25
Jan 11

Uma pequena surpresa da nossa amiga Clara, o trailler da fic "How can I ever have whats not mine?"

Divirtam-se!!

publicado por Twihistorias às 20:02

20
Jan 11

 

Epílogo

- Clara! Levanta-te, está na hora – chamou a minha mãe abrindo a porta do meu quarto – Vá lá querida, despacha-te. Tenho de estar cedo no Hospital, hoje é um grande dia.

Abri os olhos sobressaltada e… e acordei.

O meu peito sofreu um baque profundo.

Estava na mesma no meu quarto mas estava sozinha. Sentei-me bruscamente na cama e, irreflectidamente, levei a mão ao peito. O meu coração estava a bater.

- Emmett…

A minha voz soava rouca. A minha respiração estava loucamente desregulada e o meu coração acabara de se quebrar.

- Clara? – chamou a minha mãe.

Fitei-a e a realidade atingiu-me. Ela estava viva. Eu estava viva.

- Foi um sonho – murmurei.

A tremer, ergui a minha mão e fitei o meu dedo anelar. Nada.

Nunca, jamais, em toda a minha vida pensei vir a sofrer uma desilusão tão grande. Uma dor tão grande.

Nada tinha sido real. Os Cullen, o último ano, … Emmett não era real. Eu não era feliz. Não tinha a Alice e estava sozinha.

Quis morrer.

Só me apercebi que chorava quando a minha mãe me secava as lágrimas, com preocupação.

Abracei-a aliviada e feliz por ela estar viva. No entanto, não estava verdadeiramente feliz.

Não estava completa. Pois não era capaz de ser feliz num mundo onde ele não existisse.

‘Bem vinda ao lado negro, outra vez’ – lamentei-me comigo mesma.

Depois de inventar uma história descabida e de despachar a minha mãe, vesti-me para ir para a escola. Sentia-me completamente apática. Só queria entregar-me à minha dor e sabia que era quase inevitável desatar a chorar no meio de uma aula.

- Há alguma hipótese de eu te perguntar o que se passa e de tu me dizeres? – inquiriu a minha mãe, no carro, quando estávamos a caminho da minha escola.

Não respondi, limitando-me a fitar a estrada.

- Claro que não, ia tirar a piada de imaginar – reclamou.

Ela parou o carro no Hospital. Quando vinha à boleia com ela, tinha sempre de ir para a escola a pé.

- Tem um bom dia – desejou.

Agradeci e pus-me a caminho, sabendo que nunca poderia ter um bom dia.

Quando cheguei à escola, cruzei-me logo com a Jessica.

- Bom-dia – cumprimentou.

Acenei levemente com a cabeça e ela ergueu-me o sobrolho. Em seguida, desatou a tagarelar sobre o namorado e eu cheguei a um ponto que já não a ouvia.

Há minha volta só via caras familiares. Caras que via todos os dias, nos meus lugares. Só queria fugir para lado nenhum. No entanto, ninguém me conhecia. Pelo menos, não conheciam o meu novo eu. Sentia-me prestes a arrebentar em lágrimas. Precisava de falar com alguém. Precisava da minha Alice.

Fitei a Jessica e ela continuava com o seu monólogo, alheia à minha dor e não querendo realmente saber o que se passava comigo. Perguntei-me se o meu inconsciente me quis passar algum recado sobre a minha “amizade” com a Jessica e com a Marina. Quem é que eu queria enganar? Elas não eram minhas amigas, nunca foram. Apenas se preocupavam com elas próprias, os seus namorados e os seus piercings. Não sabiam o que era ser realmente amiga de alguém… Como a Alice.

“Mas a Alice não é real” – resmungou uma voz na minha cabeça.

Fechei os olhos, desejando desaparecer. Infelizmente, não resultou.

Afastei-me da Jessica sem dizer uma palavra e senti-me automaticamente mais leve. Ela chamava por mim, confusa com a minha atitude. Wow, agora estava mesmo sozinha.

Ri-me sem qualquer humor. Até era engraçado, ser tão triste. Tinha uma certa “piada” que o sonho pelo qual estou a morrer foi o melhor que sempre tive.

Irónico, no mínimo.

O meu coração estava-me a incomodar. Continuava a bater descompassadamente e doía. Parecia que… estava prestes a explodir.

Respirei fundo e encaminhei-me à saída, decidida a faltar às aulas.
Fui contra alguém nos degraus da saída da escola. A rapariga disse algo como “olha por onde andas” e apressou-se a entrar na escola.

Estanquei. Era agora. Agora eu ia fraquejar e desatar a chorar.

- Clara – chamou uma voz melodiosa que eu reconheci.

Virei-me bruscamente na direcção da voz e quase sucumbi. Deparei-me com uma beleza sem igual. Ela sorria-me alegremente e os seus olhos brilhavam de entusiasmo, o seu cabelo preto que apontava para todas as direcções balançava com o vento.

- Alice?!

Ela flutuou na minha direcção e agarrou-me a mão, soltando uma gargalhada:

- Ahah, eu sabia que me ias conhecer!

Apertei-lhe a mão com medo que ela me fugisse. Ok, talvez tivesse realmente ficado maluca mas não fazia mal.

- Alice…

Ela exibiu um largo sorriso.

- E também estas quase a chorar – observou – Tal como eu tinha visto.

Pisquei os olhos atordoada, sem querer acreditar que ela estava realmente aqui.

Fui percorrida por um arrepio e pude senti-lo dentro de mim. Estava perto.

O meu peito apertou ainda mais e expirei com dificuldade.

- Emmett – sussurrei.

O meu coração batia incontrolavelmente e parecia que estava em chamas. Doía cada vez mais.

- Ele ama-te – segredou-me Alice, ao ouvido – Só que ainda não sabe.

Nesse instante, desapareceu entre a multidão.

Queria ir atrás dela mas não me conseguia mover. Senti uma tontura e sabia que estava prestes a sucumbir. Desequilibrei-me mas antes que pudesse cair no chão, uns braços firmes e duros, agarraram-me.

- Wow, estás bem? – perguntou a sua voz, colocando-me de pé – O que é que…

A sua voz extinguiu-se quando me virei na sua direcção.

- Emmett – murmurei sem acreditar.

- Sim… Sou eu.

Ele parecia confuso – tal como eu.

Na minha cabeça, ouvi também a sua voz a responder-me. No entanto, sussurrou-me “estou aqui”.

- Eu conheço-te? – perguntou confuso.

Neguei debilmente com a cabeça.

O meu coração parecia descontrolado. Tanto que me queimava o peito. Questionei-me se estaria a ter um enfarte.

- Bem, agora conheço – abafou uma gargalhada – E o teu nome é?

- Clara – respondi, com a voz a tremer.

Ele sorriu-me e levou a mão à minha face, fazendo-me arrepiar.

- Clara – repetiu calorosamente.

Sorri feita idiota e fechei os olhos.

O meu coração continuava em chamas.

Na minha cabeça surgiu novamente a voz de Emmett: “Está quase, meu amor”.

Não estava a perceber o que se estava a passar.

- Clara – ecoou o Emmett que não estava na minha cabeça – Acreditas no destino?

O meu coração acelerou ainda mais. Não conseguia respirar.

E percebi.

Então, era assim que devia ter sido…

Abri levemente os lábios, com um sorriso, e libertei o meu últi

mo suspiro:

- Agora acredito.

E o meu coração parou.

The End.

publicado por Twihistorias às 18:00

15
Jan 11

 

 

 

  

  

Capítulo 55
I'm under your spell

 

Onde há vida, há esperança, correcto?

A vida é uma história e todos nós temos o nosso papel. Agora, o meu era tentar alcançar a minha felicidade. É natural que algo corra mal e nós só temos de tentar remediar esse mal. E se não conseguirmos? Se não conseguirmos voltamos a tentar. Num dia, no outro e no seguinte. Todos os dias são um presente e nós podemos fazer deles o que quisermos. Os sonhos podem-se tornar realidade. Se realmente o desejarmos e se lutarmos arduamente por eles. Durante este ano vivi nas sombras e pensei que esse era o meu lugar. Agora percebi que não estava certa. Toda a nossa vida lutamos por ser pessoas normais… Para nos encaixarmos no mundo que conhecemos. Mas sabem que mais? Isso não basta. No último ano foi tudo o que fiz: lutei para ser uma rapariga normal e para me adaptar ao mundo. Não resultou. Não resultou porque não era o que eu queria. Toda a alegria que a vida nos trás, a família e os amigos… tudo isso acaba. Daí eu estar a tentar. A arriscar. A lutar. Porque não me resta mais nada. Porque mesmo que eu não encontre o Emmett… não perdi nada. Perdi à um ano atrás. Perdi a minha mãe. Perdi-o. E perdi a nossa oportunidade. Agora, se não conseguir… tudo bem. Morrer ou viver, tudo irá dar ao mesmo. Tudo irá ser vazio. Portanto, estou pronta para receber ambos.

E cheguei ao local onde sabia que o podia sentir. Ao local onde ele me esperou.

Engoli a seco. Comprei um bilhete e entrei.

Dez minutos depois, já estava sentada no escuro, numa sala quase vazia, a ver pessoas serem estripadas no grande ecrã.

‘Uau! Grande pontaria, Clara!’, reclamei comigo mesma.

Um filme de terror. Perfeito! Não podia ter escolhido outro?

Lutei contra a necessidade de fugir dali a correr e cerrei os punhos, fechando os olhos. Os gritos vibravam nos meus ouvidos e começava a sentir-me angustiada. Respirei fundo e comecei a entoar uma música na minha cabeça. Poucos minutos depois, consegui abstrair-me um bocadinho do que me rodeava. Aproveitando o facto de estar quase sozinha na sala de cinema e as únicas pessoas que me estavam mais próximas estarem a cinco filas de distancia, comecei a sussurrar a musica que entoava baixinho, para eu só mesma ouvir:

 

“I’m under spell
How else could it be?
Anyone would notice me
It’s magic, I can’t tell
How you set me free
Brought me out so easily.”

Senti um arrepio. E… Não, não. Abri os olhos e nada. Não consegui evitar a desilusão que meu avassalou o meu peito. Podia jurar… Podia jurar que o sentira.

Quem é que eu queria enganar? Estar aqui era uma loucura.

"Todos somos loucos", disse a maldita vozinha na minha cabeça.

Abanei negativamente a cabeça.

Estava a mentir a mim própria. Ele não ia voltar. Quer dizer, ele podia ter-me ido procurar. A Alice seria muito útil nessa tarefa. E se não o fez… Também não era agora.

Eu sei que já devia ter ido embora. Já não estava aqui a fazer nada. Só a ouvir gritos. Mas o meu coração era um traidor e não me deixava levantar.

Porque é que ele não me deixa descansar em paz?

Inspirei fundo, revoltada comigo mesma e continuei a entoar a minha canção:

 

“I’m under your spell
Nothing I can do
You just took my soul with you.

Finally, I knew…”

 

- “Everything I dreamed was true” – cantarolou, uma voz rouca e estupidamente conhecida ao meu ouvido – “You make me believe”.

O meu coração cessou.

Atrás de mim, ouvi uma gargalhada abafada.

O meu coração começou a bater tão desesperadamente, que eu pensei que ia morrer.

- Se o meu coração pudesse bater, estaria pior que o teu – assegurou, divertido – Seria capaz de quebrar o meu peito.

Eu não conseguia reagir. Tinha a boca ligeiramente aberta e sentia-me apática. Queria mover-me mas estava paralisada, queria falar mas não conseguia. Sentia que os meus olhos ardiam e apercebi-me que não respirava. Expirei violentamente.

- Olá, amor – cumprimentou calorosamente.

“Ok… Fala, Clara!”.

Não conseguia. Parecia que soluçava, mas talvez fosse só a minha respiração desregulada.

Eu sabia! Eu sabia que o sentia. Mesmo não o vendo...

- Ham… agora é a parte em que dizias alguma coisa.

E eu queria dizer. Mas… estava em estado de choque. Ok, das duas uma: ou estava a ter um sonho maravilhoso e realmente vivido, ou tinha o amor da minha vida mesmo atrás de mim. Rezava para que fosse a opção dois, mas tinha medo de depois acordar e ver que tudo não passara de um sonho. E se… e se eu falasse e de repente “poof”? Eu morria.

Ele tossiu, nervoso. Eu quase sorri.

- “You… make me… complete” – completei, gaguejando, a música que ainda me ecoava na cabeça.

Ele voltou a abafar uma gargalhada:

- Já sabia isso – hesitou e passou a mão pelo meu braço – Não consigo acreditar que finalmente te encontrei.

Passou o nariz pela minha clavícula e suspirou.

- E… Emmett?

Eu também não acreditava.

- No entanto, deste-me bastante trabalho – ralhou – Fui a tua casa e nada. Quando segui o teu cheiro até aqui não pude acreditar que tinhas vindo para um filme de terror… Fiquei céptico! Mudaste muito durante este ano?

Fechei os olhos e sorri – ou uma coisa perto de um sorriso. Ele estava comigo.

- Emmett…

- Sim, estou aqui.

Voltou a suspirar e acariciou-me a o cabelo.

Virei-me rápida e desajeitadamente para trás, abri os olhos e pude, realmente, ver o seu rosto. O rosto que eu tanto amava. Ele exibia – tal como eu – um pequeno sorriso, fazendo duas covinhas perfeitas nas suas bochechas; os seus olhos dourados pareciam – tal como os meus – estar humedecidos, se tal fosse possível. Levei a minha mão, que estava armada em gelatina, à sua face e pude senti-lo. Engasguei-me na minha própria respiração.

- Emmett! – exclamei, abraçando-o – Estás aqui!

Ele abraçou-me também, com força excessiva mas eu sobrevivia. Senti-me subitamente familiarizada com a sua pele dura e fria, e, estupidamente, comecei a soluçar.

Ouviu-se um “shhh” vindo das pessoas que estava a cinco filas de mim.

Emmett riu-se.

- Bem, agora podes ter uma paixão por filmes de terror – gozou, mantendo-me ainda contra o seu corpo – Mas continuas chorona como sempre.

- Cala-te – ordenei, entre soluços.

Ele voltou a rir e calou-se.

- Não, não cales – implorei, num tom de voz ligeiramente histérico.

Queria ouvir a sua voz.

Ele não falou. Manteve-me firmemente agarrada contra o seu corpo, enquanto me acariciava as costas. Por falar em costas, as minhas tinham acabado de estalar e já me doíam. Esta cadeira entre nós estava a ser um problema. Como se me lesse o pensamento – ok, provavelmente ouviu os meus ossos a estalar – levantou-me agilmente e colocou-me ao seu colo.

- Estás mais leve – observou – Quase que te fazia voar. O que tens andado a comer?

“Nada” era a resposta correcta. Limitei-me a encostar o meu nariz ao seu e a inspirar o seu cheiro. Senti-me automaticamente inebriada e conclui, maravilhada, que não era um sonho. Num sonho jamais poderia sentir o seu odor de modo tão real.

- Estás aqui – repeti, feita atrasada mental.

- Estou aqui – garantiu.

Ele ia dizer mais qualquer coisa mas eu não deixei. Calei-o colocando a minha mão sobre a sua boca e encostei levemente os meus lábios aos seus. Estremeci quando senti a sua boca sobre a minha e duas lágrimas voltaram a rasgar-me o rosto. Emmett abriu os meus lábios, devagar, e a sua língua encontrou a minha. Tinha-me esquecido de que beijar Emmett era das melhores sensações do mundo. Eu só queria chorar e cantar. Ambas porque estava feliz. Completa. As suas mãos desceram das minhas costas para a minha cintura e chegou-me para mais perto dele. Eu agarrava a sua face com fervor com medo que ela… bem, “poof”. Uns segundos depois, afastou-me para eu poder respirar. Ele observava-me com um sorriso enquanto eu tentava regular a minha respiração e secar as lágrimas.

- Que é? – perguntei intimidada.

- És linda – respondeu simplesmente.

- Pfff!

Ele revirou os olhos.

- Sabes, agora queria mesmo ser humano – disse, com um suspiro.

- Porquê?

- Porque queria chorar. De felicidade, como tu estás a fazer.

- Não precisas – suspirei – Sei que estarias a chorar se pudesses.

Ele beijou-me o nariz e levou a mão ao bolso.

- Que estás a fazer?

- Tenho uma coisa para ti – retorquiu – Encontrei-o abandonado numa gaveta na tua casa.

Senti-me ofendido.

- O q…?

A minha voz extinguiu-se quando ele abriu a mão e revelou o nosso pseudo-anel de noivado vampírico. Como cobarde que sou, tinha-o deixado para trás antes de ir para Inglaterra.

- Não queria leva-lo comigo – justifiquei abatida – Não queria levar nada comigo que me lembrasse de ti…

Emmett colocou um dedo sobre o meu lábio.

- Shhh. Eu entendo, estava a brincar – murmurou – Eu compreendo.

- Não suportava recordar-me de ti – insisti – Matava-me.

- Eu sei… Mas estou contigo agora. Não vou voltar a deixar-te… Só depois de morto… outra vez – eu estremeci e ele também – E mesmo assim, não sei se te vou deixar em paz.

Sorri. Funcionava para mim.

- Portanto – continuou – Vou ficar contigo, até que me mandes embora… o que eu espero, honestamente, que não aconteça.

- Não vai acontecer – frisei – Sou tua, sempre fui e sempre serei.

- Óptimo, é tudo o que eu quero – ele pareceu radiante – Nesse caso, sempre queres ser minha para toda a eternidade?

O meu coração voltou a cessar e um sorriso rasgou a minha cara.

- Claro que sim – aceitei, feliz.

- Então vais ser – refutou beijando-me a testa.

De seguida, colocou o meu anel de volta no meu dedo e eu encostei a cara no seu peito, escondendo as lágrimas.

- Eu sei que estás a chorar, não é assim que o vais esconder – comentou.

Bolas!

- Amo-te – sussurrei.

