16
Jul 13

 

 

 

Epilogo

Sete anos mais tarde

Um raio solar batia nos meus olhos. Remexi-me no meu beliche e coloquei a almofada a bloquear aquela luz solar.

Ainda não tinha tocado a sirene para nos despertar, ainda tinha algum tempo para dormir.

Era o que mais odiava na prisão, não havia cortinas na pequena janela da cela, por isso, assim que amanhecia o sol tratava de nos torturar aquelas poucas horas de sono.

Era oficial, não iria conseguir dormir mais, mas eu era uma lutadora, por isso não seria eu a dar a parte fraca e saltar da cama antes do soar do despertador.

Por isso ali fiquei imóvel na tentativa de enganar o sol, talvez assim ele desaparecesse.

Pensei nas pessoas que estavam cá fora e já não via à anos. Pessoas que outrora foram importantes para mim, algumas ainda o eram.

Pessoas que já não teria a oportunidade de ver, que não iriam estar à porta à minha espera.

A minha mãe.

Ela morrera quatro anos depois de eu ser presa.

Ataque cardíaco fulminante.  

Estava ótima num momento, como no seguinte estava morta. Aparentemente isto acontecia mais vezes do que se pensa.

Ainda me lembro do dia em que o Sam me veio fazer a visita para me dar a notícia. Assim que o vi entrar pela porta das visitas soube que algo de grave se tinha passado, não imaginava é que seria para me dar aquela notícia.

Não pude ir ao funeral dela. Não tive a oportunidade de me despedir da minha mãe e isso era o que mais me custava nisto tudo. Com os olhos inundados em lágrimas e entre soluços implorei ao Sam para levar um ramo de rosas brancas e colocar sobre ela e para ele lhe dizer que eram minhas. Para frisar bem esse ponto, para ela saber que eu me lembrava dela e que a amava muito.

Depois da minha mãe falecer era a Emily que me vinha visitar uma vez por mês. A viagem era demasiado longa para vir mais frequentemente, no entanto a Emily adoeceu. Afinal de contas, a idade não perdoa, e passou a ser difícil para ela se deslocar em longas distâncias.

Ethan, assim como Bentley, teve que deixar de me visitar, a idade não passava para ele devido À sua condição de lobo. Ainda não tinha aprendido a controlar. Além que ainda combatia alguns vampiros e ajudava o Sam com os novos membros da matilha.

Basicamente as minhas visitas ao longo destes sete anos foi muito simples. O primeiro ano e meio que estive presa as visitas pertenceram ao Bentley, e o ano e meio seguinte pertenceu ao Ethan. Eles tinham chegado a esse acordo, para me proporcionar mais algum tempo da companhia deles.A minha mãe veio semanalmente nos quatro anos em que foi viva. A Emily acompanhava a minha mãe em algumas dessas semanas e depois da minha mãe morrer ela ainda veio dois anos mensalmente. Depois as visitas simplesmente desapareceram. Ou apareciam em casos mais especiais ou porque simplesmente estavam por perto. Mas eram tão raras que ficava 3 meses ou mais sem visitas.

Estava tão habituada a esconder as minhas verdadeiras emoções que nunca revelei a ninguém o quanto eu me sentia sozinha e abandonada por vezes.

Desde à dois anos para cá, pedi a ambos que deixassem de me ligar ou escrever. Que ambos seguissem com a sua vida.

Custou faze-lo, mas era pior estar privada da visita deles e alimentar uma esperança em relação a eles apenas com cartas e telefonemas.

Não era justo para eles, e não era justo para mim.

Apesar de relutantes, tanto o Ethan como o Bentley respeitaram a minha decisão, apenas a quebrando em ocasiões especiais, como anos, natal, passagem de ano, a data do dia em que nos conhecemos. Ethan foi o único que me enviou uma carta no dia em que o Jackson nasceu, para celebrar o nascimento dele e uma no dia em que ele morreu. Foi a forma de estar “ao meu lado” nesse dia. Tinha-o feito todos os anos.

O som da sirene fez-se ouvir por todas as alas.

Estava na hora de levantar, não tardaria chegaria a minha vez de ir tratar da minha higiene pessoal, depois teria umas horas no pátio para relaxar ou apenas ir para a ala do ginásio e depois teria que me dirigir para a cozinha, era a minha semana de fazer o almoço juntamente com outras presidiarias.

-Se vai haver uma coisa que não vou sentir falta quando sair daqui é desta estupida sirene. – resmungava a Amanda assim que se levantava do beliche de baixo.

Amanda era uma rapariga mais ou menos da minha idade, de cabelos loiros e bastante ondulados. Estava presa por agressão e assalto.

Ao início foi complicada a nossa convivência. Eu não confiava nela, e ela não confiava em mim. Ainda nos envolvemos em algumas brigas, mas com o tempo aprendi a lidar com ela e vice versa. Agora eramos quase como irmãs ali dentro. Tomava-mos conta uma da outra.

-Bom dia Amanda. – respondi de forma divertida.

-A sério miúda. Estes gajos haviam de acordar assim em casa também para ver o que é bom. É que já tamos a pagar pelo nosso crime, não é necessário torturar.

Desci da cama e comecei imediatamente a desfazer a cama. Aqueles lençois teriam que ir para lavar e não era a guarda que iria desfazer a cama de certeza. Nunca eram.

Deixei a Amanda ali a reclamar com a sirene enquanto ambas tratávamos de deixar a cela arrumada o suficiente para a possivel vistoria da guarda.

Sim, vistoria. Aleatoriamente eram escolhidas 3 celas para vistoria diariamente. Se não estivessem devidamente arrumadas iriamos ficar trancados na nossa cela esse dia inteiro, como forma de castigo.

Acreditem que um dia inteiro num cubículo daqueles é uma tortura ainda maior que a sirene.

-Então tudo pronto? – perguntou-me ela sentando-se na cama enquanto me observava. – Quer dizer estás preparada?

-Sim, acho que sim. – o meu sorriso não se alargou muito.

-Sei… - disse ele de forma superior.

Fomos interrompidas pelo destrancar das portas. Toda a gente começou a sair. Agarrei nas minhas coisas e despachei-me para os balneários.

Assim que estava com o meu macacão azul marinho sai para o pátio. Aos poucos este começava a encher-se.

Ao contrário dos outros dias, hoje à minha volta era um frenesim.

 O motivo disso era o resultado da revisão da minha pena que se tinha dado no início da semana. Estava receosa em relação a isso. Tudo podia acontecer, a pena aumentar, diminuir ou mesmo eu ficar livre.

Ainda não acreditava muito na decisão do juiz por isso evitava ao máximo pensar nela.

Mas a verdade é que a partir das 16 horas eu estava oficialmente livre. Iria ser uma cidadã livre.

Uma pessoa livre e sozinha lá fora.

Optei por não comunicar ninguém lá fora sobre esta saída.

Eu iria começar uma vida nova.

A manhã passou demasiado rápido e o friozinho na barriga aumentava a cada minuto que passava.

Depois de almoço todos eramos retirados para as nossas celas por umas horas. E como eu ainda não estava livre, o dia estava a correr conforme o horário de um dia normal.

-Prometes que me esperas quando eu sair? – perguntava a Amanda.

Assim como eu ela era órfã, e não teria ninguém do outro lado do portão à espera dela.

-Sabes que sim. Vou procurar uma casa, emprego e depois vens para a minha beira. – sorri em forma de encorajamento.

Ainda lhe faltavam 10 anos para ela cumprir e estaria livre. Muito podia acontecer naqueles 10 anos, mas eu pretendia realizar a minha promessa.

A porta da minha cela abriu e estava uma mulher com o seu uniforme a sorrir para mim.

-Vamos minha querida, os teus dias aqui terminaram. – quem disse que os guardas eram todos maus enganaram-se. Eles são bem simpáticos, apenas reagem quando nós abusamos.

-Adoro-te. – foi tudo que tivemos oportunidade de dizer uma à outra num abraço apertado antes de eu ter que me retirar.

A guarda Callen acompanhou-me ao longo dos corredores. Ouvia o barulho de coisas a bater nas grades. Era a forma de prestarmos tributo numa prisão a alguém que estava a sair em liberdade.

Não consegui evitar as lágrimas escorregarem-me pelos olhos.

Finalmente o capítulo intitulado Chester estava terminado, e era algo que eu nunca mais queria recordar.

Agora iria começar um novo, com uma nova Kelsi. Porque a Kelsi antes do Chester, essa menina não tinha sobrevivido aos ferimentos.

Esta nova Kelsi era talvez um pouco mais fria, mais desconfiada, mas era uma Kelsi viva.

E eu iria lutar por me manter assim e por ser livre.

-Espero nunca mais te ver Kelsi Miller – disse a guarda Callen com um sorriso no rosto – no bom sentido claro.

-Eu também.

Depois disto respirei fundo enquanto aguardava que o portão de ferro maciço se abri-se e dei um paço determinante em frente.

Um paço para a liberdade, para um renascer.

Dei por mim de olhos fechados a cheirar a brisa da liberdade.

Tinha um sorriso nos lábios mesmo sem me aperceber.

Não quis que o meu advogado me fosse buscar, por isso teria que me desenrrascar para apanhar um táxi. Provavelmente teria que andar um bom pedaço até encontrar um.

Mas nada disso me dasanimou.

Continuei apenas ali, a saborear a liberdade.

Meu Deus, uma pessoa só dá valor a estas coisas quando as perde. Como eu sentia a falta do mar, da areia, de correr descalça no mato como fazia quando era pequena, de andar de mota.

Tinha tantas coisas para fazer.

Abri finalmente os olhos.

O céu estava acinzentado, à muito que o sol tinha fugido. Por vezes pensava que ele aparecia apenas para me acordar antes da hora da sirene.

Mais uma vez dei por mima  sorrir. Nunca mais acordaria ao som da sirene.

Olhei em frente para começar à procura de um táxi e foi quando alguém surgiu no meio do parque de estacionamento.

Não estava de todo a contar com ele ali. Aliás, não contava ali com ninguém.

Mas lá estava ele, a sorrir para mim e de braços abertos. Como sempre foi nestes 7 anos.

A diferença é que agora o podia abraçar.

E foi assim que tive a certeza que era com ele que eu queria estar.

A minha escolha tava feita.

Corri para abraçar aquele que era o homem da minha vida.

-Oh Kelsi tive tantas saudades tuas. – disse-me ao ouvido enquanto me segurava nos seus braços.

-Amo-te tanto. – disse por fim. – Desculpa ter demorado tanto a perceber isso.

Ouvi a pequena gargalhada dele ao meu ouvido.

-Eu também te amo, mas isso já tu sabias. – e depois destas palavras carinhosamente beijou-me.

FIM

 

Nota da autora:

Antes de mais o meu obrigado por não terem desistido da historia "I wish", mesmo com estes tempos de espera infernais. (Eu sei, que vergonha) Mas a vida deste lado aqui não está facil.

Peço desculpa também pelo final, mas foi o mais apropriado para mim. Deixo à imaginação de cada um de voces quem é ele...eheh

Pode ser que venha mais surpresas...eheh...sem data marcada e sem compromisso!! XD

 

 

publicado por Twihistorias às 18:00
Fanfics:

05
Jun 13

Capítulo 41

Tinha passado exactamente 5 dias desde a revelação da Bella.

Desde aí não conseguia dormir direito e muito menos comer. Qualquer tipo de sensação no estomago era razão de alarme. O Dr. Carlisle examinava-me todos os dias. Mas não sabíamos o que fazer, apesar de não ser a primeira gravidez vampiro-humana, eram tão escassas que não se sabia quando é que as mesmas se manifestavam.

Hoje era a audiência final.

Nos últimos dias ouvi relatos de médicos, policias, peritos no assunto, psiquiatras, amigos do Chester e antigos amigos meus, familiares do Chester. O Ethan também testemunhou assim como o meu amigo Ryan. Quem mais me surpreendeu foi mesmo a Rebecca testemunhar a meu favor. Divulgou a toda a gente o que tinha inventado ao Ethan e até me pediu desculpa. Até eu fui obrigada a testemunhar. Um testemunho sem qualquer tipo de emoção, com um muro bem alto para me proteger como sempre dos olhos alheios. Fui obrigada a revelar todos os pormenores da violação, a reviver tudo mais uma vez.

Em contrapartida, quem mais surpreendeu toda a audiência foi o testemunho da Cassie e da Faye. Ambas também foram vítimas do Chester. À minha semelhança ambas usavam o cabelo curto e pintado. A Faye usava um cabelo vermelho e e Cassie usava o cabelo preto, assim como eu.

A violação da Faye aconteceu 6 meses antes da minha, a Cassie aconteceu à pouco mais de um ano. A de cabelo vermelho ganhou coragem pela primeira vez de assumir o que lhe tinha acontecido. Disse que não falou mais cedo, porque à minha semelhança teve vergonha. Já Cassie não falou antes por medo, uma vez que o Chester se dava demasiado bem com a sua irmã, ela tinha medo que ele fizesse alguma coisa à irmã dela para se vingar. Falou agora porque já não havia perigo e porque era injusto eu ser presa por ter feito “o que estava certo”.

No entanto, fez questão de antes de abandonar o tribunal me dizer que não o fez por mim. Aliás, que me odiava a mim e a todas as outras por não termos feito queixa dele. Por não termos tido a coragem na altura. Porque se o tivéssemos denunciado na altura, talvez ela agora não vivesse num inferno. Talvez conseguisse ter a vida com que sempre sonhou. Conseguisse confiar nas pessoas. Não ter medo de um simples “Olá”.

Na altura não lhe respondi. Como o poderia fazer? O que poderia ter dito? Todas as acusações que ela proferiu foram verdade. Se na altura tivesse falado, talvez ela agora ainda fosse uma menina normal. Talvez se a Faye tivesse falado na altura, eu ainda fosse normal.

No fundo passei a “odiar” a Faye e todas que me antecederam no caso Chester.

Ouvi um bater na porta do meu quarto.

-Entre! – disse de forma monótona.

À semelhança dos outros dias, Ethan adentrou pelo meu quarto com uma bandeja recheada de comida para o meu pequeno almoço. E mais uma vez torci o nariz perante aquele montante de comida.

Só de olhar ficava enjoada. E só o pensamento “enjoos” fazia com que o meu estomago desse um nó.

Não podia estar gravida. Não queria.

Bella tinha-me explicado algumas coisas da sua própria gravidez e das duas uma, ou morria ou virava vampira. O problema é que não sabia qual das duas opções queria escolher.

Porquê que não poderia continuar como sou agora? Apesar de não gostar muito desta Kelsi, eu gostava do conhecido.

E principalmente gostava de poder ter uma opção de escolha. Eu queria poder escolher se queria ser humana, vampira ou ainda morrer.

No entanto, basicamente aquilo que o Bentley me tinha feito era colocar entre a espada e a parede, ou vês o teu filho crescer ou não! Sim, porque era só isto que eu conseguia pensar quando olhava para ele. Era como se ele me tivesse traído.

Não me tinha deixado escolher ficar com ele por livre vontade. Não! Tinha que colocar uma possível criança no meio.

Não conseguia ver ou pensar no Bentley sem sentir raiva.

-Tens que comer Kelsi. – os meus pensamentos foram interrompidos pela voz de Ethan que pousava agora a bandeja à minha frente e se sentava à minha frente na cama.

-Não consigo. – a minha voz foi realmente sincera. Para além dos nervos do possível hipotético bebé, do Bentley, tinha o final da minha audiência. Os júris tinham chegado ontem à noite a uma conclusão.

-Consegues Kelsi, eu estou aqui para o que der e vier. Tudo vai correr bem. – a voz do Ethan era doce e calma.

