26
Jul 13

Cap.38 - Alex

- Alex! – Gritei ao vê-lo sair pela porta das chegadas.

Ele parou e sorriu ao reconhecer-nos. Fiz-lhe sinal que íamos ter com ele ao fim do corredor.

Quando estávamos a chegar perto, olhei para Kristen que sorriu e me incitou a ir em frente.

Corri até alcançar Alex, que largou as malas e me abraçou forte.

- Alex! Que saudades! – Exclamei em português, como quase sempre nos falávamos.

- Muitas saudades mesmo! Mas diz-me, como é que tu estás? Quase me mataste de preocupação Anna!

- Desculpa! Estou a aguentar-me... Mas é melhor não falarmos aqui.

Separámo-nos quando Kristen nos alcançou. Alex puxou-a para os seus braços e deram um beijo digno de filme.

Limpei a garganta, fingindo tossir.

- Ai! É impressão minha, ou de repente ficou muito calor aqui? – Não resisti a meter-me com eles. Abanei-me, perdida de riso.

- O que foi minha ciumenta? – Brincou Alex, puxando-me para um meio abraço.

- Deixa Alex. É justo! Eu fazia-lhe exactamente a mesma coisa quando nos conhecemos.

- Desculpa que te diga, mas eras um bocadinho pior. Lembras-te quando decidiste fingir que seguravas a vela e te estavas a queimar?

- Pois foi, que infantilidade!

Rimos a bom rir.

Alex agarrou as malas, recusando a nossa ajuda e Kristen deu-me o braço e começou a tagarelar sobre os planos que tinha para esta semana, até chegarmos ao carro.

Os dias que Alex passou connosco em Los Angeles passaram a correr, mas divertimo-nos imenso os três.

Como tanto eu, como eles estávamos numa de não dar nas vistas, juntávamo-nos ora em minha casa, ora na casa de Kristen e fazíamos a festa.

Aquele casalinho, apesar de estar completamente “in love” e parecerem dois adolescentes, não me pôs de parte nem um dia que fosse. Passaram a semana inteira a convidar-me para isto e para aquilo.

- Bem meninos, está na hora de eu ir pra casa!

- Já? – Exclamaram em uníssono.

- Sim, já é tarde. Não quero adormecer no vosso sofá como ontem. Além disso, a Annie deve estar cansada e vocês devem ter mais coisas pra fazer, não?

Entreolharam-se com ar divertido.

- Hum... Não. Ainda vamos ver o filme! – Acabou por responder Alex.

Cruzei os braços com cara de dúvida.

- Bem, se queres mesmo ir, eu levo-te!

- Sim, se não te importares...

Despedimo-nos de Kristen e encaminhámo-nos para o elevador.

- De certeza que não está a ser aborrecido para vocês?

- Aborrecido? O quê?

- Oh... Tu sabes! Eu estar sempre convosco! Afinal vocês ficam a maior parte do tempo separados e quando podiam estar juntos, eu venho atrapalhar!

- Oh... Deixa de ser tonta! Se estivesses a atrapalhar alguma coisa, nem te convidávamos! E nem era preciso sermos indelicados, bastava dizer que tínhamos planos. Conhecendo-te como te conheço, fugirias de nós a sete pés!

- Obrigada Alex!

- O que estás a fazer? Não vais começar a chorar, pois não?

Encolhi os ombros.

- Nem sei como te agradecer, a ti e à Kristen... Vocês têm sido...

- Hei! Não é nada demais. Ambos somos teus amigos e estamos tão preocupados como tu!

- Eu não sei o que a Kristen te contou, mas...

- Por favor! Tu não achas mesmo que ele te abandonou, pois não?

- Eu não sei...

- Desculpa que te diga, mas agora estás a ser um bocado estúpida! – Disse ele, dirigindo-se ao carro.

- Ai eu agora é que sou estúpida? Desculpa lá, mas não foi a ti que ele... – Enterrei-me no lugar do pendura.

- Pois não, foi a ti! Mas pensa... Ele até te podia querer deixar, mas daí a desaparecer sem avisar ninguém? Pelo que eu ouvi dizer, ele andava a ser ameaçado...

- O quê?

- Andas mesmo a Leste, não andas? Ouviste alguma coisa daquilo que a Lizzie te tentou dizer a semana passada?

- Bem, eu...

- Proibiste-a de continuar a tocar nesse assunto, eu sei. Ela disse-me. Ligou-me preocupada com o facto de lhe teres dito que ele já não significava nada para ti. E, no entanto, ainda nem a aliança conseguiste tirar.

Ia abrir a boca para responder, mas ele continuou, interrompendo-me.

- Eu não acredito que o Robert te deixou, e tu também não! Há muita coisa estranha nisto. Eu sei que só te queres proteger e estás magoada, mas vejo nos teus olhos que ainda o amas, por isso não te serve de nada negar.

- Então não percebo... – Disse, sentindo uma lágrima escorrer-me teimosamente pela face. – Se houve algum problema, porque é que ele não me contou? E se... Achas que as ameaças podiam ser por minha causa?

- Isso não sei... Mas tu já foste ameaçada por causa dele, por isso não era inédito!

- Sim, mas... De onde saiu essa ideia de ele andar a ser ameaçado? Vocês não estão a tentar animar-me com isso, pois não?

- Bolas, até me ofendes! Nunca te menti... Bem, vou fingir que nem ouvi. E respondendo à tua questão, ele falou disso ao Tom. Parece que andava constantemente a receber mensagens.

- Oh meu Deus! – Exclamei. – As janelas e as portas trancadas a toda a hora... Como é que eu não percebi? Achei que ele estava a ficar paranóico com os paparazzi, nunca imaginei...Fui tão injusta com ele!

- Tem calma... Também não podias imaginar. Como tu própria disseste, ele não falou contigo.

- E o que é que eu faço agora? Onde é que ele estará? Será que lhe aconteceu alguma coisa? Só espero que ele não...

- As más notícias sabem-se depressa... Bem, chegámos!

- Sim. Talvez tenhas razão... Tenho de pensar. Obrigada Alex! Não sei que faria sem ti!

Dei-lhe um abraço e saí do carro. Ele esperou que entrasse no prédio antes de arrancar.

Quando cheguei, tanto os meus filhos, como a Annie já dormiam. Tomei um duche rápido e enfiei-me na cama. O sono depressa chegou, mas os sonhos atormentaram-me toda a noite.

publicado por Twihistorias às 18:00

23
Jul 13

Capítulo 15

O primeiro beijo

Eu cavalguei em direção ao parque, logo após eu ter acordado e me arrumado. Eu precisava dizer todas as respostas a Edward.

Quando lá cheguei, Edward estava sobre o carvalho, o mesmo de ontem, eu desci do cavalo e ele se levantou me ajudando a descer.

- Oi. - eu disse, o sorriso estampado em meu rosto.

-Oi. - ele respondeu, sorrindo.- Eu senti sua falta.- ele confessou.

- Eu tambem senti sua falta. - como é possível estar longe de alguém por apenas algumas horas e sentir saudade?

-Eu tenho respostas para as suas perguntas. - eu disse, indo direto ao assunto.

- Fale e eu estarei lhe ouvindo. - ele disse, com seriedade.

- Eu não vou enrolar, já perdi tempo demais da minha vida, o que eu lhe disser agora parece tão impulsivo, mas é a verdade. - eu dei uma pausa e respirei fundo.- Eu sinto que eu amo, eu sei o que eu amo.Eu sei que não o conheço a tanto tempo, mas é como me sinto.Mas eu não posso enganar a mim mesma.O que sente por mim?Você me ama?- eu lhe dei um ultimato.

