17
Mar 12

Capítulo 29

 

Como descrever numa só palavra aquela sensação estranha que se abate sobre nós quando temos tudo o que sempre desejamos, mas que lá bem no fundo há algo que inquieta.

Será angústia? Medo? Sem dúvida o medo está presente. Medo de estar a escapar algo.

Quando tudo começou parecia um sonho, Jasper encontrava-se às escondidas comigo e tudo corria perfeitamente bem.

Todavia, com o passar do tempo, ele estava a afastar-se cada vez mais. Penso que as coisas começaram a mudar na manhã em que recebemos a notícia que a guerra, que pensávamos já quase acabada, tinha voltado com toda a força. Muitos jovens tinham que abandonar as suas famílias para se irem alistar, não havia escolha. Era um dever, uma honra.

Jasper sentia-se impotente perante toda está situação, não era necessário que ele expressasse em palavras. A sua atitude, o modo como cerrava os punhos duramente quando alguém falava na guerra. Se ele tivesse idade com certeza que se iria alistar.

Dava graças a Deus todos os dias por ele não poder ir.

Depois desse dia, Jasper ia quase todos os dias até ao centro de recrutamento. Ficava horas a falar com aqueles que se iam alistar. Vinha sempre cabisbaixo, afastava-me dizendo que não tinha tempo para namoricos.

Senti-me magoada com tais palavras. Porém, horas mais tarde ele vinha ter comigo, fazia algo incrivelmente romântico e pedia-me perdão.

A mamã andava a planear uma viagem até Albuquerque para visitar os parentes de lá. E aproveitava essa desculpa para me afastar durante um tempo de Jasper.

Não queria ir, sentia-me mal só em pensar abandonar Jasper numa altura destas. Obvio, que ele precisava de mim.

Mas, como sempre, a decisão final é da mamã e ninguém pode contestar.

No dia da partida, deixei Theresa a tratar das malas e foi à procura de Jasper na cidade.

Primeiro destino foi o centro de recrutamento, que na verdade era uma velha loja que usavam para este tipo de situações.

Havia cerca de cinco rapazes à porta, conversando entre si. Não olhava com especial atenção para nenhum, até que um se destacou. Eu conhecia-o! Bob Smith, filho mais velho do ferreiro da cidade, não tinha mais de dezoito anos. Rapaz alto, muito magro e com o cabelo castanho muito curtinho. Muito amável.

O meu coração apertou-se ao ver aquele rapaz ali, toda a vida o conhecera e agora ia para a guerra. Provavelmente nem iria regressar a casa.

Perguntei-lhe se tinha visto Jasper. Ao que me respondeu que o vira mais cedo para os lados da velha casa.

Velha casa era na verdade a casa assombrada. Apressei-me a ir ter com ele.

Felizmente o terror de entrar na casa assombrada havia passado. Encontrei Jasper no andar de cima, no quarto que me mostrou da primeira vez que havia estado ali.

Olhava tristemente para a janela. Aproximei-me e coloquei os meus braços ao redor da sua cintura.

Docemente, deu-me um beijo na testa.

- Encontra-me sempre, meu amor. – Algo dentro de mim derretia sempre que ele me tratava de “meu amor”.

- Leve o tempo que levar, prometo-lhe que vou sempre o encontrar. – Depositei um beijo nos seus lábios.

O seu ar preocupado fazia-me sentir um nó no estômago.

- Diga-me o que lhe preocupa… - Abracei-o fortemente.

publicado por Twihistorias às 22:53
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17
Fev 12

 

 

 

Virei o corpo na cama pela milésima vez. Todo o meu corpo estava dormente por ter que passar tanto tempo a repousar na cama. Quando permanecemos na cama apenas para dormir é um verdadeiro martírio ter que a abandonar de manha, todavia isso muda quando se tem que passar um dia inteiro na cama.

Até sinto que o colchão está a ficar com o formato do meu corpo vincado. Para colmatar essa falha tento virar-me o máximo de vezes possível, algo que se torna inútil passado umas horas.

E como não fosse a situação enervante, ainda tinha a minha cabeça às voltas com a pequena conversa que tinha tido com a minha mãe dias antes.

Quase conseguia imaginar a minha rica mãe a ter uma conversa semelhante com Jasper para garantir que este percebia bem a mensagem. E ele, excelente recebedor de ordens dos meus pais, fez exactamente o que lhe fora pedido de forma obrigatória.

Levantei-me da cama que me pareceu o maior exercício de equilíbrio do mundo. Vesti a primeira roupa que encontrei, também ninguém me iria ver.

Apesar de estar há quase três semanas de repouso, o meu pé denotava algumas melhoras.

Caminhei para fora do quarto a coxear, o meu maior desafio iria ser descer as escadas.

Olhei cuidadosamente em volta afim de não ser apanhada por ninguém a sair do quarto a meio da noite. Já tinha problemas suficientes.

O temido momento havia chagado, as escadas. Ponderei por vários minutos a melhor forma de as descer, sem que o desfecho fosse a minha grande queda.

Tendo mais hipóteses de falhar do que ter sucesso, arrisquei a minha sorte. Usando toda a agilidade que tenho, desci degrau a degrau apoiada apenas num pé.

Ao chegar ao último degrau, respirei de alívio. Porem, não possuía tempo para estar com muitos festejos.

