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Abr 13

Capítulo 20

Parte 3

Num segundo estavam todos os vampiros a formar uma barreira e prontos a atacar e no seguinte estavam a correr em direcção às árvores de onde provinham os vampiros que se aproximavam.

Dois jovens vampiros de olhos bem vermelhos surgiram de entre as árvores.

Assim que o fizeram, todos os vampiros que estavam do nosso lado cessaram o ataque. Apesar de termos parado, não significava que não atacaríamos, apenas decidimos aguardar ordens de alguém do grupo para atacar, ou de algum passo em falso dos jovens que estavam À nossa frente.

E eu sabia que eles haveriam de o dar.

Claro que o facto de as roupas deles e saber-mos quem eles eram, ajudou um pouco para não os atacarmos.

Jane sorriu na nossa direcção, de forma um pouco trocista. Isso fez com que a minha mãe colocasse o escudo à nossa volta e desse um passo na direcção dela. Imediatamente o meu pai segurou-lhe na mão e fez-lhe sinal que não atacasse.

Os olhos de Alec percorreram o perímetro, como se procurasse algo. Jane apenas fitava a minha mãe e o sorriso começava agora a desaparecer.

Quase que apostava que já tinha descoberto que o escudo estava sobre todos nós.

-Jane, Alec. – Cumprimentou o avó Carlisle de forma respeitosa. – A que devo a vossa honra?

O olhar de Jane desviou-se da minha mãe e incidiu em Carlisle. Já Alec pareceu que nem ouviu o meu avó falar.

O sorriso dele abriu-se, assim como os seus braços. Deu um passo em frente, mas não de forma ameaçadora. Estranhei o comportamente, por isso segui a linha de visão de Alec, assim como outros vampiros confusos.

-Ah ah. Dio, Marcello. – brandou Alec de forma amigável.

Depois veio o mais chocante. Os meus amigos Dio e Marcello abandonaram a barreira de ataque e foram ao encontro do Volturi macho que se encontrava à nossa frente. Por fim deram um grande abraço, como se fossem os grandes amigos que já não se viam à tempos infinitos.

Depois foi a vez de Jane. Sem aviso prévio Dio pegou em Jane pela cintura e rodopiou-a enquanto a abraçava.

-Janezinha. – dizia ele. – Estás igual, nem um centímetro a mais… - a piada parecia que não tinha acabado e já Dio estava no chão a contorcer-se.

-Diotiguardi – A voz de Jane suava divertida ao pronunciar o nome completo de Dio. – Sabes que não gosto que me agarrem dessa forma.

De repente os gritos do Dio pararam e os olhos de Jane focaram Marcello.

-Já chega, eu sei que ele é chato, mal educado e tal, mas é o meu irmãozinho. – disse Marcello com um encolher de ombros. – Eu ainda acho que ele foi adoptado, mas na altura os testes de ADN ainda não eram possíveis de fazer. – sorriu e educadamente encaminhou-se para Jane, fez-lhe uma pequena vénia e beijou-lhe a mão.

Era oficial, eu não estava a perceber nada. De onde é que eles conheciam os Volturi? Pior, desde quando é que eles eram amigos deles?

Olhei de relance para Aria, ao contrário dos restantes vampiros da barreira ela estava completamente normal. Como se não estranhasse nada daquilo.

-Eles vieram ajudar. – disse por fim o meu pai.

Aquela declaração chocou toda a gente. Os Volturi a ajudar? A própria Jane a ajudar os Cullen? Meu Deus, já posso morrer, pois já vi de tudo!

Jane sorriu aquelas palavras.

-Bem, lamento discordar. – disse ela num tom de voz demasiado doce  melodioso. Como o de uma criança. – Eu estou-me nas tintas para o que vos acontece. Apenas vim porque os meus amigos me pediram – disse apontando para o Dio e o Marcello – Estamos aqui por causa deles, não por vocês.

Rodei os olhos perante aquela declaração. Ela estava ali por eles, eles estavam ali por nós, por isso ela estava ali por nós. Porquê que lhe custava assim tanto admitir? Qual era o problema dela com os Cullen?

Alguma paixão secreta, de certeza! A Jane teria que estar apaixonada por algum dos Cullen.

Comecei a imaginar as variadas lutas com as companheiras de todos os membros masculinos da minha família. A mais hilariante seria com a ti Rosalie sem dúvida alguma. Aquela mulher vira fera quando o assunto é o tio Emmett

O meu pai sorriu com os meus pensamentos.

Não consegui evitar e sorri com ele.

-Muito bem. – completou o avó Carlisle. – Ficamos deveras agradecidos a vocês os dois.

Jane não respondeu, desviou o olhar para outro lado. No entanto Alec fez um pequeno aceno com a cabeça, como se tivesse compreendido.

Começava a achar aquele vampirinho bem mais educado que a irmã. E até que era bonitinho!

«Nem penses Renesmee, ele é um Volturi e tem uma irmã insuportável.» e pronto a minha cabeça voltou a entrar em conflito consigo mesma.

Continuei mentalmente a recriminar-me por achar atraente aquele vampiro do demónio enquanto os outros dispersaram e regressaram ao que estavam a fazer.

Voltei com os restantes híbridos para a casa onde estava a irmã de Nahuel em mau estado. Teria que falar com eles e explicar que eles teriam que partir ainda hoje. Não poderiam lutar ao nosso lado, era demasiado perigoso para eles.

-Nahuel – sussurrei assim que vi que estávamos sozinhos. – Eles sabem! A Maysun foi torturada pelo exercito da…

Ouvi um grito vindo de lá de fora, olhei de relance pela janela, Aria estava no chão perto do Dio e Jane olhava para ela. Vi Marcello a colocar-se entre elas e o sofrimento de Aria desapareceu.

Jane encolheu os ombros a qualquer coisa que o Marcello lhe disse.

Depois disso, Aria levantou-se e afastou-se deles. Nem sequer permitiu que Marcello chegasse perto dela.

Voltei a minha atenção para os meus semelhantes.

-Tens a certeza? – perguntou o Nahuel.

Acenei afirmativamente com a cabeça.

-Não é seguro para vocês participarem nesta luta. Vocês tem que partir ainda hoje. – disse seriamente.

-E tu? – perguntou Jennifer.

-É a minha família Jen, eu tenho que ficar.

-Não podes Renesmee, eles…eles vão usar-te para apanhar toda a tua família. Vão torturar-te. Vão…sei lá!! – o pânico nela era visível, assim como nas outras.

-Eu sei. Mas tu farias o mesmo pelos teus irmãos, não fazias? Eu não posso, não consigo abandonar a minha família. E não vão usar isso para apanhar a minha família. Eu consigo aguentar bem a dor. – disse com um sorriso.

-Nós ficamos. – disse Maysun na sua voz debilitada.

-Não, eu não me posso sentir responsabilizada por o que vos pode acontecer. Além disso quem irá ajudar os outros que irão aparecer iguais a nós? – fiz um sorriso tranquilo, exactamente aquilo que não sentia.

Eu desejava que eles ficassem, mas não conseguia ser tão egoísta com eles. Não podia pedir que se sacrificassem por mim.

Olhei para Nahuel e mentalmente pedi-lhe para fazer o mais certo.

-Partiremos esta noite. – disse ele sem nunca tirar os olhos de mim.

Vi a lágrima a escapar-lhe do olho assim que pronunciou aquelas palavras. Estava agradecida por ter feito o mais correcto.

-Renesmee? – ouvi a voz do Dio a chamar-me.

Despedi-me dos híbridos com um aceno e corri em direcção ao meu amigo vampiro.

-Vamos dar uma volta? – disse enquanto me segurava na cintura. O seu olhar era intenso, sabia que não iria ser uma simples volta. Sorri.

Se iria morrer, ao menos que aproveitasse os últimos momentos da minha vida.

-Edward…desculpa – ouvi a minha mãe do outro lado a correr na direcção do meu pai que estava agora derrubado no chão em mau estado.

O olhar dele cruzou-se comigo e com o Dio. Ele tinha ouvido os nossos pensamentos e nos treinos com a minha mãe, não se deve ter esquivado a tempo do seu ataque.

Um sorriso de pedido de desculpa surgiu nos meus lábios e nos do Dio no momento em que os dois corremos em direcção ao mato e desaparecemos.

Já tínhamos caçado alguns animais, Dio tinha-me acompanhado na comida vegetariana. Passeávamos agora de mãos dadas à procura de um lugar sossegado.

-Desde quando te dás com a Jane e o Alec? – tentei parecer o mais desinteressada possível. Não tinha resultado.

Dio sorriu, parecia que estava à horas à espera daquela pergunta.

-Fomos vizinhos. – disse simplesmente.

Finalmente encontramos um bom local para descansar e relaxar.

Dio voltou a contar a historia de como ele e os gemeos Volturi se conheceram.

-Quando eramos humanos, vivíamos na mesma aldeia A Jane e o Alec eram da turma do meu irmão. No entanto, a família deles era um pouco pobre, por isso, eles usavam roupa menos boa e nunca brincavam connosco, estavam sempre a ajudar os pais depois das aulas na quinta. As pessoas começaram a falar na aldeia que eles eram bruxos e assim. Ninguém falava para eles. Tirando eu!

- Um dia estava na estrada à frente de minha casa a brincar com umas pedras. Devia ter para aí 3 anos. Andava a correr de um lado para o outro a atirar e apanhar pedras e caí. Abri o joelho todo, o cotovelo. Comecei a chorar. Os meus pais não estavam em casa, o Marcello que devia estar a tomar conta de mim estava mais ao fundo da rua com os amigos a jogar à bola. A Jane e o irmão passaram e ela correu na minha direcção para me ajudar.

E neste momento eu não consegui disfarçar o grande O que a minha boca formava. A Jane a correr para ajudar uma criança ferida.

Não conseguia imaginar mesmo que quisesse.

-Ela acalmou-me, rasgou um pedaço do seu vestido e tentou fazer-me um curativo. O Alec ajudou a distrair-me. Mesmo tendo que ir ajudar os pais, a Jane decidiu ficar ali comigo a fazer-me companhia até alguém chegar a minha casa. O Alec partiu e lá ficamos os dois a brincar. Entretanto o Marcello chegou, ao inicio ficou furioso por eu estar a falar com uma bruxa e começou a vaia-la. Eu continuava sem perceber o porquê que era tão errado, porque ela não tinha feito nada de mais, tinha sido minha amiga. Lembro-me que ela foi embora a chorar. O meu irmão berrou comigo e fez-me jurar que eu não ia contar aquilo a ninguém.

Pela primeira vez fiquei com um bocadinho de pena da Jane. Só um bocadinho.

-Ele nem se apercebeu que eu estava magoado. Estava tão furioso que nem olhou direito para mim. Só à noite, quando a minha mãe me foi dar banho é que viu que eu me tinha magoado e foi dar os parabéns ao meu irmão por ter tomado conta de mim e me ter feito o curativo. Foi aí que ele se apercebeu o que é que a Jane fazia comigo.

-Ele pediu-lhe desculpa? – perguntei curiosa.

Dio sorriu face à minha curiosidade. Por vezes, como agora, sentia-me uma criança perto do Dio. Uma criança ansiosa por saber o final da história.

-Não. – disse ele olhando para mim. – Não pediu. Ele não queria dar o braço a torcer, sabes como é os rapazes de 10 anos. Tem sempre a mania que tem razão. Mas começou a ficar mais atento a ela, e uma vez na escola estavam a pegar com ela e com o irmão e o meu irmão defendeu-os. Foi a forma dele de agradecer o que eles tinham feito por mim. Eu sempre falei com os gemeos, desde o dia em que me ajudaram. A Jane parecia gostar daquilo, ter alguém que falasse para ela, que a tratasse como uma pessoa normal. O meu irmão também aprendeu a ser mas educado com eles, mas falava apenas o essencial, e se não estivesse mais ninguém por perto. O tempo foi passando e eu lembro-me que à noite, o meu irmão saia sempre com os amigos. Então uma vez decidi segui-lo, os amigos era uma rapariga loira.

Os olhos de Dio rodaram, como se aquilo fosse demasiado obvio.

-Ele tinha uma namorada e ninguém sequer desconfiava. Claro que ele nunca iria contar que namorava a bruxa junior da aldeia. – o sorriso dele parecia divertido.

Eu estava apenas chocada, o Marcello e a Jane.

-Nessa mesma noite, assim que ele chegou a casa confrontei-o com a minha descoberta. Quase levei a valente da porrada do meu irmão. Prometi que não contava nada, mas ele teria que fazer a minha cama durante um mês. A verdade é que não o denunciaria, mesmo que ele não me fizesse a cama. Estava contente, eu gostava da Jane. Mas nem um mês mais tarde, houve qualquer coisa na aldeia e a família da Jane foi condenada à fogueira.

O sorriso do Dio tinha agora desaparecido. Parecia estar a reviver aqueles momentos.

-Eu tentei ao máximo convencer as pessoas que eles não eram assim, que a Jane e o Alec eram meus amigos. Por causa disso fiquei de castigo, diziam que eu estava enfeitiçado pela bruxa. Os meus pais prenderam-me na cave. O meu irmão decidiu tentar de uma forma mais discreta. Queria fugir, levar a Jane e o Alec e até os pais dela. Mas os pais recusaram-se a fugir, e como tal os gémeos também. O meu irmão teve que assistir à cena das fogueiras. Eu fiquei em casa, trancado no quarto a ouvir os gritos e a ver o fumo ao longe.

A voz do Dio era de pura fúria, sentia o ódio dentro dele.

-Como é que foram capazes de o fazer, eles eram miúdos de 16 anos. – abracei-o de forma forte. Sentia a dor e a magoa dele em cada musculo rijo.