Sabia que ele não se referia apenas ao final da audiência, mas também à possibilidade de eu ter um bebé.

Era isso mesmo a impressão natural. Nestes últimos dias tinha finalmente compreendido o que era a impressão natural. E compreendi que a coisa não funcionava num só sentido. Eu não conseguia ficar longe do Ethan, tínhamos uma ligação tão forte, tão unida que era simplesmente impossível não passar um dia sem ouvir a voz dele, sem o ver.

E apesar de muita gente pensar que era amor, não, é diferente. A impressão natural é algo mais do que amor, é querer o bem do outro não importa o quê. E apesar de ser forte a nossa relação para mim, imagino que seja mais forte no lobo.

No entanto, não podia admitir que estava apaixonada pelo Ethan. Quer dizer, talvez até estivesse, mas também não podia negar os sentimentos que tinha pelo Bentley apesar de tudo.

Estava tão confusa a minha cabeça.

A única coisa que sabia é que queria aproveitar o facto de ter ali o Ethan.

Sorri e lá peguei numa torrada e fiz um esforço para comer.

-Estás a ver, não é assim tao difícil. – disse ele pegando noutro pedaço de torrada. Sorriu para mim e deu a primeira dentada.

Sorri perante o seu jeito infantil, por vezes fazia lembrar-me o Jackson. Como sentia saudades do meu menino.

O meu sorriso começou a desaparecer. Apercebi-me da possibilidade de estar gravida novamente, e de que este bebe nunca seria o Jackson, nunca teria os mesmos traços. Não seria o Jackson.

Dei por mim a desejar que fosse uma menina, para não haver riscos de comparações.

-O que foi? – perguntou Ethan.

-Nada, simplesmente lembrei-me do Jackson. Vocês eram tão parecidos. Deu-me saudades.

Ethan levantou-se depois das minhas palavras e enfiou-se na cama comigo. Abraçou-me e consolou-me.

-Tenho a certeza que onde ele está, está a olhar para ti e tem demasiado orgulho em ti. E um dia nós iremos para perto dele e vamos matar as saudades todas. Aliás, agora tens que te preocupar contigo e com… - não terminou a frase, apenas olhou para a minha zona abdominal.

Ainda lhe custava falar no bebe que eu provavelmente teria a formar-se dentro de mim. Não o forçava a falar nisso, o mais certo era ser incómodo para ele falar nisso. Apesar de uma pequena parte de mim querer falar sobre isto com alguém que eu conhecesse e me sentisse À vontade.

Não tinha nada contra a família do Bentley, mas eu não os conhecia assim tão bem. Apesar de simpáticos, eu tinha acabado de conhecer aquelas pessoas.

-Sim, eu sei… - disse de forma a protege-lo daquela conversa.

-Kelsi, sabes que eu te adoro, certo? Que faço qualquer coisa para te ver feliz. – acenei com a cabeça. – Apesar de ter evitado falar nisto, porque me custe, sabes que te vou apoiar aconteça o que acontecer. A ti e a esse bebé. – por fim, ele falou. Enrosquei-me um pouco mais nele, sabia bem sentir o calor que emanava dele. – Kelsi, posso odiar o pai da criança, mas amo a mãe, e nada nem ninguém lhe vai fazer mal. Prometo.

-Obrigado. – pronunciei enquanto o abraçava por baixo dos cobertores.

Fechei os olhos e foi como se recuasse no tempo. Sentir os braços do Ethan a circundar o meu corpo, ouvir a voz dele a dizer o quão importante eu era para ele. Que sensação de deja-vu.

Ethan continuou a falar, mas o significado das palavras dissipavam-se no ar. Apenas relembrava os momentos em que eu era uma menina normal, que o maior dos meus problemas era se tinha estudado o suficiente para o teste do dia seguinte.

Era bom estar naquela realidade alternativa, como desejava poder voltar aquele tempo.

Estava tão absorta nos meus pensamentos que dei por mim a beijar o Ethan. Foi um beijo como à muito tempo não dava, um beijo tão familiar para mim.

Parecia que o beijo ganhava vida a cada segundo, que contagiava todo o nosso corpo.

Era como se aquilo fosse a minha anestesia. E eu necessitava de uma urgentemente para descontrair.

As nossas mãos começavam numa coreografia ritmada de reconhecimento dos nossos corpos.

-Kelsi. – ouvi-o sussurrar o meu nome de uma forma que há muito não ouvia. As borboletas no meu estomago deram sinal de vida. Os meus olhos ainda permaneciam fechados. A única coisa que me fazia saber que não tinha voltado atras era o peso da pulseira electrónica no meu tornozelo.

Os nossos corpos rodaram e senti o peso do corpo de Ethan sobre o meu. O nosso beijo ganhava vida.

Apenas fomos interrompidos com o sonoro barulho do tabuleiro ser derramado da cama.

Ambos olhamos para o chão todo sujo com o leite e sumo derramado na carpete e não conseguimos evitar rir-nos.

Os nossos olhos voltaram a cruzar-se no meio dos sorrisos e o momento foi um pouco constrangedor no entanto sabia bem estar com o Ethan.

Ethan depositou s lábios nos meus mais uma vez.

-Menina Kelsi, apesar de adorar a sua companhia, acho que está na hora de se arranjar. – dizia ele entre beijos. Os meus braços à volta do seu pescoço não o deixavam afastar-se de mim.

A verdade é que não queria que ele parasse de me beijar, isso significava que os problemas iriam todos voltar e eu iria voltar a ser a Kelsi que necessita ser reparada.

Ainda queria esta sensação por mais um tempo. Queria continuar-me a sentir a velha Kelsi por mais uns momentos. Eu necessitava disso.

-Fica só mais um pouco. – pedi enquanto o prendia com mais força e o beijava novamente.

Ethan não lutou contra, ao invés disso senti-o sorrir e entregou-se.

Ao fim de cinco minutos de caricias e beijos, estava na altura de voltar à realidade.

Tinha que me arranjar para aquilo que seria provavelmente o meu último dia de liberdade.

Levantei-me, deixando o Ethan a apanhar as coisas do chão e dirigi-me à casa de banho. Enchi a banheira, coloquei sais de banho, espuma, tudo a que tinha direito e entrei lá para dentro.

Enquanto lá estava, pensei em tudo que me tinha acontecido, no que ainda me poderia acontecer. Passei a mão pelo meu ventre. Qual seria a minha escolha? Sobreviver como vampira ou morrer e não ver o meu filho nascer?

E se não estivesse gravida? Seria tudo mais fácil, mas não era.

Sabia que tinha que escolher entre o Bentley e o Ethan, e não é uma escolha fácil. Como era possível amar os dois de formas tao diferentes?

O Dr. Carlisle viria aqui a casa antes de eu ir para o tribunal. Hoje iria ter que saber se estava de facto gravida ou não.

Era impossível ir gravida de uma criança especial como esta para a prisão. Era simplesmente impossível.

A pele na ponta dos dedos denunciava o longo tempo que já tinha passado naquela banheira. Saí e não consegui evitar admirar-me ao espelho, tentava avaliar se a minha barriga tinha crescido ou não.

“Cresceu” pensei.

Mas depois virava novamente mais um pouco e já parecia igual ao de sempre.

Depois voltava a parecer maior noutro angulo.

Abanei a cabeça na tentativa de sacudir estas ideias e afastei-me.

Definitivamente estava a dar em louca.

Agora era só esperar que o médico viesse e me observasse e desse o veredicto acerca das minhas escolhas, vampira ou morte.

Provavelmente iria escolher vampira, não iria deixar um filho meu sem mãe. Mas eu não me sentia preparada para isso. Eu estou toda quebrada, cheia de defeitos. Ser vampira agora não é o melhor para a minha sanidade mental.

Ouvi a campainha, era ele.

Vesti-me a correr e desci as escadas de encontro ao Dr Carlisle.

Bentley estava ao lado do homem loiro. Um sorriso tímido surgiu nos lábios dele assim que me viu.

Ainda não tinha falado com ele. Recusava-me.

Sabia que estava a ser infantil, mas não queria saber. Ele tinha mais que me alertar que o sistema reprodutor ainda funcionava. Eu sentia-me um pouco traída, como se tivesse sido esta a forma dele me “prender” a ele.

Como se me tivesse privado da escolha.

-Vou deixar-vos falar um pouco – disse o doutor – Senhora Miller, será que me pode fornecer um copo de água. – disse à minha mãe que prontamente lhe indicava o caminho para a cozinha.

Vampiros não bebem água, por isso foi mesmo a desculpa de “vocês tem que falar”.

E afinal de contas, ele tinha razão, nós tínhamos que falar.

Dirigi-me aos sofás fazendo sinal ao Bentley para me acompanhar. Ambos nos sentamos, inicialmente com ele no sofá em frente.

-Kelsi.. – começou.

-Depois volto para te buscar Kelsi. – disse Ethan vindo da cozinha e saiu disparado da casa, sem nem me dar hipóteses de dizer nada.

Mais uma vez tinha feito asneira. Tinha magoado alguém que gostava de mim.

Sentia cada vez mais a necessidade de fazer uma escolha, mas não queria. Esperava sinceramente nunca ter que a fazer.

O mais certo era essa escolha já ter sido feita no momento em que fiz amor com o Bentley, mesmo que inconscientemente, essa escolha tinha-me sido retirada nessa noite. Comigo gravida de um vampiro era simplesmente impossível ficar com o Ethan. Teria sorte se ele falasse comigo depois do bebe nascer e eu ser vampiro, isto se eu escolhe-se ser uma.

Caso não estivesse gravida, seria condenada a uma longa pena de prisão. O Ethan como lobo iria manter-se igual ao que é agora, sem envelhecer. Já eu, quando saísse da prisão serei uma velhota.

Por isso de qualquer das formas, a minha relação com o Ethan está condenada. Pior que isso, é que ele também o sabe.

Então porquê que doi tanto? Porquê que custa dizer adeus aquele que sempre foi o amor da tua vida?

-Lamento muito tudo isto Kelsi. – disse Bentley como se soubesse o que me ia na cabeça. – No momento não pensei nas consequências. Devia ter-te avisado na possibilidade de os vampiros machos ainda terem filhos. Mas juro-te que não me lembrei, nem pensei nisso. Tudo que aconteceu naquela noite foi tão genuino, com tanto amor, tão…

-Eu sei Bentley. – e sabia, ele nunca me iria magoar, nem ser egoísta a este ponto. No fundo eu nunca estive chateada com ele.

Foi quando eu me apercebi de uma coisa.

– Eu não estou chateada contigo, nunca estive. Eu estou com medo. – admiti por fim.

Tinha medo de tudo, da audiência, de magoar mais pessoas, de estar gravida, do desconhecido.

Eu tinha medo!

As escolhas não eram o meu problema, o problema eram as consequências dessas escolhas. Era algo completamente desconhecidas para mim. Eram arriscadas. E eu temia tudo isso.

Detestava admitir a minha fraqueza, mas ela estava lá. A minha maior fraqueza era o desconhecido, e quando a enfrentava erguia o meu muro tão alto que era quase impossível penetrarem.

-Eu estou aqui Kelsi, para tudo. O Ethan também está aqui. A tua mãe. Toda a gente está aqui para te apoiar. E ninguém vai a lado nenhum. – Bentley levantou-se do sofá e veio sentar-se ao meu lado abraçando-me.

As pazes entre nós estavam feitas.

Afinal de contas, eu também o amava.

-Todos nós te amamos Kelsi. Todos vamos ficar ao teu lado.

Não se eu morre-se, ou se vira-se vampira. Havia pessoas que iriam desaparecer para sempre. E isso magoava-me.

-Eu sei. – disse abraçando-o e depositando um beijo no pescoço dele.

Dois homens que eu amava, e ambos tão diferentes.

-Mas não vão ficar todos por perto muito tempo. A minha mãe não pode saber dos vampiros e o Ethan não vai querer saber de mim depois que eu me torne uma vampira. Isto é se eu não morrer no parto. – disse com toda a sinceridade.

Já tinha escolhido. Iria ficar com o Bentley, afinal de contas iriamos ter um filho. Desta vez iria fazer as coisas direitas, o meu filho iria viver com o pai e a mãe, como uma verdadeira família.

Sim, o Bentley iria ser a minha família. Estava decidido.

Agora teríamos que começar a combinar como é que eu iria escapar à prisão. O quê que eles iriam fazer?

Será que me iriam levar de forma a eu desaparecer sem deixar rasto? E como é que eu iria explicar isso à minha mãe? Será que iria voltar a ver o Ethan?

Só de pensar que nunca mais o veria doía-me o peito. Não me iria despedir. Afinal tivemos a nossa despedida hoje de manhã.

-Bentley. – chamei-o. – Como vamos fazer? Eu não posso ir assim gravida para a prisão?

Ele desembaraçou-se do meu abraço e segurou-me nas mãos. Depois sorriu para mim, apesar de os olhos dele serem um pouco tristes.

-Kelsi, tu não estás gravida. – as suas palavras foram pronunciadas com precisão.

Aquela noticia apanhou-me de surpresa.

-Como é que sabes? Eu não fiz nenhum teste ainda. – disse confusa.

-Soube assim que entrei por aquela porta, assim como o Carlisle. Não há batimento cardíaco Kelsi. Apenas o teu. Tu não estás gravida. – explicou ele.

Oh meu Deus. Eu não estava gravida.

Mas o sorriso que eu esperava não surgiu na minha face. Não senti a alegria que pensava. Já estava tão convencida que estaria gravida que agora que sabia que não estava foi quase como se perdesse um filho e voltava novamente a um desconhecido.

-Tens todas as tuas escolhas em aberto Kelsi. Podes decidir fazer o que quiseres com a tua vida Kelsi.

Voltava tudo ao início.

O quê que eu queria?

Neste momento iria começar por ir a tribunal ouvir a minha sentença. Era algo que já há muito tinha decidido. Iria pagar pelo meu crime. Tudo o resto teria tempo.

Abracei o Bentley e permanecemos ali, ora em silêncio, ora a discutir o que poderia acontecer. Ele já sabia o que iria acontecer, a prima dele, a Alice já tinha visto a decisão dos jurados. Mas ainda assim pedi para ele não dizer nada.

Apenas compreendi que seria condenada. Nada que já não tivesse à espera.

Bentley prometeu-me escrever todo o tempo em que eu lá estivesse, e durante um ano teria visitas dele. Poderia até escolher a altura em que queria essas visitas. No entanto se se prolongasse por mais de um ano, as pessoas iriam estranhar o facto de ele não envelhecer.

Ao fim de algumas horas de conversa, os advogados já la estavam, assim como alguns policiais para me acompanhar ao tribunal, o Ethan com os pais também fizeram questão de estar presentes para apoiar a minha mãe.

Apesar da decepção de não estar gravida, estava feliz por talvez ainda ter a hipótese de escolher. Ainda podia usufruir mais tempo da minha mãe, do Ethan e da minha insignificante vida de humana. Teria muito tempo para fazer as minhas escolhas.

Dirigimo-nos ao tribunal.

Ao contrário dos outros dias, hoje a audiência seria rápida. Era apenas para ler a minha sentença. Os jurados levaram dois dias para chegar a um acordo. Os meus advogados diziam que isso era bom, alguém estava a favor de eu levar uma pena pequena ou mesmo nenhuma.

Patrick, o meu advogado, ainda acreditava que eu fosse absolvida, no entanto Jasper não acreditava nisso. Aliás, ele já sabia de antemão pela mulher o que iria acontecer.

Chegou o momento, todos se levantaram para ouvir as palavras da juíza.

A minha respiração prendeu-se.