Se não me enganava, a uma hora destas Jasper estaria no pequeno campo de treino que ele e o meu pai construíram. Desde muito novo Jasper demonstrou ter interesse na velha arte de guerrilhar e como o meu pai não tinha filhos homens, dedicou grande parte do seu tempo a educar Jasper como um filho, o filho que ele sempre sonhara ter.

O filho prodígio dedicava-se de corpo e alma aos ditos “ treinos de soldado”. Talento inato era algo que não lhe faltava, porem Jasper estava obstinado em ser o melhor.

Contudo, não percebo tal obsessão, pois ficou acordado entre ele e o meu pai, que Jasper nunca iria alistar-se. Era necessário um rapaz jovem para dar continuidade as coisas.

Neblina pairava no ar, dificultando ainda mais a minha missão. Agora caminhava mais devagar, tentando não esforçar muito o pé.

Quando cheguei finalmente ao local, não vi Jasper em lado algum. A desilusão e frustração tomavam conta de mim, ate que vi no extremo do terreno Jasper a correr.

Até a correr aquele rapaz conseguia manter uma elegância, que nem mesmo ele sabia que tinha.

Acenei vigorosamente para ele saber que me encontrava ali. Demonstrou ser um desperdício de energia porque Jasper continuava concentradíssimo na sua corrida.

Gritar ou recorrer a sinais de fumo estava fora de questão, por isso, fiz a única coisa que podia fazer, foi ao seu encontro.

A caminhada ao extremo do terreno pareceu-me mais morosa que todo o caminho ate ali. O meu pé não aguentava muito mais, estava cansada.

Finalmente, consegui chegar perto de Jasper, este que mal me viu começou a correr na minha direcção.

- Senhoria Charlotte, não deveria estar fora da cama. – Vendo como estava cansada, ajudou-me a sentar no chão.

- Precisava falar consigo. Visto que não me vai visitar, vim ter consigo. – Jasper olhou-me intrigado. Gentilmente, peguei na sua mão.

Ficamos assim um bom tempo, ele sentado ao meu lado, de mãos dadas, em silêncio.

- A minha mãe foi falar consigo, correcto? – Quebrei o silêncio. Era uma pergunta desnecessária, pois já sabia a resposta.

- Correcto.

- Eu sabia. Ela não sabe do que está a falar. – Agarrei com mais força a sua mão. – Se o que sente por mim é verdadeiro, nada mais importa.

- O meu amor por si é verdadeiro e puro. – Com a sua mão livre agarrou-me o queixo, obrigando-me a encara-lo. – Faço qualquer coisa por si, e se isso implicar ter que me afastar para que possa ser feliz é isso que farei sem levantar questões.

 - Só poderei ser feliz consigo do meu lado! – A minha felicidade passava toda por ele. O centro do meu mundo passara a ser apenas ele.

- Então não sairei do seu lado. – Puxou-me para um beijo rápido nos lábios e sorriu.

Abracei-o com todas as forças que me restavam.

 Ao longe, já se ouviam os trabalhadores do campo a chegarem.

- Adorava ficar mais tempo, mas tenho que regressar urgentemente. – Se os trabalhadores do campo estavam a chegar significava que tinha sensivelmente quarenta minutos para chegar a casa antes que toda a gente notasse a minha falta.

Jasper ajudou-me a levantar, porem ao colocar o pé no chão, dei um pequeno grito de dor. Tinha esforçado demasiado o pé. Inesperadamente, Jasper pega-me ao colo, aproveitando a situação para me roubar mais um doce e rápido beijo nos lábios.

- Terei todo o gosto em carrega-la até casa. Afinal, não é todos os dias que uma rapariga foge de casa só para vir falar comigo. – Sentia a minha cara a ficar vermelha, escondi a cara no peito de Jaspe, afim de ele não perceber. Mas ele percebeu a minha vergonha e a tentativa de esconder-lhe isso, resultado: ele riu ainda mais da minha atitude.

- Uma senhora não foge! Apenas me retirei sem ninguém dar por isso.

Já estávamos à porta de casa. Jasper demorou pouquíssimo tempo a realizar o trajecto.

Ajudei-o a abrir a porta. Num silêncio total, levou-me até ao quarto, ajudou-me a deitar na cama. E ainda me aconchegou nos lençóis.

- Agora trate de dormir. – Disse ao meu ouvido. Dando-me de seguida um beijo na testa.

Os meus olhos teimavam em fechar, o cansaço estava a ganhar.

Senti a sua mão na minha cara, uma última vez e adormeci.

publicado por Twihistorias às 22:06
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07
Fev 12

 

Capítulo 27

- A pessoa que amo é a ... - Finalmente, as palavras iriam ser ditas. Jasper ia revelar de quem gostava. O momento tinha chegado e nada o podia travar. – A Charlotte.

Literalmente, congelei. Só podia estar a sonhar ou a ter alguma espécie de alucinação.

Jasper olhava para mim à espera de uma reacção. O seu olhar demonstrava que esperava mais uma reacção negativa.

- Eu.. Não sei o que lhe dizer. – O mundo parecia girar mais depressa, as emoções estavam ao rubro.

- Eu é que lhe peço perdão por ter falado neste assunto. – Levantou-se e caminhou para a porta. – Mais uma vez, mil perdões.