-Fiquei meses trancado no quarto, sem conviver com ninguém. Até o meu irmão estava proibido de la entrar. A comida era deixada do lado de fora da porta. Diziam que eu estava a ser purificado. O Marcello, por vezes conseguia escapulir-se para dentro do meu quarto, ou escrevia-me cartas, as quais eu queimava logo em seguida. Ele estava a sofrer.

-Três anos, no dia em que azia anos que a Jane tinha sido queimada na fogueira, o Marcello fez qualquer coisa para a relembrar. A minha mãe apanhou o memorial dedicado aos gémeos, ficou furiosa. Antes que sobrasse para o Marcello, eu assumi a culpa e disse que eles é que eram os bruxos porque condenaram pessoas inocentes à fogueira. Furiosa a minha mãe voltou a enfiar-me no quarto. Nessa mesma noite o Marcello desapareceu. Foi para a cama dormir e na manha seguinte já lá não estava. Eu fui culpado por tal ter acontecido.

Nunca tinha ouvido esta história do Dio, não sabia que a infância dele tinha sido tão complicada. Ser trancado no quarto pelos próprios pais e ser privado de falar com humanos, como é que ele não enlouquecia. Da outra vez tinha o Marcello, que às escondidas comunicava com ele, mas e agora?

-Desta vez acho que fiquei trancado um ano, ao fim de algum tempo perdi a conta dos dias a passarem. Comecei a falar sozinho, depois adoptei um rato que tinha lá no quarto. A minha mãe quando descobriu ainda ficou mais desconcertada. Dizia que eu tinha vendido a minha alma ao diabo, que já não havia nada a fazer. Deixaram-me sair do quarto, mas ninguém na cidade falava ou se cegava perto de mim, como se eu tivesse algum tipo de doença. Os meus pais até um padre chamaram para tirar o diabo dentro de mim.

Tinha o coração partido e as lagrimas banhavam a minha face. Dio tinha agora a cabeça repousada no meu colo enquanto eu lhe acariciava o cabelo. Ele estava a abrir-se comigo como nunca o tinha feito. Inicialmente começou por ser a história da Jane, mas neste momento ele contava a sua. E era de partir o coração.

-Os anos foram passando e eu acabei por desistir de sair de casa. Os meus pais decidiram fazer um anexo ao fundo do jardim. Uma casa para mim. Não tinham coragem de me expulsar de casa, mas também não queriam falar ou olhar para mim. E pronto, estava eu sozinho no mundo, a sentir na pele o que a Jane e o Alec sentiram. A diferença é que eu não tinha ali o meu irmão comigo para me proteger. Até ao dia em que eu estava com 17 anos e o Marcello aparece à minha frente como no dia em que desapareceu, ao lado dele estava a Jane e o Alec. Pensei que fossem os seus espíritos que me viessem buscar. Estava agradecido, porque eu estava farto de estar sozinho. Mas quando reparei nos olhos deles, vermelhos. Afastei-me, gritei e vi que as pessoas tinham razão, eles tinham realmente vendido a alma ao diabo, e o meu irmão tinha sido levado de arrasto, não eu! Tentei fugir, mas não adiantou. Três dias depois eu era como eles. Um vampiro.

 

 

NOTA DA AUTORA: Não se esqueçam de visitar o blog da Renesmee http://that_girl.blogs.sapo.pt/

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24
Mar 13

Capítulo 20

Parte 2

Ainda em choque, fitava Aria. Ela continuava a falar, mas a verdade é que não conseguia pensar noutra coisa, que na segurança dos híbridos.

Nahuel era a favor de eliminar todos aqueles que soubessem do nosso segredo apenas para preservar a nossa segurança. Se ele soubesse que a Aria estava a par destas notícias, também ela corria perigo.

-Renesmee… - chamava a minha amiga recém chegada. – Não fiques assim, agora que sabes a verdade, podes proteger-te de outra forma.

Não acredito que ela ainda estava preocupada comigo. Ela tinha a maior vantagem dela sobre mim, e mesmo assim preferia ajudar-me.

Ela estava prestes a recomeçar com o relato do que tinha descoberto sobre os híbridos.

Antes que mais alguém se apercebesse fiz aparecer na sua mente uma mensagem para ela não dizer mais nada.

-Vamos caçar, pareces fraca. – disse de forma despreocupada, coisa que eu não sentia em parte alguma do meu corpo. – Anda, eu mostro-te onde o podes fazer.

Aria assentiu percebendo que ali não era seguro falar.

Afastamo-nos de tudo e todos, apenas as duas.

Sabia bem estar sozinha com a minha melhor amiga.

Corremos por umas horas, em algumas alturas eu abrandava, pois sentia-me cansada e sentia o ar a faltar-me.

Pela primeira vez não disfarcei, ela sabia a verdade e sabia.

-Tu sabias. – disse aproximando-se de mim quando eu estava apoiada a um poste na cidade de Seatle tentando aspirar o maior ar que conseguia.

-Porquê que nunca contas-te? – a pergunta surgiu quase imediatamente a eu ter afirmado com a cabeça.

-Porque é um segredo que envolve mais pessoas. É algo que pode ser usado contra nós. É a nossa fraqueza. – admiti por fim.

Era a primeira vez que o dizia a alguém, principalmente a um vampiro.

Um silêncio instalou-se entre nós.

Ela entendia isso, mas também entendeu que eu não confiava nela o suficiente para lhe revelar a minha maior fraqueza.

Até agora.

Aria endireitou-se e esperou que eu me recompusesse.

Não proferiu mais nenhuma palavra. Sabia que ela estava magoada e estava a processar tudo.

Tinha que lhe dar tempo.

A caçada correu de forma rápida. Aria já não se alimentava à alguns dias, por isso, o preço foram 5 corpos exangues atirados aos esgotos. Da minha parte apenas fiquei a observar.

Era hora de regressar, de certeza que os outros a queriam ver, talvez fazer perguntas.

Aria continuava sem me dirigir a palavra.

-Aria… - tentei mais uma vez quando nos encontrávamos novamente protegidas pela vegetação do mato de regresso à casa branca.

Era encarou-me com o seu olhar vermelho e ameaçador.

A minha amiga era temperamental e eu sabia-o, no entanto tinha que arriscar falar com ela neste momento. Tinha que avisa-la de certos perigos antes de chegar-mos perto dos outros vampiros.

-Por favor…ouve-me… - nada.

-Esse é o maior segredo que os híbridos tinham, acho que consegues perceber o porquê. Não podemos simplesmente andar a divulgar as nossas fraquezas. Tu farias o mesmo!

Aria voou, literalmente, na minha direcção encostando-me contra uma árvore. O seu braço fazia pressão sobre o meu pescoço, o que me fazia sufocar. Apesar de saber que não morreria deste acto, não significava que eu entrava em aflição ao fim de alguns minutos privada de ar.

-Aria… - disse ainda com alguma segurança. Afinal de contas, ainda era meia vampira.

Ela continuou a fitar-me com os seus olhos vermelhos.

-Tu sabes como me matar, sabes todos os meus pontos fracos. – disse com uma voz fria.

-É verdade, mas isso todos os vampiros sabem, porque o ponto fraco é igual para todos. Inclusive para mim. Até porque uma parte de mim é igual a ti. Mas a outra parte, a parte humana, essa é a minha fraqueza, é isso que torna uma luta entre nós injusta. Porque eu nunca vou ser tão forte como uma vampira, mas também nunca vou ser tão fraca como uma humana.

Aria começou a afrouxar o aperto ao meu pescoço.

-Não percebes? Eu não sou igual a vocês. Eu sou uma hibrida Aria. Vocês intitulam-se de monstros, de aberrações, de algo que nem deveria existir. Então e nós híbridos? Nós sim somos as aberrações. Não somos vampiros, mas também não somos humanos. Nós sim, somos os monstros. Somos fruto de algo proibido, que nem sequer deveria ser possível, a junção de um vampiro e uma humana. Somos tão esquisitos que só existimos 5 no mundo. Isso sim Aria, isto é ser um monstro. – os meus braços articulavam como se tivessem vida própria as minhas lagrimas corriam pela minha cara.

Pela primeira vez deixei que alguém me visse a serio, alguém visse o que eu sentia disto, do facto de ser uma hibrida. E esse alguém foi a Aria.

-E não podes culpar-me por esconder este segredo de todos. Por tentar ser o mais normal possível, por tentar me encaixar num grupo. Por tentar proteger os da minha espécie, aqueles que são monstros como eu e que com certeza se sentem excluídos tanto do mundo humano como do vampírico. Porque a verdade é que não somos iguais a nenhum desses mundos.

A expressão feroz  da Aria tinha desaparecido.

-Tu não és um monstro nem uma aberração. És a prova que as duas raças se podem juntar, és a prova que podemos ainda viver em conjunto. Tu és a evolução. Eu dava tudo para sentir o que tu sentes, poder saborear os prazeres da vida como tu. Ser capaz de estar perto de humanos sem ser apenas para me alimentar.

Aquelas declarações surpreenderam-me.

-Acima de tudo gostava de ter a tua capacidade de amar. Tu amas como os humanos, com mais intensidade, mas é como eles. Nada é para sempre com vocês. Olha eu e o Marcello por exemplo. Ele nunca vai ser feliz o suficiente porque não está com a vampira que ama e eu vou sempre sofrer porque o meu companheiro morreu à mais de 100 anos e não sou capaz de amar nenhum outro vampiro ou humano. O que nos liga, a mim e ao Marcello é uma amizade e uma série de hormonas da adolescência. Já tu….

Ela referia-se ao facto de eu ter o Jacob como impressão natural e ter sido o meu primeiro amor, e depois dele já estive com diversos rapazes, inclusive o meu ex-namorado. De quem eu realmente amava e o Dio, que eu também gostava bastante.

Eu ao contrario dos vampiros, não amava para sempre a mesma pessoa. Eu era mais como os humanos, “longe da vista, longe do coração”!

-Lamento. – disse aproximando-me dela com calma.

Aria fez um sorriso torto, o sinal típico de “muda de assunto”.

-Aria, promete-me que não contas a ninguém sobre isto. É um segredo. Ninguém naquele acampamento pode saber. Principalmente os híbridos. – ela parecia confusa com aquele pedido. – O Nahuel mata-te se descobre que tu sabes o segredo.

-Quero ver isso, agora que sei como tortura-lo. – disse ela com um sorriso.

-Vês porquê que não falei nada? Tu vais sempre tirar vantagem disso. Aliás, tu és uma, eles são quatro. – adverti. Não contei comigo, nunca seria capaz de lhe fazer mal.

-Então vocês vão estar sozinhos na batalha, porque a Maria e os outros sabem deste ponto fraco. Se ninguém deste lado souber, ninguém vos vai proteger.

-Eles não vão lutar. – disse passando por ela e retomando o caminho de volta.

-Então o que estão aqui a fazer? Não foi para isso que vieram para aqui?

-Sim, foi. Mas depois disto, o melhor é eles partirem. Aliás, aposto que já estão a falar sobre isso. É demasiado perigoso para eles ficarem. – a minha voz parecia fria, como se aquilo não me importasse.

A verdade é que sentia cada vez que esta batalha era uma verdadeira missão suicida para os nossos lados. Mas não podia por em perigo os meus amigos.

-É por isso que eu acho que devias pegar no Dio e no Marcello e irem embora. Não quero que nada vos aconteça por causa da minha família. – terminei lançando-lhe um olhar por cima do ombro, sem nunca parar com a minha marcha.

Aria segurou no meu braço, impedindo-me de andar.

-Estás parva? Nós não estamos aqui pela tua família? Estamos aqui pelo nosso clã. Nós os quatro, os quatro mosqueteiros, lembras-te? Tu fazes parte da família, por isso, a tua família é a nossa família. E se não queres contar a verdade a ninguém, eu ajudo os teus pais a proteger-te.

O sorriso apareceu nos meus lábios. Eles consideravam-me do cã deles. Isso era uma honra.

-Pois, quanto aos meus pais. – os olhos da Aria abriram mais ao constatar que quando me referi a segredo, eu estava a falar a serio.

-A tua família não sabe? – disse ela escandalizada. – Como é que isso é possível?

-Simples, quando eu nasci e fui crescendo nunca se tinha visto nada assim, e ainda estava demasiado descontrolado o meu lado humano e vampírico. Como eu parti antes de chegar à “fase adulta” por assim dizer, eles nunca chegaram a ver nada disso. O Nahuel e as irmãs é que me explicaram sempre tudo. A partir daí, qualquer descoberta comunicávamos aos outros.

A Aria continuava a fitar-me, agora por curiosidade. Retomamos o passo e decidi abrir-me um pouco mais para com ela.

-Por exemplo, quando me droguei e bebi pela primeira vez, no dia em que conheci o Dio – exclareci – descobri que a droga e a bebida junta não a muito resultado, principalmente em grandes quantidades, sobretudo num humano. A conclusão foi que a minha parte humana foi como que desligada e apenas a vampira em mim veio ao de cima, o predador. Foi a primeira vez que matei, e se não fosse o Dio a coisa teria sido bem pior.

-Foi a primeira vez que tu e o Dio estiveram juntos, e nos dias seguintes ele não se calou na forma como tu eras estranha e como o sexo tinha sido bom. Não descansou enquanto não descobriu o que eras.

Sorri.

-Depois disso, tentei não repetir, pois sabias as consequências. Mas foi também que descobri que se me alimentasse de humanos que curava mais depressa. Foi sempre assim, sempre que um de nós descobria mais qualquer coisa, comunicávamos aos outros.

Aria fez dezenas de perguntas e eu tentei sempre explicar-lhe tudo. Desta vez não lhe escondi nada. Para quê? Ela sabia.

-Obrigado. – disse antes de entrarmos nos domínios de outros vampiros.

Ela agradeceu da mesma forma e avançamos.

Dio e Marcello foram os primeiros a chegar perto da Aria, eu dirigi-me aos híbridos.

