazer uma pizza, mas como estava a correr mal e eu estava aborrecida comecei a atirar-lhe com farinha. Corremos os dois pelo castelo a atirar pedaços de farinha um ao outro, acabando por ficarmos completamente brancos. Renesmee riu e deu-me um abraço apertado.

- Feliz Natal! – Disse com a sua voz de menina.

- Feliz Natal. – Retribui.

Alice estava a barrar as formas com manteiga e Renesmee juntou-se a ela para deitar a massa nas formas. Jasper ajudou-me a levar as prendas para a sala. Quando lá cheguei fiquei encantada com a árvore de Natal deles. Era um pinheiro verdadeiro enfeitado de vermelho e dourado. Bolas, fitas, luzes, neve artificial, era uma árvore muito recheada. Debaixo dela já lá estava um monte de prendas, de várias formas e feitios. Juntei as minhas ao monte.

Edward, Bella e Rosalie juntaram-se a nós mais tarde. Segundo Alice eles tinham ido tratar da prenda da Renesmee, que seria um escorrega colossal e cheio de curvas e balancés para colocar no jardim. Achei que seria uma óptima prenda, mas não algo que ela precisasse, de certo que obtinha mais animação nas correrias com a família ou com o Jacob.

Edward entrou em casa com um casaco de malha preto, comprido, que vinha molhado e com um pouco de neve no ombro. Parecia que alguém lhe tinha atirado com uma bola pois o seu cabelo vinha um pouco amassado de lado. Permiti-me a entrar na sua mente e vi que tinham sido uns miúdos na brincadeira que lhe tinham acertado com uma bola de neve, ele não se tinha desviado porque iria ser estranho ele ver uma bola que vinha de lado. Sorri com a ideia e Edward riu comigo, ele sabia que eu tinha entrado na sua mente.

Os muffins deixaram um cheiro agradável em casa, era doce e quente. Renesmee comia alguns enquanto estávamos todos sentados na sala a contar-lhe as histórias tradicionais do Natal. Jacob, que se tinha juntado a nós, estava a contar a história dos fantasmas do passado, presente e futuro. Ás vezes fazíamos uma espécie de teatro, em que cada um interpretava uma personagem da história e improvisávamos as falas, de acordo como cada um sabia a história. Em alguns momentos haviam algumas discussões sobre versões das histórias, mas tudo acabava em bem, com risos, e todos aprendíamos mais um pouco.

A árvore de Natal brilhava atrás de nós e assim continuamos, todos reunidos, até Renesmee ter demasiado sono para poder continuar a lutar contra ele e se deixou adormecer no colo de Jacob. Não falei sobre o meu passado, nem a Edward nem a ninguém, nesta noite seria apenas Caroline, o fantasma do presente!

 

Continua…

 

Este "Especial de Natal" da Fic Interactiva não tem opções para vocês votarem, mas sintam-se livres para dar a vossa opnião sobre o que querem que aconteça no próximo capitulo, que sairá amanhã. Contamos contigo para nos ajudares com o Natal da Caroline com os Cullen. Um Feliz TwiNatal*

publicado por Twihistorias às 19:00

23
Dez 10

 

 

 

22 de Dezembro

Estava um dia bastante desagradável em Volterra. Um nevoeiro intenso cobria toda a cidade e o vento gelava qualquer parte do corpo que não estivesse tapada com pelo menos três peças de roupa. Era um dia perfeito para poder andar, à vontade, no meio dos humanos. Tinha vestido um casaco grosso, forrado a lã, calçado um par de luvas e colocado um gorro e um cachecol só para não destoar. Adorava ver os habitantes, todos encolhidos de frio, a fazer as suas compras de Natal. As montras estavam decoradas com luzes que piscavam, Pais Natal, renas, trenós e muita neve artificial. O que mais me dava prazer nesta época do ano era ver as crianças entusiasmadas com todos os brinquedos expostos nas montras.