- Jasper espere! – Quase saltei da cama. Iria atrás dele se tal fosse necessário. Contudo, ele parou logo e voltou a encaminhar-se para a cadeira. – Peço lhe perdão pela minha falta de habilidade com as palavras, pois não me expressei correctamente.

Respirei varias vezes fundo. Tinha tanto para dizer, só queria arranjar a melhor forma de faze-lo.

- Tenho sentimentos por si. – Por mais que pensasse, a melhor forma de me expressar era essa. Realmente, tinha sentimentos por Jasper. Suspeitava que sempre os tivera.

A expressão de Jasper tinha mudado completamente. De confusão total passou a exibir um enorme sorriso. Num segundo já se encontrava com os lábios colados aos meus.

Podia jurar que este beijo nutria mais paixão que os anteriores. O facto de sabermos que ambos nutríamos sentimentos, e que esses sentimentos eram mútuos fez com que tudo ficasse melhor.

Ficamos a trocar beijos no que me pareceu meros segundos. Separamo-nos com uma rapidez fantástica ao ouvir o som de alguém a subir as escadas.

Seguido de uma batia suave na porta do meu quarto. O meu coração estava a mil, não era suposto estar sozinha no quarto com Jasper.

Quase me escondia debaixo dos lençóis quando vi a figura esbelta da minha mãe a entrar no quarto.

É necessário ser sincera, por muito que a minha mãe gostasse de Jasper, o sonho dela não era ver me casada com ele. Nunca antes tive tanta a certeza como agora no momento em que ela viu que Jasper estava presente.

Palavras tornavam-se desnecessárias perante aquela expressão de desaprovação dela. Jasper saiu sem pronunciar uma palavra, fechando a porta atrás de si.

Facto de pensar que a minha mãe apoiava este, poderá ser muito cedo mas considero um romance entre mim e Jasper foi um pensamento errado. Não só pela expressão que continha o seu rosto como as palavras que me disse de seguida elucidaram qualquer dúvida presente.

- Será a última vez que fica sozinha no quarto com Jasper. - Sem me deixar abrir a boca, continuou. - Ele não é adequado para si. Uma senhora com a sua condição social não se pode prestar a este tipo de situações. Estamos esclarecidas?

Precisei de um longo momento para reflectir sobre o que tinha acabado de ouvir. A minha mãe que sempre tratara Jasper como um filho estava a tentar dizer me que ele não servia para mim devido ao seu estatuto social?

- Meu estatuto social? - Agora que as palavras foram ditas uma voz na minha cabeça sussurrava outro significado. Ninguém iria olhar com bons olhos o nosso namoro, muito menos o nosso casamento.

Por muito que isso me magoasse, a minha mãe tinha razão. Toda a minha vida tinha sido direccionada para me tornar numa esposa perfeita, esposa de alguém com os mais altos estatutos sócias.

E até à muito pouco tempo, esse era o meu maior sonho. Viver rodeada de luxos, numa mansão. Cercada de empregados dispostos a resolver os meus mais diversos caprichos.

Poder comprar todos os vestidos, jóias ou acessórias que quisesse. Realizar festas para a alta sociedade, festas essas que seriam alvo dos melhores comentários, invejadas por muitos.

Haveria pessoas a lutar por receber o convite para tal acontecimento.

 

- Quer passar o resto da sua vida confinada numa casa pequena e com um monte de filhos, sem dinheiro para nada? É esse o seu objectivo? – A pergunta da minha mãe trouxe-me de volta à realidade. Ela tinha toda a razão.

- Será assim tão impossível ter as duas coisas, mãe? A amor de Jasper e a vida que sempre sonhei. – A questão que agora me atormentava.

- Minha querida, o amor não é suficiente. – Veio sentar-se na ponta da cama e carinhosamente deu-me uma festa na face. – Jasper nunca ira conseguir proporcionar-lhe a vida que deseja. Por favor, não seja ingénua. Educai-a melhor que isso.

- Mas … - Tentei arranjar argumentos para contrapor as ideias da minha mãe. Todavia, uma parte de mim sabia que ela tinha toda a razão.

- Nem mas, nem meio mas. Pense no que lhe disse. Sobretudo, pense se esta disposta a abdicar dos seus sonhos por causa dele. - Muito elegante de si, levantou-se e dirigiu-se para a saída. - Não me desiluda, Charlotte. - E fechou a porta atrás de si.

Naquele momento, a minha vontade era de atirar algo contra a porta. Uma vontade imensa de chorar abatia-se sobre mim.

Porque será que quando as coisas pareciam estar a resolver-se, tinha que vir algo e destruir tudo?

As palavras da minha mãe rodopiavam na minha cabeça, cada vez faziam mais sentido. Porem, o sentimento que nutria por Jasper era puro.

E apesar de tudo, ainda não estava disposta a desistir dele.

publicado por Twihistorias às 21:15
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23
Jan 12

Mesmo depois da separação dos nossos lábios, ainda sentia a pressão suave dos lábios de Jasper. Aquela sensação parecia não querer passar, prolongando o momento.

Jasper afastou-se e foi sentar-se na cadeira ao lado da cama. Olhava para mim sem saber o que dizer ou fazer. 

O silêncio começou a reinar no quarto. Nenhum de nos queria ser o primeiro a falar sobre o que tinha acabado de acontecer.