Os vampiros continuavam com alguns treinos, tentavam trabalhar com os lobos, em certas técnicas de defesa.

Passei por Seth e fiz-lhe uma festa na nuca antes de avançar.

Os híbridos estavam na casa com o avó Carlisle. Deviam estar a tratar os ferimentos da Maysun. Conseguia vislumbra-la deitada e os restantes irmãos à volta dela. Ainda não tiveram tempo para falar com ela, mas pelos ferimentos deveriam estar desconfiados.

-Sem duvida, estas fraturas parecem ter sido feitas por alguém…elas não chegavam a curar e voltavam a fazer mais. Nahuel e as irmãs entreolhavam-se enquanto ouviam o meu avó a taraguelar mais para ele do que para os híbridos.

Estava mesmo a entrar na casa quando ouvi um barulho.

Todos os vampiros ficaram em sentido, assim como os lobos. Imitei os vampiros que estavam no nosso jardim e coloquei-me em posição de ataque.

Rapidamente estava ladeada pelo Nahuel e as suas irmãs. Estávamos ali para proteger a Maysun fosse de que vampiro que se aproxima-se.

O que aconteceu a seguir foi tudo muito rápido.

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16
Fev 13

Capitulo 20

Estavam todos reunidos no jardim da casa branca. Os treinos de luta eram cada vez mais e mais intensos.

A cada treino com a minha família, ou mesmo com outro qualquer vampiro começava a levar a melhor de mim. Estava cansada, dorida, derrotada ainda antes da verdadeira luta começar.

Afastei-me um pouco de forma a tentar recuperar um pouco as minhas forças.

Olhava para a tia Alice.

Não parecia a mesma desde que o tio Jasper partira. Parecia vazia, como se apenas lutasse por lutar. Estava constantemente a tentar ver o futuro, a ver se alguma coisa alterava.

Mas nada! Tudo continuava igual.

Ou seja, ou o tio Jasper ainda não tinha chegado perto da Maria, ou então a presença dele em nada tinha alterado o futuro e a guerra iria continuar.

-Então? – perguntou-me Serena – Está tudo bem?

Olhei para ela, enquanto a mesma se acomodava ao meu lado com um sorriso.

Encolhi os ombros e voltei a olhar para todos os vampiros que ali estavam reunidos a lutar.

-É incrível como apesar de tudo eles aqui ainda estão, mesmo sabendo que podem morrer.

Jennifer e Nahuel juntaram-se a nós, sendo que o ultimo trazia consigo um pequeno lanche para todos nós. Ninguêm falou, apenas observávamos os vampiros a fazer uma dança violenta. Todos nós estávamos cansados, tentávamos parecer fortes aos olhos dos outros, mas apenas os quatro sabíamos como nos estávamos a sentir por dentro.

-Vamos ter que nos alimentar em condições antes da batalha. – disse Nahuel enquanto olhava para os sumos e as sandes que estavam nas nossas mãos. – Não que a comida seja mal. Mas necessitamos da nossa força, de estar recuperados. – depois olhou para mim nos olhos. – Tu também Renesmee. Não aguentas uma luta sem sangue humano.

Ele tinha razão, eu iria ter que me alimentar com eles, caso contrário iria ser das primeiras a morrer.

Um arrepio trepou pela minha coluna com tal pensamento.

-Fico contente por vocês estarem aqui, mas não vos iria recriminar se partissem, quer dizer, vocês sabem que podemos sofrer mais que qualquer outro vampiro nesta guerra. Se eles descobrem. – disse olhando para cada um deles.

-Nem penses, nós somos uma família, somos únicos. Temos que nos apoiar quando é necessário. Não te vamos deixar aqui sozinha. Temos que nos ajudar uns aos outros lembras-te? O nosso pacto é esse, proteger-nos uns aos outros.

Apenas consegui sorrir em retribuição às palavras de Jennifer.

-A Maysun pode aqui não estar, mas nós estamos e não te vamos abandonar. – terminou Serena.

Nahuel olhou para a irmã mais velha e sorriu-lhe. Eles podiam não ser os melhores amigos do mundo, nem ter a relação chegada como a Jenny e o Nahuel, mas afinal de contas eram irmãos e apoiavam-se.

-Sim, mas tenho medo. Se apanham um de nós e calham de descobrir que nós somos mais humanos do que aquilo que parecemos, eles…- não consegui terminar. Imaginar o que seria de nós era demasiado doloroso.

-Podem-nos torturar. – terminou Nahuel – Por isso é que temos que estar juntos. Não os podemos deixar saber essa fraqueza.

A verdade é que nós como meios vampiros não iriamos morrer nem envelhecer, assim como todos os outros vampiros. Mas o nosso lado humano também estava presente, por isso, além da fome, da necessidade de dormir, também tínhamos sentimentos e dor física. O que significava que eles podiam infligir-nos todo o tipo de dor sem nós morrer-mos. Conseguem imaginar o que é estarmos horas debaixo de água a implorar por um pouco de ar e não a ter? Tem noção da tortura que é? A dor que sentimos?

Estávamos habituados a engolir a dor, a não deixar que esta transparecesse nunca. Mas nunca o fizemos por longos períodos de tempo, nem em situações deste tipo. Nunca nenhum dos quatro esteve numa guerra destas.

E por mais que tentássemos parecer fortes, nós os quatros estávamos apavorados, e apenas deixávamos escapar um pouco desse pavor quando estávamos só nós.

Este era o segredo dos híbridos, ninguém o sabia, nem o pai deles, nem os meus.

Era uma coisa nossa, a nossa fraqueza, o nosso segredo.

-Mudando de assunto, já conseguiste falar com a tua amiga?

-Não. – sussurrei enquanto ingeria um pouco do meu sumo. – Tenho a certeza que alguma coisa não está bem, o Marcello e o Dio são da mesma opinião, só ainda não sei bem o que se passa. – fiz uma pausa, olhei para o Marcello que treinava com o irmão.

Apesar de ambos estarem ali, sabia que estavam a pensar na Aria. Afinal de contas, antes de eu aparecer eles eram um clã, os três. Não conseguia deixar de os admirar, eles estavam ali comigo e não atrás dela.

-Só espero que não seja tarde de mais para ela. – disse com toda a minha sinceridade.

Não me iria perdoar se alguma coisa lhe acontecesse. Afinal de contas, ela infiltrou-se naquele exercito por minha causa. Além de que era a minha melhor amiga.

Uma lágrima ameaçou escapar, mas foi travada a tempo pelo dedo do Nahuel.

-Ela vai estar bem, vais ver. – disse ele.

Subitamente todos pararam de lutar, uns fitavam uma zona da floresta que rodeava a casa, outros olhavam para a Alice.

Nós os quatro olhamos uns para os outros, não sabíamos o que se passava, ate que o barulho de alguém a aproximar-se chegou aos nossos ouvidos.

Era vampiro, a forma de correr, a velocidade tudo denunciava o ser que se aproximava. Mais atrás um pouco era possível ouvir o barulho de patas a bater no chão. Fosse qual fosse o vampiro, estava a ser seguido pelos lobos.

Nós híbridos corremos ao encontro dos outros preparando-nos para o que vinha, deixando para trás todo o nosso lanche a repousar no chão!

«Oh meu Deus, é agora.» era só o que eu conseguia pensar.

A troca de olhares entre mim, o Nahuel, a Jenny e a Serena era intensa. Todos nós pensávamos no mesmo. Nenhum dos quatro se alimentava de humanos à bastante tempo.

-Renesmee, fica atrás de mim! – disse o meu pai, colocando-se à minha frente de forma protectora.

Perguntei-me até onde é que ele saberia do meu segredo e dos meus amigos.

Edward fez um ligeiro rodar de cabeça e olhou-me nos olhos e fez um pequeno sorriso. Não foi necessário falar, a resposta estava ali. Ele sabia tudo, ele sabia do nosso segredo.

«Por favor não contes nada!» até o som dos meus pensamentos tinham um ligeiro timbre de pânico.

O meu pai voltou a encarar o lugar de onde o som se aproximava. A tenção ali era alta.

-Elas não vem lutar! – disse por fim a tia Alice. A sua voz era vazia, faltava aquele timbre cantante nela. Ela estava desprovida de qualquer tipo de alegria.

-Elas?!? – ouvi alguém dizer de forma confusa.

A verdade é que só ouvíamos os passos de um vampiro.

-A vampira transporta alguém gravemente ferido no colo. – informou a tia Alice.

O meu pai depois confirmou o facto.

O avó Carlisle correu rapidamente para o local de onde não tardaria vampira e humana iriam aparecer.

Meu Deus, era incrível um outro vampiro não “vegetariano” ajudar um humano. Toda a minha família tentou alcança-las para ajudar, assim como os Denali.

Os restantes recuaram com o medo do que o cheiro do sangue pudesse desencadear.

Foi então que o cheiro nos atingiu, não era o cheiro de sangue humano.

Nahuel, Serena e a Jennifer foram os primeiros a arrancar assim que nos apercebemos que o cheiro era de um hibrido. Eu segui-os.

Só existia mais um hibrido, Maysun.

O medo tomou conta de nós. O que lhe terá acontecido?

E quem seria a vampiro que a ajudava? Como iriamos explicar o que lhe estava a acontecer?

Como se houvesse uma ligação entre os híbridos, os quatro corremos o máximo que conseguíamos. Ultrapassamos toda a minha família.

-Maysun. – brandava Serena enquanto tentava alcançar a sua irmã.

Nahuel saltava agora de árvore em árvore, como se sentia melhor e se deslocava de forma mais rápida.

De forma surpreendente, o cansaço de à momentos desapareceu. Um dos nossos necessitava de nós.

Segundos depois estávamos perante a tal vampira que trazia nos braços a Maysun bastante debilitada, com sangue.

Sem prestar demasiada ateção às mesmas saltei colocando-me entre elas e os lobos que as seguiam.

-Elas estão connosco. – disse levantando a mão em sinal para eles pararem.

Todos pararam brutamente. O lobo castanho, o Jacob, avançou na minha direcção e curvou a cabeça, como se tivesse entendido a ordem. Depois, claro, como se não pudesse deixar de ser o Jacob lambeu-me a cara.

Se fosse qualquer outro que me fizesse aquilo estava agora a guinchar de dores, mas era o Jacob, não me conseguia chatear com ele. E assim, mesmo naquele local, um pequeno sorriso apareceu nos meus lábios.

-Para a próxima és um lobo morto Jacob. – disse num sussurro enquanto lhe massajava o flanco.

-Obrigado. – disse a Serena à vampira. – Podes deixar, agora tratamos nós dela.

Virei-me na direcção deles a tempo de ver o Nahuel retirar a irmã dos braços da vampira. Os Cullen chegaram nesse momento, Carlisle precipitou-se para Maysun para a observar. O meu pai, assim como o tio Emmett foram falar com os lobos.

Só então é que me dei ao trabalho de olhar para a tal vampira.

Aquele cabelo comprido cor de chocolate.

O meu coração acelerou o batimento.

-Aria. – disse lançando-me nos braços dela.

-Como…o que aconteceu? Porque não ligas-te? Estás bem? – bombardeava eu.

A pequena vampira de olhos vermelhos sorria para mim. Estava tão feliz por a ver novamente.

-Eles descobriram quem eu era, que estava a dar informações. E tinham esta hibrida presa perto da Maria. Acho que ela tem um poder qualquer que lhes é útil.

Claro! Só agora me apercebi o porquê de a tia Alice não conseguir ver o futuro. A Maria deve ter descoberto que se tivesse híbridos com ela a tia Alice estaria bloqueada. Mas porquê híbridos? Poderia ter um lobisomem.

«Talvez fosse mais complicado de o transportar» pensei.

Mas então porquê que ela estava toda machucada? Tão fraca?

-Eles estavam a tortura-la. – disse-me Aria de forma quase inaudível. Apenas nós conseguimos ouvir. – Tu podes ser torturada Renesmee. Os híbridos, todos vocês sofrem como os humanos, tem a dor humana. Eu ouvi-a gritar Renesmee. O que eles lhe estavam a fazer era….era…

O olhar de Aria transmitia nojo, repugnância. Já o meu transmitia pânico.

Eles sabiam! A Aria sabia, a Maria sabia, o exercito completo da Maria sabia.

O que iria fazer agora? Esta guerra não era segura para nenhum hibrido.  

 

NOTA da autora:
Peço desculpa pela demora...prometi que sairia mais cedo. Não vou dizer que foi por falta de tempo, não foi isso. Foi mesmo falta de inspiração!
Espero que a espera tenha compensado.
Não se esqueçam de comentar...ideias são bem vindas ;)
Não se esqueçam também de visitar o blog da nossa Renesmee, comentem os posts dela. http://that_girl.blogs.sapo.pt/

 

Twikisses*

publicado por Twihistorias às 20:26
Fanfics:

28
Jan 13

Capitulo 19

Parte 3

-Alice! – o tio Jasper estava perto dela a tentar chamar a sua atenção e assim saber o que se passava.

Como ela não reagia todos olhamos para o meu pai, a expressão dele era semelhante à da tia Alice. Pânico!

-Vai começar! – ouviu-se a voz fina e melodiosa da minha tia. Era notório um pequeno tremor naquela voz. – A Maria e o seu exército estão a caminho! Temos três dias.

O silêncio instalou-se na sala. A minha mãe correu na minha direcção para me abraçar, seguindo-se do meu pai. O avó e a avô seguiram o exemplo e também se abraçaram, assim como outros casais.

A alegria de momentos antes tinha agora desaparecido, o círculo da verdade ou consequência tinha desaparecido. Agora todos estavam em grupos, rodeados por amigos, companheiros, familiares.

Outros traçavam ainda agora algumas estratégias de guerra.

Devo admitir, que apesar de ter regressado para proteger a família e me ter mentalizado para esta guerra, a verdade é que eu não estava, de todo, preparada para ela.