Normalmente, o Natal, era uma festa que passava completamente ao lado no castelo. Ninguém ligava a esta época, muito por causa de já a terem vivido centenas de vezes. Dizem os mais velhos, que chega a um ponto em que é apenas mais um dia na nossa eternidade. O castelo não era enfeitado, não havia árvores de Natal nem neve artificial. O único espaço destinado a esses enfeites era a recepção, que era mostrada aos humanos. Lá havia uma árvore de natal artificial, de cor branca, enfeitada com bonecos de peluche alusivos à época, o balcão estava iluminado com uma mangueira de luz e havia estrelas brilhantes nas paredes. A Gianna era obrigada a andar com um gorro de pai natal e a sua tradicional farda de trabalho tornava-se vermelha e branca nesta altura do ano. Refugiei-me lá quando me chateei de andar na rua.

- Já fizeste as tuas compras de Natal? – Perguntei a Gianna desviando a sua atenção do computador.

- Falta apenas para a minha mãe. Ainda não encontrei a prenda certa para ela, mas não desisti. – Respondeu com um sorriso corajoso. – Então e tu, Caroline, vais ás compras?

Pensei um pouco no assunto. Normalmente oferecia chocolate suíço ao Angel e ele dava-me alguma peça de roupa, mas este ano apetecia-me inovar. Desde que conhecera os Cullen que o meu conceito de família sofreu uma grande alteração. Este ano o Natal tinha um sabor diferente, agradável, daquele que aquece a barriga e nos faz sentir bem…assim como… «assim como o Edward» permiti-me pensar. Tinha tomado uma decisão.

- Sim. – Desencostei-me do balcão. – Vou às compras.

Em vez de voltar para as ruas de Volterra subi para o meu quarto e liguei o portátil. Procurei por uma empresa que fizesse decorações de Natal e liguei. Consegui com que nos fossem decorar o castelo apesar de já ser tão em cima da hora. Prometi-lhes que poderiam deixar as decorações no pátio que eu tinha quem as colocasse no sítio e que lhes pagaria esse serviço que não iriam prestar. Foi negócio certo! Depois, pesquisei em alguns sites, tirando algumas ideias do que poderia comprar para oferecer. Ao início só pensei em oferecer ao Angel, mas decidi que este ano iria ser diferente por isso alarguei os meus horizontes e comecei a procurar prendas para a Jane, também. Para o Alec, Félix, Demetri e até para o Caius, Aro e Marcus. Umas lembranças nunca fizeram mal a ninguém. Em seguida, subi a parada e pensei em prendas para os Cullen. O que é que eles gostariam? Quais os seus gostos? Não os conhecia muito bem, mas de uma coisa tinha a certeza, qualquer coisa que lhes oferecesse eles iriam gostar. Sorri com este pensamento e senti o meu telemóvel vibrar ao lado do portátil. Li a mensagem:

Alice: Obrigada pela minha prenda. Adorei!!

«Bolas…». Respondi de volta.

Caroline: Shiu! É segredo…

Nunca se consegue esconder nada daquela mulher. Suspirei, estava na hora de encomendar as prendas e o mais difícil, organizar uma equipa para as decorações de Natal.

A meio da tarde dirigi-me ao salão enorme que tinha sido transformado numa espécie de sala de convívio. Tínhamos consolas com milhares de jogos, um bilhar e alguns outros gadgets que ainda não tinha tido tempo de descobrir para o que é que serviam. Dirigi-me ao local rodeado de pufs onde estavam Alec, Jane, Angel e Demetri a jogar PS3. Sentei-me num puff ao lado de Angel.

- Tenho que falar com vocês. – Disse.

Angel e Jane olharam para mim, Alec e Demetri continuaram a jogar mas sabia que estavam a prestar atenção.

- Encomendei decorações de Natal para enfeitarmos o palácio inteiro e precisava da vossa ajuda para que tudo fique pronto amanhã à noite. – Sorri na esperança de vir a conseguir convencer algum deles a ajudar-me.

Como já tinha pensado os quatro ficaram simplesmente a olhar para mim com um ar desinteressado.

