27
Fev 13

Capítulo 32 - June

Tinha acordado há pouco e ainda tomava o pequeno-almoço, quando uma enfermeira entrou no quarto, empurrando o pequeno berço.

- Bom dia Senhora Pattinson, como foi a noite? Sente-se bem?

- Estou bem, obrigada. Um pouco cansada, mas tudo bem...

- Já sabe, qualquer coisa chame! O seu marido deve estar a... – Uma batida na porta interrompeu-a.

- Bom dia! Posso? – Robert entreabrira a porta e espreitava para dentro do quarto.

- Bem, vou deixar-vos... Qualquer coisa é só chamar! – Disse, piscando-me o olho, antes de se esquivar, passando por Rob apressadamente.

Ele aproximou-se da cama e curvou-se, depositando um beijo de bom dia nos meus lábios.

- Como estás amor? Conseguiste descansar?

- Sim, ainda consegui dormir um bocado...

- E esta princesa, portou-se bem? Deixou dormir a mãe? – Disse, abeirando-se do berço e dando um beijo na testa da nossa filha, que dormia com o ar mais sereno deste mundo.

- A enfermeira acabou de a trazer...

- Ela é tão parecida contigo... Ainda estive um pouco com ela ontem e é impressionante... O formato da boca, dos olhos, até o nariz é fino e arrebitado como o teu...

- Ah não é nada! E o meu nariz não é arrebitado! – Disse, fingindo indignação, enquanto cruzava os braços sobre o peito.

- É sim... É o narizinho mais lindo e arrebitado que eu já vi... Não é filhota? – Rob roçou levemente a ponta do indicador no pequeno narizinho da nossa filha e ela respondeu com uma careta e começou a piscar os olhos como que a anunciar-nos que estava prestes a acordar.

Rob depressa retirou a mão, não querendo perturbar o seu sono, mas ela já abria os olhos e deu um pequeno bocejo antes de nos brindar com o sorriso mais lindo do mundo.

- Bom dia minha princesa! Anda cá ao pai... – Disse, ao mesmo tempo que a retirava do berço com o máximo cuidado. – Anna, hoje à tarde se não te importares gostava de ir resolver com o Tom uns assuntos da produtora. Ele pediu-me e...

- Vai à vontade... Também precisamos de descansar as duas, não é bebé?

- Isso já acho difícil... A Lizz vai passar por cá com os meus pais esta tarde...

- Ela já a viu?

- Oh nem imaginas a festa que ela fez... Parece-me que vai ser uma tia galinha...

- Mas isso ela já é! Às vezes quase sufoca o Miguel... O que vale é que ele gosta da atenção...

- Pois, acho que tens razão.

- E, por falar em Miguel... Temos de nos decidir... Marie Clare ou Clare Marie? Ou continuas com a ideia de Mariann?

- Sabes, ontem à noite surgiu-me outra ideia, mas se calhar também não vais gostar...

- Se não me disseres, nunca vais saber se gosto... Vá lá Rob, desembucha!

- Eu tinha pensado em June, mas bem, era só uma ideia...

- June? A Deusa da bondade? A sério?

- Pois, sabia que não era uma boa ideia... Mas não foi por isso... Lembrei-me que foi nesse mês que o nosso amor nasceu... Muito sentimentalista?

Abanei a cabeça e estendi os braços para receber a minha filha que de repente começara a chorar.

- June... – Sussurrei-lhe baixinho, enquanto a embalava. – O que achas? Fazemos a vontade ao pai? – Não sei se foi pelo som da minha voz, mas ela quase engoliu um soluço, parou de chorar e olhou para mim muito séria, como se soubesse que o que eu estava a dizer era importante.

- Então June? A menina gosta? Gosta? – Do nada, ela abriu um sorriso. Era a primeira vez que a via sorrir assim de perto e dava tudo para a ver sempre assim.

- Pronto Rob, ganhaste! A tua filha gosta...

Ele beijou-me e agradeceu com um sorriso, antes de o seu telemóvel tocar o sinal de mensagem.

Robert afastou-se rapidamente e tirou o telemóvel do bolso, lendo a mensagem.

O que quer que fosse que estava lá escrito não o deve ter agradado nada, pois pareceu-me ter feito um esgar de desagrado, espanto ou algo parecido que não consegui entender, mas no momento seguinte já tinha desaparecido e perguntei-me se não andava a imaginar coisas.

- Está tudo bem amor?

- Sim querida, claro que está tudo bem! Vocês estão aqui comigo, estão bem, que mais poderia querer?

- O que se passa? – Perguntei, acenando em direcção ao telemóvel.

- Ah, nada querida... É só trabalho. Mas hoje à tarde fica resolvido. – Respondeu-me, enquanto voltava a colocar o telemóvel no bolso.

- Bem, tenho de dar de mamar à menina... Queres ver?

- Desculpa amor... Vou mesmo ter de ir. Combinei com o Tom no Spago ao meio dia e ainda aqui estou.

- Ok, tudo bem! Vemo-nos logo?

- Claro, meu amor. – Disse e despediu-se de mim e da nossa filha com um beijo na testa.

publicado por Twihistorias às 18:00

24
Fev 13

Capítulo 38

-Já vais? – perguntei ao Bentley assim que o vi a dirigir-se para a porta.

Ele apoiou todo o seu peso numa só perna e rodou a cabeça na minha direcção, no entanto os seus olhos não encontraram os meus. Invés disso fitavam o chão.

-Tenho a minha família em casa. Tenho que ir. – a sua voz era triste.

Não o conseguia censurar. Primeiro reagi com ele da pior forma, quando ele apenas me queria proporcionar um momento especial antes do julgamento. Meu Deus, como é que eu fui capaz de pensar o pior dele, como fui capaz de desconfiar dele tão facilmente.

Já para não falar da viagem de volta a Forks. A mesma foi realizada em silêncio absoluto.

Tinha-lhe pedido desculpa, mas não cheguei a obter resposta, em vez disso ele arrancou a oda a velocidade e trouxe-me de volta ao conforto da minha prisão domiciliária.

Ethan ainda lá ficou. Iria viajar de avião.

Só o iria voltar a ver momentos antes do julgamento.

No entanto, a única coisa que me preocupava é que tinha feito asneira e tinha magoado, com as minhas inseguranças, a única pessoa, que em toda a minha vida, nunca me traira, e que sempre esteve ao meu lado a apoiar-me.

A frieza das suas palavras, a magoa que o som das mesmas transmitiam, o facto de ele não me olhar, tudo isso eram como facadas no meu peito.

Embora eu merecesse todas elas.

-Ah, não sabia. – disse com toda a sinceridade, o que não esperava é que a minha voz transmitisse a minha desilusão. Estava tão habituada a controlar as minhas emoções. Mas com Bentley parecia não resultar. Por isso antes que conseguisse impedir, dei por mim a perguntar desesperadamente. - Mas voltas mais tarde?

-Provavelmente não. Já não estou com os Cullen e as minhas irmãs à muito tempo. Devemos ir para longe caçar. Conviver. – disse ainda com uma voz fria.

-Bentley por favor desculpa. – voltei a pronunciar avançando na sua direcção.

-Como queiras Kelsi. – disse antes de rodar a maçaneta da porta. – Vemo-nos no julgamento.

E com isto saiu.

E eu fiquei ali, sozinha a ver o meu amigo, o único que ainda tinha, partir.

Amaldiçoei cada partícula do meu corpo por o ter magoado. Como é que fui capaz de pensar que ele me trairia? Depois de tudo que ele fez, de tudo que já me provou? Como fui capaz de pensar aquilo assim, tão rapidamente?

Uma lágrima escorregou pela minha face.

Iria ter um dia inteiro sozinha fechada naquela casa. A minha mãe só iria voltar hoje à noitinha e até lá tinha que me entreter com qualquer coisa.

Subi as escadas, tomei um banho, depois deitei-me um pouco sobre os cobertores da minha cama e tentei dormir um pouco.

«Talvez assim o tempo passe mais depressa.» pensei.

Acordei algumas horas depois, arrependida por ter adormecido. Tinha tido vários pesadelos, com a prisão, o Chester, o Jackson.

Levantei-me e fui até à cozinha comer qualquer coisa.

Jesus, as horas nunca mais passam. Ainda nem quatro da tarde era. O que iria fazer até a minha mãe chegar?

Dirigi-me ao quartinho da ginástica, subi para o topo da barra e comecei a alongar-me um pouco. Mas ao contrários das outras vezes, isto não estava a aliviar o stress.

O julgamento era já amanhã, estava sozinha, a noite tinha sido cheia de emoções e para piorar o Bentley estava chateado comigo.

Sentei-me no sofá com um balde de gelado em frente à televisão.

Recordei os momentos que passei com o Ethan na noite anterior.

Os meus dedos irreflectidamente elevaram-se aos meus lábios assim que recordei o beijo do Ethan. Admito que senti um pouco da velha Kelsi naqueles breves momentos. O toque dele fazia ressuscitar velhas memórias, velhas sensações.

Não nego. Eu gostei, muito.

No entanto, aquilo não significava que eu tinha esquecido o passado. Que ao pensar nisso ainda me magoava.

Aqueles beijos, apesar de tudo, não significava que eu e o Ethan estávamos juntos novamente.

Claro que eu ainda amava o Ethan, eu iria sempre ama-lo. Bolas, ele foi o meu primeiro amor. E mesmo já o tendo perdoado, eu não conseguia esquecer. Pelo menos ainda não.

Oh meu Deus…será que..será?

Será que o Bentley não está apenas chateado comigo por causa da minha desconfiança para com ele? Será que ele sabe dos beijos com o Ethan?

Não que eu e o Bentley namorássemos, mas…também não eramos apenas só bons amigos.

Bolas.

Porquê que a vida é tão complicada?

Continuei a ver os episódios que restavam da saga pretty little liars.

Sim, iria finalmente descobrir quem era a A.

As horas foram passando, assim como os segredos das quatro amigas eram revelados. No entanto a cada momento eu lembrava-me do Bentley. Afinal era com ele que eu assistia aquilo. Sem ele, a descoberta da A não era a mesma coisa.

Deixei mesmo muitas vezes de prestar atenção ao próprio episodio para pegar no telemóvel e digitar uma mensagem ao meu vampiro favorito. Mas no momento de enviar faltava sempre a coragem.

«Não Kelsi, ele não vem hoje. Ele também tem direito a usufruir da família dele» dizia vezes sem conta a mim mesma.

Faltava menos de uma hora para a minha mãe chegar com a Emily quando o ultimo episódio terminou. Como seria de esperar a A surpreendeu-me, não estava de todo à espera.

Não conseguia deixar de pensar em toda a serie, e como agora certos pormenores das outras temporadas faziam sentido e como era tão óbvio.

Mas o facto de a A ser….

-Kelsi cheguei. – sobressaltei-me com a voz da minha mãe.

Tinha adormecido no curto espaço de tempo desde que o episodio terminou e ela chegou.

Peguei no comendo e desliguei a televisão.

Brindei a minha mãe com um sorriso assim que ela entrou na sala.

-Então filhota adormeces-te? Como foi o teu dia? Sentiste-te muito sozinha? – as perguntas não terminavam.

-Está tudo bem mãe, não se passou nada de mais, apenas terminei de ver a série. – respondi.

Depois de conseguir com que ela não me fizesse mais perguntas e tentando-me esquivar ao facto de ter que lhe mentir sobre grande parte dos acontecimentos. Discutimos todos os episódios dos DVD’s da pretty little liars.

Admito que fiquei surpreendida pelo facto de a minha mãe ainda se lembrar tão bem da serie.

O tempo passou sem eu dar por ele. O que acabou por ser bom, pelo menos fez com que eu não pensasse no julgamento do dia seguinte, nem nos momentos na campa do Jackson e muito menos no Bentley.

-Kelsi, amanhã é um grande dia. Acho melhor irmos dormir. – falava a minha mãe.

Concordei com ela. Amanhã seria de facto um dia cheio de emoções e eu não tinha dormido nada na noite anterior. Já para não falar que esta seria talvez a minha ultima noite tranquila, provavelmente amanhã já estaria de volta a uma cama de uma cela numa prisão qualquer.

Sim, oficialmente eu teria que ir para a cama.

Subi as escadas para me dirigir ao quarto.

Vesti uma t-shirt velha com uns calções e lá estava eu, pronta para ir para o vale dos lençóis.

Uma vez na cama, conseguia-me visualizar naquele conto da princesa e a ervilha. Na qual a princesa dormia em cima de dezenas de colchões, no entanto não pregou olho a noite toda porque tinha algo que a incomodava. Uma pequena ervilha colocada estrategicamente entre os colchões. Era mesmo isso que eu sentia, milhares de ervilhas no meu colchão.

Por mais voltas que desse, a posição nunca era a melhor.

O meu telemóvel brilhou.

Era uma mensagem do Ethan a dizer que estava tudo bem e que amanhã me iria ver no julgamento.

Admito que fiquei desiludida, quer dizer, fiquei contente e desiludida ao mesmo tempo.

Contente por ver que o Ehan estava realmente do meu lado desta vez e que não tinha intensões de fugir. Mas desiludida porque o Bentley continuava sem dar noticias.

Tudo bem que ele estava com a família dele e que estava chateado comigo, mas mesmo assim, estava com esperança que ele me dissesse alguma coisa reconfortante.

As horas estavam a passar e os meus olhos teimavam em não se fechar.

 Era quase meia noite e eu ainda continuava às voltas naquela cama.

Comecei a pensar no Jackson e das saudades que sentia de o ter ali comigo. Ele sim, iria acalmar-me numa noite como esta.

As lágrimas começaram a correr pela minha face.

Não kelsi. Tens que ser forte!

Tens que voltar a ser forte se queres sobreviver numa prisão!

-Sê forte. – sussurrei enquanto limpava as lágrimas. – Não podes chorar mais.

Sim, era mesmo isso. Não me podia queixar mais.

Tinha que encarar o facto que o meu menino tinha morrido e que nunca mais o teria nos meus braços. Assim, como o facto de esta noite estar aqui sozinha talvez fosse bom para me habituar ao que se aproximava.

Não teria o Bentley para sempre.

Tinha que começar a ser forte. E iria começar agora!

-"Até o diabo pode chorar quando olha em volta do inferno e percebe que está sozinho..." – sussurrou uma voz no meu quarto. 

Fiquei hirta na cama ao som daquela voz, posteriormente um sorriso apareceu nos meus lábios.

-Bentley! – disse enquanto apressadamente me levantava na tentativa de o ver.

Conseguia ver o seu vulto em frente à minha cama. Uma alegria inexplicável inundou todo o meu corpo, da mesma forma que as lagrimas inundaram os meus olhos.

-Vieste. – a minha voz suava tão estupida.

-É, aparentemente não consigo ficar longe de ti. – o vulto aproximava-se de mim.