Afinal de contas como é que se prepara para uma guerra?? Mas preparar a serio? De forma a não ficar sempre com aquele friozinho na barriga? Isso, acho que nunca vai acontecer.

O pânico nos olhos da tia Alice e do meu pai eram demasiado fortes para serem completamente ignorados. Havia algo que eles estavam a esconder.

Ao fim de algumas horas, o choque já tinha desaparecido e dava lugar a treinos a estratégias, tudo! Os últimos telefonemas estavam a ser realizados, novos ataques a serem treinados. Todos pareciam determinados e decididos a lutar.

Eu deveria estar com eles, provavelmente perto de Nahuel e das suas irmãs a treinar formas de não ser caça. Formas de esconder, disfarçar os meus pontos fracos.

Invés disso, afastei-me um pouco. Tinha medo por todos aqueles que eu amava. Podia parecer forte e segura de mim por fora, mas por dentro estava completamente perdida.

Afastei-me o suficiente para deixar de ouvir fosse quem fosse, subi a uma árvore e retirei um pozinho branco do bolso.

A cocaína não me afectava como a maioria dos humanos, não corria o risco de uma overdose, o que significava que para ficar um estado mais entorpecido consumia o dobro dos humanos. No entanto, tinha as suas desvantagens. A droga só afectava o meu lado humano, o que fazia que o meu lado predador, animal ficasse no controlo.

Descobri isso da pior forma, em França, numa noite em que estava de folga da discoteca, no entanto estava co os meus amigos. Decidi experimentar com eles, juntamente com o álcool. A conclusão foi três humanos mortos e a minha primeira noite de sexo com o Dio. Soube depois, que foi o Dio que evitou que eu tivesse morto mais humanos, que escondeu os outros corpos, e acima de tudo, evitou que aquele descontrolo chegasse aos ouvidos dos Volturi. Ele conseguiu travar-me daquela vez, não que tenha sido fácil, chegamos a lutar. Mas como é obvio, ele com mais experiencia do que eu e mais força levou a melhor. Depois, eu seduzi-o e aconteceu naquilo que terá sido uma mas maiores noites de sexo de sempre.

Talvez, por ficar descontrolada desta forma é que escolhi um local pacífico e sem humanos ou vampiros perto de mim. Só queria sentir-me leve, eufórica, alegre. O efeito iria apenas durar algumas horas, o suficiente para mim.

E assim foi, com uma inspiração profunda aquele pó cristalino estava no meu corpo, provocando-me toda uma serie de sensações já por mim experimentadas.

Era a primeira vez que o fazia assim sozinha, normalmente tinha o Dio comigo, para se assegurar que eu não fazia nenhuma loucura. Mas desta vez eu queria realmente estar sozinha, no entanto tinha o número dele no telemóvel a postos para uma qualquer eventualidade e necessitar de lhe ligar.

Mas o que poderia acontecer ali no meio do mato tão longe de tudo??

E assim ali fiquei deitada naquele ramo de árvore, sentindo o meu lado humano cada vez a ficar mais desligado e todas as minhas sensações vampíricas ficarem cada vez mais e mais apuradas.

Ouvi um barulho e sem pensar levantei-me.

Alguém se aproximava em paços largos, ou melhor em corrida vampírica.

Aquilo era invasão do meu território, eu estava ali primeiro. Por isso, simplesmente saltei do cimo da árvore aterrando mesmo em frente ao vampiro. Ambos rugimos um para o outro, em forma de ameaça e também para dizer que não tínhamos medo. Era assim que funcionávamos naquela situação.

Ambos estávamos prestes a debater-nos por aquele que era o meu território. Fui a primeira a saltar para cima do vampiro.

Como é que ele e atrevia a ir ali e reclamar aquele local, estando ali eu primeiro. Logo ele.

Dio defendeu-se, conseguiu esquivar-se de mim. No entanto nas ultimas semanas andávamos a treinar aquelas situações, por isso consegui livrar-me dele rapidamente.

-Renesmee temos que sair daqui. – ouvi-o dizer. Mas o meu lado sensato estava sobre o efeito da cocaína e o meu lado vampiro não acatava ordens.

Por isso investi novamente sobre ele, desta vez ele não se conseguiu desviar, o que me possibilitou bater-lhe com alguma força. Ouvi o corpo dele começar a partir.

Aquele som fez o meu sorriso aumentar.

-Sai daqui. – disse eu de forma fria.

-Renesmee… - tentou ele novamente. – temos que sair daqui, há…

O som das palavras dele foram abafados por dois batimentos cardíacos, o calor humano emanava por dois corpos não muito longe dali.

Mais uma vez, o meu lado predador venceu e localizou rapidamente aqueles dois humanos. Lancei-me numa corrida atrás da minha presa.

Senti-a Dio atrás de mim. Apressei o passo, mas sabia que era impossível ganhar um vampiro completo na corrida, por isso do nada enfrentei-o. Estava pronta pra lutar pela minha refeição.

Mais uma luta se desenvolveu no meio daquele verde, demasiado perto daqueles humanos, mas longe o suficiente para eles notarem a nossa presença.

Conseguia ouvir as conversas triviais dos mesmos, onde pousavam os pés. A minha garganta ardia e a brisa ainda ajudava a trazer o odor deles até mim.

Com alguma dificuldade, o Dio conseguiu deter-me e afastar-me daquele local.

-É para o teu bem. – sussurrava ele enquanto lutava para me segurar e me levava para longe.

Ao fim de alguns quilómetros deixei de sentir aqueles humanos. A minha garganta ainda ardia, mas não tanto.

Aquela sensação de perseguição de invasão ao meu território começou a dar lugar à luxuria e dava graças por ter ali Dio comigo. Numa questão de segundos a luta entre nós os dois deu lugar à luta para arrancar cada pedaço da nossa roupa.

E assim, no meio do mato voltamos a unir-nos num só de forma louca e selvagem, tal e qual o ser que representávamos.

Algumas horas depois, já tinha recuperado toda a minha consciência e estava eternamente grata a Dio por mais uma vez me ter protegido de fazer algo que me iria arrepender.

Arrependia-me sempre.

-Obrigado. – sussurrei no intervalo dos nossos beijos.

Continuávamos nus, os nossos corpos claros faziam contraste com o verde que nos rodeava.

-Não foi nada. Só achei que se eu não posso caçar dentro dos limites da cidade, tu também não! Não é justo. – disse com aquele sorriso torto.

-É tens razão, até porque há coisas bem mais interessantes para fazer-mos dentro dos limites da cidade. – o meu sorriso aumentou com as minhas palavras e rodei um pouco a minha cintura, originando alguns gemidos por parte do Dio.

Ainda permanecemos ali mais um tempo, a saborear o corpo um do outro. Por fim achamos melhor voltar para junto dos outros. Uma regra aproximava-se.

Entramos na clareira que dava acesso ao jardim da casa grande, onde estavam reunidos algumas dezenas de vampiros. Jacob e outros lobos estavam ali também.

Aquilo provocou-me um frio na barriga, que piorou substancialmente assim que os olhos do meu lobo se cruzaram com os meus e viu o Dio ao meu lado.

Não o consegui encarar, por isso desviei o meu olhar. O que só aumentou as suas suspeitas.

Dio, apercebendo-se da situação afastou-se de mim. Sabia que também o tinha magoado. Afinal de contas, antes mantinha a relação com ele em segredo porque namorava, e agora que ão tinha namorado continuava a fazer segredo. O pior é que toda a gente sabia, o que eu só me estava a enganar a mim própria com isto do segredo.

E o Jacob, bem nós não tínhamos nenhum tipo de compromisso. Então porquê que eu me sentia embaraçada e com este sentimento de culpa?

Conseguia ouvir alguns dos comentários, Dio não fez caso de nenhum e foi para perto do Marcello, que também não teceu nenhum comentário. Jacob por sua vez, quando voltei a encará-lo desviou o olhar e continuou a fazer o que estava a fazer, ignorando-me.

Olhei em redor e ainda tinha alguns vampiros a olhar para mim, alguns ainda teciam comentários sobre mim e o Dio. Os meus pais ao longe tentavam não me olhar, para não tornar o momento mais constrangedor, apesar de o meu pai estar com cara de que se pudesse desfazer alguém, iria faze-lo.

Por isso, quando vi o tio Jasper ao longe a afastar-se segui-o.

-Tio. – chamei.

Ele abrandou, mas ainda assim prosseguiu o seu caminho, para dentro da floresta.

E lá estava eu, novamente com aquele verde em meu redor. Desta vez com o meu tio.

Ele parecia um pouco abatido, por isso quando o apanhei e lhe perguntei o que se passava limitou-se a fazer um sorriso não muito convincente e a encher-me de uma onda de calma e felicidade.

Entendi aquilo como um «podes acompanhar-me, mas em silêncio». Por isso mesmo, lá continuamos o caminho em silêncio. Admito que também foi uma boa terapia, diferente da anterior, mas boa.

Quando subitamente o tio Jasper parou perto de um penhasco e falou pela primeira vez eu sobressaltei-me! Não estava de todo À espera de ouvir a voz dele, pensei que seria um passeio silencioso, de meditação.

-Então o que te inquieta sobrinha?

Não estava de todo à espera daquela pergunta. Quer dizer ele estava no jardim da casa assim como todos os outros. Toda a gente percebeu o que se passava. Eu estava com o Dio, mas não tinha coragem para o admitir. Em vez disso usava-o e deitava fora, sempre tinha sido assim entre os dois. Ele também o fazia, não era só eu. Então porquê que eu ultimamente me sentia mal ao fazê-lo? Não só em relação ao Dio, mas ao Jacob.

Mas se bem me lembro, o meu tio foi o primeiro a partir, só depois é que o segui. Por isso ele também estava inquieto.

-O que te inquieta a ti tio? Porque saíste da beira de toda a gente e vieste para aqui? Sabes o quê que o pai e a tia Alice estão a esconder? – perguntei a medo.

-Não te escapou também pois não? – depois lentamente olhou para mim, a tristeza era visível na sua face. – O facto de eles não revelarem tudo, também notas-te isso não foi?

Acenei afirmativamente.

-Eu também reparei, mas eles juram que não sabem de mais nada.

O tio Jasper voltou a olhar para o vazio. Ao fundo conseguíamos ver o mar. Já não eram as mesmas águas que banhavam La Push, essas estavam bastante para trás, noutro estado.

Estávamos demasiado longe de casa.

-Mas eu conheço a Maria, conheço-a como ninguém. E Renesmee, o que aí vem não vai ser bonito. Foi isso que eles viram e que os assustou. Assustou-os tanto que eles não tem coragem de nos contar.

-Isso é errado, porque se eles nos contassem nós poderíamos fazer alguma coisa para nos defender. – brandava eu irritada, os meus braços dançavam no ar de forma agressiva, assim como o vento.

-Não minha querida. Nós não dizemos aqueles que amamos que nos dirigimos para uma missão suicida, nem lhes pedimos para abandonar a família, ou os seus ideais. Ao invés disso fazemos sacrifícios, sofremos em silêncio e aproveitamos todo o tempo que nos é possível com os mesmos. – o tio ainda falava a olhar para o horizonte, a sua voz era calma, suave, triste e distante.

Era como se ele estivesse a meditar, a falar para si mesmo, a reflectir sobre as suas próprias palavras.

-Quando amamos, fazemos tudo em prol do seu bem estar. Mesmo que isso nos faça doer, mesmo que isso nos mate por dentro. Pelo bem estar da nossa cara metade nós somos fortes e fazemos coisas que nem sempre gostamos, mas que tem que ser feitas.

-Então porquê que estás aqui? Quero dizer, porque não estás com a tia Alice? – após a minha pergunta o tio Jasper continuou com um olhar vazio.

Começava a perguntar-me se ele me tinha ouvido.

Finalmente olhou para mim com aquele olhos dourados que condiziam na perfeição com aqueles cabelos dele, e exibiu o sorriso mais lindo.

-Ainda não compreendes o amor minha querida. Um dia irás entender. – disse passando os seus dedos na linha do meu queixo. A sua voz era tão melodiosa e calma.

Comecei a pensar no que ele me tinha dito, na sua postura ali e o porquê de ele estar ali.

O pânico começou a tomar conta de mim.

-Tu não estás a pensar… - comecei a dizer.

Uma onda de calma inundou-me e o sorriso do tio Jasper voltou a brilhar.

-Minha querida Renesmee, só eu conheço aqui a Maria, que outra razão teria ela para vir aqui se não for eu?

-Então tu vais ter com ela primeiro? – a minha garganta tinha uma bola ali no meio que impedia que a minha voz tivesse um timbre normal. As lagrimas estavam prestes a cair.

-Eu vou impedir que esta luta comece. A Maria quer vingar-se de mim, por isso se eu chegar a ela primeiro de ela chegar aqui, evito que aqueles que amo se magoem.

-Mas…

O tio Jasper colocou o dedo nos meus lábios de forma a silenciar-me e depositou um beijo na minha testa, como fazia quando eu era pequenina.

-Diz à tua tia que eu a amo muito, sim? – ao dizer isto senti qualquer coisa ser depositado no bolso das minhas calças.

Depois disto ele voltou-se de costas para mim e saltou do penhasco, quando aterrou lá em baixo vi-o a ir em direcção ao mar. Ele iria descobrir a Maria, eu sabia isso. Ele conhecia-a melhor que ninguém. Só esperava que ela não o magoasse.

-Adoro-te tio Jasper! – disse num sussurro, mas tinha a certeza que ele me ouviu.

Uma lágrima caiu pelos meus olhos.

Como é que eu iria agora contar à tia Alice sobre o tio Jasper? Pior, como é que a iria manter aqui em Forks? Como é que a iria impedir de ir atrás dele?

O que tinha no bolso era uma carta para a tia Alice.