- Se eu a amo?Eu te amo, Isabella Swan. Como poderia não amá-la?Sua pele é branca como a neve, e macia como as penas de uma ave exótica, seus cabelos são como seda, como se cada fio foi cuidadosamente desenhado, sua voz é como um canto de um pássaro, hipnótico, sua beleza causa inveja até mesmo em Afrodite. Seus olhos são escuros, e igualmente claros a minha visão, por que através deles eu posso ver um coração, que acima de tudo é puro. Como poderia não amá-la?Sou humano demais para não amar um anjo.

Suas palavras foram as mais belas que alguém já me disse, eu me joguei em seus braços e o abracei e ele me abraçou em resposta. Eu senti o amor que irradiava dele, me esquenta, esquentar meu coração.

- Eu tenho de ser honesta com você, Edward. Eu não sou um coração moldável, eu sou um coração ferido, um coração que não poderá apagar o passado para viver um futuro pleno.

- Eu não me importo. Desde que era pequeno, eu sonhava com o dia em que casaríamos, teríamos filhos, seriamos uma família, viveríamos juntos até a hora de nossa morte.- o seu sonho, durante alguns segundos, passou a ser o meu sonho.

- Eu não posso lhe proporcionar isso, eu sou viúva Edward, não vou poder me casar com você, não poderemos viver juntos para sempre. Eu só lhe disse que te amo para que soubesse, mas não existe futuro para nós.

- Porque não existe futuro?Somos jovens e nós amamos nada poderá ser contra nós.

- Eu não posso fazer isso, Edward. Eu não posso te prometer algo que não posso cumprir.Eu não lhe posso prometer um futuro feliz, quando o meu destino é ser infeliz.- eu coloquei a mão no seu rosto, tentando lhe reconfortar.Eu pensei que ele teria raiva de mim e tiraria a minha Mao de seu rosto.Era o certo que ele fizesse, eu estava destruindo o seu futuro.

Ele colocou a Mao no meu rosto, meu quente se aqueceu com esse pequeno ato, ele abaixou a cabeça no intuito de beijar.

- Não podemos fazer isso, Edward. - eu sussurrei.

- Shhhh. - ele me silenciou, seu lábios tocaram os meus e meu corpo ferveu.Seus lábios eram macios e mornos.Eu movi meus lábios, temerosa, ele me acompanhou.

Uma de suas mãos foram em direção aos meus cabelos soltos e a outra foi para minha cintura, aproximando nossos corpos. Eu coloquei minhas mãos em seu pescoço, mantendo nossos corpos ainda mais juntos, como se eu quisesse que nos fundíssemos.

Eu movia meus lábios de forma lenta, sem saber o certo o que fazer. Aquele era o primeiro beijo perfeito, com o mais perfeito dos homens.Eu esqueci de tudo ao meu redor me concentrando apenas em nós.

Eu entreabri meus lábios, sentindo seu gosto em minha língua, ele passou a língua pelos meus lábios entre abertos e eu me afastei, não permitindo que aquilo fosse longe demais.

Eu estava arfando quando disse:

- O que fizemos é errado.

- Por que é errado?Nós amamos e estamos demonstrando isto um ao outro. - ele se defendeu.

E eu sabia que ele estava certo. Nada do que fizemos é errado, se olharmos pela ótica do amor.

- Edward você é jovem, deveria estar procurando uma esposa para construir sua família, já eu estou destinada a viver uma vida triste e solitária. Eu estou destruindo o seu futuro.- eu disse, chorando, eu era idiota, eu estava dando adeus a minha felicidade.

Ele me abraçou, seu abraço era reconfortante. Ele sussurrou em meu ouvido:

- Você não está destruindo meu futuro, você o está construindo. - ele me puxou em seus braços e eu me sentei, sobre o carvalho, no meio de suas pernas.Seus braços em torno do meu corpo.

E pelas próximas horas eu esqueci que o que estava fazendo era errado. Eu esqueci do mundo ao meu redor.Tudo era apenas eu e Edward.Eu esqueci que tinha uma vida infeliz, esqueci que Jacob morreu e deixou meu coração sangrando.

Minha mente se concentrou apenas em mim e em Edward e naquele pequeno momento de felicidade, entre tantos momentos de tristeza.

Capítulo 16

Vivendo um amor, sentindo a felicidade

Eu estava vivendo um momento de felicidade. Um momento, onde o resquício de esperança existente em meu peito parecia existir, como nunca existiu.Eu sabia que toda essa mudança repentina, tinha um nome:Edward.

Ele foi capaz de me transformar em poucos dias, e capaz de deixar em mim a felicidade que eu sempre sonhei viver ao lado de Jacob.

E era esse o problema. Jacob ainda parecia ter uma grande parte de minha  mente, uma grande parte do meu coração.Eu queria por um momento esquecer todos os planos que construí com Jacob.O futuro estava ai, sobre meus olhos, e eu queria viver esse futuro ao lado de Edward.

Mas algo em impedia de seguir esse futuro. Algo em mantinha presa aos sonhos com Jacob, as pessoas que não se importavam comigo, algo me mantinha presa a Isabella fria que eu fui.Era os resquícios da barreira que eu havia construído a quase um ano atrás.

Eu queria me livrar da barreira. A barreira que eu havia construído para me livrar da dor, eu não precisava mais dela.Daqui pra frente, eu construiria um novo futuro, o futuro que eu mereço.

Eu deixava que esses pensamentos preocupantes invadissem minha mente, quando eu não estava perto de Edward. Eu não estragaria os pequenos momentos que víamos juntos com isso.Sempre nos encontrávamos no parque, as escondidas- e eu odiava isso. Trocávamos juras de amor, juras eternas a tudo. Juras inquebráveis. Edward me beijava, beijos castos, mas que tinham o poder de fazer meu corpo ferver.

Com o tempo, os dias se passando, eu percebi que não nutria apenas amor e carinho por Edward. Existia uma paixão, uma paixão avassaladora, que fazia meu corpo desejar o corpo dele de formas que me eram desconhecidas.

Era tarde, o céu estava azul e com poucas nuvens, o sol brilhava glorioso, e o vento soprava na primavera. Estávamos sobre os galhos do carvalho, eu estava no meio das pernas de Edward e seus braços me abraçavam. Não falamos nada, apenas fitávamos o horizonte, e desfrutávamos do calor de nossos corpos próximos.

- Eu te amo. - ele sussurrou em meu ouvido, a sua voz de anjo pareceu aquecer meu corpo.Eu me sentia protegida e amada.

- Eu te amo. - eu sussurrei, fitando seu rosto.Seus olhos verdes brilhantes me olhavam como se eu fosse a coisa mais preciosa em seu mundo.

-Sabe com o que eu sonho todos os dias?- ele perguntou.

- Não. O que você sonha?- eu perguntei, de volta, curiosa.

- Eu quero que um dia nos mudemos daqui, nos casemos, tenhamos muitos filhos e envelheceremos juntos. - ele disse, simplesmente. Sua voz calma e tranquila.

Eu pude sonhar o mesmo que ele e desejei que esse sonho se concretizasse. Que um dia nós pudéssemos nos casar viver juntos cercados de filhos. E eu envelheceria ao seu lado, nossos dedos enrugados entrelaçados sobre uma cama, e daríamos nosso ultimo suspiro, dando adeus à vida.

Mas como eu faria isso, se eu não podia me casar novamente?

E então de repente, num flash de memória, eu me lembrei. Eu tinha me casado com Jacob, de acordo com as leis dos homens e de acordo com as leis de Deus,mas nós não consumamos o nosso casamento; nos vivíamos juntos, deitávamos no mesmo leito, mas não trocamos nem se quer um beijo, quanto mais nos entregarmos aos desejos do nossos corpos.