- Amo-te mais.

Resmunguei com os meus botões e suspirei, sorrindo.

Onde há vida, há esperança.

 

Capítulo 56
Eternidade

- Como me encontraste? – perguntei, curiosa.

Agora já nos encontrávamos, novamente, em minha casa. Estávamos deitados na minha cama e eu tinha a cabeça no seu peito, enquanto ele me afagava o cabelo.

- Sabes, a Alice não te conseguiu ver durante este tempo todo – contou-me – Quando vim a tua procura, à um ano atrás, e percebi que desapareceras foi como se me tirassem a esperança de viver.

- Não me conseguia ver?

- Não. Nunca percebeu porquê. E eu não percebia o porquê de teres fugido… pensei mesmo que não me quisesses mais.

- És tão parvo! Como se eu pudesse existir sem precisar de ti, Emmett!

- Eu sei – suspirou – Mas, naquele momento, não me ocorreu mais nenhuma justificação. A Alice não te conseguia ver e, com o passar do tempo, acreditei mesmo que não me querias. Também ponderei a hipótese de estares morta, mas era tão doloroso para mim sequer pensar na ideia, que me forcei a acreditar que partiras porque já não querias ficar comigo.

- Não tinha lido as cartas – justifiquei - Não consegui.

- Eu sei… A Alice só te voltou a ver quando decidiste ler as nossas cartas. Isto à dois dias atrás. Estou curioso… o que te fez decidir lê-las agora?

- Estava a morrer – respondi – Literalmente. Sentia que estava cada vez mais perto da morte. Senti-a, de dia para dia, a minha vida a chegar ao fim – fiz uma pausa e analisei o seu olhar. Parecia calmo – Não chorei, sabes? Desde aquele dia. Durante um ano não verti uma única lágrima. No dia em que percebi que não tinha mais nada a perder e peguei nas vossas cartas, foi no dia em que desmoronei…

Emmett olhava-me atento e agora parecia ligeiramente angustiado.

- Lamento tanto por teres tido de passar por tudo sozinha…

- Agora estou bem – murmurei.

Subitamente, o meu coração sofreu um baque e recordei o nosso maior obstáculo:

- Emmett, e os Volturi?

- Não te preocupes. Eles já deixaram de nos vigiar à bastante tempo – acalmou-me – Daí eu te ir, supostamente, buscar ao fim de três meses. A Alice viu que Demetri deixaria de nos seguir e vigiar ao fim desses três meses – explicou – E não vão poder fazer nada quando fores uma de nós.

Arrepiei-me.

- Não vão ter qualquer argumento válido para nos fazer qualquer mal – acrescentou – Vais ser imortal, logo já não colocas a nossa espécie em risco. Além disso, vais ser mais forte que qualquer um deles.

- E posso impedir a Jane – relembrei.

Ele acenou orgulhoso.

- Onde estiveste este tempo todo? – inquiriu.

- Em Inglaterra – respondi – A trabalhar numa espécie de tasca, em Peterborough.

- Hum… Queres adivinhar onde nós temos uma residência permanente?

Ponderei por uns instantes. O sorriso traquinas de Emmett fez-me ter um palpite:

- Em Forks?

- Bingo!

- Aww – guinchei – O Edward e a Bella…?!

- Estão juntos – completou – Tal como havias previsto.

- Eu sabia! Eu sabia – cantarolei – Ele está feliz?

- Eles estão felizes – corrigiu.

- Ainda bem. Fico tão feliz.

Eu sabia! Eles sempre pertenceram um ao outro. Claro que tinham de acabar juntos. Era assim que devia ser. A Bella e o Edward, juntos para sempre.

De repente, uma imagem atravessou a minha mente e eu fiz um esgar.

- Emmett? – chamei – E a Rosalie? Hum… Vocês não…?

Ele ergueu uma sobrancelha.

- Não – negou – Obviamente. Amo-te a ti, Clara. Jamais ficaria com a Rosalie – abanou negativamente a cabeça e depois conteve uma gargalhada – Além disso, aconteceu um fenómeno no mínimo hilariante.

- O que?

- A Rosalie… como é que hei-de por isto nos termos correctos? Tornou-se lésbica.

Entalei-me com a minha própria saliva.

- O QUÊ?!

Ele abafou uma gargalhada.

- Uma loba da alcateia do Jacob teve a impressão natural por ela – continuou – E pronto, são… um casal.

Eu fitava Emmett de olhos arregalados a tentar interiorizar a informação. A Rosalie lésbica, com uma loba… ‘Pera aí! A única loba da alcateia era a Leah. Oh meu Deus!

- A Leah e a Rosalie? – verbalizei, incrédula – Oh Deus!

- Sim. É hilariante, eu sei. Mas, pelo menos, ela está feliz. Era o que eu queria.

Estupidamente, desatei a rir à gargalhada. Ok, estava à espera de tudo, menos disto. Um momento depois, a gargalhada ficou presa na minha garganta. No livro nada disto tinha acontecido. Elas conheceram-se e não houve qualquer impressão. Logo, não estava correcto. Neguei com a cabeça. Mas… e se estivesse, realmente, correcto? E se o que não estivesse correcto fosse o Emmett e a Rosalie estarem juntos? E se, na vida real, eu pertencesse mesmo ao Emmett e a Rosalie à Leah? Bem, não me iriam ouvir a reclamar acerca disso. Se este era mesmo o rumo que as coisas tomariam na vida real, tudo bem por mim. Não exigia mais nada.

- Ainda bem para elas – disse por fim – Também fico feliz.

Emmett sorriu e puxou-me para cima dele. Permiti-me beijar-lhe os lábios e pousei a mão na sua face, seguindo os seus contornos com os meus dedos.

- Vais voltar para Forks comigo, não vais?

- Claro – garanti – Mas não quero… voltar humana.

- Mas também não voltas solteira – regateou.

- Tudo bem.

Voltei a pousar a cabeça no seu peito, enquanto ele entoava a mesma música que eu cantei no cinema. Eu sentia que sorria. Não conseguia não sorrir. Estava feliz.

- Clara, amor?

- Hum?

- Olha para mim – pediu.

Obedientemente, ergui a cabeça e fitei os seus olhos dourados. Parecia que brilhavam.

- Senta-te.

Frisei o sobrolho mas fiz-lhe a vontade, sentando-me na cama de pernas cruzadas.

- Não movas um músculo – ordenou, pondo-se também em pé e desaparecendo do quarto, num lapso.

Suspirei impaciente, perguntando-me que raio é que ele estava a tramar. Não precisei de esperar muito para descobrir. Segundos depois, ele estava de volta e trazia consigo um saquinho de pano.

Emmett sentou-se ao pé de mim e pegou no saco, deixando-o pendurado mesmo à minha frente. Era pequeno, de linho e tinha a seguinte frase gravada: “Com carinho, C. M.”

- Catherine McCarthy, era a minha avó – informou.

Olhei-o sem compreender.

- Os meus pais morreram quando eu era muito pequeno… Nem me lembro deles, para dizer a verdade – divagou – Foi a minha avó paterna que me criou. Desde a morte dos meus pais que ela sempre me obrigou a carregar este saquinho comigo para todo o lado. Só me disse que lá dentro tinha a sua aliança de casamento e acrescentou: “Só podes entrega-la à mulher que te roubar o coração. E tens de ter mesmo a certeza que é ela é a tal, Emmett. Se não, perde a magia.”

Ele soltou uma leve gargalhada. Parecia perdido nos seus pensamentos pelo que tinha medo de o interromper.

- Nunca a dei à Rosalie – retorquiu, tirando a jóia do saco – Agora estou a dá-la a ti.

O meu coração acelerou.

- Pertence-te. Portanto, num sentido mais figurativo, estou a dar-te o meu coração – murmurou, pegando na minha mão esquerda – Soa um bocado lamechas, eu sei. Mas é verdade – hesitou e respirou fundo – Clara, és capaz de carregar contigo, no teu dedo, o peso do meu coração? Para a eternidade?

Não conseguia falar, pois tinha a respiração toda trocada. Os meus olhos encheram-se de lágrimas e acenei freneticamente com a cabeça.

Emmett abafou uma gargalhada e enfiou o anel no meu dedo anelar, junto com o da barraca, à medida que proferia os seus votos:

- Clara… Após, inúmeros séculos de espera, encontrei-te. Saberia, em qualquer parte do mundo, que és tu a única que pode receber o meu coração. E sabes porque? Porque és parte de mim. Porque, mesmo estando longe de imaginar que as coisas chegariam a este ponto, no dia que te vi soube que eras tu. Soube-o mas infelizmente não tive oportunidade de o perceber. Destino ou não, acabei por perceber. Percebi que és a metade que me falta e que quero ficar contigo para sempre. Por isso, eu, Emmett McCarthy Cullen, prometo amar-te em todos os momentos da eternidade.

Quando acabou de falar, o anel já estava colocado no meu dedo. Felizmente, assentava que nem uma luva.

Hum… era de mim ou eu estava a casar?

Como se me lesse a mente, Emmett retirou outra aliança – de homem – do saquinho da sua avó.

- Esta já não é herdada – disse, com uma gargalhada – Foi o melhor que arranjei.

Passou-me o anel para a mão. Reparei que tremia que nem varas verdes. Respirei fundo e obriguei-me a acalmar.

- Emmett McCarthy Cullen, é com toda a minha alma que recebo o teu coração. Sabendo, incontestavelmente, que o meu sempre te pertenceu. Percebo exactamente o que queres dizer pois és, sem qualquer sombra de dúvida, a razão da minha existência. Se, no passado, eu tive qualquer dúvida em relação a isso, agora não tenho. Não posso viver num mundo onde tu não existas. Amo-te e prometo amar-te para sempre, Emmett Cullen.

Quando acabei os meus votos, coloquei também a aliança no seu dedo anelar. Ele beijou-me a minha e depois os meus lábios. Para não variar, as lágrimas rasgavam o meu rosto.

- Estamos casados? – questionei sabendo que sim.

- Uma coisa assim, senhorita Cullen.

O meu estômago contorceu-se.

- Agora és minha – sussurrou, com a voz rouca de emoção – Para sempre.

Abanei negativamente a cabeça.

- Ainda não – discordei – Falta uma coisa.

Emmett suspirou e eu afastei o meu cabelo de um lado do pescoço.

- Sabes que não tenho de te morder exactamente no pescoço, não sabes? – resmungou.

- Sei! Mas é mais… sexy.

Ele revirou os olhos e eu coloquei a minha expressão mais determinada.

- Queres mesmo fazer isso? Tornar-te uma de nós?

- Quero ser tua para sempre. Literalmente.

- E abdicarias mesmo da tua alma por mim?

Quase sorri.

- Emmett, ela já te pertence. Levaste-a contigo no ano passado. Duvido que o inferno seja pior do que o que eu vivi – hesitei – Além disso, não acredito nisso. É impossível seres como vocês terem perdido a vossa alma. No entanto, escusamos de descobrir quem tem razão. E, mesmo que seja isso que me espera… Não quero saber. Já estou condenada.

Ele acenou com a cabeça, cedendo.

- Vais sofrer durante dois ou três dias. Vais desejar morrer.

- Já desejei morrer quando não te tinha e aqui estou eu.

- Posso-te matar – refutou.

- Não o farás – garanti – Confio em ti.

Emmett suspirou e beijou-me levemente os lábios. Quando me afastou, parecia decidido.

- Para sempre?

- Para sempre – concordei – É essa a ideia.

Ele beijou-me a testa e, em seguida, novamente, os lábios.

- Fecha os olhos – sussurrou.

Assim o fiz. Fechei os meus olhos.

Antes de qualquer coisa, ouvi-o sussurrar que me amava. Não tive tempo de lhe responder que também o amava, pois no momento seguinte, a única coisa que senti foi a sua boca no meu pescoço e a minha garganta a rasgar.

publicado por Twihistorias às 18:00

14
Jan 11

  

  

Capitulo 53
Decisão

 

Com as mãos a tremer, peguei os três envelopes.

Parte de mim – a parte cobarde – dizia-me que não queria ler o que aquelas cartas diziam. A outra parte – a parte corajosa – dizia-me que não tinha nada a perder. Após uma árdua batalha interior, a parte corajosa acabou por vencer e decidi começar pela carta que mais facilmente suportaria. Sendo assim, peguei no envelope que dizia “Edward”.

Abri-o a medo e numa caligrafia perfeita, podia ler-se:

 

 

“Lamento imenso, Clara.
Lamento mesmo por tudo.
Se soubesses o quão desejei ser eu no lugar da tua mãe. Se soubesses o quão me mata o facto de saber que te temos de deixar a sofrer. Se soubesses o que eu faria para que um dia tu acordasses e percebesses que tudo não passara de um sonho. Se apenas soubesses…
Lamento tudo ao que te sujeitamos e espero que sejas capaz de nos perdoar.
De me perdoar, porque se formos a ver bem, a culpa é toda minha. Eu sou o culpado de tudo o que aconteceu… Se eu não me tivesse aproximado demasiado de ti… Se não me tivesse envolvido contigo… Nada disto tinha acontecido! És capaz de me perdoar?
Por favor, pode parecer absurdo mas preciso de te pedir uma coisa. Considera-o o meu último pedido: preciso que confies em mim quando te digo que tens de confiar no Emmett. Ele fez-te uma promessa e jamais se esquecerá de a cumprir.
Mais uma vez, lamento mesmo.
E confia no Emmett! Ele ama-te mesmo. Tanto como eu te amo. Talvez até mais – mas não sei se isso é possível.

Edward.”



   

Senti-me zangada.

Eu não o culpava por nada. Não culpava nenhum deles. Irritava-me profundamente a mania que o Edward tinha de assumir todas as culpas. Sabia que era a sua natureza mas não deixava de me deixar irritada. Ainda por cima, eu sabia. Sabia tudo o que ele queria que eu soubesse… Sabia que ele daria a sua vida pela da minha mãe. Sabia que o facto de eu sofrer o matava aos bocadinhos. Sabia que ele desejava nunca ter feito parte da minha vida. Sabia que ele me amava. E sabia que podia confiar no Emmett.

Sabia? Quer dizer, ele fez uma promessa. Uma promessa impossível de cumprir. Uma promessa que ele quebrou no momento em que a fez.

Com os meus olhos a arder, coloquei o papel que tinha na mão de lado e peguei no envelope de Alice:

 

"Clara, lamento tanto! Tanto! Tanto!
Lamento ter-te falhado e não ter visto o inevitável um pouco mais cedo… Peço-te que me desculpes, embora saiba que vais dizer que não tens nada para desculpar porque não me atribuís qualquer culpa - nem a mim, nem aos outros.
E também lamento não poder escrever mais mas o Carlisle está a apressar-nos – já que estamos a escrever estas pseudo-cartas sem o conhecimento dos Volturi. Por isso, muito resumidamente, quero dizer-te quatro coisas:
1. Que és a minha melhor amiga e que te amo incondicionalmente.
2. Que nunca te vou deixar. A sério, nunca, nunca te vou abandonar. Vou estar sempre contigo… mesmo quando não me conseguires ver.
3. Peço-te que não faças nenhum disparate. Do género: que não te tentes matar, entregar aos Volturi ou fugir, ok?
4. E que confies no Emmett. Porque ele também nunca te vai deixar e o seu plano é capaz de funcionar.
Pronto, tenho de ir.
Amo-te muito e nunca que esqueças dessas quatro coisas! Ah! E não penses que me esqueci que, no futuro, vamos andar as quatro às compras (eu, tu, a Rose e a Bella). Por falar nisso, a Rosalie manda-te as suas condolências.
Confia em nós, está bem? Confia no Emmett.

Com amor,

Alice."



     Agora, as lágrimas já rasgavam o meu rosto. Sentia tanto a falta da Alice. De todos deles. Mas precisava tanto da minha melhor amiga. E, estava confusa. Que raio de plano é que a Alice estava a falar? Quer a Alice, quer o Edward me pediram que confiasse no Emmett… Teria alguma coisa a ver com o tal plano?

O meu coração acelerou.

Só havia uma maneira de saber.

Com o coração aos saltos e a tremer ainda mais, peguei no último envelope. No envelope de Emmett.

Mal li a primeira linha, desatei a chorar compulsivamente.

 

“Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te.
Perdoa-me. Perdoa-me, Clara, por tudo isto. Por tudo ao que te sujeitamos.
Sei que agora já é tarde para lamentações, mas mesmo assim não deixo de lamentar profundamente.
Tudo o que eu queria neste momento era estar abraçado a ti. Consegues sentir-me nos teus braços? Tudo o que eu te queria dizer é que te amo e para não teres medo. Não tenhas medo pois, tal como prometi, não é o fim. Não acabou. Jamais te vou deixar.
Confia em mim. Confia em mim quando te prometo que te venho buscar.
Portanto, presta atenção: daqui a exactamente três meses (no dia 19 de Dezembro – para o caso de não perceberes) venho-te buscar. Porquê daqui a três meses? Isso tem a ver com as visões da Alice, depois explico-te. O que interessa é que dentro de três meses vou estar à tua espera.
Onde? Tu sabes onde.
Confia em mim.

Amo-te e vou amar-te para sempre, meu frágil saco de batatas.

Sempre teu,

Emmett.”



Não consegui evitar sorrir na parte do “saco de batatas”.

Pousei o papel encharcado de lágrimas ao meu lado, agarrei os joelhos e chorei.

Onde é que, algum dia, eu imaginei que isto fosse acontecer? Se eu tivesse lido aquelas cartas na devida altura, não teria fugido como a Alice me pediu e, possivelmente, a esta hora, estaria com o Emmett.

- Burra! Burra! Burra! – insultei-me a mim mesma.

Agora respirar tornava-se um problema. A minha respiração estava descontrolada e as lágrimas inundavam-me a cara.

Fiz a maior asneira da minha vida. Graças à minha cobardia, perdera Emmett para sempre.

“É para aprenderes a não ser fraca!”