- Oh, vá lá. Ânimo! – Pedi batendo uma palmada.

- Isso não ajuda em nada. – Disse Jane apontando para as minhas mãos. – Não podias ter arranjado algo de mais interessante para te entreteres, como por exemplo, ver qual o tipo de sangue tem melhor sabor quando congelado a temperaturas negativas? – Alec e Demetri riram baixinho. Todos gozavam com o facto de eu não beber o meu sangue à temperatura de 37 graus célsius. Para isso teria que matar um humano.

- Não, não arranjei. Este ano pensei que vos poderia chatear para me ajudarem a trazer um pouco mais de cor para este castelo. – Ripostei.

- Se o Aro quisesse cor as nossas capas eram como as camisolas dos hippies, tingidas de todas as cores, mas não, são pretas, por isso, deixa estar as coisas como estão. – Disse Demetri voltando a atenção para o seu jogo.

Atirei-me para trás no meu puff e cruzei os braços ao nível do peito em sinal de derrota. Sozinha não iria conseguir decorar tudo a tempo do Natal. Mais um plano que iria por água abaixo.

- Eu ajudo! – A voz de Angel interrompeu os meus pensamentos. Levantei o olhar, surpreendida. – Sim. Não tenho nada que fazer e qualquer coisa é melhor do que estar a ver estes dois a jogar Pro Evolution Soccer 2010. – Sorriu.

Lancei-me para a frente na sua direcção e dei-lhe um abraço apertado. Sabia que poderia contar com o meu melhor amigo.

Subimos para o meu quarto e mostrei um mapa com as decorações de Natal a Angel. Juntos decidimos qual seria o melhor sítio para colocar cada enfeite e traçamos uma rota. Nessa noite passeei pelos corredores do castelo já a visualizar como iriam ficar quando estivessem “vestidos” de vermelho e dourado.

23 de Dezembro

O camião com as decorações chegou a meio da manhã. O dia já não estava tão mau, o sol aparecia, ainda que tímido, por entre as nuvens, mas o vento gélido ainda não tinha desaparecido. Pedimos ao motorista que entrasse com o camião para a garagem para não termos que nos expor ao sol. Acho que a empresa iria dar pela falta do homem se ele nunca mais regressasse. Descarregamos as coisas com a ajuda das máquinas que ele trazia e depois foi-se embora. Angel e eu ficamos a olhar para os milhares de enfeites à nossa frente. Eram enormes e muito bonitos. Já os conseguia visualizar a todos no seu decido lugar. Arregaçamos as mangas e preparamo-nos para levar cada um para o seu lugar de modo a ser montado quando Jane entra na garagem.

- Se vens para gozar agora não é a melhor altura. Se não queres ajudar ao menos não atrapalhes. – Disse-lhe com frieza.

Jane deitou-me o seu olhar gélido acompanhado da expressão «não abuses da sorte».

- Vim para ajudar! – Disse por fim. – Estava aborrecida, ao menos isto queima um pouco do meu tempo.

Atrás dela entra Alec, Demetri e Félix.

- Eles também vieram ajudar. – Disse Jane depois de ter confirmado que eram eles. – E daqui a pouco mais dos novatos se juntaram a nós.

Angel e eu mostramos os nossos planos de decoração aos restantes e decidimos qual dos grupos iria montar cada divisão. Tal como prometido mais vampiros se juntaram a nós. Jayden estava lá no meio. Assim que entrou sorriu-me e eu retribui-lhe.

