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Dez 13

 

Capítulo 17

Lutando pelo meu futuro

Eu não havia percebido que o sol tinha nascido eu estava tão ansiosa para começar os planos para o meu futuro. Eu queria me casar logo com Edward e iniciar ao lado de Edward o futuro que eu sempre quis.

Eu havia me vestido depressa, e descido para encontrar meus pais. Eu me sentei-me à mesa, e meus pais estavam sentados, sem trocar palavras e nem olhares; eram apenas dois estranhos dividindo uma refeição.

Eu me sentei da forma mais silenciosa possível, coloquei o guardanapo sobre meu colo e me servi.

-Bom dia. -minha mãe disse e sorriu. Eu sorri de volta, não podendo controlar os meus sorriso de felicidade.

Meu pai não me dirigiu a palavra e eu já estava acostumada com isso. Ele não me amava e eu era apenas um fardo em sua vida. E sabia disso.

Comi rapidamente e sai em direção do parque onde eu me encontraria Edward. Peguei o cavalo e cavalguei, me sentindo como um anjo que poderia voar.

Edward já estava esperando por mim, sobre o nosso carvalho. Eu corri para seus braços, encurtando a distancia que me separava do meu amado. Eu o abracei e respirei fundo, aspirando o seu cheiro, um cheiro que me tranquilizava, um cheiro que tinha o dom de me fazer esquecer de tudo.

Eu fitei seus olhos verdes-que parecia ter um brilho fora do normal desde que eu tinha o beijado- e eu me perdi naquele meu pequeno paraíso. Eu pude ver sua alma e seu coração, como se ele fosse transparente para mim da mesma forma que eu era para ele.

Eu me aproximei lentamente, percorrendo cada centímetro que distanciava nossos lábios. Eu podia sentir sua respiração quente em meu rosto e então, a corrente elétrica percorreu meu corpo quando eu toquei nossos lábios. Eu passei as mãos em seu pescoço, e movi meus lábios com os deles.Eu não tinha medo, eu tinha desejo.Eu queria beija-lo até faltar ar em meus pulmões e além disso eu queria beija-lo para sempre.

Eu me distanciei dele, e senti meu rosto corar.

-Bom dia. -eu finalmente o cumprimentei.

-Bom dia.

- Eu irei falar com o Padre hoje ao final da tarde. - eu queria ter feito isso pela manha, mas era perigoso. Pela manha, as senhoras iam a igreja rezar e isso dificultava o que eu gostaria de pedir ao Padre.

-Você tem falar com seus pais também, Bella, você me prometeu. -ele exigiu.

-Eu falarei. -respondi a contra gosto e cruzei os braços no peito.

-Ei!Eu não quero você triste, e nem aborrecida. -ele pegou meus braços e descruzou de meu peito. Ele sorriu para mim, um sorriso contagiante, eu sorri para ele.Eu não fiquei aborrecida com ele, eu não queria falar com meus pais apenas.

-Você me ama?-ele me perguntou, me prendendo com os olhos.

-Eu te amo, muito. Mais do que tudo nesta vida. -eu respondi, sem nem se quer pensar.

Ele pegou uma pequena caixa no bolso da calça e abriu para mim. Eu perdi as palavras.

-Case-se comigo, Bella. - não foi uma pergunta, era algo extremamente concreto para que ele tivesse que me perguntar.

Eu fitei o anel de ouro, com uma pequena pedra de diamante no centro. Era simples e belo, parecia tão perfeito e delicado.

-Sim. -eu disse, jogando meus braços ao seu redor, a felicidade que eu sentia parecia irradiar de meu corpo. -Eu me casarei com você.- eu o beijei.

-Eu lhe prometo fazer feliz, prometo ser tudo o que você desejar e se for necessário lhe darei minha vida. -ele disse enquanto colocava o anel em meu dedo anular.

Eu peguei seu rosto em minhas mãos, o olhei profundamente e disse:

-Eu lhe prometo fazer feliz, prometo ser tudo o que você desejar e se for necessário lhe darei minha vida. - eu o beijei de leve. -Eu o amo tanto Edward, tanto.Eu farei tudo como combinamos, falarei com o Padre, falarei com os meus pais, quem sabe ele nos abençoe para que sejamos felizes? Mesmo que eles não nos abençoem, eu serei feliz, eles deixaram de serem meus pais quando eu deixei de ser a filha deles e passei a ser aquela que faria o melhor acordo financeiro. Iremos nós casar e fugir, e seremos felizes.

-Isso parece perfeito. -ele disse.

-Só será perfeito quando estiver concreto.

E passamos as próximas horas planejando cada passo. Edward havia providenciado as alianças e a certidão de casamento. Se pudéssemos nós casaríamos no outro dia no final da tarde, passaríamos a noite em uma pequena cabana que tinha no meio da floresta-que tanto eu quanto Edward conhecíamos- e depois partiríamos para a França.

O tempo passou e eu tinha que ir para casa, almoçar e depois tentar me distrair com algo enquanto os ponteiros do relógio se moveriam lentamente. Eu fiquei de pé, o puxando pelas mãos.

-Eu tenho que ir. -anuncie.

-Eu não quero te deixar ir. - ele me disse, passando a mão pela minha cintura e chocando nossos corpos.

-Eu gostaria de passar todo o meu tempo com você, cada hora, cada minuto e cada segundo. - eu deitei minha cabeça em seu ombro e circundei seu corpo com meus braços. -Eu te amo.- eu sussurrei.

-Eu te amo. - ele acariciou meu rosto, seus dedos criaram um pequeno rastro de fogo que eu estranhei.

Eu em soltei de seu corpo dei um passo para trás e toquei seus lábios. Ele pegou minha cintura e aprofundou o beijo, seus lábios se movendo de forma urgente sobre os meus. Meu coração batia acelerado e minha respiração estava ofegante, quando eu finalmente o soltei.

-Eu tenho que ir. -disse novamente, e lhe dei um beijo leve. Corri em direção ao cavalo e montei, correndo em direção a minha casa. Eu estava pensando na minha manha com Edward quando eu cheguei a minha casa, entreguei meu cavalo a Luccas e andei em passos lentos até a grande porta de madeira. Eu não havia percebido o quanto a casa era triste, o quanto ela era apenas alguns tijolos montados para serem uma casa.

Eu entrei e encontrei minha mãe comendo sozinha e em silencio, em pai não estava em casa-o que era muito comum. Eu em sentei ao seu lado e comi, sem trocar nenhuma palavra com ela. Eu amava em minha mãe-apesar de ela não me dar motivos para isso- era mais como um extinto, ela havia minha dado a vida por nove meses e cabia mim apenas ama-la.

Mas o fato de eu ama-la não mudava o fato de que eu sentia pena dela. Ela amava um homem que só sabia pensar no seu trabalho, cuidava para manter uma faixada de mulher feliz. Era como se ele vivesse em uma eterna peça de teatro. Eu gostaria de poder dar forçar para ela mudar tudo em sua vida e encontrar alguém que ela amasse.

Eu comi o mais rápido que pude, joguei o guardanapo sobre a mesa e subi para o meu quarto. Eu lia um livro qualquer, contando os minutos para chegar a hora próxima ao pôr-do-sol, quando eu poderia sair.

Eu tomei um banho rápido, e vesti um roupão felpudo. Abri meu guarda-roupa e passava os cabides de um lado para o outro, procurando uma roupa para usar. Eu escutei um baque surdo, um pacote havia caído no chão, eu abaixei e peguei. E senti meus olhos marejarem ao constatar o que ela. Eu soltei a fita e peguei o vestido azul que Jacob havia me dado. Uma lagrima despencou de meus olhos, e eu a sequei com as pontas dos dedos.

Eu me sentei na cama e abracei o vestido, sentindo como se Jacob me abraçasse. Eu estava mentindo para mim mesma. Eu amava Edward, e esse amor preenchia a maior parte do vazio de meu peito;mas havia uma parte que Edward não conseguia preencher.Eu sentia falta do seu calor, do seu carinho, do seu amor, um amor de irmão e de amigo.

Eu dobrei o vestido novamente, e tomei a decisão de me casar com ele. Seria uma prova de cumprir a promessa que havia feito a Jacob.

Eu vesti meu vestido negro e me sentei na penteadeira, eu desfiz a trança, deixando meu cabelo ondulado. Eu o escovei e me fitei no espelho; eu estava feliz. Existia em meus olhos castanhos um brilho de felicidade, minha pele parecia mais macia e meu sorriso mais espontâneo.

Eu coloquei um véu sobre os cabelos, vesti minhas luvas e peguei minha bolsa, calçando meus sapatos. Eu desci, e minha estava no fim da escada me esperando.

-Aonde você vai, Bella?- minha me perguntou, enquanto eu desci as escadas.

-Para a igreja. - eu respondi.

-Há esta hora?-ela perguntou espantada.

-Eu prefiro. -respondi e não esperei que ela disse-se mais nenhuma palavra e sai pela porta. Fui andando, pela distancia ser curta. Eu via as arvores que ladeavam a estrada de terra. A brisa batia em meu rosto e acariciava a minha pele.Eu sorri, vendo que tudo parecia mais belo quando se amava.

Eu entrei na pequena igreja que ficava isolada do centro da pequena cidade Italiana, e pude ver o silencio tranquilizador. As paredes eram escuras e eu pude fitar a imagem de cristo na cruz iluminada por vela. Fiz o sinal da cruz ao entrar na igreja e me ajoelhei, rezando como há muito tempo não rezava. Depois me levantei, andando em direção à sala onde o padre ficava a maior parte do tempo.

Eu entre lá, e fitei o senhor vestido de batina sentado em frente à mesa de carvalho escura. Ele tinha a pele morena, os cabelos grisalhos e olhos escuros. Era um homem bondoso e que diferente da maior parte do clero da igreja era o que um padre deveria ser. Um líder religioso, alguém que levaria a palavra de Deus aos seus fieis. Ele olhou para cima e sorriu, eu sorri de volta, um sorriso doce. Ele afastou a cadeira e se levantou, andando alguns passos para minha direção.

-Sua benção, padre. -eu disse com a voz tranquila e doce.Eu me sentia em paz, como a muito tempo não em sentia.Eu podia sentir a áurea de paz que o envolvia, algo tão bom, tão tranquilizante.

-Deus te abençoe, minha filha. -ele disse, com a voz grossa e estrondosa, mas ainda assim calma e baixa.

-Eu precisava tanto falar com o senhor, padre. -minha voz estava desesperada pelo medo.

- Em que posso ajuda-la?-ele pergunta tranquilo, com uma paz imaculada.

- Lembra-se de quando eu era casada com Jacob?-eu perguntei, esperando que essa fosse a melhor forma de começar essa conversa.

-Claro que me lembro, você e o senhor Black vinha à missa todos os domingos. -e sua lembrança se tornou a minha lembrança.

Todos os domingos era a mesma rotina, acordávamos antes do sol raiar, nós arrumávamos lentamente e descíamos as escadas de mármore para tomarmos o nosso dejejum, ele pegava a minha mão e eu sentia o calor que irradiava no seu corpo.

Ele pegava meu braço e andávamos lentamente em direção à igreja, conversando sobre situações da vida e momentos da nossa infância.

-Lembra quando você subiu naquele muro do vizinho?-ele perguntou, entre risos. E eu me lembrei.

Eu era pequena, e ainda me lembro do sol irradiando em meu vestido amarelo de algodão, enquanto eu ria por estar vencendo uma corrida contra Jacob. Eu pulei o muro do vizinho, mas ele nem sequer se importava-já estando acostumado com as minhas invasões em seu quintal e o roubo de algumas frutas de sua arvore- eu escalei o muro e corri para cima de uma macieira.

Jacob chegou minutos depois, esbaforido e eu estava sentada em cima de um longo e grosso tronco da arvore, eu mordi minha maça e balancei meus pés, como se estivesse cansada de espera-lo. Peguei mais algumas maças e usei a saia de meu vestido como cesta, eu desci da arvore sem me preocupar com o fato de que eu estava completamente suja.

Nós sentamos sobre o muro e comíamos nossa maça, sem me preocupar com o tempo e com absolutamente nada.

-Lembro. -eu disse e sorri com a lembrança.

Chegamos finalmente à igreja e nós sentamos nos primeiros bancos. Nós íamos à missa todos os domingos, ouvíamos a palavra de Deus e comungávamos. E eu rezava. Pedindo para que eu pudesse amar Jacob como ele me amava, ou se não mais. Pedia para que eu pudesse fazê-lo feliz como ele me fazia feliz. Eu pedia para que um dia em pudesse fazer com Jacob o pacto que marido e mulher faziam  no ápice do amor.Eu pedia para que meu ventre rendesse frutos do mais puro amor.

Depois da missa voltamos para casa e almoçávamos, e logo após o almoço íamos ao parque. Às vezes íamos de carruagem, mas na maioria das vezes e íamos galopam. Jacob e eu cavalgávamos juntos desde que eu tinha meus treze anos de idade.

Certa vez, viajamos para a Toscana e não fazíamos outra coisa lá a não ser cavalgar pelas colinas verdejantes.

Quando chegamos ao parque, nós prendíamos os nossos cavalos e nos sentávamos sobre o carvalho. Ele fitou meus olhos e eu me vi presa aos seus olhos castanhos. Eu toquei seu rosto com a ponta nos dedos, criando um caminho da sua têmpora ate o seu queixo.

-Quando você vai se enjoar de mim?-eu perguntei minha voz tranquila e sem nenhuma intenção. Eu amava Jacob, mas esse amor não era o suficiente para nos fazer feliz. E eu em odiava por isso.

-Quando a terra deixar de existir. -ele respondeu, tocando em meu rosto e fazendo o meu rosto se aquecer com aquilo. Jacob parecia sempre que o normal, ou talvez meu coração fosse frio demais. Ele continuou a me olhar mais dessa vez algo diferente brotou em seus olhos, algo que eu não pude destinguir. Ele abaixou o rosto e seus lábios roçaram em minha pele, seu toque era suave demais, de uma forma que eu não podia sentir seus lábios traçando um caminho até o meu queixo. Ele beijou minha bochecha, quase alcançando meus lábios.

Ele iria me beijar, e eu não queria que ele fizesse isso. Se ele me beijasse, eu retribuiria e isso seria como dizer a ele que eu realmente o amava-da única forma que meu coração idiota teimava em não amar- e eu não iria cometer esse erro.

Eu virei à cabeça, e ele beijou o canto dos meus lábios.

-Eu não posso fazer isso. -eu sussurrei para ele.

-Eu não faria anda que você não quisesse. -ele disse e eu sabia que era verdade. Jacob só queria o meu bem. -Eu te amo.-ele disse para mim, sua voz cheia de emoção.

-Você sabe que eu faria tudo para que isso fosse o suficiente?- eu o questionei.

-Eu sei. -ele beijou meu pescoço e me abraçou.

E eu, naquela época, não desejava mais da minha vida do que manter aquela rotina.

Uma lagrima solitária caiu de meus olhos-o que sempre acontecia quando eu me lembrava de Jacob- e eu a sequei com a ponta dos olhos.

-Lembro, e sobre isso e que precisamos conversar. -eu me sentei na mesa, e ele me acompanho.

-Eu estarei te ouvindo e esse será um segredo de confissão. -ele disse, entrelaçou seus dedos e os pôs sobre a mesa, voltando sua atenção toda para mim.

Eu contei para ele todos os fatos da minha vida, sem poupar nem um detalhe: contei sobre a forma que vivia com os meus pais, sobre o que Jacob significava realmente para mim, como era o nosso casamento, o quanto sofri após a sua morte, como conheci Edward, a forma que eu tinha me apaixonado por Edward e os nossos planos de nos casarmos e sermos felizes.

-Você tem certeza disso?- padre perguntou, após eu contar os últimos detalhas do nosso plano.

-Eu tenho a mais plena certeza, eu tenho o direito de ser feliz. Eu devo isso a mim mesma.- eu falei decidida.

-Deus não pode separar aqueles se amam de verdade, aqueles que querem se unir em seu nome. -ele disse.-Eu darei a benção de Deus a vocês e vocês poderão ser felizes, mas lembre-se de que o que Deus uniu homem nenhum separa.

-Eu sei padre. -eu respondi, rapidamente.-Obrigada por me entender.-eu disse me levantando e arrumando o véu sobre meus cabelos.

-Não foi nada, me encontre no pôr-do-sol amanha tudo bem?-ele perguntou.

-Estaremos aqui. -eu disse antes de me despedir do padre, e partir.Eu praticamente corri até a minha casa, sabendo que meus pais estariam lá e eu não gostaria de  dar explicações.

Eu entrei em casa e respirei fundo, sabendo que precisaria disso, tirei o véu negro de meus cabelos e as luvas. Subi rapidamente as escadas até o meu quarto e joguei tudo sobre a cama. Fui até a penteadeira, e prendi meus cabelos soltos em um coque alto, coloquei um xale sobre os ombros e desci para jantar.

Meus pais estavam sentados, meu pai na ponta da longa mesa de carvalho, sentado em sua cadeira em uma postura que poderia ser considerada um rei. Ele não era novo, mas não era o que poderia ser considerado velho. Tinha os cabelos negros e alguns fios brancos no meio de seus grossos fios negros e sedosos. Ele tinha a pele branca e enrugada, seu rosto tinha algumas rugas e fortes linhas de expressão. Seu rosto parecia sempre ser o mesmo, duro, frio e calculista. Eu ouso dizer que Charlie nunca deu um sorriso, eu as vezes tinha a impressão de que ele não gostava de mim.Eu busco imagens da minha infância, e não me lembro de nenhuma lembrança onde meu pai me sentava em suas pernas e contava para mim alguma historia, eu não me lembro de rir e pedir por mais. Porque não eu não poderia me lembrar de algo que não aconteceu.

Minha estava seu lado direito, ela era tranquila e completamente apaixonada pelo meu pai. Ela tinha os cabelos arruivados, os olhos castanhos chocolate como os meus, ela tinha a pele branca e parecia incrivelmente jovem para ser minha mae. Ela nunca foi minha mãe, ela vivia apenas para o meu pai-e eu não podia culpa-la. Eles se conheceram muito jovens e minha mãe se viu perdida por um homem tão rico, e belo, eles se casaram e minha mãe ficou gravida de mim. Minha mãe me contava que meu queria um menino e eu o decepcionei por ser uma menina, minha mãe ficou doente algum tempo e a ela acabou se tornando estéril. Ela fazia de tudo para ver Charlie feliz, como isso fosse capaz de reparar a dor que Charlie sentiu por ela não poder ter lhe dado um filho homem, um homem para levar o sobrenome Swan adiante.

Eu me sentei à esquerda de meu pai e ele fingiu não perceber minha presença. Eu peguei o guardanapo e o abri sobre meu colo.

-Boa noite. -eu disse, como se com aquilo eu pudesse quebrar aquele silencio perturbador.

Eles não me responderam.

O jantar foi servido e comemos em silencio. No meio da nossa refeição, minha me olhou rapidamente sem desviar muita a sua atenção do prato.

-Você me parece mais feliz. -minha mãe disse.

-Eu estou feliz. -eu respondi, sem olha-la.

-Eu tenho uma noticia para lhe dar. -ele não esperou que eu disse nada.-Charlie Volturi deseja se casar com você.-ela soltou essa noticia.

Eu engasguei, e bebi um pouco de agua para que eu conseguisse engolir a comida e a noticia. Como eu me casaria com Demetri Volturi? E por quê?

-Eu não irie me casar com ele. - eu tentei responder calmamente, mas a minha voz tinha me traído.

-E por que não?-meu pai explodiu, levantou num rompante, movimentando a louça na mesa. -O que a impede? Você é viúva, e Jacob está morto e enterrado a tempo demais. Demetri a fará feliz e você me dará algum orgulho por tê-la como filha.

Eu respirei fundo, me controlando para não levantar minha voz.

-Eu não o amo. -tentei usar essa palavras para argumentar algo.

-Você não precisa ama-la, esquece que o amor existe. - sua voz estava mais fria do que eu me lembrava.-Case-se com ele, tenha filhos e retome sua honra. Faça isso para o meu bem e o de sua mãe. - e o seu orgulho falou mais alto.

Eu senti meus olhos se encherem de agua, de raiva. Por que eu teria de fazer algo pelo meu pai que não me amava, porque eu deveria arriscar todo o meu futuro?Eu sabia que não deveria fazer isso, que eu não deveria dar as costas para minha família. Mas não valia apena eu arriscar meus planos e meu amor por Edward por uma honra idiota que não em pertencia.

Eu respirei fundo e olhei para meu pai, sem medo e hesitação.

-Eu amo outro homem. - eu disse firme.

-Quem?- perguntou minha mãe, ansiosa para que fosse algum candidato bom o suficiente, na opinião deles.

-Edward Cullen. - eu disse simplesmente, bebendo um gole de vinho.

-O que?- eles perguntaram juntos, completamente surpresos. Eu sabia o porque.

Edward Cullen era o filho mais novo dos Cullens. Esme e Carlisle Cullen não eram  ricos, pelo menos não de dinheiro. A mãe de Carlisle morreu no seu parto e seu pai tinha um impresa. A empresa acabou falindo quando seu pai envelheceu e Carlisle acabou abandonando tudo para ser aquilo que sempre sonhou:medico.Esme foi uma de suas pacientes, após ele salva-la de um pneumonia que a levaria a morte. Eles se casaram e tiveram três filhos: Emmett, Alice e Edward. Emmett e Alice se casaram na mesma época com os gêmeos Hale.Carlisle não era rico-apesar de muitas pessoas se consultarem com ele- o motivo de sua situação financeira era devida ao fato de que ele cuidava de pessoas pobres que não podiam paga-lo. Ele vivia bem e não passava por dificuldades, mas não possuía muitas ações e uma vasta conta bancaria. Eu não ligava para isto, por mim ele era o melhor dos homens apenas por ter o melhor coração que eu conheci.

-Eu não acredito que você ama um Cullen. -meu pai disse, mesmo não tendo digerido a noticia.