Apenas consegui sorrir ao que ele disse. Estava feliz por isso, eu não queria que ele se afastasse de mim.

Não conseguia perceber o porquê?

-E andas muito poético. – disse ao fim de algum tempo, apenas para quebrar o silencio constrangedor que se instalou sobre nós.

-Não, apenas citei o que li num livro. – disse de forma despreocupada.

Bentley estava agora sentado/deitado aos pés da cama, de frente para mim.

-Sabes que faz bem chorar, não sabes? E tens tempo amanhã para voltar a ser forte. Até lá, podes apenas ser tu, a Kelsi, e beneficiar de alguns sentimentos. – a voz dele parecia musica aos meus ouvidos.

Era estranho, como sempre que o ouvia sentia as borboletas no meu estomago, como o meu coração acelerava na sua presença, como o meu sorriso aparecia sempre que o via.

Acenei a cabeça perante o que ele me tinha dito. Ele tinha razão, acho que me podia permitir mais uma noite de realidade, de ser eu mesma. Aliás, com ele ali, era impossível eu me conseguir fechar. Raramente o conseguia fazer quando estávamos apenas nós.

-Desculpa por ontem! – disse quando relembrei o quão injusta tinha sido com ele na noite anterior.

Como fui capaz de pensar o pior sobre ele?

Ele não me respondeu, em vez disso sorriu. Apesar de não ser um sorriso com brilho.

-Fico feliz por teres vindo, mesmo estando chateado comigo.

-Eu não estou chateado contigo Kelsi. – apressou-se a dizer.

-Também não está tudo bem entre nós. Isso ficou claro esta tarde. – defendi-me.

Também não o poderia censurar.

-Bentley – voltei a falar perante o silêncio dele. – Eu sei que fui injusta ontem. Que pensei imediatamente o pior, mas…

-Nunca te dei razões para duvidares de mim. Custou-me ver que pensas-te logo que te estava a trair.

A voz dele transmitia a tristeza que todo o seu semblante tentava esconder.

Sem pensar desloquei-me na minha própria cama e sentei-me ao lado dele.

-Eu sei, e desculpa mais uma vez. Mas custa-me pensar o porquê de não o fazeres? Quer dizer, todos já o fizeram pelo menos uma vez. – apesar de doer dizer isto, era uma verdade.

No passado ou no presente, já tinha sido abandonada por todos.

Não fazia sentido o Bentley não o fazer também, afinal de contas, ele conhece-me à meia dúzia de meses.

-Ei.. – disse ele segurando na minha cara e rodando para ele. – Eu seria incapaz de te magoar Kelsi. Percebes isso? Por isso é que estou aqui agora, porque sabia que por mais magoado que estivesse contigo. Não merecias estar sozinha hoje.

Uma lágrima correu pela minha face.

Com um gesto delicado, Bentley limpou a minha lágrima.

-Isso e porque te adoro Kelsi. - o som daquelas palavras fizeram o meu coração falhar um batimento para no momento seguinte bater a toda a velocidade, como se quisesse repor aquela falha.

O olhar dele insidia no meu com toda a intensidade. Não havia mentira ali, não havia ódio, nem ressentimento. Apenas verdade, compaixão, amizade e talvez, só talvez, um pouco de amor.

E essa possibilidade fez toda a minha alma aquecer.

Instintivamente os nossos lábios uniram-se numa dança suave.

À medida que aquele beijo ganhava vida e os nossos corpos se aproximando um do outro, foi a vez de Bentley recuar.

Estranhei aquele comportamento, normalmente era eu quem recuava sempre.

Será que estava a ser demasiado para ele? Quer dizer, afinal de contas ele era um vampiro, o meu forte batimento cardíaco podia estar a incomoda-lo.

Ou seria algum problema humano? Eu tomei banho e lavei os dentes antes de vir para a cama.

Oh meu Deus, não estava de todo habituada a estas coisas. Quer dizer, tive três anos sem olhar para um homem, quanto mas tocar e de repente vejo-me no meio de dois. Isto estava de loucos.

Oh meu Deus, não pode ser isso, pois não? Será que o Bentley sabe que eu e o Ethan estivemos juntos ontem e agora está incomodado?

Não, não pode ser, pois não?

-Está tudo bem? – perguntei a medo.

-Sim é só que… - Bentley afastou-se mais um pouco e voltou-se a encostar à cama, ficando assim ao meu lado.

Eu continuava à espera que ele terminasse. Mas confesso que estava a começar a ficar arrependida por ter perguntado. Temia a resposta dele.

-Eu vou dizer a verdade… - começou ele, e aquelas palavras, fizeram-me tremer – É que eu não estava apenas chateado com o fato de ontem teres duvidado de mim. Eu vi-te com o Ethan, e isso magoou-me. Muito. E pensar que eu ajudei para que vocês ficassem assim. Não obstante, eu tenho que me conformar com isso, vocês tem uma ligação muito forte, eu entendo isso, mas não diminui a minha dor. E este beijo…- ele fez uma pausa encarando-me – este beijo Kelsi, ele significa tanto para mim. E não é justo.

Ele continuava a encarar-me, provavelmente à espera que eu diga alguma coisa. Mas o quê?

Eu estou tão enferrujada nisto.

O quê que se diz numa situação destas?

Quer dizer, não é que eu esteja a namorar com o Ethan, porque não estou. Mas também não quero que o Bentley pense que eu ando a usar os dois, porque também não é isso.

É só que...bolas, nem a mim eu sei explicar o que é.

Mas quando estou com o Ethan é como se muita coisa fizesse sentido, como se algo nos puxasse um para o outro. Acima de tudo, ele compreende-me de uma forma que nem eu consigo explicar. Não obstante, eu não consigo confiar nele a 100%, pelo menos não ainda. Estou sempre à espera que ele vire as costas.

Com o Bentley, é tão diferente. Ele pode nem sempre compreender as minhas acções, mas respeita-as. E tenta sempre fazer o que é mais certo para mim, mesmo que eu fique furiosa. Além de que nós temos a chamada “química” entre nós. Eu pareço uma adolescente com o primeiro namorado, quando tinha que ser tudo às escondidas. O primeiro beijo, o amor proibido. O amor impossível.

Com o Bentley era tudo tão intenso, tão novo.

Fazia-me vibrar com cada encontro, com cada piada, com cada palavra, cada troca de olhares, cada toque, cada beijo.

A verdade é que eu também gostava do Bentley.

Eu estava apaixonada por aquele vampiro imortal.

E apesar de saber que era uma relação condenada, porque não aproveitar esta noite? Porque não ser eu sem pensar nas consequências? Porque esta noite a minha barreira tinha desaparecido.

-Eu sei. E sei que o que vou dizer agora não faz qualquer sentido. – Conseguia denotar toda a curiosidade no seu olhar. – Eu adoro o Ethan, e sim temos uma história, um passado e provavelmente um futuro, por causa daquela coisa de lobos. Mas a verdade é que eu não consigo negar o fato de eu estar apaixonada por ti. Por mais que me digam que é errado estar contigo, que é perigoso que é impossível. Eu quero estar contigo, repreendi-me o dia todo pelo facto de estares chateado comigo e por causa disso não estares comigo hoje. Quando apareces-te à pouco…o meu coração disparou, o meu sorriso alargou, todos os pensamentos desapareceram e fiquei só eu e tu aqui. Eu adoro-te Bentley e pelo menos hoje quero estar contigo sem barreiras e sem medos. Contigo, – voltei a frisar – só contigo.

E foi no fim deste tipo de declaração que nos unimos num beijo demorado. Os nossos corpos uniram-se sem medos.

-Tens a certeza? – perguntava-me ele enquanto beijava o meu pescoço.

-Sim. – respondi com uma segurança que há muito não sentia.

O toque dele, o cheiro dele, o sabor dos seus lábios, tudo nele fez o meu corpo entrar em chamas. Este sentimento, à muito esquecido, era suficiente para me fazer esquecer tudo. Ali não havia ódio, nem mágoa, nem nenhum passado a atormentar os meus pensamentos.

Naquele quarto apenas havia amor, eu e o Bentley.

Ali, nos braços daquele vampiro, eu sentia-me em segurança.

Senti-o levantar-me a bainha da t-shirt.

Estremeci com aquele acto, o que o fez afastar-se um pouco, mas ergui a mão e enterrei os dedos nos seus cabelos e puxei a cabeça dele contra os meus lábios. Ele entendeu aquilo como um sim, e voltou a erguer a bainha da camisola. Tocou ao de leve com os dedos frios no fundo das minhas costas. Aquela diferença de temperatura fez arrepiar-me completamente, arrancando-me um suspiro.

Estava nervosa, e sabia que o Bentley conseguia sentir isso em mim. Afinal de contas era a primeira vez que estava assim com um rapaz depois daquilo com o Chester. Mas não havia lugar que me sentisse mais segura que os braços do Bentley.

Aos poucos as nossas roupas foram desaparecendo. Bentley era extremamente calmo e carinhoso comigo, e estava-lhe grata por isso.

Agora não tínhamos nada a separar-nos, era pele com pele. Necessitei de um segundo para registar a ideia na minha mente que estava prestes a ter relações sexuais ao fim deste tempo com um vampiro.

-Eu adoro-te Bentley! – disse num sussurro, tendo certeza qu era aquilo que eu queria. Mas mais do que isso, eu queria-o conhecer daquela maneira. Queria sentir a sua força a rodear-me e a preencher-me. Queria partilhar o meu corpo com ele.

Pela primeira vez ao fim de três anos eu queria realmente isto, apesar de todo o meu nervosismo. Queria entregar-me a alguém que sabia que não me ia magoar, a alguém com quem eu tinha uma ligação. Esse alguém era o Bentley.

-E eu a ti. – respondeu ele fazendo a minha alma aquecer.

E assim unimo-nos num só.

publicado por Twihistorias às 18:00
Fanfics:

22
Fev 13

Nota da autora: A surpresa que tinha prometido. Tinha-o escrito e cortado da fic na primeira versão mas depois achei que podia melhorá-lo um pouco e dá-lo a ler a vocês. Acontece imediatamente após o segundo encontro com Bella, naquele em que ela promete ajudar o Edward.

 

POV Alice

 

A minha cabeça não parava de arquitetar tudo. Nada podia falhar. Eu tinha que deixar tudo perfeito. O meu querido irmão nem ia perceber o que lhe estava a cair em cima. Quer dizer, isso ele ia sim.

Ri-me com satisfação. Tinha que instruir corretamente a tonta da Isabella, Bella, aliás. Iria ensinar tudo para ela. Mas para já, tinha que começar por ir às compras. Eu até já tinha uma ideia do que queria. Faltava o mais simples, convencer Bella a usar aquelas peças magníficas.

Disfarçadamente, segui-a e tirei-lhe umas fotos com o telemóvel. Eu precisava da ajuda de Rose para conseguir pregar esta partida a Edward. Antes de levar a Bellinha às compras eu tinha que analisar com Rose a melhor forma de colocar a minha ideia em prática. A Rose ia ficar maluca com tudo.

– É esta a mulher que vai dar uma lição ao Edward? – Perguntou Rose quando lhe passei o telemóvel com as fotos. – Ahahahahahahah

Fiquei à espera que ela acabasse de rir o mais pacientemente que consegui.

– És capaz de parar com isso e ouvir até ao fim?

– Bolas, Alice! Não é preciso gritar. O teu plano até é interessante mas esta mosca morta é demasiado feia para levar o Edward a cair nas suas garras. Olha só para a forma como ela se veste? Onde é que ela compra a roupa? Na companhia dos sem-abrigo?

– Rose!

– Fala a sério Alice. Ela veste pior que a minha falecida avó.

– Por isso mesmo. Se ela fosse uma rapariga como as outras e vestisse bem o meu plano não existiria. Repara bem nela. A cara dela não é feia. Imagina-a com um batom, uma sombra, rímel e um pouso de blush.

– Sim, és capaz de ter razão. Mas as roupas estragam tudo. E esse corte de cabelo?

– Nã, nã, nã. O cabelo é o melhor que ela tem. Isso e a sua pele livre de borbulhas e marcas. E acho que de corpo…

– Ah, não. É uma raquítica de peito liso.

– É o que parece por causa das roupas que ela usa. Hoje tive oportunidade de olhar bem para ela e acho que vamos fazer um makeover extraordinário. Estas fotografias serão a prova do antes e do depois.

– Tens a certeza que depois de a transformarmos numa mulher sexy ela não vai tentar roubar os nossos namorados?

– Claro que não. Ela é uma moça séria, séria até demais.

– Como é que a vais convencer a ir para a cama com o teu irmão se ela é assim como dizes?

– Eu sou capaz de tudo. Nunca duvides.

– Não sei, não. Não gosto muito do aspeto dela.

– Com ela vamos descartar a aproveitadora da Tânia.

– Agora já nos estamos a entender. O que vamos fazer?

– Primeiro tenho que ir às compras com a nossa querida Bellinha, depois vou arranjar maneira da Tânia descobrir que o Edward é um homem casado.

– Casado? Eles vão casar? Meu Deus, Alice. Não te quero para inimiga. Tu és diabólica. O que é que eu tenho que fazer?

Contei tudo o que queria e, tal como tinha previsto, ela adorou.

 

POV Isabella

 

Estávamos nas compras há menos de meia hora e eu já estava farta. Alice não me deixava tranquila um segundo. Que raio de ideia a dela. Eu não precisava de roupa nenhuma.

– Esse conjunto fica-te muito bem. Solta o cabelo para ver o efeito.

Fiz o que ela me pediu porque já tinha percebido que era uma batalha perdida negar as suas ordens.

– Muito bom. Com uma maquilhagem leve ficas extraordinária.

– Eu não costumo usar maquilhagem.

– Não queres ajudar o meu irmão? Tens que fazer boa figura. Achas que ele vai olhar para ti se usares as tuas roupas normais?

– Até parece que me estou a candidatar a amante do teu irmão, - respondi entre dentes.

– Não é uma ideia fabulosa?

Corei até à raiz dos cabelos e não consegui articular nenhuma palavra.

– Eu acho que ias gostar. O Edward tem fama de ser bom de cama.

– Não acredito que estou a ouvir isso, - resmunguei totalmente envergonhada.

– Relaxa, Bella. Tudo a seu tempo.

– O que é que queres dizer com isso?

– Que agora é tempo de escolher outro tipo de roupa. Esse conjunto está aprovado. Vamos levar.

– É caro.

– Tu mereces.

– Tenho pouco dinheiro, Alice. Eu não sou rica.

– Não te preocupes com isso. Sentes-te bem com essa roupa?

– Os calções são um pouco curtos mas muito bonitos. Gosto de me ver assim, - acabei por confessar.