«Ela vai ficar da mesma forma que o Jacob ficou quando tu fugiste.» pensei.

Era hora de voltar para Forks e enfrentar todos com esta triste realidade.

Mas antes de partir peguei no telemóvel e digitei o número da minha melhor amiga. Já fazia dias que não falava com ela, começava a ficar preocupada. Além disso, tinha que a avisar que estava na hora de partir. Desaparecer.

O circo estava prestes a pegar fogo, e eu queria que ela estivesse longe.

“O número que marcou não está disponível”

Era oficial, alguma coisa estava a acontecer. A Aria não era de ter o telemóvel desligado e estar dias sem dar noticias. Comecei a temer o pior.

Corri para casa.

Assim que lá cheguei com a maquilhagem completamente destruída pelas lágrimas, o cabelo completamente alagado devido à correria e ao vento, todos se aperceberam que alguma coisa estava errada.

O meu pai foi o primeiro a chegar perto de mim e abraçar-me para me consolar. Depois veio a restante família e os meus amigos mais próximos. Todos queriam saber o que se passava.

Apenas o meu pai sabia o que se passava, sentia isso pela forma como ele me abraçava. Ele sabia que eu me estava a desfazer por dentro.

Como é que eu iria dizer que o tio Jasper tinha partido atrás da Maria, ou como tinha a certeza que algo tinha acontecido à Aria e pior, que esta guerra iria ser a morte de muitos de nós?

 

NOTA DA AUTORA:
Meninas, quantos mais comentarios tiver, mais rápido sai o proximo capitulo ;)
E claro não se esqueçam de visitar o blog da Renesmee http://that_girl.blogs.sapo.pt/

publicado por Twihistorias às 19:42
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25
Dez 12

Capitulo 19

Parte 2

Depois de toda a conversa com os meus pais, umas lágrimas à mistura e alguns sorrisos o ambiente acalmou.

Quase parecíamos a família de antigamente.

Ainda não tínhamos sido tão sinceros uns com os outros desde da minha chegada. Esperava que agora esta sensação de família fosse para durar.

Apesar de continuar com um pé atrás iria tentar ao máximo dar o meu melhor em prol desta família.

A cada dia que passava mais vampiros chegavam à nossa casa.

Era estranho, pois sabíamos que se aproximava uma batalha, no entanto a tia Alice não a conseguia visualizar.

Para piorar um pouco, a Aria já não dava noticias à quatro dias e isso estava a começar a deixar-me assustada. Assim como uma das irmãs do Nahuel também não tenha aparecido, o que fez com que nós, híbridos, estranhasse-mos.

Eramos bastante unidos devido aos nossos segredos, à nossa natureza e estranhávamos o facto da Maysun não se ter juntado a nós.

-Ei! – exclamou Nahuel em forma de chamar à atenção do maior numero de pessoas. – E quem alinha num joguinho de verdade e consequência?

Sorri com a ideia dele.

A maioria achou um pouco infantil aquele jogo, no entanto quase todos acabaram por aceitar, tamanha era o aborrecimento naquela casa para tantos vampiros.

Eu corri à cozinha para pegar numa garrafa enquanto todos se sentaram em forma de círculo na sala.

Conseguia ouvir os queixumes de alguns e visualizei Serena, Nahuel e Jennifer a sorrir. Apenas eu, o Nahuel e as suas duas irmãs ali presentes sabíamos o que implicava aquele jogo da verdade e consequência.

É que a Jennifer tinha um poder bastante particular, em que “obrigava” as pessoas a dizer a verdade, mesmo quando elas não queriam. O que fazia com que este jogo se tornasse bem mais interessante.

Inicialmente todo o jogo começou com algumas banalidades, por isso todos responderam a verdade não se apercebendo do poder da minha amiga.

Só quando a coisa começou a subir de nível e as perguntas começaram a ficar mais “pessoais” é que alguns se começaram a aperceber. No entanto nenhum revelava que não conseguia mentir. Eu sabia pela cara furiosa que eles depois exibiam, os olhares furtivos e pelo sorriso enviesado da Jennifer.

-Maninha, com os últimos acontecimentos, com uma filha em casa e visto a vossa casa nunca ter sofrido nenhum tipo de acidente estrutural. O meu irmãozinho dá conta do recado e com que frequência é que o faz? – perguntou o tio Emmett à minha mãe assim que a garrafa apontou para ela.

Os olhos da Bella estreitaram-se em sinal de fúria e ela abriu a boca para lhe responder à letra, mas as palavras que lhe saíram deixaram-na chocada e a mim enjoada.

-Sim Emmett ele dá conta do recado todas as noites e não à dano nenhum na casa porque somos cuidadosos e nem sempre é dentro da casa. - assim que terminou as mãos dela voaram para a sua boca tamanha era a sua vergonha.

Fiquei contente por ver que o poder da Jennifer funcionava na minha mãe, pensei que não iria resultar. Olhei de relance para a minha amiga e ambas sorrimos discretamente.

O meu pai estava pasmado a olhar para a minha mãe e eu tentava a todo o custo evitar o olhar com eles.

Quer dizer, quem gosta de imaginar os nossos pais a fazer estas coisas? Eu não!!

Rapidamente peguei na garrafa para a fazer girar e mudar de assunto.

-Renesmee. – sorriu o Matt assim que a garrafa parou em mim. – O que mais te incomoda neste momento.

Matt era um vampiro de olhos vermelhos, cabelo loiro pelo ombro amarrado, com um aspecto perigoso e lindo de morrer. Era amigo dos meus pais, conheceram-no numa das muitas viagens que realizaram para me encontrar.

Quanto à pergunta, era impossível mentir, por isso nem sequer tentei. Apenas disse a verdade.

-O facto de os meus pais estarem aqui. – Bem o silencio não podia ser maior, assim como os desvios de olhar. A dor deles com as minhas palavras eram quase palpáveis. – Quer dizer, quem gosta de ouvir a mãe dizer que todas as noites faz aquelas coisas com o nosso pai? É que imaginam logo e não é bonito, pelo menos na cabeça de um filho! – apressei-me a acrescentar. – E depois vem as minhas perguntas, que também podem ser constrangedoras para eles ouvir e eu saber que eles ouviram.

E agora já estava a falar de mais.

O sorriso apareceu em todos , entendendo o porquê da minha resposta.

A garrafa foi rodando, e as perguntas foram mudando, desde sexuais, a campos de batalha, entre outras coisas. No entanto a maioria parecia tentada a esconder ou mentir acerca das respostas.

-Desculpem, mas quem é que aqui tem o poder de nos fazer dizer a verdade? Sim porque eu não consigo dizer mais nada senão a verdade acerca da pergunta que me fazem. – perguntou um dos vampiros que ali se encontrava.

O Nahuel começou a rir-se, assim como eu e as irmãs dele.

-Qual seria a piada deste jogo se podesses mentir? Apenas tenho a certeza que contas a verdade com um pequeno poder.

Nahuel não disse quem tinha o poder, mas deu a entender que seria ele. Em parte tínhamos medo da reacção dos outros vampiros e ele era super protector em relação à sua irmã mais nova.

Alguns quiseram abandonar o jogo, mas com algum palavreado lá os conseguimos convencer a permanecer no jogo e deixar as perguntas de carisma sexual de lado. O que devo confessar, fiquei super aliviada e contente com tal regra.

-Qual a tua maior fraqueza em campo? – perguntou um outro vampiro de olhos vermelhos à Serena.

Todos os híbridos ficamos nervosos. A fraqueza dela era a nossa fraqueza. E nós fazíamos questão de manter isso em segredo. Quase que apostava que neste momento o poder da Jennifer já não estava sobre ela.

-Nenhuma em particular. Talvez tropeçar um pouco nos meus próprios pés. – disse com um sorriso envergonhado.

Sim, ela tinha mentido. Ainda bem, não sabíamos o que nos aconteceria se soubessem a nossa maior fraqueza. Se soubessem que sofríamos exactamente como os humanos, a diferença é que não morríamos. Imaginam a dor que nos podem infligir? A tortura que seria se soubessem a verdade?

Ninguém o poderia saber. Por isso é que era algo só nosso.

O jogo continuou, agora com o poder da verdade da Jennifer novamente.

Ainda permanecemos mais algumas horas ali a jogar.

Repentinamente, no meio de uma resposta a tia Alice ficou hirta, estava a ter uma visão. Todos nos calamos, e ficamos a olhar para ela.

Subitamente o terror instala-se no seu rosto e todos nos apercebemos de que se aproximavam más noticias.

publicado por Twihistorias às 12:00
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02
Dez 12

 

 Capitulo 19

Parte 1

O concerto tinha corrido lindamente, a adesão ao mesmo tinha sido impressionante. Não estava à espera.

A reacção das pessoas foi brutal.

Meu Deus, como sentia saudades de atuar.

-Até amanhã meninos. Divirtam-se. – disse ao Dio e ao Marcello antes de entrar na minha casa.

Eles iriam caçar para fora dos limites da nossa cidade. E com certeza que a refeição não seria vegetariana. Eu iria apenas ficar por casa, à espera da chamada da Aria e a fazer companhia ao Nahuel e afins.

Assim que entrei em casa, toda a família ali se encontrava. Todas as cabeças rodaram na minha direcção e nem um sorriso apareceu, nem sequer uma felicitação pelo concerto. Naquela sala apenas se ouvia o zumbido de alguns insectos.

Na pequena casa dos meus pais, todos os Cullen estavam reunidos provavelmente para me chamar mais uma vez à atenção sobre a minha conduta.

“Será que não ouviram nada do que eu cantei?” questionava-me a mim própria.

Um sorriso triste apareceu nos lábios do meu pai.

-Sim! – respondeu-me com uma voz cheia de mágoa.

Todos voltaram a atenção para ele.

Assim que o vi conseguia ver toda a mágoa nos seus olhos, nunca o tinha visto assim. A minha mãe amparava-se nele como que em busca de força.

Foi quando me apercebi, eles não estavam ali para ralhar comigo, mas sim para dar apoio aos meus progenitores.

Aquilo magoou-me de várias formas. Primeiro, fiquei desiludida comigo, porque mais uma vez tinha magoado a minha família, tinha voltado a desiludi-los. E magoou-me muito quando me apercebi que mais uma vez eles estavam unidos contra aquilo que eu fazia.

Tudo que eu fazia dava sempre errado, e odiava sentir-me assim. Como se não fizesse parte daquela família, como se não fosse aqui o meu lugar. Bolas, como se fosse uma aberração.

“Tu és uma aberração!” pensei.

Afinal de contas eu não era humana, mas também não era vampira. Eu não era nada, era uma experiencia maluca que resultou naquilo. Eu sou um hibrido.

Abruptamente o meu pai largou a Bella, para espanto de todos, e dirigiu-se a mim.

-Não! – Edward elevou uma décima no seu timbre. – Tu és especial, não te quero ouvir a pensar ou dizer uma coisa dessas, ouviste?

Do nada o meu pai abraçou-me.

Queria refutar, mas era como se as palavras me fugissem da boca e da mente.

Conseguia ouvir os soluços da parte feminina da família, apesar das lágrimas continuarem ausentes.

-Tu és a minha menina, a minha bebé. – continuava o meu pai num sussurro ao meu ouvido. – Desculpa se te fiz sentir menos especial, ou menos bem-vinda na minha vida. Tu és a minha vida Renesmee.

E pronto, antes que conseguisse impedir, uma lágrima caiu-me aterrando na camisa do meu pai.

Sem qualquer esforço ele pegou em mim ao colo e embalou-me, como costumava fazer quando eu era pequena.

Encaminhou-se comigo para o sofá e começou a cantarolar a minha música de embalar.

Toda a família abandonou a sala, deixando-me a sós com os meus pais. A minha mãe devagar aproximou-se de nós e sentou-se ao nosso lado envolvendo-nos num abraço, e assim ficamos por algum tempo. Naquele abraço colectivo, tentando fazer com que a nossa família se voltasse a colar e nunca mais se separasse.

Mas não podíamos continuar assim. Dizer umas palavras bonitas, chorar e pronto, tudo estava bem.

Tinhamos que resolver as coisas como devia ser, senão nunca mais iriamos andar para a frente e iriamos continuar a magoar-nos uns aos outros.

Como seria de esperar, o meu pai ouviu os meus pensamentos e parou de cantarolar. Ele deixou-me à vontade para me afastar dele, mas a verdade é que tinha demasiadas saudades de estar aninhada no colo dele, por isso permaneci ali. Nos braços daquele que à uns anos atrás, era para mim a pessoa em quem eu mais confiava.

-Tens razão, temos que falar. Os três. – disse olhando também para a minha mãe. – Vamos esclarecer tudo, dizer tudo. E vamos voltar a ser uma família.

Sim, era exactamente isso que necessitávamos.

Inicialmente houve um silêncio, nenhum de nós sabia por onde começar. Nenhum sabia o que dizer. Era como se todos tivéssemos medo de transmitir fosse o que fosse e magoássemos alguém com aquilo que realmente sentíamos.

Reencarnado a Renesmee dos tempos modernos, e deixando a criança aninhada no colo do papá, falei eu em primeiro lugar.

 -Não vos queria magoar ao cantar aquilo. – comecei, mas acabei por fazer uma pausa, porque na verdade eu queria magoa-los. – Quer dizer, eu queria magoar-vos. Queria muito mesmo.

Disse demasiado séria, os meus pais ficaram chocados com aquilo, desiludidos, apreensivos e surpreendidos. Conseguia ver aquele cocktail de emoções nas suas faces.

-Desde que eu cheguei que noto a apreensão de todos vocês, como se temessem dizer a coisa errada, como se eu estivesse a passar apenas uma fase e continuam à espera que uma manhã eu acorde e volte a ser a Nessie.

A minha mãe iria falar, mas eu impedi-a de se defender. Não adiantava, o que eu dizia era verdade e ela sabia-o.