-Por quê?Eu só posso amar alguém rico como Jacob?-eu perguntei, e eles silenciaram. -Eu acho que preciso lhe dizer algo antes que seja tarde demais.Eu não amava Jacob.-eu pude ver em seus rostos o quanto aquela noticia os abalara.-Não da forma que eu deveria ama-lo, ele era apenas o meu porto seguro, ele era tudo aquilo que vocês não puderam ser para mim.Ele era meu pai, minha mãe, meu irmão e meu melhor amigo. Ele foi à única pessoa que eu amei por muito tempo. E quando ele se foi eu morri com ele, eu me vi presa a uma dor insurpotavel. Eu criei um casulo para tentar fazer a todos felizes e eu só em vi mais infeliz.Edwrad foi a pessoa que me resgatou.- eu chorei e minha voz saiu engasgada.-Eu não devo nada a vocês, vocês não são nada de mim.Eu vou escrever a minha felicidade e vocês não vão fazer parte dela.- eu disse cada palavra de forma pausada. E eu me senti mais triste por ver que minhas palavras significaram nada para eles, meu pai continuava com a mesma expressão fia e calculista. E minha mãe estava com uma expressão decepcionada.

-Belo discurso. -meu pai finalmente disse.-Mas não muda o fato de que você se casara com Demetri.

Eu levantei da mesa com cuidado, em terminar minha refeição, joguei o guardanapo na mesa e virei às costas, andando em direção ao meu quarto.

-Volte aqui. -Charlie exigiu aos berros.

Eu me virei e os fitei.

-Eu não sou mais sua filha, Charlie. -eu disse, o que de alguma forma era verdade, em minha mente a única coisa que nos ligava era o sangue.-Eu não sou mais uma Swan, em breve eu serei uma Cullen.

Eu andei em direção as escadas, os saltos de meus sapatos bateram no chão de madeira.

-Volte aqui. -Charlie gritou novamente, mas eu estava longe demais para ouvir.Eu tranquei a porta atrás de mim e me joguei na cama.

Eu sorri vitoriosa e leve por ter dito tudo que sonhei aos meus pais, eu me senti tão corajosa e tão feliz. Eu me deitei e tentei dormir, sabendo que amanha eu começaria a traçar a minha felicidade, a minha felicidade eterna.

publicado por Twihistorias às 18:00

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Dez 13


- 7 -

B

Precisava de fazer um esforço para me concentrar. Tinha que entregar o trabalho de pesquisa dentro de uma semana e ainda faltava acabar a análise estatística e rever todo o desenvolvimento. Podia pedir um adiamento da entrega à minha orientadora científica, afinal eu tinha faltado às aulas quatro dias por estar doente, mas não queria dar parte de fraca. Tinha-me comprometido a fazer esta parte do estudo sobre invertebrados aquáticos e não queria falhar por nada. Se conseguisse entregar dentro do tempo que defini inicialmente, tinha mais hipóteses de, no futuro, ser indicada para outros trabalhos. Era precisamente este tipo de serviço que fazia a diferença na altura de desenvolver projetos de investigação científica e de escolher pós-graduações. Um curriculum diversificado e revelador de grande empenho era uma mais-valia profissional.

Escrevia desenfreadamente para acompanhar o meu raciocínio quando ouvi barulho lá fora seguido de um bater forte na porta. Um bocado aturdida e mal-humorada fui ver quem era.

- Alice! Jasper? Que fazem aqui?

Alice não me tinha dito que vinha visitar-me, e, tanto quanto sabia, aquela espécie de relacionamento que ela tinha com o Jasper não chegava verdadeiramente a sê-lo, pelo que não entendia a razão de o trazer com ela.

- Está mesmo a ver-se que tiveste saudades minhas, irmã desnaturada. – Com um falso ar de tristeza, Alice abanou a cabeça. - Vim ver-te, é claro. Estiveste doente, precisava de ver se estavas mesmo bem, – continuou ela empurrando-me ligeiramente para o lado e entrando dentro de casa.

Eu estava tão incrédula que continuei a segurar a porta, mesmo depois de ela entrar e de Jasper trazer toda a bagagem deles para dentro.

- Mas eu disse-te que estava melhor.

- Pois disseste. Se não me escondesses coisas da tua vida eu podia acreditar em ti mas assim… Estás à espera de mais alguém? Fecha a porta. – Alice olhava para mim como se eu fosse uma anormal. – Olha, o Jasper também veio. Ele tem uma entrevista num estúdio em S. Francisco para discutir a possibilidade de gravar umas músicas e aproveitou a minha companhia.

- Não queria incomodar, Isabella. Desculpa, – disse Jasper sem jeito.

- Não incomodas nada, - disse Alice antes de eu conseguir dar uma resposta, - vais dar-me um jeitão. Hoje dormes no sofá e amanhã logo se vê. – A minha irmã tinha as suas próprias ideias, eu não sabia quais eram mas também não iria perguntar. Quando ela agia assim era melhor afastar-me e dar-lhe liberdade.

- És muito bem-vindo Jasper. Não vais incomodar em nada, tu é que podes não te sentir muito à vontade porque a casa não tem muitas comodidades. – Assegurei eu.

- Sim, sim. Tu não tens tempo para ir às compras e és demasiado orgulhosa para aceitar o dinheiro que te oferecem, – disse a minha irmã como se estivesse a querer despachar o assunto. – Agora, olha para mim e diz-me que estás bem.

Alice lançou-me um olhar penetrante não me deixando mentir. Eu encolhi os ombros e desviei o olhar para a mesa onde tinha o meu trabalho.

- Estou suficientemente boa para poder trabalhar na minha parte da tese e amanhã já vou às aulas. Estás satisfeita?

A expressão perscrutadora deu lugar a um sorriso aberto que veio até mim junto com um abraço forte.

- Mana, como podes ser assim? Eu estou longe mas não vivo em Marte. Estarei junto a ti sempre que precisares, basta fazeres um sinal ou chamar-me.

Ficámos nos braços uma da outra até percebermos que Jasper também estava presente, a tentar passar despercebido. Ele parecia entender muito bem a ligação que nós duas tínhamos, fruto de termos crescido mais ou menos sozinhas, ou pelo menos, sem o apoio forte de progenitores atentos. Charlie foi quase sempre um pai ausente e Renée, embora cheia de amor para nos dar, passava por fases de grande alheamento, precisando de mais cuidados e atenção que nós. Isto trouxe-nos coisas boas e outras menos boas. Alice e eu passámos a ser a extensão uma da outra, protegendo-nos das agressões do mundo e desenvolvendo um sentido extremamente firme de união. Por outro lado, tirando Edward e Emmett, não tínhamos grandes amizades. Ninguém mais aceitava bem a nossa cumplicidade e a nossa reserva e desconfiança face aos outros.

Jasper olhou para nós como que a pedir desculpa por estar ali e encolheu os ombros. Nós rimo-nos da sua figura e o alívio dele foi imediato. Pegou num saco com uma guitarra que estava encostado à parede junto à entrada e estendeu-ma.

- Trouxe isto para ti. Já não estava a ser utilizada e a Alice disse-me que tu também gostas de puxar umas cordas.

Não entendi o porquê da sua expressão envergonhada até olhar mais atentamente para o saco e reconhecê-lo. Abri-o de respiração suspensa e confirmei as minhas suspeitas: esta era a antiga guitarra de Edward. Olhei para o saco novamente e lá estavam as suas iniciais EC. Será que foi ele que a mandou para mim?

- Desde que ofereceste a outra ao Edward, ele nunca mais usou esta. Era um desperdício ficar sem uso. Então o Jasper lembrou-se que talvez tu gostasses de ficar com ela, – explicou Alice, ao perceber a confusão que se passava na minha cabeça.

- Obrigada, Jasper. Gostei muito. Eu não sei tocar verdadeiramente mas gosto muito do som, parece acompanhar sempre o meu estado de espírito.

- O Edward iria gostar que ficasses com ela.

O Silêncio instalou-se por uns minutos, sendo quebrado por Alice que pegando num saco pequeno fez sinal a Jasper para a seguir. Ele pegou na mala de Alice e seguiu atrás dela, rumo ao meu quarto, imaginei eu.

Fiquei na sala a pensar no que podia fazer para o jantar. Não tinha muitas coisas em casa, pelo que teria que ser um prato rápido. Estava a cogitar fazer uma massa com queijo e uma salada, quando ouvi uns barulhos de móveis a arrastar vindos do meu quarto. Fui até lá ver o que se passava e dei de caras com Jasper que tentava levar o sofá do meu quarto para o outro quarto da casa.

- Ei! Esse quarto está vazio e sujo, – disse eu tentando parar com aquilo.

- Por isso mesmo, mana. Limpa-se e fica óptimo para o Jasper dormir. Dá-nos uma ajudinha para ver se descansamos, que o dia hoje está a ser demasiado comprido.

Ao fim de meia hora já o quarto estava limpo e o sofá com lençóis e saco cama. Regressámos à sala, e pusemos mãos ao serviço. Eu fiz a massa, a minha irmã fez a salada e o Jasper pôs a mesa. Comemos rápido, arrumámos tudo e fomos dormir.

Quando fiquei sozinha com Alice preparei-me para a interrogar, eu precisava de algumas respostas para as minhas suspeitas. Alice escondia-me alguma coisa e eu queria saber o que era.

- Eu gosto muito de te ver e de te ter comigo, mas és capaz de me explicar o que vieste fazer aqui? Não me avisaste, nem nada.

- Oh mana, estava preocupada contigo. A tua vida tem sido muito atribulada e eu precisava ter certeza que estás bem.

Acreditei no que a minha irmã me disse mas sabia que ainda não era tudo. Estava alguma coisa a escapar-me. Calei-me esperando que ela voltasse a falar. Conhecia a Alice há muito tempo e sabia que ela acabaria por me contar.

- Além disso, - acrescentou ela com má vontade, - o Jasper precisava mesmo de vir a S. Francisco e como eu tinha duas semanas de pausa pensei em juntar o útil ao agradável. - Eu ri-me com o desabafo e ela ficou ainda mais furiosa. – Agora vais-me dizer que eu sou uma impulsiva e que não tenho juízo nenhum?

- Calma, mana. – Voltei a rir-me. – Continuas de ideias fixas no Jasper?

- Ele agrada-me. É claro que também me irrita, mas há algo nele que me excita.

- Meus Deus, Alice! Tu estás apaixonada.

- Eu? Apaixonada? Não, é só atração física… mas ele não cede.

- Tu estás apaixonada. Ele parece ser muito boa pessoa, um pouco tímido demais, talvez, mas é bom amigo e muito respeitador. Muito bem…

- Não é nada disso. Falamos amanhã, pode ser? Estou muito cansada. Tens aulas amanhã? Posso dormir até bem tarde?

- Tenho aulas, toda a manhã. E de tarde tenho que ir ter com a minha orientadora do trabalho de pesquisa e investigação. Mas se quiseres posso falar com ela e marcar para outro dia.

- Não, não vale a pena. Faz o que tens a fazer. Amanhã vou preguiçar por aí e dar outra prensa no meu Jazz. Vemo-nos à noite. Bons sonhos. - A sua voz estava meio arrastada, ela devia estar mesmo cansada.

- Até amanhã, dorme bem.

No dia seguinte saí cedo para as aulas e só regressei a casa ao final da tarde. Quando entrei estava o Jasper a tocar guitarra e a Alice a fazer o jantar. Em cima da mesa estavam vários sacos de compras ainda por arrumar e dois potes de leite.

- Cheguei – disse eu em voz baixa fazendo sinal a Jasper para ele não parar. Pousei as minhas coisas em cima da pequena estante e dirigi-me à zona da cozinha. – Hummm. Que aroma agradável. Estás a fazer o quê para o jantar, Alice?

- Uma bela salada tricolor, bife grelhado com puré de batata e, para a sobremesa, comprei uma blueberry pie que já me está a fazer crescer água na boca. Põe a mesa que estou mesmo a acabar.

Pus a mesa e fui buscar um banco desmontável dentro do enorme armário de parede da sala, para o Jasper se poder sentar. Comemos com pequenas brincadeiras, principalmente por parte de Alice que quase entornou o seu copo de leite em cima de Jasper. Estávamos na sobremesa quando apareceu a única pessoa que eu conhecia ali.

- Leah, apareceste mesmo na hora certa, temos uma blueberry pie para acompanhar o café, – disse-lhe eu enquanto a puxava para dentro de casa. – A minha irmã está cá. Já não se vêm há quanto tempo?

- Alice! Como estás? Ainda bem que estás cá, não nos víamos há mais de um ano. Estás óptima.

- Oi Leah. Não sabia que também estavas aqui. Estás em Stanford, também?

- Estou, eu e a tua irmã estamos na mesma área. Temos várias aulas em comum.

- Leah, deixa-me apresentar-te o Jasper. É um amigo da família. A irmã dele está noiva do Emmett. – Leah, abriu a boca espantada mas não disse nada.

- Jasper, a Leah é de Forks, a cidade onde eu e Alice vivemos com o, hum… Charlie.

- Prazer em conhecer-te – disseram os dois em simultâneo, cumprimentando-se.

- Bem, - continuei eu, - como não temos cadeiras suficientes, proponho que passemos ao sofá para degustar a tarte. A Leah tem a mania de comer a sobremesa acompanhada de café. Alguém quer?

- O café fui eu que fiz, – disse Leah tirando um termo do seu saco. – É especial. Vem da Colômbia e tive que penar muito para o conseguir. Vão gostar.

- Para a Leah, cada refeição é uma prova sensorial que tem que ser vivida com intensidade, – expliquei eu rindo.

- Segundo a Leah, é uma “experiência orgásmica” – afirmou a Alice virada para o Jasper, fazendo com que a Leah corasse e o Jasper semicerrasse os olhos.

- Sabes que utilizo essa expressão no bom sentido – reclamou Leah ainda corada. Depois, deu de ombros e ergueu a cabeça. – Os sentidos são muito importantes, devemos saber usar e valorizar todos. O paladar e o olfacto fazem um casamento perfeito. Experimentem comer um pedaço de tarde de olhos fechados e beber um pouco de café. A mistura dos dois gostos é surreal.

Rimo-nos todos deste discurso mas a verdade é que seguimos a sugestão de Leah e acabámos todos a comer a sobremesa e a beber o café de olhos fechados. Ela tinha razão, a experiência podia não ser surreal mas era, sem dúvida alguma, mais intensa.

A noite passou agradável e rápida. Combinámos jantar todos juntos no dia seguinte ali em casa e Leah, que estava numa residência para estudantes, ofereceu-se para ser a cozinheira. Adivinhava-se outra noite muito bem passada.

O dia seguinte passou rápido também, assisti às minhas aulas e estive na biblioteca a acabar o trabalho que tinha que entregar. Fui para casa um pouco preocupada por ter passado tanto tempo fora, deixado Alice e Jasper sem companhia, mas, quando lá cheguei, toda a minha preocupação desapareceu. Estavam os dois sentados na relva, à entrada de casa, a beber café com Leah. Fiquei surpreendida por a ver ali até me lembrar do que tínhamos combinado: Leah tinha vindo fazer o jantar. Quando entrei dentro de casa para pousar as minhas coisas, a perplexidade tomou conta de cada pedacinho de mim. A casa estava bastante diferente. Havia uma mesa com quatro cadeiras, um sofá azul petróleo, uma estante nova, um tapete grande de cores quentes e dois cadeirões em pele castanho-escuro. As cortinas nas janelas e algumas almofadas rematavam a decoração.

- Mas o que foi que se passou aqui, hoje? – Perguntei em voz baixa sem obter qualquer resposta.

Apercebi-me também que o ruído de fundo que eu ouvia era música. Música que provinha de um aparelho de som que estava na estante nova e que eu percebi ser aquele que Edward tinha querido comprar para mim no mês anterior. Aproximei-me e vi que havia um envelope com o meu nome escrito ao lado. A letra era de Edward. Peguei nele e meti-o no bolso, queria muito lê-lo mas teria que ser quando estivesse sozinha.

Com uma suspeita a aflorar na minha cabeça fui até ao meu quarto. Também por ali havia mudanças. Uma cama nova e maior - parecendo king size - vestida com uma manta acolchoada, ao lado uma estante em escada com gavetas pintadas com cores alegres, um armário para a roupa e cortinas vaporosas a tapar a enorme janela - os lençóis tinham desaparecido. Como o sofá tinha regressado ao quarto, embora desta vez estivesse coberto por uma manta com as mesmas cores das gavetas, fui até ao quarto do fundo para ver o que havia por lá. O quarto já não estava vazio, estavam lá as coisas que tinham desaparecido do resto da casa: a minha cama antiga, o meu cabide de rodas, o sofá e a estante que estavam na sala.

Saí dali em passo lento tentando controlar a respiração e, sentindo necessidade de passar água fria na cara, entrei na casa de banho. A enorme janela tinha uma espécie de tela colada a imitar o vitral, fazendo entrar um jogo de luz que mudava por completo a aparência do compartimento. Havia também um escadote pintado de branco que tinha toalhas dobradas nos degraus, um espelho enorme de pé em talha dourada que evidenciava ter muitos anos e uma caixa de primeiros socorros junto às prateleiras. Na zona mais profunda da casa de banho, onde tinha estado um estendal para secar algumas peças de roupa, estava agora uma mesa de massagem parcialmente tapada por um biombo. Uma máquina de lavar roupa e outra de secar estavam encaixadas num armário branco sem portas, havendo três prateleiras, também brancas, por cima dele. As lágrimas picaram-me os olhos, não sabia se por vergonha ou insatisfação.

Foi assim que Alice me encontrou algum tempo depois.

- É assim tão difícil de aceitar que as pessoas gostam de ti e se preocupam contigo? – Disse ela em voz baixa e meiga.

- Eu… Porquê? Eu não tenho dinheiro para nada disto. Como é que… Quem foi? – Repentinamente surgiu-me a ideia que talvez tivesse sido o Charlie. Isso eu não iria aceitar.

- Isso tem alguma importância? – Alice não compreendeu o meu azedume.

- Não foi o nosso…

- Foi o Edward, quer dizer, a ideia foi dele mas o Carlisle preferiu dar o dinheiro para que Edward não mexesse nos fundos que tem.

- Como é…

- O Edward falou-me nisto depois de ter vindo ao teu aniversário e eu tinha que aproveitar. Não é todos os dias que nos dão carta-branca para decorar uma casa, – disse Alice rindo de prazer. – O Jasper veio ajudar e aproveitou para marcar a tal entrevista no estúdio de gravação.

Na minha cabeça todas estas informações giravam como acontece no roda-pé dos noticiários: Edward preocupado com a minha situação; Carlisle a dar-me dinheiro que eu não sabia quando poderia pagar; Alice a atravessar o país para decorar a minha casa; Jasper, que praticamente não me conhecia, a ajudar a minha irmã neste projecto…

- Eu não preciso de nada disto.

- Não sejas ingrata, Isabella. Nós só queremos ajudar-te, não afastes as pessoas que te estimam. Por muito magoada que estejas não podes tratar as pessoas dessa forma. A ingratidão nunca fez parte do teu feitio.

- Eu não posso aceitar, é demasiado generoso, eu não tenho como pagar.

- Só falta dizeres que não mereces nada disto – disse Alice atingindo em cheio a minha consciência deficiente. – Pensa no que estás a dizer, se fazes favor? O amor e a estima não se pagam, da mesma forma que não se compram, são sentimentos meritórios que se desenvolvem pela convivência, pelo respeito mútuo e pela dedicação. São sentimentos que se retribuem na mesma moeda. Não farias o mesmo por nós?

- É claro que sim, mas eu…

- Tu nada. Fica calada e deixa-nos fazer por ti aquilo que achamos melhor. Aceita o que te queremos dar e fica feliz connosco. Nós fazemos parte uns dos outros e não há nada que nos possa tirar isso. Nem tudo é mau, Bella. Valoriza as coisas boas que tens. Eu sou uma coisa boa na tua vida, não sou?

Abracei-a com força.

- Obrigada mana. Obrigada por tudo. Tu não és somente uma coisa boa na minha vida. Tu és a minha família.

- Por falar em família, a mãe telefonou hoje. Não sei como, ela soube que eu vim ter contigo e eu contei-lhe que na semana passada estiveste doente. Pareceu ficar preocupada. Disse que te telefona ao início da noite.

Eu suspirei e rolei os olhos.

- Agora diz-me uma coisa, - continuou Alice, - gostaste da decoração? Comprámos umas coisas e arranjámos outras. Este papel autocolante de vitral fui eu que desenhei em Nova York. Fica muito bem, não fica? Tapa a vista mas deixa passar a luz na mesma. O Jasper colou-o na perfeição, nem uma bolha. O escadote estava escondido no armário de parede, foi só pintar, e o biombo são caixilhos altos com tecido dos lençóis que tinhas a tapar as janelas. O Jasper articulou-os e eu e a Leah transformámos os lençóis. O armário de primeiros socorros foi mandado pelo Edward, de Boston. – Alice arqueou as sobrancelhas dando ênfase à situação. – Será que ele pensa que aqui não existem esses materiais?

Alice continuou a contar todos os pormenores, arrastando-me de divisão em divisão para mostrar tudo, o que eu já tinha visto e o que me tinha escapado, o que não foi pouco. Já na sala, encontrámos Jasper e Leah sentados a conversar, riram-se da minha expressão e deixaram Alice continuar na sua apresentação, até que eu não aguentei mais e comecei a rir também.

- Ok, mana, eu compro. A casa é tão bonita e está tão bem decorada que eu já não posso viver sem ela.

Estava a terminar de falar quando o meu telefone tocou: Renée.

- Olá mãe.

- Como vais filha? A Alice disse-me que estiveste doente. Isso foi o quê?

- Foi um mal-estar passageiro, talvez uma constipação ou coisa assim. – Não queria dizer à minha mãe que tinha estado de cama, com febre.

- Tens a certeza? A Alice disse que foi qualquer coisa que tinhas comido. Foste ao médico ver o que era?

- Já passou mãe. Fica descansada. Nem chegou a ser necessário ir ao médico.

- Tu estás grávida?

Fiquei sem fôlego e petrifiquei.

- Bella, responde-me com a verdade. – A minha mãe exigiu a resposta com o medo a ensombrar o seu tom de voz.

Não queria acreditar que estava a passar por isto. Como é que a minha própria mãe podia pensar que eu era tão irresponsável?