Ao fim da tarde e já quase sem luz do dia as decorações estavam todas no seu lugar. Muito graças a mais ajudas que vieram, algumas por arrasto outras porque gostaram da ideia e decidiram juntar-se. Agora era o momento tão esperado. Juntamos todos os grupos à frente do castelo, no exterior, para vermos o efeito quando ligássemos as luzes. Assim que o fizemos todo o castelo, que outrora fora sombrio, estava iluminado, com mangueiras que percorriam e desenhavam a fachada, estrelas cintilantes e até um pai natal no seu trenó com as renas no telhado. Ouviram-se gritos de alegria e assobios de aprovação vindos dos novatos, algumas vampiras mais velhas batiam palmas e nós sorriamos. Até mesmo Jane não conseguiu esconder um brilho no olhar. Angel apertou-a com força contra o seu peito e sorriu. Ele não estava a olhar para o castelo quando as luzes se acenderam, mas sim para a cara de Jane. Quando os nossos olhares se cruzaram Angel desenhou com os lábios «Foi a melhor prenda de sempre», falava da alegria na cara de Jane. Pisquei-lhe o olho em retorno.

- Mas vejam só! – Falou uma voz muito conhecida atrás de todo o nosso grupo. – Vejam como ficou fantástico. – Aro felicitava-nos pelo nosso trabalho. – Muitos parabéns. Quem teve a brilhante ideia?

- Foi a Caroline, senhor! – Respondeu Jayden olhando para mim com um sorriso de menino estampado no rosto.

Aro aproximou-se de mim e colocou a sua mão no meu ombro.

- Muito bem, Caroline. Tiveste uma óptima ideia. Foi uma grande…e brilhante, prenda de Natal. – Sorriu.

- Muito obrigada, mestre. Mas não o teria conseguido sem a ajuda de todos os que estão aqui presentes. – Lancei o olhar para todos eles e Aro imitou-me.

- Estão todos de parabéns! - Passou o seu braço em redor dos meus ombros e guiou-me para mais longe dos presentes que ficaram a comentar cada decoração que viam, enquanto outros seguiram para dentro do castelo para ver o resto dos enfeites.

- Agora eu também tenho um presente para ti, minha querida! – Disse-me Aro com um sorriso.

- O quê? Não, não era necessário nada! – Apressei-me a dizer.

- Não, eu faço questão! – Do bolso interior da sua capa negra retirou um bilhete de avião e passou-mo para a mão. – Feliz Natal, Caronline. – E com isto caminhou para dentro do castelo.

Olhei para o bilhete na minha mão e abri-o.

Destino: Forks

 

Continua…

publicado por Twihistorias às 19:50

20
Dez 10

 

 

 

Surpresas de Natal


Não sabia como, mas as coisas tinham-se precipitado de tal maneira que já estávamos no Natal.

Passei por todas as fases pré-natalícias num estado de dormência, que mal me lembrava da maior parte delas.

O meu pensamento ainda andava perdido algures por La Push e Forks…

Em Ellen, nos Cullen… e em Seth… o meu Seth…

O Seth que me costumava ligar… que por norma, me contactava todos os dias…

Mas algo de estranho se andava a passar. Algo me andava a deixar agoniada e com um mau pressentimento.

Ellen não me ligava à 4 dias, 6 horas e 3 minutos, Reneesme desistira de me mandar emails à 3 dias, 5 horas e 7 minutos…

… E Seth à precisamente – olhei o relógio – 2 dias, 7 horas, 39 minutos e 17 segundos.

E nenhum deles se dignava a atender os meu telefonemas ou a responder aos meus emails. Até para Rosalie eu ligara…

Soltei um longo suspiro e sentei-me na cadeira da cozinha.

Estava estafada. Tinha-me levantado com as galinhas – muito devido ao facto de estar preocupada com a falta de notícias de Forks – e tinha estado desde então fechada na cozinha a fazer bolos e bolinhos com a minha mãe.

Não que eu não gostasse, gostava. Mas estava demasiado preocupada e chateada com a falta de notícias para ficar animada com a mistura de ovos farinha e açúcar que passei o dia a mexer…

Cruzei os braços e ouvi o couro do casaco que Seth me tinha oferecido naquela tarde e La Push ranger.

- Brianne, podes levar isto para a sala? – pediu a minha mãe, estendendo-me uma bandeja de bolinhos.

- Sim – respondi meio contrariada forçando um sorriso.

Levantei-me e encaminhei-me para a sala de jantar onde a família estava reunida.