-Pois bem, essa menina morreu. Eu sou assim e é bom que me aceitem, porque senão eu vou embora no final desta batalha.

-Não. – disse a minha mãe em pânico.

-Sim mãe. É a verdade. Aquela menina inocente já não existe. Eu sou assim, visto-me assim, pinto-me assim e faço merda como qualquer adolescente. Não digo que serei assim para o resto da eternidade, mas nesta fase da minha vida sou assim e posse assegurar-vos que nunca mais serei aquela menina.

Abandonei o colo do meu pai e coloquei-me em frente a eles.

Se era para falar, esclarecer tudo e nenhum deles teve a coragem para começar, eu iria dar o exemplo aos meus pais e dizer tudo. Magoasse ou não, esta seria a noite que eles iriam conhecer um pouco mais de mim. Com certeza que depois desta conversa, pelo menos eu, iria ficar bem mais leve.

-Eu já fiz sexo nos locais mais loucos, já trabalhei em locais que vocês nunca aprovariam, já experimentei drogas, fumo, já bebi sangue humano mais que uma vez, e não foi apenas para me curar. Já o fiz por simples diversão. – os meus pais tinham um grande “O” formado nos lábios, perante aquilo que eu estava a dizer.

Mas nem o choque estampado nas suas caras me fez parar.

-Se é o meu estilo de alimentação, não não é. Mas já experimentei e gostei bastante. Não me arrependo, como quase tudo aquilo que faço na vida. “Arrepende-te daquilo que não fazes e não do que fizeste” é um dos meus lemas de vida.

Os meus pais, ainda estavam ali sem nenhuma reacção. Estavam agora demasiado direitos e tensos a ouvir tudo aquilo que eu dizia. Eu continuava a andar de um lado para o outro a enumerar numerosas coisas que tinha feito que os teria deixado desiludidos comigo.

-Isto tudo, apenas para vos dizer, não fiquem tristes por aquilo que visto, ou da forma como me pinto, ou do meu cabelo loiro. Porque eu fiz muitas coisas que vos desilude com razão. No entanto, foi graças a essas experiências que fizeram de mim o que sou hoje. Foi com elas que cresci e que fiquei a conhecer-me. Esta sou eu, e sou muito feliz assim.

-Renesmee… - ia começar a minha mãe.

-Ainda não terminei. Agora falo eu, depois é a vossa vez. – disse interrompendo-a mais uma vez – Isto tudo para dizer, que se não gostarem de mim assim, tem bom remédio, ignorem. Porque eu não pretendo mudar!

-Nós adoramos-te filha, independentemente da cor do cabelo, da roupa, das tuas escolhas de vida. És a nossa princesa. – falou o meu pai.

-Então porquê que não me querias? Porquê que... – a voz falhou-me no fim. Rapidamente olhei para a minha mãe. – E tu? Porquê que me escondes-te que tiveste um caso com o meu namorado se não significou nada? Porquê que todos me mentiram?

-Desculpa. Nós não o fizemos para te magoar, foi apenas para te proteger. Não falamos sobre o meu beijo com o Jacob porque era algo do passado e nunca pensamos que aquilo voltasse a vir ao de cima. Eu amo o teu pai e o Jake adora-te Renesmee. Entre mim e o Jake só existe uma grande amizade, sempre foi assim.

-E aquilo que escrevi no diário sobre não te querer inicialmente é porque eu temia pela tua mãe. Nós não conseguíamos ver-te e eu via a tua mãe a ficar cada vez mais fraca. Era algo inédito, para mim impossível, é normal as pessoas terem medo do desconhecido, eu tive medo de perder a tua mãe. Nem sabia se o bebé que ela tinha dentro dela era sequer viável… - dizia o meu pai de forma pesarosa.

-Ou se era um monstro... – acrescentei eu com uma mágoa na voz, usando as palavras que lera no diário.

-Não Renesmee . – disse a minha mãe em defesa ao meu pai. – Devias ver o dia em que o teu pai te ouviu pela primeira vez. O brilho dos olhos dele por ser capaz de te ouvir quando ainda estavas aqui. – disse apontando para a barriga dela. – Ele ficou rendido a ti, não havia nenhum momento em que ele não falasse para ti, conversasse contigo. A partir daquele momento, assim como eu, o teu pai estava disposto a dar a vida por ti.

 

Nota: Não se esqueçam de visitar o blog da Renesmee onde ela coloca outras novidades. http://that_girl.blogs.sapo.pt/

publicado por Twihistorias às 22:04
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12
Nov 12

Parte 3

O ensaio geral correu na boa. As musicas estavam alinhadas, tínhamos adicionado uma nova musica que ainda ninguém tinha ouvido. Tudo estava preparado.

-Nervosos? – perguntei à minha banda.

-Um bocado. – confessaram eles.

No entanto sabia que isso iria desaparecer no momento em que subíssemos ao palco. Apesar de todos estarmos com algum receio da reacção do publico. Será que viria alguém? Que conheciam alguma musica? Que tinham, no mínimo, ouvido o cd?

Tudo eram algumas das muitas preocupações que giravam na minha cabeça, isso e o facto de a minha família estar ali presente.

Iria ser a primeira vez que eles iriam ouvir grande parte daquelas musicas e que me iriam ver actuar.

Senti um monte de borboletas no meu estomago.

O plano com o Dio e o Marcello estava discutido, era só subir ao palco e dar o melhor show desta cidade.

Iriamos virar Forks de cabeça para baixo.

-Telemóvel. – gritou Carter enquanto agitava o meu aparelho no ar.

Agarrei-o e atendi.

-Nahuel. – comprimentei o meu amigo. – Como estás?

-A chegar a Forks. – consegui ouvi o sorriso dele.

-Fixe, então ainda vou ter o prazer de voltar a ter a tua presença no meu concerto? – o meu entusiasmo era contagiante.

Apesar de raramente estarmos juntos, continuávamos a manter o contacto um com o outro.

-A que horas é? – ouvi do outro lado da linha.

Avisei o horário e o local onde seria o mesmo concerto e como se chegava ao local.

E assim o tempo foi passando, com demasiada conversa, algumas cervejas e musica. Faltava meia hora para subirmos ao palco quando me fui arranjar.

Conseguia ouvir as pessoas a chegar, a falar. Pelo barulho seria casa cheia.

-A tua família, os Quilleutes e o Nahuel já chegaram. – disse o Dio entrando na pequena sala das traseiras do bar. Dirigiu-se a mim e deu-me um beijo.

Depois afastou-se um pouco para analisar a minha indumentária.

-A tua tia vai adorar, não há duvida. Melhor, toda a tua família. – disse ele com um sorriso. – Bem vinda Renesmee. – terminou com um sorriso seguido de um beijo quente e sensual. As mãos dele seguravam o meu corpo de forma provocadora.

-Arranjem um quarto. – ironizou Justin referindo-se a nós os dois.

-Fuck you! – disse sem nunca largar o Dio.

-Ainda temos tempo para um sexo vampírico. – disse Dio num sussurro, que só eu consegui ouvir, ao meu ouvido.

-Há vampiros no edifício. – a minha voz tinha um tom de desilusão. – Não te quero ver sem cabeça. Mais tarde. – terminei com um beijo e com alguma relutância afastei-me dele.

-Sobem dentro de 5 minutos. – disse um rapaz de cabelo encaracolado, enquanto me dirigia um olhar intenso e um sorriso.

Ouvi o Dio a soltar um pequeno sorriso irónico enquanto se apercebia do interesse do humano por mim.

Tenho que admitir que o humano não era feio de todo, aliás eu conhecia-o. Era o Liam, o ex-namorado da Silver, uma das minhas melhores amigas em tempos.

E quem sabe ainda me poderia divertir com aquele humano um pouco.

Por isso antes de sair da sala atrás da restante banda fiz-lhe um pequeno sorriso.

Fiquei surpreendida com a recepção calorosa que tivemos. A maioria da audiência era alunos da escola de Forks, outros eram ex-alunos da escola, que me conheciam pelo tempo que lá frequentei e estavam curiosos para me ver. Para saber se os rumores da minha mudança radical eram verdade.

Pela face deles e alguns comentários, eles estavam de facto espantados pelo meu aspecto.

O meu cabelo estava preso por duas tranças, uma de cada lado. A camisola tinha sido cortada em vários locais, incluindo a parte da frente, dava para ver o soutien preto rendado. Uma espécie de saia tinha sido cosida à mesma camisola. E claro, não podia deixar de faltar as minhas meias ligas em rede.

Isto tudo com a maquilhagem preta carregada e o cabelo loiro platinado ao invés daquela cor cobre que herdei do meu pai.

Sim estava completamente diferente.

Consegui ver nos olhos da minha família o choque na minha escolha de roupa, principalmente da tia Alice. Essa conseguiu prolongar o choque por muito tempo, ao contrário dos outros que tentaram ao máximo mostrar-se felizes por mim. Mesmo eu sabendo o quanto odiavam a forma como eu me vestia.

Nahuel estava ali, como é óbvio, no meio da multidão com um sorriso de orelha a orelha. Ignorando todos os vampiros, humanos e lobisomens presentes. Ele estava ali para curtir um concerto e nada mais. E pelos vistos acompanhado por uma rapariga de cabelos pretos com olhos azuis.

Começou a musica, e todos nos começaram a acompanhar o que nos fez sorrir. Todos tinham ouvido o nosso CD e acompanhavam-nos.

A minha família ficou espantada, aparentemente tinha conseguido que o CD passasse despercebido a eles. Era estranho, mas com isto da Maria, era normal. Todos tínhamos desligado do meio que nos rodeava, apenas nos focávamos na luta que se aproximava.

-Obrigado Forks por nos receberem, apoiarem e cantarem connosco. – disse ao fim da primeira musica. -  A próxima música é a “Zombie”, se souberem a letra adoraríamos que cantassem connosco.

E assim foi, nas músicas seguintes lá todos nos acompanharam.

Toda a gente parecia se estar a divertir.

-Uau pessoal. – disse enquanto bebia um pouco de água. – Nós pensávamos que isto seria louco, mas nunca pensamos que seria assim. – os clamores ensurdecedores fizeram-se ouvir. – A próxima música é sobre fazer amor com um padre, espero que gostem e podem cantar.

Estava na hora de provocar um pouquinho os Cullen, agora iriam ter um preview do que era realmente a Renesmee Cullen.

“Hey there, Father
I don't wanna bother you
But I've got a sin to confess
I'm just 16 if you know what I mean
Do you mind if I take off my dress?”

Quando terminei esta estrofe o meu vestido subiu expondo a minha barriga e as minhas cuecas pretas rendadas. Foi apenas por uns segundos rápidos, mas os suficientes para levar todos à loucura.

Principalmente os Cullen e o Jacob.

O tio Emmett e o tio Jasper tiveram que agarrar o meu pai, sendo que o tio Jasper ainda usou o seu poder no Edward.

O meu sorriso apareceu, parte do meu objectivo estava pronto.

Já quase no final do concerto estava na hora de colocar o meu plano a decorrer com a ajuda do Dio e do Marcello.

O Marcello iria incidir o seu poder em mim, para desta forma eu conseguir transmitir os meus pensamentos a todos os que eu quisesse sem a necessidade de toques. Já o Dio, iria deixar de exercer o poder dele ao meu pai, podendo ele “ouvir/ver” todos os meus pensamentos.

-Obrigado pessoal. Muito obrigado. – consumi mais um pouco da minha água. Apesar de não necessitar de tanta água, necessitava de manter as aparências. – Esta próxima musica foi escrita à algum tempo por mim num momento menos bom.

Nesse momento os meus olhos repousaram sobre o meu pai, estava na hora de ele ouvir a sua música. A música que tinha escrito para ele.

“I had everything

Opportunities for eternity

And I could belong to the night

Your eyes, your eyes

I can see in your eyes

Your eyes

You make me wanna die

I'll never be good enough

You make me wanna die”

 

À medida que cantava a musica ia transmitindo as imagens da noite em que o meu pai me atacou à dois anos atrás, a fúria no seu olhar. A dor que senti quando li aqueles diários que ele dizia que me queria ver morta, a cena de à uns dias atrás em que ele quase me agrediu novamente quando soube do vídeo da musica “You” e por fim, a conversa que ouvi naquela manha com o Dio.

Toda a minha dor era demonstrada a cada palavra.

Toda a dor do meu pai era visível agora a cada palavra minha.

Apesar de ver o que cada um deles sentia, e de eles verem o quanto eu me sentia magoada ainda não tinha terminado.

Foi então que tínhamos finalmente chegado à última música ao fim de 42 minutos de concerto.

-Obrigado por tudo Forks. Esta é a nossa ultima musica e é completamente nova. Por isso para vocês, “Under the watter”.

Esta tinha sido a musica que escrevi após o episodio com o meu pai, dias atrás, que originou o meu castigo, quando eu apenas me queria defender dele. Porque me assustei e pensei que ele me ia atacar. No entanto aos olhos dos outros, aquele gesto significou que eu o queria atacar.

“And if I cried unto my mother
No she wasn't there, she wasn't there for me
Don't let the water drag you down”

A dor da minha mãe era visível com o som daquelas palavras. Mas eu queria que eles soubessem como é que eu me sentia, e a melhor forma que eu o conseguia fazer era através da música.

And though I screamed and I screamed, well no one came running
No I wasn't saved, I wasn't safe from you”

Jacob parecia derrotado, ele também teve a sua cota de músicas naquela noite. Não estava a ser fácil para ninguém, mas eu também nunca disse que o ia ser.

“Lay my head, under the water
Alone I pray, for calmer seas
And when I wake from this dream, with chains all around me
No, I've never been, I've never been free.”

E com isto terminou. Apesar de sorrir a toda a gente ali presente, a minha atenção apenas se centrava “nos meus”.