Fraca. Sim, fui fraca. Fraca e cobarde. Mas, afinal, não sou perfeita. Jamais poderia imaginar que eles tinham um plano. Devia ter aberto aqueles envelopes mal os vi, mas não o fiz e agora era tarde demais. Era tarde demais para quais quer lamentações. Tinha perdido o Emmett e era o fim.

 

*Flash-back*

“ Isto não é uma despedida. Não é o fim.”
“ Prometes?”
“ Prometo. Não acabou.”
“Como podes saber?”
“ Sei-o, simplesmente” – sussurrou – “És o meu destino.”

*Fim do Flash-back*




Levantei-me abruptamente e dirigi-me à casa de banho. Liguei a água e lavei a cara com a água bem gelada. Ergui o olhar e deparei-me, novamente, com o meu reflexo.

A realidade atingiu-me.

Não me reconhecia. Não reconhecia a imagem que o espelho reflectia. Não a reconhecia porque aquela não era eu. Eu não era este ser fraco e cobarde. Nunca fui desistente. Sempre fui lutadora e determinada. Não sabia o que se passava comigo. Não sabia como me tornara assim. Aquela não era eu e eu não podia deixar que o lado fraco ganhasse.

- Portanto, o que é que te mantém aqui? – perguntei à minha imagem no espelho.

Durante todo este tempo fechei-me em copas e vivi dentro de mim mesma. Agora que me apercebi que não tinha mesmo nada a perder, para que desistir? Porque não tentar?

Eu sabia que ele ainda estava aí. A algures.

A procurar-me.

À minha espera.

A sofrer.

A amar-me.

Por isso, porque não procura-lo?

“Não podes! É de loucos!” – resmungou a vozinha cobarde na minha cabeça.

Era verdade: é de loucos. Podia nunca o encontrar. Podia até acabar morta pelos Volturi.
Mas também é verdade que todos somos um pouco loucos. Todos tempos o nosso lado insano.

Uma vez, quando eu era pequena, jurei a pés juntos que, enquanto dormia, uma aranha me tentara matar. A minha mãe dissera que tinha sido tudo fruto da minha imaginação e eu questionei-lhe se seria louca. Ao que ela respondeu: “Talvez. Creio que estejas. Aliás: que sejas. Doida varrida! Completamente louca! Mas sabes uma coisa? Todas as melhores pessoas o são.”

Sorri ao recorda-la. Sentia tanto a sua falta. Sabia que se ela estivesse aqui me obrigaria a escolher. Apenas me debatia num impasse: arriscar ou não arriscar?

Porque não arriscar? Qualquer que fosse o desfecho final, eu já não tinha medo. O medo está apenas na nossa cabeça, a atrasar todos os nossos passos e a roubar-nos tempo, mas podemos expulsa-lo e seguir o coração.

Eu sabia que podia extinguir a dor… Bastava tomar uma decisão.

“Então, estás à espera de quê?” – inquiriu a vozinha corajosa.

Acenei a mim mesma e consegui, após tanto tempo, ver um rubor nas minhas faces.

 

 

* * *

- Estás-te a despedir? – questionou Lindsey, meia chocada.

Pelo seu tom de voz parecia que era a última coisa que queria que acontecesse.

- Uma coisa assim – retorqui com um sorriso.

- Porque? – interrogou Harry – Estás farta de nós?

Sabia que ele estava a brincar.

- Claro que não! Apenas chegou a altura de tomar algumas decisões.

Eles assentiram, absortos. Lindsey deu-me a mão.

- Vamos sentir a tua falta, Clara – afirmou.

- Eu também vou sentir a vossa, de verdade – confessei – Vocês foram a coisa mais próxima que tive de uma família nestes meses.

Ela abraçou-me e os meus olhos encheram-se de lágrimas. Ela lembrava-me mesmo a Esme…

- Podes voltar quando quiseres – prometeu Harry – Vais ter sempre o teu lugar aqui. Quer no trabalho, quer na família.

Pela primeira vez, percebi que também ele se parecia com Carlisle.

Sorri-lhe, com a vista desfocada.

- Obrigada – agradeci do fundo o coração. A minha voz tremia – Por tudo.

Harry deu-me uma palmadinha no ombro e a Lindsey voltou a agarrar-me as mãos. Vi que nos seus olhos também estavam lágrimas – embora os de Harry não fossem tão visíveis.

Despedi-me a agradeci mais uma vez. Pousei o meu avental e preparei-me para sair.

- Clara – chamou Lindsey com a voz a explodir de sentimentos – Para onde vais?

- Para Portugal – respondi com um suspiro – Para casa.

 

Capítulo 54
Reencontros


Oito horas depois estava a abrir a porta da minha casa.

Fui percorrida por um arrepio.

Estava tudo escuro, calmo e vazio. E, acreditem ou não, ainda era perceptível o cheiro a sangue. Sangue morto.

Quase pude rever o cadáver da minha mãe no chão da cozinha.

Repeli tal pensamento e subi para o meu quarto. Estava tal e qual como o havia deixado – com a diferença que havia pó a voar por todos os lados. Abria rapidamente a janela pois já começava a espirrar. De seguida, fiz o mesmo com as restantes janelas da casa, exceptuando as do quarto da minha mãe. Não queria lá entrar, pelo que me limitei a trancar a porta à chave.

Resolvi pegar no aspirador, no pano do pó e na esfregona e dar uma limpeza geral à casa.

Liguei o leitor de CDs empoeirado e coloquei AC/DC a tocar.

Duas horas depois, quando estava quase a acabar, a campainha tocou. Saltei sobressaltada. Quem quer que fosse, sabia que eu estava em casa e que estava de volta pois não podia ser mais ninguém. Voltei para o andar debaixo e, a medo, abri a porta. Assim que o fiz, fiquei de queixo caído por ver dois dos rostos que vi. Quando vi o terceiro, o meu lábio inferior tremeu.

- Clara! – exclamou a Jessica, abraçando-me – És mesmo tu!

- Onde estiveste este tempo todo? – questionou a Marina.

Afastei a Jess.

- Olá – cumprimentei com a voz rouca.

Desviei o olhar para o meu melhor amigo e a sua expressão demonstrava mágoa.

- André – gemi.

Ele soltou um suspiro e abraçou-me. Abracei-o também, com todas as forças que consegui reunir e solucei.

- Céus, pensava que estavas morta – sussurrou-me.

Não respondi.

Passados uns minutos, larguei-o. Ele acariciou-me a face.

- Tu desapareceste – entreviu a Marina – O que se passou?

- Não interessa – respondi secamente.

A Jessica fez um esgar.

- Estás bem, não estás?

- Vou ficar – garanti.

O André semi-cerrou os olhos na minha direcção. Podia ler-lhe no olhar algo como “estás a esconder qualquer coisa!”. Baixei os olhos para os pés.

- Precisas de alguma coisa? – perguntou a Jessica.

- Preciso – repliquei – Preciso que se vão embora.

Elas abriram a boca, formando um “o” perfeito. A desilusão atravessou o olhar do meu melhor amigo.

- Menos tu, André – acrescentei.

Ele quase sorriu.

A Marina ergueu um sobrolho.

- Porque é que queres que nos vamos embora?

Revirei os olhos.

Esta gente não se mancava! Delas queria eu distância. Podia já ter passado um ano mas nem que passassem mil, eu jamais esqueceria o que elas me fizeram.

- Não nos perdoas – murmurou a Jessica, subitamente iluminada.

Cerrei o maxilar.

- Posso perdoar – disse, encolhendo os ombros – Mas não vou esquecer. Não somos amigas e nunca voltaremos a ser.

Ela assentiu. A Marina imitou-a e, segundos depois, saíram deixando-me apenas com o meu melhor amigo. Agarrei-lhe a mão e encaminhei-o para a sala. Sentei-me no sofá e, hesitante, decidi que lhe devia um pedido de desculpas.

- Lamento, André. Desculpa ter partido sem dizer nada. Mas… não podia.

Ele colocou a sua mão sobre o meu joelho.

- O que aconteceu?

- É… complicado.

- Sempre foste complicada – gracejou – E alguma vez me ouviste reclamar?

Neguei com um sorriso.

- Não ias acreditar se te contasse – refutei.

- Tenta.

- Vais achar-me louca – insisti.

- Todas as boas pessoas o são.

Estremeci.

- A minha mãe está morta – segredei, desviando o olhar do seu.

Ele conteve a respiração por um segundo, depois expirou calmamente.

- Como estás?

Fiquei surpreendida.

- Sobrevivo.

- Menos mal… Continua – pediu.

- Foi assassinada – contei – Brutalmente assassinada.

- Como?

- Esta é a parte louca – avisei. Respirei fundo e resolvi optar por algo parecido com a verdade – Por algo… não humano.

Longo silêncio.

- Não humano? – ecoou – Como… como demónios?

- Sempre disse que vias Sobrenatural a mais – reclamei – Não é bem isso.

Ele abafou uma gargalhada.

- Lembraste dos Cullen? – inquiri hesitante.

- Eles mataram a tua mãe?!

- Não – exclamei - Claro que não!

Ele acenou com a cabeça.

- Nunca reparaste em nada… fora do vulgar neles?

Ele ponderou por uns instantes.

- Acho que toda a gente reparou – disse por fim – Eram todos exageradamente belos. Ambos tinham uma cor de olhos fora do vulgar… dourados? Ham… eram todos incrivelmente pálidos… mais que tu! Ham – ele fez uma pausa e examinou o meu olhar – Eles não são… humanos?

Engoli a seco e uma imagem atravessou a minha mente. Volturi.

Eu não podia sujeitar o André a isso. Não podia contar-lhe a verdade pois se eles descobrissem… matá-lo-iam. Não podia correr esse risco. Já perdera a minha mãe.

- Claro que são, André – menti – De onde veio isso? Ham, esquece eu sou doida! Não sei quem matou a minha mãe e fiz demasiados filmes na minha cabeça.

- Estás a mentir – acusou – Clara, o que quer que seja podes-me contar.

Infelizmente, não podia.

- André, não é nada – assegurei – És tua ver demasiado Sobrenatural e eu a ver demasiada Buffy.

Ele riu-se. “Sobrenatural” era a sua série favorita e “Buffy, the vampire slayer” a minha, logo fazia sentido.

De repente, o seu sorriso cessou e a compreensão iluminou-lhe o rosto. Arregalei os olhos antecipando o pior. Ele era tudo menos burro. O meu medo era que ele tivesse associado três palavras: Buffy – vampiros; vampiros – Cullen.

Abanei ligeiramente a cabeça, recompondo-me e o André passou a mão no meu cabelo encaracolado.

- Percebido – retorquiu.

- Hã?!

Ok, o meu guincho podia ter sido mais discreto.

- Já percebi – explicou – Eu sei o que eles são.

O meu coração acelerou.

‘Boa, Clara! Só fazes asneiras!’ 

- Não te preocupes, o teu segredo está salvo comigo – prometeu.

Assenti, derrotada e abracei-o.

Na hora que se seguiu, contei-lhe (quase) tudo a respeito deste último ano. Ele ficou surpreso quando soube que tinha estado em Inglaterra até então. Perguntou-me o que tinha acontecido aos Cullen ao que eu respondi, sinceramente, que não fazia ideia. Perguntou-me se ainda amava o Emmett, apesar de obviamente saber a resposta. Mais rápido do que o que devia, teve de ir embora. Despedi-me dele do modo exagerado, como se nunca mais o fosse ver. No entanto, alguma coisa em mim dizia-me que não estava longe da verdade.

- André, se algum dia eu tornar a desaparecer… não te preocupes. Vou estar bem.

O “estar bem” podia ter dois significados distintos – embora se resumissem à mesma palavra: “morta” para o bem – morta para a eternidade; ou “morta” para o mal – morta mesmo morta. Claro que, ele não tinha de saber nada acerca do assunto.

- És o meu melhor amigo para sempre, ok?

- Também és a minha melhor amiga para sempre, Clara.

Reprimindo as lágrimas, expulsei-o rapidamente.

E estava novamente sozinha.

- Muito bem, Clara… E agora?

Agora tinha duas hipóteses: a) ficava em casa a ganhar raízes ou b) ia à procura de algum sinal do paradeiro dos Cullen. Do paradeiro de Emmett…

Vendo bem, como é que eu o ia encontrar? Tinha desperdiçado a oportunidade de o reencontrar quando ele estava à minha espera. A sua afirmação inquietava-me. Eu sabia onde ele me ia esperar? Como? Onde? Como é que ele pretendia que eu adivinhasse? Talvez tenha

 deixado alguma pista… Talvez…

E compreendi.

Saí calmamente de casa, traçando mentalmente o caminho até ao sítio que eu pensara ser o local onde ele me esperava. No passado. Há 9 meses atrás.

Quanto mais depressa me encontrava do local, mais tinha a certeza que era ali.

Caminhei e sorri. Sorri com a lembrança que a minha mente me proporcionara.

publicado por Twihistorias às 18:00

03
Jan 11

 

Capitulo 52
Hope

 

*EMMETT POV*

 

Não sei porque continuo com medo, mesmo que ela não fosse real eu tinha de a fazer tornar-se real, porque sem ela… Pff! Sem ela o que sou eu? Quem me dera poder voar até ela, poder provar-lhe que o meu amor é verdadeiro e profundo… como o mar. Mas agora… agora tudo o que eu quero é errado.

Uma lembrança atravessou a minha mente e percebi que um sorriso triste assombrou o meu rosto. Lembrei-me da primeira vez que a conheci: quando ela desmaiou à porta da escola. Achei-lhe demasiada piada logo nesse momento e ainda mais quando ela se dirigiu a mim para me agradecer. Bem tinha a Rosalie razão para sentir ciúmes – que eu julgava serem absurdos. No fim de contas, não eram.

- Olá, Emmett!

A voz de Bella soou atrás de mim. Ia limitar-me a acenar com a cabeça, como sempre fazia, mas a sua voz parecia irritada e isso despertou em mim uma certa curiosidade. Ergui o olhar e, quando a fitei, não consegui conter a gargalhada que libertei. Ela agarrava cuidadosamente uma mão, ao mesmo tempo que a mantinha encostada a um pano com gelo; Edward agarrava-lhe firmemente a cintura, como se temesse que ela tropeçasse e se partisse no chão – não era algo impossível de acontecer.

“- Caíste outra vez, Bella?” – zombei.

- “Não, Emmett. Dei um murro na cara de um lobisomem” – resmungou.

Fiquei a olhar para ela por uma milésima de segundo, a tentar perceber se estava a gozar comigo, quando percebi que falava a sério, voltei a soltar uma gargalhada. Ela revirou os olhos e Edward escondeu um sorriso, à medida que a conduzia para o escritório do Carlisle.

- Pelo menos consegues faze-lo rir – sussurrou Edward à namorada.

Rir… Sabia bem rir. Só lamentava que não conseguisse rir como antigamente.

Suspirei.

Eu tentava. Tentava continuar a ser o mesmo Emmett de sempre e estava secretamente agradecido à Bella pois era a única que ainda me conseguia arrancar uma gargalhada. E não lhe estava agradecido só por isso. O Edward estava, finalmente, feliz com ela – tal como… ela havia planeado. Quem não estava muito feliz com a situação era o ex-namorado e lobisomem da Bella, Jacob Black. Deve ter sido a ele que a Bells mandou um murro… um murro muito mal dado. Tinha de ver se lhe ensinava alguma coisa. Bem, o Jacob não queria desistir dela e, ao que parece, declarou guerra a Edward. Enfim...

- Amo-te – ouvi Alice declarar a Jasper, no andar de cima.

Se fosse humano, o meu coração teria apertado nesse instante.

 

*Flashback*

“Emmett, por favor, não me deixes. Eu preciso de ti. Eu amo-te”

“Amo-te e isso nunca vai mudar. Eu nunca vou mudar. Não posso mudar!”

“Emmett, quando eu olho para o futuro… tudo que eu vejo és tu…
Tudo o que eu quero és tu.”

*Fim do Flashback*



     Se fosse humano, estaria a chorar.

Como é que eu aguentava? Como é que eu aguentava viver uma “vida” sem ela? Dava tudo para poder ir atrás dela agora. Mas não podia. A Alice não a conseguia ver. Nunca mais a conseguiu ver desde aquele dia e ela desapareceu. Não tínhamos como contacta-la. Ela evitava mexer no cartão de crédito e quando o fazia nunca deixava pistas - e não me perguntem como é que ela aprendeu a fazer isso.

Talvez não queira ser encontrada… Nem por mim. Talvez… já estivesse feliz. Sem mim. A viver uma vida normal. Não! Eu sabia que tal não era possível. Sabia que ela me amava e que continuava a sofrer. Sabia pois era capaz de o sentir. De sentir a dor dela dentro de mim.

Já vos disse o quanto a dor é dolorosa para um imortal? Mais para que um humano. Um ser humano, por muito que sofra, consegue sempre ter algumas horas de descanso, pelo menos, enquanto dorme. Será que se eu fosse humano, conseguiria ter essa paz?

Senti uma mão no meu ombro. Já sabia que Edward se encontrava atrás de mim, mas ignorei tal facto na esperança que ele me ignorasse a mim.

- Pára de pensar nisso, Emm – pediu – Sinto-me impotente.

- Também eu.

- Quem em dera que a pudéssemos encontrar...

- Para que? – interrompi, erguendo a cabeça na sua direcção – Quem sabe se ela não está melhor assim? Já a fizemos perder a mãe, Edward. Não a posso sujeitar a mais nada.

- Tu prometeste-lhe – relembrou, pacientemente – Prometeste-lhe que não tinha acabado.

- Eu sei – ou foi imaginação minha ou podia jurar que gemera – Mas, neste momento, é uma promessa que não posso cumprir. E não só por não saber dela… Ela… ela não estava lá à minha espera.

- Emmett, isso pode ter várias explicações.

- Tais como? Ela não esperou por mim, Edward.

- Ela ama-te, Emmett.