Uma esperança surgiu em meu peito, se houvesse uma possibilidade de eu e Edward estarmos juntos, para sempre. Eu faria tudo que estivesse ao meu alcance para que isso acontecesse.

- E se eu lhe disser que existe uma possibilidade disso acontecer. - eu disse, a minha voz estava esperançosa.

- Como você vai fazer isso? Você já foi casada, e não poderá se casar novamente. - eu podia perceber um pouco da felicidade que estava surgindo nele, apenas na idéia de se casar comigo.

-Eu não lhe contei toda a historia da minha vida. Não é uma historia bela, eu sofri muito Edward, apesar de tão jovem. -eu fiz uma pausa e respirei fundo.-Eu nunca tive uma família, minha mãe mal cuidava de mim. Ela só tinha olhos para meu pai, toda a sua atenção e o seu tempo para ele. Meu pai vivia para os negócios, eu só tinha a Jacob e a Isabel. Jacob era meu vizinho, eu pulava o muro para vê-lo. Eu o amava tanto, Edward. - eu suspirei, lembrando dos momentos felizes que vivi. Quando eu fiquei com dezesseis anos, meus resolveram que eu tinha que me casar. Eu conheci alguns rapazes, mas nenhum deles me chamava atenção. Um dia, Jacob resolve se casar comigo, como uma forma de me salvar da pressão que meus pais faziam sobre mim. Nós nos casamos e eu sabia que Jacob era apaixonado por mim, mas mesmo assim, ele me respeitou, não trocávamos nenhum um beijo se quer. E acabou que ele se foi, e eu não tive tempo de ama-lo.

- Eu sinto muito. - ele disse com a voz sentida.

E eu não retruquei, sabendo que suas palavras eram verdadeiras. Eu sabia que Edward não sentia ciúme de mim com Jacob-apesar de ter sido a muito tempo. Ele sabia que Jacob era uma parte do meu passado e que sempre faria parte da minha vida.

-Eu tenho um plano. - eu disse, voltando sua atenção ao inicio da conversa.-Eu irei falar com o padre, e pedir que ele nós abençoe e iremos fugir para qualquer lugar. E viveremos finalmente a nossa vida juntos.

- Você tem certeza disso?- ele me perguntou, me dando a ultima chance de mudar de ideia.

-Tenho. Eu não posso viver mais um segundo que seja sem você, minha família não significa nada para mim. - eu disse, fitando seus olhos verdes.

- Eu não valho tudo isso. - ele disse, me olhando enquanto seus dedos passavam suavemente em meu rosto.

- Você valhe muito mais. Você é minha vida, Edward. - eu disse.

Ele me beijou, fitou meus olhos e disse:

-Isabella Swan, você aceita se casar comigo?- ele perguntou, serio.

-Aceito. - eu respondi, sem hesitar. Ele pegou minha mão, e beijo a ponta de cada um dos meus dedos. Então ele me beijou, seus lábios se moviam lentamente sobre os meus.

-Me prometa algo?- ele me pediu contra os meus lábios.

-Tudo o que você quiser.

-Tente conversar com seus pais, tenho certeza que eles irão te entender. - ele pediu gentilmente, sua voz serena e tranquila.

-Não, eles não se importam comigo, Edward. Eu já tomei minha decisão, irei falar com o Padre logo amanha, irei pedir a benção dele para nós e iremos fugir, para vivermos em paz.

-Espero que não se arrependa. - ele disse.

-Nunca. – eu respondi, selando com aquela palavra outro momento da minha vida.

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19
Jul 13

- 6 -

E

Deambulei, errante pelo parque, procurando sentido para tudo o que tinha acontecido na minha vida. Estava perdido, sem conseguir ver um caminho por onde ir. Num minuto estava a viver o melhor momento da minha vida e no minuto seguinte vivia um pesadelo horripilante. Era difícil acreditar que a vida me tinha pregado uma partida tão grande.

Finalmente tinha conseguido falar com Bella. Desde aquela noite deplorável que não falava com ela, primeiro por causa da minha saída apressada de Itália e depois porque ela se recusou a atender os meus telefonemas. Foi preciso recorrer a Alice para ouvir a sua voz.

Bella estava muito magoada, magoada com a mãe, com o pai, com a Esme, provavelmente até com Carlisle… Magoada comigo. Muito magoada comigo. Percebi a sua dor ao ouvir tudo o que ela desferiu ao telefone. Se tinha dito coisas injustas havia muita razão nas suas queixas.

De certa forma eu duvidei do nosso amor ao deixar-me convencer pelos argumentos que as nossas mães utilizaram para, supostamente, me fazerem ver a situação com clareza. E, por isso mesmo, fiz aquilo que lhe tinha prometido não fazer: deixá-la. Sim, nestes dois pontos ela tinha toda a razão para ficar zangada comigo. Onde a razão dela se perdia era no acreditar que eu não a tinha defendido. Tudo o que fiz foi a pensar no melhor para ela, tentando preservá-la de mais sofrimento.

Embora reconhecesse que ela tinha todo o direito a sentir-se traída pelas más influências e decisões, fiquei muito desiludido por ela estar a fazer aquilo de que me acusava. Ao não me dar hipótese de me explicar perante ela, Bella duvidava também dos meus sentimentos. Estava furioso por tê-la perdido. Estava furioso comigo. Se eu tivesse sido mais homem, se me tivesse revoltado contra a família e a tivesse resgatado daquele quarto… Se eu a tivesse trazido comigo. Se… eu não tivesse tido medo de não aguentar com as consequências. Se…

Revivi aqueles momentos que decidiram o meu tenebroso futuro.

Depois de sair do quarto de Bella, desci para procurar Carlisle e encontrei-o no alpendre. Fiquei todo arrepiado e a tremer, talvez pelo nervosismo ou talvez pelo frio que se fazia sentir àquela hora da noite. Caminhei até ele e sentei-me numa cadeira ao seu lado. Sem se virar para olhar para mim, o meu pai começou a falar.

- Edward, a vossa situação é complicada. Não julgues que não compreendo a tua relação com Bella, mas tens que perceber que, de uma maneira estranha, aquilo que Renée e Esme defendem também faz sentido.

- O que é que eu posso fazer, pai?

- Tens que dar tempo ao tempo. A tua mãe e a Renée vão acabar por aceitar, mas não agora.

- Pai, eu não posso deixar a Bella assim. Como é que se adiam sentimentos destes? - A agonia estava patente na minha voz.

- Pensando no que é melhor para vocês a longo prazo. A vossa relação tem quanto tempo? Podem levar as coisas com calma, não precisam de ser tão precipitados. Já pensaste que o que sentem um pelo outro pode não passar de uma paixão efémera?

- Eu espero por ela há anos. – Desesperado, esfreguei a cara com as duas mãos. - Descobri que a amo há seis anos mas na verdade acho que sempre estive apaixonado por ela. Ela teve sempre um significado enorme para mim, foi sempre o centro da minha atenção.

- Vais ter que ser forte. Neste momento não me parece uma atitude assertiva lutar abertamente com as vossas mães. Conversem sobre o assunto e decidam o que for melhor para todos.

As lágrimas começaram a cair pelo meu rosto, num choro silencioso. Carlisle manteve-se a meu lado sem proferir nada, voltando-se para trás apenas quando se ouviu a chegada de alguém.

- Aqui estás tu, meu sacana. Estás a chorar?

- Então, Charlie? Nada te dá o direito de chamares isso do meu filho. – Carlisle falava com calma mas seriamente.

- Desrespeitou a minha filha. Achas que isso é correto? – A voz de Charlie denotava frieza e despeito.