 

 

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publicado por Twihistorias às 23:39
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03
Nov 12

Capítulo 18

Parte 2

Ficamos deitados naquele quarto por horas, sentia-me a curar a cada minuto que passava. No entanto necessitava alimentar-me com uma certa urgência.

Dio andava agora a admirar alguns dos items existentes no quarto do meu pai, pegou num objecto branco e olhou para mim.

-É um género de walkie talkei de bebe. – esclareci eu.

-Eu sei o que é isto, mas para quê que o tem? Só moram aqui vampiros, supostamente ouvem todos demasiado bem para necessitar disto.

-Eu sei. Mas a minha tia mexeu aí nuns fiozinhos e agora isso abrange uma grande área, o que significa que os meus pais na cabana deles conseguiam ouvir-me quando eu ficava aqui a dormir. Sabes como é, eu era um “bebé” e eles não adoravam quando eu ficava fora da beira deles, por isso optaram por esse pequeno aparelho. – explicava eu enquanto lhe tirava o pequeno aparelho, no qual Dio cismava em mexer nos botões todos. – Aparentemente deixava a minha mãe mais descansada por me ouvir respirar.

Depositei um beijo nos lábios do Dio enquanto enrolava os meus braços ao pescoço dele.

-Tenho que ir caçar, não posso dar um concerto amanhã mal alimentada, sabes o que pode acontecer. – disse num sussurro ao ouvido dele.

Claro que ele sabia, podia acabar por atacar alguém, mas pior que isso. Poderia não sarar todas as lesões até amanhã. E eu queria estar a 100% para o primeiro concerto da minha banda em Forks.

Saimos pela janela e embrenhamo-nos no bosque. Normalmente o Dio não me acompanhava, ou quando o fazia era apenas para me fazer companhia. Ele não gostava daquele tipo de alimentação, no entanto, por vezes fazia um sacrifício e alimentava-se de animais.

Hoje acabara de ser um desses dias.

-Tenho pena do Bambi que acabei de comer. Como é que o tambor vai sobreviver sem o seu melhor amigo. – brincava ele fazendo analogia ao filme da Disney.

-Arranja um amigo do seu tamanho e da espécie dele. – disse enquanto o abraçava.

Caminhamos pela floresta até casa dos meus pais. Enquanto isso íamos falando das mais variadas e estupidas coisas que surgia na nossa mente.

-Quando me vais divulgar o teu verdadeiro nome? – inquiria eu enquanto entrava na minha casa.

-Tu sabes o meu nome. – a sua cara era demasiado seria para alguém suspeitar que ele estava a mentir. Mas o Marcello uma vez descaira-se e eu ficara a saber que Dio era apenas um diminutivo para um outro nome.

-Vá lá. Dio é apenas o diminutivo de algo. – exibia um beicinho que normalmente chegava para o convencer a “dar-me” aquilo que eu tanto queria.

Dio sorriu para mim e abraçou-me, fazendo que os nossos corpos ficassem colados frente a frente.

-Estamos sozinhos em casa, sabias? – a voz, os movimentos, tudo era sedutor naquele momento.

-Hum-hum, por isso podes dizer-me o teu nome que ninguém vai ouvir. – tentei mais uma vez, mas sem grande efeito. Já estava a entrar no espirito da coisa e as nossas roupas já estavam a descolar-se do nosso corpo enquanto nos dirigíamos ao meu quarto.

Dio não me respondeu e rapidamente esqueci-me daquele pedido.

Já alguma vez disse que adorava o sexo vampírico? Sem interrupções, sem cansaços, sem nada. Era apenas dar e receber prazer.

Já o sol estava a brilhar novamente quando ouvimos barulhos, o que me fez sobressaltar e afastar-me do Dio.

Mas não ouvíamos ninguém chegar, nem sentíamos o odor de ninguém.

Levantei-me, vestindo a t-shirt do Dio e movimentei-me pela casa para descobrir de onde vinham as vozes.

Ali estava, no topo da prateleira da sala. O aparelho igual ao que , ontem, o Dio tinha na mão.

Conseguia ouvir a família a falar.

-Deixas-te aquilo ligado. – adverti o Dio.

Preparava-me para desligar aquilo e regressar aos braços do meu vampiro favorito quando a voz dos meus pais e da tia Alice ressoaram na perfeição naquele aparelho.

-Alice deixa a Renesmee em paz. – ouvi-a o meu pai.

Subitamente o corpo do Dio deixou de ter qualquer tipo de interesse. Toda a minha atenção centrou-se no aparelho.

-Edward, já viste o que ela veste por vezes? E aquela maquilhagem nos olhos! Por favor. – a voz da tia Alice suava repugnada.

-Alice, ela é que sabe. – dizia a minha mãe.

Não consegui evitar o sorriso, os meus pais estavam a defender-me.

-Nós também não gostamos aquilo que ela veste e como se arranja, mas ela está numa fase que quer vestir-se a agir daquela forma. Contrariá-la agora só irá piorar as coisas entre nós. Só a vai afastar. – continuava a minha mãe, ao qual o meu pai apoiou.

O meu sorriso desapareceu.

Mais uma vez lá estavam eles desiludidos comigo.

Como sempre!

Num movimento brusco desliguei aquilo e passei pelo Dio com demasiada força ignorando-o.

-Hei…- chamou-me ele.

Dio seguiu-me até ao quarto, onde eu já estava com o guarda fatos aberto a olhar para a minha roupa.

-Vais fugir novamente? – perguntou ele entrelaçando os braços à minha volta.

-Não. – disse secamente. – Ainda não.

Dio permaneceu ali apenas a segurar-me, como se me estivesse a dar apoio. Agradeci o facto de ele nada dizer. Afinal de contas, não era necessário, ele compreendia-me.

Não sei o porquê de estar tão irritada.

Sabia melhor que ninguém que a tia Alice detestava  as minhas roupas, nunca o escondeu. Aliás, toda a gente olhava para mim de lado ali em Forks sempre que eu passava.

Nunca me tinha ralado, até ter ouvido os meus pais. Aquilo magoou-me tanto. Era como se a opinião deles valesse mais do que tudo, no entanto, queria que eles me aceitassem como eu era.

Não sabia explicar.

Mas peguei numa das minhas camisolas e numa tesoura.

Comecei a preparar o meu guarda-roupa para aquela noite.

-Diotiguardi. – disse o vampiro atrás de mim do nada.

Olhei para o Dio sem perceber o que ele tinha dito.

-Diotiguardi é o meu nome. – disse ele por fim como se tivesse sido derrotado.

Juro que tentei segurar a gargalhada que insistia em sair, infelizmente esta saiu como um vómito inevitável.

-Desculpa, desculpa. – disse entre risos e numa tentativa inútil de parar.

-Sim, podes gozar. – dizia ele. – Vês porquê que não conto a ninguém?

Claro que sim, mas ele não tinha culpa do nome que lhe tinham atribuído em criança. Eramos ambos infelizes dos nossos nomes. No entanto tenho que admitir que o meu era milhares de vezes melhor que o dele.

Larguei as minhas ferramentas de costura e dirigi-me a ele. Sentei-me no seu colo e abracei-o.

-É lindo. – disse ainda com um sorriso. Depois depositei-lhe um beijo. – Obrigado.

Dio só tinha revelado o seu verdadeiro nome porque me estava a ver em baixo e queria animar-me um pouco. Admito que teve efeito imediato, naqueles segundos foi suficiente para esquecer tudo que tinha ouvido.

Cada vez estava mais contente por ser uma rapariga solteira, e sentia-me bastante tentada para assumir algo mais seria com o Dio, mas a verdade é que temia estragar a nossa relação. Com Jacob e ali, nunca se sabia. O melhor era continuar como estávamos, quem sabe um dia.

Agora, queria apenas aproveitar as coisas boas desta amizade um pouco mais colorida.

O tempo foi passando e a hora de sair de casa aproximando-se.

Coloquei a roupa que iria vestir numa mochila e vesti qualquer coisa. Estava a começar a ficar atrasada para o sound check.

Passamos na casa branca apenas para perguntar ao Marcello se queria acompanhar-nos.

-Minha querida sobrinha – começou a tia Alice. – Tenho umas coisinhas giras para usares no teu primeiro concerto.

O seu sorriso era contagiante, e se não tivesse ouvido tudo aquilo horas antes, não teria antecipado aquilo. Provavelmente iria com ela e teria que colocar um sorriso e tentar educadamente recusar fosse o que fosse que me apresentasse. Em contrapartida, já esperava aquilo, por isso é que na minha mochila já se encontrava tudo o que necessitava.

-Obrigado tia, mas eu já tenho tudo que necessito. – disse apontando para a mochila com um sorriso um pouco falso. – Marcello, vamos!

Não era boa a mentir, nunca o tinha sido. Não iria ser agora que iria ganhar o premio para melhor atriz.

-Bem, quando estás chateada, não consegues mesmo disfarçar. – disse o Marcello assim que entramos no carro e o Dio arrancou.

Não lhe respondi, mas ele viu a minha ira a sair pelos meus olhos, por isso não se atreveu a pronunciar mais uma palavra.

-A Aria ligou-te ontem? – perguntou o Marcello de forma a mudar de assunto.

-Não. – respondi secamente.

-Não olhes para mim. – apressou-se o Dio a dizer também, assim que o Marcello nada dizia apenas o fitava. – Ela nunca liga para mim.

Como mais nada foi dito pelo Marcello, estranhei aquela pergunta.

-Ela não te ligou? – perguntei de forma preocupada e esquecendo a minha fúria de minutos atrás.

Marcello limitou-se a abanar a cabeça e a olhar pela janela.

Não necessitava do poder do tio Jasper para sentir a tensão e a preocupação presente dentro do carro. Todos os dias a Aria ligava, nem que fosse só para dizer “olá”. Era a forma que tínhamos de saber que ela estava bem.

-Preciso de um favor dos dois. – disse ao fim de alguns minutos.

Ambos olharam para mim e eu coloquei-os a par do que queria que eles fizessem naquela noite durante o concerto.

 

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publicado por Twihistorias às 20:26
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28
Out 12

Capítulo 18

Parte 1

-Terminamos por hoje. – disse enquanto pousava a guitarra no chão. – Não se esqueçam que amanhã às 16 horas temos o ensaio geral com o teste de som no bar.

Iriamos dar o nosso primeiro concerto em Forks, ainda não sabíamos como seria o ambiente, se iriamos ter adesão ou não. O certo é que várias pessoas, principalmente os alunos da escola, tinham aderido ao CD e pelo menos uma vez já o tinham ouvido. Agora era esperar para ver.

Jacob estava à minha espera do lado de fora da garagem que a minha família alugou para os ensaios da banda. Era impossível fazê-lo na minha enorme casa, pois na última semana, começaram a chegar vampiros de todos os locais. Alguns já conhecia, outros eram-me completos estranhos.

Até o Jacob estava proibido de ir até à propriedade dos Cullen. Apenas para não haver desentendimentos entre tantos olhos vermelhos.

Como tal, a única forma de estarmos juntos era ele acompanhar-me a casa depois de um dia de ensaios com a banda.

-Como estão todos? – perguntou ele quando já íamos a caminho.

-Estão bem, o tio Jasper e a tia Alice chegaram ontem. O tio Jasper está bastante abatido com a historia da Maria.

-Acredito. Mas ele não disse que ela já estava morta? – era perfeito como o Jacob fazia todas aquelas perguntas que ninguém se atrevia a fazer lá em casa, apenas por ser uma resposta demasiado obvia. Mas a verdade, é que era algo que eu adorava, fazia-me lembrar o meu lado humano, o lado que eu tinha na maioria em França.

O meu coração apertou assim que me lembrei de França. Tinha terminado com o Florent no dia anterior, da pior forma possível, devo acrescentar, com uma chamada. O problema é que me estava a sentir mal por estar e Forks com o Dio todos os dias, enquanto o Florent estava em França sozinho, ou não. A verdade é que era injusto para ele, por isso achei melhor terminar e não dar mais desilusões ao meu pai.

-Aparentemente não. – respondi assim que me apercebi que Jacob abrandou e olhava para mim apercebendo-se que algo se passava.

-Está tudo bem? – perguntou. Meu Deus, não necessitava do poder do meu pai para adivinhar aquela pergunta dele. Era incrível como conseguia esconder tanta coisa de toda a gente, menos dele.

Acenei que sim com a cabeça, mas não falei no Florent. Apesar de ter acabado com ele, doía-me o coração ao pensar nele. Eu amava-o!

Mas uma guerra aproximava-se, não sabia se iria sair dela viva. Tinha que terminar com ele, mais cedo ou mais tarde!

-E como andam as coisas lá em casa? Já ouve alguma morte ou assim? Tem tudo conseguido comportar-se? – Assim que se apercebeu que eu não queria falar do que me incomodava, Jacob mudou de assunto.

-Nada que não se recomponha, mas nada de mais. Basicamente discute-se estratégias de guerra e tal. O tio Jasper como um antigo general que controla as emoções, tem tudo sobre controlo.

A conversa continuou pelo restante caminho, apesar de tudo gostava de ter o meu amigo de volta. Por mais que me quisesse afastar, acabava sempre ou por lhe ligar, ou por tocar à campainha de casa dele.

«Como é que conseguiste estar dois anos sem lhe falar e agora nem um dia consegues ficar sem ouvir a sua voz?» era o que me perguntava sempre antes de premir a tecla verde do telefone.

A minha teoria é que o facto de o ter ali tão perto exercia qualquer coisa sobre mim, isso e o facto de já não estar tão magoada como estava na altura.

Ainda assim, o Jacob era só meu amigo, não estava preparada para nada mais entre nós. Nem preparada e também não queria.

Eu era dona do meu próprio destino, não uma simples impressão natural. Eu decretava quem seria o meu namorado, não ela!