- É verdade, não é? Oh meu Deus. A desgraça caiu em cima da minha família. E agora? Isto não podia acontecer. Tu és muito nova e o Edward ainda nem o curso acabou. Não podes ter esse filho, o Edward é teu irmão. Vocês foram muito irresponsáveis.

- Não é verdade, – contrapus.

- Irresponsáveis, sim. Onde é que já se viu? São ambos umas crianças ainda.

- Mãe! – gritei. – Eu não estou grávida.

- Tens a certeza? – Perguntou Renée, continuando sem me dar tempo de responder. - Ah que alívio, filha. Pelo menos nesse ponto não erraram.

- Agora tenho que ir mãe. Já é muito tarde aqui e amanhã tenho aulas cedo.

- Fica bem, filha. Beijinhos.

- Xau, mãe.

Ficámos os quatro parados sem dizer nada. Repentinamente desatei a rir descontroladamente.

- Como é que eu podia estar grávida se a minha mãe estragou a minha primeira noite de amor? – Eu falava cada vez mais alto. – Arrancaram o amor da minha vida dos meus braços no momento em que me ia entregar. Até esse prazer me negaram. – As minhas gargalhadas eram histéricas. – Destruíram a minha vida, expondo-me na minha intimidade e fazendo juízos de valor. Nunca lhes vou perdoar.

As gargalhadas transformaram-se em lágrimas abundantes e sentidas. Chorei de raiva. Alice falava comigo mas eu não conseguia perceber nada. Senti levarem-me ao colo para a cama – Jasper certamente – e a ser abraçada – só Alice me abraçava assim, - até adormecer.

Acordei ainda era de noite, estava sozinha no quarto. Recordei tudo o que se passara no dia anterior e tomei uma resolução. Eu tinha pessoas que gostavam verdadeiramente de mim e me respeitavam, seriam apenas essas pessoas que eu passaria a considerar a minha família afectiva. As outras eram apenas conhecidos. Não voltaria a deixar-me atingir por quem não era importante para mim.

Acendi o candeeiro, aquele que o Edward me tinha comprado, e levantei-me. Fui, pé ante pé, à cozinha para beber um copo de leite, porque, como não tinha jantado, sentia alguma fome. Quando cheguei à sala enterneci-me. Alice estava a dormir no sofá, com a cabeça apoiada no colo de Jasper, que olhava para ela com devoção. Sim, ali havia muito sentimento. Dei meia volta e regressei à minha cama. Não iria perturbar a paz deles, aquele momento pareceu-me demasiado íntimo para ser quebrado por terceiros. Eu sabia bem o que isso era.

No quarto, lembrei-me do envelope de Edward e sentei-me na cama para o ler.

“Amor: Preciso que entendas e aceites que te amo e que me preocupo contigo.

Só estarei bem se te souber bem.

Sei que precisas de tempo para me aceitar de volta e eu estou disposto a esperar o tempo que for preciso. Peço-te apenas que, no entretanto, me deixes fazer por ti o possível para te facilitar a vida e te proporcionar algum conforto.

Quero ser merecedor do teu perdão e do teu amor mas, neste momento, sinto necessidade de fazer aquilo que sei que não queres.

Pedi à Alice para ir a Palo Alto transformar essa casa num lar. Não imaginas o desânimo que sinto em saber-te aí sem as condições mínimas, tão sozinha e tão distante.

O aparelho de som foi aquele que gostaste mas não me deixaste comprar. A música sempre fez parte da tua vida e da minha. Esse será sempre um dos nossos elos e fará parte das nossas referências.

Foi tudo pensado com o maior carinho. Por favor não recuses.

Não esqueças que irei aí se precisares. Basta chamares por mim.

Amo-te mais do que à própria vida.

Eternamente teu, Edward.

Uma miríade de sensações tomou de assalto a minha cabeça e o meu corpo. Apetecia-me falar com ele para lhe agradecer, mas sabia que se o fizesse agora lhe iria pedir para vir ter comigo e ficar. Não podia obrigá-lo a passar por esse dilema, ele tinha trabalhado muito para entrar naquele curso de Medicina. Não seria justo para ele nem para mim propor-lhe uma alteração destas. A minha ideia foi sempre ser eu a mudar de Universidade, não ele. Contudo, ele tinha recusado essa proposta, ao vir embora de Itália sem falar comigo e sem me deixar uma indicação de que queria que eu o fizesse.

Ainda me magoava muito pensar nisso. Se ele me tivesse perguntado se eu queria fugir com ele, eu tê-lo-ia seguido até ao fim do mundo. Eu tinha manipulado Charlie para poder voar de um extremo do país ao outro, sendo ainda menor de idade, só para poder estar com ele. Se calhar, o amor que ele dizia sentir por mim não era tão forte e tão resoluto como o que eu sentia por ele. As mulheres sentem as coisas de uma maneira diferente, seria isso?

Queria muito acreditar nos sentimentos dele mas… E se, noutra altura de crise, ele voltasse a deixar-me sozinha e perdida? Teria eu coragem e força para aguentar outra luta? Suportaria eu perdê-lo novamente? Se ele me abandonasse de novo a minha auto-estima, já de si tão débil, desvanecer-se-ia.

Eu estava demasiado fragilizada para me deixar levar novamente por um relacionamento que não tinha a certeza se era suficientemente forte para aguentar as pressões. Precisava de tempo para me recompor e para verificar se aquilo que Edward dizia era mesmo verdade. Se com o tempo ele mostrasse que tinha força para lutar por mim eu seria dele até ao fim dos meus dias.

Com mais esta resolução na minha vida, voltei a adormecer. Acordei com a claridade a entrar pela janela. Espreguicei-me bocejando, sentindo-me melhor.

Já vestida e arranjada, fui tomar o pequeno-almoço e dei de caras com o Jasper a dormir no sofá, sozinho. Franzi a testa e fui até ao quarto do fundo dar uma espreitadela. Alice dormia tranquilamente debaixo da manta. Voltei para a cozinha e tentei fazer o menor barulho possível, contudo, Jasper acordou pouco tempo depois.

- Desculpa, não te queria acordar – disse eu sem jeito.

- Não fiques assim, eu é que estou com as horas de Boston. A esta hora já o meu dia teria começado, no bar ou nas aulas de música.

- Andas no conservatório de Boston?

- Agora não, pelo menos enquanto aluno. Já acabei o curso, embora gostasse de tirar uma nova pós-graduação. – Fez uma pausa como se ponderasse o que estava a dizer. Depois, olhando para a minha cara, acrescentou em jeito de explicação: - Entrei mais cedo que o normal; desde sempre me dediquei à música e fiz quatro anos em dois.

- És sobredotado, Jasper! – A minha cara de espanto dizia tudo.

- Esse é um rótulo muito feio, – disse ele franzindo o nariz. - Prefiro dizer que sou apaixonado pela música.

- E pela minha irmã – disse eu num impulso.

Ele pareceu ficar meio encabulado mas não negou.

- Desculpa se fui inconveniente. Esta noite acordei e vi a forma como a olhavas enquanto ela dormia no teu colo – justifiquei-me.

- Ela ficou muito perturbada com o que se passou ontem e acabou por adormecer no sofá. Mas ficou com frio e eu levei-a para a cama. Não queria acordar-te e deixei-a no outro quarto.

- Obrigada por me teres levado, também a mim, para a cama, ontem.

Ficámos calados durante bastante tempo mas depois eu achei que devia deixar as coisas em pratos limpos.

- A Alice é a pessoa que mais gosta de mim e de quem eu mais gosto. Nós temos uma ligação muito especial. Dava a minha vida para salvar a dela. Eu sou mais calma, mais comedida e mais fraca, a Alice é mais corajosa, mais extrovertida e mais forte. – Fiz uma pausa para beber mais um pouco de leite. - Pode parecer-te que é meio estouvada mas é de uma fidelidade cabal, muito amiga do seu amigo. Foi sempre o meu esteio nos momentos mais difíceis. Tem um temperamento forte e sabe muito bem o que quer e aí, por vezes, não olha a meios para atingir os fins. É o seu traço mais perverso, mas isso não faz dela uma leviana. Normalmente é nessas alturas que eu pago toda a sua dedicação, sendo paciente e evitando que ela se magoe.

Lembrei-me de um episódio que se passou connosco e ri-me.

- Quando tinha onze anos, no colégio onde andávamos as duas, um rapaz mais velho, que gostava de implicar com os mais fracos, chamou-me raquítica e branquela. Havias de ter visto a cara dela, ficou tão furiosa que se atirou a ele, arranhando-o e mordendo-o. Fomos os três chamados à Directora e ela, exagerando muito o acontecido, disse que ele se estava a meter comigo e eu, de cabeça baixa, desatei a chorar de nervosismo. A Directora pensando que era pelo que o rapaz me tinha dito ou feito, mandou-nos às duas embora e ele ficou lá e levou com as culpas todas. Ele jurou vingança e a boa da Alice fez-lhe frente e respondeu que “às irmãs Swan ninguém faz mal ou chama nomes”. Mostrou-lhe uma foto do Emmett e disse-lhe que se ele se atrevesse a fazer-nos mal era o irmão quem vinha tratar do assunto pessoalmente.

- Ela é um furacão – disse Jasper, acrescentando logo a seguir - e durona.

- Só foi verdadeiramente a baixo uma vez. Foi na noite em que fizemos o pacto de sangue. Descobrimos que Emmett e Edward eram adotados, e Alice, num ataque de rebeldia, perguntou aos nossos pais porque é que não nos deram para adoção, já que eles não mostravam gostar de nós. O Charlie exaltou-se e deu-lhe uma bofetada com tanta força que a fez cair no chão e partir um dente. Eu meti-me à frente para ele não lhe bater mais e ele bateu-me também. – Fiz uma pausa e engoli em seco. Tantos anos depois e ainda doía lembrar aquele episódio. - Mandou fechar-nos no quarto sem direito a comer nem beber. Com o sangue do meu lábio rebentado e o da boca dela fizemos o pacto de proteção. Nessa noite fui eu que fiquei a abraçá-la enquanto ela chorava e tremida de raiva.

O Jasper ouviu tudo em silêncio de cara triste.

- Ela não se dá com facilidade, Jasper. Nunca teve um namorado, diz sempre que são todos uns parvalhões egocêntricos, que não servem para defender ninguém. – Acabei de beber o copo de leite. - Por isso, se tens algum interesse por ela e a aceitares, podes ter a certeza que é um contrato vitalício. Se a aceitares para depois a largares podes ter a certeza que vais ter não um, mas dois problemas. “Às irmãs Swan ninguém faz mal ou chama nomes”. Isto, se não contarmos com o apoio de Emmett. Ele é um cordeirinho nas mãos dela e faz tudo o que ela sugere que deve ser feito.

Surpreendentemente ele riu-se aliviado.

- Sei bem o significado de ser protegido e de proteger. A minha história com Rosalie é muito semelhante. Fico feliz por ela, sabendo que tu e o Emmett são seus protetores e fico feliz por mim sabendo que a Alice é assim. – Fez uma pausa muito grande. Quando eu pensava que ele já não dizia mais nada ele murmurou: - Gosto muito dela.

- Estás feito. A tua vida não vai voltar a ser a mesma.

Rimo-nos os dois. Percebi naquele instante que Jasper não demoraria a fazer parte da família afetiva que eu delineara para mim.

Os dias seguintes foram felizes. Entreguei o meu trabalho dentro do prazo, consegui telefonar a Edward para lhe agradecer o gesto, agradeci a Carlisle também, passei dois dias em S. Francisco com Alice e Jasper. Conversámos muito, passeámos bastante e divertimo-nos muito.

Foi mais um passo para a minha reconstrução.

Obrigada, Alice.

Obrigada, Jasper.

Obrigada, Edward.

publicado por Twihistorias às 12:09

26
Jul 13

Cap.38 - Alex

- Alex! – Gritei ao vê-lo sair pela porta das chegadas.

Ele parou e sorriu ao reconhecer-nos. Fiz-lhe sinal que íamos ter com ele ao fim do corredor.

Quando estávamos a chegar perto, olhei para Kristen que sorriu e me incitou a ir em frente.

Corri até alcançar Alex, que largou as malas e me abraçou forte.

- Alex! Que saudades! – Exclamei em português, como quase sempre nos falávamos.

- Muitas saudades mesmo! Mas diz-me, como é que tu estás? Quase me mataste de preocupação Anna!

- Desculpa! Estou a aguentar-me... Mas é melhor não falarmos aqui.

Separámo-nos quando Kristen nos alcançou. Alex puxou-a para os seus braços e deram um beijo digno de filme.

Limpei a garganta, fingindo tossir.

- Ai! É impressão minha, ou de repente ficou muito calor aqui? – Não resisti a meter-me com eles. Abanei-me, perdida de riso.

- O que foi minha ciumenta? – Brincou Alex, puxando-me para um meio abraço.

- Deixa Alex. É justo! Eu fazia-lhe exactamente a mesma coisa quando nos conhecemos.

- Desculpa que te diga, mas eras um bocadinho pior. Lembras-te quando decidiste fingir que seguravas a vela e te estavas a queimar?

- Pois foi, que infantilidade!

Rimos a bom rir.

Alex agarrou as malas, recusando a nossa ajuda e Kristen deu-me o braço e começou a tagarelar sobre os planos que tinha para esta semana, até chegarmos ao carro.

Os dias que Alex passou connosco em Los Angeles passaram a correr, mas divertimo-nos imenso os três.

Como tanto eu, como eles estávamos numa de não dar nas vistas, juntávamo-nos ora em minha casa, ora na casa de Kristen e fazíamos a festa.

Aquele casalinho, apesar de estar completamente “in love” e parecerem dois adolescentes, não me pôs de parte nem um dia que fosse. Passaram a semana inteira a convidar-me para isto e para aquilo.

- Bem meninos, está na hora de eu ir pra casa!

- Já? – Exclamaram em uníssono.

- Sim, já é tarde. Não quero adormecer no vosso sofá como ontem. Além disso, a Annie deve estar cansada e vocês devem ter mais coisas pra fazer, não?

Entreolharam-se com ar divertido.

- Hum... Não. Ainda vamos ver o filme! – Acabou por responder Alex.

Cruzei os braços com cara de dúvida.

- Bem, se queres mesmo ir, eu levo-te!

- Sim, se não te importares...

Despedimo-nos de Kristen e encaminhámo-nos para o elevador.

- De certeza que não está a ser aborrecido para vocês?

- Aborrecido? O quê?

- Oh... Tu sabes! Eu estar sempre convosco! Afinal vocês ficam a maior parte do tempo separados e quando podiam estar juntos, eu venho atrapalhar!

- Oh... Deixa de ser tonta! Se estivesses a atrapalhar alguma coisa, nem te convidávamos! E nem era preciso sermos indelicados, bastava dizer que tínhamos planos. Conhecendo-te como te conheço, fugirias de nós a sete pés!

- Obrigada Alex!

- O que estás a fazer? Não vais começar a chorar, pois não?

Encolhi os ombros.

- Nem sei como te agradecer, a ti e à Kristen... Vocês têm sido...

- Hei! Não é nada demais. Ambos somos teus amigos e estamos tão preocupados como tu!

- Eu não sei o que a Kristen te contou, mas...

- Por favor! Tu não achas mesmo que ele te abandonou, pois não?

- Eu não sei...

- Desculpa que te diga, mas agora estás a ser um bocado estúpida! – Disse ele, dirigindo-se ao carro.

- Ai eu agora é que sou estúpida? Desculpa lá, mas não foi a ti que ele... – Enterrei-me no lugar do pendura.

- Pois não, foi a ti! Mas pensa... Ele até te podia querer deixar, mas daí a desaparecer sem avisar ninguém? Pelo que eu ouvi dizer, ele andava a ser ameaçado...

- O quê?

- Andas mesmo a Leste, não andas? Ouviste alguma coisa daquilo que a Lizzie te tentou dizer a semana passada?

- Bem, eu...

- Proibiste-a de continuar a tocar nesse assunto, eu sei. Ela disse-me. Ligou-me preocupada com o facto de lhe teres dito que ele já não significava nada para ti. E, no entanto, ainda nem a aliança conseguiste tirar.

Ia abrir a boca para responder, mas ele continuou, interrompendo-me.

- Eu não acredito que o Robert te deixou, e tu também não! Há muita coisa estranha nisto. Eu sei que só te queres proteger e estás magoada, mas vejo nos teus olhos que ainda o amas, por isso não te serve de nada negar.

- Então não percebo... – Disse, sentindo uma lágrima escorrer-me teimosamente pela face. – Se houve algum problema, porque é que ele não me contou? E se... Achas que as ameaças podiam ser por minha causa?

- Isso não sei... Mas tu já foste ameaçada por causa dele, por isso não era inédito!

- Sim, mas... De onde saiu essa ideia de ele andar a ser ameaçado? Vocês não estão a tentar animar-me com isso, pois não?

- Bolas, até me ofendes! Nunca te menti... Bem, vou fingir que nem ouvi. E respondendo à tua questão, ele falou disso ao Tom. Parece que andava constantemente a receber mensagens.

- Oh meu Deus! – Exclamei. – As janelas e as portas trancadas a toda a hora... Como é que eu não percebi? Achei que ele estava a ficar paranóico com os paparazzi, nunca imaginei...Fui tão injusta com ele!

- Tem calma... Também não podias imaginar. Como tu própria disseste, ele não falou contigo.

- E o que é que eu faço agora? Onde é que ele estará? Será que lhe aconteceu alguma coisa? Só espero que ele não...

- As más notícias sabem-se depressa... Bem, chegámos!

- Sim. Talvez tenhas razão... Tenho de pensar. Obrigada Alex! Não sei que faria sem ti!

Dei-lhe um abraço e saí do carro. Ele esperou que entrasse no prédio antes de arrancar.

Quando cheguei, tanto os meus filhos, como a Annie já dormiam. Tomei um duche rápido e enfiei-me na cama. O sono depressa chegou, mas os sonhos atormentaram-me toda a noite.

publicado por Twihistorias às 18:00

23
Jul 13

Capítulo 15

O primeiro beijo

Eu cavalguei em direção ao parque, logo após eu ter acordado e me arrumado. Eu precisava dizer todas as respostas a Edward.

Quando lá cheguei, Edward estava sobre o carvalho, o mesmo de ontem, eu desci do cavalo e ele se levantou me ajudando a descer.

- Oi. - eu disse, o sorriso estampado em meu rosto.

-Oi. - ele respondeu, sorrindo.- Eu senti sua falta.- ele confessou.

- Eu tambem senti sua falta. - como é possível estar longe de alguém por apenas algumas horas e sentir saudade?

-Eu tenho respostas para as suas perguntas. - eu disse, indo direto ao assunto.

- Fale e eu estarei lhe ouvindo. - ele disse, com seriedade.

- Eu não vou enrolar, já perdi tempo demais da minha vida, o que eu lhe disser agora parece tão impulsivo, mas é a verdade. - eu dei uma pausa e respirei fundo.- Eu sinto que eu amo, eu sei o que eu amo.Eu sei que não o conheço a tanto tempo, mas é como me sinto.Mas eu não posso enganar a mim mesma.O que sente por mim?Você me ama?- eu lhe dei um ultimato.

- Se eu a amo?Eu te amo, Isabella Swan. Como poderia não amá-la?Sua pele é branca como a neve, e macia como as penas de uma ave exótica, seus cabelos são como seda, como se cada fio foi cuidadosamente desenhado, sua voz é como um canto de um pássaro, hipnótico, sua beleza causa inveja até mesmo em Afrodite. Seus olhos são escuros, e igualmente claros a minha visão, por que através deles eu posso ver um coração, que acima de tudo é puro. Como poderia não amá-la?Sou humano demais para não amar um anjo.

Suas palavras foram as mais belas que alguém já me disse, eu me joguei em seus braços e o abracei e ele me abraçou em resposta. Eu senti o amor que irradiava dele, me esquenta, esquentar meu coração.

- Eu tenho de ser honesta com você, Edward. Eu não sou um coração moldável, eu sou um coração ferido, um coração que não poderá apagar o passado para viver um futuro pleno.

- Eu não me importo. Desde que era pequeno, eu sonhava com o dia em que casaríamos, teríamos filhos, seriamos uma família, viveríamos juntos até a hora de nossa morte.- o seu sonho, durante alguns segundos, passou a ser o meu sonho.

- Eu não posso lhe proporcionar isso, eu sou viúva Edward, não vou poder me casar com você, não poderemos viver juntos para sempre. Eu só lhe disse que te amo para que soubesse, mas não existe futuro para nós.

- Porque não existe futuro?Somos jovens e nós amamos nada poderá ser contra nós.

- Eu não posso fazer isso, Edward. Eu não posso te prometer algo que não posso cumprir.Eu não lhe posso prometer um futuro feliz, quando o meu destino é ser infeliz.- eu coloquei a mão no seu rosto, tentando lhe reconfortar.Eu pensei que ele teria raiva de mim e tiraria a minha Mao de seu rosto.Era o certo que ele fizesse, eu estava destruindo o seu futuro.

Ele colocou a Mao no meu rosto, meu quente se aqueceu com esse pequeno ato, ele abaixou a cabeça no intuito de beijar.

- Não podemos fazer isso, Edward. - eu sussurrei.

- Shhhh. - ele me silenciou, seu lábios tocaram os meus e meu corpo ferveu.Seus lábios eram macios e mornos.Eu movi meus lábios, temerosa, ele me acompanhou.

Uma de suas mãos foram em direção aos meus cabelos soltos e a outra foi para minha cintura, aproximando nossos corpos. Eu coloquei minhas mãos em seu pescoço, mantendo nossos corpos ainda mais juntos, como se eu quisesse que nos fundíssemos.

Eu movia meus lábios de forma lenta, sem saber o certo o que fazer. Aquele era o primeiro beijo perfeito, com o mais perfeito dos homens.Eu esqueci de tudo ao meu redor me concentrando apenas em nós.

Eu entreabri meus lábios, sentindo seu gosto em minha língua, ele passou a língua pelos meus lábios entre abertos e eu me afastei, não permitindo que aquilo fosse longe demais.

Eu estava arfando quando disse:

- O que fizemos é errado.

- Por que é errado?Nós amamos e estamos demonstrando isto um ao outro. - ele se defendeu.