Por isso, fui eu a dar o primeiro passo:

- Não há necessidade de falar sobre o que aconteceu.

- Está enganada. Tenho e quero falar, só que tenho receio da sua reacção. – Pegou na minha mão.

- Tem que falar para saber isso.

- Peço perdão! Noutro dia menti-lhe quando disse que aquele beijo tinha sido um erro. Não foi de todo um erro! Pelo menos para mim. – Seria possível Jasper estar a ficar corado? Se não estava, então tinha ficado com calor muito de repente.

- E o beijo à outra moça? – Não podia deixar esse assunto passar em branco.

- Ela veio de longe só para me ver e quem talvez ficar noiva. Como comigo só esteve para lhe comprar o fio. E depois naquela noite ela beijou-me apenas para não ir sem nada de mim. Uma tolice.

- Não quis noivar com ela porque razão? - Theresa já me tinha contado sobre o possível noivado, mas ela também não sabia a razão da recusa de Jasper.

- Porque possuo sentimentos por outra pessoa. E é com essa pessoa que tenciono casar e constituir família.

Mas agora era eu que não sabia o que responder. Seria apropriado confessar que sentia exactamente o mesmo? E se ele não estivesse a falar de mim?

Fiquei calada. A fintar o vazio, tinha medo das próximas palavras de Jasper.

- A pessoa que amo é a … - Finalmente, as palavras iriam ser ditas. Jasper ia revelar de quem gostava.

publicado por Twihistorias às 22:20
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21
Jan 12

 

Capítulo 25

Um mês sem fazer esforços. Uma maneira bonita de dizer que iria estar presa em casa durante um mês. Ainda tentei negociar com o medico o meu tempo de recuperação, o que se relevou totalmente ineficaz. Não havia nada haver senão obedecer às ordens do médico.

Os primeiros dias foram passados com imensas visitas. Não estava propriamente a morrer e um pé torcido não era nada de grave, mas numa cidade como a minha qualquer coisinha era motivo de uma visita.

Algumas pessoas conseguiam fazer uma visita rápida, entravam no quarto e viam-me e logo se retiravam, mas outras não queriam sair por nada.

Começavam sempre a mesma maneira, “ pobrezinha, presa numa cama” e logo mudavam o assunto para as suas vidas, que por sinal não eram nada interessantes.

Ao quinto dia, pedi por tudo à minha mãe que as visitas fossem interditas, que arranjasse uma desculpa qualquer, isso não me importava.

Então as minhas visitas passaram a ser os meus pais e a Theresa, mãe de Jasper. O meu pai aparecia ao final do dia para me dar um beijo na testa e contar como lhe correra o dia. Algo que envolvia falar sobre Jasper, visto que este passava agora muito tempo com o meu pai.

Só assim tinha notícias de Jasper, pois desde aquele dia que ele saiu para chamar o médico nunca mais o vi. Facto que me deixava triste e magoada.

Preparava-me para sair da cama quando Theresa entra no quarto, com o seu jeito especial, entra e senta-se na cadeira ao lado da cama.

- É melhor desistir do que está prestes a fazer. – Disse com a sua voz amável.

- Oh Theresa, é só por um pouco. Ir só até à janela! – Não aguentava estar naquela cama, precisava de me mexer!

- Vocês jovens nunca querem acreditar no que os mais velhos lhes dizem. – Olhei para a mãe de Jasper, nem tinha reparado que esta tinha os olhos inchados, como se tivesse estado a chorar.

- Aconteceu alguma coisa? – O meu coração começou a palpitar.

- É o meu Jasper. - Theresa passava todas as tardes comigo, falávamos sobre imensas coisas, mas nunca sobre Jasper.

Fiz sinal com a cabeça para que continuasse.

- Aquele meu rapaz não ganha juízo, diz que não quer casar com a rapariga que eu e o pai lhe escolhemos. Pergunto-lhe a razão para tal e ele só me responde que ainda é muito novo. Valha-me Deus! – Levei a mão à boca para ter a certeza que está não estava aberta. Seria possível que aquela rapariga fosse a tal escolhida pelos pais?

- Rapariga? Eu conheço?

- Não, não menina. A moça é filha de um amigo de um primo nosso. Estive uns dias na cidade, mas já se foi embora. O rapaz disse-lhe que não queria casamento.

- Uma pena. – Tinha vergonha por ter que mentir assim, mas a verdade é que não poderia estar mais alegre. Todavia, aquela rapariga podia não ser A rapariga que vi a beija-lo.

Uma batida suave soou na porta. Theresa apressou-se a levar e a ir abrir a porta.

Para surpresa de ambas era Jasper.

- Mãe, está a ser chamada na cozinha. – Jasper nutria um carinho imenso pela mãe.

Theresa saiu rapidamente, deixando-me sozinha com Jasper. Este preparava-se para sair quando voltou para trás e sentou-se na cadeira perto da minha cama.

Permaneceu em silêncio por uns momentos, olhando pensativamente para as suas mãos.

- Na noite em que beijei-a, acabei por beijar outra rapariga também... – Não olhava para mim, parecia envergonhado.

- Eu sei.

- Foi mais ela que me beijou mas isso não importa. – Parou por um momento, assimilando as minhas palavras. – Já sabia?