Lancei um rápido olhar ao Bentley que me sorriu do fundo do tribunal, depois a Ethan que pronunciou com os lábios “Estou aqui” de forma inaudível e a minha mãe que estava tão ou mais apavorada que eu. Tentou sorrir-me, mas as lágrimas já ameaçavam cair, denunciando assim o seu nervosismo. Foi a minha vez de olhar para ela e à semelhança do Ethan disse-lhe “Eu adoro-te”. Isso fez o seu sorriso abrir-se, mas as suas lágrimas começaram imediatamente a cair. Depois olhei para Emily e Sam, eram eles que iriam ter que apoiar a minha mãe. Contava com eles para isso. Ambos entenderam e acenaram afirmativamente que sim com a cabeça.

Voltei a olhar para a frente.

Uma lágrima caiu no momento em que a juíza Nina se aproximou do micro para dizer a sentença.

-A arguida foi dada como culpada. – ouviu-se o burburinho de fundo, alguns de felicidade, como era o caso da mãe do Chester, e outros de tristeza.

Apesar de já estar à espera, foi como se o meu mundo tivesse desaparecido.

-Assim – continuou ela - o ministério da justiça americano sentencia a arguida, Kelsi Miller, por decisão do júri e corroborada pelos juízes deste tribunal a 24 anos de prisão com revisão da pena aos 7 anos pelo crime de homicídio de Chester Stroup com a atenuante de não indícios criminais e violação.

Vinte e quatro anos de prisão era o que me esperava, mais daquilo que eu já tinha vivido até agora. Iria sair da prisão com 43 anos. Olhei em volta, conseguia ouvir as lamurias da minha mãe. Olhei para Ethan e Bentley, tentei sorrir para eles. Tinha acabado de os perder, ao dois.

Tentei memorizar cada pormenor da face deles, iria sonhar com eles nos próximos anos.

-Concluindo assim o caso Kelsi Miller Vs Chester Stroup – e com isto o martelo bateu e deu-se por terminado este pesadelo.

Agora iria começar um outro.

A minha nova morada vinha a seguir e não iria ser fácil.

publicado por Twihistorias às 18:00
Fanfics:

17
Abr 13

Capítulo 40

-Kelsi Miller – chamou o oficial de justiça.

Era agora.

Arrastei os meus pés atrás do homem de cabelo grisalho para dentro da sala de audiências. Assim que cruzei a soleira da porta o burburinho aumentou. No meio da multidão consegui ver a minha mãe, ladeada pela Emily e pelo Ethan.

No momento que cruzei o meu olhar com Ethan e vi o seu sorriso o meu coração pareceu acalmar.

Não sabia o porquê, mas a sensação de o ter do meu lado era tão abrasadora. Mais ao fundo da sala estava o Bentley rodeado de pessoas de uma beleza extraordinária, consegui distinguir a irmã dele, Kate. O resto pressupôs que fossem a restante família.

Era impossível aquela beleza toda não ter um toquezinho de genes vampíricos. Renesmee e Jacob estavam no meio deles, ambos sorriram para mim, de forma a mostrar também a sua força para comigo.

Ao lado do meu advogado estava um belo rapaz de cabelo cor de mel. Apesar de pálido, não conseguia negar o quão atraente ele era. Aquele deveria ser o tio que a Renesmee me tinha falado.

-Kelsi – sussurrou o meu advogado assim que me sentei ao seu lado. – Este é o Jasper Hale. Ele é um estagiário na nossa empresa, está aqui para ajudar.

Sorri na sua direcção.

Uma oficial da justiça, uma mulher alta de cabelos ruivos na casa dos 30 anos, levantou-se e anunciou a juíza.

A audiência tinha começado.

Não entendia nada do que se passava. O meu advogado e o estagiário iam trocando ideias à medida que alguns especialistas forences falavam, policias, médicos legistas, o médico que me viu à um temo atrás.

Um policia que esteve recentemente a investigar o quarto do Chester depois de se saber que ele me tinha violado mostrou uma foto da quantidade de madeixas de cabelos que tinham encontrado numa caixa dentro do armário dele.

No meio de tantas madeixas de cabelo distingui a minha.

Como poderia eu não reconhecer o meu enorme cabelo loiro ali.

Senti uma lágrima querer fugir, mas respirei fundo e engoli-a. Como fazia muitas vezes. Senti o meu muro erguer-se ali.

Toda a minha emoção desapareceu da minha face. Não queria reviver tudo aquilo novamente.

Não agora.

Não conseguia.

Doía demais.

O meu muro foi-se erguendo cada vez mais e mais. Até que eu estava completamente rodeada com as minhas paredes de titânio. Nada conseguia passar por ali. Nada chegaria a mim.

Mentalmente contei as madeixas de cabelo. Eram 12 ao todo.

Doze meninas tinham sido violadas por ele.

Eu era uma das 12.

 

O dia passou, e apesar dos choros vindos da audiência, dos insultos, dos murmurinhos, nada me tinha afectado. Eu estava de novo no meu casulo.

Tão protegida, tão escondida que parecia um zombie quando me olhei ao espelho numa das casas de banho do tribunal.

Chegou a hora de regressar a casa.

Todos os meus amigos estavam lá.

Vampiros e lobisomens.

Cada vez mais me convencia que Hogwarts tinha que existir. Quer dizer, os meus únicos amigos eram criaturas sobrenaturais.

Algures no mundo tinha que existir um Voldemort.

Assim que a policia foi embora depois de me colocar a pulseira no tornozelo, as visitas dirigiram-se à cozinha e começaram a atacar a comida, excepto os vampiros.

Eu estava sem fome. Amanhã vou ter que voltar a enfrentar tudo novamente.

Passei por entre as pessaos, iria para o meu quarto.

Algo me agarrou no braço e instintivamente voltei a retrair-me. O julgamento teve as suas consequências.

-Desculpa. – disse Bentley.

Encolhi os ombros face àquele pedido.

-Não faz mal. – o sorriso amarelo apareceu nos meus lábios. Não conseguia mostrar qualquer emoção, nem mesmo ao Bentley.

Ele fez-me sinal com a cabeça para subirmos. Reparei que o Ethan nos seguiu com o olhar, mas nada disse ou fez.

-Kelsi – começou ele a falar assim que fechou a porta atrás de nós. – Por favor não entres aí.

Olhei para ele e nada disse, nem demonstrei nenhum tipo de sentimento.

Era tarde de mais, já tinha entrado.

-Olha para mim. - os olhos dele incendiavam-me, era como se me conseguissem ler a alma.

Não aguentei muito tempo, acabei por desviar o olhar.

-Nem penses que vou desistir. – a voz dele estava furiosa. – Não vais entrar nesse estado novamente, eu não deixo. Não depois de ontem.

Bentley saltou para a minha frente.

Todo o seu semblante era de predador, não tinha nenhum ar de gozão, brincalhão ou apaixonado. Ali estava um vampiro furioso comigo.

-Eu não posso…não agora. – a minha voz suava calma. Sabia que ele seria incapaz de me magoar.

O seu olhar ficou mais furioso, e pela primeira vez ouvi um barulho vindo da sua garganta. Um rugido.

A minha segurança começou a ser colocada em questão.

-Não percebes? Eu não quero sair daqui. – disse com uma confiança falsa.

O rugido aumentou e segundos depois a cama do meu quarto acabara de ser destruída. Aquilo assustou-me, a mim e a toda a gente cá em baixo. O silêncio que se fez era constrangedor.

Ouvia a minha mãe e o Ethan a discutir com alguém. Ambos queriam subir para me proteger. Mas alguém não os deixava, alguém estava a impedir a passagem.

Estranhamente, comecei a sentir uma calma que não sentia à segundos atrás. Era como se tivessem ligado uma ventoinha e esta soprasse calma por todos os lados.

Um grito do andar de baixo e apercebi-me que o Ethan tinha acabado de se transformar, provavelmente perto da minha mãe. Tentei escapar dali para ver se tudo estava bem com ela, mas Bentley barrou-me a passagem.

Medo, era aquilo que sentia.

Aparentemente o meu muro tinha uma falha. Chamava-se instinto pela sobrevivência.

-Bentley… - implorei. – estás a assustar-me.

Ele sorriu, mas não era o meu sorriso. Era algo sombrio, trocista. Fez com que todos os pelos do meu corpo reagissem aquele sorriso.

-Bentley, por favor.

A onda de calma da ventoinha surtia algum efeito, mas não o suficiente.

Olhei de relance para a janela, se eu saltasse lá para fora e passasse o perímetro de segurança iria alertar a polícia. Mas como é que eu o iria fazer contra um vampiro? Pois, não ia.

-Não percebes? – gritei eu. Mais pelo pânico do que pela coragem. – Se eu sair daqui, se eu sair da minha bolha, como vou aguentar amanhã? Como vou aguentar quando toda a gente falar da minha violação como se nada fosse? Como vou suportar o olhar das pessoas? Eu não quero sair daqui, não quero sentir.

O timbre da minha voz fez com que o ar assustador de Bentley desaparecesse. E com ele o meu muro também desapareceu. Foi tudo por água abaixo.

Agora estava eu sobre os meus joelhos no chão a chorar.

Eu tinha medo, tinha que reviver tudo e fingir que nada se passava. Demorei anos a tentar esquecer o máximo das coisas, e agora ali estava eu novamente a relembrar todos os pormenores. Eu e mais onze raparigas, vitimas do Chester.

Bentley tentou aproximar-se de mim, colocar os braços ao meu redor. Mas eu afastei-me.

Estava demasiado magoada com ele.

Ele tinha conseguido o que queria, que eu saísse do meu escudo. Tinha saído. Mas agora não queria olhar para ele.

-Sai daqui. – brandei em voz alta.

-Kelsi… - tentou ele.

-Sai! – gritei novamente.

Sabia que tinha sido com boa intensão, ele preocupava-se comigo. Mas…

Ali fiquei eu, sozinha no meu quarto a chorar.

«Foi para te proteger de entrar nesse estado.» pensava eu.

Eu sabia que ele não me iria magoar, ou pelo menos queria acreditar nisso. Mas como é que eu podia ter certeza? Nunca tive tanto medo na minha vida de alguém, a não ser com o Chester.

E se ele me tivesse atacado? E se…

-Kelsi? – ouvi uma voz feminina. Ainda não a conhecia, era alta e de cabelo castanho. Os olhos eram semelhantes aos de Bentley.

Atrás dela vinha a Renesmee.

As duas raparigas que pareciam quase irmãs vieram ao meu encontro e ajudaram-me a levantar. Um puxou de uma cadeira para eu me sentar e elas ficaram à minha frente.

-Eu sou a Bella, a mãe da Renesmee.

Não consegui esconder a surpresa nos meus olhos. De facto elas tinham algumas parecenças, mas mãe e filha? Ambas aparentavam a mesma idade.

Ambas sorriram perante o meu espanto.

-Bem, eu sei que estás bastante transtornada Kelsi. Mas sabes o porquê que ele fez aquilo, não sabes? – falou a Bella.

Afirmei que sim com a cabeça. Como eu suspeitava, para me tirar do meu transe.

-Ele nunca teve intensões de te magoar Kelsi. Ele estava chateado e furioso, mas seria incapaz de te magoar. – a mão fria de Bella acariciava os meus cabelos pretos e curtos.

-A minha mãe… - pronunciei assim que me recordei do grito dela momentos antes.

-Não te preocupes. – disse a Renesmee. – O Ethan descontrolou-se um bocadinho e acabou de se transformar à frente dela. Estão agora mesmo a tentar explicar-lhe algumas coisas.

O sorriso dela era estranho. Ela falou aquilo como se fosse a coisa mais normal de acontecer.

-O Jacob despiu-se em frente ao meu pai e transformou-se. – disse Bella em forma de justificar o porquê de elas não estarem demasiado preocupadas. –Ela aguenta. É forte como a filha. E também só vai saber o estritamente necessário.

Acenei com a cabeça.

-Bem, agora Kelsi queríamos falar contigo sobre um assunto um pouco mais delicado. – o tom de voz de Bella modificou.

Estava demasiado sério. Não gostava disso.

-Tu tomas algum tipo de precaução contra a gravidez? Como a pilula ou assim? – perguntou de forma envergonhada.

A pergunta não tinha nada de mais, a resposta também não. Noutra altura teria respondido sem qualquer problema. Mas porquê que uma mulher que nunca tinha visto na vida, do nada queria saber aquilo?

-Sabes que numa casa onde há uma vidente e um telepata em casa é complicado ter segredos naquela família. – Renesmee olhou para mim, apenas para se certificar que eu tinha percebido o que ela queria dizer.

Pois bem, toda a família sabia que eu e o Bentley tínhamos feito amor nessa noite.

Mas continuava sem perceber a pergunta da Bella.

-Porquê essa pergunta? Vocês sabem o que aconteceu e não é que eu vá engravidar caso não tome precauções. Ele é um vampiro, está congelado.

Elas entreolharam-se.

-Isso quer dizer que tomas, não é? – perguntou a Bella com um sorriso forçado.

A confusão continuava a tomar conta de mim. Porque que elas estavam tão preocupadas com a minha vida sexual e se tomava ou não precauções. Eu sabia o que era ter um filho e principalmente como é que eles eram feitos. Afinal de contas já tinha feito um.

-Não, não tomo. Não tinha porque o fazer. Desde o Chester não estive com mais ninguém. À excepção de ontem que foi com um vampiro congelado. Não estou a ver o problema.

-O meu pai também é um vampiro com mais de 100 anos e a minha mãe era uma humana de 17. – Renesmee encolheu os ombros como se fosse muito normal o que estava a dizer. Como se toda a gente soubesse daquilo, porque todos os professores explicavam isso nas aulas de educação sexual. – Eles fizeram amor sem precauções e cá estou eu! Uma semi vampira, semi humana.

O meu queixo caiu meio metro. Elas estavam a dizer que eu podia estar gravida do Bentley.

Agora sim, eu estava completamente apática e não era porque o meu muro tinha acabado de se erguer. Eu estava em estado de choque.

publicado por Twihistorias às 20:37
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01
Abr 13

Capítulo 39

Não me lembrava de acordar com a claridade a ferir-me os olhos.

Estranhamente, fazia Sol no dia de hoje. O dia do meu julgamento.

Abri os olhos com alguma dificuldade devido à claridade.

À medida que o fiz tudo o que aconteceu naquela noite assaltou a minha mente.

Bentley.

Rapidamente, mesmo sendo encadeada pela luz solar, percorri toda a área do meu quarto para encontrar um Bentley brilhante a desfolhar um livro.

O meu sorriso abriu-se à medida que os meus olhos se acostumavam à luz do quarto. Meu Deus, aquilo não podia ser um vampiro, um ser mortífero. Aquilo estava mais para um Deus grego vindo directamente da Grécia para o meu quarto.

Bentley usava apenas as suas jeans descaídas, deixando o restante do seu corpo definido ser banhado pelo sol, conferindo ao quarto um efeito como se tivesse milhares de espelhos a reflectir a luz.

Levantei-me para me dirigir a ele.

Os nossos olhos encontraram-se e fizeram com que ele pousasse o livro e me brindasse com um sorriso.

- “Shine bright like a Diamond…shine bright like a Diamond…” – cantarolei aquela musica tão antiga da Rihanna, mas que me pareceu tão própria para aquele cenário.

Bentley sorriu com a analogia da música com aquela situação.

Continuei a cantarolar, num ritmo só nosso, enquanto os nossos braços se enrolavam à nossa volta, e começamos a fazer uma espécie de dança.

-“…When you hold me, I’m alive…we’re like diamonds in the sky…” - nesta parte da musica fui substituída por um cantor muito melhor do que eu.

Consegui sentir o peso daquelas palavras.