Rápido de mais chegamos a minha casa. Jacob estacionou o carro antes de entrar na propriedade, algo que a minha família tinha solicitado, evitando assim confrontos entre vampiros e lobisomens.

«Meu Deus, tens que te começar a afastar dele Renesmee Cullen, senão vais voltar a apaixonar-te por ele.» pensei face à vontade que tinha de continuar a falar com ele.

Despedi-me, alegando que tinha algo para fazer em casa. O que não era de todo mentira, mas também não era tão urgente como demonstrei.

Jesus, como detestava o facto de ser tão fácil estar com o Jacob.

Assim que fechei a porta do carro corri para a casa dos Cullen ao encontro da minha família. Era dia de o tio Emmett e outros vampiros me ensinarem a lutar.

Dio estava incluído nesse role de vampiros, e assim que cheguei perto dele fui brindada com o seu sorriso.

Estava pronta para o que se aproximava, umas boas horas de luta com vampiros. Iria ser duro para mim, mas não deixava que nenhum deles fosse brando comigo, nem mesmo quando estava a sangrar.

Os meus pais tentavam sempre estar longe quando isso acontecia. A minha mãe por que dizia ser demasiado para ela ver a filha lutar, magoar-se e não poder fazer nada. O meu pai queria ajudar, mas sempre que lutávamos os dois ele era demasiado brando. Então acabámos por decidir que eles iriam caçar nessa altura, sendo assim mais fácil para os outros ensinar-me sem ter os olhares recriminadores deles.

Aliás, eles só concordaram com isto porque sabiam que era importante para mim saber defender-me. A guerra iria ser feia, tanto para um lado como para o outro. Iria, certamente, haver baixas em ambas as equipas, só esperávamos que fosse mais baixas na equipa deles que na nossa.

Ao fim de três horas de treino e sem dizer nenhum “Ai” tínhamos terminado, e eu só queria ir para casa descansar um pouco. Estava de facto bastante magoada, afinal de contas, eu era meia humana.

Ainda na casa branca, dirigi-me ao antigo quarto do meu pai para um bom banho e trar toda aquela quantidade exorbitante de terra que se tinha acumulado no meu corpo durante o treino.

-Queres companhia? Posso lavar-te as costas – perguntou o Dio antes de eu trespassar a porta o quarto.

-É uma proposta tentadora. – disse com um sorriso malandro. Aproximei-me dele envolvendo os meus braços ao redor do seu pescoço.

Arrastei-o para dentro do quarto enquanto lhe depositava um beijo nos lábios.

Com o pé Dio fechou a porta e estava agora a puxar-me contra si.

-Mas a proposta do banho vou ter que recusar. – disse entre beijos. – Espera aqui por mim.

Dio afastou-se de mim, apenas para me lançar um olhar ameaçador, pena é que já o conhecia o suficiente para aquilo não me intimidar.

Dirigi-me à casa de banho com um sorriso e assim que comecei a retirar a roupa esse sorriso desapareceu, em vez disso apareceu a verdadeira razão por ter feito Dio esperar do lado de fora.

Todo o meu corpo estava pisado, com alguns arranhões que teimavam em não sarar imediatamente. As minhas lágrimas irromperam pelos meus olhos assim que fiz alguns movimentos apercebendo-me de mais uma costela partida.

Respirei fundo e entrei para o banho. Assim como todos os dias, no dia seguinte já estaria definitivamente melhor.

Conseguia ouvir o Dio de um lado para o outro no quarto, a mexer na grande quantidade de CDs que ali se encontrava, parecia aborrecido com a minha demora.

Finalmente vesti uma roupa lavada e sai da casa de banho, deixando lá as minhas lágrimas e qualquer demonstração de dor.

Dio começou a agarrar-me e a beijar-me. Sabia onde aquilo iria acabar, e não me importava, a verdade é que gostava daqueles meus momentos com o Dio. Aliás, adorava! Mas devido às minhas condições corporais iria ter mais dor que prazer.

-Aqui não, a casa está cheia de vampiros, nos quais alguns são a minha família. – sussurrei ao ouvido dele.

-Não estou habituado a ver uma Renesmee assim, tao politicamente correcta. – disse enquanto ainda me beijava.

Ele tinha razão, se eu não estivesse assim magoada queria lá saber de que a família ou alguém estivesse ali. Mas eu estava magoada e não podia permitir que alguém soubesse da gravidade da coisa.

-Pois, e não costumo ser, mas há uma coisa chamada de respeito familiar. – disse afastando-me dele.

Vendo que nada de mais iria acontecer, Dio ficou ali comigo, apenas a abraçar-me e a fazer cafunes no meu cabelo.

-Então como foi o teu dia? Está tudo ensaiado para amanhã? – perguntou ele.

-Sim. – respondi enquanto inalava o aroma que provinha do seu corpo. Encostei a cabeça ao peito dele e permiti que me abraçasse.

Ficamos assim durante imenso tempo, apenas a falar do dia de amanhã, do meu concerto.

Informei que não iria cantar nenhuma das músicas que tinha relacionadas com os meus pais. Não os queria magoar, ainda por cima agora, que estávamos a tentar aproximar-nos e até estava a começar a correr bem novamente.

publicado por Twihistorias às 18:00
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14
Out 12

Capítulo 17

Parte 4

-Então a deixa-me ver se entendi – dizia eu enquanto consumia a minha cerveja e retirava mais uma fatia de pizza.

A mota já tinha levado um grande avanço, faltava apenas algumas peças que o Jake teria que comprar algumas peças para finalizar. Infelizmente o tempo tinha passado a voar e já nada se encontrava aberto.

-A Leah teve impressão natural por aquele novo lobo, o Eric, terminou o noivado por causa disso e agora está feliz? – a minha voz transmitia toda a surpresa. Eu já sabia que ela estava com um lobo de La Push, que era  a sua impressão natural, mas desconhecia os pormenores. – Ou seja, deixou finalmente de criticar o Sam e a Emily porque lhe aconteceu exactamente o mesmo.

-Exactamente. – concluía o Jacob.

-E vai ser a madrinha do bebe que a Emily está à espera? – perguntei ainda  com uma certa estranheza.

Jacob acenou que sim.

Meu Deus, cada vez me convencia que isto a impressão natural era uma coisa muito surreal, demasiada fantasia, parecia mesmo magia.

«Bem vinda a Hogwarts» pensei ironicamente, o que me fez sorrir.

Jacob olhou para mim de forma inquisidora. Sabia que dava tudo para saber o que ia no meu pensamento, e À semelhança do passado não resisti e divulguei o que ia na minha mente.

-Estava a questionar-me quando é que o Dumbledore me enviava a carta de admissão a Hogwarts. – disse sarcasticamente. – Vá lá Jacob, tens que admitir que tudo isto aos olhos de um simples humano é demasiado surreal.

Os olhos do Jacob fizeram uma roda completa, ele detestava quando eu fazia este tipo de comparações, como se o mundo dele, as impressões naturais fossem irreais.

-Não fiques assim. – pedi-lhe enquanto lhe atirei com uma almofada que repousava no sofá.

 Segundos depois estava uma guerra ali aberta.

As gargalhadas irrompiam da minha garganta sem que eu me conseguisse conter.

Era oficial, à semelhança do passado, Jacob ganhara esta luta.

-E como estão as coisas entre ti e a Rachel? – perguntei enquanto tentava recuperar o folego.

Aí estava uma das minhas fraquezas que era desconhecida pela maioria dos humanos, vampiros e lobisomens. Eu perdia varias vezes o folego, ficava ofegante e cansada. Eu era metade humana, e a minha metade tinha resolvido ter asma.

Como era óbvio, nunca o tinha revelado a ninguém. Era uma fraqueza e apenas recentemente ela tinha sido demonstrada. Era um dos meus muito segredos.

Tentei fazer com que Jacob falasse, enquanto eu estava deitada no sofá de barriga para o ar de olhos fechados a tentar disfarçar o meu ataque.

Concentrei-me na minha respiração e mantive a calma. Não consegui ouvir metade da explicação do Jacob, apenas me apercebi que as coisas estavam iguais, ou seja, ainda não se falavam.

-E pronto...tenho estado com os gémeos às escondidas. – concluiu ele.

Acenei com a cabeça e sorri para ele. Já estava melhor, pelo menos o suficiente para conseguir disfarçar.

No entanto permaneci deitada.

-Ela devia perdoar-te. Aliás, não há nada para perdoar, foi um acidente. – dizia eu.

Era a verdade, não estava a dizer aquilo apenas para despachar a conversa e recuperar do meu ataque de asma. Bom, também era um pouco isso. Estava a ser sincera nas duas coisas.

Mas a Rachel estava a ser infantil. Tudo tinha sido um acidente.

De certeza que o Billy perdoou o filho, porque não o fazia ela?

O meu telemóvel deu sinal de mensagem.

Rapidamente, sem pensar em mais nada, precipitei-me para ele. Há quase 48 horas que a Aria não dava noticias, estava a começar a ficar preocupada. Aliás, estávamos todos, eu, o Dio e o Marcello.

Premi o botão que me permitia abrir a mesma e uma imagem apareceu.

Era uma mulher de cabelo desalinhado preto, que condizia com a cor dos seus olhos e a beleza da mesma sobressaia. Era definitivamente uma vampira, uma vampira que já não se alimentava à algum tempo.

No fim da imagem aparecia uma legenda apenas com o nome “Maria”.

A Aria tinha conseguido mandar uma foto da tal Maria, a vampira que nos queria matar.

-Jacob. – chamei alarmada. – É ela, é a vampira que nos quer atacar. – este precipitou-se para o meu lado para conseguir ver o mesmo que eu. – Conheces?

Ele negou, alegava que nunca a tinha visto. Que o melhor era alar com a minha família.

Liguei para o avó Carlisle a dizer que tinha recebido a mensagem com a imagem. Este pediu-me para regressar a casa rapidamente e para reenviar a mesma imagem rapidamente para eles.

Assim o fiz.

Minutos depois estava a atravessar a porta da casa grande. Estava sozinha, devido à abundancia de vampiros naquela casa, achei melhor Jacob não me acompanhar. Ele ainda tentou relutar, mas consegui convence-lo a ficar em casa.

O meu pai, assim como o tio Emmett e alguns membros dos Denalli tinham ido caçar, por isso não se encontravam na casa. No entanto, já tinham sido avisados dos últimos acontecimentos e encontravam-se agora a caminho de casa também.

Fiquei a saber que ninguém reconheceu a mulher da foto, isso deixava-me transtornada. Porque não sabíamos o porquê de a mesma nos querer atacar. Quais os reais motivos.

-A Aria não te disse mais nada? – perguntava o Marcello.

-Não – disse abanando a cabeça enquanto me sentava no topo de um dos móveis da sala. – Apenas mandou a mensagem.

Sentia-me esgotada, a minha cabeça rodava. Tentava rever toda a minha vida, todos os vampiros com quem me cruzei, e em parte alguma surgia aquele rosto. Nunca o tinha visto, tinha a certeza. Mas então quem era ela?

Todos discutiam agora quem seria aquela mulher, e todos chegavam à mesma conclusão. Nunca a tinham visto.

O Dio e o Marcello vieram ao meu encontro e ambos se sentaram no móvel, ladeando-me.

-Ela não referiu mais nada, se estava bem ou assim? – perguntava o Marcello.

Mais do que qualquer pessoa naquela sala, ele era quem mais preocupado estava. Não que eles fossem apaixonados ou estivessem numa relação, eles eram simplesmente amigos. Amigos especiais, assim como eu e o Dio.

O coração do Marcello pertencia a outra rapariga, ou melhor vampira, mas nunca me tinha sido revelado quem ela era. Acho que apenas o Dio sabia quem ela era. Mas visto eles não estarem juntos de forma nenhuma, e a Aria também estar sozinha e eles serem os melhores amigos, uma cosa levou à outra.

-Não disse mais nada, desculpa. – sussurrei.

Também eu estava um pouco nervosa, apesar de tudo eu considerava-a a minha melhor amiga. Aliás, ela estava naquele local, com aqueles vampiros todos por minha causa. Se por algum motivo descobrissem que ela estava a dar-nos informações ela seria morta no mesmo instante.

-Talvez seja melhor pedir para ela regressar. – confessei de forma abatida.

Nenhum dos dois pronunciou uma única palavra. Todos estávamos de acordo que o melhor seria ela regressar. Não a queríamos perder. Afinal de contas, nós eramos uma família, eu era o membro mais novo daquele pequeno clã.

-Sim Renesmee, pede à tua amiga para regressar. – aconselhou-me o meu avô.

Ouvimos passos de corrida na proximidade, Edward e os restantes vampiros estavam de volta à casa. Não tardaria iriamos saber se algum deles conhecesse a misteriosa vampira.

Assim que eles entraram na casa, começamos a divulgar as novidades, até ao meu pai. Que naquele momento se via incapacitado de ouvir qualquer pensamento devido ao poder que o Dio estava a incidir nele.

O meu telemóvel passou de mãos em mãos e apenas recebíamos sinais negativos.

Ninguém a conhecia.

O telemóvel do avó começou a dar o primeiro sinal de chamada e este rapidamente atendeu. Provavelmente seria do hospital.

Nesse momento o meu telemóvel chegou às mãos do meu pai, que ficou intrigado a olhar para a foto.

Do outro lado do telemóvel do avó ouvimos a voz do tio Jasper. Alguém lhe tinha enviado a imagem uma vez que eles estavam longe e só agora tinham visto a foto.

-É a Maria. – ouvimos o meu pai na sala e o tio Jasper o outro lado do telefone em uníssono.

Todos ficamos incrédulos a olhar para eles.

Quer dizer, que era a Maria já todos sabíamos, a legenda não deixava margem para dúvidas.

 

 

Nota da autora:

 

Não se esqueçam de visitar o blog da Renesmee. http://that_girl.blogs.sapo.pt/

publicado por Twihistorias às 19:48
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