E eu sabia que ele estava certo. Nada do que fizemos é errado, se olharmos pela ótica do amor.

- Edward você é jovem, deveria estar procurando uma esposa para construir sua família, já eu estou destinada a viver uma vida triste e solitária. Eu estou destruindo o seu futuro.- eu disse, chorando, eu era idiota, eu estava dando adeus a minha felicidade.

Ele me abraçou, seu abraço era reconfortante. Ele sussurrou em meu ouvido:

- Você não está destruindo meu futuro, você o está construindo. - ele me puxou em seus braços e eu me sentei, sobre o carvalho, no meio de suas pernas.Seus braços em torno do meu corpo.

E pelas próximas horas eu esqueci que o que estava fazendo era errado. Eu esqueci do mundo ao meu redor.Tudo era apenas eu e Edward.Eu esqueci que tinha uma vida infeliz, esqueci que Jacob morreu e deixou meu coração sangrando.

Minha mente se concentrou apenas em mim e em Edward e naquele pequeno momento de felicidade, entre tantos momentos de tristeza.

Capítulo 16

Vivendo um amor, sentindo a felicidade

Eu estava vivendo um momento de felicidade. Um momento, onde o resquício de esperança existente em meu peito parecia existir, como nunca existiu.Eu sabia que toda essa mudança repentina, tinha um nome:Edward.

Ele foi capaz de me transformar em poucos dias, e capaz de deixar em mim a felicidade que eu sempre sonhei viver ao lado de Jacob.

E era esse o problema. Jacob ainda parecia ter uma grande parte de minha  mente, uma grande parte do meu coração.Eu queria por um momento esquecer todos os planos que construí com Jacob.O futuro estava ai, sobre meus olhos, e eu queria viver esse futuro ao lado de Edward.

Mas algo em impedia de seguir esse futuro. Algo em mantinha presa aos sonhos com Jacob, as pessoas que não se importavam comigo, algo me mantinha presa a Isabella fria que eu fui.Era os resquícios da barreira que eu havia construído a quase um ano atrás.

Eu queria me livrar da barreira. A barreira que eu havia construído para me livrar da dor, eu não precisava mais dela.Daqui pra frente, eu construiria um novo futuro, o futuro que eu mereço.

Eu deixava que esses pensamentos preocupantes invadissem minha mente, quando eu não estava perto de Edward. Eu não estragaria os pequenos momentos que víamos juntos com isso.Sempre nos encontrávamos no parque, as escondidas- e eu odiava isso. Trocávamos juras de amor, juras eternas a tudo. Juras inquebráveis. Edward me beijava, beijos castos, mas que tinham o poder de fazer meu corpo ferver.

Com o tempo, os dias se passando, eu percebi que não nutria apenas amor e carinho por Edward. Existia uma paixão, uma paixão avassaladora, que fazia meu corpo desejar o corpo dele de formas que me eram desconhecidas.

Era tarde, o céu estava azul e com poucas nuvens, o sol brilhava glorioso, e o vento soprava na primavera. Estávamos sobre os galhos do carvalho, eu estava no meio das pernas de Edward e seus braços me abraçavam. Não falamos nada, apenas fitávamos o horizonte, e desfrutávamos do calor de nossos corpos próximos.

- Eu te amo. - ele sussurrou em meu ouvido, a sua voz de anjo pareceu aquecer meu corpo.Eu me sentia protegida e amada.

- Eu te amo. - eu sussurrei, fitando seu rosto.Seus olhos verdes brilhantes me olhavam como se eu fosse a coisa mais preciosa em seu mundo.

-Sabe com o que eu sonho todos os dias?- ele perguntou.

- Não. O que você sonha?- eu perguntei, de volta, curiosa.

- Eu quero que um dia nos mudemos daqui, nos casemos, tenhamos muitos filhos e envelheceremos juntos. - ele disse, simplesmente. Sua voz calma e tranquila.

Eu pude sonhar o mesmo que ele e desejei que esse sonho se concretizasse. Que um dia nós pudéssemos nos casar viver juntos cercados de filhos. E eu envelheceria ao seu lado, nossos dedos enrugados entrelaçados sobre uma cama, e daríamos nosso ultimo suspiro, dando adeus à vida.

Mas como eu faria isso, se eu não podia me casar novamente?

E então de repente, num flash de memória, eu me lembrei. Eu tinha me casado com Jacob, de acordo com as leis dos homens e de acordo com as leis de Deus,mas nós não consumamos o nosso casamento; nos vivíamos juntos, deitávamos no mesmo leito, mas não trocamos nem se quer um beijo, quanto mais nos entregarmos aos desejos do nossos corpos.

Uma esperança surgiu em meu peito, se houvesse uma possibilidade de eu e Edward estarmos juntos, para sempre. Eu faria tudo que estivesse ao meu alcance para que isso acontecesse.

- E se eu lhe disser que existe uma possibilidade disso acontecer. - eu disse, a minha voz estava esperançosa.

- Como você vai fazer isso? Você já foi casada, e não poderá se casar novamente. - eu podia perceber um pouco da felicidade que estava surgindo nele, apenas na idéia de se casar comigo.

-Eu não lhe contei toda a historia da minha vida. Não é uma historia bela, eu sofri muito Edward, apesar de tão jovem. -eu fiz uma pausa e respirei fundo.-Eu nunca tive uma família, minha mãe mal cuidava de mim. Ela só tinha olhos para meu pai, toda a sua atenção e o seu tempo para ele. Meu pai vivia para os negócios, eu só tinha a Jacob e a Isabel. Jacob era meu vizinho, eu pulava o muro para vê-lo. Eu o amava tanto, Edward. - eu suspirei, lembrando dos momentos felizes que vivi. Quando eu fiquei com dezesseis anos, meus resolveram que eu tinha que me casar. Eu conheci alguns rapazes, mas nenhum deles me chamava atenção. Um dia, Jacob resolve se casar comigo, como uma forma de me salvar da pressão que meus pais faziam sobre mim. Nós nos casamos e eu sabia que Jacob era apaixonado por mim, mas mesmo assim, ele me respeitou, não trocávamos nenhum um beijo se quer. E acabou que ele se foi, e eu não tive tempo de ama-lo.

- Eu sinto muito. - ele disse com a voz sentida.

E eu não retruquei, sabendo que suas palavras eram verdadeiras. Eu sabia que Edward não sentia ciúme de mim com Jacob-apesar de ter sido a muito tempo. Ele sabia que Jacob era uma parte do meu passado e que sempre faria parte da minha vida.

-Eu tenho um plano. - eu disse, voltando sua atenção ao inicio da conversa.-Eu irei falar com o padre, e pedir que ele nós abençoe e iremos fugir para qualquer lugar. E viveremos finalmente a nossa vida juntos.

- Você tem certeza disso?- ele me perguntou, me dando a ultima chance de mudar de ideia.

-Tenho. Eu não posso viver mais um segundo que seja sem você, minha família não significa nada para mim. - eu disse, fitando seus olhos verdes.

- Eu não valho tudo isso. - ele disse, me olhando enquanto seus dedos passavam suavemente em meu rosto.

- Você valhe muito mais. Você é minha vida, Edward. - eu disse.

Ele me beijou, fitou meus olhos e disse:

-Isabella Swan, você aceita se casar comigo?- ele perguntou, serio.

-Aceito. - eu respondi, sem hesitar. Ele pegou minha mão, e beijo a ponta de cada um dos meus dedos. Então ele me beijou, seus lábios se moviam lentamente sobre os meus.

-Me prometa algo?- ele me pediu contra os meus lábios.

-Tudo o que você quiser.

-Tente conversar com seus pais, tenho certeza que eles irão te entender. - ele pediu gentilmente, sua voz serena e tranquila.

-Não, eles não se importam comigo, Edward. Eu já tomei minha decisão, irei falar com o Padre logo amanha, irei pedir a benção dele para nós e iremos fugir, para vivermos em paz.

-Espero que não se arrependa. - ele disse.

-Nunca. – eu respondi, selando com aquela palavra outro momento da minha vida.

publicado por Twihistorias às 18:00

19
Jul 13

- 6 -

E

Deambulei, errante pelo parque, procurando sentido para tudo o que tinha acontecido na minha vida. Estava perdido, sem conseguir ver um caminho por onde ir. Num minuto estava a viver o melhor momento da minha vida e no minuto seguinte vivia um pesadelo horripilante. Era difícil acreditar que a vida me tinha pregado uma partida tão grande.

Finalmente tinha conseguido falar com Bella. Desde aquela noite deplorável que não falava com ela, primeiro por causa da minha saída apressada de Itália e depois porque ela se recusou a atender os meus telefonemas. Foi preciso recorrer a Alice para ouvir a sua voz.

Bella estava muito magoada, magoada com a mãe, com o pai, com a Esme, provavelmente até com Carlisle… Magoada comigo. Muito magoada comigo. Percebi a sua dor ao ouvir tudo o que ela desferiu ao telefone. Se tinha dito coisas injustas havia muita razão nas suas queixas.

De certa forma eu duvidei do nosso amor ao deixar-me convencer pelos argumentos que as nossas mães utilizaram para, supostamente, me fazerem ver a situação com clareza. E, por isso mesmo, fiz aquilo que lhe tinha prometido não fazer: deixá-la. Sim, nestes dois pontos ela tinha toda a razão para ficar zangada comigo. Onde a razão dela se perdia era no acreditar que eu não a tinha defendido. Tudo o que fiz foi a pensar no melhor para ela, tentando preservá-la de mais sofrimento.

Embora reconhecesse que ela tinha todo o direito a sentir-se traída pelas más influências e decisões, fiquei muito desiludido por ela estar a fazer aquilo de que me acusava. Ao não me dar hipótese de me explicar perante ela, Bella duvidava também dos meus sentimentos. Estava furioso por tê-la perdido. Estava furioso comigo. Se eu tivesse sido mais homem, se me tivesse revoltado contra a família e a tivesse resgatado daquele quarto… Se eu a tivesse trazido comigo. Se… eu não tivesse tido medo de não aguentar com as consequências. Se…

Revivi aqueles momentos que decidiram o meu tenebroso futuro.

Depois de sair do quarto de Bella, desci para procurar Carlisle e encontrei-o no alpendre. Fiquei todo arrepiado e a tremer, talvez pelo nervosismo ou talvez pelo frio que se fazia sentir àquela hora da noite. Caminhei até ele e sentei-me numa cadeira ao seu lado. Sem se virar para olhar para mim, o meu pai começou a falar.

- Edward, a vossa situação é complicada. Não julgues que não compreendo a tua relação com Bella, mas tens que perceber que, de uma maneira estranha, aquilo que Renée e Esme defendem também faz sentido.

- O que é que eu posso fazer, pai?

- Tens que dar tempo ao tempo. A tua mãe e a Renée vão acabar por aceitar, mas não agora.

- Pai, eu não posso deixar a Bella assim. Como é que se adiam sentimentos destes? - A agonia estava patente na minha voz.

- Pensando no que é melhor para vocês a longo prazo. A vossa relação tem quanto tempo? Podem levar as coisas com calma, não precisam de ser tão precipitados. Já pensaste que o que sentem um pelo outro pode não passar de uma paixão efémera?

- Eu espero por ela há anos. – Desesperado, esfreguei a cara com as duas mãos. - Descobri que a amo há seis anos mas na verdade acho que sempre estive apaixonado por ela. Ela teve sempre um significado enorme para mim, foi sempre o centro da minha atenção.

- Vais ter que ser forte. Neste momento não me parece uma atitude assertiva lutar abertamente com as vossas mães. Conversem sobre o assunto e decidam o que for melhor para todos.

As lágrimas começaram a cair pelo meu rosto, num choro silencioso. Carlisle manteve-se a meu lado sem proferir nada, voltando-se para trás apenas quando se ouviu a chegada de alguém.

- Aqui estás tu, meu sacana. Estás a chorar?

- Então, Charlie? Nada te dá o direito de chamares isso do meu filho. – Carlisle falava com calma mas seriamente.

- Desrespeitou a minha filha. Achas que isso é correto? – A voz de Charlie denotava frieza e despeito.

- Foi consentido. Eles estão os dois juntos, conscientemente. A paixão leva as pessoas a terem comportamentos por vezes difíceis de aceitar. Tu sabes isso melhor do que ninguém.

Charlie remexeu-se desconfortável e soprou com fúria.

- Estás a insinuar alguma coisa? Tu és tão culpado quanto elas. Sempre aceitaste esta porcaria de família tão virtuosa mas tão pouco família. Isto mais parece uma irmandade forjada e obtusa. Se lhes tivessem dado uma educação como deve ser nada disto teria acontecido. Criaram filhos que se tornaram umas verdadeiras aberrações.

- Desde quando o amor verdadeiro é uma aberração? – Falei em baixo tom ainda com a voz embargada.

- Amor verdadeiro? O que sabes tu disso? Vives à custa do papá e não fazes nada para merecer o que te oferecem. – Charlie inclinou-se para mim e apertou-me o braço com força. – Se deixares de ser financiado fazes o quê? Pensas que a vida é um mar de rosas mas estás bem enganado. Pensas que és homem mas não passas de um menino de fraldas.

- Vamos ter calma. Charlie, estás a ser injusto. O Edward foi sempre muito responsável e um aluno exemplar. Dentro de um par de anos é médico formado e independente. Além do mais sabes que ele poderia ser financeiramente independente. O fundo que fui construindo tanto para ele como para o Emmett está à disposição deles. Se eles não o usam só revela que estão conscientes da vida e do mundo que os rodeia.

- Tu e a tua mania das diplomacias capciosas. Até agora as coisas foram sempre como vocês quiseram mas desta vez eu tenho uma palavra a dizer. – Dizendo isto, Charlie largou-me o braço, virou costas e foi para dentro.

- Vamos entrar também, Edward, está muito frio aqui. Na sala estamos melhor. Lá falaremos todos e encontraremos a melhor solução.

Seguimos para a sala e, ao passar pela cozinha, o meu pai chamou a minha mãe e a Renée. A Alice e o Emmett, vinham a descer as escadas e acomodaram-se também nos mesmos lugares do dia anterior. Achei que devia falar primeiro e dizer o que tinha decidido.

- Gostaria que me ouvissem com atenção. O que disser aqui e agora não mais irei repetir. – Fiz uma pausa para que todos percebessem a importância do que se seguiria. – Eu e Bella estamos juntos, não por uma paixão de crianças mas porque os sentimentos que nos unem são verdadeiros e intransponíveis. Somos ambos jovens mas não somos irresponsáveis. A invasão da nossa privacidade foi muito além de uma entrada no quarto num momento de entrega. – Olhei para os adultos, a quem Aro se tinha acabado de juntar. – Vocês fizeram juízos de valor e condenações, olhando apenas para as vossas necessidades e idiossincrasias. Ainda não conseguiram perceber que estão a falar de duas pessoas que, tal como vocês, têm sentimentos e ideias próprias. Na base de uma atitude prepotente estão a destruir o que, se fosse encarado naturalmente, como deveria ser, seria um acontecimento feliz. Eu não posso permitir que a vossa mesquinhez me arraste para a lama. Eu amo a Bella e, se ela me quiser, vamos continuar juntos, quer vocês queiram ou não.

- Lindo discurso. Aprendeste com o papá? És um ignorante. Como pensas viver com ela? Pagas-lhe os estudos? Compras uma casa? Continuas o teu curso como? A vida não é assim tão fácil. E a Bella ainda não tem dezoito anos. Se a levares estás a incorrer no crime de rapto e eu chamo a polícia e mando prender-te. – Charlie destilava veneno. Lançando um olhar de ódio a Carlisle, sorriu perversamente. – Não há poderes suficientes para me impedir de o fazer… nem por parte da embaixada. Além disso dá-te por muito feliz por eu não te indiciar por abuso de uma menor.

A discussão continuou mas eu parei por ali. Nunca ponderei esta possibilidade. Charlie estava certo numa coisa: eu estava nas mãos dele. E agora o que faria? Faltavam apenas oito semanas para Bella completar os dezoito anos. Teria que arranjar maneira de manter as coisas até lá, para depois poder tomar uma atitude mais radical. Tudo isto se ela aceitasse ficar comigo. O que eu também não sabia. Pensa Edward, pensa.

Estava perdido neste raciocínio quando Bella chegou à sala e se sentou, com a ajuda de
Aro, no outro extremo da área de estar. O sofrimento dela era como o meu, de tão visível quase se tornava palpável.

O confronto familiar continuou entre a irredutibilidade de Renée e Esme e a crueldade de Charlie. Sentia-me completamente subjugado pela enorme pressão psicológica causada pelas ameaças de Charlie.

Quando a discussão terminou, Alice levou Bella para cima. Eu levantei-me para ir atrás dela. Tínhamos muito que falar e eu precisava de senti-la junto a mim e saber que ela estava bem.

- Edward, fica mais um pouco. Não tomes nenhuma decisão precipitada, a tua vida está em jogo. – O meu pai aproximou-se de mim e numa voz suficientemente baixa para ninguém mais além de mim ouvir, acrescentou: - Se fores agora ter com ela, vais dar muito nas vistas. Espera um bocado antes de o fazeres.

Eu dirigi-me à porta das traseiras para procurar um pouco de calma no relento da noite, sendo seguido por Emmett.

- Esta família é inacreditável. – Gritou ele batendo a porta com estrondo. – Tantos anos de “o que nos une são os sentimentos” para agora pegarem em princípios sem fundamento e destruírem tudo. – Quando me alcançou, Emmett colocou uma mão no meu ombro direito, em jeito de apoio. - O que vais fazer, meu irmão?

- Não sei, Em. A minha cabeça está um caos. Apetecia-me fugir com ela daqui para fora e nunca mais voltar.

- Não podes fazer isso, mano. O Charlie está cego, é bem capaz de fazer o que ameaçou fazer.

Ficámos ali a conversar e a maldizer a falta de sensibilidade e de bom senso dos nossos pais, na tentativa de encontrar uma solução, mas a única conclusão a que chegámos foi que, antes de Bella ter dezoito anos, nada poderia fazer. Mais tarde, ela poderia ir para Boston estudar. Ficaria em casa de Emmett até eu arranjar uma casa para vivermos.

Rosalie veio ter connosco de olhos vermelhos, dizendo que não conseguia ficar mais dentro de casa porque Bella chorava e gritava tanto que era doloroso ouvir.

Com uma dor enorme no peito, subi até ao meu quarto à procura de uns calmantes e fui ao quarto dela para lhos dar. Alice abriu a porta, recebeu os comprimidos e voltou a fechá-la, não me deixando entrar. Os soluços e o choro de Bella eram audíveis em toda aquela ala da casa. Encostei-me à porta e fiquei ali à espera que Alice me permitisse vê-la. Com o tempo o choro parou e a minha inquietação foi acalmando. Quando Alice abriu a porta e saiu, disse-me apenas para a chamar quando saísse e para não deixar entrar mais ninguém.

Bella dormia num sono inquieto apesar dos medicamentos. Tinha o rosto distorcido pelo choro contínuo, e o cabelo todo emaranhado. Deitei-me na cama ao seu lado e puxei-a para mim, aconchegando-a nos meus braços. Agarrado a ela permiti-me desabar e chorar também. Passei a mão nos seus cabelos e no seu rosto carinhosamente, de um modo que eu não sabia ser capaz, talvez aguçado pelo profundo desespero de a perder. Inalando o seu cheiro e sentindo o seu calor acabei por adormecer.

Acordei já de manhã, com Alice a bater na porta e a chamar-me baixinho. Levantei-me com cuidado para não acordar a minha linda e abri a porta a Alice. Ela trazia dois copos de leite morno e, sentando-se na beira da cama, deu-me um deles sem dizer nada. Eu agradeci com um ligeiro movimento de cabeça e levei o copo à boca.

- As mães querem falar contigo. Estão na cozinha à tua espera, – disse ela quando eu terminei de beber o leite. – Decidas o que decidires, não desistas da minha irmã. Ela ama-te demasiado e há muito tempo, para merecer perder-te.

- Não vou desistir nunca. Não imagino a minha vida sem ela.

Dei um beijo na testa de Bella, outro em Alice e saí do quarto.

Esme e Renée calaram-se quando entrei na cozinha. Parei a uma certa distância delas e cruzando os braços esperei que me dissessem o que tinham a dizer.

- Filho, não preferes sentar-te aqui? – Eu abanei a cabeça, negando o convite da minha mãe. – Edward, estive a pensar em tudo o que se passou e acho que o melhor seria voltares a Massachusetts.

A minha mãe ficou à espera que eu dissesse alguma coisa mas eu não queria dizer nada sem primeiro ouvir tudo o que ela tinha para me dizer.

- Querido, precisas de ver a situação com clareza e aqui isso torna-se muito complicado. – Esme fez uma nova pausa antes de continuar. – Tens que perceber que, neste momento, a tua presença aqui, prejudica mais do que ajuda.

Franzi a testa surpreendido com este argumento mas nada disse.

- Charlie está muito desorientado e pode cometer uma loucura. A tua insistência em ficar com Bella levou-o a tomar uma atitude extrema, que pode deixar sequelas para sempre na nossa família, especialmente em Bella. Não é isso que pretendes, pois não? – Eu estava chocado demais para dizer o que quer que fosse. - Além disso estás demasiado magoado para manteres a lucidez necessária à resolução deste problema.

- Estás disposto a fazer qualquer sacrifício para proteger Bella? – Perguntou Renée, falando pela primeira vez durante a conversa.

Eu continuava aturdido, sem saber o que pensar. O sentimento de culpa estava a instalar-se rapidamente. A palavra “culpado” desenhava-se na minha mente, como se estivesse a ser escrita a tinta indelével.

- Tomei a liberdade de pedir a Aro que reservasse um bilhete para Boston, em teu nome, para esta noite. – Esme olhava para mim enquanto falava, tentando perceber a minha decisão. – Espero que sejas responsável e que, pelo bem de Bella, te afastes durante um tempo.

Saí dali completamente desorientado e arrastei-me para o meu quarto, fechando a porta à chave. Passei ali parte do dia sempre a pensar em Bella e na decisão que eu teria que tomar. Quando decidi, fui até ao quarto de Bella, que continuava a dormir, e beijei-lhe as mãos e o rosto. Junto ao seu ouvido murmurei que a amava e saí.