- Eu sei…

- A Alice irá vê-la – assegurou – Mais cedo ou mais tarde.

Planeei protestar mas a voz de Bella – que até então estava caladinha no seu canto – antecipou-se:

- E quando isso acontecer, vais atrás dela.

Quase sorri.

- E és tu que me vais obrigar? – inquiri, também quase divertido.

- Não me subestimes – retorquiu.

Edward abafou uma gargalhada e eu fiz-lhe coro. Bella pôs a mão no meu ombro – onde à segundos atrás estava a do Edward.

- Obrigada, cunhadinha – agradeci sinceramente. Por tudo.

Ela pôs-me a língua de fora e o seu hálito chegou a mim. Tornava-se difícil alhear-me do seu cheiro, visto que já não caçava há alguns dias. Edward sorriu-me.

- Realmente, já estas com cara de quem precisa de uma boa caça ao urso – comentou.

- Podes ir com ele – sugeriu a Bella.

- Ou posso ir eu – ofereceu-se Rosalie, entrando na sala.

Sorri-lhe agradecido.

Nunca cheguei a voltar para a Rosalie, algo com que o Jasper secretamente contava. Ela tentou “reconquistar-me” mas não lhe valeu de nada. Acabou forçosamente por desistir já que se deu o fenómeno mais intrigante das últimas décadas. Um dia, na caça, Rosalie cruzou-se com a alcateia de Jacob e, em vez de acontecer o que seria de esperar - dado o ódio que a Rose tinha pelos “rafeiros” - , o mais cómico acontecimento aconteceu: a única loba da alcateia, a Leah, teve a sua impressão natural pela Rosalie – impressão natural é uma espécie de amor e devoção à primeira vista, e é para sempre – e pronto… elas formam um casal. Foi uma coisa que eu nunca imaginei durante as décadas que passei com a Rosalie: vê-la com uma mulher. No entanto, ela estava feliz e isso deixava-me também feliz. Agora, a minha relação com a Rose era exactamente como com a Alice: amor de irmãos e nada mais. Era tudo, no mínimo, engraçado, eu sei.

- EMMEEEEEEEEEEEEEEEET – gritou Alice, voando pelas escadas abaixo.

Pelo canto do olho vi Edward ficar mais alerta. Olhei na sua direcção e ele sorria para a Alice. Ela também sorria, enquanto em agarrava os ombros.

- Eu vi-a! Eu vi-a! Eu vi-a! – cantarolou, com os olhos a brilhar – Finalmente! Eu vi a minha amiga!

Congelei, de olhos arregalados, a fitar a cara de felicidade da minha irmã.

- Ela não nunca chegou a ler as nossas cartas – informou com pressa – E algo a fez decidir ler agora. Hoje. Não sei o que, só sei que a consegui ver! Depois de tanto tempo!

Alice abraçou-me e eu continuava imóvel. Ela apercebeu-se do meu estado e afastou-se com um sobrolho erguido. Rosalie, Edward e Bella soltaram uma gargalhada de excitação.

- Emmett? – Alice abanava-me ligeiramente – Emmett!

Não lhe conseguia responder. Na minha mente só a conseguia ver. Só conseguia ver a minha Clara. Tal como Edward havia dito: várias explicações.

- Oh que caraças – reclamou Alice, dando-me um murro no queixo em seguida.

- HEY! – refilei.

Ela sorriu-me vitoriosa e eu agarrei-a num forte abraço e rodopiei com ela.

- Estás a sorrir – observou – Finalmente.

Pousei-a no chão e limitei-me a sorrir. Acho que era a primeira vez, num ano, que sorria a sério.

- Achas que deva? – questionei à minha irmã.

- Dah! Claro que sim – respondeu prontamente – Anda lá, maninho!

- Achas que…

Edward não me deixou acabar a frase, respondendo ao meu pensamento:

- Tenho a certeza.

Assenti e, mais uma vez, sorri esperançoso.

publicado por Twihistorias às 18:00

27
Dez 10

 

Capítulo 51
Pain

 

Hoje faz exactamente um ano desde… aquele dia. Um ano desde a morte da minha mãe. E, sensivelmente, um ano desde que fugi da minha cidade – do meu país, para ser exacta – após deixar tudo “organizado” por lá.

Naquele dia, não tive de me preocupar com… o cadáver da minha mãe. Aliás, nem a voltara a ver depois da Rosalie me levar para a rua. Eles pouparam-me esse trabalho, dor e estômago. Carlisle deixara-me um recado onde dizia que tinha tratado do corpo e que eu não tinha de me preocupar com o seu suposto desaparecimento do trabalho e assim, pois já tratara de tudo e estava tudo resolvido. Não sei o que ele fez mas fiquei-lhe eternamente agradecida, não tinha como me desembaraçar dessa situação sozinha. No bilhete dizia também que fez uma treta qualquer para que retirassem ao fim do mês, da conta dele, o dinheiro para as contas da casa. Não gostei nada que o tivesse feito pois me fazia sentir como uma mendiga. E, ainda foi pior quando, mensalmente me aparecia – e aparece – uma quantia exageradamente enorme de dinheiro no cartão de crédito. Apesar de não achar grande piada, fiquei-lhe também duplamente agradecida porque foi esse dinheiro que me possibilitou sair de Portugal quando completei 18 anos. Agora evitava tocar no seu dinheiro.

Arranjei um trabalho em Peterborough, uma pequena cidade em Inglaterra, como empregada num bar/restaurante chamado Peter’s – muito original, sem dúvida. Apesar de não ganhar muito, chegava-me para pagar as contas e a alimentação. Claro que, às vezes, o círculo apertava e eu tinha de recorrer ao dinheiro do Carlisle. Pensei que, após 12 meses de depósitos extravagantes, já devia estar rica.

Nada mais aconteceu desde há um ano para cá. Depois do bilhete de Carlisle e das cartas que Alice, Edward e… Emmett me deixaram – e que eu nunca cheguei a ler – nunca mais ouvi falar dos Cullen. Pronunciar o nome dele, mesmo mentalmente, provoca em mim dor física. Ainda. Senti os meus olhos a arder mas reprimi as lágrimas de imediato. Não ia chorar. Já não chorava desde daquele dia… e não ia chorar agora, apesar de ser inevitável relembrar tudo o que canalizei desde daquele dia. Além disso, estava no meu local de trabalho e o Harry – o meu patrão – matava-me caso não fosse competente. Estava a exagerar. O Harry é porreiro. E cá estou eu: no Peter’s, a fazer o meu turno, a andar de um lado para o outro com uma bandeja, a atender pedidos, a distribuir comida gordurosa e bebidas alcoólicas e a ser constantemente apalpada e assediada. Era algo ao qual tivera de me habituar pois nem valia a pena reagir. Sempre que Harry presenciava cenas menos próprias partia em minha defesa, embora não pudesse fazer grande coisa pois necessitava dos clientes. Harry tinha sensivelmente 35 anos e era muito amável. Assim como a sua mulher Lindsey, que volta e meia nos vinha ajudar com o bar. Era muito simpática e prestável comigo. Acho que ela nutria por mim uma espécie de obrigação maternal. Ficara bastante comovida com a história da morte da minha mãe – algo que eu tive de confessar, para conseguir o emprego, para eles a minha mãe morrera num acidente de carro e eu ficara sozinha no mundo – e desde aí que Lindsey se sentia de certa forma… responsável por mim. Estava sempre a convidar-me para ir jantar a sua casa, apesar de eu recusar sempre – não queria ter quaisquer laços afectivos com alguém.

Nesse momento, saltei com uma palmada no rabo de um trolha qualquer. Ouvi-o a rir-se com os amigos e virei-me na sua direcção.

- Desejam mais alguma coisa? – perguntei, esforçando-me por manter um sorriso e abafando o desejo de lhe dar um murro.

- Desejávamos saber quanto levas por um servicinho extra depois do teu turno – respondeu o careca tatuado.

Todos se riram como se fossem os maiores e eu fiz um esgar.

- Vocês deviam aprender a tratar uma mulher – repreendeu Lindsey, surgindo em minha defesa.

- Não quero faltas de respeito no meu bar – advertiu Harry.

Os homens asquerosos resmungaram entre si.

- Está tudo bem – garanti aos meus patrões.

Lindsey agarrou-me o braço e afastou-me um pouco da mesa.

- Faz uma pausa, Clara – propôs – Pareces cansada. E estás com cara de quem já se alimentava.

- Não tenho fome – encolhi os ombros – E não estou cansada. Mas obrigada.

- Não é uma sugestão – Lindsey sorriu.

- É uma ordem – concluiu Harry, juntando-se a nós.

Suspirei. Menti. Estava cansada. Cansadíssima. Mas enquanto trabalhava conseguia canalizar pensamentos desagradáveis e o tempo passava mais rapidamente.

- Obrigada – agradeci, debilmente – Volto dentro de uma hora.

- Não precisas de voltar. Tira o resto do dia… e noite.

- Mas Harry…

- Vai para casa e descansa, Clara – interrompeu-me a Lindsey – Nós tratamos disto.

- Tudo bem – cedi. Não valia a pena insistir – Obrigada, mais uma vez.

- De nada, querida – murmurou Lindsey, afagando-me o braço.

Sorri-lhes verdadeiramente agradecida e fui até à casa de banho despir a farda. Pensei em como, de vez em quando, Lindsey se parecia com Esme. Estremeci e afastei esse pensamento.

Vesti-me rapidamente e dirigi-me à saída. Cruzei-me com a Amy – uma das minhas colegas – na saída.

- Já vais sair? – questionou curiosa.

- Já. Deram-me folga – expliquei.

- Hum… Estás mesmo com cara de quem precisa de um bom par de horas de sono – observou – Se logo estiveres mais espevitada podes vir sair comigo e com os meus amigos…

- Obrigada, Amy, mas acho que vou ficar por casa.

Ela fitou-me por um longo momento.

- Clara – a sua voz soava preocupada – Conheço-te à 9 meses, nunca te vi um amigo, nunca te vi sair… Não percebo. Fisicamente, não pareces saudável. Estás mais pálida que qualquer um de nós, as tuas olheiras chegam aos pés… Quer dizer… eu não percebo. Fico preocupada, sabes? Não deixas ninguém aproximar-se demasiado de ti. Nem fisicamente – hesitou – Devias ver a maneira como te encolhes quando alguém te tenta alcançar ou tocar… ou mesmo quando falam contigo. Não me leves a mal, mas pareces um animal selvagem no meio de Nova Iorque. Pareces assustada. Sei que não me devia meter mas fico realmente preocupada… Apesar de não me deixares aproximar de ti o suficiente para perceber… sei que não estás bem.

Fiquei a olhar para ela sem saber o que dizer. Nunca a vira falar tanto. Nem sabia que as pessoas me viam assim. Eu tentava a todo custo parecer psicologicamente sã e estável… Pelos vistos não estava a ser bem sucedida. Só sabia que estava prestes a arrebentar em lágrimas e que não o podia fazer.

- Obrigada pela preocupação, Amy – murmurei, tentando com que a minha voz soasse objectiva – Mas estou bem, não tens de te preocupar.

Ela semi-cerrou os olhos, analisando a minha expressão. Vi que desistira pois encolheu ligeiramente os ombros e suspirou.

- Tudo bem… Mas se algum dia precisares de falar ou assim… Podes vir ter comigo.

Assenti e agradeci mais uma vez. Peguei na minha mala e escapuli-me em direcção a casa.

O que é que eu podia fazer mais para esconder o meu sofrimento? Eu não percebia… Estava mesmo convencida que parecia “normal”. Estava convencida que estava a lidar bastante bem com tudo. Nunca chorava - que era uma reacção mais que normal e indicadora de sofrimento e, no entanto, eu conseguira controlar essa parte. O que queriam mais? Que eu andasse aos pulinhos, a cantar e a sorrir? Enfim.

Quando, finalmente, cheguei ao meu mini apartamento alugado, dirigi-me imediatamente à casa de banho para tomar um banho. Pelo canto do olho, vi-me ao espelho e, pela primeira vez, em imenso tempo, observei-me. Parei diante do espelho a fitar a minha imagem nua. Aquela era eu? Não podia… Quer dizer, era eu mas eu sabia a diferença entre o meu reflexo e a minha pessoa. A pessoa que costumava ser. Agora que observava com atenção, realmente não parecia muito saudável. Estava, mesmo, mais pálida que nunca, as minhas olheiras eram enormes e escuras, a minha boca descaía para baixo – o que possivelmente revelava o meu estado de espírito. O meu rosto já nem rubor apresentava. Os meus olhos pareciam congelados. Não reflectiam qualquer brilho. Parecia que não havia qualquer alma dentro de mim. Parecia uma caveira e estava visivelmente mais magra. Parecia… morta. Parecia que o sangue não circulava nas minhas veias. Parecia… um deles. Estremeci ligeiramente e enfiei-me debaixo do chuveiro.

Arrepiei-me com o contacto da água quente no meu corpo gelado. E lembrei-me dele. Lembrei-me que era ao contrário: que costumava arrepiar-me com o contacto do meu corpo quente com a sua pele fria. Senti o meu estômago contorcer-se e o meu peito a apertar. Era por isso que evitava recordar-me dele. Porque caso o fizesse sofria, não só dores psicológicas como físicas. Pela segunda vez hoje, os meus olhos voltaram a arder. Virei a cara para o jacto de água, usando todas as minhas forças para não chorar. Não podia chorar. Não podia fraquejar agora. Não um ano depois, quando já devia ter recuperado de tudo. Já não me valia de nada chorar pela perda das duas razões da minha existência.

A minha mãe estava morta e jamais voltaria.

E ele… ele também não. Agarrava-me à ideia de que, pelo menos, ele existia e que, por esta altura, estaria, possivelmente, feliz. Tinha esperança que ele pudesse estar feliz, com a sua família e a fazer a Rosalie feliz. Podia sobreviver disso: do facto de ele estar bem.

Tirando isso, só me bastava lutar para não morrer. Sabia que um dia ia esquecer o seu nome… sabia que um dia ele se ia afogar na minha dor.

Senti que tremia e sentei-me no chão da banheira.

Sentei-me e aguentei até ao meu último folgo.

Agarrei os joelhos e chorei.

Chorei porque sentia falta da minha mãe.

Chorei porque sentia a falta de Alice e Edward… e deles todos.

Chorei porque precisava dele.

Chorei porque estava farta de manter guardadas dentro de mim todas as suas lembranças.

Abri a minha mente e chorei. Quem é que eu queria enganar? Tudo o que eu queria era estar com ele e dizer-lhe o quanto o amava. Chorei exactamente por isso: porque o amava. Da mesma maneira que o amava há um ano atrás, talvez até mais. Chorei porque, mesmo tentando não morrer, sabia que não aguentaria muito tempo. Porque precisava dele. Precisava dele para respirar, para me alimentar… Precisava dele para tudo.

Chorei porque já não tinha medo. Já não tinha medo de morrer. Sentia-me a morrer e só pedia para que esse dia chegasse rapidamente. Desejei que tudo acabasse aqui, esta noite.

- Amo-te, Emmett – solucei – Amo-te tanto.

Desejei morrer a saber que ele ainda me amava.

Fechei os olhos e desejei desaparecer. Desejei para que os meus sonhos morressem aqui, porque jamais se concretizariam.

Mesmo assim estava consciente e sabia a verdade: estava sozinha. Sem ninguém e para sempre.

Respirei fundo e o meu choro tornou-se ainda mais compulsivo. Parecia que me estava a desfazer em inúmeros pedacinhos e que não conseguia manter-me junta, completa.

Eu estava doente, e não era apenas fisicamente.

- Não, não – discordei, em voz alta – Não estás doente.

Lembrei-me do meu reflexo e questionei-me sobre qual de nós ele amava. Porque, algo me dizia, que aquela não era eu. Claro que era, não podia estar assim tão mal.

- Estás assim desde sempre – menti a mim mesma – E tudo vai fazer sentido quando ficares melhor.

Encostei a cabeça ao joelhos e balancei o corpo, fazendo por me acalmar. Não podia ficar neste estado.

Ergui o rosto e esfreguei-o. Acabei o meu duche rapidamente e saí.

Tentei comer uma sopa mas não consegui – tinha o estômago todo contorcido.

Deitei-me na cama e agarrei o corpo com os braços. Ainda queria chorar. Ainda precisava de chorar. Abri, novamente, a minha mente e recordei-o. Recordei o seu toque em mim. A sua voz a sussurrar ao meu ouvido. A sua boca na minha. As suas palavras. Todas as vezes que dissera que me amava. A dor nos seus olhos quando pensava que eu não o amava. E, pronto, recomecei a chorar. Ele era tudo. Era tudo pelo que eu vivia agora. Eu morria só para o poder abraçar. E, de alguma maneira, eu ficaria sempre ao seu lado. E, mesmo ele desconhecendo tal facto, eu seria sempre dele.

Durante 365 noites eu lutei para não chorar. Não chorei para tentar dormir e, mesmo assim, nunca dormi bem. No fundo, não queria dormir porque o seu rosto assombrava os meus sonhos. Não queria dormir porque sabia o quão ia ser doloroso sonhar com ele e acordar sozinha. Sem ele.

Coloquei a almofada sobre a cara e gritei.

Gritei porque estava farta. Farta de tudo…

Gritei porque ele não me consegue deixar em paz.

Gritei e senti o meu coração a desfazer-se, quase literalmente, mais uma vez.

Eu estava a ficar insana. Este comportamento não podia nunca, de modo algum, ser normal.

Agora, um ano depois, percebi não adiantava fingir que nada se havia passado. Durante um ano tentei convencer-me arduamente que ele desaparecera - embora, ele continuasse sempre comigo, independentemente de qualquer coisa - e que, apesar de tudo, ficaria sozinha para sempre.

Levantei-me abruptamente e decidi fazer o que já devia ter feito. Mesmo que eu tentasse o contrário ele ira sempre ter o meu coração, por isso, não tinha nada a perder. Ok, talvez tivesse mais um litro de lágrimas a perder, mas viveria com isso.