- Digamos que assisti a esse momento. – Confessei embaraçada.

Jasper fintou-me pela primeira vez, incrédulo.

Levantou-se e começou a andar de um lado para o outro do quarto, estava à espera que ele a qualquer momento saísse do quarto.

De repente, parou.

 Respirou fundo e aproximou-se, puxou-me para perto de si e deu-me um beijo na boca.

 

 

publicado por Twihistorias às 18:00
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12
Jan 12

Acordei gelada, sentia uma dormência em todo o corpo. Apesar de ter dormido coberta por dois cobertores velhos, o frio era demasiado para conseguir ficar quente.

Após um grande debate interno, o lado que queria o regresso a casa, venceu.

Estava na hora de regressar, não queria preocupar os meus pais. Talvez, nem tivessem reparado na minha ausência.

Foi uma má decisão a de mandar o cavalo para casa, ir a pé parecia um pecado.

Os membros não queriam obedecer, estavam rígidos. Dobrar as pernas parecia impossível. Tinha o pé machucado. Demorei provavelmente o triplo do tempo a chegar a casa.

Fui directa ao celeiro, tinha que me certificar que o meu cavalo tinha chegado bem a casa. Nunca me perdoaria se algo lhe tivesse acontecido no caminho.

E lá estava ele no seu devido lugar.

Porem, algo não estava bem, o cavalo não estava selado. Alguém lhe mexeu.

Bem, isso agora não importava nada. Dei uma festa no cavalo e dirigia-me para a saída do celeiro, quando reparei que ao lado do compartimento do cavalo, no meio da palha, estava Jasper a dormir.

O meu coração disparou, não estava preparada para o ver. Preparava-me para correr dali para fora, quando vejo os olhos de Jasper a abrir.

- Onde esteve? – Perguntou ainda com a voz rouca do sono.

- Fui dar um passeio. – Para minha surpresa, a minha voz estava firme.

- Que durou a noite inteira? Fiquei à sua espera, precisava de ter uma conversa consigo.

- Diga. – A voz começava a quebrar, as lágrimas ameaçavam cair.

- É sobre o beijo que lhe dei… - Remexeu no cabelo e levantou-se. Arranjou a roupa e fintou-me. – Um enorme erro. Prometo-lhe que não voltara a acontecer semelhante coisa. As minhas sinceras desculpas.

Pensei que o meu coração não podia partir se mais, mas estava enganada. Cada palavra que Jasper proferia era como uma pequena facada no meu coração.

Respirei diversas vezes fundo, tentando afastar as lágrimas. Chorar à frente dele depois de tudo o que se tinha passado era uma vergonha. Opunha-me determinantemente a deixar-me demonstrar o quanto estava abalada.

Estava a ser tão infantil, Jasper não me tinha prometido amor eterno, pior, nem me tinha dito se sentia algo por mim. À luz do que se passou na noite anterior é obvio que não sente nada por mim.

Porem, uma dúvida mantinha-se na minha mente.

- Qual foi a razão que o levou a beijar? – Como se as minhas palavras lhe tivessem dado um choque, Jasper recuou e olhou directamente para o chão ao responder-me.

- Deixei-me levar pelo momento. – Sussurrou.

- Está bem, então. Com a sua licença. – Iria lidar com a dor em privado. Praticamente corri dali para fora, se não fosse o meu pé machucado a denunciar-me.

A dor de ver e ter que falar com Jasper superara a que sentia no pé. Ao tentar sair o mais depressa possível do celeiro, a dor regressou com toda a força. Cai desamparada no chão e gritei de dor.

Jasper veio logo em meu auxílio.

- Charlotte está bem? – Sem esperar pela minha resposta, pegou-me ao colo e dirigiu-se para casa.

- Estou! Meta-me no chão imediatamente! – Esbracejei fortemente.

- Não seja teimosa. Tem o pé magoado. E eu aguento bem com o seu peso. – Sorriu gentilmente. Se fosse noutro dia, aquele simples sorriso tinha-me feito sorrir de volta, mas hoje depois de tudo o que aconteceu fazia-me querer fechar no quarto e chorar.

Ele não me iria largar e eu não ia dar parte fraca.

Passamos a cozinha, que por sinal estava vazia, e Jasper foi directo para as escadas que davam para o primeiro andar.

O pânico começou a tomar conta de mim, parecia que não estava ninguém em casa. Isso dava total liberdade a Jasper para ir até ao meu quarto.

Pensando no assunto, ele não precisava de liberdade nenhuma para ir até lá. Os meus pais consideravam-no um filho. Pergunto-me o que eles fariam se soubessem do beijo, provavelmente ficariam contentes.

Abanei a cabeça para afastar aqueles pensamentos.

Usando uma agilidade extraordinária, Jasper abriu a porta do quarto e manteve-me firme nos seus braços.

Cuidadosamente, colocou-me em cima da cama. Depositou um beijo na testa quando me largou.

- Tente descansar. Vou chamar o médico para ver o seu pé. – Fez-me uma festa na cara e saiu.

Assim que a porta se fechou desatei a chorar.

 

 

publicado por Twihistorias às 20:54
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07
Jan 12

 

 

 

Capítulo 23

Nenhum livro de boas maneiras ensina como comportar quando o nosso mundo desaba. Todas aquelas lições de como agir, como falar, como reagir, afinal aplicadas em certas realidades não servem de nada.