Arrumei as minhas coisas e escrevi um bilhete para ela ler quando acordasse. Porém não pude voltar ao seu quarto porque Charlie não me deixou, por isso, optei por deixar-lhe o bilhete no meu, com a esperança que ela o encontrasse, quando lá fosse procurar-me.

Regressei aos Estados Unidos sozinho e miseravelmente infeliz. Tentei muitas vezes falar com Bella, tanto para Bordighera como para Stanford, mas nunca consegui que ela me atendesse. A não ser quando Alice me ajudou com aquela ideia.

Desde o meu regresso, procurei sempre ter notícias dela, acompanhá-la mesmo ao longe e proporcionar-lhe a ajuda necessária. O Charlie não lhe dava dinheiro nenhum porque Bella se recusara a telefonar-lhe, cortando ela mesma, relações com o pai. Tentei enviar-lhe dinheiro através do meu pai mas Carlisle não aceitou e passou a ser ele a pagar-lhe o aluguer da casa, para onde ela fora na Califórnia, as despesas com os estudos na Universidade e tudo o mais que fosse necessário, com excepção das suas despesas pessoais que eram suportadas por Renée.

Perdido nos meus pensamentos e inquietações acabei junto ao rio, sentado num banco. Precisava de arrumar a minha cabeça e resolver de uma vez por todas o caos em que a minha vida se transformara. O curso de medicina era muito exigente e trazia grandes responsabilidades, pelo que eu não podia continuar com a cabeça ausente de tudo o que não estava minimamente relacionado com Bella. Teria que encontrar um equilíbrio satisfatório para não me perder ainda mais e largar a universidade.

Bella faria dezoito anos dali a de três dias. A data que eu tanto ambicionava para a levar para perto de mim. Contudo as coisas estavam diferentes. Já não era o Charlie quem me mantinha afastado, era a própria Bella.

Não podia aceitar que as coisas ficassem por ali, por isso, atravessei o país e no dia do seu aniversário, quando ela abriu a porta de casa, encontrou-me sentado no chão à sua espera.

A sua primeira reação foi dar um passo atrás e voltar a fechar a porta, contudo antes de fechar a porta totalmente, voltou a abri-la e ficou parada a olhar para mim. Estava linda, com uns jeans azul escuros e uma T-shirt vermelha que tinha escrito “eco logical” em letras estilizadas.

- Bom dia, Edward, – disse ainda surpresa.

- Bom dia, love. Queria dar-te os parabéns logo pela manhã. – Levantei-me e estendi-lhe a mão. – Gostava de te convidar para dares um passeio comigo. Dizem que a baía de S. Francisco é muito bonita, dás-me o prazer da tua companhia?

Bella hesitou, voltou a entrar em casa, mas acabou por sair, de casaco e sacola na mão, fechando a porta.

- Vamos? – Disse ela colocando a bolsa a tiracolo.

Sorri meio aparvalhado ainda não acreditando na minha sorte. Estendi o braço para lhe dar a mão mas ela desviou-se ligeiramente recusando a minha oferta. Dirigi-me ao carro que tinha alugado, abrindo-lhe a porta para ela entrar. Antes de colocar o carro em funcionamento, virei-me para ela e entreguei-lhe uma bolsa de cetim azul.

- É a tua prenda de aniversário. Espero que gostes.

Ela segurou o saco e desatou o cordão lentamente. Quando tirou para fora o livro que lá estava dentro, abriu a boca de espanto.

- On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or the Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life By Charles Darwin – leu ela, incrédula.

- É uma edição especial de comemoração dos cem anos da morte de Darwin.

- Meu Deus, Edward! Como conseguiste uma preciosidade destas?

- Já a tenho há algum tempo. Comprei-a de propósito para os teus dezoito anos. – Sorri ao perceber que ela tinha gostado muito do livro. – Como sei que adoras Darwin, não podia deixar escapar esta oportunidade. Ainda bem que gostas.

- Obrigada. Podes apostar que gosto mesmo. – Corou muitíssimo quando, num impulso, me deu um beijo no rosto. Recompôs-se rapidamente e apontando para a estrada disse: - Talvez seja melhor irmos andando.

Fomos andando um pouco ao acaso, à medida que me orientava com o mapa que tinha comprado no aeroporto de San Jose, uma vez que eu não conhecia a região. O facto de não ter dormido muito, dado que o voo de quase sete horas se prolongou por uma parte da noite, também não estava a ajudar nada. A determinada altura, Bella pegou no mapa e foi-me dando indicações da direção que eu deveria seguir pela península. Fomos até à cidade de San Francisco e parámos no alto de uma colina onde se avistava uma grande parte da baía e a Golden Gate. O dia não estava particularmente limpo, o que segundo ela era normalíssimo, mas ainda assim a paisagem era muito agradável. Sentámo-nos a apreciar o momento. Não tínhamos dito praticamente nada um ao outro desde que saímos de sua casa, pela manhã.

- Bella, precisamos de falar. - Ela manteve-se em silêncio, o único indício de que me tinha ouvido foi a sua reação corporal, que se tornou mais rígida. – Preciso que me deixes explicar-te o motivo pelo qual vim embora, para que possas entender que foi para te preservar. De certa forma, foi para te defender das ameaças do teu pai e das…

-Shhhhhh. Eu não tenho pai – interrompeu-me ela, apertando as mãos em punhos bem fechados. – Não digas nada Edward. Agora não, ainda não. Preciso de mais tempo para aceitar a volta de cento e oitenta graus que a minha vida deu. – Fez uma pausa para respirar fundo. – Ainda me é muito doloroso encarar esta nova realidade.

- Amor, eu posso ajudar-te a ultrapassar tudo. Eu ajudo-te a ti e tu ajudas-me a mim. Não consigo ficar sem saber se tu me perdoas.

- Não há nada para perdoar. Fomos ambos vítimas das circunstâncias.

- Isso significa o quê? Vamos ficar bem um com o outro? Vens comigo para Boston? – Não estava nada a gostar do tom de voz dela, parecia desprendido.

- A nossa vida mudou bastante. Tudo o que nos fizeram passar, deixou feridas que ainda não estão cicatrizadas. Precisamos de tempo para ficarmos bem.

- Quando tudo aquilo aconteceu cheguei a pensar em fugir contigo para longe e nunca mais voltar.

- Pára. Não vamos dizer mais nada, hoje. Vamos aproveitar o dia e passear como se fôssemos duas pessoas normais. – Vendo que eu ia dizer alguma coisa, Bella colocou a sua mão nos meus lábios, não me deixando falar. Agarrei a mão dela e, de olhos fechados, aspirei o seu cheiro enquanto sentia a suavidade da sua pele. – Prometo que da próxima vez que nos encontrarmos conversamos sobre o assunto. Vamos aproveitar este momento. Afinal fizeste uma viagem de quantas horas para estares aqui, hoje? Sete? Oito?

- Quase sete horas. – Sorri com a sua mudança de assunto.

-Vês? Vamos aproveitar, está bem? Vais embora quando?

- Amanhã à noite, – disse com esperança que ela me pedisse para ficar mais tempo.

Bella não fez nenhum comentário. Com uma expressão enigmática, deixou-se relaxar parecendo esquecer que a sua mão continuava no meio das minhas. Depois de passar um tempo considerável ela levantou-se, fazendo-me levantar também, e recomeçámos o passeio, desta vez a pé e de mãos dadas.

Não conseguia perceber o que se passava na cabeça dela, mas o facto de ela se sentir confortável na minha companhia era demasiado importante para eu desvalorizar e não aproveitar.

Passámos o resto do dia na cidade sem visitar nada em especial, apenas deambulando pelos parques e andando de cable car. A certa altura ela faz uma alusão a uma viagem pelo vale de Napa, mas não chegámos a ir. Já bastante tarde na noite, com as temperaturas um pouco mais baixas, regressámos a sua casa, fazendo uma única paragem para comer num Burger King. Em frente à sua porta, parei esperando um convite para entrar que não sabia se viria.

- Estás em que hotel?

- Não estou em nenhum. Ainda não procurei, vim do aeroporto diretamente para aqui. Como já era demasiado tarde, acabei por ficar no carro.

Bella ficou pensativa e eu suspendi a respiração.

- Entra. Podes dormir no sofá. É velho e desconfortável mas sempre é melhor que um Ford.

A casa dela era peculiar. Parecia que estava no último dia de mudanças, de tal forma estava vazia. Tinha um sofá decrépito, uma estante baixa com uma dúzia e meia de livros e uma mesa com duas cadeiras diferentes, em cima da qual se encontrava o seu portátil e um livro científico. Ao fundo, havia uma cozinha, aparentemente equipada, com uma bancada de trabalho a separá-la da zona da sala. As paredes da casa tinham cores quentes mas estavam completamente despidas, tal como as janelas. Bella deve ter reparado na minha cara de admiração porque franziu a testa e entrou numa divisão que eu supus ser o ser quarto de dormir. Voltou com uma braçada de roupa de cama.

- Não tenho tempo para ir às compras. E depois sou só eu. A Alice quando me visita é por poucos dias. – Desculpou-se ela.

- Precisas de dinheiro? – Perguntei já a imaginar o que poderia fazer para colmatar essa falha. Se ela permitisse que eu fosse às compras com ela eu poderia pagar tudo o que ela quisesse. – Se precisares de companhia para ir às compras, podemos fazê-lo amanhã.

- Não obrigada. Eu tenho o essencial. – O tom que usou era perentório, não deixando margem para contrapor. – Pareces cansado, tens que dormir. Tens aqui lençóis, uma almofada e um saco cama que serve de cobertor.

- Obrigado, love.

- Se preferires dormir no chão, tens aqui material que podes utilizar. - Foi dizendo ela enquanto abria um armário embutido, no qual eu não tinha reparado por ter as portas pintadas da mesma cor da parede. Do seu interior retirou uma mochila de campista que tinha preso um colchão enrolado. A mochila revelava algum uso e estava bem apetrechada.

- Tens acampado ultimamente? – Perguntei curioso.

- Algumas vezes. Esta zona da Califórnia tem muitos microclimas o que suporta uma enorme biodiversidade. Stanford fomenta muito a investigação. Mas agora, talvez seja melhor dormires, mal te aguentas de pé. Queres beber um chá ou um leite quente antes de dormir?

- Não, obrigada, love. Estou realmente cansado.

- A casa de banho é por aquela porta, à direita. Não te assustes com o tamanho. Precisas de alguma coisa mais? – Eu dei-lhe um sorriso apenas. – Nesse caso até amanhã, Edward. Dorme bem.

Virou as costas e foi pela porta que me tinha indicado. Estiquei os lençóis e, na procura pela casa de banho, entrei num hall espaçoso que possuía três portas. Abri a porta mais à direita e entrei na casa de banho que era quase tão grande como a sala. Tinha uma janela enorme desde o teto até a meio metro do chão, que estava tapada com um enorme pano branco preso por dois pregos e um fio.

Acordei cedo na manhã seguinte por causa da claridade. Demorei dois segundos a perceber onde estava levantando-me de seguida enrolado no lençol. Cheirava a café mas não havia sinal de Bella. Fui até ao hall interior e, pela porta entreaberta, vi que a sua cama estava vazia. Cheio de curiosidade abri um pouco mais a porta e observei o seu quarto. Além da cama, havia um longo cabide com rodas e um sofá velho, idêntico ao da sala, ao lado da cama estavam três malas empilhadas que serviam de mesa de apoio. Em cima delas estavam três livros, a bolsa com o livro que lhe tinha oferecido e uma foto dela com Alice. Ouvi a porta de entrada a abrir e, procurando deixar tudo como estava, entrei na casa de banho para fazer a minha higiene diária.

- Bom dia, love. – Disse-lhe quando voltei para a sala já vestido e calçado.

- Bom dia. Fui comprar muffins para o pequeno-almoço, comprei também pãezinhos com queijo. Há leite, café, sumo de laranja, cereais e torradas. O que preferes?

- Normalmente passo com cereais e leite, mas havendo pãezinhos com queijo na ementa, não resisto.

- Eu vou acompanhar os meus com sumo multivitaminado, Bebes o mesmo?

- Sim, se fazes favor. Um café também pode ser.

Tomámos o pequeno-almoço relaxadamente, como se fosse um ato habitual nas nossas vidas. Quando estávamos a arrumar as coisas o meu telefone tocou.

- Bom dia Emmett. Precisas de alguma coisa?

- Bom dia mano, estou a interromper as tuas aulas? Preciso falar contigo.

- Não estou nas aulas, podes falar.

- Ontem a Bella fez anos, eu tentei telefonar-lhe mas ela não atendeu. Contudo, hoje a Alice ligou-me muito preocupada porque a irmã também não atendeu os telefonemas dela. – Emmett fez uma pausa como se ponderasse dizer o que queria. – Olha, acabei por ficar preocupado também. Não te queria preocupar mas… A Alice queria ir à Califórnia ver como está a irmã mas acontece que tem uns trabalhos para entregar no final da semana e não pode sair de Nova York. Pediu-me para ir lá eu. Não sei o que fazer. Diz-me a tua opinião.

Emmett mostrava-se pouco à vontade por me estar a ligar para falar desta situação. Ri-me do seu nervosismo, sabendo que teria que lhe dizer onde estava.

- Emmett, não fiques preocupado, a Bella está bem.

- Pois, é claro que está. Mas a Alice… Espera aí, como é que tu sabes? Ela atendeu o teu telefonema? Não. Não me digas que…

- Sim, eu estou na Califórnia em casa dela.

- Como?... – Imaginei que estivessem a passar mil e uma coisas pela cabeça do meu irmão. - Deixa lá, quando chegares quero que me contes tudo. Tenho que telefonar à Alice. Fica bem e dá-lhe um beijo de parabéns por mim.

- Xau, Em.

Suspirei enquanto colocava o telefone no bolso. Porque será que Bella não atendeu o telefone? Realmente não o tinha ouvido tocar nenhuma vez no dia anterior. Aproximei-me dela, peguei-lhe nas mãos e dei-lhe dois beijos na face.

- O Emmett pediu-me para te dar um beijo de parabéns. – Ela encarou-me com uma expressão de culpa, sem dizer nada. – O segundo beijo é meu. Na verdade houve um erro em tudo isto. - Vi-a empalidecer. Inclinei-me novamente e encostei os meus lábios aos dela. – O meu beijo era este. – Acrescentei numa voz enrouquecida.

Bella corou e mordeu o seu lábio inferior. Este seu gesto inconsciente era sinal do seu nervosismo.

- A tua irmã está preocupada contigo, devias telefonar-lhe. Ontem não atendeste o telefone nenhuma vez. Porquê, Bella?

- Não queria falar com ninguém. Tinha planeado passar o dia fora. Precisava de tentar esquecer tudo por um dia. – Os seus olhos estavam tristes. – Tu apareceste e eu pude fingir que estava tudo normal.

- Existem pessoas que se preocupam contigo.

- Vou telefonar-lhe agora. Prepara-te que vamos sair a seguir.

Virou-me as costas e foi para dentro. Quando voltou passado dez minutos, vinha sorridente e de sacola a tiracolo.

Passámos o dia a passear nas redondezas e a fazer algumas compras. Bella ficou muito incomodada por eu pagar as suas coisas e querer comprar outras para a sua casa. Ainda consegui que ela aceitasse comprar dois candeeiros, um de mesa para o seu quarto e outro de pé alto para a sala. Queria ter-lhe comprado mais coisas mas ela não deixou.

 Com o final da tarde chegou a hora da minha partida. Deixei-lhe um envelope com dinheiro junto aos lençóis, no sofá. Peguei no meu saco de viagem e no meu casaco e dirigi-me à porta.

- Espero que me telefones se precisares de alguma coisa. Podes contar comigo, não te vou falhar.

- Voltamos a ver-nos um dia destes. Talvez vá a casa dos teus pais, no dia de Ação de Graças.

- Posso voltar aqui, para te ver.

Puxei-a para mim e abracei-a com força. De repente, num ato impensado, larguei o saco e o casaco e beijei-a. Precisava de voltar a sentir os seus lábios. Quando me afastei para voltar a pegar nas coisas, ela lançou os braços ao meu pescoço e procurou a minha boca. Beijámo-nos com sofreguidão. Ficámos abraçados um minuto até ela se afastar.

- Obrigada por teres vindo.

- Amo-te, Bella.

- Gostei muito de te ver.

Regressei a Massachusetts mais tranquilo e com um plano em mente. A Alice iria divertir-se à grande.

publicado por Twihistorias às 18:00

16
Jul 13

 

 

 

Epilogo

Sete anos mais tarde

Um raio solar batia nos meus olhos. Remexi-me no meu beliche e coloquei a almofada a bloquear aquela luz solar.

Ainda não tinha tocado a sirene para nos despertar, ainda tinha algum tempo para dormir.

Era o que mais odiava na prisão, não havia cortinas na pequena janela da cela, por isso, assim que amanhecia o sol tratava de nos torturar aquelas poucas horas de sono.

Era oficial, não iria conseguir dormir mais, mas eu era uma lutadora, por isso não seria eu a dar a parte fraca e saltar da cama antes do soar do despertador.

Por isso ali fiquei imóvel na tentativa de enganar o sol, talvez assim ele desaparecesse.

Pensei nas pessoas que estavam cá fora e já não via à anos. Pessoas que outrora foram importantes para mim, algumas ainda o eram.

Pessoas que já não teria a oportunidade de ver, que não iriam estar à porta à minha espera.

A minha mãe.

Ela morrera quatro anos depois de eu ser presa.

Ataque cardíaco fulminante.  

Estava ótima num momento, como no seguinte estava morta. Aparentemente isto acontecia mais vezes do que se pensa.

Ainda me lembro do dia em que o Sam me veio fazer a visita para me dar a notícia. Assim que o vi entrar pela porta das visitas soube que algo de grave se tinha passado, não imaginava é que seria para me dar aquela notícia.

Não pude ir ao funeral dela. Não tive a oportunidade de me despedir da minha mãe e isso era o que mais me custava nisto tudo. Com os olhos inundados em lágrimas e entre soluços implorei ao Sam para levar um ramo de rosas brancas e colocar sobre ela e para ele lhe dizer que eram minhas. Para frisar bem esse ponto, para ela saber que eu me lembrava dela e que a amava muito.

Depois da minha mãe falecer era a Emily que me vinha visitar uma vez por mês. A viagem era demasiado longa para vir mais frequentemente, no entanto a Emily adoeceu. Afinal de contas, a idade não perdoa, e passou a ser difícil para ela se deslocar em longas distâncias.

Ethan, assim como Bentley, teve que deixar de me visitar, a idade não passava para ele devido À sua condição de lobo. Ainda não tinha aprendido a controlar. Além que ainda combatia alguns vampiros e ajudava o Sam com os novos membros da matilha.

Basicamente as minhas visitas ao longo destes sete anos foi muito simples. O primeiro ano e meio que estive presa as visitas pertenceram ao Bentley, e o ano e meio seguinte pertenceu ao Ethan. Eles tinham chegado a esse acordo, para me proporcionar mais algum tempo da companhia deles.A minha mãe veio semanalmente nos quatro anos em que foi viva. A Emily acompanhava a minha mãe em algumas dessas semanas e depois da minha mãe morrer ela ainda veio dois anos mensalmente. Depois as visitas simplesmente desapareceram. Ou apareciam em casos mais especiais ou porque simplesmente estavam por perto. Mas eram tão raras que ficava 3 meses ou mais sem visitas.

Estava tão habituada a esconder as minhas verdadeiras emoções que nunca revelei a ninguém o quanto eu me sentia sozinha e abandonada por vezes.

Desde à dois anos para cá, pedi a ambos que deixassem de me ligar ou escrever. Que ambos seguissem com a sua vida.

Custou faze-lo, mas era pior estar privada da visita deles e alimentar uma esperança em relação a eles apenas com cartas e telefonemas.

Não era justo para eles, e não era justo para mim.

Apesar de relutantes, tanto o Ethan como o Bentley respeitaram a minha decisão, apenas a quebrando em ocasiões especiais, como anos, natal, passagem de ano, a data do dia em que nos conhecemos. Ethan foi o único que me enviou uma carta no dia em que o Jackson nasceu, para celebrar o nascimento dele e uma no dia em que ele morreu. Foi a forma de estar “ao meu lado” nesse dia. Tinha-o feito todos os anos.

O som da sirene fez-se ouvir por todas as alas.

Estava na hora de levantar, não tardaria chegaria a minha vez de ir tratar da minha higiene pessoal, depois teria umas horas no pátio para relaxar ou apenas ir para a ala do ginásio e depois teria que me dirigir para a cozinha, era a minha semana de fazer o almoço juntamente com outras presidiarias.

-Se vai haver uma coisa que não vou sentir falta quando sair daqui é desta estupida sirene. – resmungava a Amanda assim que se levantava do beliche de baixo.

Amanda era uma rapariga mais ou menos da minha idade, de cabelos loiros e bastante ondulados. Estava presa por agressão e assalto.

Ao início foi complicada a nossa convivência. Eu não confiava nela, e ela não confiava em mim. Ainda nos envolvemos em algumas brigas, mas com o tempo aprendi a lidar com ela e vice versa. Agora eramos quase como irmãs ali dentro. Tomava-mos conta uma da outra.

-Bom dia Amanda. – respondi de forma divertida.

-A sério miúda. Estes gajos haviam de acordar assim em casa também para ver o que é bom. É que já tamos a pagar pelo nosso crime, não é necessário torturar.

Desci da cama e comecei imediatamente a desfazer a cama. Aqueles lençois teriam que ir para lavar e não era a guarda que iria desfazer a cama de certeza. Nunca eram.

Deixei a Amanda ali a reclamar com a sirene enquanto ambas tratávamos de deixar a cela arrumada o suficiente para a possivel vistoria da guarda.

Sim, vistoria. Aleatoriamente eram escolhidas 3 celas para vistoria diariamente. Se não estivessem devidamente arrumadas iriamos ficar trancados na nossa cela esse dia inteiro, como forma de castigo.

Acreditem que um dia inteiro num cubículo daqueles é uma tortura ainda maior que a sirene.

-Então tudo pronto? – perguntou-me ela sentando-se na cama enquanto me observava. – Quer dizer estás preparada?