- Foi consentido. Eles estão os dois juntos, conscientemente. A paixão leva as pessoas a terem comportamentos por vezes difíceis de aceitar. Tu sabes isso melhor do que ninguém.

Charlie remexeu-se desconfortável e soprou com fúria.

- Estás a insinuar alguma coisa? Tu és tão culpado quanto elas. Sempre aceitaste esta porcaria de família tão virtuosa mas tão pouco família. Isto mais parece uma irmandade forjada e obtusa. Se lhes tivessem dado uma educação como deve ser nada disto teria acontecido. Criaram filhos que se tornaram umas verdadeiras aberrações.

- Desde quando o amor verdadeiro é uma aberração? – Falei em baixo tom ainda com a voz embargada.

- Amor verdadeiro? O que sabes tu disso? Vives à custa do papá e não fazes nada para merecer o que te oferecem. – Charlie inclinou-se para mim e apertou-me o braço com força. – Se deixares de ser financiado fazes o quê? Pensas que a vida é um mar de rosas mas estás bem enganado. Pensas que és homem mas não passas de um menino de fraldas.

- Vamos ter calma. Charlie, estás a ser injusto. O Edward foi sempre muito responsável e um aluno exemplar. Dentro de um par de anos é médico formado e independente. Além do mais sabes que ele poderia ser financeiramente independente. O fundo que fui construindo tanto para ele como para o Emmett está à disposição deles. Se eles não o usam só revela que estão conscientes da vida e do mundo que os rodeia.

- Tu e a tua mania das diplomacias capciosas. Até agora as coisas foram sempre como vocês quiseram mas desta vez eu tenho uma palavra a dizer. – Dizendo isto, Charlie largou-me o braço, virou costas e foi para dentro.

- Vamos entrar também, Edward, está muito frio aqui. Na sala estamos melhor. Lá falaremos todos e encontraremos a melhor solução.

Seguimos para a sala e, ao passar pela cozinha, o meu pai chamou a minha mãe e a Renée. A Alice e o Emmett, vinham a descer as escadas e acomodaram-se também nos mesmos lugares do dia anterior. Achei que devia falar primeiro e dizer o que tinha decidido.

- Gostaria que me ouvissem com atenção. O que disser aqui e agora não mais irei repetir. – Fiz uma pausa para que todos percebessem a importância do que se seguiria. – Eu e Bella estamos juntos, não por uma paixão de crianças mas porque os sentimentos que nos unem são verdadeiros e intransponíveis. Somos ambos jovens mas não somos irresponsáveis. A invasão da nossa privacidade foi muito além de uma entrada no quarto num momento de entrega. – Olhei para os adultos, a quem Aro se tinha acabado de juntar. – Vocês fizeram juízos de valor e condenações, olhando apenas para as vossas necessidades e idiossincrasias. Ainda não conseguiram perceber que estão a falar de duas pessoas que, tal como vocês, têm sentimentos e ideias próprias. Na base de uma atitude prepotente estão a destruir o que, se fosse encarado naturalmente, como deveria ser, seria um acontecimento feliz. Eu não posso permitir que a vossa mesquinhez me arraste para a lama. Eu amo a Bella e, se ela me quiser, vamos continuar juntos, quer vocês queiram ou não.

- Lindo discurso. Aprendeste com o papá? És um ignorante. Como pensas viver com ela? Pagas-lhe os estudos? Compras uma casa? Continuas o teu curso como? A vida não é assim tão fácil. E a Bella ainda não tem dezoito anos. Se a levares estás a incorrer no crime de rapto e eu chamo a polícia e mando prender-te. – Charlie destilava veneno. Lançando um olhar de ódio a Carlisle, sorriu perversamente. – Não há poderes suficientes para me impedir de o fazer… nem por parte da embaixada. Além disso dá-te por muito feliz por eu não te indiciar por abuso de uma menor.

A discussão continuou mas eu parei por ali. Nunca ponderei esta possibilidade. Charlie estava certo numa coisa: eu estava nas mãos dele. E agora o que faria? Faltavam apenas oito semanas para Bella completar os dezoito anos. Teria que arranjar maneira de manter as coisas até lá, para depois poder tomar uma atitude mais radical. Tudo isto se ela aceitasse ficar comigo. O que eu também não sabia. Pensa Edward, pensa.

Estava perdido neste raciocínio quando Bella chegou à sala e se sentou, com a ajuda de
Aro, no outro extremo da área de estar. O sofrimento dela era como o meu, de tão visível quase se tornava palpável.

O confronto familiar continuou entre a irredutibilidade de Renée e Esme e a crueldade de Charlie. Sentia-me completamente subjugado pela enorme pressão psicológica causada pelas ameaças de Charlie.

Quando a discussão terminou, Alice levou Bella para cima. Eu levantei-me para ir atrás dela. Tínhamos muito que falar e eu precisava de senti-la junto a mim e saber que ela estava bem.

- Edward, fica mais um pouco. Não tomes nenhuma decisão precipitada, a tua vida está em jogo. – O meu pai aproximou-se de mim e numa voz suficientemente baixa para ninguém mais além de mim ouvir, acrescentou: - Se fores agora ter com ela, vais dar muito nas vistas. Espera um bocado antes de o fazeres.

Eu dirigi-me à porta das traseiras para procurar um pouco de calma no relento da noite, sendo seguido por Emmett.

- Esta família é inacreditável. – Gritou ele batendo a porta com estrondo. – Tantos anos de “o que nos une são os sentimentos” para agora pegarem em princípios sem fundamento e destruírem tudo. – Quando me alcançou, Emmett colocou uma mão no meu ombro direito, em jeito de apoio. - O que vais fazer, meu irmão?

- Não sei, Em. A minha cabeça está um caos. Apetecia-me fugir com ela daqui para fora e nunca mais voltar.

- Não podes fazer isso, mano. O Charlie está cego, é bem capaz de fazer o que ameaçou fazer.

Ficámos ali a conversar e a maldizer a falta de sensibilidade e de bom senso dos nossos pais, na tentativa de encontrar uma solução, mas a única conclusão a que chegámos foi que, antes de Bella ter dezoito anos, nada poderia fazer. Mais tarde, ela poderia ir para Boston estudar. Ficaria em casa de Emmett até eu arranjar uma casa para vivermos.

Rosalie veio ter connosco de olhos vermelhos, dizendo que não conseguia ficar mais dentro de casa porque Bella chorava e gritava tanto que era doloroso ouvir.

Com uma dor enorme no peito, subi até ao meu quarto à procura de uns calmantes e fui ao quarto dela para lhos dar. Alice abriu a porta, recebeu os comprimidos e voltou a fechá-la, não me deixando entrar. Os soluços e o choro de Bella eram audíveis em toda aquela ala da casa. Encostei-me à porta e fiquei ali à espera que Alice me permitisse vê-la. Com o tempo o choro parou e a minha inquietação foi acalmando. Quando Alice abriu a porta e saiu, disse-me apenas para a chamar quando saísse e para não deixar entrar mais ninguém.

Bella dormia num sono inquieto apesar dos medicamentos. Tinha o rosto distorcido pelo choro contínuo, e o cabelo todo emaranhado. Deitei-me na cama ao seu lado e puxei-a para mim, aconchegando-a nos meus braços. Agarrado a ela permiti-me desabar e chorar também. Passei a mão nos seus cabelos e no seu rosto carinhosamente, de um modo que eu não sabia ser capaz, talvez aguçado pelo profundo desespero de a perder. Inalando o seu cheiro e sentindo o seu calor acabei por adormecer.

Acordei já de manhã, com Alice a bater na porta e a chamar-me baixinho. Levantei-me com cuidado para não acordar a minha linda e abri a porta a Alice. Ela trazia dois copos de leite morno e, sentando-se na beira da cama, deu-me um deles sem dizer nada. Eu agradeci com um ligeiro movimento de cabeça e levei o copo à boca.