– Se perderes essa timidez ainda vais ficar mais bonita. A confiança que depositamos no que vestimos faz sobressair a nossa personalidade, pela positiva e pela negativa. Age em conformidade. Se te sentes bem, quero ver-te a sorrir e a dançar.

– Aqui?

– Estamos num vestiário. Se não fores capaz de o fazer aqui não vais conseguir fazer isso nunca. Dança, Bella, - instigou Alice pegando-me numa mão e fazendo-me rodopiar.

A situação estava a tornar-se demasiado insólita mas as pressões da Alice conseguiram libertar-me um pouco. Fingindo que estava numa passerelle percorri o corredor de acesso às cabinas de prova e regressei. Alice bateu palmas e deitou a língua de fora o que me fez rir.

– Agora prova este vestido.

Toda a minha alegria se esvaiu. Peguei na peça de roupa de má vontade e voltei para dentro da cabine de prova. O vestido era um pouco estranho. Todo preto e demasiado comprido, cingido apenas ligeiramente na cintura por um cinto também preto.

– Acho que este não vais gostar, Alice, - murmurei.

– Hummm. Se usares um lenço branco vais ficar exatamente como eu imaginei.

– Não gosto muito deste, - confessei.

– Não te preocupes, Bella. Vai correr tudo bem.

– Estás a falar de quê. Alice?

– Encara isto como uma fantasia.

– Vamos a um baile de fantasia?

– É mais um bar, - afirmou ela a rir, - mas garanto-te que vai compensar o esforço.

– O Ed… teu irmão vai lá estar?

– Claro que vai. Ele não pode falhar por nada.

– Não achas que devia usar outro tipo de fantasia. Este não me favorece muito. Pareço uma feira.

– Bom, podes sempre escolher o traje de coelhinha da playboy.

– Não. – Levei a mão à boca ao perceber que tinha falado demasiado alto.

– Fico contente por concordares comigo. Eu até vou ser boazinha contigo e vou deixar-te ir ao bar sem levares terços ou bíblias.

Abri a boca de espanto. Eu não conseguia acompanhar o raciocínio dela.

Gastei quase todas as minhas poupanças em roupa e calçado. A Alice ainda tentou pagar mas eu bati o pé e não deixei.

– Estás a ser muito teimosa, Bella. Eu queria oferecer-te uma prenda.

– Era muito dinheiro, Alice. Podes oferecer-me outra coisa qualquer.

– Posso? Qualquer coisa? Linda. Gosto tanto de ti, Bellinha, - afirmou ela lançando-se no meu pescoço e dando-me um abraço apertado.

Devia ter ficado desconfiada com o seu comportamento.

Gemi de frustração quando, já carregadas de sacos de compras, ela resolveu ir a uma última loja. Assim que percebi que era uma loja de lingerie tremi de medo.

Não valeu de nada.

– Lembra-te que disseste que eu te podia oferecer qualquer coisa.

– Puffffff.

– Ficas muito sexy. Se o meu irmão te visse com essa roupa interior…

– Pára, - gritei. – Não falo mais para ti.

Ela riu-se e abraçou-me com força.

– Não faz mal. Até vai ser mais fácil se ficares calada.

– Ahhhhhhhhhhhhhhh.

O meu inferno ainda não tinha acabado. Depois de largarmos todas as compras no carro, fomos até casa da Rosalie, onde as duas me deram aulas intensivas sobre maquilhagem. Para meu completo desespero eu é que servi de cobaia.

Fiquei ainda mais preocupada quando no dia seguinte fui obrigada a passar grande parte do dia no cabeleireiro e na esteticista. A maluca da Alice é que deu ordens na minha depilação. Eu que até tinha cuidado com estas coisas fiquei aturdida com a ordem dela. Tirar tudo. Tudo? Ou quase. Eu estava entregue às mãos da bruxa.

É claro que o pior de tudo foi quando ela me disse o que eu tinha que fazer.

– Ainda não percebi, Alice. Dá para ser mais clara?

– Acho que tu não vais ser capaz e vais falhar o que prometeste.

– O que foi que eu prometi, afinal?

– Ajudar o meu irmão.

– Eu cumpro sempre o que prometo, mesmo não gostando nada das atitudes que tens tido comigo.

– Então, Bella? Tenho sido uma amiga e tanto. Até fui contigo passear pelo parque. Estive contigo a ver o filme de terror que tu querias ver.

É verdade. Sorri só ao lembrar-me. Obriguei-a a assistir ao filme comigo para me vingar um pouco dos dois dias de tortura que passei com ela e com Rosalie.

– Está bem, Alice. O que é que eu tenho que fazer? Prometo que vou fazer tudo direitinho do jeito que disseres.

– É simples, Bella. Só tens que seduzir o Edward.

Hã? Eu não devia estar a ouvir bem.

– Eu tenho o quê? – Perguntei meio engasgada.

Ela encolheu um ombro, inclinou a cabeça para o lado e disse com toda a candura:

– Só tens que seduzir o meu irmão.

Peguei nas minhas coisas com a máxima velocidade que consegui e saí porta fora ignorando os chamamentos de Alice.

Dois minutos depois o meu telefone dá sinal de mensagem.

De: Bruxa

Se conseguires levá-lo para a cama, ele vai apaixonar-se por ti. Tenho a certeza, cunhadinha. Achas que Cullen combina com o teu nome? Isabella Cullen. Soa muito bem. :)

 

Mudei de cor tantas vezes quantas as vezes que li e reli a mensagem da bruxa.

Isabella Cullen? Cunhada? Levar o Edward para a cama...

Eu não conseguia acreditar na audácia dela.

No entanto, mesmo achando a ideia totalmente absurda, percebi que havia uma pequena parte de mim que dizia:

– E se for mesmo assim?

Percebi também que o inferno é mesmo à beirinha do céu.

 

Nota da autora: É um capítulo de saudade e de despedida. Obrigada pela companhia. Foi muito gratificante tê-los como leitores e amigos. Beijos.

publicado por Twihistorias às 23:40
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20
Fev 13

Cap. 30 - Première

Chegara finalmente o dia da première do nosso filme e assim que saí da limusina fiquei de imediato encandeado por dezenas de flashes, por isso só alguns segundos depois, quando Anna já se encontrava a meu lado me apercebi da quantidade de gente que se concentrara à volta do Kodak Theatre de Los Angeles, onde iria ter lugar a exibição.

Depois de posarmos em diversos pontos onde os fotógrafos nos aguardavam, darmos alguns autógrafos e respondermos às perguntas-relâmpago dos jornalistas presentes, que nos abordavam durante o caminho pela passadeira vermelha, entrámos e fomos conduzidos aos nossos lugares.

Antes da visualização ainda tivemos tempo para cumprimentar os colegas de elenco, antes de ser feita a introdução do filme.

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Assim que as luzes se apagaram para dar início ao filme “Decisões”, Rob tomou a minha mão entre as suas e foi assim que passámos a primeira parte do filme.

O intervalo chegou, no momento em que todos os presentes, completamente embrenhados na trama, aguardavam por uma das cenas de maior tensão. Estava implícito que a cena que se seguiria seria crucial para o desfecho do filme e eu, mais do que ninguém, ansiava por saber como ia reagir a ela.

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O intervalo terminara e seguir-se-ia a cena que mais aguardava e temia. Por um lado queria ver como tinha ficado a adaptação, pois não achava que a tivéssemos acabado na totalidade, devido ao que ocorrera no dia em que a graváramos. Por outro, tinha medo da reacção da minha adorável esposa.

Luzes apagadas, começara a acção. Vi-me entrar no quarto e ouvi-a acusar-me de tudo o que lhe estava a fazer. Vi-me a perder a cabeça e deixar-me levar pelos meus piores instintos de modo a obrigá-la a retirar tudo o que dissera, mesmo sabendo que era verdade.

Anna a meu lado, apertara ligeiramente a minha mão. Olhei discretamente para ela, mas a sua atenção estava completamente focada na cena que se desenrolava à nossa frente.

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A cena estava a meio e eu sabia perfeitamente o que seguiria, mas Rob não. Por isso apertei a sua mão tentando transmitir-lhe força.

Há muito que o realizador tinha recorrido a mim em segredo, para que autorizasse a colocação do único take desta cena que ficara absolutamente perfeito. Dissera-me que Rob não autorizara e que teríamos de voltar a gravar tudo outra vez se a cena já gravada não pudesse ser utilizada. Acabei por autorizar, não só pela sua insistência, mas também porque, apesar de não ter podido ver como ficou, estava absolutamente convencida, tal como ele, que aquele tinha sido o melhor take que graváramos, apesar do que acontecera.

Fiz um esforço para não suster a respiração e manter uma expressão natural, mas não estava certa da maneira como Rob reagiria ao ver a cena que proibira, ser exibida.

No entanto a cena terminou, comigo desmaiada nos seus braços e observei-o pelo canto do olho, tentando perceber como se sentia. O seu maxilar estava tenso e fechara a sua mão livre com tanta força que os dedos tinham perdido completamente a cor.

Olhei directamente para ele com o intuito de o fazer perceber que estava tudo bem e que não tinha de se preocupar, quando senti uma pontada e de repente senti-me muito molhada, como se me tivessem despejado um balde de água morna pelas pernas abaixo.

Tentei abstrair-me do desconforto o mais que pude para não interromper o filme, mas as contracções começaram a ficar cada vez mais fortes e com menos intervalo de tempo entre elas e sabia que não podia aguentar durante muito mais tempo.

Felizmente o filme estava poucos minutos do fim e se me mantivesse suficientemente concentrada e olhasse o ecrã de projecção talvez não chamasse a atenção das outras pessoas, o facto de sairmos logo a seguir.

Assim que as primeiras letras dos créditos apareceram no ecrã, chamei discretamente a atenção de Rob.

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Eu nem queria acreditar no que os meus olhos viam. Não podia ser verdade! O Paul não nos ia fazer isto... Ou ia?

De um momento para o outro fiquei uma pilha de nervos. Como é que era possível que ele tivesse feito isto?! Mas de uma maneira ou de outra, ele ia pagar por esta escolha.

Assim que acabei de me preocupar com a melhor maneira de resolver a situação, reparei que ao meu lado Anna se mantinha impávida e serena, assistindo à exibição do filme.

Encolhi os ombros por reflexo, face à sua reacção inesperada.

Tentei manter uma expressão calma até ao final do filme, não fosse ela olhar para mim e aperceber-se do meu estado de espírito.

Assim que as primeiras letras apareceram no ecrã, não pude impedir-me de expelir o ar que retivera sem me aperceber, quando a senti puxar-me a manga do casaco.

- O que foi amor?

- O bebé... – Foi a sua resposta sussurrada.

 - O que tem o...

- Schhhhh!! – Interrompeu-me. – Fala baixo! O bebé vai nascer aqui se não sairmos agora.

- Mas...

- Rob, temos de ser discretos... Não quero ninguém atrás de nós até à clínica. Dá-me o teu casaco.

Sem saber o que fazer, despi e passei-lhe o casaco, que ela colocou de imediato pelos ombros. E começou a levantar-se devagar, até soltar um pequeno gemido e quase voltar a sentar-se, o que impedi, quando por instinto a segurei pela cintura.

- Vamos querida... – Disse, antes de lhe sussurrar ao ouvido. – Calma, respira... Segura-te a mim.

Ela abanou a cabeça em concordância e saímos da sala agarrados.

- Então amor, como estás? – Disse, assim que chegámos ao corredor vazio e ela fez menção de se encostar à parede.

- Estou bem, são só contracções, mas temos de sair daqui...

- Sim, mas como? Lá fora está tudo cheio de jornalistas. Espera, tive uma ideia...

Peguei no telemóvel e digitei a marcação rápida.

- Estás a ligar a quem?

- À minha irmã...

- Rob? Onde é que vocês se meteram?

- Calma Liz, tenta sair da sala discretamente. Estamos no corredor sul, mas precisamos de ajuda pra sair daqui.

- O que se passa?

- Por favor, uma vez na vida, podes fazer o que te digo sem questionar? Anda lá, é urgente...

- Dois minutos... – Foi a sua resposta, antes de desligar.

Trinta segundos depois, vimos a minha irmã sair para o corredor com o ar mais natural do mundo.

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Cap. 31 – Novo membro

Poucos minutos depois de sairmos da sala, Lizzie veio em nosso socorro.

- É aquilo que eu penso? Agora? – Tanto eu como Rob acenámos. – Esperem aqui. Volto já! – E desatou a correr pelo corredor fora.

Voltou alguns minutos depois, empurrando uma cadeira de rodas, onde Rob prontamente me ajudou a sentar.

Depois foi a habitual correria à moda da Lizzie. Esquivámo-nos dos jornalistas como pudemos e enfiámo-nos o mais rápido que conseguimos no carro dela.

Lizzie era muito despachada sempre que havia uma emergência, mas nunca a vira conduzir tão rápido como naquela noite, embora não tenha tido a oportunidade de a observar, porque as dores se tinham tornado mais intensas.

Rob estava sentado a meu lado, segurando na minha mão e acariciando a minha barriga, enquanto me sussurrava.

- Calma amor... Vamos chegar logo... Vá, respira comigo...

Eu tentei. Estava a tentar respirar, mas fui interrompida por uma contracção mais forte que me obrigou a apertar a sua mão e cerrar os dentes com um gemido.

- Liz! Isso não dá pra ser mais rápido?!

- Estou a ir mano, estou a ir! Estamos quase a chegar...

Lizzie estacionou à porta da clínica de qualquer maneira e saiu imediatamente do carro, desatando a correr em direcção à entrada. Enquanto isto, Robert ajudava-me a sair do carro, o que não era tarefa fácil, já que eu mal me conseguia mover com as dores.

Mal tinha conseguido dar dois passos, quando pareceram dois enfermeiros com uma maca, onde rapidamente fui colocada e levada para dentro, sempre com Rob ao meu lado, segurando a minha mão.

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A viagem até à clínica pareceu-me a mais demorada da minha vida. E vê-la a sofrer daquela maneira e não poder fazer nada, foi o pior de tudo.

Tinha uma pequena noção das dores que ela devia sentir, pois Anna apertava a minha mão com uma força que não imaginava que ela tivesse.

Assim que chegámos à clínica, ela foi colocada numa maca e, por ordem do médico que foi chamado de imediato, fomos directos para a sala de partos.

Depois disso, foi tudo muito rápido. Estive ao seu lado, respirei com ela e tentei lembrar-me de tudo o que havia aprendido nas aulas de preparação, até ver pela primeira vez o rosto da minha filha.

- Parabéns aos papás! Têm aqui uma linda menina... – Disse uma das enfermeiras.

A bebé chorava a plenos pulmões, até ser limpa e cuidadosamente colocada nos braços da mãe.

Anna estava exausta, mas o seu rosto abriu-se num enorme sorriso, assim que tomou a nossa filha nos braços.