-Sim, acho que sim. – o meu sorriso não se alargou muito.

-Sei… - disse ele de forma superior.

Fomos interrompidas pelo destrancar das portas. Toda a gente começou a sair. Agarrei nas minhas coisas e despachei-me para os balneários.

Assim que estava com o meu macacão azul marinho sai para o pátio. Aos poucos este começava a encher-se.

Ao contrário dos outros dias, hoje à minha volta era um frenesim.

 O motivo disso era o resultado da revisão da minha pena que se tinha dado no início da semana. Estava receosa em relação a isso. Tudo podia acontecer, a pena aumentar, diminuir ou mesmo eu ficar livre.

Ainda não acreditava muito na decisão do juiz por isso evitava ao máximo pensar nela.

Mas a verdade é que a partir das 16 horas eu estava oficialmente livre. Iria ser uma cidadã livre.

Uma pessoa livre e sozinha lá fora.

Optei por não comunicar ninguém lá fora sobre esta saída.

Eu iria começar uma vida nova.

A manhã passou demasiado rápido e o friozinho na barriga aumentava a cada minuto que passava.

Depois de almoço todos eramos retirados para as nossas celas por umas horas. E como eu ainda não estava livre, o dia estava a correr conforme o horário de um dia normal.

-Prometes que me esperas quando eu sair? – perguntava a Amanda.

Assim como eu ela era órfã, e não teria ninguém do outro lado do portão à espera dela.

-Sabes que sim. Vou procurar uma casa, emprego e depois vens para a minha beira. – sorri em forma de encorajamento.

Ainda lhe faltavam 10 anos para ela cumprir e estaria livre. Muito podia acontecer naqueles 10 anos, mas eu pretendia realizar a minha promessa.

A porta da minha cela abriu e estava uma mulher com o seu uniforme a sorrir para mim.

-Vamos minha querida, os teus dias aqui terminaram. – quem disse que os guardas eram todos maus enganaram-se. Eles são bem simpáticos, apenas reagem quando nós abusamos.

-Adoro-te. – foi tudo que tivemos oportunidade de dizer uma à outra num abraço apertado antes de eu ter que me retirar.

A guarda Callen acompanhou-me ao longo dos corredores. Ouvia o barulho de coisas a bater nas grades. Era a forma de prestarmos tributo numa prisão a alguém que estava a sair em liberdade.

Não consegui evitar as lágrimas escorregarem-me pelos olhos.

Finalmente o capítulo intitulado Chester estava terminado, e era algo que eu nunca mais queria recordar.

Agora iria começar um novo, com uma nova Kelsi. Porque a Kelsi antes do Chester, essa menina não tinha sobrevivido aos ferimentos.

Esta nova Kelsi era talvez um pouco mais fria, mais desconfiada, mas era uma Kelsi viva.

E eu iria lutar por me manter assim e por ser livre.

-Espero nunca mais te ver Kelsi Miller – disse a guarda Callen com um sorriso no rosto – no bom sentido claro.

-Eu também.

Depois disto respirei fundo enquanto aguardava que o portão de ferro maciço se abri-se e dei um paço determinante em frente.

Um paço para a liberdade, para um renascer.

Dei por mim de olhos fechados a cheirar a brisa da liberdade.

Tinha um sorriso nos lábios mesmo sem me aperceber.

Não quis que o meu advogado me fosse buscar, por isso teria que me desenrrascar para apanhar um táxi. Provavelmente teria que andar um bom pedaço até encontrar um.

Mas nada disso me dasanimou.

Continuei apenas ali, a saborear a liberdade.

Meu Deus, uma pessoa só dá valor a estas coisas quando as perde. Como eu sentia a falta do mar, da areia, de correr descalça no mato como fazia quando era pequena, de andar de mota.

Tinha tantas coisas para fazer.

Abri finalmente os olhos.

O céu estava acinzentado, à muito que o sol tinha fugido. Por vezes pensava que ele aparecia apenas para me acordar antes da hora da sirene.

Mais uma vez dei por mima  sorrir. Nunca mais acordaria ao som da sirene.

Olhei em frente para começar à procura de um táxi e foi quando alguém surgiu no meio do parque de estacionamento.

Não estava de todo a contar com ele ali. Aliás, não contava ali com ninguém.

Mas lá estava ele, a sorrir para mim e de braços abertos. Como sempre foi nestes 7 anos.

A diferença é que agora o podia abraçar.

E foi assim que tive a certeza que era com ele que eu queria estar.

A minha escolha tava feita.

Corri para abraçar aquele que era o homem da minha vida.

-Oh Kelsi tive tantas saudades tuas. – disse-me ao ouvido enquanto me segurava nos seus braços.

-Amo-te tanto. – disse por fim. – Desculpa ter demorado tanto a perceber isso.

Ouvi a pequena gargalhada dele ao meu ouvido.

-Eu também te amo, mas isso já tu sabias. – e depois destas palavras carinhosamente beijou-me.

FIM

 

Nota da autora:

Antes de mais o meu obrigado por não terem desistido da historia "I wish", mesmo com estes tempos de espera infernais. (Eu sei, que vergonha) Mas a vida deste lado aqui não está facil.

Peço desculpa também pelo final, mas foi o mais apropriado para mim. Deixo à imaginação de cada um de voces quem é ele...eheh

Pode ser que venha mais surpresas...eheh...sem data marcada e sem compromisso!! XD

 

 

publicado por Twihistorias às 18:00
Fanfics:

28
Jun 13

 

 

 

Capítulo 14

A verdade é que eu o amo(Parte I)

-Quem está ai?- eu perguntei novamente, para ter certeza de que aquilo não era uma ilusão.

- Sou eu, Edward. -mesmo que ele não tivesse dito o seu nome eu saberia que era ele.Sua voz de anjo chegou até os meus ouvidos através da brisa suave que soprava na noite estrelada.

- O que você está fazendo aqui?- eu perguntei um tanto confusa. Eu sabia, ou sentia, que para ele eu não era nada, mas em minha mente ele era o ser que dominava meus pensamentos.

- Eu precisava ver você, saber que estava bem. - ele respondeu sincero.

- Você é louco?Minha família o mata se o vir aqui. - eu quase grita, com a idéia de vê-lo ferido ou até mesmo...eu hesitei na palavra...morto.

-Você pode me matar, antes que eles o façam.

-Nunca diga isso. -minha voz saiu muito alta.-Eu não suportaria essa idéia.- eu confessei, num suspiro.

- Eu não sou nada para você, Bella. - ele me lembrou.O que era verdade, ele não era nada meu, irmão, amigo, nada.Éramos dois estranhos.

Eu ignorei suas palavras.

- O que eu sou para você?- eu perguntei uma pergunta um tanto quanto obvia, quando se tem alguém em seu jardim no meio da noite.

- Eu não acho que palavras seriam o bastante para definir, então quando você para de mentir para si mesma, e ver o que eu sou para você, você descobrirá o que és para mim.

- Você é muito enigmático. - eu disse.-Eu preciso de respostas.- eu disse.

- Não sou que pode da-las, a única coisa que eu te prometo, eu lhe juro, e que estarei ao seu lado, sempre.

- Não me jure, e nem me prometa nada. - eu disse.-Juras são tão quebráveis quanto peças de porcelana.- e aquele era o resquício de Jacob na minha vida, Jacob havia me prometido que sempre estaria ao meu lado, mas ele partiu e não voltaria.

- Você não acredita em mim. - ele deduziu.

-Eu não acredito em ninguém. - eu o corrigi.

- Por que isso?Por que não acredita em nenhuma de minhas palavras?

Eu respirei fundo, me preparando para o buraco que seria aberto, novamente.

- É uma longa historia. - eu o alertei, me sentando no chão da minha varanda, eu abracei minhas pernas.Eu pude ver ele se sentar no cão, dobrando as pernas.

- Eu quero ouvir. -ele disse, um tanto ansioso.

- Em toda a minha curta vida, eu só amei uma única pessoa, Jacob. Ele era tudo em minha vida, nós nos casamos e éramos felizes.Só que ele morreu cedo demais, deixando de cumprir todas as suas promessas que tinha feito por mim.

- Mas Bella, eu não sou Jacob, eu sou Edward. Nenhuma das pessoas que a cercam podem sofrer por isso.

- Você não entende Edward. Jacob era minha própria vida, ele se foi e hoje eu apenas sobrevivo a dor, a solidão.

- Eu não acredito que aquela doce garota que você era, tenha desaparecido. Talvez, você seja como uma borboleta, com Jacob você era uma lagarta, depois você se fechou em seu casulo, e agora só lhe resta, virar uma borboleta, um linda borboleta.

- Não há motivos para isso, para que tentar viver sem nenhum objetivo. Para que?- eu senti meus olhos se encherem de água. Por que eu não conseguia seguir o que as palavras de Edward me falavam, porque eu não podia começar minha vida novamente?

Eu estava cega para algo que estava surgindo em mim, o amor. O amor por Edward Cullen.

 

Capítulo 14

A verdade é que eu o amo(Parte II)

- Ache um motivo dentro de você, Bella. Eu sei que existe algo dentro de você agora, que faça você retornar a vida.- e era verdade, esse sentimento que eu sentia por Edward e que estava crescendo dentro de mim estava me dando esperanças para um retorno, mas só isso seria necessário?

- Por que você se preocupa comigo?Quando eu não passo de uma... estranha?

- Você não é estranha para mim. - ele fechou os olhos, riu e balançava a cabeça em negação.Ele abriu os olhos e me fitou no escuro da noite.-Desde quando eu a conheço?

- Desde hoje, no parque. - eu respondi simplesmente.

- Isso não é verdade, eu te conheço desde que você tem seis anos de idade. Eu há visitei um dia, para brincar com você. E daquele dia em dia em diante, não houve um único momento em que seu rosto não rondou minha mente.Eu prometi que te encontraria um dia.

Eu busquei nas lembranças de minha infância, e seu rosto não me era familiar.

- Eu não me lembro de você, me desculpe.

- Eu não esperava que você se se lembra, você brincava com Jacob o tempo todo, mal falou comigo. - ele mantia o belo sorriso no seu rosto.

- Você me faz bem, sabia?Eu estava crendo que minha vida não teria mais saída, mas você aparece e me fez sentir... - eu quebrei o pensamento.

- Me fez sentir?- ele me pressionou seus olhos brilhando no escuro.

- Do que adianta você saber o que sinto, se eu não tenho idéia do que você sente. Você é um mistério para mim.

- Eu já lhe disse, você saberá quando seu coração estiver pronto para isso. Quando você puder confiar no Que  eu sinto por  você e no que você sente por mim, de olhos fechados, e puder viver assim, completamente entregue.

E suas palavras pareciam fazer sentido, eu não estava preparada para receber essa paixão que estava me assolando, eu era apenas um coração fraco, na verdade. Destinado a viver as dores de um amor passado.

- Eu posso nunca estar pronta. - eu alertei.Eu não gostaria que ele tivesse esperanças, eu não gostaria de fazê-lo sofrer.

- Eu prometo que viverei para ver você se tornar a Bella que eu conheci há anos atrás e só então darei meu ultimo suspiro.

O céu já não era tão negro, ele estava indo para um tom de azul escuro, a aurora se aproximava e momento de dizer adeus também.

Eu andei até o vaso de rosas em minha varanda, colhi uma rosa com cuidado, e voltei novamente ao ponto onde eu havia passado toda a noite. Eu beijei, delicadamente, a rosa e joguei para Edward.Ele pegou e inalou, como se quisesse guardar para sempre o perfume.

- Um presente por ter arriscado sua vida esta noite. - eu disse, a minha voz tão serena quanto a manha que nascia.

- Eu não tenho nada para lhe dar em troca. - ele disse, visivelmente chateado.

- Não precisa me dar nada, você já arriscou sua vida essa noite. - eu disse novamente.

- Quando obtiver suas respostas, me encontre no parque no mesmo lugar que nos vimos pela primeira vez.

- Eu estarei lá. -prometi- Adeus.

- Até logo. - e ele partiu.

Eu entrei em meu quarto e cai de costas na cama. Eu me sentia tão confusa, como a vida de um ser humano pode mudar tanto?Ontem, eu acordei com a percepção de que seria um dia como outro qualquer, se não pior - por se tratar do aniversario de um ano da morte de Jacob, da morte de uma parte de mim. Deus havia me dado a oportunidade de conhecer um anjo, um anjo que havia me feito crer na esperança no futuro.Eu me apaixonei por ele.

O amor nesse momento parecia ser algo muito grande quando Edward era tão misterioso, quando o que ele era sentia por mim era uma incógnita aos meus olhos, a minha mente ou meu coração. Eu quero crer que Edward é meu futuro.

Mas como fazer isso se o fantasma de Jacob ainda existe em minha mente?Quando o muro que construí para me proteger do mundo ainda é tão forte?

Não havia esperança para mim e para Edward, eu era uma viúva e não poderia me casar com ele. Eu não poderia lhe dar filhos, filhos que eu deveria ter tido com Jacob.Nós não envelheceremos juntos, porque eu sei que por mais que eu ame Edward, por mais que eu saiba que daria minha vida por ele, eu não tinha um coração inteiro.Eu não poderia amar Edward como eu quisesse, eu tinha uma cicatriz de um passado que deveria ser meu eterno futuro.

Mas apesar de tudo, eu queria dar uma chance a mim mesma, uma chance de Edward me fazer feliz e eu correria todos os riscos.

Eu não percebi que estava chorando, eu estava tão cansada!Eu me permiti adormecer, na esperança de sonhar o futuro que eu teria com o meu anjo.

publicado por Twihistorias às 18:00

26
Jun 13

Capítulo 37

Preso

Acordei completamente encharcado.

Limpei a testa com as costas da mão, senti algo roçar-me no braço e levei a mão à cara.

A minha barba estava enorme.

Os poucos dias que julgava ali estar, num ápice se transformaram em semanas.

Tentei recordar-me de como ali fora parar, mas tudo o que conseguia vislumbrar era um enorme buraco negro.

Fiz menção de me levantar, o que despoletou uma dor lancinante no lado esquerdo do tronco.

Costela partida. – Pensei.

Soltei um gemido, mas o som que saiu soou-me demasiado rouco e questionei-me quanto ao tempo que seria preciso ficar sem usar as cordas vocais para produzir semelhante som.

Estiquei as pernas a custo, até embater em algo de metal com o pé. Esforcei-me o melhor que pude para arrastar o que quer que fosse para mais perto, de forma a poder pelo menos saber do que se tratava.

No pequeno prato de alumínio estava um naco de pão e um púcaro com o que presumi ser água.

O pão estava duro e húmido e sabia um pouco a mofo, mas com a fome que de repente me apercebi que tinha, nem me importei. Só parei de tentar enfiar mais pão na boca quando comecei a ficar sem ar e levei a caneca à boca.

A água sabia mal e tinha impurezas, mas bebi sofregamente, enquanto sentia arder os meus lábios gretados e feridos da desidratação e possivelmente dos maus tratos que teria sofrido nos últimos dias e dos quais não me recordava nem um pouco.

Tentei explorar um pouco o espaço, o que na minha actual condição física, não era tarefa fácil. Doía-me cada movimento. Basicamente acabei a rastejar pelo espaço circundante, esfolando os braços no chão áspero.

Um pouco depois ouvi vozes e apareceu luz por baixo de uma porta ao fundo da divisão.

Afastei-me para o meu canto o mais rápido que consegui.

Ainda não sabia se sentia medo ou não, foi apenas o instinto de sobrevivência a falar mais alto.

Tentei a todo o custo evitar encolher-me e fingi-me dez vezes mais exausto do que me sentia.

Um homem alto e encorpado entrou, provocando um clarão de luz que me fez semicerrar os olhos.

Outro homem, também alto e encorpado, mas talvez mais novo, ficou à porta da divisão.

- Papá, não seria melhor voltar a amarra-lo?

- Nada disso! Não vez que ele não tem sequer forças para reagir? – Respondeu o homem, enquanto me dava um pontapé nas costelas para demonstrar a sua teoria.

Deixei-me cair de lado, cerrando os dentes e os punhos no esforço de não gritar.

A minha respiração soou-me ruidosa demais, talvez porque me tenha concentrado nela para me abstrair de tudo o resto.

Passado pouco tempo o homem saiu, não sem antes me presentear com novo pontapé.

Levei algum tempo a controlar o meu sistema nervoso de modo a conseguir pôr-me direito novamente.

Depois de organizar as ideias, tomei consciência de que me devia encontrar numa cave ou algo parecido, que o meu relógio tinha desaparecido, bem como a minha aliança e tudo o resto que tinha comigo.

Apenas me deixaram com a roupa que tinha no corpo.

Anna! – Por pouco não gritei o seu nome, ao constatar a ausência da aliança.

Será que ela estava bem? Neste momento devia odiar-me por a ter deixado sozinha com os nossos filhos.

Eu sabia que era o pior que lhe poderia fazer, mas era o que tinha de ser feito.

Sabia que depois de o fazer não haveria volta. – Ela ia odiar-me para sempre!

Talvez não me recusasse o direito de ver os meus filhos. Talvez nem procurasse sequer uma explicação para o que se passara.

Mas eu sabia que a tinha perdido para sempre.

Soube, no momento em que tomei esta decisão, que o preço a pagar seria perder a mulher que amo.

Mas se esse fosse o preço a pagar pela sua vida e pelo bem-estar dos meus filhos, fá-lo-ia de bom grado, sem me queixar até ao fim da minha vida.

A questão é que não sabia se realmente era isso que estava a acontecer.

Não sabia há quanto tempo os deixara, nem há quanto tempo estava aqui. Fechado.

Os tipos que me tinham trazido para aqui, sem que nada o previsse, já que tinha decidido colaborar, bem podiam tê-los prendido num lugar qualquer. Ou pior, podiam tê-los morto...

Angustiei-me só de pensar.

Eu devia ter contado à polícia. Eles saberiam o que fazer. Mas agora era tarde para voltar atrás.

Restava-me aceitar o que quer que tivesse de acontecer.

publicado por Twihistorias às 18:00

09
Jun 13

- 5 -

B

As nossas férias em Itália foram muito boas. Finalmente tinha Edward para mim, a minha ousadia tinha dado resultado. A sensação que me dava era de poder, não no sentido de ser mais forte que os outros, mas no sentido de me sentir tão feliz que nada me poderia afetar. Tudo à minha volta parecia ter contornos mais suaves e cores mais vivas, não existindo sofrimento crónico nem nada sem solução. No fundo sabia que as coisas não eram bem assim mas queria aproveitar este estado de graça enquanto podia. Dizia todos os dias em voz baixa, como se fosse uma prece: vive o momento, amanhã é outro dia. “O amor triunfa sobre tudo, cedamos também nós ao amor”*.

 *(N. A.) Virgílio (Bucólicas)

Durante a viagem aconteceram coisas fantásticas - algumas só me apercebi delas mais tarde - que tiveram repercussões na nossa família.

A Rose e o Emmett que já se sabia terem apenas olhos um para o outro, ultrapassaram a barreira da mera atração física para descobrirem que estavam mesmo apaixonados e que não fazia sentido algum viverem um sem o outro. Assumiram-se como casal perante todos quando, na chegada da viagem, Carlisle lhes pregou uma partida a propósito de ainda não conhecer Rosalie oficialmente. Tinha sido a primeira vez que Emmett tinha levado uma namorada para casa, o que era, por si só, revelador do forte sentimento que nutria por ela. Assim, foi em família que ele pediu Rosalie em casamento, numa das raras ocasiões em que o vi nervoso. Com seriedade e paixão, fez uma declaração de amor que nunca pensei ouvir da sua boca. Rose aceitou, no meio de lágrimas e sorrisos, recebendo de seguida os parabéns de todos.

Só o Emmett para, apenas num mês, conhecer uma mulher, apaixonar-se perdidamente por ela e passar de desconhecido a noivo. Embora fosse notório que se amavam, Carlisle e Esme convenceram-nos a esperar algum tempo pelo casamento. Primeiro ele teria que acabar o seu curso e arranjar um emprego que lhe desse alguma estabilidade. Emmett cedeu mas foi dizendo que já trabalhava, que era financeiramente independente, e que ele e Rose iriam equacionar a hipótese de viverem juntos antes de casarem, independentemente da aprovação da família.

A grande surpresa aconteceu com Alice e Jasper. Alice desenvolveu uma espécie de paixão por Jasper que variava entre a adoração e a exasperação. Ela gostava do jeito calmo dele, da sua perspicácia, da sua integridade e responsabilidade, mas ficava igualmente furiosa com a sua introspeção, falta de diálogo e excesso de ponderação nas ações. Face a tudo isto ela provocava-o mais e mais e ele reagia ficando ainda mais retraído.

No último dia em Veneza, quando eles passaram parte da noite no mesmo quarto, para eu poder estar com Edward, tiveram uma conversa muito peculiar que Alice me contou depois de regressarmos à Villa.

Contou-me que, quando regressou ao quarto, encontrou Jasper sentado na cama mais pequena a dedilhar em cima do lençol e a escrever num papel todo rascunhado.

- Boa noite. Ainda não estás a dormir?

- Estou a escrever.

- A quem? À tua musa inspiradora? – Troçou Alice.

- Sim.

- Fazes bem, deve ser bem idiota para gostares dela.

- Talvez.

- O que diria ela se soubesse que eu te beijei?

Ele limitou-se a encolher os ombros.

- Não tens nada a dizer sobre isso?

- Podes repetir?

- Repetir o quê? A pergunta ou o beijo?

Ele riu-se, arrumou as folhas no bolso do seu saco de viagem e deitou-se.

- Dorme bem, Alice. Até amanhã.

- Até amanhã, Quasimodo. Sonha com ela.

- Dorme bem, Esmeralda.

A conversa terminou por ali, sem haver resposta à pergunta feita por Alice. Porém, ela acabou por descobrir quem era a tal musa de Jasper ao coscuvilhar no seu saco e encontrar as folhas onde ele tinha estado a escrever nessa noite. A partitura tinha apenas um título “Alice”. Impulsivamente, quando ele entrou no quarto para levar as malas para o carro, ela deu-lhe um beijo leve e murmurou “obrigada”, saindo em seguida sem lhe dar qualquer hipótese de reação.