Bentley depositou um beijo na minha testa, apenas para depois unirmos os nossos lábios. Mesmo sem música, continuamos com aquela espécie de dança.

Infelizmente fomos interrompidos pela minha mãe. E mesmo antes de ela abrir a porta já eu me encontrava ali sozinha.

Por vezes indagava-me onde será que ele se escondia, ou como é que ele desaparecia assim?

Dava-me bastante jeito. Principalmente num dia como hoje.

O tribunal iria estar cheio, todos os olhos em mim, e meu Deus, como eu odiava isso.

-Bom dia filha. – cumprimentou a minha mãe. Depois olhou para a minha cama completamente desfeita da minha noite com o Bentley.

-Não consegui dormir direito. – disse em forma de desculpa.

Os seus olhos voltaram a incidir em mim e na t-shirt do Bentley que eu ainda vestia como pijama. Não comentei sobre isso, achei que seria mais constrangedor.

-Vejo-te lá em baixo para o pequeno almoço? – perguntou ela, ignorando a camisola.

Provavelmente associou que eu já a teria à bastante tempo e simplesmente não se lembrava dela.

-Gostava de tomar o pequeno almoço contigo, visto que talvez… - ela não conseguiu terminar a frase.

-…talvez eu seja condenada e este seja o ultimo pequeno almoço juntas. – terminei eu por ela.

Os seus olhos incidiram no meu e eu vi toda a tristeza patente neles.

-Não…não era isso que eu queria dizer. – apressou-se ela a dizer.

Claro que era. Apenas dito em voz alta fazia com que aquilo se tornasse mais real.

Fiz um pequeno sorriso à minha mãe e encaminhei-me para ela.

-Tudo bem mãe, não te preocupes. Vai tudo correr bem. – fiz um esforço para não chorar. Ainda agora, era eu que acalmava a minha mãe.

Ela saiu do quarto deixando-me sozinha para me arranja.

Assim que a porta fechou tinha os braços do Bentley à volta da minha cintura.

Uma lágrima escapou pelo meu olho. A minha felicidade matinal tinha durado tão pouco, aquele mundo de magia que vivi esta noite e ainda acordei nele, tinha simplesmente desaparecido.

Isto era a realidade, e não era bonita.

-Lamento. – sussurrou o Bentley ao meu ouvido.

Rodei o meu corpo nos braços dele, de forma a ficar virada de frente para ele e encostei a cabeça no seu peito desnudo.

Tentei inspirar ao máximo o cheiro que dele imanava. Não me conseguia cansar de o sentir. Cheirava para mais tarde recordar dele, principalmente quando estivesse na minha cela.

Cheirei até me sentir tonta.

-E agora? – perguntei – Como é que nós vamos ficar? Eu vou para uma prisão de alta segurança, com camaras lá. Não vou poder ficar contigo.

Ele continuou sem pronunciar uma palavra, apenas me segurava para eu me manter em pé.

-Tu não vais poder lá ir sem apareceres nas camaras, todos vão perceber que não envelheces. Vão começar a fazer perguntas. – eu continuava a divagar em voz alta.

Bentley continuava sem pronunciar uma palavra.

Ele sabia de tudo isto, apenas não teve coragem de o dizer em voz alta. E lá no fundo eu também o sabia.

-Tu não me vais ver, pois não? – finalmente olhei-o nos olhos.

Os seus olhos estavam tristes, os meus derramavam lagrimas e o pouco que ainda restava do meu coração parecia desfazer-se a cada minuto.

Ele nada disse, não era necessário. A resposta era “não”.

-Posso visitar-te por uns meses, mas depois disso tenho que parar. – disse por fim. – Como disses-te, lá à camaras por todo o lado, e eu não envelheço. Mas posso escrever-te todos os dias.

Sim, eu queria as cartas dele.

Segurei-o mais forte contra o peito, não sabia quando o iria voltar a ter assim comigo.

-Agora tens que tomar banho, vestir-te e passares algum tempo de qualidade com a tua mãe.

Não discuti com ele, afinal de contas, o Bentley tinha razão. Eu tinha que aproveitar todos os minutinhos co aqueles que me amavam.

-Vi-o desaparecer pela janela o quarto.

O sol ainda brilhava, por isso ele teve que tapar a maio área de pele que conseguia por causa dos raios solares.

 

Faltava menos de uma hora para começar a audiência. A minha casa estava agora cheia.

A Emily, o Sam e o Ethan estavam ali, assim como outros lobos da matilha do Sam.

Estranhei a presença do Jacob ali, mas reconheci-o no momento em que ele entrou pela soleira da porta. Ao lado dele estava a rapariga mais bonita alguma vez vista. Os seus cabelos longos acobreados estavam impecavelmente modelados numa trança e os seus olhos castanhos sobressaiam. Ali estava a famosa Renesmee, meia vampira, meia humana.

O seu sorriso transmitia confiança e tranquilidade.

-Olá Kelsi. – disse ela numa voz extremamente melodiosa. – É um prazer voltar a rever-te, mesmo que nestas condições.

Estávamos as duas um pouco afastadas do resto do reboliço que ali se encontrava.

-Vai correr tudo bem, vais ver. – tentei sorrir às suas palavras confiantes, apesar de não acreditar nelas. – O Bentley falou connosco sobre o teu caso, colocou-nos a par de tudo. O meu tio está a ajudar o teu advogado no caso. Apesar de se intitular como um estagiário, o tio Jasper é o melhor advogado que poderias ter.

-Obrigado. – disse, desta vez com toda a sinceridade.

Será que ainda havia alguma luz ao final do túnel?

publicado por Twihistorias às 19:11
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24
Fev 13

Capítulo 38

-Já vais? – perguntei ao Bentley assim que o vi a dirigir-se para a porta.

Ele apoiou todo o seu peso numa só perna e rodou a cabeça na minha direcção, no entanto os seus olhos não encontraram os meus. Invés disso fitavam o chão.

-Tenho a minha família em casa. Tenho que ir. – a sua voz era triste.

Não o conseguia censurar. Primeiro reagi com ele da pior forma, quando ele apenas me queria proporcionar um momento especial antes do julgamento. Meu Deus, como é que eu fui capaz de pensar o pior dele, como fui capaz de desconfiar dele tão facilmente.

Já para não falar da viagem de volta a Forks. A mesma foi realizada em silêncio absoluto.

Tinha-lhe pedido desculpa, mas não cheguei a obter resposta, em vez disso ele arrancou a oda a velocidade e trouxe-me de volta ao conforto da minha prisão domiciliária.

Ethan ainda lá ficou. Iria viajar de avião.

Só o iria voltar a ver momentos antes do julgamento.

No entanto, a única coisa que me preocupava é que tinha feito asneira e tinha magoado, com as minhas inseguranças, a única pessoa, que em toda a minha vida, nunca me traira, e que sempre esteve ao meu lado a apoiar-me.

A frieza das suas palavras, a magoa que o som das mesmas transmitiam, o facto de ele não me olhar, tudo isso eram como facadas no meu peito.

Embora eu merecesse todas elas.

-Ah, não sabia. – disse com toda a sinceridade, o que não esperava é que a minha voz transmitisse a minha desilusão. Estava tão habituada a controlar as minhas emoções. Mas com Bentley parecia não resultar. Por isso antes que conseguisse impedir, dei por mim a perguntar desesperadamente. - Mas voltas mais tarde?

-Provavelmente não. Já não estou com os Cullen e as minhas irmãs à muito tempo. Devemos ir para longe caçar. Conviver. – disse ainda com uma voz fria.

-Bentley por favor desculpa. – voltei a pronunciar avançando na sua direcção.

-Como queiras Kelsi. – disse antes de rodar a maçaneta da porta. – Vemo-nos no julgamento.

E com isto saiu.

E eu fiquei ali, sozinha a ver o meu amigo, o único que ainda tinha, partir.

Amaldiçoei cada partícula do meu corpo por o ter magoado. Como é que fui capaz de pensar que ele me trairia? Depois de tudo que ele fez, de tudo que já me provou? Como fui capaz de pensar aquilo assim, tão rapidamente?

Uma lágrima escorregou pela minha face.

Iria ter um dia inteiro sozinha fechada naquela casa. A minha mãe só iria voltar hoje à noitinha e até lá tinha que me entreter com qualquer coisa.

Subi as escadas, tomei um banho, depois deitei-me um pouco sobre os cobertores da minha cama e tentei dormir um pouco.

«Talvez assim o tempo passe mais depressa.» pensei.

Acordei algumas horas depois, arrependida por ter adormecido. Tinha tido vários pesadelos, com a prisão, o Chester, o Jackson.

Levantei-me e fui até à cozinha comer qualquer coisa.

Jesus, as horas nunca mais passam. Ainda nem quatro da tarde era. O que iria fazer até a minha mãe chegar?

Dirigi-me ao quartinho da ginástica, subi para o topo da barra e comecei a alongar-me um pouco. Mas ao contrários das outras vezes, isto não estava a aliviar o stress.

O julgamento era já amanhã, estava sozinha, a noite tinha sido cheia de emoções e para piorar o Bentley estava chateado comigo.

Sentei-me no sofá com um balde de gelado em frente à televisão.

Recordei os momentos que passei com o Ethan na noite anterior.

Os meus dedos irreflectidamente elevaram-se aos meus lábios assim que recordei o beijo do Ethan. Admito que senti um pouco da velha Kelsi naqueles breves momentos. O toque dele fazia ressuscitar velhas memórias, velhas sensações.

Não nego. Eu gostei, muito.

No entanto, aquilo não significava que eu tinha esquecido o passado. Que ao pensar nisso ainda me magoava.

Aqueles beijos, apesar de tudo, não significava que eu e o Ethan estávamos juntos novamente.

Claro que eu ainda amava o Ethan, eu iria sempre ama-lo. Bolas, ele foi o meu primeiro amor. E mesmo já o tendo perdoado, eu não conseguia esquecer. Pelo menos ainda não.

Oh meu Deus…será que..será?

Será que o Bentley não está apenas chateado comigo por causa da minha desconfiança para com ele? Será que ele sabe dos beijos com o Ethan?

Não que eu e o Bentley namorássemos, mas…também não eramos apenas só bons amigos.

Bolas.

Porquê que a vida é tão complicada?

Continuei a ver os episódios que restavam da saga pretty little liars.

Sim, iria finalmente descobrir quem era a A.

As horas foram passando, assim como os segredos das quatro amigas eram revelados. No entanto a cada momento eu lembrava-me do Bentley. Afinal era com ele que eu assistia aquilo. Sem ele, a descoberta da A não era a mesma coisa.

Deixei mesmo muitas vezes de prestar atenção ao próprio episodio para pegar no telemóvel e digitar uma mensagem ao meu vampiro favorito. Mas no momento de enviar faltava sempre a coragem.

«Não Kelsi, ele não vem hoje. Ele também tem direito a usufruir da família dele» dizia vezes sem conta a mim mesma.

Faltava menos de uma hora para a minha mãe chegar com a Emily quando o ultimo episódio terminou. Como seria de esperar a A surpreendeu-me, não estava de todo à espera.

Não conseguia deixar de pensar em toda a serie, e como agora certos pormenores das outras temporadas faziam sentido e como era tão óbvio.

Mas o facto de a A ser….

-Kelsi cheguei. – sobressaltei-me com a voz da minha mãe.

Tinha adormecido no curto espaço de tempo desde que o episodio terminou e ela chegou.

Peguei no comendo e desliguei a televisão.

Brindei a minha mãe com um sorriso assim que ela entrou na sala.

-Então filhota adormeces-te? Como foi o teu dia? Sentiste-te muito sozinha? – as perguntas não terminavam.

-Está tudo bem mãe, não se passou nada de mais, apenas terminei de ver a série. – respondi.

Depois de conseguir com que ela não me fizesse mais perguntas e tentando-me esquivar ao facto de ter que lhe mentir sobre grande parte dos acontecimentos. Discutimos todos os episódios dos DVD’s da pretty little liars.

Admito que fiquei surpreendida pelo facto de a minha mãe ainda se lembrar tão bem da serie.

O tempo passou sem eu dar por ele. O que acabou por ser bom, pelo menos fez com que eu não pensasse no julgamento do dia seguinte, nem nos momentos na campa do Jackson e muito menos no Bentley.

-Kelsi, amanhã é um grande dia. Acho melhor irmos dormir. – falava a minha mãe.

Concordei com ela. Amanhã seria de facto um dia cheio de emoções e eu não tinha dormido nada na noite anterior. Já para não falar que esta seria talvez a minha ultima noite tranquila, provavelmente amanhã já estaria de volta a uma cama de uma cela numa prisão qualquer.

Sim, oficialmente eu teria que ir para a cama.

Subi as escadas para me dirigir ao quarto.

Vesti uma t-shirt velha com uns calções e lá estava eu, pronta para ir para o vale dos lençóis.

Uma vez na cama, conseguia-me visualizar naquele conto da princesa e a ervilha. Na qual a princesa dormia em cima de dezenas de colchões, no entanto não pregou olho a noite toda porque tinha algo que a incomodava. Uma pequena ervilha colocada estrategicamente entre os colchões. Era mesmo isso que eu sentia, milhares de ervilhas no meu colchão.

Por mais voltas que desse, a posição nunca era a melhor.

O meu telemóvel brilhou.

Era uma mensagem do Ethan a dizer que estava tudo bem e que amanhã me iria ver no julgamento.

Admito que fiquei desiludida, quer dizer, fiquei contente e desiludida ao mesmo tempo.

Contente por ver que o Ehan estava realmente do meu lado desta vez e que não tinha intensões de fugir. Mas desiludida porque o Bentley continuava sem dar noticias.

Tudo bem que ele estava com a família dele e que estava chateado comigo, mas mesmo assim, estava com esperança que ele me dissesse alguma coisa reconfortante.

As horas estavam a passar e os meus olhos teimavam em não se fechar.

 Era quase meia noite e eu ainda continuava às voltas naquela cama.

Comecei a pensar no Jackson e das saudades que sentia de o ter ali comigo. Ele sim, iria acalmar-me numa noite como esta.

As lágrimas começaram a correr pela minha face.

Não kelsi. Tens que ser forte!

Tens que voltar a ser forte se queres sobreviver numa prisão!

-Sê forte. – sussurrei enquanto limpava as lágrimas. – Não podes chorar mais.

Sim, era mesmo isso. Não me podia queixar mais.

Tinha que encarar o facto que o meu menino tinha morrido e que nunca mais o teria nos meus braços. Assim, como o facto de esta noite estar aqui sozinha talvez fosse bom para me habituar ao que se aproximava.

Não teria o Bentley para sempre.

Tinha que começar a ser forte. E iria começar agora!

-"Até o diabo pode chorar quando olha em volta do inferno e percebe que está sozinho..." – sussurrou uma voz no meu quarto. 

Fiquei hirta na cama ao som daquela voz, posteriormente um sorriso apareceu nos meus lábios.

-Bentley! – disse enquanto apressadamente me levantava na tentativa de o ver.

Conseguia ver o seu vulto em frente à minha cama. Uma alegria inexplicável inundou todo o meu corpo, da mesma forma que as lagrimas inundaram os meus olhos.

-Vieste. – a minha voz suava tão estupida.

-É, aparentemente não consigo ficar longe de ti. – o vulto aproximava-se de mim.

Apenas consegui sorrir ao que ele disse. Estava feliz por isso, eu não queria que ele se afastasse de mim.

Não conseguia perceber o porquê?

-E andas muito poético. – disse ao fim de algum tempo, apenas para quebrar o silencio constrangedor que se instalou sobre nós.

-Não, apenas citei o que li num livro. – disse de forma despreocupada.

Bentley estava agora sentado/deitado aos pés da cama, de frente para mim.