- As mães querem falar contigo. Estão na cozinha à tua espera, – disse ela quando eu terminei de beber o leite. – Decidas o que decidires, não desistas da minha irmã. Ela ama-te demasiado e há muito tempo, para merecer perder-te.

- Não vou desistir nunca. Não imagino a minha vida sem ela.

Dei um beijo na testa de Bella, outro em Alice e saí do quarto.

Esme e Renée calaram-se quando entrei na cozinha. Parei a uma certa distância delas e cruzando os braços esperei que me dissessem o que tinham a dizer.

- Filho, não preferes sentar-te aqui? – Eu abanei a cabeça, negando o convite da minha mãe. – Edward, estive a pensar em tudo o que se passou e acho que o melhor seria voltares a Massachusetts.

A minha mãe ficou à espera que eu dissesse alguma coisa mas eu não queria dizer nada sem primeiro ouvir tudo o que ela tinha para me dizer.

- Querido, precisas de ver a situação com clareza e aqui isso torna-se muito complicado. – Esme fez uma nova pausa antes de continuar. – Tens que perceber que, neste momento, a tua presença aqui, prejudica mais do que ajuda.

Franzi a testa surpreendido com este argumento mas nada disse.

- Charlie está muito desorientado e pode cometer uma loucura. A tua insistência em ficar com Bella levou-o a tomar uma atitude extrema, que pode deixar sequelas para sempre na nossa família, especialmente em Bella. Não é isso que pretendes, pois não? – Eu estava chocado demais para dizer o que quer que fosse. - Além disso estás demasiado magoado para manteres a lucidez necessária à resolução deste problema.

- Estás disposto a fazer qualquer sacrifício para proteger Bella? – Perguntou Renée, falando pela primeira vez durante a conversa.

Eu continuava aturdido, sem saber o que pensar. O sentimento de culpa estava a instalar-se rapidamente. A palavra “culpado” desenhava-se na minha mente, como se estivesse a ser escrita a tinta indelével.

- Tomei a liberdade de pedir a Aro que reservasse um bilhete para Boston, em teu nome, para esta noite. – Esme olhava para mim enquanto falava, tentando perceber a minha decisão. – Espero que sejas responsável e que, pelo bem de Bella, te afastes durante um tempo.

Saí dali completamente desorientado e arrastei-me para o meu quarto, fechando a porta à chave. Passei ali parte do dia sempre a pensar em Bella e na decisão que eu teria que tomar. Quando decidi, fui até ao quarto de Bella, que continuava a dormir, e beijei-lhe as mãos e o rosto. Junto ao seu ouvido murmurei que a amava e saí.

Arrumei as minhas coisas e escrevi um bilhete para ela ler quando acordasse. Porém não pude voltar ao seu quarto porque Charlie não me deixou, por isso, optei por deixar-lhe o bilhete no meu, com a esperança que ela o encontrasse, quando lá fosse procurar-me.

Regressei aos Estados Unidos sozinho e miseravelmente infeliz. Tentei muitas vezes falar com Bella, tanto para Bordighera como para Stanford, mas nunca consegui que ela me atendesse. A não ser quando Alice me ajudou com aquela ideia.

Desde o meu regresso, procurei sempre ter notícias dela, acompanhá-la mesmo ao longe e proporcionar-lhe a ajuda necessária. O Charlie não lhe dava dinheiro nenhum porque Bella se recusara a telefonar-lhe, cortando ela mesma, relações com o pai. Tentei enviar-lhe dinheiro através do meu pai mas Carlisle não aceitou e passou a ser ele a pagar-lhe o aluguer da casa, para onde ela fora na Califórnia, as despesas com os estudos na Universidade e tudo o mais que fosse necessário, com excepção das suas despesas pessoais que eram suportadas por Renée.

Perdido nos meus pensamentos e inquietações acabei junto ao rio, sentado num banco. Precisava de arrumar a minha cabeça e resolver de uma vez por todas o caos em que a minha vida se transformara. O curso de medicina era muito exigente e trazia grandes responsabilidades, pelo que eu não podia continuar com a cabeça ausente de tudo o que não estava minimamente relacionado com Bella. Teria que encontrar um equilíbrio satisfatório para não me perder ainda mais e largar a universidade.

Bella faria dezoito anos dali a de três dias. A data que eu tanto ambicionava para a levar para perto de mim. Contudo as coisas estavam diferentes. Já não era o Charlie quem me mantinha afastado, era a própria Bella.

Não podia aceitar que as coisas ficassem por ali, por isso, atravessei o país e no dia do seu aniversário, quando ela abriu a porta de casa, encontrou-me sentado no chão à sua espera.

A sua primeira reação foi dar um passo atrás e voltar a fechar a porta, contudo antes de fechar a porta totalmente, voltou a abri-la e ficou parada a olhar para mim. Estava linda, com uns jeans azul escuros e uma T-shirt vermelha que tinha escrito “eco logical” em letras estilizadas.

- Bom dia, Edward, – disse ainda surpresa.

- Bom dia, love. Queria dar-te os parabéns logo pela manhã. – Levantei-me e estendi-lhe a mão. – Gostava de te convidar para dares um passeio comigo. Dizem que a baía de S. Francisco é muito bonita, dás-me o prazer da tua companhia?

Bella hesitou, voltou a entrar em casa, mas acabou por sair, de casaco e sacola na mão, fechando a porta.

- Vamos? – Disse ela colocando a bolsa a tiracolo.

Sorri meio aparvalhado ainda não acreditando na minha sorte. Estendi o braço para lhe dar a mão mas ela desviou-se ligeiramente recusando a minha oferta. Dirigi-me ao carro que tinha alugado, abrindo-lhe a porta para ela entrar. Antes de colocar o carro em funcionamento, virei-me para ela e entreguei-lhe uma bolsa de cetim azul.

- É a tua prenda de aniversário. Espero que gostes.

Ela segurou o saco e desatou o cordão lentamente. Quando tirou para fora o livro que lá estava dentro, abriu a boca de espanto.

- On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or the Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life By Charles Darwin – leu ela, incrédula.

- É uma edição especial de comemoração dos cem anos da morte de Darwin.

- Meu Deus, Edward! Como conseguiste uma preciosidade destas?

- Já a tenho há algum tempo. Comprei-a de propósito para os teus dezoito anos. – Sorri ao perceber que ela tinha gostado muito do livro. – Como sei que adoras Darwin, não podia deixar escapar esta oportunidade. Ainda bem que gostas.

- Obrigada. Podes apostar que gosto mesmo. – Corou muitíssimo quando, num impulso, me deu um beijo no rosto. Recompôs-se rapidamente e apontando para a estrada disse: - Talvez seja melhor irmos andando.

Fomos andando um pouco ao acaso, à medida que me orientava com o mapa que tinha comprado no aeroporto de San Jose, uma vez que eu não conhecia a região. O facto de não ter dormido muito, dado que o voo de quase sete horas se prolongou por uma parte da noite, também não estava a ajudar nada. A determinada altura, Bella pegou no mapa e foi-me dando indicações da direção que eu deveria seguir pela península. Fomos até à cidade de San Francisco e parámos no alto de uma colina onde se avistava uma grande parte da baía e a Golden Gate. O dia não estava particularmente limpo, o que segundo ela era normalíssimo, mas ainda assim a paisagem era muito agradável. Sentámo-nos a apreciar o momento. Não tínhamos dito praticamente nada um ao outro desde que saímos de sua casa, pela manhã.