O que senti ao vê-las naquele momento, jamais conseguirei descrever. Depositei um beijo na sua testa suada e encostei o meu rosto ao seu e assim ficámos a observar a nossa filha.

Após alguns instantes, Anna mexeu-se parecendo desconfortável.

- Vamos lá papá, tem de pegar na menina. Fique descansado que vamos cuidar muito bem da sua esposa.

Assenti e com o máximo cuidado, peguei pela primeira vez na minha filha, depois de acariciar ao de leve a face da minha feliz e exausta esposa.

- Amo-te. Ela é linda... Obrigada meu amor. – Sussurrei-lhe antes de me afastar e me deixar conduzir para fora da sala por uma das enfermeiras.

Lizzie parecia estar empenhada em gastar o chão da sala de espera. Ocupação que interrompeu assim que me viu pelo vidro que separava a sala do corredor. Correu para mim e não descansou enquanto não lhe passei a sobrinha para os braços.

- Olá bebé! Sou a tua tia Liz... Sou... Pois sou... E tu és a minha sobrinha linda. – Os olhos dela brilhavam. Parecia uma criança que tinha acabado de receber um brinquedo novo.

Dei comigo a imaginar como seria a minha irmã casada e com filhos, mas era uma imagem demasiado estranha. Sorri ao lembrar-me que eu próprio nunca me imaginara nesta situação até há alguns meses atrás, e aqui estava eu...

publicado por Twihistorias às 22:50

16
Fev 13

Capitulo 20

Estavam todos reunidos no jardim da casa branca. Os treinos de luta eram cada vez mais e mais intensos.

A cada treino com a minha família, ou mesmo com outro qualquer vampiro começava a levar a melhor de mim. Estava cansada, dorida, derrotada ainda antes da verdadeira luta começar.

Afastei-me um pouco de forma a tentar recuperar um pouco as minhas forças.

Olhava para a tia Alice.

Não parecia a mesma desde que o tio Jasper partira. Parecia vazia, como se apenas lutasse por lutar. Estava constantemente a tentar ver o futuro, a ver se alguma coisa alterava.

Mas nada! Tudo continuava igual.

Ou seja, ou o tio Jasper ainda não tinha chegado perto da Maria, ou então a presença dele em nada tinha alterado o futuro e a guerra iria continuar.

-Então? – perguntou-me Serena – Está tudo bem?

Olhei para ela, enquanto a mesma se acomodava ao meu lado com um sorriso.

Encolhi os ombros e voltei a olhar para todos os vampiros que ali estavam reunidos a lutar.

-É incrível como apesar de tudo eles aqui ainda estão, mesmo sabendo que podem morrer.

Jennifer e Nahuel juntaram-se a nós, sendo que o ultimo trazia consigo um pequeno lanche para todos nós. Ninguêm falou, apenas observávamos os vampiros a fazer uma dança violenta. Todos nós estávamos cansados, tentávamos parecer fortes aos olhos dos outros, mas apenas os quatro sabíamos como nos estávamos a sentir por dentro.

-Vamos ter que nos alimentar em condições antes da batalha. – disse Nahuel enquanto olhava para os sumos e as sandes que estavam nas nossas mãos. – Não que a comida seja mal. Mas necessitamos da nossa força, de estar recuperados. – depois olhou para mim nos olhos. – Tu também Renesmee. Não aguentas uma luta sem sangue humano.

Ele tinha razão, eu iria ter que me alimentar com eles, caso contrário iria ser das primeiras a morrer.

Um arrepio trepou pela minha coluna com tal pensamento.

-Fico contente por vocês estarem aqui, mas não vos iria recriminar se partissem, quer dizer, vocês sabem que podemos sofrer mais que qualquer outro vampiro nesta guerra. Se eles descobrem. – disse olhando para cada um deles.

-Nem penses, nós somos uma família, somos únicos. Temos que nos apoiar quando é necessário. Não te vamos deixar aqui sozinha. Temos que nos ajudar uns aos outros lembras-te? O nosso pacto é esse, proteger-nos uns aos outros.

Apenas consegui sorrir em retribuição às palavras de Jennifer.

-A Maysun pode aqui não estar, mas nós estamos e não te vamos abandonar. – terminou Serena.

Nahuel olhou para a irmã mais velha e sorriu-lhe. Eles podiam não ser os melhores amigos do mundo, nem ter a relação chegada como a Jenny e o Nahuel, mas afinal de contas eram irmãos e apoiavam-se.

-Sim, mas tenho medo. Se apanham um de nós e calham de descobrir que nós somos mais humanos do que aquilo que parecemos, eles…- não consegui terminar. Imaginar o que seria de nós era demasiado doloroso.

-Podem-nos torturar. – terminou Nahuel – Por isso é que temos que estar juntos. Não os podemos deixar saber essa fraqueza.

A verdade é que nós como meios vampiros não iriamos morrer nem envelhecer, assim como todos os outros vampiros. Mas o nosso lado humano também estava presente, por isso, além da fome, da necessidade de dormir, também tínhamos sentimentos e dor física. O que significava que eles podiam infligir-nos todo o tipo de dor sem nós morrer-mos. Conseguem imaginar o que é estarmos horas debaixo de água a implorar por um pouco de ar e não a ter? Tem noção da tortura que é? A dor que sentimos?

Estávamos habituados a engolir a dor, a não deixar que esta transparecesse nunca. Mas nunca o fizemos por longos períodos de tempo, nem em situações deste tipo. Nunca nenhum dos quatro esteve numa guerra destas.

E por mais que tentássemos parecer fortes, nós os quatros estávamos apavorados, e apenas deixávamos escapar um pouco desse pavor quando estávamos só nós.

Este era o segredo dos híbridos, ninguém o sabia, nem o pai deles, nem os meus.

Era uma coisa nossa, a nossa fraqueza, o nosso segredo.

-Mudando de assunto, já conseguiste falar com a tua amiga?

-Não. – sussurrei enquanto ingeria um pouco do meu sumo. – Tenho a certeza que alguma coisa não está bem, o Marcello e o Dio são da mesma opinião, só ainda não sei bem o que se passa. – fiz uma pausa, olhei para o Marcello que treinava com o irmão.

Apesar de ambos estarem ali, sabia que estavam a pensar na Aria. Afinal de contas, antes de eu aparecer eles eram um clã, os três. Não conseguia deixar de os admirar, eles estavam ali comigo e não atrás dela.

-Só espero que não seja tarde de mais para ela. – disse com toda a minha sinceridade.

Não me iria perdoar se alguma coisa lhe acontecesse. Afinal de contas, ela infiltrou-se naquele exercito por minha causa. Além de que era a minha melhor amiga.

Uma lágrima ameaçou escapar, mas foi travada a tempo pelo dedo do Nahuel.

-Ela vai estar bem, vais ver. – disse ele.

Subitamente todos pararam de lutar, uns fitavam uma zona da floresta que rodeava a casa, outros olhavam para a Alice.

Nós os quatro olhamos uns para os outros, não sabíamos o que se passava, ate que o barulho de alguém a aproximar-se chegou aos nossos ouvidos.

Era vampiro, a forma de correr, a velocidade tudo denunciava o ser que se aproximava. Mais atrás um pouco era possível ouvir o barulho de patas a bater no chão. Fosse qual fosse o vampiro, estava a ser seguido pelos lobos.

Nós híbridos corremos ao encontro dos outros preparando-nos para o que vinha, deixando para trás todo o nosso lanche a repousar no chão!

«Oh meu Deus, é agora.» era só o que eu conseguia pensar.

A troca de olhares entre mim, o Nahuel, a Jenny e a Serena era intensa. Todos nós pensávamos no mesmo. Nenhum dos quatro se alimentava de humanos à bastante tempo.

-Renesmee, fica atrás de mim! – disse o meu pai, colocando-se à minha frente de forma protectora.

Perguntei-me até onde é que ele saberia do meu segredo e dos meus amigos.

Edward fez um ligeiro rodar de cabeça e olhou-me nos olhos e fez um pequeno sorriso. Não foi necessário falar, a resposta estava ali. Ele sabia tudo, ele sabia do nosso segredo.

«Por favor não contes nada!» até o som dos meus pensamentos tinham um ligeiro timbre de pânico.

O meu pai voltou a encarar o lugar de onde o som se aproximava. A tenção ali era alta.

-Elas não vem lutar! – disse por fim a tia Alice. A sua voz era vazia, faltava aquele timbre cantante nela. Ela estava desprovida de qualquer tipo de alegria.

-Elas?!? – ouvi alguém dizer de forma confusa.

A verdade é que só ouvíamos os passos de um vampiro.

-A vampira transporta alguém gravemente ferido no colo. – informou a tia Alice.

O meu pai depois confirmou o facto.

O avó Carlisle correu rapidamente para o local de onde não tardaria vampira e humana iriam aparecer.

Meu Deus, era incrível um outro vampiro não “vegetariano” ajudar um humano. Toda a minha família tentou alcança-las para ajudar, assim como os Denali.

Os restantes recuaram com o medo do que o cheiro do sangue pudesse desencadear.

Foi então que o cheiro nos atingiu, não era o cheiro de sangue humano.

Nahuel, Serena e a Jennifer foram os primeiros a arrancar assim que nos apercebemos que o cheiro era de um hibrido. Eu segui-os.

Só existia mais um hibrido, Maysun.

O medo tomou conta de nós. O que lhe terá acontecido?

E quem seria a vampiro que a ajudava? Como iriamos explicar o que lhe estava a acontecer?

Como se houvesse uma ligação entre os híbridos, os quatro corremos o máximo que conseguíamos. Ultrapassamos toda a minha família.

-Maysun. – brandava Serena enquanto tentava alcançar a sua irmã.

Nahuel saltava agora de árvore em árvore, como se sentia melhor e se deslocava de forma mais rápida.

De forma surpreendente, o cansaço de à momentos desapareceu. Um dos nossos necessitava de nós.

Segundos depois estávamos perante a tal vampira que trazia nos braços a Maysun bastante debilitada, com sangue.

Sem prestar demasiada ateção às mesmas saltei colocando-me entre elas e os lobos que as seguiam.

-Elas estão connosco. – disse levantando a mão em sinal para eles pararem.

Todos pararam brutamente. O lobo castanho, o Jacob, avançou na minha direcção e curvou a cabeça, como se tivesse entendido a ordem. Depois, claro, como se não pudesse deixar de ser o Jacob lambeu-me a cara.

Se fosse qualquer outro que me fizesse aquilo estava agora a guinchar de dores, mas era o Jacob, não me conseguia chatear com ele. E assim, mesmo naquele local, um pequeno sorriso apareceu nos meus lábios.

-Para a próxima és um lobo morto Jacob. – disse num sussurro enquanto lhe massajava o flanco.

-Obrigado. – disse a Serena à vampira. – Podes deixar, agora tratamos nós dela.

Virei-me na direcção deles a tempo de ver o Nahuel retirar a irmã dos braços da vampira. Os Cullen chegaram nesse momento, Carlisle precipitou-se para Maysun para a observar. O meu pai, assim como o tio Emmett foram falar com os lobos.

Só então é que me dei ao trabalho de olhar para a tal vampira.

Aquele cabelo comprido cor de chocolate.

O meu coração acelerou o batimento.

-Aria. – disse lançando-me nos braços dela.

-Como…o que aconteceu? Porque não ligas-te? Estás bem? – bombardeava eu.

A pequena vampira de olhos vermelhos sorria para mim. Estava tão feliz por a ver novamente.

-Eles descobriram quem eu era, que estava a dar informações. E tinham esta hibrida presa perto da Maria. Acho que ela tem um poder qualquer que lhes é útil.

Claro! Só agora me apercebi o porquê de a tia Alice não conseguir ver o futuro. A Maria deve ter descoberto que se tivesse híbridos com ela a tia Alice estaria bloqueada. Mas porquê híbridos? Poderia ter um lobisomem.

«Talvez fosse mais complicado de o transportar» pensei.

Mas então porquê que ela estava toda machucada? Tão fraca?

-Eles estavam a tortura-la. – disse-me Aria de forma quase inaudível. Apenas nós conseguimos ouvir. – Tu podes ser torturada Renesmee. Os híbridos, todos vocês sofrem como os humanos, tem a dor humana. Eu ouvi-a gritar Renesmee. O que eles lhe estavam a fazer era….era…

O olhar de Aria transmitia nojo, repugnância. Já o meu transmitia pânico.

Eles sabiam! A Aria sabia, a Maria sabia, o exercito completo da Maria sabia.

O que iria fazer agora? Esta guerra não era segura para nenhum hibrido.  

 

NOTA da autora:
Peço desculpa pela demora...prometi que sairia mais cedo. Não vou dizer que foi por falta de tempo, não foi isso. Foi mesmo falta de inspiração!
Espero que a espera tenha compensado.
Não se esqueçam de comentar...ideias são bem vindas ;)
Não se esqueçam também de visitar o blog da nossa Renesmee, comentem os posts dela. http://that_girl.blogs.sapo.pt/

 

Twikisses*

publicado por Twihistorias às 20:26
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15
Fev 13

 

Cap. 29 – De volta à civilização

Depois de quinze dias fantásticos, rumávamos novamente para a vida real. Mal o avião acabou de aterrar, já estava a dar autógrafos. A surpresa foi que desta vez não fui só eu a ser requisitado para essas funções.

Na verdade, quando me dei conta, Anna tornara-se o centro das atenções, sendo abordada tanto por homens como mulheres, tanto do nosso como de outros voos, enquanto aguardávamos a nossa bagagem.

De inicio pareceu-me um pouco perdida com a recepção pouco habitual, mas logo se recompôs e em segundos já tinha assumido o controlo da situação. Assinou tudo o que ousaram pedir-lhe e do pouco que me apercebi, com direito a dedicatória.

Assim que conseguimos sair da sala, a minha irmã apareceu vinda nem sei de onde e começou a arrastar-nos com ela.

- Hei Liz! Que se passa? Qual a urgência? Ainda nem nos falaste direito! – Protestei.

- Já explico. Já explico... – disse ofegante. – Explico assim que chegarmos ao carro...Poupem o fôlego. Vão precisar...

E foi exactamente o que fizemos. Atravessámos diversos corredores praticamente vazios, até conseguirmos sair do aeroporto e esgueirarmo-nos até ao carro.

Estávamos todos tão cansados que só a meio da viagem conseguimos articular palavra.

- Desculpem lá ter sido tudo assim tão rápido, mas não havia outra hipótese. A menos que quisessem passar o resto do dia a dar autógrafos!

- Às vezes consegues ser tão exagerada Lizzie! – Respondeu-lhe Anna, entre risos. – Também não eram assim tantas pessoas!

- Isso pensas tu... Porque não viste o que se estava a passar lá fora! Isto está a tornar-se caótico desde que saíram as últimas notícias. Continuando assim, o melhor é voltarem a contratar seguranças...