-Sabes que faz bem chorar, não sabes? E tens tempo amanhã para voltar a ser forte. Até lá, podes apenas ser tu, a Kelsi, e beneficiar de alguns sentimentos. – a voz dele parecia musica aos meus ouvidos.

Era estranho, como sempre que o ouvia sentia as borboletas no meu estomago, como o meu coração acelerava na sua presença, como o meu sorriso aparecia sempre que o via.

Acenei a cabeça perante o que ele me tinha dito. Ele tinha razão, acho que me podia permitir mais uma noite de realidade, de ser eu mesma. Aliás, com ele ali, era impossível eu me conseguir fechar. Raramente o conseguia fazer quando estávamos apenas nós.

-Desculpa por ontem! – disse quando relembrei o quão injusta tinha sido com ele na noite anterior.

Como fui capaz de pensar o pior sobre ele?

Ele não me respondeu, em vez disso sorriu. Apesar de não ser um sorriso com brilho.

-Fico feliz por teres vindo, mesmo estando chateado comigo.

-Eu não estou chateado contigo Kelsi. – apressou-se a dizer.

-Também não está tudo bem entre nós. Isso ficou claro esta tarde. – defendi-me.

Também não o poderia censurar.

-Bentley – voltei a falar perante o silêncio dele. – Eu sei que fui injusta ontem. Que pensei imediatamente o pior, mas…

-Nunca te dei razões para duvidares de mim. Custou-me ver que pensas-te logo que te estava a trair.

A voz dele transmitia a tristeza que todo o seu semblante tentava esconder.

Sem pensar desloquei-me na minha própria cama e sentei-me ao lado dele.

-Eu sei, e desculpa mais uma vez. Mas custa-me pensar o porquê de não o fazeres? Quer dizer, todos já o fizeram pelo menos uma vez. – apesar de doer dizer isto, era uma verdade.

No passado ou no presente, já tinha sido abandonada por todos.

Não fazia sentido o Bentley não o fazer também, afinal de contas, ele conhece-me à meia dúzia de meses.

-Ei.. – disse ele segurando na minha cara e rodando para ele. – Eu seria incapaz de te magoar Kelsi. Percebes isso? Por isso é que estou aqui agora, porque sabia que por mais magoado que estivesse contigo. Não merecias estar sozinha hoje.

Uma lágrima correu pela minha face.

Com um gesto delicado, Bentley limpou a minha lágrima.

-Isso e porque te adoro Kelsi. - o som daquelas palavras fizeram o meu coração falhar um batimento para no momento seguinte bater a toda a velocidade, como se quisesse repor aquela falha.

O olhar dele insidia no meu com toda a intensidade. Não havia mentira ali, não havia ódio, nem ressentimento. Apenas verdade, compaixão, amizade e talvez, só talvez, um pouco de amor.

E essa possibilidade fez toda a minha alma aquecer.

Instintivamente os nossos lábios uniram-se numa dança suave.

À medida que aquele beijo ganhava vida e os nossos corpos se aproximando um do outro, foi a vez de Bentley recuar.

Estranhei aquele comportamento, normalmente era eu quem recuava sempre.

Será que estava a ser demasiado para ele? Quer dizer, afinal de contas ele era um vampiro, o meu forte batimento cardíaco podia estar a incomoda-lo.

Ou seria algum problema humano? Eu tomei banho e lavei os dentes antes de vir para a cama.

Oh meu Deus, não estava de todo habituada a estas coisas. Quer dizer, tive três anos sem olhar para um homem, quanto mas tocar e de repente vejo-me no meio de dois. Isto estava de loucos.

Oh meu Deus, não pode ser isso, pois não? Será que o Bentley sabe que eu e o Ethan estivemos juntos ontem e agora está incomodado?

Não, não pode ser, pois não?

-Está tudo bem? – perguntei a medo.

-Sim é só que… - Bentley afastou-se mais um pouco e voltou-se a encostar à cama, ficando assim ao meu lado.

Eu continuava à espera que ele terminasse. Mas confesso que estava a começar a ficar arrependida por ter perguntado. Temia a resposta dele.

-Eu vou dizer a verdade… - começou ele, e aquelas palavras, fizeram-me tremer – É que eu não estava apenas chateado com o fato de ontem teres duvidado de mim. Eu vi-te com o Ethan, e isso magoou-me. Muito. E pensar que eu ajudei para que vocês ficassem assim. Não obstante, eu tenho que me conformar com isso, vocês tem uma ligação muito forte, eu entendo isso, mas não diminui a minha dor. E este beijo…- ele fez uma pausa encarando-me – este beijo Kelsi, ele significa tanto para mim. E não é justo.

Ele continuava a encarar-me, provavelmente à espera que eu diga alguma coisa. Mas o quê?

Eu estou tão enferrujada nisto.

O quê que se diz numa situação destas?

Quer dizer, não é que eu esteja a namorar com o Ethan, porque não estou. Mas também não quero que o Bentley pense que eu ando a usar os dois, porque também não é isso.

É só que...bolas, nem a mim eu sei explicar o que é.

Mas quando estou com o Ethan é como se muita coisa fizesse sentido, como se algo nos puxasse um para o outro. Acima de tudo, ele compreende-me de uma forma que nem eu consigo explicar. Não obstante, eu não consigo confiar nele a 100%, pelo menos não ainda. Estou sempre à espera que ele vire as costas.

Com o Bentley, é tão diferente. Ele pode nem sempre compreender as minhas acções, mas respeita-as. E tenta sempre fazer o que é mais certo para mim, mesmo que eu fique furiosa. Além de que nós temos a chamada “química” entre nós. Eu pareço uma adolescente com o primeiro namorado, quando tinha que ser tudo às escondidas. O primeiro beijo, o amor proibido. O amor impossível.

Com o Bentley era tudo tão intenso, tão novo.

Fazia-me vibrar com cada encontro, com cada piada, com cada palavra, cada troca de olhares, cada toque, cada beijo.

A verdade é que eu também gostava do Bentley.

Eu estava apaixonada por aquele vampiro imortal.

E apesar de saber que era uma relação condenada, porque não aproveitar esta noite? Porque não ser eu sem pensar nas consequências? Porque esta noite a minha barreira tinha desaparecido.

-Eu sei. E sei que o que vou dizer agora não faz qualquer sentido. – Conseguia denotar toda a curiosidade no seu olhar. – Eu adoro o Ethan, e sim temos uma história, um passado e provavelmente um futuro, por causa daquela coisa de lobos. Mas a verdade é que eu não consigo negar o fato de eu estar apaixonada por ti. Por mais que me digam que é errado estar contigo, que é perigoso que é impossível. Eu quero estar contigo, repreendi-me o dia todo pelo facto de estares chateado comigo e por causa disso não estares comigo hoje. Quando apareces-te à pouco…o meu coração disparou, o meu sorriso alargou, todos os pensamentos desapareceram e fiquei só eu e tu aqui. Eu adoro-te Bentley e pelo menos hoje quero estar contigo sem barreiras e sem medos. Contigo, – voltei a frisar – só contigo.

E foi no fim deste tipo de declaração que nos unimos num beijo demorado. Os nossos corpos uniram-se sem medos.

-Tens a certeza? – perguntava-me ele enquanto beijava o meu pescoço.

-Sim. – respondi com uma segurança que há muito não sentia.

O toque dele, o cheiro dele, o sabor dos seus lábios, tudo nele fez o meu corpo entrar em chamas. Este sentimento, à muito esquecido, era suficiente para me fazer esquecer tudo. Ali não havia ódio, nem mágoa, nem nenhum passado a atormentar os meus pensamentos.

Naquele quarto apenas havia amor, eu e o Bentley.

Ali, nos braços daquele vampiro, eu sentia-me em segurança.

Senti-o levantar-me a bainha da t-shirt.

Estremeci com aquele acto, o que o fez afastar-se um pouco, mas ergui a mão e enterrei os dedos nos seus cabelos e puxei a cabeça dele contra os meus lábios. Ele entendeu aquilo como um sim, e voltou a erguer a bainha da camisola. Tocou ao de leve com os dedos frios no fundo das minhas costas. Aquela diferença de temperatura fez arrepiar-me completamente, arrancando-me um suspiro.

Estava nervosa, e sabia que o Bentley conseguia sentir isso em mim. Afinal de contas era a primeira vez que estava assim com um rapaz depois daquilo com o Chester. Mas não havia lugar que me sentisse mais segura que os braços do Bentley.

Aos poucos as nossas roupas foram desaparecendo. Bentley era extremamente calmo e carinhoso comigo, e estava-lhe grata por isso.

Agora não tínhamos nada a separar-nos, era pele com pele. Necessitei de um segundo para registar a ideia na minha mente que estava prestes a ter relações sexuais ao fim deste tempo com um vampiro.

-Eu adoro-te Bentley! – disse num sussurro, tendo certeza qu era aquilo que eu queria. Mas mais do que isso, eu queria-o conhecer daquela maneira. Queria sentir a sua força a rodear-me e a preencher-me. Queria partilhar o meu corpo com ele.

Pela primeira vez ao fim de três anos eu queria realmente isto, apesar de todo o meu nervosismo. Queria entregar-me a alguém que sabia que não me ia magoar, a alguém com quem eu tinha uma ligação. Esse alguém era o Bentley.

-E eu a ti. – respondeu ele fazendo a minha alma aquecer.

E assim unimo-nos num só.

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10
Fev 13

Capítulo 37

O meu olhar alterava entre a pulseira electrónica, que repousava na pequena mesa da sala, e o dourado dos olhos de Bentley.

Esperava ouvir o barulho de uma sirene a qualquer momento, mas nada. O silencio da noite reinava no mundo exterior.

O genérico do novo episódio de pretty little liars recomeçou na televisão.

Demasiado rápido, Bentley desligou o DVD.

Amaldiçoei-o por me impedir de usufruir os últimos dias a ver o final da série. Ainda me faltavam ver três temporadas para descobrir quem era a A. Tinha conseguido aguentar até agora sem ir ver à internet quem era a verdadeira A.

Até a minha mãe tinha sido proibida, por mim, de me revelar tal coisa. Visto ela ser uma fã da série quando esta foi transmitida na TV ainda antes de eu nascer.

As sirenes continuavam sem se ouvir.

Bentley desapareceu da minha vista. Por vezes odiava que ele fosse vampiro.

Fugia sem ser visto e ainda por cima não tinha a mínima hipótese de o impedir para me dar uma explicação.

Até que de repente o meu mundo foi abalado e tudo á minha volta ficou turvo.

Senti-a algo frio a segurar-me.

A única coisa que consegui-a focar era o corpo do Bentley enquanto tudo à nossa volta se deslocava a grande velocidade.

Queria falar com ele, dizer alguma coisa, mas a brisa fria e forte impedia-me de o fazer.

Estávamos a toda a velocidade pelo mundo exterior. Era pior que andar num Ferrari a grande velocidade e este ser descapotável.

Ele estava a fugir comigo!

Um sorriso quase se formou nos meus lábios, e por momentos fui invadida por uma felicidade enorme. Alguém queria estar comigo, alguém me queria proteger daquilo que me esperava. Alguém realmente se importava comigo e eu já não sentia isso à realmente à muito tempo.

Alguém estava disposto a desafiar a justiça para ficar comigo.

Não obstante, esse sorriso não se chegou a formar.

“Ele nem se importou com aquilo que tu realmente querias” pensei.

O meu amigo vampiro não se designou sequer a perguntar se eu queria fugir. Simplesmente pegou em mim e partiu.

Eu não queria aquilo, já tinha deixado isso claro noutras ocasiões, eu estava pronta para cumprir a minha pena. Pagar pelos meus crimes.

Não! Aquilo não estava certo.

Eu queria voltar antes que fosse tarde de mais.

-Eu…quero…voltar! – disse num sussurro contra o seu peito. Apesar de ser demasiado baixo, devido à pressão que sentia da corrida, sabia que ele me ouvia.

Mas nem assim a sua corrida abrandou.

A corrida ainda demorou algum tempo, não fazia a mínima ideia para onde o Bentley me levava. Senti em certa altura alguma coisa a agasalhar-me por causa do frio.

Uma lágrima correu pelo meu olho.

Ainda não acreditava que ele me estava a fazer aquilo!

Era como estará a ser raptada neste momento. Odiava aquilo.

Odiava-o a ele.

Finalmente senti-o a abrandar, a impressão nos meus ouvidos também estava agora a desaparecer.

Olhei em volta, mas ainda era noite cerrada.

Não fazia a menor ideia onde me encontrava, mas o clima não teria alterado assim tanto. Continuava a fazer o frio típico de inverno.

Bentley colocou-me no chão. Estiquei as pernas, assim como todo o corpo. Estava um pouco dorida devido à viagem.

Preparava agora para descarregar toda a fúria que sentia em mim nele e obriga-lo a levar-me de volta.

Se ele não me permitisse voltar, se me quisesse manter presa, ele não estava a ser melhor do que os outros que me recriminaram nos últimos tempos. Ele não estava a ser melhor do que o Chester e aquilo deixava-me enjoada.

Antes que a minha boca abrisse para começar a argumentar com o Bentley, uma outra voz soou atrás de mim.

O Ethan também estava metido naquilo.

Senti-a o meu corpo ceder, era uma dupla traição. Como é que eles foram capazes de me fazer aquilo?

-Obrigado! – pronunciou Ethan assim que chegou à nossa beira.

“Desde quando é que estes dois deixaram de ser inimigos mortais e passaram a companheiros de crime?” perguntava-me enquanto uma nova onda de cólera se apoderava de mim.

Não sei bem o porquê, talvez a raiva fosse tanta, o sentimento de traição, o facto de ter baixado o meu muro com eles os dois e ter sido traída novamente, não sei…mas do nada comecei a rir às gargalhadas.

Não sabia o que fazer, não conseguia chorar, não conseguia fazer nada. Apenas rir tamanha era a fúria que sentia.

Bentley e Ethan olhavam incrédulos para mim.

-Acho que é a minha deixa. – pronuncaiava aquela voz melodiosa do Bentley. – Adeus…- depois hesitou e acrescentou. – Boa sorte.

Acho que a ultima parte foi para o Ethan, não sei dizer. Ambos olhavam para mim como se eu tivesse perdido a noção de tudo, como se a louca ali fosse eu.

-Estás a brincar? – disse num tom de voz mais grave. – Vocês estão a brincar comigo! O quê que vos passou pela cabeça? Alguma vez se lembraram de me perguntar se eu queria fugir?

Bentley parou e rodou para olhar para mim. Ao menos isso, ainda tinha a decência de me olhar nos olhos.

Pois bem, o olhar foi devolvido com toda a fúria que tinha dentro de mim!

-Ah espera, sim uma vez falamos nisso e eu disse que queria cumprir a pena. Mas o que eu digo vale de alguma coisa? O que eu quero importa? NÃO!!

A minha voz cada vez subia mais uma oitava. Os meus braços dançavam à volta do meu corpo.

A minha vontade era bater aos dois, mas isso só iria servir para eu me magoar.

-Volto antes do amanhecer. – voltou a falar Bentley de forma calma.

Depois disso evaporou.

Irrefletidamente peguei numa pedra do chão e arremessei na direcção onde outrora esteve um vampiro.

-Kelsi. – a voz do Ethan confundia-se com o som do bater da pedra na calçada.

A minha fúria insidiu nele esta vez. Estava capaz de o matar.

Como é que ele tinha sido capaz de me trair desta forma, outra vez? Como?

O buraco no meu peito, aquele que pensei nunca mais sentir, voltou a abrir. A dor desta vez era avassaladora.

Não sabia se o odiava mais a ele por me ter traído, ou a mim por me ter permitido confiar nele novamente.