Sentei-me na cama e abri a gaveta da mesinha de cabeceira.

Tinha três cartas para ler…

publicado por Twihistorias às 18:00

16
Dez 10

 

Capítulo 50
Acabou


Rosalie voou na minha direcção e arrastou-me lá para fora. Tentei impedi-la mas, como é óbvio, não me valeu de nada. Não queria sair dali. Não queria sair do lado da minha mãe. Do corpo dela.

Agora que estava no jardim, ao sol, longe do sangue e do cheiro a ferrugem… A realidade atingiu-me. A minha mãe estava morta. Agora sabia que nunca mais a iria ver. Desatei a soluçar. Para minha surpresa, Rosalie abraçou-me. Agarrei-a com força – para mim e qualquer maneira – e chorei.

- Ela está morta – verbalizei, soluçando.

- Eu sei – sussurrou Rosalie – Lamento muito… Mesmo.

- A culpa é minha.

- Isso não é verdade…

Não consegui abafar o grito que libertei em seguida.

- Shhh, Clara… Calma. Por favor, respira… Está tudo bem… Vai passar. Prometo.

- Nunca mais… a vou ver.

- Ela vai estar sempre contigo. Independentemente de tudo, Clara. Agora, por favor, acalma-te.

Queria morrer. Desejava arduamente que Rosalie me matasse. Afinal, o que me prendia aqui? Perdera a minha mãe. Matara a minha mãe. A culpa era minha. Libertei uma mão do corpo de Rosalie e agarrei a cara. O cheiro a sangue voltou a enjoar-me. A minha mão ainda estava coberta desse líquido vermelho, agora quase seco. Mesmo cá fora, conseguia cheirar a morte, a carnificina que a minha cozinha presenciara. Gemi ao imaginar o sofrimento que proporcionara à minha mãe. Rosalie abraçou-me novamente.

- Calma, Clara.

Respirei fundo, tentando acalmar-me. Não conseguia… A dor era demasiado grande. Desejava que tivesse sido eu no lugar dela. Sabia que ela ia sofrer com a minha perda, mas, pelo menos, estaria viva. E eu ficaria sempre com ela. Tal como ela ficará sempre comigo. A Rosalie tinha razão… Independentemente de qualquer coisa, ela jamais me abandonaria. Não sou crente, mas sabia que ela ia ficar sempre ao meu lado. A vigiar-me. A proteger-me. A amar-me. Sim, agarrar-me-ia a isso. Oh! Quem quero eu enganar? Só queria morrer. Não tinha nada. Para que viver?

Como se para me responder às minhas questões, a voz familiar de Emmett soou perto de mim.

- Clara?

Ergui o olhar e vi-o a aproximar-se de nós.

- Rosalie?

Parecia confuso. Quando se aproximou mais um pouco. Fez um esgar. Inspirou e a compreensão iluminou o seu rosto quando fitou a minha cara coberta de lágrimas e o meu corpo coberto de sangue.

Quando chegou ao pé de mim, Rosalie largou-me e ele envolveu-me nos seus braços. Qualquer indício de calma foi-se nesse instante e voltei a chorar compulsivamente.

- Ela… ela… esta – gaguejei, contra o seu corpo gelado.

- Shhhh… Eu sei – murmurou, afagando-me as costas e a cabeça – Lamento, meu amor… Lamento.

Não sei bem quanto tempo fiquei agarrada a Emmett, mas quando levantei a cabeça vi que estavam lá todos: a Rose, claro, a Alice, o Edward, o Carlisle, o Jasper e até a Esme. A minha melhor amiga tapava a boca com as mãos e os seus olhos brilhavam como se tivesse a chorar – se isso fosse possível -, não sei se fora imaginação minha, mas acho que a ouvia soluçar. Jasper agarrava-a e sussurrava-lhe algo ao ouvido. Rosalie mantinha a mesma expressão de choque de à pouco estampada no rosto. Esme e Carlisle fitavam-me com a preocupação evidente no olhar. Vi que Carlisle tinha as mãos cobertas de sangue – possivelmente já teria estado com o corpo da minha mãe, tentando arranjar alguma maneira de… Enfim. E Edward… Edward exibia uma expressão dura: com os maxilares cerrados e os olhos pregados em mim. A sua expressão era indecifrável, mas parecia verdadeiramente perturbado. Depois é que me apercebi: o que estavam eles aqui a fazer? Quer dizer, Alice e Edward deviam estar em Forks.

Alice deve ter visto a confusão do meu olhar e percebido.

- Eu vi… Pouco depois de vocês partirem – explicou.

Assenti, compreendendo. Era tinha visto a minha mãe morta e veio, com Edward, atrás de nós.

 – Vi tarde demais, lamento muito, Clara.

- Está tudo bem – disse, tão baixinho, que até tive dificuldade em ouvir.

Tais palavras soavam ridículas aos meus ouvidos. Não estava “tudo bem”. Estava tudo mal!

- Ninguém me atendeu o telefone – continuou – Depois de muito tentar consegui, finalmente, falar com a Rosalie.

Ah, então era por isso que ela tinha vindo a minha casa. Para tentar impedir o pior. Ou para, na pior das hipóteses – e na real – me prestar apoio. Olhei na sua direcção e ela assentiu.

- Obrigada – agradeci, debilmente.

Ela sorriu-me, mas os seus olhos estavam tristes… e escuros. Ena, tinha uma boa capacidade de auto-controlo… Com tanto sangue. Estremeci.

Emmett voltou a puxar-me para ele.

- Vais ficar bem – sussurrou ao meu ouvido.

Encostei a minha cara ao seu peito, tentando acalmar-me. Era ele que me restava. Era ele que me mantinha aqui. Era por ele, só por ele, que agora respirava. Era por ele que teria forças para me manter viva.

Inesperadamente, ouvi alguém a rosnar. Elevei o olhar, assustada, e apercebi-me que era Edward. Ele fitava… algo… longe. Passados uns segundos consegui visualiza-los e senti-me também a rosnar – interiormente, de qualquer maneira. A cólera apoderou-se de mim e um instinto fez-me avançar um passo. Emmett agarrou-me e os Cullen formaram uma linha defensiva à minha frente. Pouco tempo depois, Jane, Félix e Demetri pararam à nossa frente.

- Vamos – ordenou Jane, apontando com a cabeça para o pinhal ao lado da minha casa – O Aro espera-vos.

Emmett rugiu:

- Vão para o cara…

- Emmett – interrompeu Carlisle – O que quer o Aro, Jane?

- Paciência, bom Carlisle – refutou Demetri.

- Agora – reordenou Jane.

Edward assentiu e começou a segui-la.

- Todos – frisou a vampira.

Emmett pegou-me ao colo e instantes depois chegamos. Não era só Aro que nos esperava. Sem contar com Caius e Marcus, estava lá quase metade da sua guarda.

- Meus caros amigos – saudou, cinicamente, Aro.

Senti uma náusea. Ele metia-me nojo. Eles todos.

- O que queres, Aro? – questionou Carlisle, educadamente.

Emmett rosnava baixinho. Apertei-o contra mim.

Aro ignorou-o e o seu olhar incidiu em mim:

- Lamento imenso a tua perda, jovem Clara.

Controlei o impulso de lhe fazer um gesto obsceno. O rosnar de Emmett tornou-se mais audível.

- Olha se não é o irmãozinho – comentou Aro, maliciosamente. Depois desviou o olhar para Edward por uma fracção de segundos – Eu não perdoaria se o meu irmão me roubasse a minha namorada.

Desta vez foi Edward que lhe rosnou. Aro ignorou-o e dirigiu-se na nossa direcção. Emmett colocou-se à minha frente.

- Não lhe vou fazer mal – garantiu.

Não acreditei nele. Ele sorriu e estendeu a mão a Emmett. De má vontade, ele cedeu-lhe os seus pensamentos. Quando acabou, Aro parecia estranhamente divertido.

- Interessante… A maneira como a vês … Como a vêem – corrigiu, sorrindo de esguelha a Edward – Ainda assim… Não compreendo. Como é que vocês se podem apresentar como uma família se tu trais o teu próprio irmão… e a tua parceira de há décadas?

Terminou a sua afirmação olhando para Rosalie.

- Cala-te! – exclamamos, eu e Rosalie, em uníssono.

Aro soltou uma gargalhada. Sem aviso prévio, agarrou a minha mão. Nem valia a pena tentar impedi-lo.

- Fascinante – cantarolou, largando-me – Era magnifico se eu pudesse ver e viver o que viveste… quando viste a tua mãe morta.

Senti o ódio a invadir-me e, num impulso, ergui a mão e esbofeteei-o. Sabia que ele me podia ter impedido, mas não o fez. Exibiu um pequeno sorriso por uma fracção de segundos, mas este desvaneceu em seguida.

- E também é fascinante perceber o quanto o amas – acrescentou. Sabia que se referia a Emmett – Que pena.

Suspirou e eu sabia que havia um sentido que me era desconhecido por detrás das suas palavras.

- Não – rosnou Edward.

Todos o fitamos confusos. Aro soltou uma gargalhada melodiosa.

- Aro – chamou Carlisle – Diz-nos de uma vez o que queres de nós.

O que quer que fosse, Edward sabia. O que quer que fosse, não era bom.

- Vinha com outras intenções – começou – Mas agora que vi o quanto eles se amam – brindou-me a mim e a Emmett com um sorriso – Mudei de ideias.

Fui percorrida por um arrepio. Algo em mim me dizia para ter cuidado… Para me preparar.

- Não o faremos – afirmou Edward.

- Que pena – murmurou. Parecia verdadeiramente desiludido – Jane?

Pisquei os olhos tentando perceber o que se estava a passar mas, de repente, Emmett começou a gemer de dores, caindo no chão, impedindo-se de gritar. E percebi.

- PÁRA – gritei – POR FAVOR, PÁRA!

Os Cullen faziam-me coro, mas eu não conseguia ouvi-los. Só conseguia olhar para Emmett a contorcer-se de dores.

- POR FAVOR!

Aro mandou Jane parar. Emmett pareceu imediatamente aliviado. Sentei-me no chão e abracei-o.

- Clara, o que me dirias se te dissesse que estou prestes a mata-lo? – perguntou Aro.

Edward, Rosalie, Alice e Jasper rosnaram. Esme soltou um gemido e Carlisle interveio-o:

- Não o farás.

- Diria… Imploraria… para que me matassem a mim – respondi. A minha voz soou calma e objectiva.

Emmett resmungou.

- Já estava à espera disso – observou – Por isso, tenho outra proposta.

Assumi, automaticamente, uma postura defensiva que de pouco me valia.

- A proposta não é dirigida a ti – suspirou – Emmett.

Emmett levantou-se, pondo-me também de pé.

- Vocês vão partir – anunciou o vampiro.

- O que?! – guinchei.

- Aro? – Carlisle parecia cauteloso.

- Não – disseram Edward e Emmett.

- Nem pensar – concordou Alice.

- Se não o fizerem… Ela morre – ameaçou, Caius.

Aro assentiu com a cabeça:

- E não queremos isso, pois não? – interrogou – Emmett?

- Porque? – perguntou o meu namorado – Porque, Aro?

- Porque eu estou a pedir… E porque se não o fizerem… ela morre – respondeu, encolhendo os ombros – E provavelmente também vocês.

- Não – arfei.

Eles não podiam morrer. Eu não conseguia imaginar um mundo sem eles, mesmo eu estando morta. Eles eram o que em restava. Emmett era o que me restava. Já perdera a minha mãe… Sabia porque o Aro o fazia. Por maldade. Simplesmente.

- Se parirmos – ponderou Carlisle – Como sabemos que não lhe fazem mal? Que ela fica em segurança?

- Têm a minha palavra.

Alice soltou um esgar sonoro.

- Edward, lê-me a mente – pediu – Pretendo quebrar a minha promessa?

Edward abanou negativamente a cabeça.

- Não posso faze-lo – lamentou-se Emmett.

- Jane…

A vampira voltou a reagir à voz de Aro, fazendo com que Emmett sofresse, de novo.

- NÃO – implorei – POR FAVOR, PAREM! ELES VAO! ELE VAI!

Jane parou. Parecia radiante.

- Excelente – cantou Aro.

- Não – rosnou Emmett.

- Félix?

Tal como aconteceu com Jane, Félix voou na minha direcção mas os Cullen impediram-no de chegar a mim, colocando-se todos à minha frente. Marcus suspirou:

- Então, como vai ser?

- Tudo bem. Nós vamos – cedeu Carlisle.

Emmett baixou o olhar e abanou a cabeça. Abracei-o.

- Eu preferia morrer, a ficar longe de ti - gemi - Mas tens de ir. Vocês não podem... morrer.

Agora já chorava novamente.

- Lamento, Clara… Tudo. Lamento mesmo.

- Shhh.

- Encantador – comentou Aro.

Ignorámo-lo.

- Amo-te – relembrei – Tanto.

- Clara, olha para mim – pediu.

Obedeci-lhe e fitei os seus olhos dourados. Os olhos que eu tanto amava. Ele beijou-me os lábios e forçou um sorriso. O sorriso que eu tanto amava.

- Isto não é uma despedida – garantiu, acariciando-me a face – Não é o fim.

- Prometes?

- Prometo. Não acabou – prometeu, beijando-me a testa.

- Como podes saber?

- Sei-o, simplesmente – sussurrou – És o meu destino.

Ele afastou-me e beijou-me os lábios, novamente.

Fechei os olhos, inalando o seu cheiro. Como é que eu ia viver sem ele?

- Amo-te – declarou.

Senti, novamente, os seus lábios gelados na minha testa.

Não podia viver sem ele. Não conseguia. Acabaria por morrer. Poderia um ser humano morrer de desgosto? Estava convencida que eu podia.

Abri os olhos para também lhe dizer que o amaria para sempre mas ele tinha desaparecido. Tinham todos desaparecido. Não estava ninguém à minha volta. O meu coração cessou e eu caí de joelhos no chão. E chorei. Chorei porque, agora, estava completamente sozinha. Sem a minha mãe, sem o Emmett, sem a Alice… Sem a minha família. Chorei porque sabia que jamais os voltaria a ter. A nenhum deles. A minha mãe estava morta. E sabia que a promessa de Emmett era impossível. Ele jamais voltaria. Eu jamais o teria de novo nos meus braços. Isto, foi o fim.

Acabou.

Para sempre.

publicado por Twihistorias às 18:26

08
Dez 10

 

Capítulo 49
Morte


E assim se passou mais uma semana em Forks: o Edward e a Bella foram-se conhecendo e já almoçavam juntos. O Jacob nunca mais apareceu por estes lados. A Bella contou-me que teve uma conversa séria com ele e que já não andavam mas que continuavam amigos. Até tinha pena do rafeiro, mas, um dia, ele ia ficar bem. Ela ainda não estava 100% da história dos vampiros e ainda não tinha confrontado Edward. Eu, o Emmett e a Alice vagueávamos pelo Liceu feitos tristes. Amanhã, finalmente, eu e Emmett íamos embora. A Alice ficava com o Edward – ela deu uma desculpa qualquer completamente esfarrapada para eles não irem, mas Edward também não se opôs a ficar. Porque será? Quando eu e Emm chegássemos, o Jasper vinha para cá ter com a Alice e trazia a Rose, que bem precisava de novos ares. Coitada. Sentia-me tão mal.

Na noite passada, Emmett e Alice tinham ido caçar e ainda não tinham voltado – Edward não fora porque já tinha andando a abastecer-se nos outros dias, para poder estar com a Bella à vontade. E não me apetecia ir para a escola olhar para o tecto. Então, decidi que iria novamente ao prado. Era o lugar que eu sempre quisera conhecer, nos livros, e só lá tinha estado uma vez. E uma vez muito mal aproveitada.

No inicio da manha, lancei-me à caminhada. Não me perdi, mas cheguei lá exausta. Confesso que me sentia assustada no meio de tanta floresta. Os meus pés latejavam. Sentei-me no chão húmido, acabando, por ceder, e me deitar. Uns minutos e já tinha recuperado o fôlego. Ainda bem que me lembrei de levar água, se não estava tramada. Aquele lugar transmitia-me uma paz de espírito fantástica. Como se o mundo parasse e nada de mal pudesse acontecer.

Subitamente, senti um peso gigantesco no peito. Como se me tivessem dado um soco. Era um mal-estar que me dificultava a respiração. Um… mau pressentimento. Respirei fundo e fechei os olhos, concentrando-me nos sons que a natureza emitia à minha volta. Rapidamente me voltei a sentir mais calma.

Devo ter ficado, sem exagero, uma hora ali de barriga para o ar. De repente, senti que estava alguém por perto. Abri os olhos mas nada via. Não havia ninguém. Mau, estava a ficar maluca? Expirei o ar que sustinha. Fechei os olhos. Não, eu sentia alguém perto. E, muito rapidamente, percebi. Inspirei e abri os olhos.

- Edward? – chamei.

Dez segundos depois, Edward pára mesmo à minha frente – vinha a correr.

- Eu sabia – disse triunfante.

- Sentes o meu cheiro? – perguntou, brincando.

Sentou-se e eu imitei-o.

- Não – fiz um esgar - Mas já de disse: quando estas perto, quer eu te veja, quer não, eu sinto-te.

- Eu lembro-me disso – divagou – Mas pensava que tinha passado quando deixaste de me amar.

- Eu nunca deixei de te amar – discordei – Só que são diferentes tipos de amor.

- Hum… Percebo – ele parecia profundamente concentrado em algo.

- Então e a Bella?

Ele semi-cerrou os olhos.

- Já me podes contar o que vocês me escondem sobre ela? – perguntou.

Ponderei durante uns minutos.

- Não.

- Clara!

- Tem calma! Primeiro tens de a conhecer – justifiquei-me.

- Já conheço.

- Conhecer melhor – corrigi – Gostas dela?