Cruzei o meu olhar com o de Anna por breves instantes, apenas para confirmar que ela também não fazia a mínima ideia daquilo que a minha irmã estava a falar. E voltei-me de novo para Lizzie que nos espiava pelo espelho retrovisor.

- Eu não acredito! Será possível que não tenham visto televisão?! – Perguntou atónita. – Revistas? Internet? – Insistiu. – Bem, espero que não tenham passado a lua-de-mel toda enfiados no quarto! – Concluiu, continuando a observar-nos através do espelho retrovisor.

- Espera lá Liz, importas-te de nos explicar o que se passa afinal? – Anna adiantou-se.

- Bem, saíram algumas informações do vosso casamento e do filme e não se tem falado noutra coisa. Especialmente do vosso filme, quer dizer, uma amiga minha deixou escapar alguma informação e...

- E...? O que foi que tu fizeste Lizzie? – Incitei-a a continuar.

- Bem, tu sabes que eu sou amiga da Ângela Skye, certo? E, caso não te recordes maninho, ela esteve no vosso casamento. E como tu sabes ela é uma das críticas de cinema mais respeitadas da actualidade e...

- E tu aproveitaste-te disso, estou certo?

- Não, não estás. Mas o que é certo é que ela adorou o vosso casamento e isso fez com que a visão dela sobre vocês mudasse bastante. Ela decidiu escrever um artigo e desde aí pode dizer-se que a opinião do público tem vindo a mudar consideravelmente.

- Sim, mas não era isso que ia fazer com que as pessoas ficassem loucas e nos fossem esperar ao aeroporto como tu dizes... afinal de contas o nosso filme nem é uma grande produção.

- Tens razão, mas tem elementos de peso! Existem pelo menos quatro motivos para que as pessoas queiram ver o filme. E agora com a história do casamento e tudo o que se tem falado, as fotos que têm saído...

 

Três meses se tinham passado desde o nosso casamento e ainda não tínhamos parado de ser importunados com perguntas sobre o assunto. Agora, a maior parte das entrevistas que me competiam dar por conta da promoção do filme, começavam com a nota “Recém casada com o actor Robert Pattinson”, ou algo do género. Quase parecia que a descrição fazia parte do meu nome. Quer dizer, legalmente até fazia, mas não era isso que me levava a dar entrevistas. Mas não me podia queixar porque, apesar da insistência, pelo menos não eram desagradáveis quando me escusava a responder a certas coisas e os obrigava a centrarem-se exclusivamente no tema do filme e não na minha vida pessoal.

Já quando as entrevistas eram em conjunto com o Rob, era sempre provável que ele deixasse escapar alguma informação e, porque a sua postura para com a imprensa sempre tinha sido essa, nem valia a pena tentar refreá-lo porque ele acabava sempre por se descair numa ou noutra pergunta.

Mas felizmente as entrevistas estavam a terminar e daqui a dois dias finalmente ia ser a estreia e com isso esperava que as atenções se voltassem para a nossa interpretação e nos deixassem respirar um pouco.

publicado por Twihistorias às 21:40

13
Fev 13

POV Bella

 

Enquanto tomava banho e me preparava para ir jantar com Edward, pensava em tudo o que se tinha passado nas últimas vinte e quatro horas. Seria difícil sentir-me mais feliz. Mesmo não sabendo o que esperar dos dias seguintes, a situação em que me encontrava era por si só uma enorme fonte de satisfação. É claro que nos meus sonhos Edward era um homem carinhoso e respeitador, mas testemunhar essas qualidades através de um relacionamento entre nós os dois, era mais do que algum dia pensei ser possível.

Arrumei-me da melhor forma possível, vestindo uma roupa que a Alice tinha escolhido para mim e que eu pensei que não chegaria a usar. Olhei-me no espelho da casa de banho, pensando se deveria prender o cabelo ou soltá-lo mas não cheguei a conclusão nenhuma. Deixei o elástico no pulso e fui para o quarto. Edward olhou-me com atenção e sorriu. Pareceu-me que tinha gostado e eu agradeci mentalmente a Alice pela ajuda.

Quando ele regressou ao quarto, já de banho tomado e vestido, apanhou-me em frente ao espelho ainda a decidir o que fazer ao cabelo.

– Deixa-o solto. Gosto da forma como ele emoldura o teu rosto.

Como uma garota de quinze anos, adorei o comentário dele. Pousei o elástico no armário ao lado das coisas que tinha tirado do meu saco e calcei-me.

– Esse tom de azul fica-te muito bem. Acentua a cor da tua pele e faz-te ainda mais bonita.

– Obrigada, - murmurei com vontade de lhe saltar para o colo e o beijar. – A ti todas as cores ficam bem. - Levei a mão à boca, envergonhada pelo meu comentário. – Acho-te um homem muito bonito, - tentei emendar o que tinha dito.

– Ah, Bella, meu belíssimo cisne, - disse ele abraçando-me, - tu és a mulher mais bonita que eu já vi. E sabes o melhor? Vou levar-te a um restaurante agradável e sentir-me profundamente orgulhoso de te ter a meu lado.

– Não podes ser assim tão perfeito. Que defeitos escondes, meu príncipe?

– Ainda não te posso dizer. Não quero que fujas de mim. Mas prometo portar-me bem contigo. Para começar, ajudo-te a vestir o casaco. Lá fora deve estar uma aragem fria; como médico tenho que zelar pela tua saúde.

Ri-me e dei-lhe um beijo como forma de agradecimento pela sua ajuda.

– Vamos, senhorita? – Disse ele indicando a porta.

– Claro, cavalheiro.

Descemos de elevador e, preparávamo-nos para abandonar o Hanover in quando me apercebi que me tinha esquecido da bolsa no quarto. Bolas! As lisonjas dele tinham-me desconcentrado.

– Esqueci-me da minha bolsa. Vou ao quarto e desço já, - disse-lhe dirigindo-me ao rececionista.

– Nada disso, meu cisne. Eu vou. Senta-te um pouco. Não demoro.

Vi-o pedir a chave e desaparecer junto aos elevadores.

– Boa noite, Bella.

Saltei de susto e virei-me para a voz. Alice.

– Bolas, Alice. Quase tinha um ataque de coração. Que fazes aqui?

– Então, Bellinha? Tens o telemóvel desligado e o Edward também. A única forma de saber se correu tudo bem era verificar pessoalmente. Então, como foi?

– Porque é que queres saber, Alice? O teu irmão é muito boa pessoa, não precisa de lições nenhumas.

– Quer dizer então que vocês se entenderam? Que bom! Foram mil dólares bem gastos.

– Mil dólares gastos em quê?

– Na aposta que fiz com o Emmett e com o Edward.

– Tanto dinheiro numa aposta? Tu és doida.

– Como é que o Edward se portou? Tratou-te bem? – Não lhe respondi. – É claro que portou. A tua cara diz tudo.

– Foi. Agora podes ir embora se fazes favor?

– Vão ficar mais uma noite?

– Sim.

– Eu sou um génio. É ou não é verdade? O meu palpite, foi uma vez mais, certeiro. Certeiro e perfeito. Correu tudo como planeado, - disse ela batendo palmas. - Ainda estás arrependida de teres aceitado a minha proposta?

– Que proposta, Alice? – Perguntou Edward.

Estremeci como se tivessem disparado um taser sobre mim. Ele tinha voltado tão rapidamente e chegado ao pé de nós de forma tão silenciosa, que não nos apercebemos da sua presença até ele falar.

– Boa noite, querido irmãozinho.

– Que proposta, Alice? Bella?

Eu olhei para ele e comecei a chorar.

– Posso saber o que se passa? Alguma de vocês é capaz de dizer o que me andaram a esconder? Andaram a enganar-me? Bella! Eu fui correto contigo e tu enganaste-me?

– Edward, eu… Desculpa. Eu não queria, - balbuciei.

– É lá! Alto e pára o baile, - disse Alice num tom que não admitia resposta. – Ninguém enganou ninguém. Nós fizemos uma aposta a três, Edward. A situação com Bella foi apenas para a levar a aceitar o teu convite. Eu não podia deixar que fosses com qualquer mulher. Tinha que ser uma mulher escolhida por mim. A mulher ideal para ti: inteligente e sem futilidades.

Edward virou-se para mim muito zangado.

– A minha irmã pagou-te para ires para a cama comigo?

Eu fiquei sem ar. O meu conto de fadas tinha terminado.

– Jamais aceitaria uma coisa dessas, - disse-lhe, áspera e claramente. – Desculpa por te ter magoado. Vou-me embora. Adeus, Edward. Adeus, Alice.

Virei as costas e saí dali a correr. Corri ao acaso, afastando-me o mais possível dele e do meu desgosto. Não fui muito bem-sucedida. Tinha acabado de chegar ao College Green quando o senti a correr atrás de mim. Acelerei mais a corrida mas acabei por ser apanhada.

– Pára, Bella. Temos que conversar, - disse ele entre respirações. – Caramba! Para uma rapariga tão pequena tu corres rápido.

– Larga-me, Edward, - pedi com dificuldade.

Ele puxou-me pelo braço obrigando-me a ficar de frente para ele. Fiquei aliviada de ter cabelo a tapar-me a cara.

– Estou à espera de ouvir o que tens para me dizer. Olha para mim e fala.

Acabei por levantar a cabeça e empurrar o cabelo para trás com a mão que tinha livre.

– Eu já te pedi desculpa. Que mais queres? Humilhar-me? O que queres que eu faça? Queres que te peça desculpa de joelhos? – Perguntei com mágoa.

– Quero que me expliques o que se passou, - disse ele num tom duro.

– Pergunta à tua irmã. O plano é todo dela. Para te dizer a verdade eu nem sabia que tinham apostado a dinheiro. Só há bocadinho é que ela disse que eram mil dólares bem gastos. Mil dólares? – Perguntei com incredulidade. - Quem é a louca que aposta mil dólares para dar uma lição ao irmão? E tu e o teu irmão grandalhão aceitaram! Como? Porquê? Que mal lhe fizeste tu para ela achar que tu não prestas? Eu disse-lhe que tu és boa pessoa e que não precisas de lições nenhumas. Quando ela me procurou, senti-me intimidada. Pensei que ela achava que eu era uma aproveitadora. Depois foi um balde de água fria. Disse-lhe que não podia fazer uma coisa dessas mas eu já tinha prometido fazer o que fosse necessário e ela não me deixou voltar com a palavra atrás, - afirmei novamente alterada. - Eu sei que tenho culpa mas, no início, eu não sabia. Quando prometi ajudar-te eu não sabia que ia ser assim.

– Pára para respirar e senta-te aqui, - disse ele arrastando-me para um banco. – Agora, conta-me tudo desde o início que eu não estou a entender nada. – Falava mais calmo mas continuava a segurar-me com força.

Respirei fundo várias vezes enquanto tentava ordenar os meus pensamentos. Agradeci-lhe mentalmente por respeitar o meu tempo e não exigir que eu começasse a falar antes de estar preparada.

– Na festa do teu aniversário a Alice percebeu que eu gostava de ti e procurou-me dizendo que tu não estavas bem e que eu podia ajudar-te. Eu não entendi muito bem o que ela queria porque ela começou a falar mal de ti e a dizer que eu não gostava o suficiente de ti… Essas coisas, - arrematei, desviando o olhar para as tábuas do banco de jardim. - Deixei-me levar. Eu devia ter percebido logo. Afinal, uma família como a vossa não precisa de nada, muito menos da ajuda de uma pobretona insignificante como eu.

– Não te menosprezes. Continua, - disse ele, levantando-me o rosto com a mão livre.

– A tua irmã é uma manipuladora, sabias? – Ele acenou com a cabeça e pareceu-me esboçar um sorriso. – Acabei por lhe prometer que fazia qualquer coisa para te ajudar, - confessei, envergonhada. - Só passado uns dias, depois de supostamente sermos amigas, é que ela me disse que tinha que te seduzir. É claro que inicialmente pensei que ela estava a brincar comigo. Quando percebi que era a sério opus-me a essa loucura, mas ela acabou por me cobrar a promessa que eu lhe tinha feito. Compreendes? – Perguntei sem grandes esperanças. Respirei fundo antes de continuar. - Depois, deixei-me levar pela ideia de estar contigo. Fui fraca e peço desculpa por isso. Não foi por dinheiro, juro que não foi. Mesmo as roupas que ela me obrigou a comprar fui eu que paguei. Menos a lingerie, - acrescentei mais baixo, fechando os olhos por dois ou três segundos. - Eu já não tinha mais dinheiro. – Voltei a respirar fundo várias vezes. - Mas eu vou pagar-lhe tudo. Ela disse que era uma prenda mas eu faço questão de pagar.

– Não te preocupes com isso, - disse ele olhando para longe.

– Agora já sabes tudo. Desculpa, Edward. Deixei-me levar pela Alice e pela ideia de estar contigo, - murmurei. – Não queria magoar-te. Pensei que a única pessoa que sairia magoada seria eu.

– Como assim? Pensaste que eu te ia tratar mal? – O seu olhar era um misto de tristeza e de ira.

– Pensei que não me ias aceitar.

– Afinal tenho que agradecer à minha irmã, - disse ele após um silêncio relativamente longo.

– Agradecer? Ela jogou sujo! Devias era dar-lhe uma descompostura. Ela é louca.

Ele riu-se e puxou-me para o seu colo.

– Se não fosse a loucura dela nós não nos tínhamos conhecido.

– Pois.

– Nunca sei o que significam esses teus pois, - resmungou ele.

– Quando não sei o que dizer ou não me sinto à vontade para dizer o que penso, digo pois.

– O que é que querias dizer agora que não tiveste coragem de dizer?

– Que tens razão. Por mais difícil que seja de aceitar, a tua irmã passou de bruxa a fada.

Ele deu uma gargalhada e beijou-me.

– E agora, Edward?

– Vamos jantar, claro. Depois temos mais uns dias pela frente. A nossa fada madrinha, disse a toda a gente que tínhamos casado. Estamos em lua-de-mel, amor.

O meu coração deu um pulo e fui invadida por uma enorme onda de esperança.

– E depois? – Perguntei um pouco a medo.

– Depois temos a eternidade para desfrutarmos um do outro.

– Como assim? – Eu precisava ter a certeza que ele estava mesmo ali, a dizer-me tudo aquilo.

– Bella, Bella. Para ti deveria ser mais fácil perceber o que eu estou a sentir. Afinal, tu sentes o mesmo por mim. Não é verdade?

– É?

– Apaixonei-me por ti, meu cisne lindo.

– Como? – Perguntei incrédula.

– Não sei. Aconteceu. A nossa química é desumana e o teu olhar é fulminante. Não consigo libertar-me do teu feitiço. Nem quero. Tu fazes-me feliz.