-Leva-me de volta. – a minha voz soava vazia, era desprovida de qualquer tipo de emoção.

Ethan avançou na minha direcção com os braços abertos para me abraçar. Instintivamente recuei.

A antiga Kelsi, a dos últimos três anos, estava de volta.

-Nós vamos levar-te de volta Kelsi. – disse ele assim que me afastei dele.

Ele estava magoado, via-o no seu olhar.

-É apenas uma noite, uma noite de liberdade. – Ethan continuava a falar, mas o meu muro estava com dificuldades de o deixar novamente penetrar.

Não conseguia confiar nele.

-Anda. – disse apenas e pontou o caminho.

Vendo que eu não me deslocava, ele fê-lo, mas sempre certificando-se que eu o seguia.

Comecei a aperceber-me onde me encontrava e o pânico voltou a assaltar-me.

Que espécie de loucos eram eles para pensarem que a noite num cemitério seria o ideal para eu usufruir de uma “noite de liberdade”?

Parei a olhar para o que me rodeava, a luz dos candeeiros era escassa, mas dava para perceber algumas das lápides ali presentes.

Ethan parou um pouco à frente com uma lanterna na mão e incentivava-me para o seguir.

-Confia em mim Kelsi. – dizia ele.

Todo o meu ser, o meu lado desconfiado, o meu lado magoado gritava para não o fazer. Mas as minhas pernas faziam exactamente o contrario. Dei por mim a segui-lo.

“Estupida impressão natural” pensei eu.

Tudo no Ethan me atraia, não podia mentir. Não deveria ser tão forte como nele, mas eu não conseguia estar longe dele e dava por mim a fazer coisas que o meu consciente repudiava. Como neste caso confiar nele, quando eu tinha todas as razões para não o fazer.

Ethan serpenteava pelas lápides, até que finalmente comecei a reconhecer onde me encontrava.

Eu estava no cemitério de Greenville, onde o meu pai estava enterrado.

Onde o Jackson, o meu filho estava enterrado.

Uma lágrima escorregou pelo meu olho ao mesmo tempo que senti o meu muro descer.

Esqueci tudo que se tinha passado nos últimos minutos, horas, meses, anos.

Esqueci o facto de o Ethan ali estar e o facto de ele estar enganado no caminho que levava.

Os meus pés ganharam vida, como se estivesse em alto mar e necessitasse de chegar à superfície para conseguir respirar. Dei por mim a ultrapassar o Ethan e a correr em direcção da última morada do meu filho.

Ethan veio atrás e mim, apesar de dar uma pequena distância entre nós. Como se me quisesse dar espaço.

Ele parou a mais de um metro de distancia de mim, antes de todo o meu corpo ceder à gravidade e os meus joelhos tocarem no chão.

Lá estava eu, entre duas lápides. Entre os homens da minha vida.

Rapidamente os meus olhos passaram pelo nome do meu pai, mas a minha mão antecipou-se a acariciar as letras que compunham o nome do Jackson.

As minhas lágrimas levaram a melhor e o meu peito parecia estar a ser rasgado em dois.

A última vez que tinha ali estado foi dois dias antes daquele estupido baile. Sabia que não deveria ter voltado a Forks.

No entanto a única coisa que inundava a minha cabeça era “Tenho tantas saudades tuas bebé.”

E assim, sem mais forças, todo o meu corpo tombou para cima da campa do meu filho, enquanto a minha mão repousava em cima da do meu pai.

Como sentia a falta dos dois.

Chorava compulsivamente.

Se pudesse neste momento ficava ali para sempre, juntava-me a eles, ficava em conchinha com o meu bebé.

Como tinha saudades disso, de o sentir nos meus braços, do cheiro dele, do sorriso dele, do som da voz dele a chamar “mamã”.

Senti os dedos do Ethan a tocar-me e a puxar-me para o seu colo.

-Tenho tantas saudades. – foi a única coisa que consegui fazer passar pelo enorme nó que tenho na garganta.

O abraço do Ethan intensificou-se e eu senti pelo movimento do seu peito eu também ele estava ali a chorar pelo filho que não conheceu.

Perguntava-se, será que ele alguma vez tinha ali estado desde que soube a verdade?

Não perguntei, invés disso aninhei-me mais a ele, sentir o seu calor fazia com que o buraco no meu peito parasse de abrir.

Com o tempo, as minhas lágrimas foram parando, mas o meu olhar ainda insidia sobre aquelas palavras na lápide.

“Never say goodbye because goodbye means going away and going away means forgetting.” Peter Pan

-Porquê aquelas palavras? – perguntou Ethan.

Fiz um esforço para que as minha voz soasse o mais normal possível.

-Porque ele gostava do filme do Peter Pan e pareceu-me apropriado. Afinal de contas, isto foi apenas um até já. Gosto de acreditar que no dia em que morremos encontramos aqueles que partiram antes de nós.

-É, acho que tens razão. Também quero acreditar que um dia o vou conhecer, e aí sim, ensina-lo a jogar basebol, fazer surf, saltar dos recifes. Essas coisas.

-Tenho a certeza que ele vai adorar. – disse com um sorriso tímido. Depois afastei-me um pouco do Ethan apenas para o olhar.

Ainda ali estavam umas lágrimas. Esquecia-me sempre que ele também era o pai do Jackson e que não o conheceu. Devia estar a sofrer tanto quanto eu ali. E no entanto, eu só me preocupei com a minha dor, e ele esteve sempre ali a apoiar-me estas horas todas. Mas ninguém o apoiou a ele.

Com o indicador limpei-lhe as lagrimas que caiam dos seus olhos cor de avelã. Aquele gesto parece ter sido o suficiente para fazer a ligação entre as lagrimas e os olhos, porque começaram a cair com alguma abundancia.

Foi aí que eu percebi que era a primeira vez do Ethan ali. Era a primeira vez que ele estava tão perto daquilo que restou do nosso filho.

Foi a primeira vez que senti a dor dele a 100% e aquilo doía tanto quanto a minha, por isso, pela primeira vez naquela noite, consolei o Ethan. Segurei na cabeça dele, delicadamente, e puxei-o para um abraço. E ali ficou ele, a chorar no meu ombro.

-Desculpa. – disse eu.

Não só por o ter privado do nosso filho, mas também pela forma como reagi mais cedo. Eles só me quiseram proporcionar umas horas ali antes de eu ser presa. Sabe lá Deus quando vou regressar aquele local.

Ethan nada disso, não conseguia, apenas me apertou mais. Conseguia ouvir os seus soluços e isso fazia com que os meus olhos se voltassem a inundar. E ali estávamos nós, novamente a chorar. No entanto, agora era eu quem consolava o Ethan e não ao contrário.

As minhas mãos passavam no seu cabelo enquanto o meu nariz desenhava a linha da sua orelha. Os meus lábios depositaram um beijo ali perto.

No calor do momento, talvez da vulnerabilidade dos dois, talvez da impressão natural, ou até mesmo dos nossos sentimentos, os nossos lábios voltaram a unir-se num beijo apaixonado. Já não sentia aqueles lábios à muito tempo.

Foi um beijo delicado, mas apaixonado. Foi um beijo igual ao tempo em que namorávamos.

No entanto este tinha um sabor um pouco mais salgado, devido ás lágrimas derramadas.

-Tenho medo Kelsi. – sussurrou Ethan por fim. – Tenho tanto medo do que vai acontecer, de te perder.

Disse voltando a abraçar-me forte.

-Shhh… - tentei eu descansa-lo. – Está tudo bem, vai ficar tudo bem.

-Eu não te quero perder Kelsi, já perdi o Jackson, por favor, não me faças perder-te também.

E mais uma vez as lágrimas voltaram aos olhos de ambos.

Meu deus, como é possível o sentimento ainda estar tão presente ao fim de tanto tempo? Ao fim de tanto sofrimento, de tanta traição, como é que é possível eu ainda o amar tanto?

E mais uma vez, entreguei-me novamente aos lábios do meu lobo preferido.

As horas ali voaram, e o sol começou a nascer.

Isso era sinal de que estava na hora de voltar para casa, não tardaria e o Bentley iria estar ali para me levar de regresso a Forks.

Ethan tinha-me explicado, que como vampiro, que até entende de electrónica, Bentley inha sido capaz de me retirar aquela pulseira do tornozelo sem o alarme disparar. Aparentemente, para a polícia de Forks, eu ainda estava em casa, fechada, provavelmente a dormir.

Admito que isso me deixou bem mais relaxada e a dever um enorme pedido de desculpas ao meu vampiro favorito.

-Vamos? – perguntou Ethan.

Acenei que sim, mas a verdade é que me custava sair dali. Ele ajudou-me a levantar e retirou do bolso um pequeno brinquedinho que colocou perto da lápide. Aquele gesto fez com que mais lágrimas surgissem nos meus olhos.

-Vou deixar-te sozinha para te despedires. – disse Ethan começando a afastar-se.

Agarrei na sua mão com força, impedindo-o de sair do meu lado.

-Não. – disse entrelaçando os meus dedos nos seus. – É o nosso filho, dos dois. Vamos fazer isto como uma família.

Ethan olhou para mim com um sorriso e uma lágrima, depositando um beijo nos meus lábios.

Depois vinha a pior parte, dizer um até já para o nosso menino, «porque dizer adeus significa ir embora e ir embora significa esquecer».

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21
Jan 13

Capítulo 36

Faltavam três dias para o julgamento a cada dia que passava tentava ao máximo usufruir cada bocadinho da minha mãe e da “liberdade” da minha casa.

Ethan visitava-me todos os dias, e a noite era trocada com a presença do Bentley. Uma coisa era certa, era vítima de uma marcação cerrada de ambos, apesar de nunca mais ter feito qualquer corte no meu corpo, todos os objectos cortantes tinham desaparecido da casa de banho e do meu quarto.

-Mas porquê que a minha mãe tem que sair com a Emily? – perguntava eu a Ethan pela 100ª vez.

Emil tinha conseguido convencer a minha mãe a ir não sei exactamente com ela. O que era certo é que a minha mãe iria ficar fora de casa esta noite e amanhã o dia completo. Aquilo era estranho e em parte “temia” o que estava para vir.

-Porque a minha mãe necessita de companhia feminina. – disse com um sorriso matreiro. – Bem, agora tenho que ir embora. Ficas em? – perguntou-me enquanto pegava no seu casaco e se dirigia para a porta.

Acenei com a cabeça que sim, apesar de continuar sem saber o que estava a ser preparado para o tempo em que a minha mãe estava ausente.

O resto da tarde passei na companhia da minha mãe, que preparava um pequeno saco com uma muda de roupa. Apesar de ela estar relutante, notava uma pequena felicidade pelo facto de poder sair, fazer alguma coisa diferente e não pensar por algum tempo no julgamento que se aproximava a toda a velocidade.

Não a podia censurar e em parte ficava feliz por ela.

As horas passavam e dentro de pouco tempo Emily iria estar ali para partir com a minha mãe, por isso mesmo, ela neste momento encontrava-se na casa de banho a tomar banho. Eu estava senta no sofá em frente à Tv a ver a Ellen Degeneres.

No entanto, mesmo olhando para a TV e ouvindo algumas das piadas de Ellen e até esboçar um sorriso, a  verdade é que a minha mente vagueava pelos últimos tempos da minha vida.

O facto de ter disparado aquela arma, o sentimento que aquilo trouxe. Pensei que ao premir o gatilho fosse sentir felicidade por tudo ter terminado e talvez que voltasse a ser a mesma rapariga antes do que aconteceu naquela tarde em que fui violada. Infelizmente isso não aconteceu, inicialmente foi aquele alivio de ter tudo terminado, mas a felicidade nunca chegou a aparecer, não completamente. Invés disso vi-me metida numa bola, que rolava e rolava e cada vez ficava maior. Eram tantas emoções à volta, mas parecia que nenhuma me atingia por completo.

Sentia-me vazia!

E a menina inocente daquele tempo? Cheguei à conclusão que ela tinha morrido ali naquele mato. Nunca mais a haveria de a ver ou sentir, por mais que a procurasse.

E todos os sentimentos que me relacionavam com o Ethan e o Bentley. Não sabia explicar ao certo o que sentia por ambos.

Não os via com luxuria, não conseguia. Esta nova Kelsi estava demasiado “estragada” para conseguir ver dessa forma fosse o homem que fosse. No entanto, sempre que estava com o Bentley sentia uma vontade enorme de o ter perto de mim, de sentir o cheiro dele, olhar os seus olhos dourados e sentir a o frio da sua pele.

Por vezes pergunta-me o porquê de sentir aquilo? Seria aquele magnetismo  que todos os vampiros tinham para atrair todos as suas presas?

Ou seria apenas a minha vontade de o ter perto de mim?

Uma coisa eu sabia, ele tinha ali estado para me apoiar sempre, independentemente de tudo e todos. Mesmo que tivesse que levar com os lobos.

Sim, o Bentley era sem duvida alguma o melhor amigo que já tive e claro, o mais fiel.

Em contrapartida, Ethan, ele tinha alguma coisa nele que me atraia nele. É como se ele me compreendesse, como se ele soubesse o que eu sentia, o que pensava, o que precisava. Meu Deus, nem quando namorávamos tínhamos esta ligação. Ele não m era indiferente, não podia mentir. No entanto, eu não conseguia esquecer os últimos três anos.

Não conseguia esquecer as palavras dele naquela altura, as suas atitudes. As lágrimas que derramei por causa dele, a dor que ele me tinha causado.

Apesar de agora estar 150% presente na minha vida, em me apoiar, tudo, eu não conseguia esquecer de ele não ter estado presente no passado.

Uma lágrima correu pela minha face.

Meu Deus, como odiava parecer tão vulnerável.

Ultimamente estava completamente descontrolada a nível de emoções. Umas vezes era forte, outras completamente apática, outras extremamente sensível. Só queria que tudo isto terminasse. Que o juiz dissesse a minha pena e pronto!

Sacudi a cabeça numa tentativa de me recompor, o meu dedo limpou a lagrima e dirigi-me à cozinha. Se comece qualquer coisa iria acalmar.

Sim, sem dúvida alguma!

Abri o congelador e lá estava, um pequeno recipiente com gelado. Retirei-o e fui buscar uma pequena colher à gaveta.

Na gaveta estava todo o tipo de talheres, desde colheres, garfos e claro, facas.

Os meus dedos voaram na direcção da faca, apenas um toque foi o suficiente para sentir o frio do metal e uma onda percorreu todo o meu braço. Instintivamente apurei a minha audição e ainda ouvia a água do chuveiro a cair, o que significava que a minha mãe estaria na casa de banho ainda por algum tempo. Os meus olhos percorreram a divisão, apenas para verificar se nenhum dos meus guarda costas não estava por perto.

Nada, estava completamente sozinha a tocar numa faca.

«É só um corte Kelsi, não vai fazer mal nenhum e vais sentir» pensei.

OS meus dedos rodearam aquele metal frio segurando-o agora com força na mão.

Suspirei várias vezes e fechei os olhos.

Já tinha pousado o gelado no balcão.

A minha mão começou a tremer e assim que voltei a abrir os olhos larguei a faca como se a mesma me estivesse a queimar.

-Não! – disse num sussurro.

Tinha prometido que iria ser forte.

Guardei a faca no mesmo local, substituindo-a por uma colher, agarrei no meu gelado e afastei-me da cozinha o mais que consegui.

Apenas tive que me concentrar noutra coisa e deliciar-me com aquele gelado de chocolate e menta.

O tempo passou, e após me empanturrar com todo o gelado, chegou a Emily.

-Kelsi, comporta-te, não faças nenhuma loucura. Já sabes, alguma coisa liga para o Sam e ele vem logo aqui. – dizia a minha mãe antes de partir.