- Bella, precisamos de falar. - Ela manteve-se em silêncio, o único indício de que me tinha ouvido foi a sua reação corporal, que se tornou mais rígida. – Preciso que me deixes explicar-te o motivo pelo qual vim embora, para que possas entender que foi para te preservar. De certa forma, foi para te defender das ameaças do teu pai e das…

-Shhhhhh. Eu não tenho pai – interrompeu-me ela, apertando as mãos em punhos bem fechados. – Não digas nada Edward. Agora não, ainda não. Preciso de mais tempo para aceitar a volta de cento e oitenta graus que a minha vida deu. – Fez uma pausa para respirar fundo. – Ainda me é muito doloroso encarar esta nova realidade.

- Amor, eu posso ajudar-te a ultrapassar tudo. Eu ajudo-te a ti e tu ajudas-me a mim. Não consigo ficar sem saber se tu me perdoas.

- Não há nada para perdoar. Fomos ambos vítimas das circunstâncias.

- Isso significa o quê? Vamos ficar bem um com o outro? Vens comigo para Boston? – Não estava nada a gostar do tom de voz dela, parecia desprendido.

- A nossa vida mudou bastante. Tudo o que nos fizeram passar, deixou feridas que ainda não estão cicatrizadas. Precisamos de tempo para ficarmos bem.

- Quando tudo aquilo aconteceu cheguei a pensar em fugir contigo para longe e nunca mais voltar.

- Pára. Não vamos dizer mais nada, hoje. Vamos aproveitar o dia e passear como se fôssemos duas pessoas normais. – Vendo que eu ia dizer alguma coisa, Bella colocou a sua mão nos meus lábios, não me deixando falar. Agarrei a mão dela e, de olhos fechados, aspirei o seu cheiro enquanto sentia a suavidade da sua pele. – Prometo que da próxima vez que nos encontrarmos conversamos sobre o assunto. Vamos aproveitar este momento. Afinal fizeste uma viagem de quantas horas para estares aqui, hoje? Sete? Oito?

- Quase sete horas. – Sorri com a sua mudança de assunto.

-Vês? Vamos aproveitar, está bem? Vais embora quando?

- Amanhã à noite, – disse com esperança que ela me pedisse para ficar mais tempo.

Bella não fez nenhum comentário. Com uma expressão enigmática, deixou-se relaxar parecendo esquecer que a sua mão continuava no meio das minhas. Depois de passar um tempo considerável ela levantou-se, fazendo-me levantar também, e recomeçámos o passeio, desta vez a pé e de mãos dadas.

Não conseguia perceber o que se passava na cabeça dela, mas o facto de ela se sentir confortável na minha companhia era demasiado importante para eu desvalorizar e não aproveitar.

Passámos o resto do dia na cidade sem visitar nada em especial, apenas deambulando pelos parques e andando de cable car. A certa altura ela faz uma alusão a uma viagem pelo vale de Napa, mas não chegámos a ir. Já bastante tarde na noite, com as temperaturas um pouco mais baixas, regressámos a sua casa, fazendo uma única paragem para comer num Burger King. Em frente à sua porta, parei esperando um convite para entrar que não sabia se viria.

- Estás em que hotel?

- Não estou em nenhum. Ainda não procurei, vim do aeroporto diretamente para aqui. Como já era demasiado tarde, acabei por ficar no carro.

Bella ficou pensativa e eu suspendi a respiração.

- Entra. Podes dormir no sofá. É velho e desconfortável mas sempre é melhor que um Ford.

A casa dela era peculiar. Parecia que estava no último dia de mudanças, de tal forma estava vazia. Tinha um sofá decrépito, uma estante baixa com uma dúzia e meia de livros e uma mesa com duas cadeiras diferentes, em cima da qual se encontrava o seu portátil e um livro científico. Ao fundo, havia uma cozinha, aparentemente equipada, com uma bancada de trabalho a separá-la da zona da sala. As paredes da casa tinham cores quentes mas estavam completamente despidas, tal como as janelas. Bella deve ter reparado na minha cara de admiração porque franziu a testa e entrou numa divisão que eu supus ser o ser quarto de dormir. Voltou com uma braçada de roupa de cama.

- Não tenho tempo para ir às compras. E depois sou só eu. A Alice quando me visita é por poucos dias. – Desculpou-se ela.

- Precisas de dinheiro? – Perguntei já a imaginar o que poderia fazer para colmatar essa falha. Se ela permitisse que eu fosse às compras com ela eu poderia pagar tudo o que ela quisesse. – Se precisares de companhia para ir às compras, podemos fazê-lo amanhã.

- Não obrigada. Eu tenho o essencial. – O tom que usou era perentório, não deixando margem para contrapor. – Pareces cansado, tens que dormir. Tens aqui lençóis, uma almofada e um saco cama que serve de cobertor.

- Obrigado, love.

- Se preferires dormir no chão, tens aqui material que podes utilizar. - Foi dizendo ela enquanto abria um armário embutido, no qual eu não tinha reparado por ter as portas pintadas da mesma cor da parede. Do seu interior retirou uma mochila de campista que tinha preso um colchão enrolado. A mochila revelava algum uso e estava bem apetrechada.

- Tens acampado ultimamente? – Perguntei curioso.

- Algumas vezes. Esta zona da Califórnia tem muitos microclimas o que suporta uma enorme biodiversidade. Stanford fomenta muito a investigação. Mas agora, talvez seja melhor dormires, mal te aguentas de pé. Queres beber um chá ou um leite quente antes de dormir?

- Não, obrigada, love. Estou realmente cansado.

- A casa de banho é por aquela porta, à direita. Não te assustes com o tamanho. Precisas de alguma coisa mais? – Eu dei-lhe um sorriso apenas. – Nesse caso até amanhã, Edward. Dorme bem.

Virou as costas e foi pela porta que me tinha indicado. Estiquei os lençóis e, na procura pela casa de banho, entrei num hall espaçoso que possuía três portas. Abri a porta mais à direita e entrei na casa de banho que era quase tão grande como a sala. Tinha uma janela enorme desde o teto até a meio metro do chão, que estava tapada com um enorme pano branco preso por dois pregos e um fio.

Acordei cedo na manhã seguinte por causa da claridade. Demorei dois segundos a perceber onde estava levantando-me de seguida enrolado no lençol. Cheirava a café mas não havia sinal de Bella. Fui até ao hall interior e, pela porta entreaberta, vi que a sua cama estava vazia. Cheio de curiosidade abri um pouco mais a porta e observei o seu quarto. Além da cama, havia um longo cabide com rodas e um sofá velho, idêntico ao da sala, ao lado da cama estavam três malas empilhadas que serviam de mesa de apoio. Em cima delas estavam três livros, a bolsa com o livro que lhe tinha oferecido e uma foto dela com Alice. Ouvi a porta de entrada a abrir e, procurando deixar tudo como estava, entrei na casa de banho para fazer a minha higiene diária.

- Bom dia, love. – Disse-lhe quando voltei para a sala já vestido e calçado.

- Bom dia. Fui comprar muffins para o pequeno-almoço, comprei também pãezinhos com queijo. Há leite, café, sumo de laranja, cereais e torradas. O que preferes?

- Normalmente passo com cereais e leite, mas havendo pãezinhos com queijo na ementa, não resisto.

- Eu vou acompanhar os meus com sumo multivitaminado, Bebes o mesmo?

- Sim, se fazes favor. Um café também pode ser.

Tomámos o pequeno-almoço relaxadamente, como se fosse um ato habitual nas nossas vidas. Quando estávamos a arrumar as coisas o meu telefone tocou.

- Bom dia Emmett. Precisas de alguma coisa?

- Bom dia mano, estou a interromper as tuas aulas? Preciso falar contigo.

- Não estou nas aulas, podes falar.