– Tens a certeza?

– Tenho. Se não fosse assim, não teria vindo a correr atrás de ti tão rapidamente. Mesmo chateado contigo eu não consegui deixar-te fugir da minha vida. E olha que corri sérios riscos de ir preso.

– Hã? – Ele estava a falar de quê?

– Imagina que algum polícia me via a correr desalmadamente com uma bolsa de senhora na mão.

Só nesse momento me apercebi que ele tinha a minha bolsa com ele. Estava tão aturdida que não consegui articular nenhuma palavra.

– Agora a sério, Bella, fica comigo. Preciso que fiques comigo, - afirmou enfaticamente. - Só de pensar em perder-te sinto a tua falta.

Fixei o meu olhar no dele tentando encontrar provas de que tudo o que ele me dizia era verdade. O seu olhar era de tal forma intenso que parecia entrar dentro de mim e tocar-me na alma. Um fluxo abundante de emoções percorreu todo o meu corpo e, como se percorresse um caminho natural, difundiu-se por Edward. Ficámos como se estivéssemos dentro de uma enorme bolha, isolados do mundo e, de um modo estranho, protegidos dos outros. A sensação de partilha que sentimos denunciou a forte ligação que existia entre nós. Senti medo de perder aquilo. Senti medo de não poder ficar com ele.

– Os teus olhos são tão lindos; fascinam-me. Prendem-me a ti, como se fossem encantados. Tu és o meu encantamento, Bella.

– E se esse encantamento se quebrar quando nos afastarmos? Não podemos ficar juntos para sempre.

– Porquê? Essa ideia não me parece desagradável.

– Vais ter que voltar para casa, para o teu curso, para a tua família, e eu também tenho os meus estudos e o meu trabalho…

– Podemos continuar juntos, Bella. De que é que tens medo?

– Tenho medo que acabes por perceber que este encantamento é apenas isso: um encantamento. Uma situação efémera que se extingue tão rapidamente quanto surgiu.

– Sim, é verdade. Tu também podes deixar de sentir amor por mim à medida que me vais conhecendo melhor.

– Impossível. Não sei explicar-te como, mas sei que o que sinto por ti é demasiado grandioso para desaparecer.

– Sentes isso desde o primeiro momento?

– Sim, acho que sim. É como se tivesse que ser assim, compreendes?

– Destino? Bom, nesse caso porque é que não acreditas que eu sinto o mesmo por ti?

– Não sei o que dizer, Edward. Eu…

– Amas-me, Bella?

– Sim, muito.

– Eu também e este é o melhor sentimento do mundo.

– Não parece verdade, - murmurei ainda aparvalhada com a declaração dele.

– Tenta acreditar em mim, amor. Fazes isso?

– Sim, eu… Não me parece real, entendes? Sei que vou acordar dentro de minutos e vou estar sozinha na minha cama.

– Tu tens sérios problemas com a realidade, não tens? Mas fica sabendo uma coisa, a tua imaginação não é assim tão boa. Queres ver?

Subiu para cima do banco e olhou à sua volta.

– Eu, Edward Cullen, estou apaixonado por Isabella Swan, um belo cisne e extraordinária mulher, - gritou ele.

Várias pessoas pararam para o ouvir e algumas mulheres olharam para mim com inveja. Uma senhora já idosa, sorriu para nós com ternura e soletrou com os lábios:

– Ele ama-te.

Edward, desceu do banco e pegou-me na mão fazendo-me levantar. Colocou o joelho no chão e olhou-me fixamente.

– Bella, eu amo-te até ao infinito. Aceitas o meu amor?

 

NOTA DA AUTORA:

Talvez achem estranho terminar uma história com uma pergunta.

Pessoalmente, achei que era um final feliz, deixando em aberto todo o desenrolar de duas vidas que tiveram a felicidade de se encontrarem, embora em circunstância um pouco anormais. A ideia para esta fic surgiu ao pensar que muitas vezes nos cruzamos com pessoas desconhecidas sem desconfiarmos que poderiam fazer parte da nossa vida. E se a nossa cara metade aparecer à nossa frente e nós não repararmos nela? Neste caso, utilizei os "poderes" de manipulação e intuição feminina de Alice para despertar em Edward a atenção para Bella.

Despeço-me desejando a todas que ainda não encontraram o amor das suas vidas, que tenham uma Alice ao pé para chamar a atenção para a pessoa certa.

Obrigada por terem lido.

 

Se tiver comentarios bons (com feddback da fic) pode ser que apareça uma surpresa XD

publicado por Twihistorias às 22:27
Fanfics:

10
Fev 13

Capítulo 37

O meu olhar alterava entre a pulseira electrónica, que repousava na pequena mesa da sala, e o dourado dos olhos de Bentley.

Esperava ouvir o barulho de uma sirene a qualquer momento, mas nada. O silencio da noite reinava no mundo exterior.

O genérico do novo episódio de pretty little liars recomeçou na televisão.

Demasiado rápido, Bentley desligou o DVD.

Amaldiçoei-o por me impedir de usufruir os últimos dias a ver o final da série. Ainda me faltavam ver três temporadas para descobrir quem era a A. Tinha conseguido aguentar até agora sem ir ver à internet quem era a verdadeira A.

Até a minha mãe tinha sido proibida, por mim, de me revelar tal coisa. Visto ela ser uma fã da série quando esta foi transmitida na TV ainda antes de eu nascer.

As sirenes continuavam sem se ouvir.

Bentley desapareceu da minha vista. Por vezes odiava que ele fosse vampiro.

Fugia sem ser visto e ainda por cima não tinha a mínima hipótese de o impedir para me dar uma explicação.

Até que de repente o meu mundo foi abalado e tudo á minha volta ficou turvo.

Senti-a algo frio a segurar-me.

A única coisa que consegui-a focar era o corpo do Bentley enquanto tudo à nossa volta se deslocava a grande velocidade.

Queria falar com ele, dizer alguma coisa, mas a brisa fria e forte impedia-me de o fazer.

Estávamos a toda a velocidade pelo mundo exterior. Era pior que andar num Ferrari a grande velocidade e este ser descapotável.

Ele estava a fugir comigo!

Um sorriso quase se formou nos meus lábios, e por momentos fui invadida por uma felicidade enorme. Alguém queria estar comigo, alguém me queria proteger daquilo que me esperava. Alguém realmente se importava comigo e eu já não sentia isso à realmente à muito tempo.

Alguém estava disposto a desafiar a justiça para ficar comigo.

Não obstante, esse sorriso não se chegou a formar.

“Ele nem se importou com aquilo que tu realmente querias” pensei.

O meu amigo vampiro não se designou sequer a perguntar se eu queria fugir. Simplesmente pegou em mim e partiu.

Eu não queria aquilo, já tinha deixado isso claro noutras ocasiões, eu estava pronta para cumprir a minha pena. Pagar pelos meus crimes.

Não! Aquilo não estava certo.

Eu queria voltar antes que fosse tarde de mais.

-Eu…quero…voltar! – disse num sussurro contra o seu peito. Apesar de ser demasiado baixo, devido à pressão que sentia da corrida, sabia que ele me ouvia.

Mas nem assim a sua corrida abrandou.

A corrida ainda demorou algum tempo, não fazia a mínima ideia para onde o Bentley me levava. Senti em certa altura alguma coisa a agasalhar-me por causa do frio.

Uma lágrima correu pelo meu olho.

Ainda não acreditava que ele me estava a fazer aquilo!

Era como estará a ser raptada neste momento. Odiava aquilo.

Odiava-o a ele.

Finalmente senti-o a abrandar, a impressão nos meus ouvidos também estava agora a desaparecer.

Olhei em volta, mas ainda era noite cerrada.

Não fazia a menor ideia onde me encontrava, mas o clima não teria alterado assim tanto. Continuava a fazer o frio típico de inverno.

Bentley colocou-me no chão. Estiquei as pernas, assim como todo o corpo. Estava um pouco dorida devido à viagem.

Preparava agora para descarregar toda a fúria que sentia em mim nele e obriga-lo a levar-me de volta.

Se ele não me permitisse voltar, se me quisesse manter presa, ele não estava a ser melhor do que os outros que me recriminaram nos últimos tempos. Ele não estava a ser melhor do que o Chester e aquilo deixava-me enjoada.

Antes que a minha boca abrisse para começar a argumentar com o Bentley, uma outra voz soou atrás de mim.

O Ethan também estava metido naquilo.

Senti-a o meu corpo ceder, era uma dupla traição. Como é que eles foram capazes de me fazer aquilo?

-Obrigado! – pronunciou Ethan assim que chegou à nossa beira.

“Desde quando é que estes dois deixaram de ser inimigos mortais e passaram a companheiros de crime?” perguntava-me enquanto uma nova onda de cólera se apoderava de mim.

Não sei bem o porquê, talvez a raiva fosse tanta, o sentimento de traição, o facto de ter baixado o meu muro com eles os dois e ter sido traída novamente, não sei…mas do nada comecei a rir às gargalhadas.

Não sabia o que fazer, não conseguia chorar, não conseguia fazer nada. Apenas rir tamanha era a fúria que sentia.

Bentley e Ethan olhavam incrédulos para mim.

-Acho que é a minha deixa. – pronuncaiava aquela voz melodiosa do Bentley. – Adeus…- depois hesitou e acrescentou. – Boa sorte.

Acho que a ultima parte foi para o Ethan, não sei dizer. Ambos olhavam para mim como se eu tivesse perdido a noção de tudo, como se a louca ali fosse eu.

-Estás a brincar? – disse num tom de voz mais grave. – Vocês estão a brincar comigo! O quê que vos passou pela cabeça? Alguma vez se lembraram de me perguntar se eu queria fugir?

Bentley parou e rodou para olhar para mim. Ao menos isso, ainda tinha a decência de me olhar nos olhos.

Pois bem, o olhar foi devolvido com toda a fúria que tinha dentro de mim!

-Ah espera, sim uma vez falamos nisso e eu disse que queria cumprir a pena. Mas o que eu digo vale de alguma coisa? O que eu quero importa? NÃO!!

A minha voz cada vez subia mais uma oitava. Os meus braços dançavam à volta do meu corpo.

A minha vontade era bater aos dois, mas isso só iria servir para eu me magoar.

-Volto antes do amanhecer. – voltou a falar Bentley de forma calma.

Depois disso evaporou.

Irrefletidamente peguei numa pedra do chão e arremessei na direcção onde outrora esteve um vampiro.

-Kelsi. – a voz do Ethan confundia-se com o som do bater da pedra na calçada.

A minha fúria insidiu nele esta vez. Estava capaz de o matar.

Como é que ele tinha sido capaz de me trair desta forma, outra vez? Como?

O buraco no meu peito, aquele que pensei nunca mais sentir, voltou a abrir. A dor desta vez era avassaladora.

Não sabia se o odiava mais a ele por me ter traído, ou a mim por me ter permitido confiar nele novamente.

-Leva-me de volta. – a minha voz soava vazia, era desprovida de qualquer tipo de emoção.

Ethan avançou na minha direcção com os braços abertos para me abraçar. Instintivamente recuei.

A antiga Kelsi, a dos últimos três anos, estava de volta.

-Nós vamos levar-te de volta Kelsi. – disse ele assim que me afastei dele.

Ele estava magoado, via-o no seu olhar.

-É apenas uma noite, uma noite de liberdade. – Ethan continuava a falar, mas o meu muro estava com dificuldades de o deixar novamente penetrar.

Não conseguia confiar nele.

-Anda. – disse apenas e pontou o caminho.

Vendo que eu não me deslocava, ele fê-lo, mas sempre certificando-se que eu o seguia.

Comecei a aperceber-me onde me encontrava e o pânico voltou a assaltar-me.

Que espécie de loucos eram eles para pensarem que a noite num cemitério seria o ideal para eu usufruir de uma “noite de liberdade”?

Parei a olhar para o que me rodeava, a luz dos candeeiros era escassa, mas dava para perceber algumas das lápides ali presentes.

Ethan parou um pouco à frente com uma lanterna na mão e incentivava-me para o seguir.

-Confia em mim Kelsi. – dizia ele.

Todo o meu ser, o meu lado desconfiado, o meu lado magoado gritava para não o fazer. Mas as minhas pernas faziam exactamente o contrario. Dei por mim a segui-lo.

“Estupida impressão natural” pensei eu.

Tudo no Ethan me atraia, não podia mentir. Não deveria ser tão forte como nele, mas eu não conseguia estar longe dele e dava por mim a fazer coisas que o meu consciente repudiava. Como neste caso confiar nele, quando eu tinha todas as razões para não o fazer.

Ethan serpenteava pelas lápides, até que finalmente comecei a reconhecer onde me encontrava.

Eu estava no cemitério de Greenville, onde o meu pai estava enterrado.

Onde o Jackson, o meu filho estava enterrado.

Uma lágrima escorregou pelo meu olho ao mesmo tempo que senti o meu muro descer.

Esqueci tudo que se tinha passado nos últimos minutos, horas, meses, anos.

Esqueci o facto de o Ethan ali estar e o facto de ele estar enganado no caminho que levava.

Os meus pés ganharam vida, como se estivesse em alto mar e necessitasse de chegar à superfície para conseguir respirar. Dei por mim a ultrapassar o Ethan e a correr em direcção da última morada do meu filho.

Ethan veio atrás e mim, apesar de dar uma pequena distância entre nós. Como se me quisesse dar espaço.

Ele parou a mais de um metro de distancia de mim, antes de todo o meu corpo ceder à gravidade e os meus joelhos tocarem no chão.

Lá estava eu, entre duas lápides. Entre os homens da minha vida.

Rapidamente os meus olhos passaram pelo nome do meu pai, mas a minha mão antecipou-se a acariciar as letras que compunham o nome do Jackson.

As minhas lágrimas levaram a melhor e o meu peito parecia estar a ser rasgado em dois.

A última vez que tinha ali estado foi dois dias antes daquele estupido baile. Sabia que não deveria ter voltado a Forks.

No entanto a única coisa que inundava a minha cabeça era “Tenho tantas saudades tuas bebé.”

E assim, sem mais forças, todo o meu corpo tombou para cima da campa do meu filho, enquanto a minha mão repousava em cima da do meu pai.

Como sentia a falta dos dois.

Chorava compulsivamente.

Se pudesse neste momento ficava ali para sempre, juntava-me a eles, ficava em conchinha com o meu bebé.

Como tinha saudades disso, de o sentir nos meus braços, do cheiro dele, do sorriso dele, do som da voz dele a chamar “mamã”.

Senti os dedos do Ethan a tocar-me e a puxar-me para o seu colo.

-Tenho tantas saudades. – foi a única coisa que consegui fazer passar pelo enorme nó que tenho na garganta.