Ele suspirou. Depois seguiu-se um logo silêncio.

- Ela é… interessante – respondeu.

Era o suficiente para mim. Yay! Eles iam ficar juntos! Edward ia deixar de sofrer para ser feliz e ia fazer a Bella feliz.

‘Eu sou a maior!’

- Clara – chamou, cauteloso.

- Sim?

- Não sei porque estás tão empolgada com esta historia da Bella… Se te sentes… culpada, pelo que se passou no passado… Não sintas – pediu – Estás feliz. É o suficiente para eu ficar bem.

‘Boa, Edward! Sabes mesmo desinchar o ego de uma mulher!’

- Não é bem isso… Ok, talvez parte seja – admiti.

Ele soltou uma gargalhada.

- Qual é a piada?!

- Sabes que te vou amar para sempre, não sabes?

O meu coração sofreu um baque. Mas não pelos mesmos motivos que sofria/sofre baques cada vez que o Emmett diz que me ama. Mas sim por eu me sentir miserável. Algo em mim me dizia que ia ser assim. Sabia que o Edward ia amar a Bella tanto como me amou a mim, ou mais até. Mas que eu seria sempre… especial. Afinal, fui a primeira. Intrometi-me no meio e agora não havia nada a fazer.

- Também te vou amar sempre, Edward – suspirei.

Um amor como o amor que nutro pela Alice. Ok, talvez um bocadinho mais especial, mas ele não tinha de saber isso.

- Á tua maneira estranha – acrescentou, tal o que eu disse em Itália.

- Sou realmente um ser estranho – repeti as suas palavras.

Ambos nos limitamos a rir. Edward deitou-se e eu fiquei ali a olhar para ele. Senti-a que não era eu que devia estar ali. Ficamos ali a conversar por mais um bom par de horas. Quando decidimos ir embora, eu já não tive de ir a pé! Wii! Fui à boleia nas costas do Edward. Adorava a velocidade. Chegamos aos limites da cidade em tempo recorde, mas a partir daí tivemos de ir a velocidade normal. Edward deixou-me no Hotel e foi buscar Bella à escola.
Não sei se era de estar cansada da caminhada, mas quando dei por mim, deitei-me na cama e adormeci.

Quando acordei estava o quarto escuro. E acordei com a porcaria do peso no peito. Isto já me estava a deixar nervosa. Não gostava de ter maus pressentimentos. Olhei para a mesinha de cabeceira e o relógio digital marcava 02:37. Fogo, eu devia ter uma doença qualquer. Não era normal alguém dormir tanto. Senti Emmett do outro lado e virei-me na cama, abraçando-o.

- Estás aí tão caladinho – acusei – Estás a tramar alguma?

- Nã – ele riu-se – Estava a ver se davas pela minha presença.

Aninhei-me a ele.

- E acordaste a tempo, visto que o voo é as 6 da manha. Já arrumei as tuas coisas, é só metermo-nos no carro.

- Obrigada.

Não via a hora de chegar a casa. Estava a morrer de saudades da minha mãe… e dos meus animais, claro. E da minha cama! Ai, já matava pela minha cama. Suspirei. Brevemente, estaria em casa.

 

Por volta do meio-dia, já estava a chegar a casa. Como estávamos sem carro, eu fui de táxi para minha casa e Emmett a correr para a dele – o Carlisle tinha algo urgente para falar com ele. Quando o táxi parou no portão da minha casa senti-me feliz por estar de volta, no entanto, a dor aguda no meio peito continuava lá.

‘Será que tenho problemas de coração?’, divaguei sabendo, perfeitamente, que não.

Dirigi-me à porta das traseiras. Enfiei a chave na porta e rodei-a. E pimba, senti uma súbita falta de ar.

‘Mas que raio?’.

Fechei os olhos e respirei fundo, tentando recompor-me. Já mais calma e controlada, rodei a maçaneta.

‘Home Sweet Home!’

As janelas da cozinha estavam fechadas. Que estranho, a minha mãe nunca deixava nada fechado.

Parei bruscamente.

A luz proveniente da porta aberta era pouca. Mas… lá ao fundo, conseguia vislumbrar algo… no chão. O cheiro que o meu nariz detectou nesse instante era inconfundível. O peso do meu peito aumentou drasticamente e eu percebi.

 

 

*Flashback*

 

- E a terceira visão? – perguntei, urgentemente.

- Vi muito… sangue – sussurrou Alice.

- Onde?! – ofeguei.

- Na tua casa.

*Fim do Flashback*

 

 

“Sangue.” “Muito… sangue”. “Na tua casa.” “Na tua casa.” “Na tua casa”.

- N…não – murmurei, ofegante.

As lágrimas já escorriam pela minha face. A tremer, levei a mão ao interruptor. Uma luz azul iluminou a minha cozinha. Senti uma tontura e agarrei-me ao balcão para não cair. Não… podia… ser…

- Não… N…Nã…o Não. Não.

Pela primeira vez em toda a minha vida, desejei estar morta. Desejei que estivesse a sonhar. Desejei acordar e ver que estava tudo bem. Desejei voltar atrás no tempo. Isto não estava certo. Não era justo. Queria gritar e não conseguia. Queria correr mas as minhas pernas não se mexiam. Só queria acordar! Só queria que os últimos meses não tivessem passado de um sonho. Só queria que tudo ficasse normal. Levei a mão ao peito, que parecia que se ia quebrar. Não conseguia respirar.

- NÃO! – gritei, correndo para o corpo estendido no chão.

Caí ao lado do corpo, mesmo na poça de sangue. Olhei a minha mão e ele reluzia de vermelho vivo. Senti vontade de vomitar. Debrucei-me sobre o corpo abanando-o, freneticamente. Ela ainda respirava.

- M… mãe – solucei – Fala comigo… Não…não me deixes… Fala! Fala! MÃE!

A minha mãe piscou os olhos e abriu-os com dificuldade.

- V… vam..pi…ro… vampiro – quando terminou, arregalou os olhos como se estivesse horrorizada. Claro que estava.

- Mãe perdoa-me – implorei – É culpa minha! Minha! Toda minha! Não... mãe...

A sua cabeça descaiu para o lado.

- Mãe!!!! – sacudi-a – Fica comigo!

As lágrimas rasgavam a minha face, ensanguentada.

- Respira! – ordenei – O que faço? O que faço? O que faço?

A minha cabeça girava a mil à hora.

- Telefone! – gritei.

Preparava-me para me levantar, quando a sua mão agarrou o meu braço.

- N…não – gemeu.

- Mas… mas tenho que chamar ajuda! Tens de ir para o Hospital!

- Nã…o – repetiu.

Eu sabia o que ela me estava a tentar dizer. Era tarde demais. Ela estava a morrer e já não havia nada a fazer. Agarrei-me a ela a chorar. O seu corpo estava coberto de cortes. Um vampiro? Mas tanto sangue...

‘Volturi.’

A culpa era minha. Era a mim que eles queriam. Eu matei a minha mãe. Gritei de agonia. Nunca sentira uma dor tão grande. Eu não podia perder a minha mãe.

- Cla… Clara – chamou-me.

Ergui o olhar para ela. Vi que também chorava. Ela elevou a mão ao meu rosto, gemendo de dores.

- Não te mexas – murmurei, soluçando – Amo-te tanto, mãe. Por favor, perdoa-me.

O meu choro tornava-se cada vez mais compulsivo.

- Am…amo…-te – suspirou com dificuldade.

O seu último suspiro. A sua última respiração. A sua última palavra.

- Mãe? Mãe…? Mãe! Não… não, não, não.

Ela já não respirava. Tentei o pulso mas o seu coração já não batia.

- Não… NÃO!

E chorei. Chorei como jamais havia chorado, abraçada ao cadáver da minha mãe. Eu matara a minha própria mãe. Chorei durante o que me pareceram horas. Com dificuldade, olhei-a uma última vez. Estava coberta de sangue. Desfigurada, dos pés à cabeça. Não contive novamente o grito de angústia que brotou dentro de mim. A minha mãe estava morta.

Pelo canto do olho, vislumbrei algo branco, colocado ao lado da sua cabeça. Era um papel. A tremer por todos os lados, peguei nele. Ficou, automaticamente, manchado de sangue. Estava dobrado em dois. Na parte de fora podia ler-se: “Caros amigos.”

Abri-o com urgência e paralisei. Numa caligrafia requintada e escrita com sangue, podia ler-se:

 

“Algumas histórias de amor não são romances épicos;
Algumas histórias de amor são autênticas tragédias;
Mas apenas se deve acreditar nas histórias cujas testemunhas estivessem dispostas a deixar-se degolar;
E, em cada história, sou o vilão condenado.

Veremo-nos em breve.
Grandiosos cumprimentos,

Aro.”

 

*Flash-back*

 

Vi… Vi Demetri, Jane e Félix em tua casa.

 

*Fim do Flash-back*

 

 

 

Deixei o papel cair sem perceber quase nada. Só tinha três certezas: os Volturi mataram a minha mãe; com “histórias de amor” estavam a referir-se a mim, a Emmett e a Edward; e “cujas testemunhas estivessem dispostas a ser degoladas” referia-se à minha mãe. E uma quarta coisa: isto foi, claramente uma ameaça para mim ou para os Cullen.

E voltei a chorar, abraçando a minha mãe.

- Perdoa-me.

Só a queria de volta.

O som da minha porta a ser arrastada fez-me gritar de susto. Virei-me, bruscamente e vi um rosto conhecido. Vi a confusão e o pânico espelhado nesse rosto.

- Clara? – sussurrou, incrédula e assustada, vindo na minha direcção.

- Rosalie?

publicado por Twihistorias às 18:00

04
Dez 10

 

Capítulo 47
Flashback

 

Fiquei completamente histérica quando Bella falou para Edward, embora não conseguisse ouvir o que dizia, pois sussurrava.

- O que é que ela disse? – perguntei a Emmett, segura de que ele ouvia.

- Perguntou-lhe qual era a piada… Foi um bocado rude.

- É normal.

Fitei-os e vi que Edward hesitou antes de lhe responder. Quando respondeu, Bella abanou negativamente a cabeça.

- O que é que ele disse?!

- Que a tua estupidez era a piada – riu-se – E ela parece concordar.

Olhei para Bella e vi que ela lhe virou a cara. Suspirei abatida.

Passaram-se uns bons 20 minutos e nada. Ambos fitavam o professor. Vi Edward estremecer e afastar-se dela, Bella incidiu novamente o olhar nele, com curiosidade. E pimba! Os seus lábios moveram-se.

- Emmett?

- Cusca! – acusou – Perguntou-lhe se estava bem – fez uma pausa ouvindo a resposta do irmão. Vi que Edward a olhava mal-humorado – Ele disse que já esteve melhor.

- É mesmo…

Emmett interrompeu-me com uma gargalhada abafada.

- Ela perguntou-lhe qual era o problema dele – informou-me – E disse que não queria saber, porque já conhecia a tua versão e a da Alice. Que versão, Clara?

- Ham… esquece.

- E diz que não acredita – acrescentou – E que somos doidos – olhou-me acusadoramente – O que lhe disseste?

- Nada!

Edward virou-se na minha direcção e fuzilou-me com o olhar. Ignorei-o e fitei o professor.

Virou também a cara a Bella e ela pareceu… desiludida e irritada. O resto da aula passou-se sem mais conversas.

Quando tocou, Bella saiu disparada e eu tentei esgueirar-me mas Edward agarrou-me um braço, quando já estava no corredor.

- Quieta – ordenou.

- Tenho de ir a um sítio – menti – Importas-te de me largar?

- Sim. Ficas aqui. Quem é ela?

- Ela quem?

- Não te faças de desentendida – avisou.

Exibi o meu ar mais inocente e Edward revirou os olhos.

- Clara… Não me provoques – ameaçou.

- Se não o que, Edward? Mordes-me?

- Muito engraçada, ahah! Se pudesse…

Planeei rir-me, mas um “hum” de choque surgiu ao nosso lado. Era Bella. Fiquei confusa, mas depois percebi que o seu choque se devia, provavelmente, à palavra ‘morder’. Sorri a Bella e ela voltou-nos costas.

- Porra! – exclamou, Edward, irritado.

- Que é?!

- É frustrante saber que me estas a esconder alguma coisa relacionada com aquela rapariga e não saber o que é, e também não conseguir auscultar a mente dela – expirou enervado – E tu sabes que não consigo, não sabes?

- Ham, ham… Sei – confessei – Agora tenho de ir.

- Clara!

- Edward! Vá, larga-me.

- Não.

- Edward!

- Vá, Ed… larga-a – pediu Emmett, chegando ao pé de nós com a Alice.

Edward ignorou-o e Emmett rosnou-lhe.

- Mau! Calou! Edward, larga-me!

- Edward – murmurou Alice.

Finalmente, ele largou-me o braço.

- Vocês estão a irritar-me – lamentou-se, virando-nos costas.

- Anda cá! Vais ter Espanhol – relembrei.

- Poupa-me! Como se as aulas me interessassem. Nem estamos mesmo aqui para ficar e além disso, falo espanhol como um nativo – resmungou, encarando-me – Portanto, diz-me a verdade.

- Vai com a Alice… ou com o Emmett… ou sozinho!

- Vai com o Emmett. Preciso de falar com a Clara.

Olhei Alice desconfiada, mas a sua expressão nada demonstrava.

- Ya, Edward, vamos! Vamos ver as jeitosinhas desta escola – propôs a acéfala do meu namorado.

Esse seu comentário idiota valeu-lhe um murro indolor:

- Controla-te, Cullen!

- Oh, amor! É para o Edward desanuviar – desculpou-se – Sabes que só tenho olhos para ti.

- Pois, tretas! Idiota.

- E mesmo que olhe para outras… sabes que só te amo a ti.

Aww, que lindo!

Edward e Alice riram-se e eu fingi amuar.

Como se fosse para me irritar mais, um grupo de raparigas loiras oxigenadas com cara de cheerleaders aproximou-se de nós.

- Olá – cumprimentou a “líder”.

- Olá – dissemos todos em coro.

- Novos por aqui?

É preciso especificar que com “novos” se dirigiu exclusivamente a Emmett e Edward. Ergui um sobrolho na direcção delas.

- Parece que sim – respondeu, Emmett, estranhamente animado.

Rosnei-lhe. Sim, rosnei.

Edward abafou um riso e Alice suspirou impaciente. A garota lançou-me um olhar de superioridade.

Mau! Mau! Mau! Que vamos ter o caldo entornado.

Ela voltou-se para o MEU Emmett com um sorriso.

- Se quiseres… se quiserem – sorriu a Edward – Não nos importávamos de vos mostrar a escola.

- Não há muito para ver – disse eu, secamente.

- Não estava a falar contigo.

Ai, agarrem-me que eu vou-me a ela!

- Qual é o teu nome, de qualquer maneira? – perguntou uma das outras a Edward.

- Edward – respondeu, absorto.

- Eu sou a Alice. Muito prazer – apresentou-se, cinicamente, a minha amiga.

- E eu a Clara, já agora.

A nojentinha da frente revirou-me os olhos e voltou-se, outra vez, para o MEU namorado:

- E tu? Como te chamas, querido?

Avancei na direcção dela, sim: preparava-me para lhe bater, mas Alice agarrou-me.

Emmett olhou-me estranhamente divertido. Ouvi Edward a rir-se.

- Emmett Cullen – respondeu-lhe demasiado simpático para o meu gosto.

- Sou a Kim – a nojenta aproximou-se dele, mordendo o lábio e encaracolando o cabelo com um dedo, mesmo à oferecida – Bem, Emmett… Gostavas de uma visita guiada?

Enraivecida, coloquei-me entre eles:

- Bem, Kim… Gostavas que a minha mão fizesse uma visita guiada à tua cara?!

Edward e Alice riram-se e Emmett soltou uma gargalhada bastante audível.

- Não tem piada, idiota – refilei.

Emmett pôs-me uma mão atrás das costas mas eu enxotei-o.

- Se eu quiser uma visita guiada, Kim, peço a uma amiga da minha namorada – carregou na palavra ‘namorada’, dando-me a mão.

Eu lancei um sorriso vitorioso à loira, enquanto que ela olhava para mim com ar de nojo.

- Ew?! Podias arranjar melhor – observou.

- Quem? Tu, sua…

- Clara! – guinchou Alice.

- Que?! A oferecida está-se a fazer ao MEU namorado, à minha frente e ainda se arma aos cucos!

- Amor, não sejas croma. Vamos embora – sussurrou o Emmett ao meu ouvido.

- Queridas, acho que já fizeram figuras suficientes… Já podem ir – apressou-as, Alice.

A nojenta-mor virou as costas a espumar e as suas discípulas imitaram-na. Céus! Gente irritante!

Emmett agarrou-me a cintura, rindo-se. Eu virei-me de frente para ele e olhei-o furiosa.

- Só me queria divertir um bocadinho – explicou – Queria ver-te chateada. Não me desiludiste.

- Ah, vai ver se eu estou na esquina.

Virei-lhe costas irritada e segui em direcção à rua. Sentei-me num banco qualquer a tentar controlar a raiva quando Alice se sentou junto de mim.

- Eles foram para espanhol – informou.

- A Bella também lá está?

- Sim.

- Fixe.

- O Emmett estava a brincar, Clara - garantiu.

- Eu sei.

- Hum.

Deitei a cabeça no colo de Alice, enquanto ela brincava com o meu cabelo. Passamos uma hora assim.

 

Quando tocou para sair Emmett e Edward vieram ao nosso encontro. Edward parecia… distraído. Emmett sorriu-me torto e deu-me um leve beijo nos lábios:

- Estou perdoado?

- Edward – chamei - Ele meteu-se com alguém lá dentro?

Ele negou com a cabeça e Emmett também abanou a dele. Pus-lhe a língua de fora e beijei-o novamente.

- Falou com alguém? – questionei ao meu namorado.

- Sim, falei com a Bella – refutou Edward, respondendo à minha pergunta – Feliz?