Mal pus o pé fora da cozinha percebi o quão desordenada estava a casa.

A confusão estava instalada. Prendas espalhadas pela sala, casacos cobriam os sofás, uma mistura de barulhos, risos e vozes ecoavam pela casa, e para juntar á festa, os pequenos diabretes que se dizia serem nossos primos corriam freneticamente escada acima, escada abaixo, arrastando com eles a maior parte dos enfeites natalícios que as suas pequenas mãos conseguiam alcançar.

Tive de fazer um esforço colossal para manter a bandeja nas minhas mãos, já que Raul, o mais pequeno dos dois diabinhos decidiu puxar-me pelas calças.

Ao longe os risos estridentes da tia Preciosa faziam-se ouvir.

Parei longe da porta, tentando recolher forças para entrar na sala.

Mas algo chamou a minha atenção debaixo da mesinha da sala de estar.

- Roselyn, o que estás a fazer aí? – perguntei incrédula.

- Onde? Em casa? - sorriu sem humor - Boa pergunta!

Esbocei um sorriso. A sua expressão irónica era deveras engraçada.

- Não! Aí sentada debaixo!

- Aqui ninguém me vê… - conclui simplesmente, sussurrando.

- E porque não queres que ninguém te veja? – questionei no mesmo tom de voz.

- Não te parece óbvio? – ripostou apontando para o que nos rodeava.

Olhei em redor. Percebia. Se eu pudesse talvez também estaria escondida no meu quarto.

- Não te queres esconder também? – perguntou.

- Por acaso – respondi, pousando a bandeja em cima do esconderijo de Roselyn, e sentando-me no chão a seu lado.

- Não era suposto gostarmos disto? – perguntou.

- Era. Mas não gosto muito desta confusão – admiti.

- Nem eu. E olha para eles – apontou para os gémeos que continuavam a subir e a descer as escadas arrastando os enfeites de natal consigo, que agora usavam como bijutaria.

- Quando é que isto – apontou para a confusão em redor. – Volta a ser a nossa casa?

- Um dia destes… aposto! – respondi com uma gargalhada.

Roselyn riu também.

- Meninas o que estão aí a fazer? – perguntou a nossa mãe, enquanto carregava uma enorme travessa de comida.

Rimos em conjunto

- Hum… Nada. Não estamos a fazer nada! - respondemos.

- Oh – balbuciou - Vamos para a mesa! – ordenou virando-nos as costas.

- Bora! – disse para Roselyn, levantando-me e estendendo-lhe a mão.

- Tens certeza que é boa ideia. – perguntou com uma careta.

- É uma má ideia, mas temos de ir! – sorri-lhe, e peguei na bandeja dos doces com a outra mão.

A custo, a minha irmã levantou-se e com um semblante carregado caminhou a meu lado até à porta da sala de jantar.

Ainda mal tínhamos posto o pé no solo da batalha campal que a nossa família tinha montado na sala de jantar, já a campainha tocava.

Roselyn suspirou e fez novamente uma careta.

- Pronto… ok, eu vou – disse enquanto lhe entregava a bandeja.

A minha irmã encolheu os ombros e entrou finalmente pela porta.

- Olha se não é a minha sobrinha preferida – gritava a tia Preciosa – Vem sentar-te aqui Rosinha do meu jardim!

Ouvi um riso seco, e apostava que pertencia a Roselyn – a Rosinha do jardim da tia Preciosa.

A campainha tocou impaciente mais uma vez.

Mas quem será? Decerto deveria ser alguém por engano… é provável que algum dos vizinhos esteja a dar uma festa…

Corri para a porta e abri-a de rompante, ainda a sorrir.

A minha boca escancarou-se automaticamente. Não sabia o que pensar perante a cena que se estendia perante os meus olhos.

Na ombreira da porta encontravam-se nada mais, nada menos do que o Pai-Natal, a Mãe-Natal, quatro homens-rena, e cinco gnomos de diferentes tamanhos.