O abraço do Ethan intensificou-se e eu senti pelo movimento do seu peito eu também ele estava ali a chorar pelo filho que não conheceu.

Perguntava-se, será que ele alguma vez tinha ali estado desde que soube a verdade?

Não perguntei, invés disso aninhei-me mais a ele, sentir o seu calor fazia com que o buraco no meu peito parasse de abrir.

Com o tempo, as minhas lágrimas foram parando, mas o meu olhar ainda insidia sobre aquelas palavras na lápide.

“Never say goodbye because goodbye means going away and going away means forgetting.” Peter Pan

-Porquê aquelas palavras? – perguntou Ethan.

Fiz um esforço para que as minha voz soasse o mais normal possível.

-Porque ele gostava do filme do Peter Pan e pareceu-me apropriado. Afinal de contas, isto foi apenas um até já. Gosto de acreditar que no dia em que morremos encontramos aqueles que partiram antes de nós.

-É, acho que tens razão. Também quero acreditar que um dia o vou conhecer, e aí sim, ensina-lo a jogar basebol, fazer surf, saltar dos recifes. Essas coisas.

-Tenho a certeza que ele vai adorar. – disse com um sorriso tímido. Depois afastei-me um pouco do Ethan apenas para o olhar.

Ainda ali estavam umas lágrimas. Esquecia-me sempre que ele também era o pai do Jackson e que não o conheceu. Devia estar a sofrer tanto quanto eu ali. E no entanto, eu só me preocupei com a minha dor, e ele esteve sempre ali a apoiar-me estas horas todas. Mas ninguém o apoiou a ele.

Com o indicador limpei-lhe as lagrimas que caiam dos seus olhos cor de avelã. Aquele gesto parece ter sido o suficiente para fazer a ligação entre as lagrimas e os olhos, porque começaram a cair com alguma abundancia.

Foi aí que eu percebi que era a primeira vez do Ethan ali. Era a primeira vez que ele estava tão perto daquilo que restou do nosso filho.

Foi a primeira vez que senti a dor dele a 100% e aquilo doía tanto quanto a minha, por isso, pela primeira vez naquela noite, consolei o Ethan. Segurei na cabeça dele, delicadamente, e puxei-o para um abraço. E ali ficou ele, a chorar no meu ombro.

-Desculpa. – disse eu.

Não só por o ter privado do nosso filho, mas também pela forma como reagi mais cedo. Eles só me quiseram proporcionar umas horas ali antes de eu ser presa. Sabe lá Deus quando vou regressar aquele local.

Ethan nada disso, não conseguia, apenas me apertou mais. Conseguia ouvir os seus soluços e isso fazia com que os meus olhos se voltassem a inundar. E ali estávamos nós, novamente a chorar. No entanto, agora era eu quem consolava o Ethan e não ao contrário.

As minhas mãos passavam no seu cabelo enquanto o meu nariz desenhava a linha da sua orelha. Os meus lábios depositaram um beijo ali perto.

No calor do momento, talvez da vulnerabilidade dos dois, talvez da impressão natural, ou até mesmo dos nossos sentimentos, os nossos lábios voltaram a unir-se num beijo apaixonado. Já não sentia aqueles lábios à muito tempo.

Foi um beijo delicado, mas apaixonado. Foi um beijo igual ao tempo em que namorávamos.

No entanto este tinha um sabor um pouco mais salgado, devido ás lágrimas derramadas.

-Tenho medo Kelsi. – sussurrou Ethan por fim. – Tenho tanto medo do que vai acontecer, de te perder.

Disse voltando a abraçar-me forte.

-Shhh… - tentei eu descansa-lo. – Está tudo bem, vai ficar tudo bem.

-Eu não te quero perder Kelsi, já perdi o Jackson, por favor, não me faças perder-te também.

E mais uma vez as lágrimas voltaram aos olhos de ambos.

Meu deus, como é possível o sentimento ainda estar tão presente ao fim de tanto tempo? Ao fim de tanto sofrimento, de tanta traição, como é que é possível eu ainda o amar tanto?

E mais uma vez, entreguei-me novamente aos lábios do meu lobo preferido.

As horas ali voaram, e o sol começou a nascer.

Isso era sinal de que estava na hora de voltar para casa, não tardaria e o Bentley iria estar ali para me levar de regresso a Forks.

Ethan tinha-me explicado, que como vampiro, que até entende de electrónica, Bentley inha sido capaz de me retirar aquela pulseira do tornozelo sem o alarme disparar. Aparentemente, para a polícia de Forks, eu ainda estava em casa, fechada, provavelmente a dormir.

Admito que isso me deixou bem mais relaxada e a dever um enorme pedido de desculpas ao meu vampiro favorito.

-Vamos? – perguntou Ethan.

Acenei que sim, mas a verdade é que me custava sair dali. Ele ajudou-me a levantar e retirou do bolso um pequeno brinquedinho que colocou perto da lápide. Aquele gesto fez com que mais lágrimas surgissem nos meus olhos.

-Vou deixar-te sozinha para te despedires. – disse Ethan começando a afastar-se.

Agarrei na sua mão com força, impedindo-o de sair do meu lado.

-Não. – disse entrelaçando os meus dedos nos seus. – É o nosso filho, dos dois. Vamos fazer isto como uma família.

Ethan olhou para mim com um sorriso e uma lágrima, depositando um beijo nos meus lábios.

Depois vinha a pior parte, dizer um até já para o nosso menino, «porque dizer adeus significa ir embora e ir embora significa esquecer».

publicado por Twihistorias às 18:00
Fanfics:

08
Fev 13

POV Edward

 

Nunca antes uma mulher tinha mexido comigo de forma tão intensa. Constatar que estava a apaixonar-me por Bella foi uma surpresa que me deixou aturdido e deslumbrado. Ter a sorte de me apaixonar por alguém tão maravilhoso e ser correspondido era o cúmulo da felicidade. Desde pequeno que ouvia o meu pai dizer que devíamos estar atentos para não deixarmos passar ao lado as coisas importantes. Naquele momento, esta máxima do meu pai fez todo o sentido. Não tinha deixado passar Bella ao lado porque o destino me abriu os olhos. Eu não tinha estado suficientemente atento. Porém, alguma fada de bom coração teve pena de mim e colocou Bella na porta daquele bar, naquele dia, àquela hora.

Nunca me tinha envolvido emocionalmente com ninguém. A minha família e dois ou três amigos eram as únicas pessoas a quem eu me permitia mostrar, dando e recebendo afeto e mesmo assim não lhes dizia tudo. A minha mãe e a minha irmã diziam-me que eu tinha construído uma muralha à volta do coração para impedir que me magoassem. Visão tipicamente feminina; daquelas que não compreendem a mente de um homem. Na realidade não era nada disso. Eu gostava apenas de preservar o meu espaço e o meu direito à privacidade. A quem poderia falar de Bella, por exemplo? A minha mãe, como romântica que é, iria começar a ver corações em todo o lado. Se calhar até choraria. O Emmett iria gozar comigo até ao fim dos meus dias. A Alice… bem, a minha irmã diria qualquer coisa inesperada, como sempre. O meu pai faria um discurso sobre crescimento interior e responsabilidade numa relação a dois. Jasper. Só o meu amigo (e quase cunhado) Jasper me ouvia sem me julgar ou tecer comentários inapropriados. Sim, a ele eu poderia falar de Bella. Ficaria surpreendido ao saber que eu estava tão envolvido mas não iria estranhar, afinal ele apaixonou-se pela minha irmã assim que a viu. De certa forma era isso que estava a acontecer comigo. Só que eu precisei que Bella me ensinasse a olhar para si mesma.

Olhando para ela, com a água a cair por cima da sua cabeça, eu via a perfeição. Bella mexia profundamente comigo. Havia algo nela que me cativava, mental e fisicamente. Ah! Fisicamente ela mexia demasiado. Bastava olhar o seu corpo ou sentir uma carícia sua para despertar o meu desejo por ela. O que me deixava ainda mais agradado era verificar que ela sentia o mesmo relativamente a mim. Não tínhamos conseguido fazer amor na banheira devido à nossa impetuosidade e premência.

Semicerrei os olhos lembrando-me da loucura que tínhamos acabado de viver. Olhei para o chão da casa de banho para confirmar que tinha mesmo acontecido e que não era um desvario da minha cabeça. Os objetos que eu tinha atirado para o chão, com a intensão de afugentar as empregadas da limpeza, estavam realmente no chão. Que loucura! Arrependi-me de ter feito as coisas daquela maneira. Deveria ter sido menos bruto e mais gentil com ela. Mas ela estava tão quente que foi como acender um rastilho de pólvora. Não me foi possível parar.

Voltei a olhar para ela. Ela tinha fugido ao contacto da minha mão. O que é que eu deveria fazer? Insistir ou respeitar? Queria voltar a fazer amor com ela. Porra, Edward. Controla-te, pá. Pareces um tarado. Engoli um gemido de frustração.

– Tenho um desafio para te propor, - afirmou ela arrancando-me dos meus pensamentos.

– Gosto de desafios, - disse eu, lembrando-me que a nossa situação tinha começado com um.

– Eu sei, - disse ela a rir. – Bom, o que eu proponho é tentarmos resistir um ao outro.

– Como? – Arqueei as sobrancelhas sem perceber onde ela queria chegar.

Ela riu-se mais alto, ainda virada de costas.

– Parece óbvio que existe uma atração física considerável entre nós, - continuou ela cautelosamente.

– Sim. Enorme, - respondi satisfeito mas cheio de curiosidade.

– Então, vamos ver qual de nós dois consegue resistir mais tempo ao outro.

– Não nos podemos tocar? – Perguntei tentando perceber o alcance do desafio.

– Só não podemos… Sem penetração, - acrescentou ela mais baixinho.

Estava tramado. Só de a ouvir falar em penetração eu já estava a ponto de subir pelas paredes…

– Quem resistir mais tempo ganha o quê?

– Pode pedir o que quiser.

– Ok. Estou nessa. Já sei que vou perder mas não interessa. Vou gostar de saber o que me vais pedir.

– Não sejas batoteiro. E se eu pedir para ir embora ou para ficares comigo neste quarto uma semana?

– Vou tentar resistir, - afiancei. Eu não queria de maneira nenhuma que ela fosse embora. Se soubesse que o pedido dela era o segundo desistia já mas… Não, eu ia resistir e quem pediria para ficar ali uma semana seria eu. – Se ganhar posso pedir qualquer coisa? Qualquer coisa, mesmo?

– Bem… - engasgou-se ela. – Dentro do que é normal. Sem humilhações, por favor.

Fiquei triste com as suas palavras. Puxei-a por um braço e virei-a para mim, obrigando-a a olhar-me. Vi medo nos seus olhos.

– Eu prometi que nunca te faria mal. Eu cumpro sempre o que prometo. – Ela desviou o olhar. – Bella, confia em mim. Há pouco, fui um tanto ou quanto bruto contigo mas não era minha intenção magoar-te.

– Bruto? – Ela parecia confusa.

– Na parede.

– Ah. Isso. Não. Eu… gostei. – Estava extremamente enrubescida.

–Isto vai ser difícil, - resmunguei. – Como vou conseguir resistir-te? Tu enfeitiças-me.

Ela riu-se novamente e, encostando-se a mim, começou a beijar o meu peito. A minha pele arrepiou-se e eu mordi o meu lábio para não gemer. Ela continuou. A tortura só estava a começar. Eu ia morrer ali.

– Ah, Bella. Se eu ganhar isto, não te vou deixar sair deste quarto tão cedo.

– Boa ideia, - sussurrou ela ao meu ouvido, fazendo-me arrepiar e gemer.

Não sei bem como nem quanto demorou, mas acabámos o banho. Eu precisava de ficar uns momentos sozinho pelo que lhe estendi uma toalha e fiz-lhe sinal para ela ir para o quarto. Senti-me novamente um adolescente ao sentir necessidade de me masturbar para aguentar os ataques de Bella.

Quando regressei ao quarto ela tinha voltado a vestir a lingerie preta. Suspirei e tentei manter a calma. Juntei-me a ela na cama e ela aproximou-se de mim enroscando o seu belo corpo no meu e começou a passar os seus lábios nos meus. Sem pensar pousei a minha mão na sua anca e ainda a encostei mais a mim, o que a fez gemer. Fiquei satisfeito por ver que ela também estava em modo de ação.

Ficámos ali a atormentar um ao outro, até eu atingir o meu limite de resistência, com a mão dela a aproximar-se demasiado da minha ereção. Então, num vislumbre de lucidez, tive uma ideia para virar o jogo. Ri-me ao pensar no que iria fazer-lhe. Eu ia ganhar este jogo. Ah se ia.

– Só não vale penetração, Bella. Prepara-te para te renderes, - sussurrei-lhe ao ouvido.

Ela estremeceu e ficou em sentido de alerta. Manhoso, virei-a de costas e comecei a beijar-lhe a pele desde o pescoço até às coxas, fazendo-a estremecer vezes sem conta e deixando-a arrepiada. Tirei-lhe a roupa interior e continuei no meu rumo. Voltei a virá-la, desta vez de frente para mim, e ataquei a sua boca, sendo avidamente correspondido. Depois fui descendo até aos seus seios. Ela soltou um gemido alto quando prendi suavemente o mamilo entre os meus dentes e depois o suguei. O seu corpo arqueou e eu vi a minha vitória mais perto. Cada vez que percebia que ela estava próxima do orgasmo abrandava as carícias, voltando à sua boca e retomando a descida, deixando-a cada vez mais louca de desejo. Ela estava completamente desesperada, gemendo e contorcendo-se, quando a minha língua chegou ao centro do seu ardor.

– Por favor… - ouvi- a suplicar. – Por favor… Desisto… Edward?

– Diz, amor. – Eu estava em júbilo ao vê-la tão entregue.

– Quero-te. Preciso…

– De quê, querida? – Eu estava a ser muito sacana e estava a adorar.

– De ti, Edward. Agora, - clamou.

– Agora? – Perguntei, enquanto colocava um preservativo numa velocidade recorde.

– Agora, - disse ela com exasperação, fazendo-me sorrir.

Voltei para os seus braços, também desejoso de a possuir novamente. Ela agarrou-me com força e procurou a minha boca com sofreguidão. Não a fiz esperar mais. À primeira investida, ela arqueou o corpo com tanta força que conseguiu afastar-me da sua boca, fazendo com que o seu grito rouco saísse livre e forte. Estremeci com a violência do orgasmo dela.

– Amo-te, Edward, - murmurou ela entre respirações ofegantes.

Senti-me um afortunado. Era a primeira vez que uma mulher me dizia aquilo no auge do prazer, especialmente, naquele tom e de forma tão verdadeira. Foi impossível não me envaidecer. Ela já me tinha dito antes o que sentia mas naquele momento foi como se eu tivesse realmente interiorizado o seu significado. Ela amava-me.