Alice contou-me todos os detalhes de que se lembrava e foi com um brilhozinho nos olhos que referiu os beijos que tinham trocado e o sorriso que ele lhe deu quando entraram no carro para fazerem a viagem de regresso. Ainda a questionei sobre o estar ou não a apaixonar-se mas ela disse categoricamente que não, era apenas “atração física”. Eu nunca a tinha visto assim, mas o Jasper era realmente muito bem-parecido e possuía tudo o que era necessário para chamar a atenção da minha irmã. A sua timidez e a sua áurea de mistério exerciam um poder enorme sobre Alice. Ela sempre adorou enigmas e desafios.

Imprevisivelmente, a nossa família estava a aumentar e a assumir uma nova dinâmica. Eu andava felicíssima com o meu namoro escondido, tanto que sabia que acabaríamos por ser apanhados mais tarde ou mais cedo. Durante a reunião familiar protagonizada por Carlisle, o Edward ainda me olhou perguntando-me silenciosamente se nos assumíamos também, mas eu não me senti capaz. Havia qualquer coisa que me dizia para não o fazer. Edward aceitou a minha decisão embora eu tenha notado que ele não compreendia o porquê. Teríamos que falar sobre isso o quanto antes, porém ao longo do dia não houve um só momento em que ficássemos sozinhos.

À noite, quando fui para o quarto, procurei encontrar razões para esta minha insegurança, não conseguindo encontrar nada. Tinha apenas uma sensação desagradável cada vez que pensava em contar aos meus pais que namorava. Iria esperar por Edward para conversarmos.

Tomei um banho para relaxar e vesti uma lingerie sensual. - Já tinha decidido que queria fazer amor com Edward, pelo que o momento certo podia surgir a qualquer altura, teria que estar preparada. - Mesmo sabendo que, muito provavelmente, não aconteceria nada esta noite, dada a conversa que tínhamos que ter, acendi várias velas pelo quarto que libertaram um aroma bem agradável. Recostei-me na cama, peguei num livro e esperei por ele.

Quando ele surgiu, batendo na porta da sua forma característica, eu estava tão impaciente que já estava a ponderar se haveria de ir eu mesma ter com ele ao seu quarto. Suspirando de alívio, corri até ele, lançando-me nos seus braços.

- Hummmm. Isso é tudo alegria por me ver? Que bom. – Disse ele, rindo mas não me largando.

- Eu… pensava que já não vinhas e preciso de te dizer uma coisa.

Ele encaminhou-me até à beira da cama e fez-me sentar, fazendo o mesmo.

- Diz. Tens toda a minha atenção.

Fixou os meus olhos à procura do motivo do meu nervosismo e prestando atenção a todos os meus movimentos. A minha respiração era irregular e as minhas mãos retorciam-se, uma na outra.

- Eu tenho medo de contar aos meus pais que estamos juntos. – Falei tudo de uma só vez e depois calei-me, pedindo-lhe, com um gesto, para que não dissesse nada. Respirei fundo e continuei a minha explicação. – Eu não sei porquê, mas tenho um pressentimento nefasto, como se houvesse alguém ou alguma coisa a dizer-me que isso seria o nosso fim.

Edward abraçou-me forte, suspirou profundamente e nada disse.

- Não quero perder-te, - acrescentei num fio de voz.

- Pensei que não estivesses segura da nossa relação, – disse ele após um longo silêncio. – Esse teu medo não tem nada a ver comigo? É só com a reação dos teus pais?

Acenei a cabeça positivamente. Ele levantou-me o rosto com as duas mãos e voltou a encarar-me como se procurasse alguma coisa escondida no meu semblante, ficando à espera que eu dissesse alguma coisa que o esclarecesse nas suas dúvidas.

- Nós não precisamos de dizer nada a ninguém. Eu também fui aceite na universidade de Boston, posso ir para lá em vez de ir para Stanford. Ficamos próximos o suficiente, para nos vermos todos os dias ou quase todos os dias. Se tu quiseres que eu esteja contigo, claro, – disse eu, um pouco envergonhada por estar a fazer planos à sua volta.

Eu não sabia explicar-lhe o meu medo, nem para mim conseguia fazê-lo, eu só tinha a certeza que não podia correr o risco de o perder.

- Bella, minha Bella. Bellissima. Eu quero tudo o que for melhor para ti e sim, sou suficientemente egoísta para te querer junto a mim.

Aproximou a sua cabeça da minha e beijou-me com ardor. O meu alívio fez transbordar os meus olhos e ele beijou cada uma das minhas lágrimas enxugando o meu rosto e fazendo-me desejá-lo ainda mais.

- Fica comigo, preciso de ti para ser feliz.

- Sempre, sempre. Serei sempre teu.

A necessidade de nos prendermos um ao outro, como se quiséssemos impedir que alguém nos separasse, levou-nos a intensificar ainda mais os beijos e as carícias e a aumentar o toque dos nossos corpos. Edward deslizava as suas mãos pelo meu corpo, afastou o robe, e começou a beijar-me o pescoço e o peito. O contacto das suas mãos na minha pele causava-me arrepios.

Deitou-me na cama e desceu uma mão desde o meu rosto até às minhas pernas, subindo num contacto mais íntimo e parando nos meus seios. Sem parar de me beijar, estendeu-se ao meu lado e puxou-me para cima dele, demorando as suas mãos nas minhas ancas. Lentamente, foi tacteando as minhas costas, fazendo-me arrepiar e tremer, enquanto murmurava o meu nome. Virou-me novamente, desta vez ficando ele por cima, e de repente afastou-se, rindo do meu protesto e da minha mão que tentava puxá-lo para mim. Sem compreender o que ele pretendia, senti-o beijar-me os pés e subir pelas minhas pernas, deixando um rasto molhado e quente. Sobressaltei-me quando ele beijou as minhas calcinhas e levei, automaticamente, as minhas mãos ao seu cabelo, remexendo sem parar, enquanto ele continuava o seu percurso pela minha barriga. Quando chegou aos meus seios e procurou os meus mamilos, eu não contive alguns gemidos de prazer que o fizeram tapar-me a boca com uma das mãos num pedido de silêncio. Afundei a cara na almofada para abafar os sons que não conseguia conter. Não aguentando mais, puxei-o para mim e beijei-o com ardor.

- Amor? Tens a certeza que…

Respondi à pergunta que ele me queria fazer, beijando o seu rosto desesperadamente e mordendo-lhe uma orelha. Ele sufocou o seu próprio gemido esmagando a sua boca no meu pescoço e apertando-me ainda mais contra ele.

- Bella. Se avançarmos mais não vou conseguir parar. Estás a pôr-me doido. – A voz de Edward saiu rouca o que me excitou muito.

- Eu quero-te, agora e para sempre. Ama-me, preciso de ti. – Mordi-o outra vez e passei a minha língua pelo seu pescoço. O seu sabor era incrível, jamais iria esquecer este gosto forte e potente.

- Amo-te – disse Edward rendendo-se, por fim, ao desejo.

Ouvi uns sons estranhos que não se coadunavam em nada com o que estávamos a fazer.

- Querida, adormeceste com as velas acesas?

Choque. Parámos repentinamente ao ouvir a voz da minha mãe. Edward ainda teve o sangue frio de puxar o lençol para nos tapar e segurar a minha mão que, tal como eu, tremia completamente descontrolada. Nunca anteriormente, nos meus quase dezoito anos de vida, me senti tão exposta e tão humilhada.

- Bella! Edward? Mas… O que vem a ser isto? - Renée falava bastante alto e encolerizada. – Vocês não têm vergonha?

-Mãe, nós… - Não consegui continuar.

- Vocês, o quê? Diz-me.

- Nós estamos juntos, – disse Edward com voz clara mas agitada.

- Não podem. Isso não pode acontecer. Vocês são irmãos. Estão loucos? – Renée olhou-me fixamente e continuou enfurecidamente. – Diz-me que não é verdade, que isto não passa de uma brincadeira de adolescentes.

- Mãe, eu amo-o. – A minha voz suou fraca e pouco nítida.

- Isto é uma desgraça. Vocês estão a desgraçar a nossa família. Tu não passas de uma menina desmiolada e oferecida.

Esta última afirmação bateu-me como se fosse uma bofetada. Eu nunca fui nem uma coisa nem outra. As minhas notas na escola foram sempre boas, nunca namorei, nunca usei drogas, nem nunca bebi bebidas alcoólicas. A coisa mais grave que fiz foi dar uma passa num cigarro, coisa que não voltei a fazer porque fiquei tão maldisposta que vomitei tudo o que tinha comido antes.

- Não é verdade, – ainda tentei dizer-lhe, mas a voz não saiu, apenas consegui mexer os lábios.

Renée começou a dizer coisas sem nexo e a andar de um lado para o outro. Tinha uma expressão doentia e lágrimas a cair.

- Estou contigo para o que der e vier. Não tenhas medo, estamos juntos, – segredou-me Edward ao ouvido.

A porta do quarto voltou a abrir-se.

- Bella, querida? O que se passa? Renée, estás bem? – Esme entrou desarvorada pelo meu quarto, sendo seguida por Carlisle.

- Está tudo errado. Vê o que se passa debaixo do nosso telhado. Os nossos filhos desgraçaram-nos. Nós não merecíamos esta deslealdade.

A vergonha que senti foi tão grande que as lágrimas começaram a cair pelo meu rosto sem parar. Edward tentava dizer-me alguma coisa mas não percebi o quê. Eu só consegui ver o olhar acusatório da minha mãe.

- Edward, veste-te e vai para o teu quarto. Já lá vou ter contigo, – disse Carlisle tentando dar ordem a esta confusão. – Bella, vamos deixar-te acalmar. Precisas que alguém fique contigo?

Abanei a cabeça porque o choro não me deixava falar.

- Renée, Esme, vamos descer e beber qualquer coisa. De cabeça quente não se consegue resolver nada e eles precisam de privacidade e tempo para colocar algumas roupas.

Saíram todos do quarto e nós ficámos sozinhos novamente. Não consegui mexer-me, ainda estava hipnotizada pela reação da minha mãe.

Edward acabou por me ajudar a vestir, vestindo-se também, rapidamente. Abraçou-me forte e deu-me beijinhos na testa e nos cabelos.

- Bella, estás bem? – A sua voz chegou até mim como se estivesse muito longe.

Vendo que eu não respondia, Edward sentou-me na cama ao seu lado e continuou abraçado a mim. Encostou a minha cabeça no seu ombro e deixou-me chorar por um bom bocado. Quando eu já estava mais calma, ele enxugou-me o rosto carinhosamente e beijo-me os lábios levemente.

- Bella, olha para mim, – ordenou. – Aconteça o que acontecer, eu estou contigo. Nunca te esqueças que és a pessoa mais importante da minha vida. Amo-te muito. Compreendes tudo o que te estou a dizer? Fala comigo, amor. - A sua expressão era de desespero.

- O que vai ser de nós, Edward? Eu sabia que eles não iam aceitar o nosso relacionamento. O que é que nós vamos fazer? – As lágrimas recomeçaram a cair.

- Não chores, amor. Escuta-me com atenção. – Esperou que eu me acalmasse novamente antes de continuar a falar. – Eu vou falar com o meu pai e vou convencê-lo que gostamos realmente um do outro e que o nosso amor não é uma paixão passageira. Tu vais ficar aqui a descansar. Tenta dormir e não chores mais. Assim que estiver tudo resolvido venho aqui para te contar como foi.

- Eu vou contigo. Não quero ficar sozinha. – Eu estava quase em pânico.

- Será mais fácil se eu for sozinho. O Carlisle é compreensivo, vai aceitar-nos. Promete-me que ficas aqui e esperas por mim.

O seu olhar fixo intimidou-me e fez-me acreditar que tudo se resolveria.

- Sim, eu espero. Promete-me que vens. Seja a hora que for.

-
Prometo. Espera por mim. - Deu-me um beijo mais demorado, levantou-se e dirigiu-se à porta. Virou-se para trás e deu-me um meio sorriso.

- Amo-te.

Foi a última coisa que me disse antes de desaparecer pela porta do quarto e deixar-me sozinha, entregue aos meus fantasmas. Na verdade o fantasma era só um e tinha o rosto da minha mãe.

Esperei durante bastante tempo mas não havia meio de ele voltar. Desci e encontrei a família toda reunida na sala de estar, o que me causou calafrios. Quando deram por mim, Aro levantou-se e veio ter comigo.

- Ciao, Bella, come stai?

Aceitei as suas mãos, deixando-me encaminhar para um cadeirão.

- Ainda bem que estás presente. Há umas quantas coisas que te quero perguntar. – O meu pai era frio e cortante ao falar. – É verdade que manténs um relacionamento com Edward?

- Nós estamos juntos. – Procurei Edward com o olhar. Ele estava na outra ponta da sala, junto ao Emmett, e aparentava um grande cansaço e desilusão. Retribuiu o meu olhar com uma expressão de grande sofrimento.

- Ele é teu irmão, – gritou Renée.

- Não, não é. – Tentei levantar-me mas Aro não deixou.

- Mãe, todos nós sabemos que isso não é bem verdade. Crescemos juntos como irmãos mas não somos do mesmo sangue, – disse Alice, pausadamente.

A minha mãe olhou em pânico para o meu pai, antes de voltar a fixar o olhar na minha irmã.

- E desde quando a nossa família é de sangue? Os laços que nos unem são mais fortes que os de uma família normal precisamente por isso, porque sempre demos valor ao que sentíamos e não ao que as ligações sanguíneas representam.

- Que mal tem eles ficarem juntos? Fazem parte da família e irão continuar a fazer, a única coisa que muda é o relacionamento deles. Oficialmente eles podem até casar, já que não são verdadeiros irmãos. – Emmett tentava explicar de forma simples o que pensava; ele via sempre as coisas pelo lado positivo.

- Emmett, tu consideras Edward como irmão? – Esme perguntou.

- Sim, claro.

-No entanto vocês não têm qualquer laço sanguíneo, achas que a diferença está no papel de adopção que ambos têm?

- Claro que não. Ele é, sempre foi e continuará a ser meu irmão. Crescemos juntos.

- Precisamente. E Alice? Gostas menos dela por não ser do teu sangue?

- Também considero Alice como minha irmã.

- Pois consideras, – continuou Esme como se estivesse a dar uma aula a uma criança pequena. – Porque é que com Edward e Bella tem que ser diferente? Eles cresceram como irmãos. É antinatural mudarem esse estatuto.

- Eu não acho. Eles é que sabem o que sentem, não somos nós. – Com isto deu uma palmada na mão de Edward que lhe agradeceu a defesa.

- Não posso aceitar uma coisa dessas. – Renée continuava com o mesmo olhar. Desviei o olhar do dela por ser demasiado penoso suportá-lo.

- Eu estou com Bella e Edward. Ela nunca olhou para ele da mesma forma que olha para Emmett. Provavelmente foram vocês as duas que provocaram tudo isto, ao obrigarem que eles se olhassem como irmãos desde pequeninos. – Alice acusou a mãe e Esme de forma impiedosa e séria. – Irei sempre defender aquilo que me ensinaram: o valor dos sentimentos e não os laços de sangue. Eles amam-se.

Permaneceram todos calados, olhando uns para os outros, como se avaliassem de que lado haviam de ficar.

- Isabella Swan. Espero que estejas consciente da divisão que estás a causar nesta família. – O meu pai levantou-se e dirigiu-se a mim. – Se insistires em levar a tua para a frente podes esquecer que eu sou teu pai. – Fez-se um silêncio sepulcral na sala. – Tens que assumir as consequências dos teus atos. Se a tua decisão for abandonar a família, a tua mesada deixa de existir e o pagamento das mensalidades da Universidade ficam por tua conta. Pensa bem no vais fazer. E lembra-te que o fundo que herdaste da avó Swan só pode ser mexido depois de atingires os vinte e um anos.

- Pai! – Gritei completamente desesperada.

- Quando tiveres a certeza que me queres como pai avisa a minha secretária. Até lá não voltes a dirigir-me a palavra.

Charlie voltou as costas e dirigiu-se à biblioteca, onde dormia sempre que vinha à Villa. Havia anos que não dormia com a Renée.

Carlisle levantou-se também. Olhou para todos e, na sua voz pausada e calma, disse-nos o que fazer.

- A noite foi muito longa, vamos todos dormir. Amanhã será um novo dia e uma nova oportunidade para resolver este problema de cabeça desanuviada.

Alice arrastou-me escadas a cima até ao meu quarto, furiosa da vida com o rumo que as coisas levaram. Edward deve ter tentado seguir-nos porque ouvi Carlisle dizer para ele ficar mais um pouco onde estava. Emmett gritou que a “família era inacreditável” e saiu batendo com a porta. Não ouvi nem vi mais nada. Assim que chegámos ao quarto, atirei-me para a cama e desatei a chorar convulsivamente. Alice abraçou-me mas eu gritei-lhe para me deixar sozinha. Gritei, chorei e esperneei mas a minha persistente irmã não me abandonou e ficou ao meu lado até eu deixar de ter voz para gritar e lágrimas para chorar. Nunca antes me senti tão miserável, tão sozinha, tão sofrida. A minha dor era tão grande que me custava respirar. Era como se tivesse costelas partidas. Acabei por adormecer, depois de Alice me obrigar a tomar uns calmantes que alguém levou à porta.

Quando acordei era de noite. Demorei uns minutos a situar-me até vir tudo à minha cabeça com uma força demolidora. Eram quatro horas da manhã. Eu tinha dormido todo o dia e grande parte da noite. Levantei-me, fui à casa de banho e, já bem desperta, decidi que a primeira coisa que tinha a fazer era falar novamente com Edward, para saber como estavam as coisas. Pé ante pé, fui ao seu quarto ter com ele. Abri a porta com cuidado e entrei em silêncio. Dirigi-me à cama mas esta estava vazia. Fiquei confusa. Será que ele não consegue dormir e se levantou? Fui até à cozinha mas estava tudo apagado. Voltei ao seu quarto e acendi a luz. Levei a mão ao peito. O quarto estava vazio: a sua roupa, o seu saco de viagem, a guitarra que eu lhe dei, tudo tinha desaparecido. Agarrei a sua almofada e levei-a à cara para sentir o seu cheiro. Era inconfundível e inesquecível. Sentei-me na cama e deitei-me mas ao fazê-lo senti um barulho de papel e procurei a sua origem.

O Edward tinha deixado um bilhete para mim.

Amor: Lembra-te de tudo o que dissemos na nossa última conversa. Aconteça o que acontecer és e continuarás a ser a pessoa mais importante da minha vida. Não posso aceitar que o amor que sinto por ti seja considerado pecaminoso. Arranjarei maneira de falar contigo em breve. Amo-te mais do que à própria vida. Eternamente teu, Edward.

Se eu pensava que já não era possível sofrer mais do que eu tinha sofrido, enganei-me redondamente. O saber que Edward tinha ido embora sem me dizer mais nada e sem lutar pelo nosso amor perante os nossos pais foi o derradeiro sofrimento. A dor que senti foi tão forte que perdi os sentidos.

Tudo o que se passou nos dias seguintes até voltar para os Estados Unidos ficou gravado como um borrão numa folha. Foi Alice quem me contou o que se passou, mais ou menos pormenorizadamente.

Edward foi embora porque a Esme e a Renée fizeram chantagem com ele, convencendo-o de que ele não estava lúcido o suficiente para ver a asneira que estava a cometer e que me iria prejudicar mais se continuasse a insistir em ficar comigo. Elas responsabilizaram-no pela atitude extrema que Charlie tomou e ele assumiu a culpa, tanto que pediu a Carlisle para me pagar as despesas da Universidade.

Emmett defendeu-nos o tempo todo mas nunca ninguém o levou a sério; acabou por regressar a Boston, com Rosalie e Jasper.

Alice nunca me abandonou, protegeu-me sempre e não voltou a deixar que a minha mãe e eu ficássemos sozinhas. As únicas pessoas com que eu falei foi com Alice e Aro que, embora entendesse a minha mãe, achava que desta vez a razão estava do meu lado.

Edward telefonou de Cambridge mas eu não estava em condições de atender o telefone e, quando já estava em Stanford, recusei falar com ele. Estava demasiado magoada.

Alice ainda tentou interceder por ele mas eu não fui sensível aos seus argumentos. Edward tinha ouvido a minha mãe chamar-me de desmiolada e oferecida e não me defendeu e, durante aquele estúpido julgamento na forma de reunião familiar, ele nunca abriu a boca para dizer o que quer que fosse. Foi uma humilhação ser tratada daquela forma pelos nossos pais, mas o saber que ele não me defendeu foi mil vezes pior. O saber que ele se deixou convencer pelas psicologias baratas das nossas mães significava que ele não acreditava verdadeiramente no poder do nosso amor.

Um mês mais tarde, durante uma das visitas de Alice, ele telefonou para ela e a traidora passou-me o telefone para as mãos, obrigando-me a falar com ele.

- Bella? Não desligues o telefone. – Não respondi mas também não desliguei. – Sei que estás a sofrer por causa de tudo isto, desculpa. O meu sofrimento também é enorme.

- É enorme? Porquê?

- Bella! Como podes duvidar de mim?

- Porque tu também duvidaste. Pediste-me para acreditar no teu amor mas duvidaste dele com as conversas falsas da Renée e da Esme. Como pudeste deixar-te convencer que me prejudicavas se ficasses comigo? Eu pedi-te para ficares comigo, disse-te que sem ti não era capaz de ser feliz. – Fiz uma pausa engolindo em seco. - E tu acreditaste nelas.

Silêncio.

- Desculpa não queria magoar-te. Pensei que o Charlie pudesse fazer-te ainda mais mal.

- O Charlie? O máximo que ele me podia fazer, fê-lo à tua frente. Ele já não me é nada. Agradece ao teu pai por mim, e diz-lhe que quando acabar o curso lhe pago tudo o que está a gastar comigo.

-Bella, tenta compreender.

- Tu não me defendeste de nada e deixaste-me sozinha sem me dizeres nada. Fica bem Edward. Adeus.

- Bella, espera.