Se tudo isto já era de si estranho, o que dizer do majestoso e dourado trenó que estava estacionada no jardim…

No meio da minha estupefacção não pude deixar de sentir uma sensação estranha de familiaridade, como se aquela surpreendente cena me fosse de algum modo conhecida. Não que alguma vez o pai natal e a sua corja estivessem especados á minha porta a sorrir, mas o ar das personagens não me era desconhecido.

- OH...OH...OH… – cantarolou o Pai Natal.

E o meu cérebro juntou todas as peças, ao reconhecendo aquela melodiosa voz. O Pai-Natal era, sem sombra para dúvidas, Carlile, assim como Esme era a Mãe-Natal, Bella, Reneeme, Rosalie, Alice e Ellen os gnomos. Já as renas eram fantasticamente interpretadas por Edward, Emmet, Jasper e Seth.

O meu coração falhou uma batida.

Seth estava em Portugal. Em Portugal, e à minha porta… assim como Ellen e todos os Cullen.

Sorri abertamente e os meus olhos encheram-se de lágrimas.

- Feliz Natal!!!! – gritaram todos em uníssono.

Reneesme correu na minha direcção e abraçou-me a cintura.

- Tinha tantas saudades tuas, Bri!

- E eu tuas! – respondi com os olhos postos em Seth.

Era impossível imaginar como conseguira estar longe dele durante tanto tempo.

Há quanto tempo não o via? Bem… isso realmente não importava.

Pelo canto do olho podia ver Ellen a dar pulinhos e a bater palmas.

Pisquei o olho a Seth, e este correu na minha direcção, acabando com o espaço abismal e desnecessário entre nós.

Ao ver Seth a aproximar-se Reneeseme afastou-se e soltou um risinho tímido.

Passei a mão nervosamente pelo cabelo, ao mesmo tempo que Seth me rodeava a cintura.

- Oh! – murmurou. – Tens noção das saudades que eu tinha?

- Podes ter a certeza que tenho! – respondi – ficas lindo com essas roupas de rena!

- Alice… sabes como é!

- Sei. – assenti.

E sem mais palavras, Seth colou leve e electrizantemente os seus lábios aos meus, e eu senti todo o sangue do meu corpo se movimentar, voltando á vida.

Seth estava ali. Ellen, a minha Ellen, estava de volta…

Cedo de mais, Seth soltou-me. Olhou-me nos olhos, e sussurrou um Amo-te. Corei e repeti-lhe as palavras.

Senti algo frio tocar a minha mão.

- Guarda-a. – pediu Seth colocando a coisa fria na minha mão.

Assenti, sem perceber bem o que ele se referia.

- Bem, quebra-corações, temos de ir! – comunicou-se Ellen com um sorriso aberto.

Mostrei-lhe a língua – gesto tão infantil, quanto nosso.

Todos riram, e como por magia, desapareceram, correndo rua abaixo de forma vertiginosa.

Olhei para a minha mão. Seth dera-me uma pedra. Mas não era uma pedra qualquer. Era uma pedra de La Push. Uma pedra avermelhada, em forma de coração.

Sorri mais uma vez. Colado na pedra estava um pequeno bilhete.

 

Amanha encontro-te! Amo-te!

Teu, Seth

Isto queria dizer que eles iam ficar! Soltei uma gargalhada gradual.

- Quem era? – perguntou o meu pai atrás de mim.

Ainda com um sorriso rasgado respondi:

- Era o Pai-Natal, a sua família e o Príncipe Encantado… Parece que voltam mais logo.

O meu pai lançou-me um olhar inquisidor.

- Vamos comer? Estou cheia de fome! – disse abrindo ainda mais o sorriso.

Caminhei decididamente para a sala de jantar. Subitamente uma noite com a tia Preciosa (que teimava em esconder rabanadas dentro da mala) e com os gémeos (que continuavam a destruir as decorações), não me parecia tão má.

Afinal, amanhã eu estaria de novo nas nuvens…

 

 

Fim

publicado por Twihistorias às 18:00

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