Ignorei-o e sorri interiormente. Alice piscou-me o olho.

Nesse instante, Bella passou por nós.

- Olá, Bella – cumprimentei.

- Hey – sorriu-me timidamente e depois corou quando Edward olhou para ela, encaminhando-se na direcção da sua carrinha que se encontrava do outro lado do parque de estacionamento.

Que lindo! Estou em Forks! Estou a viver o Twilight!

Ok… Menos, Clara.

Mas era verdade. Era uma sensação indescritível estar a viver o “meu” livro. Estar em Forks, com os Cullen, com o homem da minha vida e a viver o romance da Bella e o Edward. Sim, o futuro romance. Porque eles tinham de ficar juntos. E iam ficar juntos.

Qualquer pensamento meu se dissipou quando ouvi um chiar de uns pneus e vi uma carrinha azul a ir de encontro à carrinha de Bella – com ela no meio, com uma expressão de horror estampada no rosto.

‘Hey! Eu conheço isto!

De repente, Edward saiu do meu lado e já estava ao pé da Bella.

‘OMG!’

Um segundo mais tarde, a carrinha foi contra eles. Ouviu-se um estrondo e os gritos começaram.

 

Capítulo 48
Bad Guy


Emmett impediu-me de correr na direcção de Bella e Edward.

- Eles estão bem, Clara – assegurou.

- Eu sei.

Sabia mesmo. Não percebi o fundamento da sua afirmação. Claro que estavam bem. Eu conhecia a história. E estava profundamente excitada com a familiaridade das coisas que aconteciam à minha volta. Na minha mente só pairavam “Wiiiis!”. Se Edward me pudesse auscultar tenho a certeza que pensaria que eu estava a enlouquecer.

- Então, porque é que queres ir ter com eles com tanto fervor? – perguntou Emmett, confuso.

- Porque estou curiosa – respondi como se fosse uma coisa óbvia – Quero ver se é desta que a Bella se começa a interessar. Quer dizer, ela já está interessada, mas está em negação…

Ele soltou uma gargalhada.

- Que mulher cusca e metediça que me saiu – comentou.

- Não sou nada – defendi-me – Só quero que o Edward seja feliz.

O sorriso de Emmett cessou e ele baixou o olhar.

- Ainda te sentes culpado?

Ele assentiu, sorrindo-me tristemente.

- Não sintas – murmurei – Vai passar. E é para isso que estamos aqui.

- Achas mesmo que o teu plano descabido vai resultar?

- Tenho a certeza – afirmei – Eles pertencem um ao outro. São… ham… almas gémeas!

- Se tivesses… escolhido o Edward isso, supostamente, não acontecia – supôs.

- Talvez – divaguei – Mas fiquei contigo. Porque te amo – sorri – Porque és o meu destino.

Emmett exibiu-me um largo sorriso:

- A tua alma gémea?

- A minha alma gémea – conclui radiante.

Pus-me em bicos de pés para o beijar. Subitamente, lembrei-me da presença de Alice e do quão silenciosa ela estava. Olhei na direcção dela e ela estava mortalmente séria, a fitar para além do observável. Visão.

- Al? – chamei.

Nada. Eu e Emmett trocamos um olhar confuso.

- Alice? – repeti.

Ela descongelou e arregalou os olhos para os meus.

- Não… consigo… ver nada – informou, arrastando as palavras, chocada.

- Como assim? – interrogou Emmett, visivelmente preocupado.

- Estava a tentar ver o que ia acontecer agora… a reacção da Bella…e a do Edward e isso tudo – explicou – Mas… não consigo. Não consigo!

Uma suspeita ganhou dentro de mim.

- Alice, tenta ver outra coisa – pedi – Tenta ver-me… A mim. No futuro. Outra vez.

- Não vou conseguir – disse prontamente.

- Como sabes?

- Por causa daquela outra visão – sussurrou.

Ah. A visão. Da minha morte. Estremeci.

- Que visão?! – exigiu saber Emmett.

- Nada, amor. Esquece. Alice, outra coisa! Vê o Jazz – sugeri.

Ela assentiu e virou pedra. Quando voltou ao “meu mundo”, uma ruga de preocupação deformou-lhe a testa.

- Consegui – anunciou.

Tinha a minha confirmação. Sabia o que lhe estava a entupir as visões. Ergui a cabeça para procurar o meu alvo. Vi estava tudo amontoado em redor das duas carrinhas e que, possivelmente, Edward e Bella estavam lá no meio. Continuei a procurar e encontrei-o.

A aproximar-se cada vez mais do sitio onde estavam Bella e Edward, estava Jacob Black. E, aparentemente, já tinha feito a transição para lobisomem. Pelo menos, segundo a lógica do livro. Errr! Já me tinha esquecido da existência dele. Pior: já me tinha esquecido que a Bella e ele namoraram… ou namoram já não sei. Ele ia estragar os meus planos!

‘Raios partam o rafeiro!’

Sem qualquer explicação, abandonei Emmett e Alice e corri para Jacob. Ele ergueu uma sobrancelha quando cheguei ao pé dele.

- Olá – cumprimentei sorrindo. Correcção: esforçando-me por sorrir. Não gostava nada dele.

Ele não conseguiu evitar sorrir-me de volta, afinal, era simpático por natureza. Com humanos, pelo menos:

- Olá… O que se passou ali?

Apontou para o local e apressou-se a caminhar para lá. Eu coloquei-me à sua frente.

- Nada de especial – respondi. A minha cabeça trabalhava a mil à hora – Um aluno bêbado que ia a guiar aquela carrinha azul foi contra a outra.

- É a carrinha da minha namor… de uma amiga minha – corrigiu, contrariado – É melhor ir ver o que se passou.

- Da Bella, sim – interrompi – Já ouvi falar de ti. Olá, Jacob!

Ele olhou-me surpreso.

- Conheces a Bella?

- Sim. Ela foi agora mesmo lá para dentro. Tinha que entregar um trabalho qualquer – menti – E a carrinha só ficou com uma mossa… pequenina. Ela disse que tu a reparavas. Porque és mecânico!

Eu tagarelava sem parar na esperança que Jacob acreditasse em mim. No que dependesse de mim ele não ia meter aquele focinho de lobo entre a Bella e o Edward. Não agora.

- Ah… Fico mais descansado.

Entretanto, a ambulância chegou. Porra, ele ia vê-la!

- Prazer em conhecer-te Jacob – rodopiei e modo a ele ficar de costas para ambulância - onde Bella estava a entrar, com Edward, agarrando-lhe a mão e dando-lhe um aperto de mão forçado – Adorava ficar à conversa, mas tenho de ir… a um sítio. Porque não voltas para casa? De certeza que a Bella daqui a bocado vai aparecer lá. Ou então, porque é que não entras e a procuras?

Céus, parecia uma doida ao meus próprios ouvidos. Jacob olhava-me como se eu fosse um óvni ou algo assim. De repente fez um esgar. Aproximou-se de mim e cheirou-me. Outro esgar. Vi que ficou alerta. Pronto! Sentiu o cheiro a vampiro… em mim.

- A vampira não sou eu – avisei, levantando as mãos.

Sim, só para o provocar. Só para ver a reacção dele. Não me desiludi: surpresa; confusão; duvida; nojo e fúria.

'Yay! Sou a maior!'

- Quem és tu? – perguntou ameaçadoramente.

- Clara – respondi.

- A minha namorada – acrescentou Emmett, surgindo atrás de mim com Alice. Ele gostava de pregar aos sete ventos que eu era a namorada dele, não era? Bem, eu não me importava. Mas agora foi só para deixar claro a Jacob que o vampiro ali era ele.

Jacob olhou-o furioso e depois incidiu o olhar em mim. Parecia enojado:

- Namoras com uma sanguessuga?!

- Parece que sim.

- És humana – protestou - É impossível!

- E então? – desafiei – Que eu sabia também não és propriamente humano.

- Pelo menos estou vivo – retorquiu – Namoras com algo… que está morto!

Soltou um som de repulsa.

- Ele é um lobisomem – concluiu Alice, rudemente.

- E é ele, e os outros lobisomens, que te entopem as visões – informei.

- Visões? – questionou Jacob.

Ignorei-o. Alice fitava-o intrigada.

- Eu não consigo ver nada que meta a tua matilha de malcheirosos no meio – guinchou Alice. Agora, parecia zangada.

- Ahahah! Um cão! – Emmett parecia estranhamente divertido.

- Cala-te, sanguessuga! – ameaçou - Ou eu…

- Ou tu o quê? – zombou-o – Roçaste na minha perna?

Tentei não rir. Juro que tentei, mas não consegui.

- Clara, tens de falar com a Bella – disse Alice – Lobisomens não são boas companhias.

- Fala por ti – rosnou Jacob – Não mato inocentes como vocês.

- Acusação injusta, Jake – observei.

Ele voltou a fitar-me, ligeiramente atordoado.

- Como é que tu consegues?! Eles matam pessoas – acusou, novamente.

- Estás enganado.

- Olhos dourados? – insinuou Alice.

- Só sobrevivemos de sangue de animais – explicou Emmett.

Longo silêncio. Jacob parecia desorientado e, acima de tudo, céptico.

- Não é… possível – disse por fim.

- Céus! Gajo mais irritante – resmunguei – Jacob, man! Nunca viste um vampiro? Aposto que sim, caso contrário não eras lobisomem agora. Os vampiros… “normais” vá, que se alimentam de sangue humano têm os olhos vermelhos, ya? V-E-R-M-E-L-H-O-S – soletrei – Capiche?

A abécula não me respondeu. Revirei os olhos. A ambulância já tinha partido há algum tempo.

- Enfim – suspirei – Não tenho tempo para isto – peguei na mão de Emmett e puxei a de Alice – Prazer em conhecer-te, Jacob.

Dirigimo-nos ao porshe de Alice e passados uns minutos estávamos no hospital.

‘Oh… desta vez não vai haver Carlisle’ lamentei-me.

Mas, não sei como, quando lá chegamos, Bella já estava num canto da sala de espera a falar com Edward. Pouco tempo depois, Edward afastou-se bufando. Repreendi-o com o olhar e ele fulminou-me com o dele.

Avancei para Bella.

- Estás bem? – perguntei, fazendo conversa.

- E tu, viste o que ele fez?!

Ela parecia frustrada. Tinha razões para isso. Principalmente agora e ainda mais depois do que eu e Alice lhe dissemos.

- Não vi. Mas sei. Parou a carrinha com uma mão e levantou-a com outra… ou qualquer coisa assim – adivinhei - Certo?

Ela assentiu:

- Não estou maluca, pois não?

- Não, Bella. Claro que não – suspirei – Eu contei-te. Tu é que não queres acreditar.

- Porque é de doidos!

- Tu sabes o que viste – argumentei – Nunca alguém humano poderia fazer o que o Edward fez.

- Ele foi… impossivelmente rápido. E forte.

- Eu sei – fiz uma pausa – A não ser que querias acreditar numa desculpa idiota como… uma descarga de adrenalina.

Ela negou com a cabeça. Sorri. Muito bem, era um começo.

- Eu sei que ele me está a esconder alguma coisa – frisou – Mas tu não podes ter razão.

Calou-se rapidamente e eu senti o meu braço quase a ser arrancado.

- Tu vens comigo – ordenou Edward, rudemente - Agora.

- Não vou a lugar nenhum. Larga-me!

- Estás a pôr-nos em risco – sussurrou para que só eu pudesse ouvir.

- Eu sei o que estou a fazer!

- Não, não sabes!

- Edward? – chamou Bella.

Ele olhou-a de mau agrado, mas com a sua expressão a suavizar. Aww!

– O que és tu?

- O que sou eu?

E largou-me. Afastei-me um bocadinho, mas fiquei suficientemente perto para ouvi-los.

- És humano? – inquiriu ela, directamente. Supreendeu-me.

- O que é que a Clara te disse?

- Nada. Só disse que és muito mais do que o que pareces – mentiu. Linda menina! – Sei que me estas a esconder alguma coisa.

- Quais são as tuas teorias? – perguntou Edward, mais calmo e com uma ponta de divertimento na voz.

Credo! Este homem mudava de humor como eu mudo de cuecas. Esta afirmação era verdadeira se eu mudasse de cuecas 10 vezes por dia, ou mais.

- Eu… já cheguei ao ponto de considerar… aranhas radioactivas – confessou.

Edward abafou uma gargalhada.

“- Estás muito longe da verdade.

- Não há aranhas?

- Não.

- Nem radioactividade?

- Nenhuma.

- Bolas!”

Edward voltou a abafar uma gargalhada.

- A "kriptonita" também não me afecta – gozou.

A Bella, que estava de frente para mim, lançou-lhe um olhar irado.

O Edward suspirou:

- Mas isso é tudo coisa de super-heróis, não é?

'Yay! Omg, omg, omg!'

Ele aproximou-se dela e disse-lhe algo que me pareceu:

“What if I’m not the hero? What if I’m… the bad guy?”

publicado por Twihistorias às 18:00

03
Dez 10

 

Capítulo 45
Luta

 

Alice arregalou os olhos à medida que interiorizava o meu raciocínio. Eu tinha quase a certeza de que estava certa: a visão de Alice ia-se realizar. Em breve. Agora. Emmett e Edward iam-se confrontar e o facto de nos ficarmos ali a criar raízes não ia ajudar. A minha melhor amiga sentou-se na cama a meu lado e ficou inerte. Credo, deviam pagar-lhe por ter tantas visões.

- Alice? – chamei ansiosa – O que se passa? Alice, o que vês?

Nada. Ela continuava a fitar o vazio, a ver algo que escapava à minha realidade material. Segundos depois levantou-se e pôs-me de pé com urgência.

- Veste-te – ordenou – É agora. 
 

*EDWARD POV*

 

Enquanto corria velozmente pela floresta não conseguia pensar em mais nada. A imagem que Alice viu e eu vi na sua mente não me saía da cabeça.

Seria justo, para qualquer ser, ver a pessoa que ama a… fazer amor com o seu próprio irmão? Já o tinha visto uma vez, mas fora uma visão – algo que ainda não tinha acontecido. Agora não. Agora era real. E eu vi.

Senti-me enfurecido e corri ainda mais rápido.

Não, não era justo. Ninguém o merece. Nem mesmo eu. Eu nunca o faria. A nenhum deles.

Sabia que Emmett corria atrás de mim, com apenas alguns quilómetros de distância. Por pensamento, implorava-me por perdão e pedia-me para abrandar e esperar por ele. Não o ia fazer. Não agora.

Se o odiava? Talvez. Podia não estar a ser justo para com ele, mas sentia-me traído. Traído pelo meu irmão. Pelo meu melhor amigo. Um rugido semi-silencioso brotou dentro de mim.

Acelerei ainda mais.

Se o odiava? Odiava. Naquele momento, penso que sim. Pelo menos queria pô-lo a correr ao pé-coxinho.

Mata-lo? Isso nunca. Nunca porque também o amo, é a minha família. Nunca por… ela. Ela ama-o, de verdade. Ela era feliz… com ele. Por muita dor que isso me causasse tinha de o respeitar. Melhor: tinha de o aceitar. Deixei-a a sangrar no momento em que a deixei nas docas e ele curou-a. Mas se ela não tivesse posto em prática aquele plano idiota...

Rugi, novamente.

Eu teria partido mais cedo ou mais tarde, independentemente de tudo.

Se a odiava? Não, não conseguia. Se a amei? Ainda a amo.

Ouvi – na minha cabeça – Emmett a gritar o meu nome.

Abrandei. Encontrava-me agora num prado. As árvores formavam um círculo quase perfeito em volta. A relva verde e húmida estava coberta de flores silvestres. Era um local belo, pacifico e transmitia-me paz. Inspirei fundo e senti o cheiro de Emmett a aproximar-se. Ele continuava a gritar o meu nome, o que me deixou novamente inquieto e me roubou aquele momento de paz de espírito. Resolvi fazer-lhe a vontade e parei.

Momentos depois, Emmett parou mesmo à minha frente.
*FIM DE EDWARD POV*


*EMMETT POV*

 

Fiquei realmente agradecido por Edward ter parado. A expressão dele era miserável, o que me deixava ainda mais zangado comigo mesmo. Mas que raio de irmão sou eu afinal? Que raio de melhor amigo sou?

“Perdoa-me”, implorei por pensamento.

- Edward… por favor.

Ele fez um esgar e suspirou. Hábito humano – suspirar.

- Vocês não podiam adivinhar que eu vinha – retorquiu, como se quisesse desculpar-me.

Tal enfureceu-me. Porque é que ele tinha de ser sempre tão… bom? Tão objectivo? Porque é que não se limitava a insultar-me ou a esmurrar-me a cara?

Vi que Edward quase sorriu.

- Podes faze-lo – verbalizei – Insulta-me. Bate-me.

- Não vou faze-lo – garantiu, calmamente.

- Porque não?! – agora gritava – Eu mereço! Anda lá, Edward! Sê homem!

Ele revirou os olhos:

- Não sejas idiota.

- Tu ama-la! E… e eu roubei-ta.

- Emmett…

- Perdoa-me – interrompi – Não… Não queria faze-lo.

- Mas fizeste.

- Pois fiz – concordei – Sou uma merda, eu sei. Anda, ataca-me!

- Não vou atacar-te – proferiu cada palavra como se estivesse a falar com um atrasado mental. Era como me sentia – Emmett, esquece isso. Eu faço o mesmo.

- Não tinhas de ter visto aquilo – lamentei-me.

- Foi a Alice que viu – corrigiu.

Semi-cerrei os olhos.

- Estás a tentar ser engraçado? – perguntei sarcasticamente.

Ele sorriu – um sorriso forçado e triste.

- Talvez. Consegui?

- Nem por isso.

Ambos sorrimos sem motivo aparente. Éramos irmãos e há coisas que nunca mudam. Mesmo no meio de uma crise, há sempre tempo para se ser ridículo.