Acordei gelada e sozinha no chão. Uma dor aguda atingiu-me no pé direito, quando cai no chão desamparada devo ter dado um mau jeito.

Além dessa dor, todo o meu corpo estava dormente. Sem qualquer sentimento. Ate que as imagens dos momentos precedentes ao desmaio me preencherem a cabeça.

Como era possível uma coisa daquelas acontecer? Momentos antes Jasper tinha-me beijado. Seria por causa daquela rapariga que fugiu rapidamente depois do nosso beijo?

Sentia-me sufocar, o ar parecia que não queria chegar aos meus pulmões.

Procurei equilibrar-me, segui ate ao celeiro. Selei o meu cavalo preferido e sai a galope.

Queria e precisava desesperadamente ficar sozinha. Os pensamentos na minha cabeça estavam a mil à hora.

Só existia um sítio na terra que desejava estar num momento como estes, a minha gruta.

Em pleno inverno não era habitual ira para lá. As temperaturas são muito baixas, mas tinha levado às escondidas uns cobertores. Espera que hoje eles me ajudassem a permanecer quente.

Quando cheguei à entrada da gruta, dei uma palmada no torso do cavalo para ele voltar para casa, estava habituado a isso.

Entrei e fui abraçada por uma corrente de ar gélido. Ia-me esperar uma noite a tremer de frio, mas não ia voltar para casa.

Depois de me enrolar nos cobertores que tinha à disposição, permiti-me voltar a pensar no que estava a acontecer.

Sem me aperceber disso, lágrimas começaram a transbordar dos meus olhos. Não queria de todo chorar, mas agora parecia impossível parar.

Uma dor esmagadora atingiu o meu peito.

Chorei e solucei ate não aguentar mais e acabar por adormecer de exaustão.

publicado por Twihistorias às 21:02
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30
Dez 11

 

 

 

Capítulo 22

Existem fases para uma rapariga admitir que está apaixonada.           

A primeira é a negação, quando começa a aparecer as tais “ borboletas” no estômago, associamos primeiro a uma indigestão, seguido de nervosismo e só depois percebemos que afinal aquilo que estamos a sentir se deve ao facto de estarmos perto daquela determinada pessoa.

Considerando está reacção química, começam as desculpas para explicar tal fenómeno. Quase sempre, esta é a fase que tem menor duração.

Inexplicavelmente, pensamos automaticamente que estamos assim porque o rapaz em questão nos deu algum sinal para isso. Então vem a enxurrada de momentos que se passaram com esse rapaz. Agora convém fazer a diferença, se não há momentos com o rapaz, então é possível que essa paixão seja mais da nossa cabeça, um amor platónico.

Pensar em Jasper trazia uma vida inteira de memórias, desde que nasci que o tenho ao meu lado. Quando éramos pequenos, ele defendia-me corajosamente de qualquer coisa.

Nunca antes pensei nisso, mas desde sempre que o meu maior desejo era casar com Jasper. Porém, a vida nem sempre corre como nos esperamos.

Se fosse possível congelar um momento no tempo, seria o momento em que os lábios de Jasper se unirão aos meus. Ele podia ter fugido de mim, não querendo enfrentar os acontecimentos, mas mais cedo ou mais tarde ia conseguir apanha-lo e dizer-lhe até ele perceber, que os meus sentimentos por ele eram puros.

Nesse instante, tive todas as certezas. Todas as dúvidas saíram da minha cabeça. O que queria negar antes, agora parecia um disparate.

Corri para casa, precisava desesperadamente de falar com Jasper. Queria sentir novamente os seus doces lábios.

Todavia, nada me podia preparar para o que me esperava em casa. Algo que mudou completamente a minha vida e alterou o destino.

Numa questão de segundos, o meu mundo desmoronou por completo ao ver a imagem de Jasper e a rapariga, que o tinha acompanhado na loja, a trocarem um apaixonado beijo.

O meu coração falhou uma batia, uma dor inexplicável percorreu o meu corpo e sem dar por isso, as minhas pernas cederam ao peso do meu corpo e os meus olhos teimaram em fechar, deixando-me na escuridão.

 

publicado por Twihistorias às 19:06
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23
Dez 11

O natal estava a aproximar-se a olhos vistos, naquela altura o natal não era celebrado com toda a poupa e circunstancia que se realiza nos tempos modernos.

Pelo menos na minha aldeia, o costume era não haver troca de prendas de natal. Valorizava-se muito a ceia de natal e o convívio de toda a família, obrigatória a presença de todos os membros.

Toda aldeia encontrava-se na missa do galo, onde alguns já tinham lugares reservados.

Particularmente, na minha casa havia sempre um pequeno agrado para a minha pessoa. Nunca pedi por isso, simplesmente recebia porque os meus pais gostavam de me mimar.

Todavia, este ano era diferente. Senti necessidade de dar um agrado a Jasper, ele andava a ser muito meu amigo. Já não me afastava de si.

Por isso mesmo, decidi ir à procura de algo perfeito para ele.

Andei de loja em loja e finalmente achei algo que me agradou, a cidade não tinha propriamente muitas lojas para cavalheiros. Em contraste, havia muitas para damas, deliciava-me a passear por elas.