- Ontem a Bella fez anos, eu tentei telefonar-lhe mas ela não atendeu. Contudo, hoje a Alice ligou-me muito preocupada porque a irmã também não atendeu os telefonemas dela. – Emmett fez uma pausa como se ponderasse dizer o que queria. – Olha, acabei por ficar preocupado também. Não te queria preocupar mas… A Alice queria ir à Califórnia ver como está a irmã mas acontece que tem uns trabalhos para entregar no final da semana e não pode sair de Nova York. Pediu-me para ir lá eu. Não sei o que fazer. Diz-me a tua opinião.

Emmett mostrava-se pouco à vontade por me estar a ligar para falar desta situação. Ri-me do seu nervosismo, sabendo que teria que lhe dizer onde estava.

- Emmett, não fiques preocupado, a Bella está bem.

- Pois, é claro que está. Mas a Alice… Espera aí, como é que tu sabes? Ela atendeu o teu telefonema? Não. Não me digas que…

- Sim, eu estou na Califórnia em casa dela.

- Como?... – Imaginei que estivessem a passar mil e uma coisas pela cabeça do meu irmão. - Deixa lá, quando chegares quero que me contes tudo. Tenho que telefonar à Alice. Fica bem e dá-lhe um beijo de parabéns por mim.

- Xau, Em.

Suspirei enquanto colocava o telefone no bolso. Porque será que Bella não atendeu o telefone? Realmente não o tinha ouvido tocar nenhuma vez no dia anterior. Aproximei-me dela, peguei-lhe nas mãos e dei-lhe dois beijos na face.

- O Emmett pediu-me para te dar um beijo de parabéns. – Ela encarou-me com uma expressão de culpa, sem dizer nada. – O segundo beijo é meu. Na verdade houve um erro em tudo isto. - Vi-a empalidecer. Inclinei-me novamente e encostei os meus lábios aos dela. – O meu beijo era este. – Acrescentei numa voz enrouquecida.

Bella corou e mordeu o seu lábio inferior. Este seu gesto inconsciente era sinal do seu nervosismo.

- A tua irmã está preocupada contigo, devias telefonar-lhe. Ontem não atendeste o telefone nenhuma vez. Porquê, Bella?

- Não queria falar com ninguém. Tinha planeado passar o dia fora. Precisava de tentar esquecer tudo por um dia. – Os seus olhos estavam tristes. – Tu apareceste e eu pude fingir que estava tudo normal.

- Existem pessoas que se preocupam contigo.

- Vou telefonar-lhe agora. Prepara-te que vamos sair a seguir.

Virou-me as costas e foi para dentro. Quando voltou passado dez minutos, vinha sorridente e de sacola a tiracolo.

Passámos o dia a passear nas redondezas e a fazer algumas compras. Bella ficou muito incomodada por eu pagar as suas coisas e querer comprar outras para a sua casa. Ainda consegui que ela aceitasse comprar dois candeeiros, um de mesa para o seu quarto e outro de pé alto para a sala. Queria ter-lhe comprado mais coisas mas ela não deixou.

 Com o final da tarde chegou a hora da minha partida. Deixei-lhe um envelope com dinheiro junto aos lençóis, no sofá. Peguei no meu saco de viagem e no meu casaco e dirigi-me à porta.

- Espero que me telefones se precisares de alguma coisa. Podes contar comigo, não te vou falhar.

- Voltamos a ver-nos um dia destes. Talvez vá a casa dos teus pais, no dia de Ação de Graças.

- Posso voltar aqui, para te ver.

Puxei-a para mim e abracei-a com força. De repente, num ato impensado, larguei o saco e o casaco e beijei-a. Precisava de voltar a sentir os seus lábios. Quando me afastei para voltar a pegar nas coisas, ela lançou os braços ao meu pescoço e procurou a minha boca. Beijámo-nos com sofreguidão. Ficámos abraçados um minuto até ela se afastar.

- Obrigada por teres vindo.

- Amo-te, Bella.

- Gostei muito de te ver.

Regressei a Massachusetts mais tranquilo e com um plano em mente. A Alice iria divertir-se à grande.

publicado por Twihistorias às 18:00

16
Jul 13

 

 

 

Epilogo

Sete anos mais tarde

Um raio solar batia nos meus olhos. Remexi-me no meu beliche e coloquei a almofada a bloquear aquela luz solar.

Ainda não tinha tocado a sirene para nos despertar, ainda tinha algum tempo para dormir.

Era o que mais odiava na prisão, não havia cortinas na pequena janela da cela, por isso, assim que amanhecia o sol tratava de nos torturar aquelas poucas horas de sono.

Era oficial, não iria conseguir dormir mais, mas eu era uma lutadora, por isso não seria eu a dar a parte fraca e saltar da cama antes do soar do despertador.

Por isso ali fiquei imóvel na tentativa de enganar o sol, talvez assim ele desaparecesse.

Pensei nas pessoas que estavam cá fora e já não via à anos. Pessoas que outrora foram importantes para mim, algumas ainda o eram.

Pessoas que já não teria a oportunidade de ver, que não iriam estar à porta à minha espera.

A minha mãe.

Ela morrera quatro anos depois de eu ser presa.

Ataque cardíaco fulminante.  

Estava ótima num momento, como no seguinte estava morta. Aparentemente isto acontecia mais vezes do que se pensa.

Ainda me lembro do dia em que o Sam me veio fazer a visita para me dar a notícia. Assim que o vi entrar pela porta das visitas soube que algo de grave se tinha passado, não imaginava é que seria para me dar aquela notícia.

Não pude ir ao funeral dela. Não tive a oportunidade de me despedir da minha mãe e isso era o que mais me custava nisto tudo. Com os olhos inundados em lágrimas e entre soluços implorei ao Sam para levar um ramo de rosas brancas e colocar sobre ela e para ele lhe dizer que eram minhas. Para frisar bem esse ponto, para ela saber que eu me lembrava dela e que a amava muito.

Depois da minha mãe falecer era a Emily que me vinha visitar uma vez por mês. A viagem era demasiado longa para vir mais frequentemente, no entanto a Emily adoeceu. Afinal de contas, a idade não perdoa, e passou a ser difícil para ela se deslocar em longas distâncias.

Ethan, assim como Bentley, teve que deixar de me visitar, a idade não passava para ele devido À sua condição de lobo. Ainda não tinha aprendido a controlar. Além que ainda combatia alguns vampiros e ajudava o Sam com os novos membros da matilha.

Basicamente as minhas visitas ao longo destes sete anos foi muito simples. O primeiro ano e meio que estive presa as visitas pertenceram ao Bentley, e o ano e meio seguinte pertenceu ao Ethan. Eles tinham chegado a esse acordo, para me proporcionar mais algum tempo da companhia deles.A minha mãe veio semanalmente nos quatro anos em que foi viva. A Emily acompanhava a minha mãe em algumas dessas semanas e depois da minha mãe morrer ela ainda veio dois anos mensalmente. Depois as visitas simplesmente desapareceram. Ou apareciam em casos mais especiais ou porque simplesmente estavam por perto. Mas eram tão raras que ficava 3 meses ou mais sem visitas.

Estava tão habituada a esconder as minhas verdadeiras emoções que nunca revelei a ninguém o quanto eu me sentia sozinha e abandonada por vezes.

Desde à dois anos para cá, pedi a ambos que deixassem de me ligar ou escrever. Que ambos seguissem com a sua vida.

Custou faze-lo, mas era pior estar privada da visita deles e alimentar uma esperança em relação a eles apenas com cartas e telefonemas.

Não era justo para eles, e não era justo para mim.