Abrandei ainda mais os meus movimentos. Eu queria fazer durar a nossa união. Senti-la tão próxima e tão minha era demasiado forte e inebriante. Eu estava enfeitiçado por aquela mulher. Como se soubesse o que me ia na cabeça, as suas mãos procuraram os meus cabelos e puxaram-me para a sua boca. O nosso ritmo intensificou-se e ela murmurou qualquer coisa que eu não entendi.

– Queres alguma coisa, querida? – perguntei, beijando-lhe a pele rumo à sua orelha.

– Provar-te.

– O quê? – Perguntei sem perceber. – Uh, não. Agora não.

Ela queria matar-me, só podia. Só a ideia de sentir os seus lábios na minha ereção punha-me maluco.

– Porquê? Tu já o fizeste comigo, - insistiu.

– Ah, Bella. Se o fizesses eu não iria aguentar um minuto.

– Isso é mau?

– Shhhh. Não digas nada.

– Acho que irias gostar se eu o fizesse.

– Ahhhhhhhhhhhhhhhhhh, - chiei. Porra, porra, porra. Aguenta-te, Edward.

Para desviar a atenção dela daquela ideia, procurei o seu seio esquerdo e comecei a lambe-lo e a sugá-lo. Ela gemeu e agarrou-se ao meu cabelo, murmurando silabas cujo nexo eu não encontrei. Depois, puxei-lhe a perna para cima, dobrando-lhe o joelho e prendendo-o, mas ela fez um som esquisito e moveu-se, levando-me a soltá-la. Empurrou-me para o lado e, vendo a minha incompreensão, sorriu. Posicionou-se em cima de mim e esfregou-se no meu corpo.

Escorregando cada vez mais para baixo, foi beijando e lambuzando a minha pele, deixando-me pensar no que faria a seguir. Gemi quando percebi que ela ia fazer precisamente o que tinha dito que queria. Pensei em impedi-la mas o meu desejo de a sentir era enorme.

As suas mãos entraram em ação e tocaram-me, primeiro um pouco trémulas mas depois mais seguras. Eu pulsava nas mãos dela desejando mais. Quando a sua boca chegou perto e ela tentou retirar o preservativo, reagi. Sentei-me, puxando-a para o meu colo e fazendo-a passar as pernas para as minhas costas. Ergui-a um pouco para a encaixar em mim e beijei-a furiosamente. Ela gemeu na minha boca, talvez estranhando aquela posição, e deixou-se guiar pelos meus movimentos. Pelo menos por algum tempo.

Voltou a empurrar-me, desta vez para traz, obrigando-me a deitar, ficando ela no comando da situação. Deixei-a marcar o seu ritmo e deixei-me maravilhar com os seus movimentos. Esta era uma situação nova para mim. Normalmente, eu não me deixava dirigir; gostava mais de estar numa posição dominante. Ali eu era o dominado e, contrariamente ao que imaginara, sentia-me seguro.

Quando a senti próxima do orgasmo, inverti as nossas posições e investi com força. Beijámo-nos com paixão e explodimos numa apoteose de sentidos. Murmurando palavras de afeto, deitei-me a seu lado, puxando-a para o meu peito.

– Adoro a forma como fazemos amor, - sussurrei ainda extasiado.

Ela suspirou mas não disse nada.

– A forma como os nossos corpos reagem um ao outro é extraordinária, - continuei. - Nunca tinha sentido isto antes.

– Não? – Perguntou ela encarando-me.

– Não. Nunca. Contigo é completamente diferente, - disse-lhe, passando um dedo pelo seu rosto. - É mais… Não sei explicar. É mais intenso, mais profundo. Deve ser da forte atração química que temos.

– Pois, - sussurrou ela, afastando o olhar.

– Pois? – Não consegui perceber o significado da sua entoação.

– Não tens fome? – Perguntou ela, claramente para desviar a conversa. – Talvez pudéssemos pedir o jantar.

– Também poderíamos ir jantar a outro sítio, - sugeri atento à sua expressão.

– Pois, podíamos, - disse ela fazendo uma careta.

– Não gostaste da ideia. Porquê? – Eu queria saber o que lhe ia na cabeça.

– Ainda não me disseste o que vais pedir por teres ganho o nosso jogo. – Voltou novamente a desviar o assunto o que me irritou um pouco.

– Mas eu já te disse. Quero mais tempo contigo.

– Quanto tempo?

– O máximo possível. – Eu não era capaz de quantificar o quanto a queria, mas sabia que a queria muito mais do que o razoável.

– Mais uma noite? Um dia? Uma semana? – A voz dela mal se ouvia.

– Um mês, um ano, uma vida. Não sei, Bella. Só sei que quero mais tempo, - resmunguei. – Quando cheguei a este quarto só me apetecia ir embora. Há bocado, quando propuseste este desafio eu pensei que, caso ganhasse, iria pedir para ficares comigo uma semana. No entanto, agora sei que quero mais que isso.

– Não podemos ficar neste quarto, fechados para sempre.

– Eu sei. Podemos começar por sair para ir jantar e depois voltamos.

Ela pareceu descontrair-se um pouco e sorriu.

– Vamos lá então.

publicado por Twihistorias às 18:00
Fanfics:

06
Fev 13

Cap. 28 – Lua de mel (emoção, amor e festa)

O dia amanheceu connosco ainda entrelaçados um no outro.

A claridade que passava entre a fresta dos cortinados, despertou-me. Isso, e uma respiração mais profunda de Rob, enquanto me apertava mais de encontro ao seu peito.

Reparei que um dos braços dele estava debaixo de mim e o outro ainda apertava a minha cintura, numa atitude protectora. Exactamente a mesma posição na qual me lembrava de ter adormecido. O que me levou a pensar que o braço dele, que estava debaixo de mim, lhe daria problemas ao acordar.

Tentei mover-me, o que só serviu para que ele me tentasse aconchegar ainda mais, tal qual uma mamã Koala.

Tentei não me rir, mas não fui capaz de me conter. O que fez com que acabasse por o acordar.

Depois dos cumprimentos matinais e de lhe explicar o motivo de estar a rir que nem uma perdida, Rob viu as horas no telemóvel e apercebeu-se que teríamos mesmo de apressar-nos, se não quiséssemos perder o avião.

A viagem de avião foi óptima, mas a aterragem em St Martin não podia ter sido mais pavorosa! Porque é que ninguém nos explicou que o avião iria pousar numa pista minúscula, junto a uma praia cheia de pessoas?!

Eram quatro da tarde quando encontrámos o nosso guia que, depois de nos conduzir para fora do confuso aeroporto, nos aconselhou, num inglês ainda mais confuso, a mudarmos de roupa, face ao calor abrasador. Depois meteu-nos num barco, juntamente com outros turistas e deu-nos o contacto de alguém chamado Sophie Martinez, que deveríamos encontrar à chegada.

Ao contrário do que seria de esperar, misturámo-nos facilmente entre os turistas. Talvez tenham sido as nossas roupas descontraídas e os colares de flores que tínhamos ao pescoço, ou o facto de todos estarem mais interessados em ver os golfinhos que brincaram perto do barco durante toda a viagem, em dançar com o animador ou em conversar junto do balcão do bar. O que é certo é que ninguém reparou em nós, o que foi espectacular!

Passámos a viagem encostados à amurada do barco, abraçados e de cabelos ao vento, sentindo na cara os salpicos da água salgada.

Já estávamos completamente integrados no ambiente e de sorriso nos lábios, quando o barco finalmente aportou em St Lúcia.

Sophie Martinez era uma senhora de cerca de cinquenta anos, simpática e de sorriso fácil, que nos cumprimentou tão efusivamente à chegada, como se já nos conhecêssemos há décadas. Percebi, através do seu inglês com um cerrado sotaque francês, que era a dona da casa onde iríamos ficar, bem no sopé do Soufrière, o vulcão que dava nome à cidade. Era filha de um Venezuelano, mas a mãe era Francesa e, embora tivesse nascido e passado parte da infância nesta ilha, aos 9 anos tinha partido para Paris com a mãe e só regressara dois anos antes. Levou-nos até à sua carrinha, onde já se encontravam as nossas malas e, antes de iniciar o caminho até casa, tratou de nos dar a conhecer um pouco da cidade.

As casas tinham sido construídas em diversos estilos, não havendo duas iguais na mesma rua, o que demonstrava bem as raízes multiculturais daquele local. Havia inclusive uma igreja ao estilo francês no centro, que trazia um toque de romantismo à animada cidade.

Assim que a vegetação começou a dominar a paisagem, Sophie informou-nos que faríamos uma breve paragem no caminho para comprar café, antes de chegarmos à sua Villa particular.

E quando chegámos finalmente ao nosso destino, fez questão de nos mostrar a sua bela mansão, que tinha sido transformada numa espécie de hotel familiar e que ficava junto a uma pequena plantação de cana-de-açúcar.

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- Uuf... Finalmente chegámos! – Desabafou, com um sorriso nos lábios. E em seguida deixou-se cair em cima da cama, atirando com uma sandália para cada lado e ficou estendida de braços abertos. – Gosto disto aqui!

- Hum... Sim, o sítio é bonito! – Disse, distraído, ainda a tentar pôr alguma ordem nas malas.

- Gostei muito da plantação de café! Quando a Sophie disse que íamos comprar café, não imaginei que íamos a uma plantação! Pensei que íamos passar num supermercado ou algo assim... Era capaz de me esquecer de tudo e ficar a viver aqui para sempre...

Deixei cair o que tinha na mão e deixei de pensar no que estava a fazer, quando ela abafou um grito...

Abeirei-me da cama, onde ela agora se encontrava sentada e tentei perceber o que tinha acontecido...

- O que se passa amor?

Ela levantou-se de um salto e foi em direcção ao canto do quarto onde eu tinha pousado as malas e começou a remexer na minha mochila...

Observei-a intrigado...

- Robert? Onde guardaste o meu telemóvel? Precisamos ligar para casa...

- Humhum...

Continuei a observá-la a vasculhar a mochila, já mais calmo... Por momentos tinha pensado que ela tivesse sentido alguma dor. Que fosse alguma coisa com o bebé, sei lá... A minha cabeça anda a mil, sempre que algo me faz pensar que ela ou o bebé não estão bem...

Farta de procurar, parou e voltou-se para me encarar...

- Vá lá, dá-me o telemóvel amor...

- Podes-me dizer qual é a pressa? Não achas melhor tomarmos primeiro um duche, e pormo-nos mais à vontade?

Ela não me respondeu, mas aproximou-se e abraçou-me... Correspondi agradado com o seu carinho, até me aperceber que ela estava a tentar tirar-me o telemóvel do bolso!

- Ah! Nem penses! – Exclamei. Peguei-lhe ao colo e levei-a em direcção à casa de banho, enquanto ela protestava. – Agora vais pagar por isso!

- Não! Robert! A sério, precisamos saber se está tudo bem em casa! Já te esqueceste que a “nossa peste” ficou na casa da tua irmã? Ai!! E pára de me fazer cócegas! Não vai resultar!

- Ok... – Acabava de fechar a porta da casa de banho, atrás de mim. Pousei-a no chão, encostando-a à parede. – Eu sei, mas isso pode esperar...

Ela fitou-me, arqueando uma sobrancelha e preparava-se para ripostar, quando rocei o meu rosto no seu e me aproximei do seu ouvido.

- Desculpa, mas eu já não consigo esperar nem mais um minuto... – Senti-a estremecer nos meus braços, no momento em que o meu bafo quente atingiu em cheio a sua orelha e fiz a única coisa possível... enlacei a sua cintura, puxando-a para um beijo.

- Robert, pára... – Pediu debilmente, quase num murmúrio, assim que nos apartámos.

- Sabes que não vou fazer isso... – Ela ainda tinha os olhos fechados e tentava normalizar a respiração, com a testa colada à minha.

- Oh Rob, és indecente!

- Eu sei, querida. Obrigada. - Comecei a brincar com os botões da sua blusa, percebendo que tinha ganho, quando ela não fez menção de me afastar.

------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Eram quase horas de jantar e ainda estávamos estendidos na cama a conversar.

- Devias ter-me deixado ligar para casa...

- Relaxa, amor... Se houver algum problema, acredita que vamos ser os primeiros a quem a minha irmã vai ligar!

- Eu sei, mas mesmo assim... Parece que não nos importamos! É tão irresponsável...

- Não é não... Amanhã, assim que acordarmos, ligamos. Prometo... Vai ser a primeira coisa que vamos fazer amanhã... Vá lá, anima-te! Eu estou tão preocupado quanto tu, mas temos de aproveitar a nossa lua-de-mel... Já pensaste que daqui a seis meses já não vamos ter descanso? Vai ser o Miguel e mais um bebé...

- Por falar em bebé... Porque não quiseste saber o sexo do bebé? – Ele sorriu com a minha pergunta.

- Não sei, acho que é mais emocionante ficar na expectativa...

- Mas o que gostavas mais? Menino ou menina?

- Tanto faz. O meu único desejo é que venha com saúde... – Rob acariciava a minha barriga.

- Sim. Mas deves ter uma preferência... – Disse, cobrindo a sua mão com a minha.

- Eu sempre quis ter um rapaz, mas já temos o Miguel... Por isso talvez fosse giro se agora viesse uma menina, mas é como te digo, só quero que tanto tu como o bebé estejam bem, o resto não importa...

- Bem, temos é de começar a pensar em nomes...

- Não. Temos é de começar a pensar em ir jantar! Estás há horas sem comer...

- Robert! Pára de fugir do assunto! Quero que me ajudes a escolher nomes para o bebé!

- Ok. Mas não podemos fazer isso noutra altura? Ainda faltam seis meses...

- Tu nem imaginas o quão rápido esses seis meses vão passar... Mas, tudo bem, vamos despachar-nos e descer para jantar...

O jantar foi animado e o serão prolongou-se pela noite dentro. A sala de convívio era bastante acolhedora e decorada com peças dos mais variados cantos do mundo, muitas delas oferecidas pelos hóspedes que por ali tinham passado. Havia ainda um piano onde, após minha insistência e de Sophie, Robert aceitou tocar de improviso.

E a nossa lua-de-mel foi-se passando entre as mais variadas actividades. Subimos até ao Soufrière, com as suas caldeiras de água borbulhante e explorámos a sua magnífica floresta circundante, rica nas mais variadas flores de todas as cores. Tomámos banho na pequena queda de água, da nascente próxima à casa e deliciámo-nos a ver o sol a pôr-se da varanda.

Sophie acompanhou-nos até à cidade algumas vezes e acabou por sugerir que aproveitássemos algumas das suas frequentes festas nocturnas. Deixámo-nos envolver pelo ambiente quente e acolhedor da cidade e embrenhámo-nos na sua cultura.

publicado por Twihistorias às 23:30

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