 Foi numa dessas visitas a uma loja que vi Jasper com uma outra rapariga. Fiquei paralisada na entrada da loja a ver a cena que se desenrolava à minha frente.

A loja em questão era uma joalheria, Jasper admirava o brilho dos colares. A rapariga era de estatura pequena, cabelos castanhos longos e vestida com um belo vestido azul claro. Ela experimentava sucessivamente colares, indo sempre ver o seu reflexo no espelho e depois falando com Jasper que lhe respondia a sorrir.

Eles faziam verdadeiramente um casal bonito, eram ambos bonitos e ficavam bem um ao lado do outro. A cena perfeita para o casal perfeito.

O meu coração sentiu um aperto quando Jasper escolhe um colar lindíssimo e coloca à tal rapariga, ficando feliz com o resultado dá-lhe um beijo na face e um abraço efusivo.

Não pode deixar de sentir ciúmes. Ele nunca tinha me tratado assim.

Corri dali para fora, não queria que nenhum deles me visse. A vergonha de estar a espiar aquela cena íntima já era suficiente.

Sem saber para onde ir, dirigi-me para o único sítio que naquele momento me parecia adequado, a velha casa assombra.

Era a primeira vez que entrava sozinha, porém agora o medo não estava presente. O medo foi substituído pela dúvida e a raiva.

As imagens de Jasper com outra rapariga invadiam a minha mente vezes sem conta. Ele aparentava estar feliz. Estaria ele apaixonado por ela?

 

O tempo passou e só dei pela sua passagem por causa do pôr-do-sol e depois pelo aparecimento da lua. Aquela casa já não me metia medo, agora transmitia-me conforto e uma certa segurança, na medida do possível.

Estava grata à minha teimosia por ter “lutado” com Jasper para colocar lá um sofá. Não tinha qualquer vontade de regressar a casa e ir até à minha gruta a viagem era longa.

De repente, oiço um ruído vindo do andar debaixo. Precisei de uns minutos para conseguir acalmar me, era só um ruído numa casa velha, era perfeitamente normal.  

Quando o ruído repetiu uma e outra vez, ai tive a certeza que não era fruto da minha imaginação.

O medo atingiu-me em cheio quando a maçaneta da porta rodou.

 

 

 

Preparava-me para atacar este intruso quando vejo que é Jasper, que não parecia nada feliz por me ver ali.

- Posso saber o que a senhorita faz aqui?

- Não podia estar? – Perguntei confusa.

- Poder pode, mas não quando está metade da cidade à sua procura! – Explodiu.

- À minha procura? Porque? – Estava a ficar cada vez mais confusa.

- A senhorita saiu de sua casa ainda era manhã e não mais voltou. – A realidade atingiu-me, tinha passado mais tempo do que imaginava.

- Não dei conta do tempo passar.

- Imagino o que tem andado a tramar… - troçou.

- Ao contrário de si, não ando tramar anda! – Tentei controlar-me, mas era algo impossível quando ele me acusava assim. – E com ninguém!

- Com ninguém? Está a referir-se ao que? – Jasper mostrava-se confuso.

- Vi-o com a sua amiga na joalheria …

Jasper atravessou o quarto e ajoelhou-se à minha frente. Acto que deixou o meu coração a mil.

Retirou do bolso das calças algo que depositou nas minhas mãos. Era um colar, parecia aquele que Jasper tinha escolhido para a outra rapariga.

Olhei furiosamente para Jasper à espera de uma explicação.

- Que acha do colar? – Não queria acreditar que ele estava a pedir-me opinião num colar para outra!

- Não tenho nada a achar!

Rapidamente, Jasper levantou-se e veio sentar-se ao meu lado.

- Querida, não precisa de ter ciúmes. – Agarrou-me na mão, massajando-a.

- Que ultraje! Eu ter ciúmes de si? Disparate! – Jamais iria admitir isso.

- Tem a certeza? – Disse aproximando-se mais.

- Sim… - Os meus pensamentos estavam a dissipar-se com a aproximação.

- Charlotte posso testar uma teoria? – A sua voz estava maravilhosamente suave.

- Pode. – Engoli em seco.

Jasper encurtou a distância que nos separava e colou os seus lábios aos meus. Melhor sensação de sempre, os seus lábios suaves encostados aos meus. Para mim passaram minutos e não segundos nesse beijo.

- Peço-lhe imensas desculpas… Eu… Eu não estava a pensar. – Falava atrapalhadamente. Levantou-se rapidamente. – O colar é para si…

Perplexa vi Jasper a desaparecer rapidamente. Deixando-me sozinha, com o colar mãos.

Levei a mão aos lábios, ainda conseguia sentir a pressão dos lábios de Jasper.

Aquele tinha sido o meu primeiro beijo. E o meu primeiro beijo de Jasper.

 

 

publicado por Twihistorias às 18:00
Fanfics:

18
Dez 11

 

 

 

Capítulo 20

Maior parte do tempo as coisas não correm como esperamos, é um facto que devemos aceitar o mais cedo possível. Infelizmente, no meu caso só aprendi essa lição tarde demais.

Esperava que nos dias que se seguiram aquela noite Jasper viesse falar comigo.

No final daquela noite, obrigou-me a jurar que nunca contaria a ninguém sobre a casa, ou até mesmo sobre o seu talento enquanto pintor.