Seguiu-se um longo silêncio. Nenhum de nós dizia nada. Se bem que ele conseguia saber o que eu estava a pensar, logo eu estava em desvantagem. Vi-o conter um sorriso a este meu pensamento. Cocei a cabeça – outro hábito humano. Se eu pudesse…

“Edward, se eu pudesse simplesmente… deixa-la… eu…”.

- Emmett – interrompeu-me.

- É verdade. Mas… mas não creio que o consiga fazer – confessei – Já pensei nisso muitas vezes, mesmo antes de ela te encontrar em Volterra.

- Eu sei – apontou para a sua cabeça – Mas nunca o farás - apontou para o meu coração.

- Porque não consigo.

- Porque não queres.

- Ok, porque não consigo e porque não quero - fiz uma pausa e aproximei-me do meu irmão - Amo-a.

- Eu também – disse rudemente.

- Eu sei… Estraguei tudo. Desculpa!

- Eu estraguei tudo – hesitou – Bem, secalhar até foi ela. Mas sabes uma coisa? Eu ia acabar por partir. Por deixa-la. Não ia ter estômago… Não sou tão forte como tu, Emmett.

- Mas ama-la! Ia resultar… de alguma maneira.

- Talvez – divagou – Mas nunca o iremos saber.

- Lamento – lamentava mesmo.

Edward aproximou-se de mim e pôs-me a mão no ombro.

- Ela ama-te – murmurou – Tu ama-la.

Assenti, perguntando-me onde é que ele queria chegar. Claro que, obviamente, Edward me iria responder.

- Faz o que eu não consegui fazer: fá-la feliz.

- Já me disseste isso uma vez.

- Eu sei – riu-se – Só te estou a relembrar.

- Tu fizeste-a feliz – assegurei.

Edward não respondeu. Virou-me costas e fitou o céu. Foi capaz de ter ficado assim, sem exagero, 10 minutos. Eu só pensava no quanto me estava a odiar. Será que ele também me odiava? Bem, se sim, não podia censura-lo.

- Não te odeio – sussurrou.

Lentamente virou-se novamente para mim.

- Fico feliz por saber – disse com sinceridade. “Apesar de não perceber”, acrescentei interiormente.

- És meu irmão. Amo-te, e isso nunca vai mudar.

- Isso soou um bocado gay – comentei. Edward abafou uma gargalhada – Mas também te amo, maninho.

Estendi a minha mão para Edward. Este resmungou qualquer coisa que soou a “é tão cromo” e deu-me um abraço.

- Ela está feliz. Tu estás feliz. Logo, eu estou feliz.

- Mentiroso – acusei.

- Tudo bem, fico feliz por vocês.

- Desculpa.

- Não tenho nada para desculpar.

Revirei os olhos e dei-lhe um murro nos abdominais.

- Perdoas-me?

- Como queiras – cedeu – Estás perdoado.

Um momento depois, Edward rosnou-me.

*FIM DE EMMETT POV*

*CLARA POV*

- Alice, isto é mesmo necessário?

- Eles estão a algures ali no meio, Clara! Não podemos ir de carro. Anda lá! Salta para as minhas costas.

Encontrávamo-nos no fim do trilho que ia dar à estrada nacional. À nossa frente tínhamos a densa e sombria floresta.

- Mas…

- Ou o fazes a bem, ou levo-te a mal – ameaçou.

Lamentei-me e subi para as costas de Alice – que, digamos de passagem, era mais pequena que eu.

- Fecha os olhos – advertiu.

- Não te preocupes, eu gosto de velocidade.

Alice murmurou algo que eu não percebi e começou a correr. Alice era mais veloz que qualquer carro ou mota em que eu tenha andado. Estava chocada com a sensação de tal velocidade me dava. A adrenalina corria-me quente nas veias e eu senti-a a pressão da gravidade na pele da minha cara. As árvores não passavam de borrões verdes no nosso caminho.

Senti Alice ficar tensa.

- Que é? – perguntei.

- Já os consigo cheirar – informou – Estás bem?

- Estou. A sensação é engraçada.

Ela riu. Sabia que ela estava nervosa, mas tentava não o demonstrar para não me alarmar. Eu fazia o mesmo. Se chegasse lá e aqueles dois estivessem pegados eu matava-os com as minhas próprias mãos – se o conseguisse fazer.

- Já os vejo! – exclamou.

- Não vejo nada – resmunguei.

Mas, para aí, um quilómetro mais à frente já conseguia visualizar dois vultos. Fechei os olhos ansiosa.

Segundos depois os músculos de Alice enrijeceram ainda mais.

- Clara… estão a lutar!

Gelei. Abri os olhos, agora sim, estávamos próximas e já os podia ver quase na perfeição. Mais dez segundos e estariam ao alcance das minhas mãos.

- PAREM! – gritei – PAREM SEUS IDIOTAS!

Resultou. Eles ouviram-me e pararam para nos fitar à metida de nos íamos aproximando deles. Cinco segundos mais tarde, Alice pôs-me no chão.

- Edward! Emmett! – ralhou.

Eu corri na direcção deles e desferi-lhes montes de murros, ignorando as dores que tal me provocava.

- VAMPIROS ESTUPIDOS – insultei – Guardem a testoesterona para vocês!

Emmett agarrou-me os pulsos e fitou-me como se eu fosse demente. Arrisquei um olhar para Edward e ele fitava-me da mesma maneira.

- QUE É?!

- Clara, estás bem? – perguntou Edward, num tom de voz calmíssimo – tão calmo que até me fez ficar tonta.

- Estás a agir como uma maluca – comentou o meu namorado vampiro (actual) – O que se passa?

- HAHAHAHA! Vocês é que devem ter a mania que são os machos alfas e pegam-se e eu é que sou maluca?! – disparatei.

- Emmett? Edward? – chamou Alice, confusa.

Eles fitavam-me estupidamente. Depois olharam para Alice, depois novamente para mim. Emmett fitou Edward e este acenou-lhe que sim com a cabeça Depois desataram a rir. Não, eles não desataram a rir eles perderam-se em gargalhadas.

Ergui uma sobrancelha e olhei Alice em busca de ajuda. Esta parecia tão desorientada quanto eu.

- E depois eu é que sou a maluca – refilei.

Lentamente, eles foram-se recompondo. Edward foi o primeiro a falar:

- Alice viu-nos a lutar.

Eles estavam a lutar.

- E nós estávamos a lutar… mas a brincar – concluiu Emmett.

Pisquei os olhos varias vezes tentando interiorizar o que eles me diziam. Sobressaltei-me com a gargalhada aguda de Alice.

- Vocês assustaram-nos!

- Desculpem – pediram em coro.

Eu ainda estava meia em choque:

- Vocês estavam a brincar?

- Sim – respondeu Emmett – Fizemos as pazes e comemoramos com uma boa luta.

- Parecia tão real – refutou Alice – Na minha visão.

- Somos bons actores – gracejou Edward.

E agora fazia piadas? Eu estava rodeada de vampiros doidos e com dupla personalidade. Há meia hora atrás Emmett praticamente destruiu o nosso quarto de hotel e Edward saiu todo transtornado e agora estavam aqui a rirem-se e a fazerem piadas?! Eu tinha de ter uma conversa seria com Carlisle. Ele criou vampiros dementes!

- Clara? – chamou Emmett, puxando-me para ele – Estás bem?

Pelo canto do olho vi Edward virar a cara para outro lado.

Assenti.

- E desculpa o meu comportamento à bocado…

- Aham – abracei-o - Vocês são doidos.

Emmett riu-se.

- Edward? Desculpa – pedi.

Ele virou-se para mim e sorriu.

- Está tudo bem.

Olhei em volta e "reconheci" o local onde estávamos. Nunca tinha estado aqui, mas reconhecia-o das descrições que lera. Era o prado da Bella e do Edward.

- Devíamos estar nas aulas – relembrou, de repente, Alice.

Olhei para ela e ela sorriu. E soube que tivemos a mesma ideia.

- Vamos para as aulas – sorri – Todos.

Emmett e Edward semi-cerraram os olhos.

- Sem discussão – avisei – Edward, quero que conheças uma pessoa.

 

Capítulo 46
Isabella


Quando chegamos à escola no bruto porshe alugado de Alice ninguém nos prestou muita atenção – já conheciam a máquina – mas quando Edward e Emmett saíram do carro as cabeças – começando pelas femininas - viraram-se todas na nossa direcção. As raparigas olhavam-nos deslumbradas e eu começava a sentir o ciúme a rugir dentro de mim, pelo que dei a mão a Emmett, bem como quem diz “Já tem dona!”; e os rapazes olhavam-nos com o sobrolho erguido e visivelmente invejosos. Dei por mim a rir. Alice e Emmett também riram. Edward limitou-se a revirar os olhos. Sobressaltei-me quando o riso de Emmett se tornou numa gargalhada.

- Que foi? – perguntei.

- Que raio é aquilo? Parece um monstro. Um monstro da sucata – apontou para a carrinha de Bella, e eu desmanchei-me a rir. Aww!

- É da Bella – retorqui – De uma… amiga minha. Vocês vão conhece-la.

- Vamos? – questionou Edward – A que propósito?

O Emmett ergueu-me um sobrolho:

- Amor, vampiros, ya? Relações com humanos são mais limitadas possível?

Soltei a minha mão da dele e bati-lhe.

- A nossa não parece lá muito limitada, Cullen – resmunguei.

Para minha surpresa, em vez de virar a cara ou assim, Edward riu:

- 1 – 0, maninho!

Emmett ignorou-o:

- Oh, amor… Tu percebeste o que eu quero dizer – voltou a pegar na minha mão – E além disso, és diferente dos outros humanos.

Abanei a cabeça e ele deu-me um leve beijo nos lábios. Olhei de esguelha para Edward e ele olhava para a frente. Entretanto, chegamos a um bloco do liceu.

- Alice para onde vamos? – questionei na esperança que ela tivesse uma visão qualquer.

- Cantina – disse, firmemente.

- Alice, o que foi isso?! – perguntou Edward fitando a irmã.

- Nada, Edward.

- Tiveste uma visão!

Ups.

- Não sejas chato, Edward.

E começou a andar na direcção da cantina. Eu e Emmett seguimo-lo, com Edward atrás a resmungar sozinho. Quando nos sentamos numa mesa qualquer, Edward fitava Alice furioso.

- Pára de cantar a “Forever Young”, Alice! – ordenou – Pára de me tentar esconder o que quer que tenhas visto!

Ela ignorou-o e eu e Emmett ri-mos. Ganda, Alice!

Nesse instante Bella entrou na cantina. Eu fiquei subitamente muito nervosa. Ela olhou na nossa direcção e arregalou os olhos.

“Boa!” sorri comigo mesma.

Depois, virou a cara. Oh!

Edward não se apercebeu de nada. Alice estava concentrada a tentar esconder-lhe a sua visão que não podia fazer nada. Ok, eu tinha de fazer alguma coisa. Tinha que fazer Edward reparar na Bella e vice-versa. Voltei a olhar para ela – que agora estava sentada – e ela fitava Edward. Wiii! Parecia… deslumbrada? Depois olhou para Emmett e também pareceu fascinada, embora, assustada. Ri-me. Ela viu e desviou o olhar.

- Qual é a piada? – perguntou, Emmett.

Ora aí está, a minha salvação.

- Nada. Emm, aquela é que é a Bella.

Edward não se moveu, continuava a penetrar o olhar da irmã. Mas eu sabia que reagiria aos pensamentos do meu namorado. Esperava eu…

Emmett olhou para Bella, no mesmo instante em que ela olhou para nós. Rapidamente, baixou a cabeça envergonhada. Não sei o que Emmett pensou, mas Edward voltou-se para a olhar. Durante uns longos segundos não desviei os olhos dele. Podia ler-lhe todas as emoções: confusão, expectativa, surpresa e frustração. Imaginei que ela já tivesse olhado para ele quando ele exibiu um olhar hostil. Dei-lhe um pontapé por baixo da mesa, magoando o meu pé.

- Au! – queixei-me.

Edward olhou para mim, piscando os olhos, recompondo-se:

- Que foi?

- És duro!

Ele olhou para Alice, que se estava a rir, e ficou novamente enfurecido. Ela pôs-lhe a língua de fora e ele abanou a cabeça.

- Ninguém te mandou dares-me uma festinha, Clara.

- Ahahah!

Alice saiu delicadamente, passando por Bella e piscando-lhe o olho. Edward rosnou.

- O que é que me escapou? – perguntou Emmett, baralhado.

- Nada amor, esquece.

Ele encolheu os ombros e espetou-me com mousse de chocolate no nariz.

- Hey!

Antes de me dar tempo de fazer ou dizer mais alguma coisa, lambeu-me a mousse do nariz, muito rápido.

- Emmett!

Ele riu e Edward juntou-se a ele. Reparei que os seus olhos estavam dourados, daí a ausência de mau feitio – ainda o tinha, mas estava mais bem disposto.

Olhei para Bella e reparei que ele estava a assistir à cena.

- Já venho – comuniquei.

Dirigi-me à mesa onde ela, Mike, Angela, Jessica, Eric, Ben, Lauren e Tylor estavam – quer dizer, presumi que fossem eles, pois só conhecera Mike.

- Olá, Bella – cumprimentei.

- Olá, Clara! – respondeu Mike brincando-me com um sorriso.

Sorri e virei-me para ver a reacção de Emmett. Este olhava Mike ameaçadoramente. O desgraçado percebeu aperceber-se e baixou o olhar para a comida:

- É teu pai?

- Uma coisa assim.

Quase me ri.

- É o teu namorado? – questionou Bella, curiosa.

- É.

- Parece… velho demais para ti.

Percebi o segundo sentido atrás das suas palavras.

- Não é – menti.

- A… família veio? Os Cullen todos?

- Toda não. Só eles.

- É o namorado da Alice?

- Não. É o Edward.

Bella pareceu ficar surpresa.

- Ah. Então, é o ex namorado – comentou, sem maldade. Acho.

- Vocês namoram uns com os outros?! – intrometeu-se Jessica, com o choque evidente na voz.

- Uma coisa assim – respondi, tentando soar amável.

Bella preparou-se para dizer algo, mas as palavras ficaram-lhe presas na garganta quando Edward passou por nós. Não consegui evitar sorrir.

- Vais conhece-lo – garanti.

- Tu és doida – sussurrou.

Ignorei-a, mais cedo ou mais tarde ela iria acreditar em mim. O meu sorriso cessou quando sete pares de olhos se esbugalharam a fitar algo atrás de mim. Nesse segundo, as mãos de Emmett agarraram a minha cintura – sim, sabia que eram as mãos dele, mesmo sem o ver. Conheço-as muito bem.

- Continuo a achar que me escapou alguma coisa – murmurou ao meu ouvido – Olá! – cumprimentou os restantes.

As raparigas acenaram timidamente e os rapazes disseram um “hey” carregado de intimidação. Abafei um riso.

- É o Emmett – apresentei a todos.

Eles apresentaram-se também, embora acanhados. Estava certa. Cada um era quem eu imaginara ser. A Bella foi a única que não disse nada. Fitava os olhos de Emmett e parecia concentrada em algo.

- Esta é a Bella, Emm – apresentei por ela.

- Olá, Bella!

Ela pareceu descongelar e procurou ajuda nos meus olhos. Sorri-lhe.

- Hey…

- Amor, temos de ir – disse Emmett.

Todos reagiram à palavra 'amor', incidindo o olhar em mim.

- Ok. Vejo-te logo, Bella.

- Ok…

 

Depois de explicar a Emmett o que se estava a passar – e ele ficou todo tolo -, eu, ele e Alice praticamente obrigamos Edward a ir à aula de Biologia connosco. Não sei como, conseguimos. Claro que, ninguém mencionou Bella. Entramos na aula, com antecedência, não querendo ficar sem lugar. Alice explicou a situação – suposta transferência do resto da família – ao professor, que pareceu contente com o facto de ter novos alunos. Eu e Emmett sentamo-nos numa carteira atrás de Edward e Alice foi-se sentar com o Mike – ele ficou radiante.

Edward ficou sozinho e mostrou-se confuso por Alice o ter renegado. Ouvi-o rosnar.

- Edward! – repreendi, tipo mãezinha – Comporta-te!

- O que é que vocês estão a tramar agora?

- Nada – respondi inocentemente.

- Ai é? – desafiou – Então porque é que eles os dois – apontou com a cabeça para Emmett e espetou um dedo na direcção de Alice – Estão a cantar o “Forever Young”?!

Controlei a gargalhada que quase saiu.

- Devem estar a controlar o apetite sexual…

Emmett riu e, atrás de mim, Alice também. Edward revirou os olhos e voltou-se para a frente. A sala já estava cheia – exceptuando o lugar ao lado de Edward – e, finalmente, Bella entrou. Sofreu um choque bem visível quando nos viu e corou freneticamente quando se apercebeu do único lugar livre. De má vontade juntou-se a Edward. Este virou-se para trás e lançou-nos um olhar rude. Desta vez fui eu que lhe pus a língua de fora.

Reparei que os seus músculos enrijeceram.

Apressei-me a escrever um papel:

 

“Calma, Edward. Ela é para ti, tal como eu sou, La Tua Cantante.
Se aguentaste comigo, aguentas com ela.”

 

 

Entreguei-lho e ele respondeu em seguida:

 

“Como é que sabes estas coisas?”
____


“Não interessa.
Aguenta. Tu aguentas. Não deve ser assim tão diferente de mim.”
___

 

“Não, mas é diferente. A ti (amo) amava-te. Claro que aguentava.”



Emmett baixou a cabeça, sentindo-se mal.

- Não sejas totó – sussurrei dando-lhe a mão esquerda.

Com a direita, escrevi uma resposta a Edward:


“Também a vais amar.”



Após ler o que eu escrevi, Edward soltou uma leve gargalhada de humor negro.

Bella elevou o sobrolho na sua direcção.

publicado por Twihistorias às 18:00

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