Apesar de relutantes, tanto o Ethan como o Bentley respeitaram a minha decisão, apenas a quebrando em ocasiões especiais, como anos, natal, passagem de ano, a data do dia em que nos conhecemos. Ethan foi o único que me enviou uma carta no dia em que o Jackson nasceu, para celebrar o nascimento dele e uma no dia em que ele morreu. Foi a forma de estar “ao meu lado” nesse dia. Tinha-o feito todos os anos.

O som da sirene fez-se ouvir por todas as alas.

Estava na hora de levantar, não tardaria chegaria a minha vez de ir tratar da minha higiene pessoal, depois teria umas horas no pátio para relaxar ou apenas ir para a ala do ginásio e depois teria que me dirigir para a cozinha, era a minha semana de fazer o almoço juntamente com outras presidiarias.

-Se vai haver uma coisa que não vou sentir falta quando sair daqui é desta estupida sirene. – resmungava a Amanda assim que se levantava do beliche de baixo.

Amanda era uma rapariga mais ou menos da minha idade, de cabelos loiros e bastante ondulados. Estava presa por agressão e assalto.

Ao início foi complicada a nossa convivência. Eu não confiava nela, e ela não confiava em mim. Ainda nos envolvemos em algumas brigas, mas com o tempo aprendi a lidar com ela e vice versa. Agora eramos quase como irmãs ali dentro. Tomava-mos conta uma da outra.

-Bom dia Amanda. – respondi de forma divertida.

-A sério miúda. Estes gajos haviam de acordar assim em casa também para ver o que é bom. É que já tamos a pagar pelo nosso crime, não é necessário torturar.

Desci da cama e comecei imediatamente a desfazer a cama. Aqueles lençois teriam que ir para lavar e não era a guarda que iria desfazer a cama de certeza. Nunca eram.

Deixei a Amanda ali a reclamar com a sirene enquanto ambas tratávamos de deixar a cela arrumada o suficiente para a possivel vistoria da guarda.

Sim, vistoria. Aleatoriamente eram escolhidas 3 celas para vistoria diariamente. Se não estivessem devidamente arrumadas iriamos ficar trancados na nossa cela esse dia inteiro, como forma de castigo.

Acreditem que um dia inteiro num cubículo daqueles é uma tortura ainda maior que a sirene.

-Então tudo pronto? – perguntou-me ela sentando-se na cama enquanto me observava. – Quer dizer estás preparada?

-Sim, acho que sim. – o meu sorriso não se alargou muito.

-Sei… - disse ele de forma superior.

Fomos interrompidas pelo destrancar das portas. Toda a gente começou a sair. Agarrei nas minhas coisas e despachei-me para os balneários.

Assim que estava com o meu macacão azul marinho sai para o pátio. Aos poucos este começava a encher-se.

Ao contrário dos outros dias, hoje à minha volta era um frenesim.

 O motivo disso era o resultado da revisão da minha pena que se tinha dado no início da semana. Estava receosa em relação a isso. Tudo podia acontecer, a pena aumentar, diminuir ou mesmo eu ficar livre.

Ainda não acreditava muito na decisão do juiz por isso evitava ao máximo pensar nela.

Mas a verdade é que a partir das 16 horas eu estava oficialmente livre. Iria ser uma cidadã livre.

Uma pessoa livre e sozinha lá fora.

Optei por não comunicar ninguém lá fora sobre esta saída.

Eu iria começar uma vida nova.

A manhã passou demasiado rápido e o friozinho na barriga aumentava a cada minuto que passava.

Depois de almoço todos eramos retirados para as nossas celas por umas horas. E como eu ainda não estava livre, o dia estava a correr conforme o horário de um dia normal.

-Prometes que me esperas quando eu sair? – perguntava a Amanda.

Assim como eu ela era órfã, e não teria ninguém do outro lado do portão à espera dela.

-Sabes que sim. Vou procurar uma casa, emprego e depois vens para a minha beira. – sorri em forma de encorajamento.

Ainda lhe faltavam 10 anos para ela cumprir e estaria livre. Muito podia acontecer naqueles 10 anos, mas eu pretendia realizar a minha promessa.

A porta da minha cela abriu e estava uma mulher com o seu uniforme a sorrir para mim.

-Vamos minha querida, os teus dias aqui terminaram. – quem disse que os guardas eram todos maus enganaram-se. Eles são bem simpáticos, apenas reagem quando nós abusamos.

-Adoro-te. – foi tudo que tivemos oportunidade de dizer uma à outra num abraço apertado antes de eu ter que me retirar.

A guarda Callen acompanhou-me ao longo dos corredores. Ouvia o barulho de coisas a bater nas grades. Era a forma de prestarmos tributo numa prisão a alguém que estava a sair em liberdade.

Não consegui evitar as lágrimas escorregarem-me pelos olhos.

Finalmente o capítulo intitulado Chester estava terminado, e era algo que eu nunca mais queria recordar.

Agora iria começar um novo, com uma nova Kelsi. Porque a Kelsi antes do Chester, essa menina não tinha sobrevivido aos ferimentos.

Esta nova Kelsi era talvez um pouco mais fria, mais desconfiada, mas era uma Kelsi viva.

E eu iria lutar por me manter assim e por ser livre.

-Espero nunca mais te ver Kelsi Miller – disse a guarda Callen com um sorriso no rosto – no bom sentido claro.

-Eu também.

Depois disto respirei fundo enquanto aguardava que o portão de ferro maciço se abri-se e dei um paço determinante em frente.

Um paço para a liberdade, para um renascer.

Dei por mim de olhos fechados a cheirar a brisa da liberdade.

Tinha um sorriso nos lábios mesmo sem me aperceber.

Não quis que o meu advogado me fosse buscar, por isso teria que me desenrrascar para apanhar um táxi. Provavelmente teria que andar um bom pedaço até encontrar um.

Mas nada disso me dasanimou.

Continuei apenas ali, a saborear a liberdade.

Meu Deus, uma pessoa só dá valor a estas coisas quando as perde. Como eu sentia a falta do mar, da areia, de correr descalça no mato como fazia quando era pequena, de andar de mota.

Tinha tantas coisas para fazer.

Abri finalmente os olhos.

O céu estava acinzentado, à muito que o sol tinha fugido. Por vezes pensava que ele aparecia apenas para me acordar antes da hora da sirene.

Mais uma vez dei por mima  sorrir. Nunca mais acordaria ao som da sirene.

Olhei em frente para começar à procura de um táxi e foi quando alguém surgiu no meio do parque de estacionamento.

Não estava de todo a contar com ele ali. Aliás, não contava ali com ninguém.

Mas lá estava ele, a sorrir para mim e de braços abertos. Como sempre foi nestes 7 anos.

A diferença é que agora o podia abraçar.

E foi assim que tive a certeza que era com ele que eu queria estar.

A minha escolha tava feita.

Corri para abraçar aquele que era o homem da minha vida.

-Oh Kelsi tive tantas saudades tuas. – disse-me ao ouvido enquanto me segurava nos seus braços.

-Amo-te tanto. – disse por fim. – Desculpa ter demorado tanto a perceber isso.

Ouvi a pequena gargalhada dele ao meu ouvido.

-Eu também te amo, mas isso já tu sabias. – e depois destas palavras carinhosamente beijou-me.

FIM

 

Nota da autora:

Antes de mais o meu obrigado por não terem desistido da historia "I wish", mesmo com estes tempos de espera infernais. (Eu sei, que vergonha) Mas a vida deste lado aqui não está facil.

Peço desculpa também pelo final, mas foi o mais apropriado para mim. Deixo à imaginação de cada um de voces quem é ele...eheh

Pode ser que venha mais surpresas...eheh...sem data marcada e sem compromisso!! XD

 

 

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