Ele nem precisava de me ter obrigado a jurar, não iria contar a ninguém mesmo sobre pena de tortura, o seu segredo estava seguro comigo.

Quando corremos o mais depressa possível para casa, em que ia com o pequeno Mr. Nuggets, o coelho bebé que Jasper me tinha oferecido, nos braços. Rezando para quando chegasse a casa a minha mãe me mandasse directamente para o quarto, assim conseguiria esconder-lhe o mais recente habitante da casa.

Jasper tinha-se despedido com a promessa que nos próximos dias iríamos voltar à casa, visto que ele queria desenhar o Mr.Nuggets.

Porem, nada disso aconteceu. Jasper não voltou a dirigir-me a palavra, parecia chateado comigo. Evitava fazer as refeições com o resto da família, correcção evita ver-me a todo o custo.

Eu em resposta passava os dias no alpendre, sentada na cadeira de baloiço a ler. Já tinha lido toda a minha colecção de livros e relido algum dos mais antigos, mas nem me importava. O importante era marcar uma posição, ninguém podia entrar em casa sem passar por ali. E a porta das traseiras tinha tido um recente problema, que posso ter sido eu a causar de tal acontecimento.

Não tinha sido com intenção! Apenas numa tarde, em que esperava Jasper para finalmente poder falar com ele e perceber o porque de tal atitude para comigo, irritei-me ao vê-lo com outra rapariga e ao entrar pela porta das traseiras, fechei-a com demasiada força e parti a fechadura.

Em minha defesa, aquela fechadura já estava muito velha, de outra forma tinha-me sido impossível tal proeza, não tinha assim tanta força.

A minha mãe andava radiante com esta minha nova atitude. Dizia que realçava a senhora que existia dentro de mim. Se ela soubesse a verdade por trás de tamanha devoção à leitura iria ficar furiosa. Ela esperava que num futuro próximo conseguiria casar-me com um rapaz de boas famílias. O sonho de qualquer mãe.

E um sonho meu também. Poderia não ser rico, mas no mínimo teria que me fornecer um estilo de vida idêntico ao que tenho no presente.

Numa bela tarde, estava eu entretida a ler pela segunda vez um livro de etiqueta quando vejo Jasper à minha frente.

- Está carta chegou há dias para si… - A sua voz demonstrava que estava aborrecido. Mandou-me a carta, literalmente, para o colo.

A surpresa veio antes da irritação a carta era de Lucas, estava toda amachucada e havia uma parte um pouco aberta, como se alguém tivesse tido a intenção de a abrir e depois desistiu.

- Tentou ler a carta? – Perguntei indignada.

- Pensei nisso, mas não o fiz! – Uma ideia começava a formar-se no meu pensamento.

- Foi por causa desta carta que me tem evitado? – Não sabia se havia de achar o acto engraçado ou muito estúpido.

 

Jasper aproximou-se da cadeira e colocou as mãos no braço da cadeira, fazendo a cadeira avançar. O espaço que nos separava era muito reduzido.

- Sentiu a minha falta foi? – O olhar igualava-se a um predador que acabou de encurralar a presa.

- Certamente… - Fintei-o de igual modo. O jogo podia ter dois jogadores.

Em resposta, Jasper encurtou o espaço entre nos, ficando a centímetros dos meus lábios.

 O meu coração batia desalmadamente tentando encontrar um ritmo certo.

- Leia a carta. – Sugeriu e afastou-se um pouco.

Sem pensar no assunto, peguei na carta sem nunca abandonar o olhar de Jasper. Abria-a e li em voz alta.

- “ Querida Charlotte, palavras parecem insuficientes para conseguirem desculpar os meus actos no baile. Todavia, espero que consiga perdoar-me… E que venha até à minha humilde residência dar-me a graça da sua deslumbrante companhia. Ficarei à sua espera…

O seu eterno acompanhante, Lucas “ – Quando acabei de ler a carta é que me apercebi que tinha feito o que Jasper pediu. Envergonhada, dobrei a carta e voltei a coloca-la no meu colo.

- A sua vergonha é desnecessária. Ele é praticamente seu noivo… - E lá estava novamente a arrogância incomum de Jasper.

- Não chegaria a tanto. Porem, quando é que está carta chegou mesmo? E qual foi a razão para não vir directamente para as minhas mãos? – Questionei.

Por momentos o silêncio instalou-se.

- Ele tratou-a mal. E tem o descaramento de se desculpar por carta… Aquele sujeito não merece o seu perdão. – Cada palavra continha mais raiva que a anterior.

- Se merece perdão ou não, a decisão é minha! – Uma coisa era a inimizade que Jasper tinha por Lucas, outra completamente diferente era ele esconder-me coisas que só a mim cabia decidir. 

- É essa a paga que tenho por defende-la? – Voltou a reduzir a distancia entre nos.

- Pedi a sua protecção? – Desta vez, não ia deixar que a proximidade me toldasse os pensamentos.

- Tem razão. As minhas desculpas, menina. – Afastou-se e ajeitou a camisa.

Arrumei a carta dentro do livro. Levantei-me e agarrei na sua mão, ele estava a ser muito amoroso. Este era o jeito de Jasper demonstrar que se preocupava comigo.

publicado por Twihistorias às 17:05
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