-Sim mãe, não te preocupes, eu não pretendo sair de casa. – disse apontando para o pequeno aparelho com um pequeno sorriso.

-É para o teu bem. – disse a minha mãe enquanto depositava um beijo na minha testa e me abraçava.

Assim que ela encerrou a porta, fui para a janela e vi-a partir no carro com a mãe do meu ex-namorado.

Nem 5 segundos depois tinha alguém a bater à porta das traseiras. Corri para lá e abri a porta ao Bentley.

E lá estava a vontade de o tocar, por isso, sem pensar duas vezes voei para os seus braços.

O serão foi passado no sofá, comigo deitada no colo dele e ele a mexer no meu cabelo enquanto via-mos “Pretty little liars”.

-Aposto que a “A” vai ser a Allison. – dizia eu enquanto via as peripécias das meninas na TV.

-Mas a Allison morreu, lembras-te??

-Eu acho que não foi a Allison que morreu, mas sim a irmã gémea dela. – dizia eu. – Como foi no livro. – explicava eu.

-Mas eles disseram que não ia ser igual ao livro. – comentava o Bentley.

-Então o porquê de aparecer aquelas imagens de duas gémeas nos episódios de Halloween? Aposto. – teimava eu.

-Inda vai ser uma das quatro, provavelmente a Spencer. – dizia ele.

-Não me parece. – disse por fim.

Devo ter adormecido, pois não me lembro exactamente como terminou o episódio.

Acordei com alguém a fazer-me cocegas no pé.

Assim que abri os olhos apercebi-me que as mãos geladas de Bentley estavam à volta do meu tornozelo.

Foi então que me apercebi que a minha pulseira electrónica repousava agora em cima da mesa do café.

-O que fizeste? – perguntei sobressaltada.

Comecei a entrar em pânico, a qualquer momento iria aparecer ali a policia e eu iria novamente para a cadeia. Que efeito teria aquilo no meu processo.

Foi um balde de água fria. O Bentley tinha acabado de me trair. Eu iria ser presa mais cedo por causa dele e sabe lá Deus o que mais me iria acontecer.

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15
Dez 12

Capitulo 35

Já era noite cerrada.

Estava agora deitada na minha cama, com a cabeça apoiada no colo do Ethan.

Desde que chegara para me confrontar, ainda não me tinha deixado sozinha um segundo, apenas para eu ir à casa de banho fazer as minhas necessidades, e ainda assim foi um pouco contrariado.

Admito que foi um choque assim que me apercebi de que ele tinha descoberto sobre os cortes.

Mas tenho que admitir, apesar de tudo estava feliz por ele estar ali comigo. Não conseguia perceber o porquê. Tinha uma profunda magoa para com ele, no entanto, desejava mais do que tudo a companhia dele, que ele ali estivesse.

Até conseguia suportar o toque dele, aliás ansiava por esse mesmo toque.

Por isso, com ele ali a fazer-me festas no braço sentia-me protegida. Sentia algo!

Os olhos começavam a pesar-me e eu lutava contra a vontade de adormecer.

Ouvi um baque, olhei em frente e ali estava uns olhos dourados a olhar para mim.

A tensão nos dois homens ali era notória, apesar do sorriso e tranquilidade que ambos me tentavam transmitir.

-Bem, está na minha hora. – disse o Ethan contrariado, abandonando a cama e pousando com cuidado a minha cabeça na mesma. – Agora é contigo!

As últimas palavras ão se dirigiam a mim, mas sim ao vampiro que estava diante de mim. Aquilo deixou-me um pouco confusa. Por isso levantei-me o suficiente para tentar ver o que se passava e quem sabe, compreender o que o Ethan queria dizer com aquilo.

-Só podem estar a gozar comigo. – disse assim que vi a troca de olhares entre eles.

Eles estavam a fazer turnos para tomar conta de mim.

-Eu não sou uma bebé, sei tomar conta de mim, não preciso de baby-sitters.

Levantei-me chateada e encaminhei-me para a porta do quarto.

-Kelsi… - chamava Ethan de forma paciente.

Ignorei-o e sai do quarto fechando-me na casa de banho.

Ambos seguiram-me e estavam agora a bater na porta. Não tardaria estaria a minha mãe ali em cima a perguntar como é que eles tinham entrado e o que se estava a passar ali.

Sim, porque a minha mãe pensava que o Ethan já partira à bastante tempo e nem imaginava que o meu amigo Bentley me visitava todas as noites. Não estava pronta para ficar restrita apenas ao meu quarto como castigo.

A minha liberdade já era mínima, não a queria de todo ficar restrita aquela pequena divisão.

Abri a porta de rompante.

-Vou tomar banho e é bom que quando aqui sair já cá não esteja nenhum de vocês. – o tom da minha voz era forte e sério.

Eles entreolharam-se e entraram na casa de banho contra a minha vontade. Apesar dos meus protestos, nenhum dos dois me ligou e continuaram a mexer em tudo da casa de banho.

-O banho é todo teu. – disse o Bentley com os braços carregados com tudo que podia ser um objecto cortante.

Não consegui pronunciar uma só palavra enquanto os via afastarem-se de mim. Ambos com as coisas mais esquisitas nas mãos. Coisas que eu nem sequer me lembraria de usar.

Não sabia se estava chateada ou contente por ter alguém como eles a preocuparem-se comigo. Não estava habituada a isto.

-Até amanhã Kelsi. – disse Ethan com um sorriso.

Detestava ser controlada. Odiava.

Bati com a porta sem lhes responder.

-E Kelsi, se houver sangue, eu sinto o cheiro. – ouvi ainda Bentley do outro lado.

Bufei e continuei a ignora-los.

-Mesmo que quisesse seria impossível. – sussurrei olhando em volta e vendo que eles levaram tudo que me iria permitir voltar a fazê-lo.

Consegui ainda ouvir o riso deles com o meu comentário.

Liguei a água e comecei a tirar a roupa.

Mirei todas as pequenas cicatrizes que cobriam uma boa parte do meu corpo. E pela primeira vez, ao fim de muito tempo, fiquei em frente ao espelho a contemplar todo o meu corpo nu.

Não consegui conter a lagrima que escorreu pela minha cara, assim que assimilei os cortes e vi-a agora a tatuagem em baixo do meu peito “Sê forte”.

Tinha falhado nestes últimos tempos.

Não tinha sido forte, tinha voltado a atirar-me para dentro do poço e não estava a conseguir sair de lá novamente.

Olhei todo o meu corpo, ergui os meus braços, visualizei todas as tatuagens que tinha feito até agora.

Estava na hora de mudar.

Estava na hora de voltar a ser forte.

E assim, entrei na banheira e tentei lavar o meu corpo, não só da sujidade, mas também da fraqueza.

publicado por Twihistorias às 20:22
Fanfics:

25
Nov 12

Olá...peço desculpa pela demora!

Mas não me foi possivel escrever antes. Mas tentei compensar com um capitulo grande e diferente. Desta vez temos uma versao do Ethan!

Fico à espera dos vossos comentarios ;)
Twikisses**

Capitulo 34

Versão do Ethan

-Filho, está tudo bem? – perguntava a minha mãe, estranhando o facto de ainda não ter tocado na comida que estava na mesa.

Não tardaria a desaparecer se não me despacha-se, no entanto, o nó que tinha no estomago impedia que a mesma lá entrasse.

Faltava menos de uma semana para o final daquele julgamento estupido. Ou seja, daqui a nada iria ficar sem ela para sempre.

Tremia só de pensar nessa possibilidade.

Tinhamos tudo a nosso favor para que a pena não fosse muito grande, ou até mesmo para ela ser inocentada. Mas ainda temia a decisão do júri.

Já tinha sido provado que o Chester violou a Kelsi, entre outras raparigas. O facto de ele ter cortado uma madeixa de todas as suas vítimas e ter guardado as mesmas, ajudou um pouco. Numa das buscas ao seu quarto, foi encontrado uma caixa cheia de madeixas de cabelo. Não sei ao certo quantas, mas continha umas tantas.

Claro, que com isto algumas das suas vitimas concordaram em depor a favor da Kelsi.

Agora era aguardar e rezar.

Em contrapartida não era isso que me incomodava.

Quer dizer, também era, mas não era só por isso!

O que me estava a incomodar era o que a Kelsi estava a fazer.

Toda a gente sabia que ela estava a tentar ao máximo ser normal, mas eu conhecia-a bem, e sabia que alguma coisa se passava. Tinha as minhas desconfianças, mas não tinha certezas.

Até agora tinha deixado andar e não tinha feito qualquer tipo de comentário. Mas agora estava a começar a passar dos limites. Provavelmente daqui a uma semana não iria estar perto dela para a proteger, mesmo que a pessoa que a estava a magoar era a própria Kelsi.

-Já venho! – disse ignorando todos os olhares dos presentes na sala, peguei num casaco e sai porta fora.

Não me agradava o que estava prestes a fazer, mas tinha que ser.

Optei por não me transformar, conhecia demasiado bem a minha querida matilha para saber que um deles a esta altura já estaria em forma de lobo apenas para saber o que se passava comigo.

Corri o mais rápido que conseguia.

Finalmente tinha chegado ao meu destino.

Não foi necessário andar muito antes de Bentley aparecer à minha frente.

-Precisas de alguma coisa? – perguntou de forma amistosa. – Aconteceu alguma coisa à Kelsi?

-Não, acho que não. Pelo menos que eu saiba, está tudo igual.

Não podia dizer que estava tudo bem com ela, porque não era inteiramente verdade. E era exactamente isso que me levava ali.

Bentley continuava a olhar para mim À espera que eu revelasse a razão da minha presença no seu território.

-Preciso falar contigo. – reparei eu ainda me fitava, provavelmente à espera que eu dissesse o que ali estava a fazer. –É sobre o que se está a passar com a Kelsi.

Ele relaxou um pouco à minha frente. Fez-me sinal para eu o acompanhar e desta forma embrenhei-me no território do inimigo.

-O que se passa? – perguntou-me ele assim que nos sentamos num sofá branco que estava dentro da casa deles.

Era a primeira vez que ali estava, e apesar de a casa ser um sonho de qualquer pessoa, tresandava a vampiro.

Uma mulher alta, loira e de olhos cor do ouro, de uma beleza vampírica extraordinário, ofereceu-me um copo de água.

Como era óbvio, não havia nada mais para oferecer ali na casa.

Aceitei e a vampira de nome Kate afastou-se deixando-me a sós com aquele que se intitulava seu irmão.

-Com certeza que sabes tão bem quanto eu o que a Kelsi anda a fazer a ela própria. – Bentley baixou o olhar e esboçou um sorriso torto. Claro que ele também sabia.

-O cheiro a sangue seco não me passou despercebido Ethan. Apercebi-me disso no primeiro dia em que ela se começou a cortar. – disse ele encarando-me.

Claro que sim. Ele era vampiro, o sangue nunca lhe ia passar despercebido.

Não sabia se estava mais zangado por ela se magoar daquela forma a ela, ou se pela estupidez de o fazer quando convivia diariamente com um vampiro. Estaria ela com tentativas suicidas um pouco mais macabras.

É que era a única coisa que me ocorria.

-E não lhe disseste nada? Não a fizeste parar? – perguntei indignado.

-Tu fizeste? – limitou-se a dizer.

O que poderia dizer perante aquilo, era verdade. Nenhum dos dois teve a coragem de dizer fosse o que fosse. Ao invés disso limitamo-nos a aceitar.

-Temos que fazer alguma coisa. – disse num sussurro.

Parecia estranho, mas sabia que neste assunto teríamos que reunir forças. Se queríamos ajudar a Kelsi e salvá-la tínhamos que nos unir.

-Eu sei. – admitiu ele.

-Eu não a consigo perder. – acabei por confessar ao fim de uma longa pausa. – Eu amo-a.

-Eu sei, e eu também a amo Ethan.

Também sabia disso.

E por mais que me custasse não podia proibir a Kelsi de estar com ele, nem de lhe pedir para se afastar.

Para mim, o mais importante era vê-la feliz, mesmo que fosse com o meu maior inimigo. Era isso mesmo a impressão natural.

-Eu sei. E sei que ela também se sente bem por isso. Por isso é que ainda não te matei! – admiti com um sorriso trocista, que foi gentilmente retribuído pelo Bentley.

-O sentimento é reciproco! – disse num tom de brincadeira, mas consegui denotar aquele tom que ele dizia a verdade.

-Então o que fazemos? – perguntei. – Em relação à Kelsi?

-Vamos falar com ela, em último caso tiramos-lhe tudo de casa que dê para cortar. – disse Bentley com um encolher de ombros.

-Ok. Eu vou falar agora, depois tentas tu. Caso não resulte. Falamos os dois e escondemos tudo daquela casa.

Bentley concordou.

A minha visita por ali estava terminada. Teria o apoio do
Bentley para chamar Kelsi à atenção.

Pelo menos iriamos tentar “cura-la” antes do veredicto do tribunal.

 

Minutos mais tarde estava com Kelsi à minha frente.

Ela estava agora num quarto preparado especialmente para ela, era o género de pequeno ginásio onde uma das paredes er coberta de espelhos, tinha colchoes e claro, a sua barra de ginástica.

Era fantástico voltar a vê-la a fazer os exercícios que ela tanto amava. Parecia que nunca tinha parado de praticar, todo o seu corpo se torcia perante tais façanhas na barra.

Ela envergava um fato de treino que lhe cobria todo o corpo. Era a forma de ela cobrir os cortes de automutilação, na esperança que ninguém se apercebesse.

-Podemos falar? – disse ao fim de uns minutos a admira-la co um sorriso.

Ela sorriu para mim e desceu da barra com um mortal à retaguarda. Pegou na garrafa de água que repousava no chão e deu um trago na mesma enquanto se dirigia a mim.

-Exibicionista! – brinquei, referindo-me ao mortal que ela tinha acabado de executar na perfeição.

Kelsi apenas sorriu e dirigiu-se para o seu quarto comigo a segui-la.

Apesar do sorriso que me exibiu, mais uma vez apercebi-me que o sorriso não lhe chegava aos olhos. Era como se ela tentasse interpretar uma personagem.

-Então, que me querias contar? – perguntou ela assim que se sentou em cima da sua cama.

Dirigi-me ao puff que ela tinha no quarto e deixei-me cair em cima dele.

-Nada de mais, queria falar contigo, para saber como estás e tal. – comecei como senão fosse nada de mais.

Vá admito, não sabia como abordar o assunto. Era bem mais fácil na minha cabeça, ou à momentos atrás, enquanto me dirigia a casa dela. Agora ali, na presença dela, era como se as palavras tivessem fugido de mim.

-Estou em. – conseguia ver na cara dela o quanto estava a estranhar aquilo e também o quanto queria evitar aquela conversa.

Tudo em mim alertava para que parasse com aquilo e mudasse de assunto, era o que a impressão natural exigia. Eu sabia que aquilo a aborrecia. No entanto, a impressão natural era fazer com que ela se sentisse bem. E se ela se magoava por opção própria é porque algo não estava de todo bem.

-Sim, mas com tudo o que se passou, o julgamento à porta, não sei….- fiz uma pausa. – Nunca falamos sobre isto, queria saber como estás.

-Já te disse que estou bem. – a sua voz subiu uma décima.

A Kelsi levantou-se e dirigiu-se à janela, recusava-se a olhar para mim.

-Tens a certeza? – insisti eu mais uma vez.

Queria dar-lhe a oportunidade de ela falar comigo. De forma a ela se sentir bem para falar. Queria que ela soubesse que eu estava ali para ela.

Ainda assim ela não me respondia.