Desliguei o telefone. Eu iria esperar mas não por ele. Eu iria esperar para sempre por alguém que nunca viria, simplesmente porque o meu sentimento era de tal forma intenso e absorvente que nunca desapareceria e porque o Edward que eu tanto amava não existia. Larguei o telefone e desabei chorando desalmadamente.

publicado por Twihistorias às 20:19

05
Jun 13

Capítulo 41

Tinha passado exactamente 5 dias desde a revelação da Bella.

Desde aí não conseguia dormir direito e muito menos comer. Qualquer tipo de sensação no estomago era razão de alarme. O Dr. Carlisle examinava-me todos os dias. Mas não sabíamos o que fazer, apesar de não ser a primeira gravidez vampiro-humana, eram tão escassas que não se sabia quando é que as mesmas se manifestavam.

Hoje era a audiência final.

Nos últimos dias ouvi relatos de médicos, policias, peritos no assunto, psiquiatras, amigos do Chester e antigos amigos meus, familiares do Chester. O Ethan também testemunhou assim como o meu amigo Ryan. Quem mais me surpreendeu foi mesmo a Rebecca testemunhar a meu favor. Divulgou a toda a gente o que tinha inventado ao Ethan e até me pediu desculpa. Até eu fui obrigada a testemunhar. Um testemunho sem qualquer tipo de emoção, com um muro bem alto para me proteger como sempre dos olhos alheios. Fui obrigada a revelar todos os pormenores da violação, a reviver tudo mais uma vez.

Em contrapartida, quem mais surpreendeu toda a audiência foi o testemunho da Cassie e da Faye. Ambas também foram vítimas do Chester. À minha semelhança ambas usavam o cabelo curto e pintado. A Faye usava um cabelo vermelho e e Cassie usava o cabelo preto, assim como eu.

A violação da Faye aconteceu 6 meses antes da minha, a Cassie aconteceu à pouco mais de um ano. A de cabelo vermelho ganhou coragem pela primeira vez de assumir o que lhe tinha acontecido. Disse que não falou mais cedo, porque à minha semelhança teve vergonha. Já Cassie não falou antes por medo, uma vez que o Chester se dava demasiado bem com a sua irmã, ela tinha medo que ele fizesse alguma coisa à irmã dela para se vingar. Falou agora porque já não havia perigo e porque era injusto eu ser presa por ter feito “o que estava certo”.

No entanto, fez questão de antes de abandonar o tribunal me dizer que não o fez por mim. Aliás, que me odiava a mim e a todas as outras por não termos feito queixa dele. Por não termos tido a coragem na altura. Porque se o tivéssemos denunciado na altura, talvez ela agora não vivesse num inferno. Talvez conseguisse ter a vida com que sempre sonhou. Conseguisse confiar nas pessoas. Não ter medo de um simples “Olá”.

Na altura não lhe respondi. Como o poderia fazer? O que poderia ter dito? Todas as acusações que ela proferiu foram verdade. Se na altura tivesse falado, talvez ela agora ainda fosse uma menina normal. Talvez se a Faye tivesse falado na altura, eu ainda fosse normal.

No fundo passei a “odiar” a Faye e todas que me antecederam no caso Chester.

Ouvi um bater na porta do meu quarto.

-Entre! – disse de forma monótona.

À semelhança dos outros dias, Ethan adentrou pelo meu quarto com uma bandeja recheada de comida para o meu pequeno almoço. E mais uma vez torci o nariz perante aquele montante de comida.

Só de olhar ficava enjoada. E só o pensamento “enjoos” fazia com que o meu estomago desse um nó.

Não podia estar gravida. Não queria.

Bella tinha-me explicado algumas coisas da sua própria gravidez e das duas uma, ou morria ou virava vampira. O problema é que não sabia qual das duas opções queria escolher.

Porquê que não poderia continuar como sou agora? Apesar de não gostar muito desta Kelsi, eu gostava do conhecido.

E principalmente gostava de poder ter uma opção de escolha. Eu queria poder escolher se queria ser humana, vampira ou ainda morrer.

No entanto, basicamente aquilo que o Bentley me tinha feito era colocar entre a espada e a parede, ou vês o teu filho crescer ou não! Sim, porque era só isto que eu conseguia pensar quando olhava para ele. Era como se ele me tivesse traído.

Não me tinha deixado escolher ficar com ele por livre vontade. Não! Tinha que colocar uma possível criança no meio.

Não conseguia ver ou pensar no Bentley sem sentir raiva.

-Tens que comer Kelsi. – os meus pensamentos foram interrompidos pela voz de Ethan que pousava agora a bandeja à minha frente e se sentava à minha frente na cama.

-Não consigo. – a minha voz foi realmente sincera. Para além dos nervos do possível hipotético bebé, do Bentley, tinha o final da minha audiência. Os júris tinham chegado ontem à noite a uma conclusão.

-Consegues Kelsi, eu estou aqui para o que der e vier. Tudo vai correr bem. – a voz do Ethan era doce e calma.

Sabia que ele não se referia apenas ao final da audiência, mas também à possibilidade de eu ter um bebé.

Era isso mesmo a impressão natural. Nestes últimos dias tinha finalmente compreendido o que era a impressão natural. E compreendi que a coisa não funcionava num só sentido. Eu não conseguia ficar longe do Ethan, tínhamos uma ligação tão forte, tão unida que era simplesmente impossível não passar um dia sem ouvir a voz dele, sem o ver.

E apesar de muita gente pensar que era amor, não, é diferente. A impressão natural é algo mais do que amor, é querer o bem do outro não importa o quê. E apesar de ser forte a nossa relação para mim, imagino que seja mais forte no lobo.

No entanto, não podia admitir que estava apaixonada pelo Ethan. Quer dizer, talvez até estivesse, mas também não podia negar os sentimentos que tinha pelo Bentley apesar de tudo.

Estava tão confusa a minha cabeça.

A única coisa que sabia é que queria aproveitar o facto de ter ali o Ethan.

Sorri e lá peguei numa torrada e fiz um esforço para comer.

-Estás a ver, não é assim tao difícil. – disse ele pegando noutro pedaço de torrada. Sorriu para mim e deu a primeira dentada.

Sorri perante o seu jeito infantil, por vezes fazia lembrar-me o Jackson. Como sentia saudades do meu menino.

O meu sorriso começou a desaparecer. Apercebi-me da possibilidade de estar gravida novamente, e de que este bebe nunca seria o Jackson, nunca teria os mesmos traços. Não seria o Jackson.

Dei por mim a desejar que fosse uma menina, para não haver riscos de comparações.

-O que foi? – perguntou Ethan.

-Nada, simplesmente lembrei-me do Jackson. Vocês eram tão parecidos. Deu-me saudades.

Ethan levantou-se depois das minhas palavras e enfiou-se na cama comigo. Abraçou-me e consolou-me.

-Tenho a certeza que onde ele está, está a olhar para ti e tem demasiado orgulho em ti. E um dia nós iremos para perto dele e vamos matar as saudades todas. Aliás, agora tens que te preocupar contigo e com… - não terminou a frase, apenas olhou para a minha zona abdominal.

Ainda lhe custava falar no bebe que eu provavelmente teria a formar-se dentro de mim. Não o forçava a falar nisso, o mais certo era ser incómodo para ele falar nisso. Apesar de uma pequena parte de mim querer falar sobre isto com alguém que eu conhecesse e me sentisse À vontade.

Não tinha nada contra a família do Bentley, mas eu não os conhecia assim tão bem. Apesar de simpáticos, eu tinha acabado de conhecer aquelas pessoas.

-Sim, eu sei… - disse de forma a protege-lo daquela conversa.

-Kelsi, sabes que eu te adoro, certo? Que faço qualquer coisa para te ver feliz. – acenei com a cabeça. – Apesar de ter evitado falar nisto, porque me custe, sabes que te vou apoiar aconteça o que acontecer. A ti e a esse bebé. – por fim, ele falou. Enrosquei-me um pouco mais nele, sabia bem sentir o calor que emanava dele. – Kelsi, posso odiar o pai da criança, mas amo a mãe, e nada nem ninguém lhe vai fazer mal. Prometo.

-Obrigado. – pronunciei enquanto o abraçava por baixo dos cobertores.

Fechei os olhos e foi como se recuasse no tempo. Sentir os braços do Ethan a circundar o meu corpo, ouvir a voz dele a dizer o quão importante eu era para ele. Que sensação de deja-vu.

Ethan continuou a falar, mas o significado das palavras dissipavam-se no ar. Apenas relembrava os momentos em que eu era uma menina normal, que o maior dos meus problemas era se tinha estudado o suficiente para o teste do dia seguinte.

Era bom estar naquela realidade alternativa, como desejava poder voltar aquele tempo.

Estava tão absorta nos meus pensamentos que dei por mim a beijar o Ethan. Foi um beijo como à muito tempo não dava, um beijo tão familiar para mim.

Parecia que o beijo ganhava vida a cada segundo, que contagiava todo o nosso corpo.

Era como se aquilo fosse a minha anestesia. E eu necessitava de uma urgentemente para descontrair.

As nossas mãos começavam numa coreografia ritmada de reconhecimento dos nossos corpos.

-Kelsi. – ouvi-o sussurrar o meu nome de uma forma que há muito não ouvia. As borboletas no meu estomago deram sinal de vida. Os meus olhos ainda permaneciam fechados. A única coisa que me fazia saber que não tinha voltado atras era o peso da pulseira electrónica no meu tornozelo.

Os nossos corpos rodaram e senti o peso do corpo de Ethan sobre o meu. O nosso beijo ganhava vida.

Apenas fomos interrompidos com o sonoro barulho do tabuleiro ser derramado da cama.

Ambos olhamos para o chão todo sujo com o leite e sumo derramado na carpete e não conseguimos evitar rir-nos.

Os nossos olhos voltaram a cruzar-se no meio dos sorrisos e o momento foi um pouco constrangedor no entanto sabia bem estar com o Ethan.

Ethan depositou s lábios nos meus mais uma vez.

-Menina Kelsi, apesar de adorar a sua companhia, acho que está na hora de se arranjar. – dizia ele entre beijos. Os meus braços à volta do seu pescoço não o deixavam afastar-se de mim.

A verdade é que não queria que ele parasse de me beijar, isso significava que os problemas iriam todos voltar e eu iria voltar a ser a Kelsi que necessita ser reparada.

Ainda queria esta sensação por mais um tempo. Queria continuar-me a sentir a velha Kelsi por mais uns momentos. Eu necessitava disso.

-Fica só mais um pouco. – pedi enquanto o prendia com mais força e o beijava novamente.

Ethan não lutou contra, ao invés disso senti-o sorrir e entregou-se.

Ao fim de cinco minutos de caricias e beijos, estava na altura de voltar à realidade.

Tinha que me arranjar para aquilo que seria provavelmente o meu último dia de liberdade.

Levantei-me, deixando o Ethan a apanhar as coisas do chão e dirigi-me à casa de banho. Enchi a banheira, coloquei sais de banho, espuma, tudo a que tinha direito e entrei lá para dentro.

Enquanto lá estava, pensei em tudo que me tinha acontecido, no que ainda me poderia acontecer. Passei a mão pelo meu ventre. Qual seria a minha escolha? Sobreviver como vampira ou morrer e não ver o meu filho nascer?

E se não estivesse gravida? Seria tudo mais fácil, mas não era.

Sabia que tinha que escolher entre o Bentley e o Ethan, e não é uma escolha fácil. Como era possível amar os dois de formas tao diferentes?

O Dr. Carlisle viria aqui a casa antes de eu ir para o tribunal. Hoje iria ter que saber se estava de facto gravida ou não.

Era impossível ir gravida de uma criança especial como esta para a prisão. Era simplesmente impossível.

A pele na ponta dos dedos denunciava o longo tempo que já tinha passado naquela banheira. Saí e não consegui evitar admirar-me ao espelho, tentava avaliar se a minha barriga tinha crescido ou não.

“Cresceu” pensei.

Mas depois virava novamente mais um pouco e já parecia igual ao de sempre.

Depois voltava a parecer maior noutro angulo.

Abanei a cabeça na tentativa de sacudir estas ideias e afastei-me.

Definitivamente estava a dar em louca.

Agora era só esperar que o médico viesse e me observasse e desse o veredicto acerca das minhas escolhas, vampira ou morte.

Provavelmente iria escolher vampira, não iria deixar um filho meu sem mãe. Mas eu não me sentia preparada para isso. Eu estou toda quebrada, cheia de defeitos. Ser vampira agora não é o melhor para a minha sanidade mental.

Ouvi a campainha, era ele.

Vesti-me a correr e desci as escadas de encontro ao Dr Carlisle.

Bentley estava ao lado do homem loiro. Um sorriso tímido surgiu nos lábios dele assim que me viu.

Ainda não tinha falado com ele. Recusava-me.

Sabia que estava a ser infantil, mas não queria saber. Ele tinha mais que me alertar que o sistema reprodutor ainda funcionava. Eu sentia-me um pouco traída, como se tivesse sido esta a forma dele me “prender” a ele.

Como se me tivesse privado da escolha.

-Vou deixar-vos falar um pouco – disse o doutor – Senhora Miller, será que me pode fornecer um copo de água. – disse à minha mãe que prontamente lhe indicava o caminho para a cozinha.

Vampiros não bebem água, por isso foi mesmo a desculpa de “vocês tem que falar”.

E afinal de contas, ele tinha razão, nós tínhamos que falar.

Dirigi-me aos sofás fazendo sinal ao Bentley para me acompanhar. Ambos nos sentamos, inicialmente com ele no sofá em frente.

-Kelsi.. – começou.

-Depois volto para te buscar Kelsi. – disse Ethan vindo da cozinha e saiu disparado da casa, sem nem me dar hipóteses de dizer nada.

Mais uma vez tinha feito asneira. Tinha magoado alguém que gostava de mim.

Sentia cada vez mais a necessidade de fazer uma escolha, mas não queria. Esperava sinceramente nunca ter que a fazer.

O mais certo era essa escolha já ter sido feita no momento em que fiz amor com o Bentley, mesmo que inconscientemente, essa escolha tinha-me sido retirada nessa noite. Comigo gravida de um vampiro era simplesmente impossível ficar com o Ethan. Teria sorte se ele falasse comigo depois do bebe nascer e eu ser vampiro, isto se eu escolhe-se ser uma.

Caso não estivesse gravida, seria condenada a uma longa pena de prisão. O Ethan como lobo iria manter-se igual ao que é agora, sem envelhecer. Já eu, quando saísse da prisão serei uma velhota.

Por isso de qualquer das formas, a minha relação com o Ethan está condenada. Pior que isso, é que ele também o sabe.

Então porquê que doi tanto? Porquê que custa dizer adeus aquele que sempre foi o amor da tua vida?

-Lamento muito tudo isto Kelsi. – disse Bentley como se soubesse o que me ia na cabeça. – No momento não pensei nas consequências. Devia ter-te avisado na possibilidade de os vampiros machos ainda terem filhos. Mas juro-te que não me lembrei, nem pensei nisso. Tudo que aconteceu naquela noite foi tão genuino, com tanto amor, tão…

-Eu sei Bentley. – e sabia, ele nunca me iria magoar, nem ser egoísta a este ponto. No fundo eu nunca estive chateada com ele.

Foi quando eu me apercebi de uma coisa.

– Eu não estou chateada contigo, nunca estive. Eu estou com medo. – admiti por fim.

Tinha medo de tudo, da audiência, de magoar mais pessoas, de estar gravida, do desconhecido.

Eu tinha medo!

As escolhas não eram o meu problema, o problema eram as consequências dessas escolhas. Era algo completamente desconhecidas para mim. Eram arriscadas. E eu temia tudo isso.

Detestava admitir a minha fraqueza, mas ela estava lá. A minha maior fraqueza era o desconhecido, e quando a enfrentava erguia o meu muro tão alto que era quase impossível penetrarem.

-Eu estou aqui Kelsi, para tudo. O Ethan também está aqui. A tua mãe. Toda a gente está aqui para te apoiar. E ninguém vai a lado nenhum. – Bentley levantou-se do sofá e veio sentar-se ao meu lado abraçando-me.

As pazes entre nós estavam feitas.

Afinal de contas, eu também o amava.

-Todos nós te amamos Kelsi. Todos vamos ficar ao teu lado.

Não se eu morre-se, ou se vira-se vampira. Havia pessoas que iriam desaparecer para sempre. E isso magoava-me.

-Eu sei. – disse abraçando-o e depositando um beijo no pescoço dele.

Dois homens que eu amava, e ambos tão diferentes.

-Mas não vão ficar todos por perto muito tempo. A minha mãe não pode saber dos vampiros e o Ethan não vai querer saber de mim depois que eu me torne uma vampira. Isto é se eu não morrer no parto. – disse com toda a sinceridade.

Já tinha escolhido. Iria ficar com o Bentley, afinal de contas iriamos ter um filho. Desta vez iria fazer as coisas direitas, o meu filho iria viver com o pai e a mãe, como uma verdadeira família.

Sim, o Bentley iria ser a minha família. Estava decidido.

Agora teríamos que começar a combinar como é que eu iria escapar à prisão. O quê que eles iriam fazer?

Será que me iriam levar de forma a eu desaparecer sem deixar rasto? E como é que eu iria explicar isso à minha mãe? Será que iria voltar a ver o Ethan?

Só de pensar que nunca mais o veria doía-me o peito. Não me iria despedir. Afinal tivemos a nossa despedida hoje de manhã.

-Bentley. – chamei-o. – Como vamos fazer? Eu não posso ir assim gravida para a prisão?

Ele desembaraçou-se do meu abraço e segurou-me nas mãos. Depois sorriu para mim, apesar de os olhos dele serem um pouco tristes.

-Kelsi, tu não estás gravida. – as suas palavras foram pronunciadas com precisão.

Aquela noticia apanhou-me de surpresa.

-Como é que sabes? Eu não fiz nenhum teste ainda. – disse confusa.

-Soube assim que entrei por aquela porta, assim como o Carlisle. Não há batimento cardíaco Kelsi. Apenas o teu. Tu não estás gravida. – explicou ele.

Oh meu Deus. Eu não estava gravida.

Mas o sorriso que eu esperava não surgiu na minha face. Não senti a alegria que pensava. Já estava tão convencida que estaria gravida que agora que sabia que não estava foi quase como se perdesse um filho e voltava novamente a um desconhecido.

-Tens todas as tuas escolhas em aberto Kelsi. Podes decidir fazer o que quiseres com a tua vida Kelsi.

Voltava tudo ao início.

O quê que eu queria?

Neste momento iria começar por ir a tribunal ouvir a minha sentença. Era algo que já há muito tinha decidido. Iria pagar pelo meu crime. Tudo o resto teria tempo.

Abracei o Bentley e permanecemos ali, ora em silêncio, ora a discutir o que poderia acontecer. Ele já sabia o que iria acontecer, a prima dele, a Alice já tinha visto a decisão dos jurados. Mas ainda assim pedi para ele não dizer nada.

Apenas compreendi que seria condenada. Nada que já não tivesse à espera.

Bentley prometeu-me escrever todo o tempo em que eu lá estivesse, e durante um ano teria visitas dele. Poderia até escolher a altura em que queria essas visitas. No entanto se se prolongasse por mais de um ano, as pessoas iriam estranhar o facto de ele não envelhecer.

Ao fim de algumas horas de conversa, os advogados já la estavam, assim como alguns policiais para me acompanhar ao tribunal, o Ethan com os pais também fizeram questão de estar presentes para apoiar a minha mãe.

Apesar da decepção de não estar gravida, estava feliz por talvez ainda ter a hipótese de escolher. Ainda podia usufruir mais tempo da minha mãe, do Ethan e da minha insignificante vida de humana. Teria muito tempo para fazer as minhas escolhas.

Dirigimo-nos ao tribunal.

Ao contrário dos outros dias, hoje a audiência seria rápida. Era apenas para ler a minha sentença. Os jurados levaram dois dias para chegar a um acordo. Os meus advogados diziam que isso era bom, alguém estava a favor de eu levar uma pena pequena ou mesmo nenhuma.

Patrick, o meu advogado, ainda acreditava que eu fosse absolvida, no entanto Jasper não acreditava nisso. Aliás, ele já sabia de antemão pela mulher o que iria acontecer.

Chegou o momento, todos se levantaram para ouvir as palavras da juíza.

A minha respiração prendeu-se.

Lancei um rápido olhar ao Bentley que me sorriu do fundo do tribunal, depois a Ethan que pronunciou com os lábios “Estou aqui” de forma inaudível e a minha mãe que estava tão ou mais apavorada que eu. Tentou sorrir-me, mas as lágrimas já ameaçavam cair, denunciando assim o seu nervosismo. Foi a minha vez de olhar para ela e à semelhança do Ethan disse-lhe “Eu adoro-te”. Isso fez o seu sorriso abrir-se, mas as suas lágrimas começaram imediatamente a cair. Depois olhei para Emily e Sam, eram eles que iriam ter que apoiar a minha mãe. Contava com eles para isso. Ambos entenderam e acenaram afirmativamente que sim com a cabeça.

Voltei a olhar para a frente.

Uma lágrima caiu no momento em que a juíza Nina se aproximou do micro para dizer a sentença.

-A arguida foi dada como culpada. – ouviu-se o burburinho de fundo, alguns de felicidade, como era o caso da mãe do Chester, e outros de tristeza.

Apesar de já estar à espera, foi como se o meu mundo tivesse desaparecido.

-Assim – continuou ela - o ministério da justiça americano sentencia a arguida, Kelsi Miller, por decisão do júri e corroborada pelos juízes deste tribunal a 24 anos de prisão com revisão da pena aos 7 anos pelo crime de homicídio de Chester Stroup com a atenuante de não indícios criminais e violação.

Vinte e quatro anos de prisão era o que me esperava, mais daquilo que eu já tinha vivido até agora. Iria sair da prisão com 43 anos. Olhei em volta, conseguia ouvir as lamurias da minha mãe. Olhei para Ethan e Bentley, tentei sorrir para eles. Tinha acabado de os perder, ao dois.

Tentei memorizar cada pormenor da face deles, iria sonhar com eles nos próximos anos.

-Concluindo assim o caso Kelsi Miller Vs Chester Stroup – e com isto o martelo bateu e deu-se por terminado este pesadelo.

Agora iria começar um outro.

A minha nova morada vinha a seguir e não iria ser fácil.

publicado por Twihistorias às 18:00
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