-Kelsi. – tentei novamente, mas ela não se mexia nem falava, parecia tensa do lugar onde eu me encontrava.

Lentamente levantei-me e dirigi-me a ela.

-Eu conheço-te Kelsi, o que se passa? – perguntei atrás dela.

Ela assustou-se, provavelmente não me esperava tão próximo dela.

-Já disse que não se passa nada! – disse por fim de uma forma mais exaltada. Rodeou-me de forma a se afastar de mim.

-Não é o que parece. Eu conheço-te melhor do que ninguém, e eu sei que há algo que se passa. Confia em mim Kelsi, eu posso tentar ajudar-te.

Apesar da minha voz soar calma, cá dentro eu estava tudo menos isso. Será que ela ainda não se tinha apercebido que tanto eu como o Bentley conseguíamos sentir o cheiro do sangue seco nas feridas dela? Principalmente, quando nós chegávamos e ela ainda estava a sair da casa de banho e os mesmos cortes ainda não estavam cicatrizados.

Não sei como é que ela ainda respirava ao fazer aquilo com um vampiro tão presente na vida dela.

-Não há nada para confiar Ethan. Não se passa nada. – exaltada e nervosa ela tentou escapar do quarto.

Não sei o que me deu, mas com um salto coloquei-me À frente dela impedindo-a de sair do quarto. Fechei a porta!

-Sai da minha frente Ethan. – além da raiva, a sua voz denunciava o seu nervosismo.

Kelsi começou a afastar-se de mim.

-Não até me explicares o que se passa.

Eu sabia que a estava a assustar com aquilo, mas bolas, eu tamém estava assustado. Tinha medo do que lhe poderia acontecer. Ela ainda iria acabar morta.

E eu morria no momento a seguir.

Não conseguia imaginar-me num mundo sem ela.

-Confia em mim Kelsi. – pedi mais calmamente.

-Confiar em ti? – agora não tinha mais que esconder, ela estava furiosa e gritava comigo. – Confiar em ti?

Kelsi parecia queria vir ao meu encontro para me magoar, mas alguma coisa a impedia dentro dela, fazendo-a recuar. Isto fazia com que ela andasse de um lado para o outro devido aos nervos em que se encontrava.

Ela tinha sido descoberta, e sabia-o melhor que ninguém.

-Como tu confiaste em mim? É isso? Como confias-te na minha fidelidade? Como confias-te em mim face aqueles rumores todos? Como confias-te em mim nos últimos anos? É assim que queres que confie em ti? – o seu rosto era de puro rancor.

Tudo aquilo era verdade, como é que eu lhe podia pedir pra confiar em mim se eu não confiei nela quando ela mais necessitou?

Claro que ela não o iria fazer!

Ela confiava mais no vampiro amigo dela do que em mim. Pior do que isso, eu não a conseguia censurar por isso.

-Desculpa. – foi tudo que lhe consegui dizer, a bola na minha garganta era demasiado grande para deixar mais sons saírem.

Esperava que ela dissesse mais qualquer coisa, mas ela apenas continuava a andar de um lado para o outro. Os pesados passos dela denunciavam a cólera que ela sentia.

-Mas as coisas são diferentes agora. Era seria incapaz de te magoar, de te fazer sofrer. Eu só te quero ajudar, mas para isso tens que falar comigo. – continuei ao fim de alguns minutos.

Quando ela olhou para mim, apercebi-me das lágrimas nos seus olhos.

-Onde é que eu já ouvi essas palavras? Ah, espera, já sei…foi antes de me traíres com a minha melhor amiga, de me virares a cara quando eu mais precisei de ti e antes de eu ter um filho teu ao qual criei sozinha. – atirou ela.

Não sei porquê, mas as ultimas palavras magoaram muito. Não, pior! O facto de dizer que criou o filho sozinha por minha culpa irritou-me. Eu nunca soube que ela estava gravida. Ela ocultou-me aquilo, porque se mo tivesse contado eu teria sido um pai presente. Mesmo pensando que tudo aquilo que se dizia era verdade.

-E pelos visto não fizeste um bom serviço! – disse num acesso de fúria.

Assim que pronunciei aquelas palavras arrependi-me. Ela não tinha culpa do Jackson estar morto. Assim, como eu também não.

-Desculpa. – apressei-me a dizer.

Mas já era tarde, ela já estava à minha frente para me desferir um estalo.

Para além da raiva por mim, agora a face dela exibia a dor.

Agarrada à mão Kelsi queixou-se.

Ainda tentei segurar a mão dela, mas ela afastou-se de mim. As lágrimas corriam pela cara dela.

-Não devia ter dito aquilo, desculpa. Foi sem intenção.

-Mas disses-te. A culpa não foi minha e não há um dia em que não deseje que fosse eu no lugar dele. Eu não fui uma má mãe. – cada palavra era pronunciada com uma dose de ódio e raiva maior que a outra.

Boa Ethan!

Se querias que a conversa fosse fácil e acessível parabéns! Iria ser tudo, menos isso. Agora é que a Kelsi não confiava em mim!

-Também disseste que eu o rejeitei e isso é mentira. Eu seria incapaz de rejeitar o meu filho. Tu ocultaste-o de mim, criaste-o sozinha porque quiseste Kelsi!

Era a primeira vez que ambos estávamos a dizer aquilo que realmente sentíamos, toda a magoa dentro de nós.

-Tu foste uma boa mãe. Tenho a certeza disso, é visível nos teus olhos, nas histórias e nas fotografias, estives-te sempre lá presente. Eu nunca tive a oportunidade de sequer  o conhecer, e não foi por opção minha. Por isso quando insinuas-te isso eu fiquei furioso e disse aquilo que não sinto realmente e peço desculpa por isso.

Kelsi permaneceu no mesmo local, longe de mim. Ainda conseguia ver a furia que emanava dela.

-Sai Etahn, por favor. – disse calmamente. – Quero estar sozinha.

Respirei fundo!

Apesar de tudo ela parecia estar um pouco mais calma.

A conversa não estava de todo a seguir o rumo que eu tinha previsto.

-Desculpa Kelsi, mas não o vou fazer. – Ela olhou para mim com as lagrimas nos olhos.

Aqueles olhos já não continham a mesma quantidade de ódio.

-Não vou cometer o mesmo erro de à três anos atrás. Não te vou abandonar quando mais necessitas de mim. Eu não deixo que te magoes mais.

Kelsi continuava a olhar para mim, a sua cara ficou demasiado vermelha assim que disse as ultimas palavras. Ali estava a confirmação de que eu sabia sobre os cortes.

Devagar aproximei-me dela e consegui abraça-la.

Desta vez ela não me afastou, invés disso aninhou-se nos meus braços e começou a chorar.

-Desculpa Ethan. – disse entre soluços. – Eu não estou bem! – admitiu por fim.

publicado por Twihistorias às 22:46
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29
Out 12

Capitulo 33

Já estava presa naquela casa à quase duas semanas.

A minha casa já tinha sido grafitada com palavras rudes e a minha caixa de correio tinha sido destruída 3 vezes. Ainda continuavam a achar que eu era a mentirosa, mesmo depois de três raparigas terem admitido terem sido vitimas do Chester, de os exames que fiz à três anos no médico serem coincidentes com o ADN do Chester e ainda tinham encontrado uma caixa com várias madeixas de cabelo de raparigas em casa do Chester.

Era incrível, como depois de tudo isto, as pessoas continuavam a dizer que eu era mentirosa.

Não queria que esquecessem o que fiz, que me perdoassem. Não, nada disso. Eu sei que tenho que pagar pelo assassinato que cometi, mas bolas…ele também era um monstro.

Estava sentada na minha cama perdida nos meus pensamentos quando a campainha suou. Saltei da mesma na expectativa que seria Bentley.

Nos últimos dias tinha estado um sol abrasador, por isso ele não se atrevera a sair de casa. Hoje, com a volta das nuvens ele tinha prometido a visita a minha casa.

-Kelsi, visita para ti. – ouvi a minha mãe. Apressei-me para a entrada da casa.

A visita aguardava-me na sala de estar. Entrei lá com um grande sorriso.

Mas em vez de me deparar com o Bentley, ali estava a Rebecca.

Fiquei presa ao chão e consigo jurar que o meu estomago deu uma volta de 180º sobre ele. Comecei a tremer de raiva.

O que vinha ela ali fazer? E como é que a minha mãe a tinha deixado entrar?

-O que estás aqui a fazer? – era visível no timbre da minha voz toda a repulsa que sentia por ela.

Rebecca olhou para mim e consegui ver aquele olhar que detestava, via a pena que ela sentia por mim.

Pena!

-Sai daqui. – disse eu sem qualquer tipo de cerimónia e indicando o caminho para a porta.

-Kelsi. – repreendeu-me a minha mãe.

-Não deixe estar – apressou-se a Rebecca a dizer. – Ela tem razão de não me querer ver.

Mesmo assim a minha mãe avançou sobre mim e sussurrou-me que eu não tinha sido educada assim.

-Mãe, foi esta gaja que fez com que o Ethan me traisse, foi por causa desta gaja que naquela tarde eu fiquei sozinha. Foi por causa dela que eu… - a palavra não me saia, mas a raiva, o ódio estava bem patente na minha voz, na minha postura, no meu olhar.

-Eu vou embora. – disse aquela que outrora fora a minha melhor amiga.

Ela pegou na sua carteira e antes de cruzar a porta parou e encarou-me, com aquilo que parecia ser lagrimas nos olhos.

-Desculpa Kelsi, eu nunca quis que isso te acontecesse. Nunca pensei que aquilo fosse acontecer.

-SAI. – gritei.

Até a minha mãe se assustou com a subida do meu tom.

Como é que ela tinha coragem de aparecer ali e fingir que estava solidaria comigo? Que não queria que nada daquilo acontecesse? Se bem me lembro, na altura ela deu início a uma série de rumores sobre mim e ainda alimentou outros.

Rebecca saiu da minha casa sem pronunciar uma única palavra.

Subi para o meu quarto deixando a minha mãe estupefacta na sala de estar.

Já lá em cima andava de um lado para o outro numa tentativa de me acalmar.

Queria berrar, chorar, expressar qualquer coisa. Como a mágoa que deveria estar a sentir com a presença da Rebecca ali.

No entanto, a maioria da minha revolta é que eu nada sentia, apenas um vazio dentro de mim.

Tinha prometido que a antiga menina iria voltar, mas não sabia como. Ela estava completamente perdida.

Adivinhando o meu estado de espirito, o quanto me sentia perdida, Bentley tocou á campainha.

Desta vez a minha mãe não me chamou ao andar de baixo, em vez disso permitiu ao meu amigo que subisse ao meu quarto e me acalmasse.

-Posso? – disse espreitando para dentro do meu quarto.

Acenei que sim, já estava um pouco mais calma, mas inda assim ele sentiu o quanto eu estava inquieta.

Bentley entrou no meu quarto com algo atrás das costas.

Parei de andar de um lado para o outro e fitei, ou pelo menos tentava, o que ele escondia.

-Fecha os olhos! – pedia ele com um sorriso travesso.

-Nem penses!

Bentley fitou-me e fez um olhar ameaçador, depois demasiado rápido para os meus olhos verem encontrava-se à minha frente, sendo separados por milimetros. No entanto sem me tocar, ele sabia que detestava que o fizessem.

Baixou-se ligeiramente apenas para cheirar o meu pescoço. E depois num sussurro acrescentou.

-Sabes que não devias desafiar um vampiro!

O tom de voz que ele usou e a proximidade fez com que todo o meu corpo se arrepiasse e um alarme dentro de mim gritasse «foge».

Bentley naquele momento parecia um verdadeiro predador.

O problema é que eu sabia que ele era incapaz de atacar um humano, principalmente a mim.

-Sabes, a cor dos teus olhos estragam um pouco esse teu jeito predador. É que fazem lembrar aqueles gatinhos fofinhos. – disse com um sorriso enquanto lhe tentei, inutilmente, retirar o meu presente.

-Um gatinho? Um gatinho? – Bentley fingiu-se indignado com tal comparação. – Eu digo-te o gatinho menina Kelsi.

Dito isto ele pegou em mim, de forma calma e doce, mas ao mesmo tempo assustadoramente.

Segundos depois encontrava-me sentada no banquinho perto da janela com ele em frente.

-Não que mereças isto, mas não sei mais que lhe fazer. – dito isto entregou-me uma caixinha onde continha diversos bolos da confeitaria perto do hotel onde eu antigamente estava hospedada.

Aqueles bolos, principalmente os donuts, são deliciosos. Fazem as delícias dos habitantes de Forks e já fazia tempo em que não degustava de algo tão delicioso.

Retirei um dos donuts coberto com chocolate e granulado de várias cores, dei a primeira trinca enquanto Bentley olhava para mim com um sorriso.

-És servido? – perguntei coma  boca cheia enquanto lhe estendia a caixa.

Como de costume ele rejeitou, mas isso não me impedia de tentar ser bem educada.

-Vocês nunca comem mesmo nada? Só sangue? – perguntei entre dentadas.

-Podemos comer, mas não digerimos comida! – explicou com um encolher de ombros.

-Então o que acontece à comida?

-Tem que vir para fora mais cedo ou mais tarde. E não é bonito. – a face que Bentley exibiu deixou isso bem claro.

Como não queria ficar enjoada e continuar a apreciar os meus bolinhos decidi que aquela conversa o melhor seria ficar por ali.

Bentley perguntou-me depois o que se tinha passado, porque apesar de estar bem mais calma e assim, ele notava que se passava alguma coisa e que não era só de agora.

Relatei a situação que tinha vivido momentos antes de ele chegar com a Rebecca e o vazio que sentia dentro de mim.

-Admiro a tua iniciativa de tentares voltar a ser a mesma, mas Kelsi essa menina nunca mais vai voltar. – explicou ele. – Muita coisa aconteceu na tua vida, não podes simplesmente passar uma borracha sobre tudo e continuar como se nada fosse.

Eu sabia disso.

Mas a verdade é que eu era uma pessoa amargurada, que não confiava em ninguém, não queria saber de nada nem de ninguém, eu não queria ser assim.

Eu queria sentir.

Acima de tudo, eu desejava sentir-me viva.

Bentleu disse aquilo que já várias pessoas me tinham dito, eu tinha que aprender a viver com o que me tinha acontecido e seguir em frente. Nunca ignorar.

O problema era esse, não é o que tenho tentado fazer? Então porquê o vazio? Porquê que não sinto nada?

Após Bentley ter partido a minha cabeça continuava a trabalhar na mesma coisa.

Eu queria sentir.

Estava já na hora de dormir e invés de me sentir embalada na minha cama, parecia que estava num barco e tudo à minha volta girava e girava.

A minha cabeça não parava de rodar.

Cansada, levantei-me para ir à casa de banho.

Fiquei alguns minutos a olhar o espelho, não conseguia reconhecer a rapariga no espelho, apesar de estar com bom aspecto parecia cansada e velha.

Mas aquilo não surtia qualquer efeito em mim, não sentia nada.

Foi então que agarrei o espelho e abri-o exibindo um pequeno armário cheio de medicação entre outras coisas.

Foi então que algo chamou a minha atenção e com a mão bastante calma alcancei o mesmo.

Voltei a fechar a pequena porta e voltei a mirar-me no espelho.

Respirei fundo e fechei os olhos.

E senti! Ao fim de tanto tempo voltei a sentir novamente.

Senti os meus lábios a elevar-se num sorriso.

Quando abri os olhos consegui ver a pequena linha vermelha no meu antebraço.

Agora com os olhos abertos voltei a fazer outro pequeno corte com a lâmina logo a seguir aquele.

publicado por Twihistorias às 21:27
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